domingo, 30 de novembro de 2008

DIARINHO FECHA O BLOG

O blog de emergência do DIARINHO, o DIARINHO na Chuva, foi fechado hoje. A pequena equipe do jornal não tem como manter um blog com a qualidade que o jornalismo online exige, sem comprometer suas atividades no veículo impresso. Era para ser um “blog de emergência” que funcionasse enquanto o jornal não estivesse circulando, mas acabou sendo mantido por quase uma semana (o jornal só não circulou na terça-feira).

No texto que informa o final do blog, foi contada a breve história da experiência. Transcrevo:
“E O DIARINHO FEZ UM BLOG!

Na manhã da segunda-feira passada (dia 24/11), quando boa parte dos exemplares do DIARINHO ficaram retidos nas estradas intransitáveis e as casas de muitos dos colegas estavam sendo invadidas pelas águas que, depois de causar destruição e morte vale acima, estavam chegando ao estuário do Itajaí-Açu, ficamos diante de um dilema.

Mais que nunca era preciso informar. E como em poucas ocasiões anteriores, isso parecia tão difícil, quase impossível. A sede do jornal, sem luz e sem internet, estava ameaçada de também ser invadida pela água. O pessoal não tinha mais como se movimentar na cidade. Dois repórteres, que tinham ido cobrir os Jogos Abertos, estavam ilhados em Timbó.

Aí, os poucos que tinham internet e luz em casa trocaram idéias pelo MSN e em pouco tempo se decidiu utilizar a saída mais rápida fácil e barata disponível: um blog. O DIARINHO nunca foi de fugir da briga e não seria desta vez que ficaria quieto, num canto, com água pelo pescoço.

Este nosso DIARINHO na Chuva foi criado, então, justamente como uma escotilha de emergência. Uma alternativa para manter contato com os leitores (pelo menos com aqueles que ainda estavam conectados). Havia, além das demais dificuldades naturais da situação em que a cidade e todos nós nos encontrávamos, o fato de nunca termos experimentado fazer jornalismo online. Ou de tempo real, como também é chamado. O que existe do DIARINHO na internet é um site estático, onde a edição impressa é reproduzida, uma vez por dia.

Mas nem tomamos conhecimento desses obstáculos e o blog entrou no ar às 13:06 da segunda-feira, dia 24. E mostrou-se ainda mais útil logo nas primeiras horas de vida, quando se confirmou o fato de que o DIARINHO de terça não seria impresso, por absoluta impossibilidade de ser distribuído. A região estava vivendo o caos da enchente. Todo o material que seria publicado no jornal foi então colocado no blog.

Rapidamente, como geralmente acontece na internet, houve uma divulgação viral da existência do DIARINHO na Chuva, com uma espécie de “boca-a-boca” que na verdade era “blog-a-blog” e em menos de 24 horas de sua criação, o número de visitantes únicos chegava à impressionante marca de 16 mil. Gente de todos os lugares, do Brasil e do estrangeiro, procurava no blog do DIARINHO informações sobre a situação em Itajaí e região.

Foram publicadas 242 notas (ou posts, como também se diz), cerca de 40 por dia, em média. E colocamos links ou referências para os principais sites e blogs que também estavam acompanhando o desastre.

Os leitores serão os principais avaliadores da experiência mas, aqui do nosso lado do balcão, o DIARINHO na Chuva foi uma experiência importante, uma aventura num mundo novo do qual vamos tentar cada vez mais fazer parte e, assim que for possível, assumir também aí o protagonismo que os 30 anos de independência e destemor do DIARINHO merecem.

Mais uma vez obrigado. E até a próxima experiência online do DIARINHO. Se Deus quiser, numa situação completamente diferente desta.”

POESIA CONCRETA

Frase que meu amigo e ex-colega Carneiro diz que ouviu de uma gari:
“A vassoura é minha caneta e o chão é meu caderno”

DUAS OU TRÊS COISINHAS...

Conversei hoje com parentes que foram atingidos pela enchente em Itajaí e estava pensando, ainda agora, quando chegava de volta a Florianópolis em escrever alguma coisa sobre essa delicada questão da ajuda e da solidariedade.

Aí vi que o Damião fez vários posts com as observações dele e disse muitas coisas com um ponto de vista muito semelhante ao meu.

Mas ainda tem coisas que eu gostaria de reforçar. O principal, acho, é que quem mora aqui por perto e tem parentes, amigos, conhecidos ou amigos de amigos nas áreas atingidas, deve procurar fazer a ajuda chegar diretamente. Até porque as necessidades são diferentes de uma família para outra. E embora a grande maioria dos voluntários nos centros de recepção e triagem estejam fazendo um trabalho espetacular, sempre tem aquele ou aquela que acaba separando para si as coisinhas melhores ou até levando pra casa coisas que deveriam ser distribuídas.

Doar dinheiro, só mesmo quando se está longe e não tem outra saída. Espera-se que o governo preste contas e que os organismos de fiscalização fiquem em cima, mas a experiência mostra que a grana desses fundos acaba sendo usada para tapar outros buracos que não os abertos pela enxurrada. É possível que agora seja diferente? Claro, é isso que todos esperamos. Mas com os quatro pés atrás.

Outra coisa: parente nossa comprou, com sacrifício, uma casinha no Promorar, em Itajaí, num condomínio financiado pela Caixa que tinha 100 casas. Tudo legalizado, em área autorizada. Como a área era baixa, a água atingiu o teto das casas. A inundação chegou a quase três metros de altura. É bem possível que alguém, na estrutura da Prefeitura, soubesse que aquela era uma área de risco de inundação. Não é possível que ninguém desconfiasse disso. Os moradores, em todo caso, em sua maioria, chegaram depois da última inundação e não tinham idéia de que ali poderia acontecer uma coisa dessas. Embarcaram na boa fé, empenharam as parcas economias e agora estão, literalmente, com uma mão na frente, outra atrás, sem saber a quem recorrer.

Portanto, a partir de agora, a ajuda de advogados poderá ser muito útil. Mas, por favor, Advogados com ética maiúscula e não desses aproveitadores mercenários que já chegam fazendo as contas (“30% da indenização de 100 famílias dará...) e empurrando uma procuração sem explicar direito o que farão. É muito triste ter que avisar o pessoal que abra o olho porque tem sempre urubu rondando a carniça, mas a coisa está assim. Abram o olho.

ESSE SINDICATO...

Ainda há pouco recebi o telefonema de um dos diretores do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, o Luís Prates (da Comissão de Sindicalização), que estava irritado com a divulgação que fiz, aqui, da reclamação de associados contra aquela extemporânea cobrança de mensalidades atrasadas.

Mostrando que a insensibilidade não era acidental, mas institucionalizada, ele argumentava que “a vida continua, por acaso o pessoal vai deixar de pagar a luz, a água, as contas?” Até tentei argumentar que sim, que os atingidos pela enchente estão negociando algum tipo de moratória, mas sem sucesso. Ele insistia que essa turma que está “falando mal” do sindicato só está fazendo isso porque perderam as boquinhas.

“Perderam aquele escritório particular e mesmo assim ficam ligando para pedir dinheiro pra lançar livro, pra viajar, pra fazer isto e aquilo”, disse o diretor. Para ele, a injustiça não é o Sindicato não ter se manifestado sobre os jornalistas atingidos pela enchente e pela enxurrada, mas o que estes estão fazendo com o Sindicato: “tem ex-diretor que está devendo conta telefônica há anos e tem associado que não quer saber de participar das assembléias, mas se inscreve no prêmio Olívio Lamas pra ganhar os R$ 3 mil do prêmio”. Aí, de novo, tentei perguntar se ele estava dizendo que quem não participa ativamente da vida sindical não deveria se inscrever num prêmio aberto a todos os sindicalizados mas, de novo, não consegui saber, porque ele já emendou outra reclamação. Para o Prates a regulamentação da profissão vai acabar justamente porque os jornalistas não se unem. E aí, emendo eu, não pagam o sindicato.

Tenho a impressão que neste telefonema matutino que provavelmente vai me azedar parte do domingo, o diretor não estava disposto a ouvir, apenas a dar o seu recado. E enquanto escutava aquelas frases de quem, aparentemente não tinha entendido o sentido do vocábulo “insensibilidade”, pensava cá com meus botões: por que não me mandaram um e-mail? Por que atendi o telefone? Por que ainda me preocupo com isso?

O LADO SENSÍVEL DO SINDICATO

Na única coisa boa do telefonema fiquei sabendo que, sobre o desastre, “tem coisa lá no site”. Fui ver e de fato, no dia seguinte ao envio da correspondência cobrando as mensalidades atrasadas, o Sindicato colocou, no site, uma mensagem sobre a tragédia. Bem que poderia ter enviado junto, senão na íntegra, pelo menos alguns trechos, para que alguém, além dos frequentadores habituais do site, tomasse conhecimento. Vai ver que quem mandou a cobrança não sabia da nota de solidariedade e vice-versa.

Transcrevo abaixo a nota do dia 28, com o que a diretoria pensa sobre a tragédia catarinense.
Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e a tragédia no Estado

O Estado de Santa Catarina vive uma grande comoção por conta da tragédia que se abateu sobre grande parte do território, com mais força no Vale do Itajaí. Uma tragédia anunciada desde a última grande enchente de 1984.

O gasoduto explodiu, morros vieram abaixo, milhares de casas destruídas, mais de uma centena de mortos, danos materiais incalculáveis. Em algumas regiões a desolação é muito semelhante a uma situação de guerra.

Não bastasse toda a desgraça provocada pelas chuvas intensas, que duram mais de três meses, as populações ainda têm de conviver com ocorrências desumanas, como o caso dos comerciantes que estão majorando os preços dos alimentos, da água e do gás, em flagrante crime contra a economia e contra a vida. Há bombas de água, em Blumenau, sendo vendidas a R$ 50.

São as irracionalidades do humano que, infelizmente, aparecem junto com o bravo trabalho dos bombeiros, dos agentes da defesa civil, dos voluntários que não medem esforço para cooperar.

No meio de tudo isso a categoria dos jornalistas tem procurado, em alguns casos limitados às orientações de seus veículos, informar a sociedade sobre tudo o que está se passando. Alguns exageros sensacionalistas sempre aparecem, e só podemos lamentar. Mas, regra geral, a posição tem sido a de dar notícias da tragédia e provocar a solidariedade das pessoas que não foram atingidas para que ajudem e cooperem.

Muitos profissionais da região de Itajaí, Blumenau e adjacências - a mais atingida do estado – inclusive, estão passando pelas mesmas perdas que a maioria da população daquela região. E, ainda assim, estão em campo, noticiando, informando, agindo, ajudando. Esse é o nosso papel.

