sexta-feira, 31 de outubro de 2008

DIARINHO GANHA MAIS UMA

Já perdi a conta, mas o DIARINHO ganhou mais uma. A turma do Volnei Morastoni (PT) iniciou uma ação contra o Jandir Bellini (PP) semelhante àquela que o Amin tascou no LHS, por abuso de poder econômico e mau uso dos meios de comunicação. E incluiu, na mesma ação, a Editora Balneense, que publica o jornal.

A juíza da 97ª Zona Eleitoral, Margareti Moser, decidiu que o DIARINHO não tinha nada que estar ali (é parte ilegítima) e extinguiu a demanda, no que diz respeito ao jornal.

GOLPE!

Os espertos se aproveitam da mania de repassar power points com coisas meigas, pra enfiar cavalos de tróia nos computadores dos incautos. Um dos golpes mais recentes é um e-mail com este texto (é claro que aqui a linha azulzinha não leva a lugar nenhum):
FamiliaFeliz.pps (234,87 KB)

" Toda a doutrina social que visa destruir a família é má, e para mais inaplicável.
Quando se decompõe uma sociedade, o que se acha como resíduo final não é o indivíduo mas sim a família. "

Muito interessante esta apresentação de slides. Repassem...
beijos Dudinhaa!
Clicou no link, se ferrou-se.

ADEUS À DONA ADELINA

A dona Adelina Hess de Souza, que morreu hoje aos 82 anos, foi uma empreendedora de enorme valor que, por coincidência, teve um papel importante num dos meus modestos empreendimentos. Em 1994 Acari Amorim e eu nos associamos para lançar uma nova revista de economia, a Empreendedor (na época o nome soava horrível, era palavra pouco usada). Pelo projeto editorial, haveria, em cada edição, um perfil de empreendedor. Escolhemos, para o primeiro número (foto acima), a dona Adelina. Ela parecia simbolizar tudo o que a palavra empreendedor significa.

Para executar a tarefa designei um jovem jornalista que tinha sido um dos primeiros a compor a pequena, mas valorosa, equipe da revista, o Alexandre Gonçalves. E ele rumou a Blumenau escoltado pelo fotógrafo Lauro Maeda, outro jovem igualmente promissor. De lá trouxeram um material de primeira qualidade, que enriqueceu o primeiro número, encheu-nos de entusiasmo e certamente ajudou a estabelecer um parâmetro para os demais perfis.

A dona Adelina, na minha cabeça, era uma espécie de madrinha virtual da revista e do que a gente, naquela primeira fase, queria mostrar. Depois de uma vida produtiva, decerto vai agitar um pouco as coisas lá no céu, que ela não é de ficar parada.

Para que vocês conheçam um pouco a dona Adelina transcrevo, abaixo, a parte inicial do texto do Alexandre que foi publicado na revista, em agosto de 1994. As duas fotos dela publicadas aqui foram reproduzidas das páginas daquela edição e são do Lauro Maeda.


Honrando a camisa

Com garra e determinação dona Adelina Hess de Souza criou 16 filhos e participou ativamente do crescimento da Dudalina, a segunda maior fábrica de camisas do Brasil

Por Alexandre Gonçalves

Quando se tornam mães, a maioria das mulheres abre mão de trabalho, estudo e, muitas vezes, sonhos e ideais para cuidarem dos filhos. Mas dona Adelina Clara Hess de Souza ignorou completamente a tradição: teve dezesseis filhos e criou todos sem abandonar o sonho de transformar a Dudalina, uma pequena camisaria caseira, numa grande empresa. “Os meus irmãos sempre diziam que eu tinha tirado a energia deles”, diz. Com muito trabalho e determinação, ela conseguiu. A Dudalina é hoje a segunda maior indústria de camisas do Brasil, com quatro fábricas em Santa Catarina (nas cidades de Blumenau, Luís AIves, Lontras e Presidente Getúlio) e uma no Paraná (em Terra Boa). São quase 1.000 empregados, com estimativa, para este ano, de produção de 1,8 milhão de peças e de faturamento em torno de US$ 27milhões.

A trajetória de sucesso de dona Adelina teve início ainda na adolescência, quando passou a trabalhar no armazém de secos e molhados dos pais, Leopoldo e Verônica, em Luís Alves, sua cidade natal. “Eu devia ter uns 15 anos na época”. Com dezoito anos, dona Adelina resolveu tirar o curso de corte e costura. Parecia prever o futuro que teria pela frente. Futuro que começou a ser desenhado um ano depois, em 1945, durante um comício da campanha do general Eurico Gaspar Dutra à presidência da República.

Foi neste ano que ela conheceu Rodolfo Francisco de Souza, o Duda, como era chamado desde os tempos de criança. No mesmo dia, eles planejaram a vida que pretendiam levar juntos – incluindo aí duas dezenas de filhos. Vieram dezesseis, onze homens e cinco mulheres. “Todos bonitos e saudáveis”, costuma dizer dona Adelina, quando alguém acha o número exagerado. Com um plano tão ousado, a história de Adelina e Duda só podia mesmo terminar em casamento. E foi o que aconteceu, em 1947. Dez meses depois, nascia o primeiro filho, Anselmo. Quase que ao mesmo tempo, o casal adquiriu o armazém de secos e molhados dos pais de Adelina, onde mais tarde nasceria a Dudalina.

PRESENTE DE TURCO
Como a maioria dos comerciantes, eles também costumavam viajar até São Paulo para comprar mercadorias supostamente de melhor qualidade. Havia sempre um revezamento entre os dois. Um dia ia dona Adelina, no outro, seu Duda. Nos períodos de gravidez, dona Adelina era obrigada a ficar em casa, indo seu Duda em seu lugar.

Numa dessas viagens, em 1954, ele chegou na rua 25 de Março, tradicional reduto do comércio paulistano, onde um turco lhe ofereceu 600 metros de seda, por um precinho camarada, para ser pago em 12 meses, praticamente sem juros.

Empolgado, Duda trouxe a mercadoria, mas não deu sorte. Todo o estoque do tecido, fora de moda, ficou encalhado. Dona Adelina, percebendo que as sedas não estavam agradando, procurava uma forma de se livrar daquele “presente de turco”. A única saída que encontrou foi transformar todo tecido em camisas para ver se conseguia pelo menos esvaziar o depósito. A idéia funcionou. Os clientes gostaram do produto, o que motivou o casal a entrar de cabeça na produção de novas camisas. Isso aconteceria oficialmente em março de 57, quando contrataram duas costureiras e transformaram o quarto da empregada em sala de costura, pelo menos durante o dia, quando as camas eram retiradas para dar lugar à confecção.

Não era só o espaço do novo negócio que era pequeno. O dinheiro para o investimento também não era lá grandes coisas. Não havia capital de giro para a compra do maquinário, mas dona Adelina superou este obstáculo, alugando as máquinas das costureiras. Cada uma trazia sua máquina de casa e no final do mês ganhava uma espécie de gratificação pelo empréstimo. “Se a costureira recebia 100 mil réis, nós pagavamos mais 50% pela máquina”, explica dona Adelina. Como se não bastassem os problemas com dinheiro, não havia energia elétrica em Luís Alves, obrigando seu Duda e dona Adelina a comprarem um gerador usado, para impulsionar o maquinário e não prejudicar a produção.

A pequena confecção crescia e o quartinho da casa da família Souza não era suficiente para suportar a demanda. Para ter mais espaço, eles alugaram uma casa em frente ao sobrado onde moravam. Em 1962, a empresa ganhou um novo nome: Indústria e Comércio Dudalina S.A. A marca, criada a partir dos apelidos de seus fundadores (Duda e Lina), foi sugerida pelo sobrinho Frederico de Souza, que sempre ajudou os tios na confecção.

O PRIMEIRO PEDIDO
Para que a camisaria expandisse seus negócios, era preciso também contratar pessoal. Dona Adelina saía à procura de novas costureiras nas regiões próximas a Luís Alves, onde os colonos viviam, cercados de plantações por todos os lados. Era difícil mostrar para os agricultores um novo horizonte para suas filhas. O medo de que as meninas se “perdessem”, exigia um esforço maior de dona Adelina na hora de falar com os colonos. “Eu dizia que assumia a filha deles, se ela fosse trabalhar de costureira comigo. Chegava a prometer que à noite, nenhuma menina ia chegar perto de homem”, conta dona Adelina.

