quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

COISAS DA SUÍÇA

O Geraldo Hoffmann, jornalista catarinense que está morando na Suíça mantém, com mais dois jornalistas, o blog Coisas da Suíça, ao qual me referi há alguns dias. Depois que falei na Suíça, alguns leitores pediram-me mais informações sobre como funciona a história de prevenção de desastres por lá.

Aí, pedi ao Geraldo mais informações e ele mandou ontem no final do dia esta cartinha, informando que o assunto virou reportagem e será publicado no Swissinfo, o portal suíço com notícias em português:
“Caro César,
vou publicar uma matéria amanhã no site da swissinfo.ch sobre o esquema de proteção contra enchentes na Suíça. Os suíços adotam o que chamam de "Sistema Integrado de Proteção às Cheias". Contém vários elementos. Um deles é o um seguro obrigatório contra incêndios e riscos naturais - incluídas aí as enchentes, avalanches de neve etc. Sem esse seguro ninguém consegue autorização para construir. Como todo proprietário de imóvel é obrigado a tê-lo, ele é relativamente barato para os padrões suíços.

Por exemplo: para uma casa que vale 500 mil francos (413 mil dólares - o que não é raro na Suíça), o seguro vai sair em torno de 210 francos ao ano (173 dólares). Esses números valem para o cantão (estado) de Friburgo, de onde saíram os suíços que fundaram Nova Friburgo (RJ) e onde mora o diretor do Departamento Federal de Proteção contra Enchentes, Olivier Overnay, com quem conversei hoje. A taxa do seguro pode variar de cantão para cantão - aqui, o federalismo dá muita autonomia aos estados. Em Friburgo, explicou-me Overnay, paga-se 42 centavos (Rappen) por 1.000 francos segurados (do valor da casa ou do edifício). No caso de uma casa ou o edifício ser destruída(o) por uma enchente, por exemplo, a seguradora repõe um(a) de mesmo valor de mercado. O terreno não é segurado.

Pelo que me disseram na Secretaria Federal de Meio Ambiente, em Berna, a Suíça é o único país do mundo em que um seguro incluindo riscos naturais é obrigatório para todos os proprietários de imóveis. Em alguns outros países, é possível fazer esse seguro quando se mora numa área de risco. E, como não vale para todos, é caro. O princípio do seguro suíço é criar um máximo de solidariedade a custo mínimo para não deixar ninguém na chuva. Mas o seguro sozinho não resolve. Essa solidariedade é fomentada também através de outras medidas, como verás na matéria. Te mando a URL assim que publicar.

Abraços
Geraldo”

3 comentários:

Anônimo disse...

Com o descaso que temos das autoridades, com as obras que NÃO SÃO FEITAS visando a proteção do cidadão, enfim, do jeito que é o Brasil, aqui o seguro não seria viável de maneira alguma.

Daniel disse...

Temos que evoluir muito em educação, civilidade e honestidade antes de querer se igualar à eles.

Ou vocês acham que na suiça neguinho constroi nas margens dos rios?? beirada de barranco??

Que atire a primeira pedra, um morador de Floripa atingido gravemente pela chuva que tem:

Habitese na sua casa.

Projeto aprovado na prefeitura (sem puxadinhos depois da vistoria).

Ou que tenha pelo menos a escritura legal do imóvel.

Alguem se habilita??

Anônimo disse...

Ave,César!
Apenas para agradecer pela atenção que recebeu meu pedido de maiores detalhes sobre o "seguro calamidades" que existe na Suiça e que o Geraldo acabou de fornecer. Temo, apenas, que alguém da politicalha tupiniquim os tenha lido. Que não ouse se limitar a copiar a idéia e, na maior cara- de-pau, simplesmente propor a acumulação de mais um IPT-toma!
abr, waltamir