O Sindicato dos Jornalistas também está mobilizando-se na solidariedade, mas, fundamentalmente, está comprometido com a sociedade catarinense a ser o olho vivo de acompanhamento do pós-tragédia. O dia seguinte - quando as águas baixarem, quando as doações pararem de chegar, quando a vida retomar seu ritmo – também exigirá de todos nós o cuidado.

E, no geral, o que tem se visto é a volta do descaso do poder público, a falta de investimento na prevenção etc... A natureza, sozinha, não provocou o desastre.

Por isso, o Sindicato dos Jornalistas firma aqui um compromisso com os catarinenses. Estará atento e vigilante, não só na solidariedade concreta aos seus filiados que tenham sido vítimas da tragédia, cujo levantamento está sendo feito pelos diretores nas regiões, mas essencialmente no cuidado com a vida dos atingidos, quando seu drama deixar de ser notícia na TV.”


ATUALIZAÇÃO DAS SEIS E MEIA DA TARDE


O Luís Prates mandou e-mail reconhecendo que talvez tenha se expressado mal no telefonema e que a cobrança foi inoportuna. Que bom, então, que chegamos a um acordo. Concordo com ele que é preciso que os associados mantenham-se em dia com sua entidade e ele concorda comigo que agora não era a hora para levantar este assunto.

Quanto ao evidente acirramento do racha entre as correntes de jornalistas sindicalizados, só espero que isto resulte na criação de duas ou mais chapas para a próxima eleição, que permita a oxigenação da luta sindical. E, até lá, se existirem fatos a respeito das gestões anteriores que precisem ser esclarecidos, como sugeriu o Prates em seu telefonema, que esclareçam logo.

sábado, 29 de novembro de 2008

RÁDIOS NA INTERNET

Leitor deixou nos comentários o seguinte apelo:
“Estou acompanhando as notícias da tragédia pela CBN/Diário via internet aqui do sul do estado... mas báhhhh... tá enchendo o saco este sotaque "portalegrense pseudointelectual mascando chiclé"!

Por favor... isto é limpeza étnica (e ética também) dos meios de comunicação catarinenses! Que lástima... e alguns catarinas "lambe-botas" acham o máximo!!!

Alguém tem um link de alguma "rádia" lá do vale? Passa aí tio Cesar... mas báhhhh!!”

É, isso é um problema mesmo. Lembro que nas vezes que morei em Porto Alegre, os colegas do interior reclamavam do sotaque da capital. Mesmo aqui em Florianópolis tenho amigos gaúchos que também reclamam do tipo de reserva de mercado que a RBS garante para a meninada com aquele sotaque portoalegrense forte e bem marcado. Eu nem falo mais nisso, porque vão dizer que sou um velho rancoroso que só estou com inveja.

Bom, quanto ao apelo, acho que os demais leitores podem ajudar nas sugestões. Pra adiantar o serviço perguntei pra turma do DIARINHOnaChuva e eles me passaram os endereços de três rádios de Itajaí que estavam (pelo menos até ontem), falando na enchente:

Rádio Univali (www.univali.br);

Rádio Clube/Bandeirantes (www.radioclubebandeirantes.com.br), com programação da rede, mas alguns horários locais; e

Rádio BrasilEsperança (www.radio106fmitajai.com.br), que é de uma igreja, mas tem boletins noticiosos.

O Carlos Tonet, de Blumenau, recomenda a rádio Nereu Ramos:
“Os caras estao no meio da lama, na beira do rio. Informação direto da fonte - literalmente. Nome catarina, cheio de alemão na equipe.”

INSENSIBILIDADE GALOPANTE

Fui alertado pela Maria José Baldessar, que por sua vez o foi pelo Rogério Christofoletti: o e-mail que o Sindicato dos Jornalistas enviou aos associados no último dia 27 vai entrar para o livro das coisas sem noção que estão sendo ditas e feitas neste período de tragédia e luto.

Como todo mundo sabe (e aí não é figura de retórica, porque o desastre foi notícia no mundo todo), houve uma impressionante tragédia em muitos municípios de Santa Catarina. Milhares de pessoas tiveram que sair de casa, muitas delas perderam tudo, quase todas tiveram enormes prejuízos. E, entre as vítimas, também há jornalistas. Tanto gente de redação quanto professores, assessores, frilas e desempregados.

E aí, diante deste quadro, cuja extensão no dia 27 já estava perfeitamente definida e clara, o que faz o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina?

Manda um e-mail cujo texto integral é este (o destaque é meu):
“Prezado (a) sindicalizado (a):

No meio século e um pouco mais de existência, o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina faz a luta ancorado na força coletiva de milhares de profissionais como você. E a luta, em 2009, precisa ser ainda mais intensa.

O governo federal está discutindo mudanças na formação dos jornalistas e na regulamentação profissional. Nas emissoras de tevês e rádios, nos meios impressos, nas assessorias, há cobrança pela realização de várias funções ao mesmo tempo, o que intensifica a violência moral no trabalho e o desenvolvimento de doenças como LER/DORT e depressão. Assalariado, servidor público, free-lancer, jornalista na condição de pessoa jurídica, todos estão submetidos à mesma lógica. Os patrões lucram cada vez mais e resistem na hora de valorizar o nosso trabalho, melhorar as condições para a atividade laboral, pagar hora extra, respeitar a legislação.

Por isso, colega sindicalizado, estamos chamando você de volta! Precisamos de você na luta!

A nova gestão do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina está programando uma série de atividades (debates, reuniões por setor de trabalho, campanhas específicas) para organizar a categoria e dar resposta aos desafios que estão à frente.

Essa, então, é a comunicação oficial prevista no Art. 9º do Estatuto da entidade para que você coloque em dia a sua mensalidade, fundamental para dar o respaldo financeiro que ampliará nossa capacidade de luta.”

Não é uma coisa espantosa? Como diz a Zeca: “enquanto meio mundo pede solidariedade - inclusive a Fenaj - o SJSC pede: paguem suas mensalidades ou então, o estatuto! Estou com vergonha dessa diretoria. Não vi no recado o seguinte: “tudo o que arrecadarmos será revertido para os colegas jornalistas atingidos pelas cheias”.”

A PROTEÇÃO DOS CIDADÃOS

O Geraldo Hoffmann é um jornalista catarinense que vive atualmente na Suíça. Lá, entre outras atividades mantém, com dois colegas, o blog “Coisas da Suíça” onde fala do que o nome diz e também de outros assuntos, como a enxurrada em SC e a forma como a imprensa local (de lá) a mostrou.

Hoje ele deu uma passada por aqui e deixou um comentário, numa das notas abaixo, que eu trago pra cá porque, como vocês sabem, nem todo mundo abre as caixas de comentários.
“Caro César,

muito muito bom esse seu post. Quanto à responsabilidade do poder público pelos danos causados pelas enchentes, só posso dizer o seguinte: aqui na Suíça, que tem a metade do tamanho de SC, uma população maior (7,5 milhões) e enchentes frequentemente, são investidos anualmente mais de 3 bilhões de dólares em obras e medidas contra cheias, deslizamentos e avalanches de neve. O motivo é muito simples: o poder público tem o dever de proteger os cidadãos contra riscos naturais - e isso contra a pressão de quaisquer lobbys. Está escrito na lei, que serve de orientação também para o planejamento urbano. Mas também a população assume uma parte de responsabilidade por essa prevenção, por exemplo, pagando um seguro contra riscos naturais. Esse seguro, em casos de catástrofe, cobre os prejuízos privados. O Estado repõe a infra-estrutura pública - e investe ainda mais para que a tragédia não se repita.

Geraldo”

Ah, pra quem não ligou o nome à pessoa, transcrevo também o texto com que ele se apresenta, no Coisas da Suíça:
“Geraldo Hoffmann, brasileiro-alemão, filho de agricultores de Antônio Carlos (SC), é formado em Jornalismo pela UFSC e em Informação e Multimídia pela Universidade de Ciências Aplicadas de Ansbach (Baviera). Trabalhou de 1985 a 1992 no Jornal de Santa Catarina, O Estado e A Notícia. Radicado na Alemanha desde 1992, foi free lancer da Deutsche Welle e redator-chefe da Tópicos, revista da Sociedade Brasil-Alemanha. Trabalha na swissinfo desde o início de 2008. Além da atividade jornalística, gosta de jogar futebol, andar de bicicleta, caminhar nas montanhas e pescar – estes dois últimos hobbys para não esquecer o mato de onde veio.”

O CORTE ERRADO

Ontem à noite estava quieto no meu canto, ouvindo uma conversa de engenheiros, sobre cortes de morros para passar estradas. Talvez se eu fosse um churrasqueiro (ou açougueiro) tivesse entendido melhor as explicações. Porque pareceu-me que se referiam à direção correta do corte como quem fala em cortar a carne no sentido dos veios (ou seria o contrário?).

O mote da conversa era o corte da SC 401, exatamente ali onde a terra desceu (novamente) e cobriu a estrada. Não sei se vocês sabem, mas já houve outro deslizamento ali naquele corte. E foram feitos alguns remendos, mas agora veio abaixo o outro lado.

Na raiz daquele problema, estaria o tal corte errado. Parece que o ideal teria sido dar à rodovia outro trajeto, de tal maneira que o corte fosse feito conforme manda a ciência que estuda essas coisas. Não foi feito e o resultado, conhecido desde a época em que a rodovia foi construída, é a instabilidade daquela coisa. Pode ser até que não se soubesse que iria descer aquela quantidade de terra e pedras ou quando, mas muita gente sabia que aquele corte era instável.

Leigo e sem apetite para continuar tentando entender a conversa, afastei-me da rodinha e me aproximei de outra, onde o tema parecia mais ameno. Que nada. Falavam do desmonte do Deinfra. Um dos falantes achava que se ainda existissem as patrulhas mecanizadas (ou coisa parecida), tratores e equipamentos que o governo possuía, vários problemas poderiam ser solucionados com menor custo. A tese era que, ao optar por trabalhar só com empreiteiras, numa espécie de terceirização das obras e reparos, o Deinfra abriu inúmeras frentes de risco. Não exatamente de risco no sentido que a engenharia lhe dá, mas no sentido de oportunidades de malversação de dinheiro público. Ou pelo menos risco de que surjam suspeitas a respeito.

Para ilustrar, alguém fazia as contas de quantas viagens as caçambas da empreiteira que está fazendo a desobstrução da SC 401 farão. E quanto isto poderá custar (e os preços para serviços feitos com urgência sempre têm uma taxa de... urgência).

Não quis continuar a ouvir. Definitivamente, depois de uma semana tão triste, a última coisa que queria era lembrar do mundo real e de suas mazelas. E, pelo menos numa sexta-feira à noite, gostaria de poder acreditar que todos são honestos, dedicados e comprometidos em servir bem ao público, tratando com zelo o dinheiro de todos nós. E que o resto é só intriga da oposição.

ESSE PADRE EDGARD...