Com um espaço e uma equipe maior, a confecção começou a se consolidar no mercado. As camisas estava sendo bem recebidas pelos consumidores. Começaram a surgir as primeiras vendas no atacado. “Foi indescritível o que senti ao faturar o primeiro pedido”, relembra dona Adelina. “A venda de 54 camisas, feita por um representante chamado Gessner para o Batalhão Rodoviário de Lages, abriu novos horizontes para os nossos negócios”. O dinheiro entrava mais rápido. No varejo, os principais compradores eram os agricultores de Luís Alves, que pagavam de acordo com o período da safra. “Vendíamos em maio de 48 para receber só em maio de 49”, diz. A demora no pagamento impedia novos investimentos.

A FRASE DO MÊS

“Um governo que pretenda se reeleger deve continuar encaminhando suas propostas”.
Juiz Jorge Antônio Maurique, do TRE-SC, no julgamento das acusações de abuso do poder econômico e mau uso dos meios de comunicação contra LHS.

MEDAGLIA NA PLEURA!

Peguei lá no Batendo Forte, blog do Mário Medaglia:
A Copa do apagão

Apagão para deixar meia cidade às escuras durante três dias, apagão moral, apagão ético, apagão técnico no time do Figueirense, tudo isso o morador de Florianópolis já viu. Faltava o apagão mental que acometeu um engenheiro da Celesc na explicação que deu para a falta de luz no Orlando Scarpelli. Disse ele que a culpa foi das fitinhas utilizadas pelos torcedores para saudar a entrada do time em campo e que, levadas pelo vento, atingiram alguns fios próximos ao estádio, provocando incêndio e desativação do sistema. O episódio é ridículo e tende a se repetir em outras situações, como tem acontecido com freqüência em Floripa. É uma temeridade, não só pela temporada que se aproxima, mas pela candidatura pretendida pela Capital a uma das sedes da Copa de 2014. É muito apagão para uma cidade só.”

DEUS EXISTE!

Tá tudo dando certo pros novos donos da cidade (Dário/LHS):

1. Liminar solta o freio da farra dos terceirizados;

2. LHS absolvido em mais um processo na primeira instância;

3. Governo do estado paga sozinho as principais obras prometidas pelo prefeito eleito de Florianópolis (administração da capital financiada por toda Santa Catarina);

4. LHS, Pavan, Jandir, Dado, Quirido, Knaesel, Walendowski, Dr. Moreira, Dário e mais alguns saem pelo mundo, propagandeando que o paraíso é aqui. E, ao que tudo indica, é mesmo. Pelo menos pra eles...

GRANDE FIGUEIRA!

O Figueirense fez uma tocante homenagem aos cinco anos do grande apagão de Florianópolis. Mesmo situado no Estreito, que não foi atingido em 2003 pelo corte de energia para a Ilha, o Figueirense apagou as luzes de seu estádio, ontem, provavelmente para que todos relembremos como foram duras aquelas horas (de 48 a 72 horas, dependendo da região) em que ficamos sem luz, entre os dias 29/10 e 31/10 de 2003.

Grande Figueira!

VAI COMEÇAR O FESTERÊ


Não é todo dia que um jornal diário completa 30 anos com a vitalidade deste nosso DIARINHO. A grande data será no início de 2009, mas estão sendo preparadas muitas comemorações para que a ocasião seja adequadamente lembrada e festejada.

A primeira festa será no próximo dia 9, domingo, no Iate Clube de Cabeçudas. Uma feijoada, a partir da uma da tarde, com tudo que uma boa feijoada precisa ter, a um precinho módico: R$ 30,00.

Além da festa, o DIARINHO vai ganhar roupa nova porque, como todo aniversariante, precisa estar bem vestido para receber os parabéns. Um novo projeto gráfico para o jornal de papel e um novo site para o jornal na internet (finalmente vocês, que não são assinantes, conseguirão ler e ver mais coisas do que apenas a capa no www.diarinho.com.br) estão em fase final de elaboração e, se não acontecer nenhum imprevisto (toc-toc-toc), serão apresentados aos participantes da feijoada.

O DIARINHO, não sei se vocês sabem, tem investido bastante também para melhorar as condições de trabalho de seus jornalistas. Uma reforma na sede do jornal, em Itajaí, ampliou o espaço da redação, melhorou o sistema de ar-condicionado, incorporou novos equipamentos e agora oferece outro nível de conforto pra turma que faz o jornal.

Além disso, o sistema informatizado que gerencia a produção do jornal é o mesmo utilizado em alguns dos grandes jornais do mundo.

E tudo isto está sendo feito sem que o DIARINHO se descuide da sua maior conquista: a linguagem coloquial, solta, peculiar, que o torna único e irresistível. Enquanto os leitores estão abandonando os jornais convencionais, que usam uma linguagem chata, excessivamente formal, muitas vezes metida a besta, as vendas do DIARINHO em bancas são crescentes ao longo dos anos. Um crescimento consistente, resultado da conquista de novos leitores, todos os dias, de Florianópolis a Barra Velha. Em Balneário Camboriú e Itajaí, onde o jornal é líder inconteste de vendas há vários anos, a posição se mantém inabalável.

É claro que o DIARINHO 3.0 tem várias diferenças em relação ao jornal dos primeiros anos. Houve uma evolução, iniciada e estimulada pelo seu criador, o lendário Dalmo Vieira, e executada com capricho pela neta que ele escolheu e preparou para dirigir o jornal, Samara Vieira. A evolução, contudo, soube preservar o essencial: o espírito de independência, de destemor, de apego à liberdade e a linguagem acessível, que formam o legado do velho Dalmo (na foto acima).

O Dalmo criou o DIARINHO a partir da rua. O que se dizia nas mesas dos bares, nas esquinas, o jeitão que o povo falava, foi trazido para as páginas do jornal. Um jornal popular legítimo, nascido das conversas que correm de boca em boca, que chega aos 30 anos tão revolucionário como era ao ser criado.

Nas escolas, nos seminários internacionais, nas discussões de alto nível sobre jornalismo, nada tem sido dito sobre jornal e jornalismo, nos últimos anos, que o DIARINHO não tenha no seu DNA:

Interatividade, participação do leitor? Ora o leitor manda no DIARINHO há décadas, seus reclamos, às vezes até contra o jornal, sempre tiveram espaço destacado.

Linguagem atraente? Hehehe, isto é conosco mesmo.

Credibilidade, exatidão das informações? Esta é uma conquista diária. Justamente porque está sempre aberto à crítica do leitor e de suas fontes, o jornal procura, obsessivamente, acertar. E, quando erra, não faz desmentidos envergonhados em letra miúda, num cantinho escondido: se for o caso, admite o erro na capa. Essa preocupação diária com a informação correta, está na base da credibilidade do jornal.

Só os preconceituosos que não conhecem direito o DIARINHO acham que a linguagem solta, a gíria, o português coloquial, significam que as informações são obtidas e divulgadas sem rigor. Não existem estudos comparativos, mas desconfio que o volume de informações erradas ou equivocadas publicadas no DIARINHO seja muito menor que o de vários outros jornais que se apresentam como “sérios” apenas porque seus textos são burocráticos, engessados e muitas vezes incompreensíveis.

Por tudo isso, quem conhece e lê o DIARINHO com freqüência não quer saber de trocar. E torce para que o jornal, um dos poucos em Santa Catarina que vende, em média dez mil exemplares por dia, melhore sempre mais e fique, com a idade, cada vez mais bonito, mais sábio, mais interessante, divertido e independente.

E, no domingo, quem puder deve dar uma chegada à primeira festa. Mas corra, porque serão vendidas só umas 200 camisetas/ingresso.

Longa vida ao DIARINHO! 


Pros míopes, que não conseguiram ler no cartaz:
PRIMEIRA FESTA DO DIARINHO 3.0
DOMINGO DIA 9/11 – A PARTIR DAS 13h
Iate Clube Cabeçudas
Para comprar a camiseta-ingresso: (47) 3249-5920
Facadinha: só R$ 30,00 por pessoa
Samba e choro: Siriguidum

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

FARRA DOS TERCEIRIZADOS

O Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região tinha publicado uma sentença colocando um freio (uma meia-trava) na farra dos terceirizados do governo estadual.

Vocês sabem que a permissão legal para contratar empresas fornecedoras de mão-de-obra virou um escândalo, uma imoralidade. A autoridade (em geral secretários de estado) diz à empresa contratada quem ela deve contratar. Na prática, nomeiam os funcionários que serão colocados para trabalhar naquela repartição.

Com isso, empregam cabos eleitorais, gente com pistolão, amigos, parentes, o escambau. E a facilidade é tanta que ninguém mais quer saber de concursos para contratar pessoal. Estão colocando terceirizados para executar tarefas que deveriam ser privativas de servidores estatutários. E, em alguns casos, com salários superiores aos proventos de quem fez concurso e pertence ao quadro de servidores públicos estaduais.