Tem gente sobre a qual se pode falar horas, da forma mais entusiasmada e mesmo assim quem não conhece jamais terá uma idéia clara de por que essas pessoas despertam tanto entusiasmo.

O Padre José Edgard de Oliveira (foto acima) é um desses casos. Quem o conhece acha-o o máximo. Quem não o conhece fica meio sem saber o que dizer, porque acaba não entendendo, afinal, o que tem de tão especial esse sujeito magro de nariz adunco e grandes olheiras.

É preciso voltar no tempo, à década de 60, quando o Concílio Vaticano II e o papa João XXIII colocaram a igreja católica de ponta-cabeça. As missas rezadas em latim, com o padre de costas para o povo, passaram a ser rezadas em português, com o padre de frente. As mensagens pastorais, antes herméticas, passaram a incluir as preocupações populares e as alegrias e dores terrenas, além da esperança post-mortem.

Neste contexto é que o Pe. Edgard entra em cena. Entusiasmado com este mundo novo, apaixonado pela sua escolha, vestiu não só a batina, como entrou de cabeça naquilo que os Evangelhos tinham de mais revolucionário e empolgante. E, paralelamente a esse ímpeto, o golpe de 64 tratou de demonizar todos os esforços de dar voz aos pobres e espaço às queixas dos oprimidos. Apesar da contradição evidente, os militares e seus apoiadores passaram a ver como comunistas os católicos atuantes, numa mistura de ateus e crentes que só era possível porque eram tempos de enorme obscurantismo.

E aí o Pe. Edgard, com sua enorme capacidade de comunicação e seu carisma, começou a incomodar. O grande arcebispo Dom Afonso Niehues (que o Edgard acha que poderá ser beatificado em breve), colocou-o sob sua proteção direta. No arcebispado ficou encarregado dos movimentos de juventude. E entregou-se a eles (incluindo aí escotismo e bandeirantismo) com tal dedicação e competência, que milhares de jovens daquela época lembram-se hoje, com saudade, gratidão e emoção, do Pe. Edgard.

Não é à toa que, neste ano em que ele completa 50 anos de sacerdócio, já foram feitas umas doze missas solenes comemorativas. No Rio Grande do Sul e em vários municípios de Santa Catarina. Na quinta à noite foi em Florianópolis e no dia 7 será na terra natal do Edgard, São João Batista.


Pra vocês terem uma idéia do tipo de marca que o Edgard deixou em cada um que teve a felicidade de conviver com ele em alguma época, olha só a história do João Carlos Garcia, o Juca, que ouvi durante o jantar da quinta-feira (na foto acima, Juca e o Pe. Edgard).

Há 37 anos, o Pe. Edgard deu ao Juca um pin, um pequeno distintivo de metal com uma flor de lis, ao convidá-lo para ser escoteiro. Emocionado, com os olhos úmidos, o Juca contou ao Pe. Edgard como isso o ajudou e fez questão de dar de volta, como presente do Jubileu, aquele mesmo pin, que ele guardara com cuidado por três décadas. Um símbolo especial, um gesto de gratidão de grande significado, daquele jovem escoteiro que agora, pai de cinco filhos, com a vida feita, acha que deve sua felicidade, ou pelo menos boa parte dela, ao fato de ter encontrado, um dia, o Pe. Edgard.

Portanto, meus amigos, quem conhece o Edgard sabe do que estou falando. E quem não o conhece, aproveite o recital da Associação Coral de Florianópolis, no Colégio Catarinense, no próximo dia 4, às 20h, para conhecê-lo. Ou algum dos outros eventos que estão relacionados no blog do Jubileu. Certamente não o achará parecido com outros padres. Nem mesmo com alguns “moderninhos”, que tentam fazer hoje, com esforço quase teatral, o que o Edgard fazia, natural e sinceramente, desde a década de 60.

No jantar da quinta-feira, foram projetadas fotos históricas da trajetória do Edgard e um vídeo com depoimento de amigos. Na foto acima ele está diante da projeção da imagem de sua própria ordenação, há 50 anos.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O “GOLPE” E O GOLPE

Fiz uma nota aqui, ontem, assustado com um e-mail que recebi, que falava na defesa civil e todos os links levavam a um domínio www.password.com.br. Escaldado com tantos outros golpes, abri a nota afirmando que este era também um golpe. O alerta tocou porque fala em defesa civil e não leva direto a www.defesacivil.sc.gov.br.

A delegada Júlia Vergara, da Polícia Federal, encaminhou a denúncia ao setor que cuida desse tipo de crime, para averiguações. A conclusão dos peritos é que, num primeiro exame, a história não é assim tão grave: quem clica nos links acaba chegando à defesa civil, depois de passar pelo site de uma empresa de marketing por e-mail (dessas que jura que não faz spam, mas o efeito, nas nossas caixas postais, é esse). Caso se confirme que, ao passar por lá, não é instalado nenhum cavalo de tróia (a PF está testando isto agora), então o e-mail não é malicioso no sentido de causar mal a quem segue seus links e “apenas” usou o artifício para gerar um pouco mais de tráfego, aumentando os acessos ao site da empresa (e, quem sabe, captar mais alguns endereços válidos de e-mail para seus cadastros).

Ao divulgar a necessidade de ajuda às vítimas da chuva a empresa IMailing estava, aparentemente, prestando um serviço à comunidade. Mas ao “aproveitar” para tirar uma casquinha, igualou-se a tantas outras mensagens suspeitas que a gente recebe, gerando a dúvida. E nestas histórias de e-mail, em caso de dúvida, a recomendação internacional é: deletem sem clicar em nada.

Provavelmente pequei por excesso de cuidado: se eu tivesse esperado o resultado da análise e o e-mail fosse mesmo portador de algum cavalo de tróia, várias pessoas poderiam ter sido infectadas.

Ah, já que chegaram até aqui: o melhor caminho até a Defesa Civil é mesmo o www.defesacivil.sc.gov.br sem atalhos, baldeações ou escalas.

UMA CARICATURA DO LHS!


As charges do Frank são normalmente muito boas e só não as utilizo aqui porque, afinal, ele é contratado do concorrente. Mas hoje não posso deixar de fazer menção, porque ele faz uma coisa rara: caricaturou o LHS.

Não sei por que motivo, os chargistas catarinenses têm usado pouco essa matéria-prima. E é fundamental, para a saúde de qualquer democracia, que seus dirigentes passem por esses rituais tradicionais de crítica, piadas, caricaturas, charges e etc.

Aceite, caro Frank, o meu abraço. Parabéns.

DA SÉRIE: LHS SÓ PENSA NAQUILO

O Upiara deixou no twitter uma informação que se junta a inúmeras outras, que estão transformando LHS, no circuito alternativo de blogs e tuítes, uma verdadeira lenda:
“acabei de entrevistar LHS... ele disse que a prioridade são as cidades litorâneas... "nossas caixas registradoras"”

CLARO EM PANE DEIXA GOVERNO EM PÂNICO

O governo do estado, para economizar bastante em telefonia, transferiu todos os seus celulares para a Claro. Na madrugada de hoje, contudo, um tilt qualquer nas rebimbocas da Claro deixou os celulares do governo mudos.

Imaginem o sufoco que passaram aqueles servidores que estão coordenando ações nos municípios atingidos pelas enchentes, que precisavam se comunicar, quando descobriram que estavam sem sinal nos telefones...

Depois de muita chiadeira (o governo teve que acionar até a direção da Claro), a coisa voltou ao ar. Mais ou menos assim como tinha saído: sem grandes explicações.

CADA CASO É UM CASO...

Estava olhando meio de longe essa discussão sobre se o Desafio das Estrelas (a brincadeira de kart dos famosos, na Ilha) deveria ter sido cancelado, adiado ou realizado e lembrei-me, não sei por que de dois outros eventos (bem menores em custo e repercussão, claro):

– A festa em comemoração ao Jubileu de Ouro Sacerdotal do Pe. Edgard, com missa e jantar, foi mantida e realizada, ontem, em Florianópolis. Naturalmente, as vítimas dos desastres foram lembradas, fizeram orações por elas e algumas pessoas que têm parentes e amigos nas regiões afetadas, disseram que se sentiram reconfortadas por terem participado da celebração.

– A festa de final de ano dos funcionários do jornal Diarinho foi cancelada e a verba que a empresa tinha reservado para financiar um dia da turma num hotel fazenda, será usada para ajudar os 20 colegas que tiveram prejuízo com a enchente em Itajaí. Alguns perderam tudo (a água chegou ao teto das casas deles) e estão em abrigos.

Portanto, cada um sabe onde lhe aperta o sapato e toma a decisão conforme sua consciência. No caso da festinha do kart, o problema não é só o luto estadual, mas principalmente o caos no trânsito para o norte da Ilha. Só que, a esta altura, não tem mais como recuperar o dinheiro público investido. Mesmo que fosse cancelado o evento, o prejuízo estava feito. Portanto, trata-se de chorar sobre o leite derramado. Tinha que reclamar meses atrás, quando a coisa foi acertada. Agora não tem muito o que fazer.

ESSE DIARINHO...

Li o comentário abaixo no blog do Igor Natusch (gaúcho, gremista, jazzista e jornalista) e trago pra cá, porque também tenho muito orgulho do trabalho que a equipe do DIARINHO faz no jornal e agora no blog DIARINHOnachuva (o “fabicano” que ele escreve no começo refere-se à Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS, a Fabico):
Diarinho na Chuva: isso sim é jornalismo!
•Novembro 27, 2008

Quem vive mais ou menos de perto o jornalismo universitário fabicano já deve ter tido algum tipo de contato com o Diarinho. Trata-se de um jornal diário, que há 29 anos se anuncia como o Diário do Litoral catarinense, e que tem algumas das manchetes mais maravilhosamente cômicas que eu já vi na vida. Para mim já é quase uma profissão de fé: todo dia dou uma acessada no link acima e dou boas risadas com as manchetes engraçadíssimas do jornal. É sensacionalismo, claro, quase sempre focando no “mundo cão”, mas com uma carga espirituosa muito grande e até uma considerável dose de ironia - sem contar a linguagem toda própria do jornal, onde os puliça pegam os desgranido e os levam para a depê ou para o xilindró. Supostamente existe uma versão impressa do jornal, mas eu infelizmente nunca tive uma em mãos, e também nunca me animei a pagar alguns trocados e assinar a versão online do jornal - coisa que eu talvez faça um dia mas, por contenção de despesas, não vai rolar em um futuro próximo. Então me contento com as manchetes, e me divirto deveras pensando em quão divertido deve ser poder ler a versão completa do Diarinho.

Mas enfim, esse breve post não foi para fazer propaganda do Diarinho em si, mas sim do sensacional blog Diarinho na Chuva. Trata-se de um blog temporário, no qual a redação do Diarinho faz uma cobertura da calamidade que tomou conta de Santa Catarina com os alagamentos e inundações dos últimos dias. A explicação para o nascimento do blog é fornecida pela própria equipe do jornal: o prédio em Itajaí-SC onde está a sede ficou ilhado, a redação não tinha como entrar no edifício, o Diarinho corria sério risco de não circular e, por fim, uma das moças ligadas à redação teve a idéia de abrir uma conta no blogspot para manter a redação ativa nesse momento de emergência. Ou seja, a vontade de informar foi mais forte que a chuvarada, o que convenhamos que é até poético em certo sentido. A partir do primeiro post, datado da última segunda-feira, dá para ir montando um interessantíssimo panorama de toda a situação, pontuada pelo relato leve, despojado e (mesmo nas atuais circunstâncias) bastante divertido do Diário do Litoral. A espirituosidade está presente, claro - como se pode ver aqui, por exemplo - mas também se fala a sério, como se pode ver nesse e nesse post, para citar só dois exemplos. Os links do blog também são ótimos, permitindo uma visão ainda mais abrangente da tragédia toda - e bastante particular, feita por quem está ali do lado, vivendo a situação bem de perto.

De qualquer modo, o mais curioso é ver um jornal de interior, com sua linguagem cômica e seus arroubos sensacionalistas, fazendo uma das coberturas mais completas e interessantes do que está acontecendo em Santa Catarina - e fazendo isso com uma estética que geralmente associamos com jornalismo de baixíssimo nível, totalmente diferente da visão distanciada e distante que vemos nos Jornais Nacionais e Zero Horas da vida. Além de ser divertido (e, em alguns momentos, chega a ser hilário), é muito interessante e informativo - se duvidam, leiam o blog e vejam por si mesmos. Entrei nele pela primeira vez de manhã, agora estou conectado nele há quase duas horas e ainda tem muita coisa para ler. A redação do Diarinho já voltou a suas instalações normais, mas mantém o blog ativo, atualizando praticamente de hora em hora, de modo que realmente vale a pena dar uma lida e fugir um pouquinho do jornalismo canônico, tanto em termos de veículos quanto de abordagem. Fica aí a minha recomendação da vez.”

BOA NOITE

Já voltei e liberei os comentários. Tem vários que eu até fique com vontade de complementar, rebater, ou comentar. Mas acho que merecemos todos algumas horas de descanso.

Fiquem em paz e até breve.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

FORA DO AR

Vou dar um abraço no Pe. Edgard e volto mais tarde. Até lá, provavelmente os comentários ficarão represados. Dêem uma olhada no noticiário da TV por mim.

Até breve

AINDA A TERRA DERRETIDA

Leitor chamou a atenção para reportagem publicada no portal terra (Solo de SC está desmanchando, diz pesquisador), onde se analisa o problema do tipo de solo onde as casas das encostas estão sendo construídas.

E, no final, tem um trecho especialmente interessante:
“Na opinião de Wasserman, a responsabilidade pelos prejuízos é do Estado. "Acho que existe uma grande responsabilidade do Estado em ter legalizado esse terreno. Mesmo nas situações de invasão. Acho uma irresponsabilidade o fato do Estado ter controlado essa ocupação nessas áreas de risco", afirmou.”

A propósito, o jornal Impacto desta semana levanta esta questão da responsabilização do Estado pelos prejuízos. Aqui.

DIARINHO NA MIRA DO MAU HUMOR GAÚCHO

EM TEMPO – Acabei de verificar no arquivo do jornal e a manchete a que a campanha citada abaixo se refere foi publicada em dezembro de 2007! Claro, porque faz bastante tempo que o Figueira não ganha do Grêmio...

Uma manchete do DIARINHO acirrou os ânimos da brigada do ódio gaúcha, que está promovendo uma verdadeira “farra do catarina via e-mail”. Eles querem enquadrar o jornal em crime racismo por chamá-los de “gayuchos”.

E também porque colocou, em manchete, que “Figueira vai a Porto Alegre e come o fiofó dos gaúchos”.

Não se sabe se o que mais magoou os mal-humorados foi o resultado do jogo ou a publicação, na página de esportes, da grafia de “gaúcho” que o Diarinho, só pra inticar, usa há 30 anos: “gayucho”.

Olha só o que escreveram num site do "Movimento pela Independência do Pampa":
“Racismo anti-gaúcho se acirra ainda mais no Brasil
27 de novembro de 2008

Iniciada há mais de 20 anos, a campanha brasileira de discriminação e racismo contra o nosso povo e a nossa cultura há muito não conhece limites.

Os jornais tupiniquins fazem questão de deixar claro que o objetivo é mesmo discriminar e agredir, como neste exemplo do catarinense Diário do Litoral, de Balneário Camboriú. Envie o seu protesto contra este jornal brasileiro por e-mail ou telefone.

Só a restauração da independência da República Rio-Grandense vai eliminar de forma definitiva o racismo de que somos vítimas em pindorama, o país de faz-de-conta.”

Se eles não fossem tão birrentos, perceberiam que os catarinenses do litoral podem ser aliados na luta pela independência do Rio Grande do Sul. Por aqui também tem muita gente que gostaria de separar-se deles. Mas esta hipótese não é levada em consideração, porque eles querem a independência do Brasil, mas pretendem manter anexadas as praias catarinenses. Prova que eles podem até ser mal-humorados, mas não são tão burros quanto parecem.

ATUALIZAÇÃO DA SEXTA À TARDE


Sem querer colocar gasolina na fogueira e já acendendo até o fósforo, transcrevo trechinho de um dos e-mails irados que o jornal tem recebido por causa dessa campanha de ódio:
“Continuem destilando todo o ódio, inveja, racismo e ranço contra o nosso povo. Continuem nos lembrando que a ignorância e a mediocridade existem, mas... lembre-se do preço... tudo na vida tem um preço. Se não paga por fogo, paga por água.

Atenciosamente,
Sukhoi Berkut”

A TERRA DERRETEU

Quando o LHS criou aquela imagem do sorvete derretendo, a gente achou graça e até ouviu com um certo desdém. Mas a cada nova foto, vê-se que a analogia não é assim tão despropositada.

No Diarinho na chuva tem fotos áreas feitas hoje, na região de Ilhota, onde isso fica bem claro.

O ARTIGO “NADA A VER” DA IDELI

Provavelmente deve ter sido escrito na semana passada. Mas, em todo caso, foi publicado hoje, no blog do Noblat, artigo da senadora Ideli Salvatti (SC), sobre aquela briga pelo piso salarial para os professores.

Sobre a desgraça catarinense, nem uma linha.

Senador é representante do estado. Talvez não fosse assim tão difícil ligar para o Noblat (como ela já fez tantas vezes, a pretexto de outros assuntos) e dizer “meu querido, segura aquele artigo que te mandei semana passada, porque vou substituir por outro, falando no principal assunto do momento: a catástrofe que vitimou parte do meu estado”.

Tenho certeza que o Noblat atenderia o pedido com todo prazer e faria na hora a substituição do artigo.

ATUALIZAÇÃO DAS SEIS DA TARDE

A assessoria de imprensa da Ideli (feita, por falar nisso, pelo meu amigo e ex-colega da Gazeta Mercantil, Marcello Antunes) acha que não cabe, a esta altura, um artigo da senadora sobre a desgraceira. Transcrevo a cartinha dele:
“Caro Cesar Valente

Sua nota no Diarinho "O artigo 'nada a ver' da Ideli" possui dois fundos, um de verdade e um de maldade. O artigo para o Blog do Noblat foi enviado há alguns dias. Isso é verdade, pelo fato de que a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), na semana passada, estava à frente do movimento parlamentar em defesa do piso salarial dos professores, não apenas os daí de Santa Catarina, mas de todo o Brasil. Na quarta-feira, por sua articulação, ela e vários parlamentares foram recebidos pelo ministro Joaquim Barbosa, do STF, que é o relator da Adin 4167 apresentada ao Supremo por vários governadores contrários à Lei do Piso.

Quanto à segunda parte de sua nota, a da maldade, você afirma que não há "nem uma linha" sobre a desgraça catarinense e que não foi produzido qualquer artigo.
Pergunto, um artigo sobre a desgraça ajuda? Neste momento entendemos que não, até porque o mais importante agora não é um artigo sobre o estado de calamidade pública de Santa Catarina que fará a diferença, seja no Blog do Noblat, seja até mesmo no Diarinho, porque estamos divulgando as ações articuladas pela senadora, como a ida do presidente Lula à Navegantes; a articulação para a Medida Provisória que liberará mais de R$ 1 bilhão para o estado nas áreas de saúde, rodovias e portos e sobre as linhas de crédito da ordem de R$ 1,5 bilhão pela Caixa Econômica Federal para todas, repito, todas as classes sociais de Santa Catarina.

Você pode e tem o direito de discordar, mas entendemos que as ações articuladas e divulgadas da senadora Ideli para reconstrução de Santa Catarina são muito mais eficazes do que um artigo.

Aqui, você pode conferir todas as matérias e divulgá-las neste estimado Diarinho.

Abração
Marcello Antunes - Assessoria de Imprensa”

A VONTADE DE AJUDAR

A solidariedade é um dos sentimentos nobres, daqueles que aquecem a alma e nos enche de esperança. No caso de desastres como este que ocorreu por aqui, a solidariedade precisa ser temperada com uma boa dose de racionalidade.

Uma pessoa cheia de boa vontade que se jogue para a área crítica, tanto pode ser uma ajuda inestimável, quanto um fardo a mais, que além de tudo consuma os parcos recursos disponíveis por lá. É preciso, portanto, ter muito cuidado nessa hora. Jamais agir por impulso, simplesmente.

O mais importante é avaliar como se dará a sua própria subsistência. Não tem sentido ir daqui para Itajaí ou outro município em emergência, esperando que alguém, magicamente, vá fornecer alimentação, água e hospedagem. Só quando esta primeira equação estiver resolvida é que se deve pensar nos passos seguintes: fazer o quê, por exemplo.

Há necessidades de todo tipo, porque todas as pessoas que estão trabalhando nos hospitais, nos abrigos e nos centros de distribuição de donativos, estão cansadas, precisam ser rendidas. Mas é bom que quem se apresente tenha alguma familiaridade com o que se propõe a fazer. Pra não ser um peso pros demais, pra não quebrar o ritmo do serviço, pra não atrapalhar em vez de ajudar.

Apesar do sentido da palavra “voluntário”, nesses casos o melhor é não agir isoladamente, mas integrar-se a algum esforço organizado. Defesa Civil, bombeiros, prefeituras, entidades que já estejam atuando e distribuindo tarefas. Afinal, a última coisa que a gente deve querer, nesta hora, é criar problemas. Há excesso de problemas, todos já criados e instalados.