Quando a decisão do juiz da 4ª Vara do Trabalho chegou ao governo, foi um Deus nos acuda. “Pára tudo, pisa no freio!” gritaram aqui e ali. E quem não era terceirizado achou que finalmente tinham colocado o dedo na ferida.

Mas a alegria de pobre dura pouco. Ontem, poucos dias depois da decisão do TRT, o Supremo Tribunal Federal mandou soltar o freio, suspendendo a decisão.

A Procuradoria Geral do Estado, é claro, esperneou conforme é seu direito e dever e foi se queixar ao STF, que acatou os argumentos e mandou colocar o trem da terceirização na banguela.

A PGE garante que os serviços terceirizados do Governo do Estado estão dentro da legalidade. E o governo distribuiu nota informando que “por decisão do ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo permite que a administração estadual terceirize as atividades previstas na legislação, como serviços de limpeza, vigilância e telefonistas, entre outros”.

Ora, ora, o xis da questão não é a terceirização em si. Mas o uso político abusivo que muitos estão fazendo dessa ferramenta. Era a farra da terceirização que estava sendo colocada em xeque. Coisa que a própria PGE deveria combater, pra mostrar que tem gente séria e honrada no governo, que não compactua com bandalheira feita com dinheiro público.

O fato é que, por menos que a gente goste da situação como está, se tirarem de uma vez todos os terceirizados, o estado pára. Vai ter repartição, como o Detran, que nem vai conseguir abrir as portas, tal a quantidade de terceirizados em funções-chave. Mas, em todo caso, alguma coisa deveria ser feita para corrigir as distorções e acabar com a pouca vergonha.

Quem deve estar apreensivo (e agora muito aliviado) é o prefeito reeleito de Florianópolis, Dário Berger, sócio, com seus irmãos, da Casvig, uma grande empresa de terceirização de mão-de-obra e vigilância, que atende o governo estadual nestas duas áreas.

“SOLTA O FREIO, DEIXA NA BANGUELA!”

STF mandou soltar o freio que o Tribunal Regional do Trabalho da 12ª região tinha aplicado na farra dos terceirizados.

Não sei de maiores detalhes, mas, como diria meu amigo Zé, “isso é o quanto abasta”.

Farra boa é aquela em que muita gente se diverte e não tem cabimento acabar a festa justamente quando o pessoal está alegre e contente porque se juntaram a fome com a vontade de comer.

Só digo uma coisa pra vocês: sai da frente que esse trem tá sem freio!

VORTI

Vou só liberar os comentários, fazer um lanchinho, mandar a coluna pro jornal e depois volto aqui pra conversar com vocês.

VOLTO JÁ

Caros leitores e leitoras: pra variar, ficarei algumas horas longe do computador. Então, por favor não estranhem se até o meio da tarde não tiver coisa nova e os comentários ficarem represados. Relevem a ausência e aproveitem para navegar um pouco pelaí. Tem algumas sugestões de destinos internéticos ali na coluna da direita.

Até já.

AMIGOS PARA SEMPRE...

LHS aproveitou a ida ao salão do automóvel, em SP, pra ficar de novo bem juntinho do João Dória. Hum...

TOMOU, PAPUDO?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

TRE-SC ABSOLVE LHS

E vocês achando que ele seria condenado desta vez, né? Nananinãnã.

Surpresa!

O TRE-SC disse, mais uma vez, que LHS não abusou do poder econômico nem usou mal os meios de comunicação na campanha à reeleição.

Não tem jeito. Os juízes do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina acham mesmo que não ocorreu nada errado na campanha do LHS à reeleição. E novamente recusaram-se a levar adiante as suspeitas de abuso do poder econômico e mau uso dos meios de comunicação levantadas pela coligação Salve Santa Catarina (de Amin/PP).

Gley Sagaz, advogado da coligação disse que vai recorrer ao TSE, onde já tramitam dois processos semelhantes, também recusados pelo TRE-SC, mas acatados pela corte superior. Ele acha que lá a turma de ministros não tem medo de encarar os moribundos.


Não deixa de ser engraçado notar que pelo menos três ministros do TSE, ao se manifestarem sobre o mérito, viram graves irregularidades. Mas os juízes locais não viram e continuam não vendo nada de errado na campanha nem nos elogiosos cadernos dos jornais do interior. O que, de qualquer forma, não surpreende ninguém.

“SEUS MAL INFORMADOS!”

O jornalista Roberto Azevedo, no seu blog, comentou que o prefeito eleito não quer saber do batente e fica gastando o tempo que tem antes de viajar à Europa infernizando a cidade a bordo de um trio elétrico. Ele achava, como boa parte dos eleitores, que o alcaide deveria aproveitar que estão discutindo o orçamento (numa comissão presidida pelo Juarez Silveira!) para incluir algumas das obras prometidas na campanha.

Pra quê? O Alemão subiu nas tamancas (ou no trio elétrico) e tratou de mandar um recado claro a seus eleitores, que o Azevedo também publicou:

- Estão mal informados. As obras (elevado do Trevo da Seta, Centro Multiuso do Norte da Ilha e alargamento da pista da SC-405, no Sul da Ilha) serão feitas com recursos do governo do Estado e eu não preciso acrescentar nada ao Orçamento – explicou o prefeito.

Então parece que a coisa é esta: Dário eleito, LHS prefeito.

LEMBRAM DISSO?

Alertado por um leitor e pelo blog “Comentários, blogs e notícias”, lembrei-me que hoje é 29 de outubro e que, em 2003, nesta data começávamos a viver uma aventura que deveria ser inesquecível.

Abaixo algumas notas que publiquei, no meu blog de então, o Carta Aberta. Como estava sem eletricidade e sem internet, pedi que um filho, que estava em São Paulo, colocasse o primeiro aviso:

APAGÃO EM FLORIANÓPOLIS (29/10/2003, às 23:55)
Pelo postador interino

A cidade mergulhou no caos, sem luz, sem sinais de trânsito, sem pilhas para os radinhos e sem muita perspectiva de voltar ao normal. O seu Cesar, depois de subir 11 andares de escada pra ir trabalhar, descobriu que um liquinho usado pra soldar alguma coisa perto dos cabos de alta tensão que alimentam a Ilha de Santa Catarina explodiu e jogou dois caras no mar.

Essa explosão destruiu os cabos debaixo da ponte Colombo Salles, que são resfriados a óleo, causando um incêndio que chegou a afetar (derreter, trincar ou rachar, os relatos divergem) o asfalto da ponte. Além disso, deixou toda a ilha no escuro, desde às 13h30.

A Cora Rónai, que está de visita, deve ter ficado com mais essa boa impressão da cidade, além dos chefões das maiores empresas de Telecom do mundo, reunidos para a Futurecom (acho que é esse o nome) também em Florianópolis.

O trânsito ficou uma loucura, segundo o relato do seu Cesar. Motoristas na preferencial ignoram os coitados que tentam entrar nas avenidas. O novíssimo túnel do Saco dos Limões teve seu primeiro engarrafamento, e os motoristas desacostumados esqueceram de desligar seus motores, fazendo muitos passarem mal com o dióxido de carbono.

Parece que até o meio dia de amanhã tudo volta ao normal, inclusive este blog, mas enquanto isso vai se esgotando o estoque de velas e o repertório de jogos de baralho e sombras na parede.

Ainda bem que os telefones convencionais não dependem de eletricidade (parece que os celulares tavam com problema), assim podemos ter esse relato em primeira mão (meio atrasado, é verdade) do acontecido.

Logo o titular do blog voltará a postar. Enquanto isso fiquem atentos ao noticiário.

ALIVE! I'M ALIVE! (31/10/2003 às 13:48)

Acabou de voltar a luz aqui em casa, depois de exatas 48 horas de apagão. Assim que tomar pé, tomar banho, jogar fora o que estava no freezer, tirar a água do porão, ler o que está nos blogs amigos, volto para por no ar a programação normal. Até já.

Assim que resolver um pequeno problema de conexão entre o meu "electricity independent text processor" (Smith-Corona, na foto) e o computador, começo a postar algumas partes da lenga-lenga que escrevi à luz de velas.

NINGUÉM MERECE (31/10/2003 às 14:59)


Ficar 48 horas sem luz porque um avião bateu na ponte, ou porque um caminhão de dinamite esbarrou num fusca mal estacionado e explodiu, até pode ser chato, mas tem seu charme. Só que ficar 48 horas sem luz porque alguém, da concessionária de energia elétrica, fez alguma coisa errada com um maçarico durante uma manutenção de rotina, é muito chato. Só.

Chato porque a gente descobre que muitos anos depois de terem construído a segunda ponte de concreto, as duas únicas linhas de transmissão ligando o continente à ilha continuam passando, juntinhas, na mesma galeria da mesma ponte. Ou seja, a linha que poderia servir de alternativa estava ali, no mesmo local do acidente. Que, é lógico, queimou as duas.

O que foi feito depois, aí sim, foi um trabalho de gigantes. Em poucas horas bolaram uma forma criativa de estender uma linha que trouxesse a energia, cruzando o braço de mar. Em menos de 48 horas foram fincados 50 postes, daqueles grandões de alta tensão, capazes de suportar três fases, lançados mais de 5 mil metros de fios, solucionado um problema complicado de engenharia para fixar a linha embaixo de uma das pontes (os caras trabalharam pendurados em guindastes, dezenas de metros acima dágua).

E continuam trabalhando, porque conseguiram completar a ligação apenas a uma subestação, que abastece cerca de 45% da Ilha. Eles esperam até às 16h ligar-se à outra subestação, que está interligada com as demais e aí a luz chegará a todos os consumidores. São cerca de 300 abnegados, entre engenheiros e técnicos de todas as qualificações, que estão trabalhando direto, 48 horas na raça, numa operação de guerra que, pela urgência, não permitiu projetos, plantas, ensaios. A coisa foi sendo feita no olho e no peito. E a luz chegou sem qualquer problema, mostrando que a pressa, nesse caso, casou-se com a perfeição.

Chato também porque a gente descobre que a companhia de água (Casan), não tem geradores nem qualquer plano de emergência para garantir que suas estações de recalque ou bombeamento continuem trabalhando num apagão. Então, foi mais ou menos automático: apagou a luz, acabou a água. E a luz volta, mas a água é mais lenta, vai levar ainda umas 72 horas para chegar aos locais mais altos e ficar tudo normalizado.

O rádio de pilha passou a ser o melhor amigo, produto de primeira necessidade. E dá-lhe procurar nos guardados walk-man antigo que tinha rádio, aquele velho radinho do futebol, ou então pilha grandona para fazer funcionar o boom-box.

Os florianopolitanos, tirante uns bobalhões que tentaram azucrinar a vida da cidade nesta segunda noite sem luz (e que foram responsáveis por boa parte das 500 ocorrências que a polícia atendeu durante a noite), comportaram-se como gente grande. Nas ligações para as estações de rádio (os telefones fixos funcionaram o tempo todo), alguns desabafavam com toda a razão, mas a maioria era muito sensata e solidária. Não teve vandalismo, não teve quebra-quebra e só um incêndio por descuido com velas.

Claro, com a volta da luz, o foco muda do esforço coletivo para dotar a cidade desses bens essenciais, para uma necessária revisão e saudável cobrança de responsabilidades.

1. Quem foi o gênio que não dotou a Casan de geradores a diesel para acionar as bombas?
2. Quem foi o gênio que achou que a cidade estava bem servida com essa ligação elétrica que apesar de dupla passava pelo mesmo e confinado local?
3. Quem foi o gênio que achou que a cidade não precisava de um plano eficiente de emergência que, levando-se em conta que as únicas ligações de luz e água passam sobre uma ponte (e pontes, às vezes, podem cair, pois não?) previsse esse cenário?

E por aí vai.

Bom, para completar o conjunto de desgraças, os cabos eram refrigerados a óleo e com a chama ou a explosão inicial incendiaram-se. O fogo durou quase 20 horas e atingiu temperaturas muito altas. A estrutura de concreto protendido da ponte pode estar comprometida. A ponte foi interditada neste final de semana justamente para permitir que uma perícia seja feita. Se o dano for grave, a pobre e valerosa cidade de Florianópolis ficará ligada ao Continente apenas por quatro pistas da Ponte Pedro Ivo Campos ainda por muito, muito tempo. Duas pra lá, duas pra cá. E aquele engarrafamento que a Cora mostrou poderá se transformar numa cena constante.

Daqui a pouco eu volto (devo estar uns 20 quilos mais gordo: para não desperdiçar, desde ontem estamos comendo feito uns loucos o estoque de ostras, camarões, peixes e outros bichos que estavam armazenados no freezer. E está na hora da quarta refeição de hoje ;-)) .

KIT APAGÃO

[Publicado dia 31 de outubro de 2003, uma sexta-feira, às 21:29, no extinto Carta Aberta]

Sempre devemos ter um manual de crise, pronto para ser aberto, lido e seguido quando acontecer qualquer uma das inúmeras desgraças, catástrofes e azares a que estamos sujeitos quando vivemos em Nova Iorque, Toronto, Tel Aviv, Bagdá ou Florianópolis. Vou revelar, em primeira mão, o manual de crise aqui de casa. Ilustrado, para que o pessoal, no momento em que ocorre o problema, não perca muito tempo.


1. Material básico: fósforo e lanterna. Muito importante: não use o fósforo para acender a lanterna. O plástico pode liberar vapores tóxicos. Também não adianta usar a lanterna para acender os fósforos.


2. Decoração: o fato de estarmos em crise não significa que devamos descuidar da apresentação de nossos ambientes. Aqui sugerimos a colocação de um castiçal duplo do tipo 3 (quarto da menina) no local especialmente destinado para isso, sobre a TV. Não tentem ligar a TV nas velas. Nem aproximem bichinhos de pelúcia do fogo. Dá boas fotos, mas é muito perigoso.


3. Jogos: é fundamental ter com o que ocupar mãos e mentes durante os longos períodos sem TV. Jogos de todos os tipos podem ser tentados. Não é aconselhavel que o dono da casa perca muitas partidas seguidas. Ele pode seqüestrar as últimas velas e trancar-se no sótão, emburrado.


4. Leitura: mantenha sempre uma estante eclética de emergência. Numerologia, Trotski, Maigret, Jardinagem, o que seja. Porque nunca se sabe o ânimo que estaremos, no escuro, sem banho no caso de Florianópolis, onde a água sempre acaba quando acaba a luz ou com banho frio nos demais locais.

Amanhã, dependendo do ânimo com que acordar, tratarei das formas de contornar o problema sanitário enfrentado por famílias numerosas em apartamentos pequenos sem água para o banho, sem ter como lavar a roupa, sem elevador, com a pia cheia e sem descarga nos banheiros por 52 horas.

HALLOWEEN ADIANTADO

Será hoje, no Tribunal Regional Eleitoral, às 16h30min, o julgamento da ação impetrada pela coligação Salve Santa Catarina, que requer a cassação do mandato do governador LHS. Vamos ver se nasce outro moribundo que se arrastará pelos escaninhos dos tribunais, ou se não chegará nem a dar o primeiro susto.

UM FREIO NA TERCEIRIZAÇÃO

O Juiz do Trabalho Paulo André Cardoso Botto Jacon publicou uma sentença em 13 de outubro último, que enfia profundamente o dedo na humorosa ferida da terceirização. Àqueles que têm tempo, paciência e curiosidade, recomendo a leitura da íntegra da sentença, que está aqui.

A contratação de mão-de-obra terceirizada pelo governo, que deveria ser um recurso excepcional para situações específicas, tornou-se uma forma freqüentemente usada para burlar a lei. Em vez de contratar por meio de concurso público, nomeia-se, a bel prazer da autoridade contratante, os funcionários a serem empregados pelas administradoras de mão-de-obra, que e a seguir são designados para trabalhar em funções muitas vezes privativas de servidores concursados e efetivos. Na prática, funciona como se fossem cargos de confiança. E a empresa prestadora de serviço acaba remunerada para intermediar a fraude. É mais ou menos isso que está sendo denunciado e para o que o Juiz determinou que se puxe o freio de mão.