Reuni essas anotações de memória, baseando-me no que vivi nos dias seguintes à enchente de Tubarão em 1974 (cidade onde passei a infância e pra onde fui, como enviado de um jornal de Porto Alegre, logo em seguida, quando a região ainda estava interditada). E na enchente de 1983, época em que estava na UFSC e participei de várias ações, aqui mesmo, para ajudar o trabalho dos que estavam no Vale do Itajaí.

É GOLPE!


Esta é a cara do e-mail que está chegando às caixas postais, vindo de um tal “IMailing”. Todos os links do e-mail levam para um endereço que não é da defesa civil. Trata-se de um golpe daqueles que pegam dados e infectam computadores. Ao receber, deletem sem clicar em nada.

ATUALIZAÇÃO DA SEXTA À TARDE


A Polícia Federal testou os links e descobriu que se trata de uma empresa de marketing por e-mail, de Tijucas, SC. Leva à defesa civil, mas passa pelo domínio da empresa (provavelmente para aumentar o número de acessos e captar mais alguns endereços de e-mail). Não é malicioso no sentido de fazer algum mal ao computador.

Comento este caso aqui.

O ARTIGO DO JÂNIO DE FREITAS

Desastres conservados
Por Jânio de Freitas

Já falam nos bilhões do prejuízo com a atual calamidade.
Mas o que valem em comparação com uma casa perdida?


HÁ EXATOS 25 anos, um dos governadores recém-vitoriosos na primeira eleição sem restrições, ao apagar da ditadura, irrompeu na notoriedade nacional com o espetáculo de sua ação em uma calamidade feroz. Era a nova figura de Esperidião Amin, que se deparou, mal estreara, com os horrores da enchente gigantesca no mesmo Vale do Itajaí e cercanias agora vitimados. As providências de engenharia, para prevenir o desastre das vazantes excessivas, começaram a ser definidas ainda antes de baixadas as águas e logo asseguradas pelo governo federal (Santa Catarina não teria recursos para tanto).

No quarto de século decorrido desde então, as enchentes cumpriram com regularidade a sua programação anual, concedendo apenas na intensidade variável das suas perversidades. Mas, sempre, cada uma delas configurando a advertência do que poderia vir no ano seguinte. Assim atravessaram os dois anos finais da ditadura com Figueiredo, os dois anos de Collor, o mesmo de Itamar, cinco de Sarney, oito de Fernando Henrique e, já se pode dizer, seis de Lula.

Os ministérios incumbidos das obras mudaram de nome, cresceram nos bilhões das moedas que mudaram de nome, o regime mudou de nome, mudaram dezenas de nomes de ministros como se não houvesse nem um. E o legado de tudo isso foi manter em perfeitas condições as características topográficas, geológicas, fluviais e habitacionais adequadas a novas calamidades.

Já falam, por aí, nos imaginados bilhões do prejuízo com a atual calamidade. Mas o que valem esses bilhões em comparação com a casa perdida por uma família que dedicou tanto da vida a consegui-la, a dar-lhe os bens simplórios que nunca se completam? O custo da orfandade daquela criança, de qualquer criança, cabe nos bilhões do prejuízo citados pelos técnicos e pelos governantes? E os filhos esmagados, sufocados na lama, sumidos nas águas, que valor os técnicos e governantes dão à sua perda pela mãe, pelo pai? Ou não pensaram nisso?

Em proporções que só representam calamidade para os atingidos, e apenas um registro rápido nos noticiários, os desatinos da natureza repetem-se pelo país todo, o ano inteiro. Grande parte seria evitável ou poderia ser atenuada, muitos são objeto de velhos projetos preventivos, mas seguem se repetindo como se fossem uma fatalidade acima do poder humano. É que estão abaixo do poder dos interesses. Eleitorais, comissionais, negociais. Lidam com vidas irreconhecíveis, por não terem presença social, como classe.

No atual desastre catarinense, duas ilustrações resumem o governo. O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, a quem caberia rápida reação já aos primeiros sinais da calamidade, foi de uma lerdeza muito expressiva, digna de um garçom baiano como ele. É até improvável que soubesse o que é e onde é o Vale do Itajaí. Lula, por sua vez, só ontem se dispôs ao esforço de dar um pulo em Santa Catarina. E assim mesmo porque também ontem recebeu duras críticas por sua distância apática. Críticas acompanhadas da observação de que essa é a sua conduta costumeira nas calamidades e tragédias.”

BARULHINHO BOM...

Para que o Neto e o Walmor não digam que além de cego para as maravilhas da Casan ainda sou surdo, liguei o computador às quatro e meia da madrugada para registrar que estou finalmente ouvindo o barulhinho da água caindo na caixa aqui de casa (moro nas proximidades do Córrego Grande, São Jorge e Santa Mônica, na Ilha). Não tem a pressão normal (que faria um barulhão, porque a caixa estava vazia), mas está consistente e firme há pelo menos meia hora.

Agora vou dormir um pouco mais tranqüilo, porque daqui a pouco já poderei tomar um banho caprichado, daqueles de lavar até atrás da orelha, sem precisar usar a canequinha. Ah, e, é claro, dentro das normas do rígido racionamento doméstico, para que a caixa, se encher, dure bastante tempo. Afinal, a água da Casan está parecida com o sol: ninguém sabe quando vai aparecer de novo.

LHS GANHA TEMPO

Um leitor, nos comentários, alertou para uma notícia do TSE:
TSE suspende prazos processuais de Santa Catarina até terça-feira (2) por causa da situação de emergência
26 de novembro de 2008 - 21h29

Estão suspensos até a próxima terça-feira (2) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os prazos dos processos provenientes de Santa Catarina, por causa da situação de calamidade pública existente em vários municípios do estado em razão das fortes chuvas que ocorreram esta semana.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu suspender os prazos, na sessão administrativa desta quarta-feira (26), atendendo a um pedido feito pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Santa Catarina. No ofício enviado ao TSE, a instituição relatou que os advogados no estado estão encontrando dificuldades para acessar e acompanhar a tramitação dos processos na Justiça Eleitoral por causa dos transtornos causados pela chuva.

Nesta semana, o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) já havia suspendido os prazos processuais até esta quinta-feira (27) em face da emergência vivida pelo estado.

“A situação em Santa Catarina é de anormalidade e realmente pede esta medida de suspensão dos prazos”, afirmou o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto. A decisão dos ministros foi unânime.

EM/BA

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O ATERRO DO DEINFRA

Pra encerrar o assunto por hoje, publico uma seqüência de fotos que o colega Celso Martins (do Sambaqui na Rede) mandou para mostrar o balé dos caminhões que levam a terra e as pedras retiradas da barreira da SC-401, para depositar na área de domínio da rodovia, na altura da praça de pedágio.

ITAJAÍ PEDE SOCORRO

Não deixem de dar uma passada de vez em quando no DIARINHO na chuva. Agora mesmo estavam divulgando um pedido de ajuda para alimentação dos desabrigados e para o Hospital Marieta Konder.

FALTA ESTATURA POLÍTICA

O governador LHS voltou a falar hoje, em público, da sua preocupação com os turistas. Em arrumar o estado bem direitinho para poder receber os visitantes.

Acho que até entendo o que, no fundo, Sua Excelência quer dizer. Quer demonstrar, naquela sua maneira enviezada, que daremos a volta por cima e que nos recuperaremos rápido, até a ponto de poder ter uma temporada de verão relativamente normal.

No entanto, este é o grande problema da comunicação: o que vale não é o que a gente quis dizer, mas o que o público entendeu. E o que todos entendemos ficou muito ruim para o LHS.

Deu a impressão que esses merdas que estão com os pés murchos e as mãos esfoladas, sem saber que jeito vão dar em suas vidas destroçadas, são mesmo apenas uns merdas, que só servem para paparicar turistas e oferecer conforto para quem vem de fora.

Alguém de bom senso deveria dizer ao governador (que, no entanto, parece que não é muito de ouvir conselhos) que pegou mal ficar externando com tanta insistência essa preocupação com a arrumação da casa para os turistas.

A nossa casa será arrumada e terá que ser arrumada, primeiro, para a segurança, felicidade e saúde da nossa gente. Que paga impostos, que vota e que gostaria de ouvir, dos seus governantes, palavras de estímulo e reconhecimento sinceras. E apoio real e desinteressado nesta hora.

FALTA ESTATURA POLÍTICA 2

O povo catarinense é altivo, solidário e sabe se portar à altura dos desafios. Mas tem umas figurinhas que ocupam funções públicas, que, cá entre nós, melhor fariam se ficassem quietas no seu canto.

Ouvi hoje à tarde a entrevista de um secretário de Estado (Justiniano Pedroso), na rádio Guarujá de Florianópolis. Ele tinha voltado de uma visita (de helicóptero, claro) às áreas atingidas pela desgraceira.

Fiquei ouvindo, pra esperar que ele falasse sobre os estragos na área dele (penitenciárias e cadeias), mas o cara falava mais que o homem da cobra e não dizia nada que se aproveitasse. Era, sem dúvida, um entusiasmado militante do governo que passeou de helicóptero e na volta fez a sua média na mídia.

Nem uma única palavra sobre a situação dos presídios ou sobre providências para a manutenção dos que estão nas cadeias nas áreas que foram inundadas. Ou não teve cadeia inundada? Nada de nada sobre as providências que deveriam estar sendo tomadas para evitar novas fugas. Só proselitismo político em cima da desgraça alheia.

Ah, e o ponto alto da entrevista: ele contou que esteve com LHS no encontro com Lula onde foi anunciada a liberação da graninha.

Esse helicóptero que levou a “autoridade” pra “se informar” teria sido muito melhor utilizado se continuasse a ajudar no resgate e no transporte de víveres. Não tem sentido permitir passeios sem sentido como esse.

EM TEMPO

Tinha escrito o texto acima (que também será publicado no DIARINHO) e quando fui colocá-lo aqui, notei que o assunto estava sendo tratado em pelo menos dois outros blogs:

Coluna Extra: Respeito é bom e o momento exige

Flagrantes do Cotidiano: Preocupação com os turistas?

Ah, e o Carlos Damião tinha falado antes, já na segunda feira: Palavras lamentáveis.

E O LULA VEIO...



Foi uma visitinha de médico. Se era só pra fazer uma ceninha, poderia ter vindo antes. Mas é sem dúvida bom que ele tenha vindo. Pelo menos pra ver o que o povo de Itajaí e Navegantes está sofrendo.

E ver de perto o estrago no porto, coisa que pode causar ainda maiores danos à economia da região, ao longo dos próximos meses.

O que é chato é constatar que se não fosse a pressão (além dos blogs, o jornal O Globo fez um editorial cobrando a presença de Lula em SC), o presidente nem daria essa passadinha.