Abaixo, o ofício que circulou ontem em todas as repartições estaduais, enviado pela Secretaria de Estado da Administração, por recomendação do Procurador Geral do Estado. Ele dá uma idéia do que se trata. Os destaques e grifos do texto abaixo constavam do original.
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Ação Civil Pública. Concessão em parte de antecipação de tutela. Tribunal Regional do Trabalho da 12ª região. Cumprimento e conhecimento. Urgência.
Trata-se de comunicado através do Ofício GAB/PGE nº 2813/08 enviado pelo Procurador Geral do Estado, Dr. Sadi Lima, cientificando esta Secretaria de Estado da Administração de uma decisão proferida pelo Exmo. Juiz da 4ª Vara do Trabalho de Florianópolis sob os autos da ACP nº 04214 2008 034 12 00 2.
O Ministério Público do Trabalho – Procuradoria Regional do Trabalho da 12ª região ingressou com Ação Civil Pública com pedido de antecipação de tutela em face do Estado de Santa Catarina, objetivando em síntese, a declaração incidental da insconstitucionalidade do art. 26, da Lei nº 6.772/1986 e a imposição ao Estado de algumas obrigações, tais como: a) se abster de contratar trabalhadores subordinados por meio de terceirização para suas atividades fim ou meio; (b) fiscalizar a idoneidade das prestadoras de serviço que contratar; (c) não praticar atos de gestão pessoal nas prestadoras de serviço; (d) rescindir os contratos, convênios ou parcerias com terceiros para a contratação de trabalhadores subordinados para suas atividades fim ou meio, tudo sob pena de pagamento de multa; (e) condenação ao pagamento de indenização por danos morais coletivos.
O Exmo Sr. Juiz do Trabalho, insere nos autos da sua decisão que o autor da ação alega e comprova, documentalmente, que os diversos órgãos da administração Pública do Estado de Santa Catarina se utilizam de mão-de-obra terceirizada, para prestar serviços de natureza subordinada, não eventual e com pessoalidade, executando tarefas típicas ou exclusivas de servidores ou empregados públicos. Essa prática, de acordo com o Parquet, viola o princípio constitucional do concurso público e prejudica a massa de trabalhadores qualificados, que não tem acesso ao emprego público, além de precarizar as relações de trabalho.
Diante dos argumentos apresentados pelo autor da ação, foi concedida em parte, a antecipação de tutela, determinando que o ESTADO DE SANTA CATARINA, de imediato:
- se abstenha de contratar trabalhadores subordinados por meio de terceirização para suas atividades fim ou meio, sob pena de pagamento de multa de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) diários pelo descumprimento, até que cesse a irregularidade (art. 461, § 4º, CPC).
- não pratique atos de gestão pessoal nas prestadoras de serviço sob pena de pagamento de multa de R$ 50.000,00 por infração(art. 461, § 4º, CPC).
Depreende-se ainda dos autos, que a decisão em questão não alcança a Secretaria de Estado da Saúde e a Secretaria de Estado da Educação por haver ação própria relativamente a elas (nºs. 5772 2005 034 12 00 e 2593 2008 036 12 00 9).
Diante disso, propõe-se que seja encaminhada com URGÊNCIA, cópia desta informação às Diretorias e respectivas Gerências desta Secretaria de Estado da Administração, SDR’s, demais Secretarias e órgãos da administração indireta, que se entender necessário, para cumprimento e conhecimento da decisão judicial em anexo.
Florianópolis, 27 de outubro de 2008.

CONCORDO COM OS TERMOS DA INFORMAÇÃO Nº 8.068. ENCAMINHE-SE O PRESENTE, ÀS DIRETORIAS E RESPECTIVAS GERÊNCIAS DESTA SECRETARIA DE ESTADO DA ADMINISTRAÇÃO, SDR’S, DEMAIS SECRETARIAS E ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO INDIRETA, QUE SE ENTENDER NECESSÁRIO, PARA CUMPRIMENTO E CONHECIMENTO DA DECISÃO JUDICIAL EM ANEXO.
  
SEA, em 27 de outubro de 2008.

Antônio Marcos Gavazzoni
Secretário de Estado da Administração

REVOADA

Infraero informa o movimento nos aeroportos catarinenses: O secretário Gilmar Knaesel e seu fiel escudeiro Valdir Walendowsky acabam de embarcar para a Itália e Alemanha. O vice-governador Pavan também vai amanhã pra Itália (marcou encontro com o tucano Knaesel em Bergamo?) e depois para a Espanha. Eduardo Pinho Moreira decola domingo rumo a Xangai, na China. LHS e o prefeitoDário embarcam dia 8 para Londres e Paris. Agora, só uma perguntinha: e quem é que vai ficar tomando conta do lojinha?

MAROLINHA DE FORTE IMPACTO

Ministro da Fazenda Guido Mantega, ontem, no 3º Encontro Nacional da Indústria, um evento promovido pela CNI, em Brasília:
“Vamos ter um forte impacto na atividade econômica, na economia real, e no mundo todo vai desacelerar e isso está ficando nítido agora”.
Como disse o jornalista Josias de Souza, da Folha, “Em verdade, isso não ‘está ficando nítido agora’. O governo é que trazia os olhos embaçados.”

AS PENDÊNCIAS...

OK, já sabemos que o eleitor não liga pra isso, mas não custa dar mais alguns murros na ponta dessa faca. Ou nesse ferro frio: dos 30 prefeitos eleitos no segundo turno, 22 têm ações na Justiça. Apenas quatro, dos 26 eleitos nas capitais, não estão respondendo a nenhum processo.

Tá certo que tem alguns processos que são menos graves. Há inclusive aqueles que os adversários é que começam, só pra dizer que o prefeito ou o candidato deve alguma coisa.

Mas há aqueles de improbidade, que em geral só são abertos quando há indícios fortes. Como disse o juiz Paulo Henrique Machado, secretário-geral da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), “A Justiça não recebe uma ação dessa natureza sem o mínimo de evidências”.

Ou seja, teria sido melhor se o eleitor prestasse atenção nisso e evitasse dar um cheque em branco pra quem ainda não provou se sabe lidar com o dinheiro dos outros.

Segundo o site Congresso em Foco, que anda mexendo nesse abelheiro, nas capitais o mais processado é o ex-governador do Maranhão, João Castelo (PSDB). Mas Santa Catarina não tem do que se envergonhar. O prefeito Dário Berger, com sua dúzia de processos, está bem colocado nesse ranking das pendências. Na verdade, parece que, de improbidade mesmo, são apenas cinco, os processos.

A grande jogada nas campanhas, agora, é dizer que é “baixaria” sempre que alguém tenta mostrar um quadro como esse. E de “acusação infundada” qualquer tipo de denúncia, por mais fundamentada que seja. Alguém botou na cabeça do eleitor que, se o candidato diz que é bonzinho, ele é bonzinho mesmo.

GENTE LOUCA

A UFSC informa que o Jornalismo continua entre os dez cursos mais procurados. Tem mais candidato por vaga que as Engenharias!

Onde é que essa gente está com a cabeça? Um engenheiro mecânico formado pela UFSC, por exemplo, sai do curso empregado, disputado a tapa por multinacionais e grandes empresas nacionais.

Um jornalista tem que disputar pouquíssimas vagas a tapa e, ainda assim, para receber salários inferiores aos de muitos torneiros mecânicos (antes mesmo de se tornarem Presidente) ou de outros técnicos de nível médio.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

BASE EMPRESARIAL FAMILIAR

O blog do Vitor Santos (também conhecido como o ex-blog do Vieirão), voltou à ativa, depois de ter sido censurado pela Justiça Eleitoral (proibido de falar no nome do prefeitoDário) até o dia 26/10.

E traz, para a reestréia, um levantamento bem interessante sobre as oito empresas da família Berger. Para ir até lá, clique aqui.

O TEFLON NA HISTÓRIA POLÍTICA

Este blog é uma fonte inesgotável de cultura e sabedoria, principalmente graças a seus doutos leitores, que contribuem com generosidade e carinho para tornar este local cada vez mais divertido e saudável.

Olha só o que a Lia descobriu na wikipedia: o registro histórico da primeira vez em que um político foi chamado de teflon! Está em inglês porque os leitores e as leitoras são todos poliglotas.
"Teflon is a nickname given to persons, particularly in politics, to whom criticism does not seem to stick. The term comes from Teflon, the brand name of a "non-stick" chemical used on cookware, and was first applied to the American President Ronald Reagan."

History
The phrase "Teflon president" was coined in 1983 by Patricia Schroeder, then a Democratic Congresswoman from Colorado, who said of then-President Reagan,

“After carefully watching Ronald Reagan, I can see he's attempting a great breakthrough in political technology. He has been perfecting the Teflon-coated presidency. He sees to it that nothing sticks to him. He is responsible for nothing.”

Usage outside US

The usage of the "teflon" metaphor seems to be spreading outside the US too.

United Kingdom
Former British Prime Minister Tony Blair is often referred to in the press as Teflon Tony.

Canada
Ralph Klein, long-time premier of the Canadian province of Alberta, was often referred to as a "Teflon" Premier.

Republic of Ireland
It has been applied to Irish Taoiseach Bertie Ahern (known as the Teflon Taoiseach) as scandal after scandal failed to have any lasting effect on him, until he was forced to resign in 2008.

Australia
In Australia the name Teflon Johnny has been coined to describe Prime Minister John Howard. Other Australian public figures that have been called "teflon coated" include Queensland Premier, Sir Johannes "Joh" Bjelke-Petersen and Prime Minister, Paul Keating.

TÁ, TÁ, VOU TRADUZIR!

Antes que reclamem, peguei o texto acima, toquei num Yahoo!Babel Fish (tradutor grátis automático) e colei abaixo (sem revisão nem correção, que é pra ter alguma graça) e assim os monoglotas poderão entender o que está dito acima.
“O Teflon é uma alcunha dada às pessoas, particular na política, a quem a desaprovação não parece furar. O termo vem do Teflon, a marca de um "non-stick" o produto químico usado no cookware, e foi aplicado primeiramente ao "americano do presidente Ronald Reagan.;

História

O " da frase; President" do Teflon; era inventado em 1983 por Patricia Schroeder, então um Congresswoman Democratic de Colorado, que disse da presidente em a altura Reagan, “Após com cuidado ter prestado atenção a Ronald Reagan, eu posso ver he' s que tenta uma grande descoberta na tecnologia política. Tem aperfeiçoado a presidência Teflon-coated. Vê-lhe que nada lhe fura. É responsável para nada.”

Uso fora dos E.U.

O uso do " teflon" a metáfora parece espalhar demasiado fora dos E.U.

Reino Unido
O primeiro ministro britânico anterior Tony Blair é referido frequentemente na imprensa como o Teflon Tony.

Canadá
Ralph Klein, premier velho da província canadense de Alberta, foi referido frequentemente como um " Teflon" Primeiro.

Republic Of Ireland
Foi aplicado a Taoiseach irlandês Bertie Ahern (conhecida como o Teflon Taoiseach) porque escândalo depois que o escândalo não teve nenhum efeito durável nele, até que estiver forçado a renunciar em 2008.

Austrália
Em Austrália o Teflon conhecido Johnny foi inventado para descrever o primeiro ministro John Howard. Outras figuras públicas australianas que foram chamadas " coated" do Teflon; inclua Queensland primeiro, " do senhor Johannes; Joh" Bjelke-Petersen e primeiro ministro, Paul Keating.

HORA DO RECREIO

1. Te cuida, Mosquito!

Manchete do jornal A Notícia, de hoje:

“CAÇA AO MOSQUITO”

Calma, trata-se apenas de uma nova campanha de combate ao Aedes aegypti, o mosquito da dengue. Nada a ver com o incômodo blogueiro. Por enquanto.

2. É tudo a mesma coisa!

Na mesma A Notícia, coluna Portal (que equivale ao Visor, do DC). Numa nota sobre um ouriço branco criado na Alemanha (que também foi publicada no DC), colocaram a foto do animalzinho (um mamífero terrestre) e a legenda: “Ouriço do Mar”.

3. Aumento regressivo

Num press-release da frente parlamentar da agropecuária, informações sobre uma audiência pública para discutir o aumento da importação do alho chinês (a chamada, por eles, “invasão do alho chinês”). Para reforçar os perigos, publicam o seguinte parágrafo (grifei a parte que representa a legítima contradição em termos):
“De acordo com a Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), a audiência pública deverá discutir formas de proteger o produtor nacional da invasão do produto chinês. "O número de importadores de alho passou de 200 para 100 em menos de um ano, o que comprova que é mais rentável trazer o alho de outros países do que plantar e produzi-lo aqui", destaca o presidente da entidade, Rafael Corsino.”

A UTILIDADE DAS COISAS E O SENTIDO DA VIDA

[Nota do Editor: na estrada, sem tempo pra coisas novas, deixo uma daquelas coisas velhinhas, para entretê-los. Esta crônica é de agosto de 2004. Have a nice day]

Existem coisas cuja utilidade é evidente. Sobre um saca-rolhas, por exemplo, não existe muito o que discutir. À medida em que os objetos, pessoas e animais vão se sofisticando, tudo começa a ficar mais complicado. Porque além da finalidade básica, a imaginação humana, com u'a mãozinha do diabo de plantão, trata de adicionar outras.

Hoje ninguém mais tem muita certeza da utilidade correta das coisas. E as interpretações variam e até divergem. Basta ver, por exemplo, o marido. Cada mulher vê o marido de sua forma particular. E trata de utilizá-lo conforme acha que é a melhor maneira. Algumas acreditam que o marido descende do cachorro e usam com ele os mesmos imperativos com que se faz o Totó rolar, sentar, deitar, fingir-se de morto.

Outras têm certeza que marido é invenção recente, criado para substituir as empregadas domésticas para todo serviço que dormiam no emprego e que hoje, graças aos avanços sociais, estão rareando ou tornando-se muito caras. O marido é barato e em muitos casos habilidoso. Erra vez por outra na goma da blusa de linho egípcio ou salga demais o souflê de rabanete, mas no geral atende bem às necessidades da dona de casa.

Não há, portanto, concordância sobre a utilidade de muita coisa. Nem se sabe se há alguma utilidade em tantas outras. Muito menos se encontram manuais para ensinar como usar ou para que serve isto ou aquilo. A vida, desta forma, vai recheando de dúvidas e mistérios os caminhantes que por aqui trafegam.

Na Internet residem centenas desses enigmas. A própria Internet é uma caixinha de surpresas. Quem se dedicar a entender para que serve tanta informação, tanta página, em que isso pode melhorar a vida de um pobre mortal que tem um cronômetro interno que pode parar a qualquer momento, certamente entrará em parafuso. E em pouco tempo estará chamando urubu de orkut.

Mesmo quando a vida era mais simples, na época em que Jesus viveu, a humanidade não conseguia compreender direito o sentido da vida. Naquela época, vocês lembram, bastava uma sandália de couro de cabra e uma túnica de algodão rústico, ambas feitas pelo próprio usuário ou sua mãe, para que a pessoa estivesse apresentável. Nada de água quente, ducha, xampu, sabonete perfumado, desodorante, creme para barbear, lâmina descartável, papel higiênico, sanitário de louça, mais água, toalha macia, espelho de vidro, pente, escova de dentes, fio dental, cueca, meia, calça jeans, sapato, gravata, paletó e cartão de crédito.

Pois se naquela vida descomplicada nossos antepassados não conseguiam alcançar o sentido da vida, quanto mais agora, quando a vida se tornou um emaranhado de numerosíssimos conceitos, pessoas, coisas e idéias de utilidade duvidosa ou pelo menos desconhecida? Para que serve tudo isto? De onde viemos, para onde vamos? Traduzindo, para que os leitores mineiros entendam: doncovim? proncovô? quemcossô?

Ou seja (resumindo e encerrando, porque a conversa já passou dos limites permitidos e admitidos num saite de Internet): tá cada vez pior pra gente descobrir a utilidade das coisas e mais difícil para saber o sentido da vida. Saco!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O RECADO DA CORA

A jornalista Cora Rónai, do Rio de Janeiro (O Globo e blog InternETC), estava numa torcida básica pelo Gabeira. E ontem, depois do resultado da apuração, publicou o texto abaixo:
A derrota de Paes
Abrindo mão das próprias convicções (se é que um dia as teve), aliando-se ao que há de mais podre no estado, gastando rios de dinheiro, jogando sujo, usando descaradamente a máquina estadual, federal e universal, beneficiando-se até de um feriado mal intencionado, enfim, com tudo isso, Eduardo Paes só conseguiu ganhar de Gabeira por 50 mil míseros votos.

Como vitória política, já é um resultado extremamente questionável; mas do ponto de vista pessoal, é uma derrota acachapante.

Eduardo Paes levou a prefeitura, sim, mas de contrapeso ficou com uma quadrilha de aliados que não deixa nada a dever àquela que ele acusava o presidente Lula de comandar.

Vai ser prefeito, sim, mas vai ter de arranjar boquinhas para o Crivella, para o Lupi, para o Piciani, para a Clarissa Garotinho, para o Roberto Jefferson, para a Carminha Jerominho, para o Babu, para o Dornelles, para a Jandira... estou esquecendo alguém?

Conquistou um cargo, é verdade, mas conquistou também o desprezo mais profundo de metade do eleitorado.

Em compensação, como carioca, perdeu a chance de viver um momento histórico, em que a prefeitura seria, afinal, ocupada por um homem de bem, com idéias novas e um novo jeito de fazer política; perdeu a chance de ver o Rio de Janeiro sair do limbo a que foi condenado nas últimas décadas, e ganhar projeção pela singularidade da sua administração.

Se Gabeira tivesse sido eleito prefeito, o Rio, que hoje não significa nada em termos políticos, voltaria a ter relevância, até pelo inusitado da coisa. Um prefeito eleito na base do voluntariado, do entusiasmo dos eleitores e da vontade coletiva de virar a mesa seria alguém em quem o país seria obrigado a prestar atenção.

Agora, lá vamos nós para quatro anos de subserviente nulidade, quatro anos em que o recado das urnas será interpretado, pela corja que domina esta infeliz cidade, como um retumbante "Liberou geral!"

Nojo, nojo, nojo.