Acho que nem ele nem os que o rodeiam entendem a força que pode ter a presença da maior autoridade da República no local de um desastre. Ajuda a animar os voluntários, valoriza o trabalho dos servidores públicos, civis e militares, que estão fazendo das tripas, coração e mostra aos que sofrem, alguma atenção e preocupação.

E isto, nesta hora, pode valer mais que essas verbinhas anunciadas que ninguém sabe direito quando vão chegar e para que serão usadas.

(O encontro dos 3L é foto do James Tavares/SECOM, a do helicóptero, do Ricardo Stuckert/PR)

PRÊMIO PARA CALOTEIROS

O governo federal já está falando em fazer um novo programa para premiar os caloteiros. FHC fez dois Refis e Lula já fez um. Prepara-se agora outro, a pretexto de cobrar os valores. Na prática, só deixam com cara de palhaços os imbecis que pagam impostos em dia.

COMO É QUE É?

Leitor faz uma denúncia gravíssima nos comentários:
“Os caminhões que estão se abastecendo da terra da SC 401 estão jogando a `carga`no mangue!!! ali próximo da estação Carijó. Acorda Ibama, ou vocês só multam pescador amador com caniço?”

Vou atrás pra saber se é verdade ou só mais uma lenda urbana.

ATUALIZAÇÃO DAS SEIS DA TARDE

Assessoria de imprensa da prefeitura informa que o Deinfra é que está determinando onde a terra será jogada e que isso está sendo feito “em terrenos do próprio Deinfra”. Não sabia que o Deinfra tinha terras na Ilha, mas vamos lá, atrás do Deinfra.

ATUALIZAÇÃO DAS SEIS E QUINZE

No Deinfra informam com maior detalhe: o tal “terreno do Deinfra” é aquela área próxima à praça de pedágio, que estava mesmo precisando ser aterrada (segundo o Deinfra). Não é área de mangue.

ATUALIZAÇÃO DAS SEIS E QUARENTA

O Engenheiro Cléo Quaresma, da superintendência Litoral-Centro do Deinfra confirma que a terra está sendo colocada na área de domínio da SC-401, na região da praça de pedágio. Quanto à suspeita, diz que é bobagem.

EM TEMPO – Já sentiram que se a gente for levar a sério tudo o que a turma fala, acaba embarcando em algumas canoas furadas. Mas, em todo caso, não custa dar uma olhadinha, porque às vezes onde tem fumaça, tem fogo. E o preço da liberdade é a eterna vigilância...

CADÊ O DEINFRA?

Leitor pede que eu faça um apelo para que, se alguém souber do paradeiro do Deinfra e/ou de seu presidente/secretário dos Transportes Romualdo França, que informe à Defesa Civil ou à prefeitura mais próxima.

O primeiro sinal do desaparecimento foi notado quando várias prefeituras tiveram que assumir a recuperação de estradas estaduais, que seriam de responsabilidade do Deinfra.

Pura maldade. Tem gente do Deinfra em várias frentes e de vez em quando a gente lê ou vê alguma coisa fazendo referência a que um técnico do Deifra disse isto ou aquilo.

Mas já que estamos falando nisso, vai ver que pelo menos os figurões estão tímidos e retraídos porque a falta de conservação (limpeza de bueiros, por exemplo) agravou e acelerou os problemas causados pela enxurrada e eles ficaram sem jeito de aparecer, ou porque, depois de terem desmobilizado todo o equipamento ou doado para as prefeituras, acharam que não tinham mesmo nada a fazer.

Parece coisa pouca, mas um bueiro desimpedido pode evitar que a água arranque o asfalto. E muros de contenção (como aqueles feitos na BR 282 perto de Alfredo Wagner), certamente evitam que os barrancos, dos cortes das estradas, desçam e cubram a via. Nada disso resolve 100% no caso de uma catástrofe natural, mas reduz bastante o tamanho do estrago.

Ou seja: se desapareceram, desapareceram há mais tempo, quando deixaram construir e inaugurar vias sem contenção adequada de encostas e/ou com drenagem suficiente apenas para um chuvisqueirinho leve. Agora devem estar por aí, remendando o que dá, do jeito que podem.

DESABAFA, NETO!

O servidor de e-mails do Diarinho (onde está o endereço de e-mail que consta no cabeçalho deste blog) estava desde sábado fora do ar. Quando notei isso, coloquei um endereço alternativo numa das notas, há alguns dias. Mas é claro que nem todos viram e muita correspondência continuou indo pro diarinho.com.br.

Hoje finalmente ele voltou a funcionar e pude então abrir a caixa postal, com montes de coisas represadas. E eis que lá encontro uma cartinha do Carlos Neto, assessor de imprensa da Casan, naturalmente reclamando os maus-tratos que a empresa tem recebido aqui. Em especial da menção que fiz, de não ter recebido informações depois que a água deixou de correr. Ele diz que mandou. E tem razão. Eu é que não recebi, por causa desses contratempos (enchente em Itajaí, água - da chuva - na sede do jornal, obrigando a desligar equipamentos e, antes, pane no servidor por causa do temporal).

Fala, Neto. Depois eu volto a dizer mais uma coisinha ou duas.
“Prezado César

É impressionante a repercussão negativa que tem uma nota como a que você deu no blog na edição de ontem(25). Detona um trabalho que está sendo feito de forma correta e profissional. Você cita o não envio de informação à coluna e acusa um assessor de negligência e, para alguns bons entendedores nas questões de comunicação aqui da CASAN, de incompetência.

De minha parte(aqui há mais dois jornalistas que não sei se farão suas defesas) sempre enviei notas e releases à sua coluna. E, exclusivamente para informar sobre a deflagração do rodízio, enviei ao e-mail cesarvalente[@]diarinho.com.br, comunicado no último domingo dia 23,( é domingo mesmo. Eu fui convocado para uma reunião na CASAN e trabalhei até 6 da tarde) com dados sobre quais as localidades ficariam desabastecidas e em que horários. O mesmo texto seguiu para Cacau, Cláudio Loetz, Prisco, Moacir, Jornal Notícias do Dia. Hora de Santa Catarina e Geral do DC, entre outros jornalistas.

Não entendo como você não recebeu a informação, pois todos os colegas tiveram acesso ao comunicado.

Na segunda-feira, dia 24, o Presidente Walmor deu uma entrevista coletiva e o Diarinho foi convidado. Também na segunda, pós-coletiva, foi enviado um release para todos os veículos de comunicação com dados atualizados sobre a situação do abastecimento no Estado.

Por aqui nenhum reconhecimento pelo meu empenho e dedicação, pelas horas trabalhadas a mais e pela eficiência no serviço. Mas bastou sua nota para surgirem as críticas e as cobranças. Essas pessoas que cobram no serviço público não têm a menor idéia de como a gente luta para tentar acertar. Não tem noção da rotina do nosso trabalho. Infelizmente.

Como a primeira impressão é a que fica, o assessor de imprensa da CASAN é “incompetente”.

Estamos vivos e fortes para continuar na luta.
Obrigado por receber meu desabafo.

Carlos Neto
Jornalista – Reg. Prof. 11.149-SP”
Neto, se tem uma coisa que acho que aprendi ao longo de vários anos estudando e trabalhando em comunicação institucional, foi que a gente, na assessoria, pode muita coisa, mas não faz milagre. Não há esforço de relações públicas que altere a impressão que o usuário do serviço tem ao notar que o prometido rodízio de fornecimento de água não funcionou na região dele. Ou ao ouvir diretores, no rádio, mostrando-se “surpresos” com a informação do ouvinte, que na sua rua não tem água.

Se a impressão que ficou, do que escrevi sobre a Casan, foi que eu achava o assessor de imprensa incompetente, por favor me desculpe. Incompetente é a direção da Casan, desastrada é a forma como trata as questões de abastecimento. Estamos (sim, porque eu também sou usuário) sendo feitos de palhaços, tratados como massa ignara incapaz de somar um mais um e a culpa, com certeza, não é da assessoria de imprensa. Que até pode divulgar as informações sobre o racionamento, a água amarela e o rodízio que a diretoria libera. Mas não pode ser responsabilizada pelo que acontece depois, quando o tal rodízio não funciona e os “problemas de pressão” atrapalham tudo. Ou porque estouram os canos, que parecem feitos de cerâmica, ou porque não tem água suficiente mesmo e só estão fazendo de conta que tem.

Portanto, Neto, fica tranqüilo. Dos problemas que, daqui da planície sem água e com esgoto maltratado a gente nota que a Casan tem, a assessoria de imprensa é um dos menores. Todos os teus colegas jornalistas sabem que, nas empresas mal geridas, quando há uma crise e pululam notícias e comentários negativos na “mídia”, sobra para a o assessor de imprensa. Que, como disse, pode ser ótimo, mas não tem como transformar toupeiras em gênios e falta d'água em “abastecimento parcial”.

DESABAFA, CHOCOLATE!

“Tudo bem é uma excepcionalidade, aceita-se qualquer e todo sacrifício, MENOS A MENTIRA.

A Casan precisa dizer o seguinte: Ó, vocês vão ficar 15 dias sem água! A gente se programa.

Agora esse negócio de rodízio é uma mentira. Estamos aqui no Córrego Grande desde domingo a tarde sem água, sem rodizio e sem explicação. Parece que o mesmo acontece no Itacorobi.

Em Blumenau, com toda aquela tragédia, a água será reestabelecida sexta feira.

Só fico imaginando se Blumenau estivesse sob o monopólio da Casan...

Marcos Heise”

FALA, LEITOR!

“Não basta a visita,é necessário agilizar os trâmites de liberação de recursos. Para se ter uma idéia os recursos do FGTS para quem sofreu com as enchentes de janeiro/2008 foram liberados em setembro.

É bem importante o trabalho da defesa civil quanto a este item, se ela não informar as ruas que foram atingidas os moradores, mesmo que tenham sofrido prejuízos, não serão autorizados a sacar os valores.”

MUNDO AFORA

A desgraça é sempre notícia, em qualquer lugar do mundo. Naturalmente, lê-se por todas as partes a informação sobre as enchentes em SC. E uma frase lapidar aparece em quase todos os relatos:
“This is the worst weather tragedy in the history of Santa Catarina,” Gov. Luiz Henrique da Silveira said.

DEMORÔ!

Lula tá vindo...

A blogaiada tem poder!

ATUALIZAÇÃO DO MEIO DIA

A visitinha, pelo jeito, será mais rápida do que visita de médico e sem sujar o sapatinho na lama. Olha só o que está no G1:
“Jeferson Ribeiro Do G1, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá sobrevoar as áreas atingidas pelas enchentes em Santa Catarina nesta quarta-feira (26). Ele deve pousar no aeroporto de Navegantes por volta das 14 horas e depois sobrevoa os locais que sofrem mais com os alagamentos. Segundo a presidência da República, Lula não deve visitar os locais alagados.

O sobrevôo deve durar cerca de uma hora. Inicialmente, havia previsão de que o presidente fosse a Santa Catarina apenas na sexta-feira (28), mas preferiu antecipar sua ida.”

FALA, LEITORA!

“Como moradora do norte da Ilha, convido as autoridades a passarem duas horas dentro de um carro ou de um ônibus para chegar até o Centro para trabalhar e depois mais duas horas e vinte para chegar em casa.

É na hora das desgraças que aparecem a falta de planejamento (isto existe?) e a qualidade das obras executadas.

Há algo que se chama priorização do gasto público, certamente, primeiro vem a infraestrutura.

Alguém já informou ao Prefeito eleito quantas pessoas transitam pela SC401 diariamente?”

SERÁ QUE VEM MESMO?

Leio no blog do DIARINHO que LHS está anunciando que o presidente Lula virá a SC “nos próximos dias”. Vamos ver se a profecia se cumpre.

Enquanto esperamos a chegada de Sua Excelência e até para que estejamos preparados, é bom dar uma lidinha no comentário que o Coronel (do Coturno Noturno) deixou aqui no De Olho:
“Quando os furacões assolaram o Caribe, as doações do governo Lula para Cuba, na forma de alimentos, medicamentos e materiais diversos, superaram os R$ 50 milhões, apenas pelo que foi publicado na imprensa, pois tudo o que se relaciona ao império comunista da dinastia Castro reveste-se do maior sigilo. Em arroz foram enviadas 15 mil toneladas, a um custo de R$ 30 milhões. Boeings desceram em Havana carregados de doações. Lula, que saiu até atrás de navio espanhol para levar alimentos para Cuba, ainda não disse quantos milhões enviará para reconstruir o estado de Santa Catarina, devastado pelas chuvas, com número de mortos que já chega à casa de meia centena de cidadãos brasileiros. O site do PT, à época dos furacões, trombeteou condoído que morreram sete pessoas na ilha,"o que para Cuba era muito". Para o PT, que até agora fez apenas os discursos de praxe, é muito ou pouco os 49 mortos em Santa Catarina? Se Cuba recebeu R$ 50 milhões, quanto Santa Catarina merece? Hoje, no Café com o Presidente, Lula falou de etanol e não dirigiu uma só palavra para os catarinenses. A ilha de Lula é Cuba, não devemos esquecer.”

terça-feira, 25 de novembro de 2008

O “RANKING” MACABRO

E AGORA?

Com que então o motorista do caminhão, que o prefeitoDário-em-férias, pateticamente, apelava na TV que aparecesse, estava mesmo soterrado pela barreira na SC-401?

Irresponsáveis tiraram seus vivíssimos corpos fora na noite do acidente, com aquele ar blasé de quem está conformado com o inevitável e ninguém se colocou a cavar para localizar vítimas com vida. Desconfio até que nas primeiras horas cavaram apenas no sentido de começar a liberar a via para os carros. O(s) soterrado(s) que esperem. Porque até pra tentar achar pessoas embaixo de desabamentos, tem alguma ciência.

Até agora não consigo entender como o prefeito chegou a acreditar que o motorista tivesse saído correndo e desaparecido na cidade. Fugindo das pedras? Ou com medo de ser culpado pelo desastre?

CADÊ O PRESIDENTE?

Estava lendo o blog do Reinaldo Azevedo (de Veja) e acabei concordando com ele. Cadê o Lula?
Katrina passou na janela, e a Carolina barbuda não viu
Por Reinaldo Azevedo

O furacão Ike matou quatro pessoas em Cuba. As chuvas já fizeram, em números oficiais, provavelmente subestimados porque deve haver corpos soterrados, 69 vítimas fatais em Santa Catarina.

Duas tragédias, dois presidentes. Para responder à emergência cubana, com seus quatro mortos, Luiz Inácio Castro da Silva convocou uma reunião de emergência com sete ministérios e editou uma MP determinando ajuda humanitária ao país. Para Santa Catarina, por enquanto, ele pediu um minuto de silêncio. Ah, sim: determinou que quatro ministros dêem uma espiadela na tragédia que acomete o estado. O governo ofereceu helicópteros para resgate e alguns colchões. E só. Nada de Medida Provisória liberando dinheiro.

Vamos entender as coisas na sua devida dimensão. A presença de ministros no local da tragédia, se não tiverem recursos a oferecer, é inútil. O papel da solidariedade política cabe ao chefe da nação — que é Lula. Ele, sim, já deveria ter pisado em solo catarinense para evidenciar que a população não está só. Tratar-se-ia de um simbolismo, enquanto seus auxiliares, em Brasília, viabilizariam os recursos. E olhem que nem seriam necessários sete ministros...

É o lado Bush de Lula. Katrina passou na janela, e a Carolina barbuda não viu.

O povo de Santa Catarina já se ergueu de outras tragédias. E o fará de novo. Que isso não sirva para esconder a lentidão do governo federal em prestar socorro àqueles brasileiros.”
E nem estamos levando em conta que uma das cidades mais atingidas e cujos sacrifícios ainda não podem ser integralmente medidos porque ainda tem áreas sob água, tem prefeito do PT. Tá certo que o Lula não gosta muito de petistas, muito menos petistas que perdem eleições, mas nem para prestigiar sua abnegada líder ele foi capaz de sair de seus cuidados e fazer de conta que se importava?

ATUALIZAÇÃO DAS SEIS DA TARDE

Vi, depois, um comentário no Coturno Noturno, no mesmo sentido:
Bush foi lá

A esquerdalha mundial transformou Bush em demônio durante a devastação causada pelo furacão Katrina, que arrasou New Orleans. Inimigos políticos jogaram toda a culpa sobre o presidente, de que não havia enviado socorro em tempo hábil. Mesmo assim, George W. Bush arregaçou as mangas e foi lá, levar o apoio irrestrito do presidente da república. O que está acontecendo em Santa Catarina não é igual ao Katrina, mas é uma tragédia de grandes proporções. 65 mortos e a área mais produtiva do estado paralisada. A BR 101, principal via de escoamento da produção do Sul do país, bloqueada. Lula fez apenas o de praxe. Mandou ministros verificarem a extensão dos danos e acionou a defesa civil.Muito depois dos governadores do Rio Grande do Sul e Paraná. Ontem, depois de passar o dia trancado com todo o seu governo, não foi capaz de sair à rua e dar uma entrevista, coisa que faz com tanta freqüência para anunciar desde mais uma super-reserva de petróleo até uma ajuda humanitária para Cuba. À noite, durante um evento sem expressão alguma, feito sob medida para imagens no Jornal Nacional, Lula pediu um minuto de silêncio para as 65 vítimas. Nada mais disse. Nada mais fez. Deus nos livre de tragédias, pois não temos um presidente da república à altura para lidar com elas.”

ESSA CASAN CANSA!

Parece brincadeira ou invenção de algum desocupado, mas a informação está no site da Casan, no relato oficial sobre uma entrevista do presidente da empresa, Walmor de Luca: como a água fornecida à capital está amarelada, “recomendamos que as donas de casa não lavem roupa branca nesse período”.

Uau! Como se realmente tivesse água suficiente, nas casas de Florianópolis, para lavar roupa. Mas isso não é tudo. A explicação que a Casan dá para que a água esteja amarela é mais enrolada que aquele papo do golpe do bilhete premiado. Saca só:
“Enquanto isso, para reforçar o abastecimento, está sendo utilizada também a captação do Rio Cubatão. Entretanto, esse manancial apresenta um alto grau de turbidez sempre que há ocorrência de chuvas intensas como agora, o que reduz a vazão e compromete o tratamento da água bruta captada ali.

Embora o aspecto físico da água distribuída na Grande Florianópolis esteja prejudicado, com presença de cor e aspecto turvo, o Presidente afirmou que a Empresa garante que estão sendo cumpridos os padrões de potabilidade exigidos pela legislação sanitária: “a população pode beber a água sem medo”, assegura.

O problema é causado pelo rodízio, que faz com que, cada vez que os registros de determinada região sejam reabertos, a pressão da água sobre a tubulação vazia ‘varra’ os resquícios de sulfato presos às paredes da rede. O produto não prejudica a saúde, mas causa a cor amarelada. “Recomendamos que as donas de casa não lavem roupa branca nesse período”, orienta De Luca.”
E essa história de rodízio (uma parte do município fica sem água enquanto outra é abastecida por algumas horas, alternadamente) não está bem contada. Em vários bairros, mesmo nas horas em que deveria ter água, as torneiras continuam secas. A “explicação” da Casan é que deve ter ocorrido “um problema de pressão”.

Mas Florianópolis, que não tem água nem pra lavar as mãos, já sabe que não deve lavar roupa branca porque a água “boa pra beber” pode manchar.

[Roubei o mote “Casan cansa!” lá do Coluna Extra]

MEMÓRIA FRACA, GOVERNADOR?

Um leitor falou sobre isso e trago para cá nota da coluna do Adelor Lessa no jornal A Tribuna, de Criciúma, colocando nos seus devidos termos os dados estatísticos sobre as catástrofes catarinenses:
“Para não mudar a história

Do jornalista Laudelino Sarda, colunista semanal da rádio Som Maior Premium: "O governador Luiz Henrique anda dizendo que esta é a maior tragédia da história de Santa Catarina. Parece que ele sofre de megalomania. Ele quer tudo maior para ele. Mas a maior tragédia foi em 1974, no Sul do Estado, quando 205 pessoas morreram e cidades como Tubarão, se esvaziaram. Para você ter uma idéia, Tubarão deveria ter hoje uma população de 150 mil pessoas, mas o êxodo de 1974 fez a cidade perder população. Em 1983, as inundações em Santa Catarina mataram 140 pessoas e deixaram, somente em Blumenau, 50 mil pessoas desabrigadas. Logo, é preciso resgatar as estatísticas verdadeiras de Santa Catarina".”

BOLETIM METEOROLÓGICO AMADOR

As nuvens ainda abundam aqui em Florianópolis, mas ainda há pouco (11:55) da minha janela fiz a foto acima. É claro que enquanto o céu ficava azul ali adiante, aqui chuviscava e dois minutos depois essa abertura já tinha fechado, para abrir em outro local.

Apesar de ainda não ter entrado o vento sul que (no meu modesto entendimento) limpará de vez a coisa e dará uma certa estabilidade, o céu hoje está com uma cara melhor que nos dias anteriores. Mas ainda sujeito a sol e chuva, clima típico de casamento de viúva.

DÁZU

O blog DIARINHO NA CHUVA foi uma extraordinária e grata revelação. Eu, cá com os meus botões, tinha dúvidas de como o pessoal habituado a um fechamento único diário iria se adaptar à atualização freqüente. Mas tem sido um sucesso, prestando um grande serviço e dando informações muito úteis.