Conheci o Eduardo Paes numa reunião da executiva nacional do PSDB, que assisti meio por acaso, em 2004 (ou teria sido 2003?). Lembro bem porque me chamou a atenção o discurso articulado, culto e sagaz daquele moço, que desconstruía o governo Lula com grande conhecimento. O Paes foi na pleura, parecia, de fato, um promissor oposicionista. Usava números, demonstrava conhecer a economia, tinha, afinal, um discurso consistente, que deixou todos os presentes à reunião admirados e entusiasmados. De Santa Catarina estavam lá, se não me engano, o então senador Leonel Pavan e o ainda não deputado Marcos Vieira.

Quando começaram a falar na candidatura dele pelo PMDB, achei engraçado. Queria ver como ele faria para se desconstruir a si próprio. E o fez da maneira mais rasteira, pedindo mil desculpas, entregando cartinhas em mãos à Dona Marisa, um fiasco. Donde, a meu ver, a indignação da Cora é compreensível e justificada.

O JB ORIGINAL

Leitor de Itajaí manda um recadinho muito pertinente:
“Caro Cesar vou te pedir quando chamares o vice do Dário se refira pelo nome, porque JB, já é chamado pela imprensa aqui em Itajaí o nosso querido prefeito eleito Jandir Bellini. E que JB por JB, o daqui de Itajái da de dez, quer dizer, de 11.”

Então, a partir de agora o vice de poucos sorrisos (pelo menos nas fotos oficiais, até agora não o vi com semblante comemorativo) que foi eleito em Florianópolis não será mais tratado pela sigla do amarelo de Itajaí. Será JBN, ou outra forma que encontrar ao longo do tempo.

NÚMEROS E MAIS NÚMEROS

O site Congresso em Foco publica uma informação que confirma o que eu estava desconfiando: aqueles que dizem que Lula foi derrotado nas eleições municipais, não sabem o que falam.

Na verdade, se levarmos em conta as 26 capitais e os 53 municípios com mais de 200 mil eleitores*, vê-se que “a base aliada ampliou seus domínios sobre a oposição” (*entre 2004 e 2008 o número de municípios com mais de 200 mil eleitores aumentou de 75 para 79). É o que constata a reportagem assinada por Eduardo Militão e Edson Sardinha (aqui).
“Nesse universo de 46 milhões de eleitores – 46% do eleitorado brasileiro – os partidos que compõem a base de sustentação do governo Lula conquistaram 61 prefeituras, sete a mais que as 54 que mantêm hoje. É um crescimento de 13%.

Já PSDB, DEM e PPS reduziram o alcance de poder. Passaram a comandar 18 em vez das atuais 21 cidades – redução de 14%.”

Em tempo: é claro que as derrotas em São Paulo (berço do petismo) e Porto Alegre (primeira grande experiência de administração petista) pesam bastante, pelo seu caráter emblemático. Mas, fora isso, o quadro não mostra uma situação de penúria política.

POLÍTICA ADMINISTRATIVA

Sou de um tempo em que os governantes tinham algum pejo de misturar questões administrativas com suas atividades políticas. Assim, as reuniões partidárias eram feitas nas sedes dos partidos, procurando evitar que manifestações puramente políticas fossem feitas em próprios públicos. Que, como o nome diz, são públicos, de toda a população, de todos os partidos.

Mas isso é coisa de antigamente, decerto da política velha. Na nova política da dobradinha LHS/Dário, ninguém estranha que atos meramente político-partidários sejam feitos em um prédio público (cedido pelos contribuintes para residência do governador, mas, ainda assim, público).

E, como consagração da nova ordem, a entrevista coletiva comemorativa da reeleição do prefeito da capital foi divulgada pelo site de notícias do governo do estado (www.sc.gov.br). Trata-se, portanto, de ato administrativo, já que foi divulgado como tal. São, de fato, novos tempos. Com novos padrões de medida. E, provavelmente, novos limites de uma ética cada vez mais flexível e... moderna.


ATUALIZAÇÃO DA TARDE

O diretor de Imprensa do governo do estado, José Augusto Gayoso, afirma que estou sendo injusto ao dizer que a coletiva foi apenas para comemorar a vitória. “Foram anunciados atos de governo, não se tratou de campanha”, disse ele. De fato, agora, além das fotos, o site do governo tem também um texto, com o resumo daquilo que o Gayoso queria me dizer: “Luiz Henrique assegura continuidade de obras em Florianópolis”.

Como sou um sujeito de boa paz, farei de conta que não notei que a relação de “atos administrativos” trata apenas de um elenco de obras, projetos e propostas em andamento, reunidas nesta ocasião festiva, para dar uma visibilidade extra tanto ao recém-reeleito quanto (e talvez principalmente) ao seu apoiador.

E aí, naquela lista, tem algumas bolas quicando que não posso deixar de tentar chutar (nem que seja pra escanteio):

1. a alteração do zoneamento urbano para construir torres de oito andares no Centro Administrativo. Esta é coisa que deveria merecer atenção dos vereadores, porque se trata de empilhar alguns milhares de servidores e seus automóveis numa área relativamente pequena, com tudo que isso pode representar de transtorno para a bacia do Saco Grande. Bom, isso no caso de restar algum vereador de oposição, depois que o Dário aplicar o estilo LHS de construir bases de apoio; ah, e outro dos “anúncios” foi a inauguração do interminável teatro Pedro Ivo Campos, o único do mundo com heliponto sobre a caixa do palco;

2. a viagem de LHS e Dário a Londres para trazer um evento que vai custar alguns milhares de dólares ao governo e à pobre da iniciativa privada que é eterna “parceira” desses sonhos. “Estamos disputando com Xangai”, disse o governador, todo animado. Bom, para um país que cresce em níveis comparáveis à China, é claro que não nos farão falta alguns trocados.

3. a venda da área da penitenciária, que decerto se enquadra no tal “defeso da bacia do Itacorubi”;

4. a tão sonhada escola de administração pública francesa, que o LHS quer importar para acabar com os concursos públicos, começa ano que vem. “O concurso público será o vestibular, que garantirá a vaga no serviço público aos que se formarem”, disse o governador. A idéia de ter um curso de administração pública como pré-requisito para a admissão de servidores, em si, não é ruim. Mas se trata de uma escola francesa, implantada numa universidade catarinense, a despeito e a desrespeito de cursos e profissionais locais que poderiam ser prestigiados. Até o calendário da escola será adaptado ao calendário do hemisfério norte, numa desnecessária demonstração de submissão.

Bom, essas são algumas das “medidas administrativas” anunciadas, que justificaram o uso de um próprio público para uma entrevista coletiva que, segundo o governo, nada teve a ver com a vitória. Apenas com o esforço do governo do estado de dar continuidade ao trabalho que mantém em parceria com a prefeitura.

Então tá.

Abaixo uma das fotos que está lá no site do governo. O cidadão de cara amarrada que aparece à esquerda é o vice-prefeito eleito, JBN. Os sorridentes são, naturalmente, a nova dupla inseparável, Luiz e Dário. Ou Dário e Luiz.

Foto: James Tavares/SECOM

PUNIÇÃO PARA OS VIZINHOS

Desconfio que o vice do Dário, nosso vizinho JBN, ficou descontente com a votação que tiveram aqui no Córrego Grande, nas seções onde votam os moradores da região. Desde de manhã tem-nos infernizado a vida com um foguetório intermitente, como se nos quisesse punir.

De tempos em tempos, uma rajada de foguetes que parecem vir das proximidades da casa da família do JBN. Antes do meio dia, depois do meio-dia quando o Dário estava falando no Jornal do Almoço, na hora da sesta da tarde, dá-lhe foguetes.

Esta é uma tradição que eu me importaria menos que fosse abolida, do que, por exemplo a farra do boi. Uma vez veraneava numa praia do município de Governador Celso Ramos, perto da casa de uma vereadora que tinha sido eleita em São José e o marido resolveu punir os vizinhos com 24 horas ininterruptas de foguetório. Será que com isso mostram poder econômico? Qual será a origem dessa bárbara manifestação de alegria? Não, não, não quero saber. Só fiz uma pergunta retórica. Não percam tempo me explicando.

RESSACA DA VITÓRIA

Tá no Moacir Pereira
Entrevista
Dário Berger concede entrevista coletiva a partir do meio dia na Casa da Agronômica. O governador Luiz Henrique aproveita a vitória do prefeito para capitalizar politicamente. Deve anunciar obras estaduais em Florianópolis.”
Agora, pelo jeito, vai ser assim. Todo o tempo que o LHS passava em Joinville, passará na capital, agarradinho com o Dário. Decerto a meta de LHS é conquistar o título de “melhor prefeito da capital” que até hoje era do governador Colombo Sales.

São, se a gente pensar bem, almas gêmeas. Os dois detestam a ingerência de órgãos de planejamento (que insistem em planejar antes e executar depois), ambos acreditam que a legislação ambiental entrava o desenvolvimento (com suas absurdas exigências de sustentabilidade) e tanto um quanto o outro têm um fascínio irrefreável por arenas multiuso, asfalto e pencas (as polialianças ideologicamente promíscuas).