Hoje a turminha volta a fazer o jornal impresso que circula amanhã e provavelmente o blog desacelere um pouco. Tomara, como já disse ontem, que eles peguem o gosto e voltem ao ar em breve, sem precisar ser em edição extraordinária.

Afinal, concorrência na área de sites de notícias em SC também é saudável e necessária.

BLUMENAU NA REDE

A turma do Allesblau, blog focado em... Blumenau, pede pra avisar que o endereço deles agora é www.allesblau.net

Outro blog com informações sobre a situação de Blumenau é o Sala de Notícias.

DESLUMBRAMENTO

O veterano jornalista Aluizio Amorim está completamente fascinado com o poder do sensacionalismo e dos mecanismos de busca na internet. Acaba de descobrir aquilo que quem está há mais tempo no mundinho blog já sabia: que é possível turbinar os acessos usando palavras e frases que atendam às preocupações e curiosidade dos (argh!) “internautas”.

Começou comentando estupros (!) e a seguir mergulhou de cabeça nas “imagens da enchente”. Depois de colocar links para o dc online com “imagens ao vivo das enchentes” e fazer outros apelos de igual teor (“sobe para 64 o número de mortos”) comemora, num post interessantíssimo, que o “blog está bombando o número de acessos!”

Hum... e tenho a impressão que ele ainda nem começou a usar o Google Insights. Aí sim, poderá entrar de cabeça no “blog de resultados”, aquele que faz “de um tudo pela audiência”. ;-)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

ÁGUA, SÓ A DA CHUVA...

Acabei de conferir na torneira da rua: corre um filete fraquinho, fraquinho. Quase gotejando. Não tem pressão nem pra chegar na altura do joelho (e olha que sou baixinho), quanto mais até a caixa d'água, no alto da casa.

E, como já é tradicional, a empresa fica na moita, sem qualquer explicação razoável. Até o assessor de imprensa da Casan, que de vez em quando me mandava avisos de inauguração disto e daquilo, não me escreve mais. Decerto está magoado porque a gente não reconhece o esforço que eles estão fazendo para, mesmo com toda essa falta dágua, manter a distribuição das contas em dia.

NÃO ESQUEÇAM DO PE. EDGARD

Com tanta coisa acontecendo em edição extraordinária, a gente acaba até esquecendo a programação normal. Então trato de lembrar eventos importantes que ocorrerão nos próximos dias:

Dia 27, quinta-feira, será rezada uma missa comemorativa ao Jubileu de Ouro Sacerdotal do Pe. José Edgard de Oliveira, na capela do Provincialado das Irmãs da Divina Providência (nos fundos do antigo colégio Coração de Jesus), às 18h30.

Depois da missa, lá pelas 20:30h, um grande jantar festivo por adesão, nos salões do Clube Doze de Agosto. Será uma ótima oportunidade para rever os colegas dos movimentos de jovens, do escotismo, do bandeirantismo e dar um abraço amigo no Padre Edgard.

Os convites para o jantar estão à venda (só até hoje) no Centro Óptico Florianópolis (na r. Esteves Jr, perto do Angeloni), com o João Carlos ou da Adriana. O telefone é (48) 3223-4611.

Avisem, por favor, àqueles que têm boas lembranças do Edgard e gostariam de participar da festa. Vamos lotar o Doze e mostrar que podemos ter todos os defeitos, mas não somos ingratos.

No blog do Jubileu tem mais informações sobre os eventos já realizados e que ainda vão acontecer.

A propósito, a data em que o Edgard completa 50 anos de ordenação sacerdotal é 7 de dezembro. Nesse dia ocorrerá a principal celebração, realizada na terra natal dele:

Celebração Eucarística do Jubileu Sacerdotal
Local: Igreja Matriz de São João Batista, SC
Data: 7 de dezembro de 2008.
Horário: 10h

NUVEM DE SANGUE

E depois é o DIARINHO que leva a fama de sensacionalista. Mas tem coisa mais tétrica do que essa nuvem de sangue que o DC online colocou como sua vinheta para a cobertura do desastre?

DIARINHO NO TWITTER!

Graças às boas artes do Alexandre Gonçalves (Coluna Extra), as notas do DIARINHO NA CHUVA entram automaticamente no tuíter (twitter.com/diarinho) e podem ser acompanhadas pela turma que já está meio viciada em saber das coisas com no máximo 140 caracteres.

RAUL AGRADECE

Raul Sartori publicou nos comentários lá daquela nota em que informei a saída dele da RBS, um agradecimento a todos aqueles que deixaram palavras gentis e carinhosas:
“Lágrimas,
Gente, estes comentários todos me puseram no maior choro, hoje. Vocês são muito generosos comigo. Dias melhores virão, certamente.Não sei como agradecer a todos, mas estejam certos de que seus comentários estão para sempre guardados comigo. Gratos, gratíssimos, Raul Sartori”

DEFESA CIVIL DÁ MEDALHA A LULA

ATUALIZAÇÃO DAS SETE DA NOITE

Mais uma barrigada do distraído-irritado aqui: a entrega da medalha foi dia 24/10. Cheio de má vontade com esse pessoal, li 24/11 e fui com tudo. Continuo irritado, mas, agora, também meio envergonhado.
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Nota muito bem pescada pelo blog Botelheco, flagra o momento em que hoje, exatamente hoje, dia em que Santa Catarina amarga um dos piores desastres de sua história, o ministro nordestino que não dá bola pro Sul e o diretor da Defesa Civil foram se pendurar no saco do presidente e entregar-lhe uma “medalha da defesa Civil”. [ainda assim continua] Lamentável e vergonhoso.

Leia (e veja) aqui.

Enquanto isso, quem realmente mereceria medalha continua à espera de recursos, reforços, apoio e um mínimo de atenção de quem não tem estatura para estar onde está.

ATUALIZAÇÃO DA TARDE

O ministro nordestino que não gosta do Sul chega logo mais a Florianópolis, para jantar com LHS e fazer uma ceninha (ou seria ceinha?) de muito preocupado com a catástrofe. E o diretor da Defesa Civil que, junto com o ministro, esteve mais cedo entregando medalha pro Lula (claro, são só 50 mortos, apenas alguns milhares de desabrigados, eles podem esperar: primeiro as primeiras coisas), já está em SC, pra aparecer nas fotos e fazer o que os manuais mandam fazer nessas situações.

Vocês acreditam que já tinha petista me cobrando por que que eu tinha criticado a entrega da medalha e ainda não tinha noticiado que o diretor estava no estado? Ora, ora, porque o chefe da defesa civil estar onde está o problema, é obrigação dele, faz parte das funções. E tirar tempo para puxar o saco do presidente numa hora destas, é a quebra da normalidade. A notícia.

TREINAMENTO DE GUERRA

Desgraças à parte, está acontecendo um fato muito interessante com a brava (e diminuta) equipe de jornalistas que faz o DIARINHO, jornal líder de vendas em Itajaí e Balneário Camboriú.

O jornal, como tantos, tem um site na internet, mas, também como muitos, coloca na rede a edição do dia, sem atualizações periódicas. A tendência, no entanto, é que com o novo site, que deverá entrar no ar dentro de mais algumas semanas, o jornal passe a utlizar a internet de forma mais dinâmica.

E isso é sempre um problema. Basta ver o que aconteceu quando a RBS decidiu que seus principais colunistas também deveriam fazer blogs. Alguns estão reinando até hoje. Outros colocam uma notinha por dia, se tanto. Dão a impressão que, acostumados à rotina do jornal impresso, não entenderam direito a linguagem do novo veículo.

Com a impossibilidade de fazer circular o jornal de amanhã (o de hoje ficou retido em muitos locais, o reparte de Florianópolis só chegou à tarde), a turma do DIARINHO resolveu ir à luta e continuar trabalhando, só que em vez de jornal impresso, estão publicando num blog (já comentado abaixo).

E o ritmo das atualizações e a importância das informações demonstra que eles (e elas) estão, no calor da batalha, pegando o jeito. Mais umas horas assim e imagino que amanhã ou depois, quando as coisas voltarem ao normal, ficará uma vontade de distribuir imediatamente a informação, sem ter que esperar pelo dia seguinte.

E aí, o grupo estará preparado para oferecer, aos leitores, o melhor dos dois mundos.

NA CHUVA

Na foto, a situação dos berços de atracação do porto de Itajaí.

O DIARINHO está publicando todo o material que iria para edição de amanhã, num blog de emergência, o DIARINHO NA CHUVA. O jornal não circulará por falta de condições de distribuição (muitos da equipe estão com água dentro de casa e as ruas e estradas estão intransitáveis).

O blog tem informações de toda a área de cobertura do jornal, que vai de Florianópolis até Barra Velha.

DIARINHO EXPRESS!

O DIARINHO, que está ameaçado de não circular amanhã, porque as águas do vale do Itajaí estão barbarizando a foz e inundando a cidade portuária, abriu uma escotilha de emergência.

Está funcionando em diarinhonachuva.blogspot.com publicando o material que os leitores leriam no jornal se ele tivesse circulado normalmente hoje e se fosse sair amanhã. Apareçam lá.

AS PEDRAS DA SC 401

Alguém que esteja acompanhando as coberturas feitas sobre o deslizamento da barreira na SC 401 pode, por favor, me explicar se e por que as “autoridades” já descartaram completamente a possibilidade de haver veículos e pessoas (inclusive o motorista do caminhão) soterrados?

Claro, porque se existe a menor suspeita de que pode ter ficado gente ali embaixo, teria que ser feito um esforço extremo para chegar até elas. É perfeitamente possível que uma pessoa sobreviva muitas horas dentro de um carro, mesmo se ele estiver coberto de terra. Sempre sobra um pouco de ar ali dentro. Mas não vi nada nesse sentido. Embora não tenha sido um ouvinte/telespectador assíduo. Tive a impressão, não sei por que, que estão dando os eventuais soterrados como mortos desde o primeiro minuto.

E desde ontem já se fala em explodir as pedras, coisa que, naturalmente, eliminará totalmente a possibilidade não só de resgatar alguém com vida, mas também de identificar os cadáveres. Espero que o furor explosivo seja apenas um esforço publicitário “de oportunidade” e que não seja usado enquanto não se resolver a principal questão: ficou ou não ficou alguém ali embaixo?

De resto, assim como as encostas derretem-se em rios de lama, a credibilidade da Casan, se é que ainda havia alguma, escorre pelos canos, em lugar da água. O que se comprova, mais uma vez é que qualquer que seja o problema que se abata sobre a Ilha, falta água. Se faltar luz, falta água. Se ocorrer uma seca prolongada, falta água. Se vierem muitos turistas, falta água. Se chover demais, falta água. Se estiver calor, falta água. Se fizer muito frio, falta água. O sistema está preparado apenas para funcionar em dias absolutamente calmos, sem vento, temperatura amena e com uso moderado de água.