Depois de ouvir a tanta coisa que o Dário já falou hoje, estou quase concordando com o leitor que deixou um comentário lapidar:

“Fiquei feliz pq o Amin perdeu e triste pq o Dário ganhou...”

MÁS NOTÍCIAS

A segunda-feira amanhece radiosa, com céu azul e sol brilhante, mas sob o impacto do falecimento de duas figuras ilustres da cidade e do estado: o professor e antropólogo Sílvio Coelho dos Santos e o também professor Márcio Colaço.

Segundo leio no blog do Moacir Pereira, “o corpo do professor Silvio Coelho dos Santos, que faleceu hoje em Florianópolis, vítima de câncer, será velado até o meio-dia no Cemitério São Francisco de Assis, no Itacorubi, em Florianópolis. Às 12h, o corpo será levado ao Crematório de Balneário Camboriú”.

O corpo de Márcio Colaço (pai do juiz Rodrigo Colaço, que presidiu a AMB) também será cremado em Balneário Camboriú, agora às 10h.

domingo, 26 de outubro de 2008

LIBERDADE, ABRE AS ASAS SOBRE NÓS!

Esta forma de comunicação (blog e outras ferramentas da internet) é muito recente e a gente ainda não sabe exatamente como agir em muitas situações. Tem até gente que acha que deveria ser atividade privativa de jornalistas e tem gente que acha que deveria haver algum tipo de censura.

Ora, não tem cabimento restringir, por qualquer meio ou pretexto, o que é um revigorante sopro de liberdade. A grande virtude da internet e dos blogs em especial é que qualquer pessoa pode dizer o que bem entender, do jeito que quiser. Dá-se conseqüência prática à liberdade de expressão, consagradas nas constituições das democracias mais importantes e consolidadas. Até na nossa há uma garantia cabal de que a expressão é livre e que a censura não é admitida (coisa que às vezes claudica, mas está lá, por enquanto).

O que vai acontecer, com o tempo, é que os leitores tratarão de fazer suas escolhas. Então, se eu acho que um blogueiro está maluco, que anda falando bobagem ou não gosto do jeito que ele escreve, é simples: não o leio. Se vocês acharem que eu estou chato, inconveniente, sem graça, também é simples: deixem de aparecer por aqui. Não tem sentido embarcar na canoa furada da censura apenas porque alguém diz coisas que eu não diria, do jeito que eu jamais falaria ou porque tripudia das minhas convicções.

Lembram-se daquele adágio atribuído a Voltaire: “não concordo com uma só palavra que dizes, mas defenderei até a morte teu direito de dizê-las”? Pois é.

Tentar assegurar à força (seja força legal, pela via judicial, seja pela força bruta, via “seguranças”) uma uniformidade de pensamento e informação é o começo do fim de qualquer democracia. Visões plurais, muitas vezes antagônicas, precisam ter seus canais de expressão. Suprimir isso em nome de uma falsa legalidade não é só uma violência, é um enorme perigo para todos.

Há um certo sentido em ficar preocupado quando existe apenas um canal de TV, um jornal, uma emissora de rádio. Ou vários que falam a mesma coisa, defendem o mesmo ponto de vista. O contrário não devia nos preocupar. A liberdade, vocês sabem, existe ou não existe. Não tem cabimento reclamar do “excesso de liberdade”. Porque, se existe liberdade, temos como contrapor aqueles pontos de vista, combater, usando a mesma liberdade, aqueles que, a nosso ver, estão equivocados.

Não temos, nas nossas comunidades, muita familiaridade com a crítica, com a contestação ao pensamento hegemônico. Aí, quando aparece alguém na contramão, é normal que todos se assustem. E os defensores da modorra e da calmaria supostamente proporcionadas pela ausência de oposição, tratarão de demonizar aquelas vozes contrárias.

Daí a achar que se justifica a censura, que mais vale a água parada de um pântano de idéias do que a suposta insegurança de um livre debate, é um já. Não raro (e temos alguns exemplos disso, entre nós), a simples suspeita de que o sujeito pensa diferente é suficiente para que ele perca o emprego. Se trabalha em veículo de comunicação, então, o risco é três vezes maior.

E a história, nas democracias consolidadas, tem ensinado que o verdadeiro risco é a falta de liberdade. O que alguns conservadores podem classificar de “excesso de liberdade” é neutralizado quando se aceita conviver com essas manifestações e, se for o caso, apresenta-se à comunidade uma voz contraditória.

Em tempo: é claro que, nos casos previstos em lei, existe o Judiciário para ser acionado. Ofender a honra, caluniar, difamar, são recursos, em geral, de quem tem pouco repertório para defender e divulgar suas idéias. E aí, há instrumentos legais de defesa. Da mesma forma, considerar toda discussão de idéias ou informação sobre malfeitos como ofensas à honra, calúnia ou difamação, é uma defesa débil de quem, chafurdando no mar de corrupção consentida em que muitas comunidades se transformaram, não tem o que dizer em seu favor. E, por isso, recorrem à censura, às tentativas de eliminação física e às várias formas de pressão econômica, para tentar fazer com que parem de circular as verdades inconvenientes.

Fiz essa reflexão, que acabou ficando muito extensa, porque tenho ouvido algumas pessoas reclamando do blog do Mosquito e queria deixar claro o que penso. Quando o Mosquito não tinha blog, às vezes fazia comentários aqui e vários foram censurados. Claro, tudo o que está neste blog, a rigor, é minha responsabilidade. E eu dizia isso a ele, quando ele vinha reclamar do bloqueio. E recomendava que fizesse um blog, para poder publicar o que achava que deveria. Porque neste aqui só sai o que eu acho que deve ser publicado.

E ele acabou fazendo o blog. O que é ótimo, porque dá mais opções aos leitores. Agora, quem for até lá e não gostar, não precisa pedir que calem a boca dele. É só não ir mais. Há inúmeros outros blogs com os quais é possível se identificar, gostar e acompanhar. Eu mesmo leio freqüentemente alguns blogs que acho legais, leio outros por obrigação profissional e os que acho mal feitos, grosseiros ou com os quais não me identifico, não tomo conhecimento. Poder escolher é fundamental.

Uma boa semana pra todos vocês. E que a gente consiga ser mais tolerante com os contrários e que a nossa jovem democracia ganhe musculatura justamente nos fundamentos essenciais da liberdade de expressão.

VANTAGENS QUE O MANDATO DÁ

Tinha falado nisso aqui e os resultados de hoje confirmam aquela tendência a que me referi: nas capitais, dos 20 prefeitos que lançaram candidatura à reeleição, 19 foram reeleitos (13 no primeiro turno e seis no segundo).

Claro, a exposição do candidato, a chance de “mostrar serviço”, a interpretação nem sempre rigorosa do que é propaganda e do que é publicidade dos atos de governo, dão a quem já está no cargo uma vantagem inicial difícil de ser derrubada. Só em casos excepcionais, quando houve um problema sério qualquer no mandato (como parece ter sido o caso de São José) e/ou algum desastre administrativo, é que o prefeito fica em igualdade de condições com os demais concorrentes. Senão, é só chutar e correr para o abraço.

Mais ou menos a mesma coisa ocorre com vereadores e deputados, que passam o tempo todo mandando cartinhas para os eleitores, atendendo os pedichões, fazendo visitas, intermediando recursos públicos, aparecendo na foto junto de autoridades, sempre usando recursos das verbas de gabinete. Isso dá uma enorme vantagem sobre o pobre coitado que não tem a mesma estrutura e resolve se candidatar.

A CABEÇA DO ELEITOR

Ainda há pouco fui dar os parabéns para um amigo que sabia que tinha votado no Dário e comentei que os colegas estão colocando o Alemão nas listas de prováveis candidatos ao governo. Aí ele deu uma resposta surpreendente:

— Espera aí, eu só votei nele pra derrotar o Esperidião. Não gosto do Dário, não pretendo votar nele de novo.

Ora vejam só. Eleitor é mesmo um bicho muito estranho...

FOGUETÓRIO

Os Berger são mesmo chegados num foguetório. Não é à toa que, ao citar eventos culturais, o então candidato Berger lembrou-se primeiro do foguetório do reveillon. O espetáculo de fogos de artifício (preparado com dias de antecedência) com que comemoraram a vitória mostra que apesar de ser uma reeleição, onde as chances estão naturalmente ao lado do ocupante do cargo, consideram um grande feito ter derrotado Esperidião Amin.

E por falar em comemoração, o irmão Djalma, entusiasmado (afinal, foi o coordenador da campanha), falava na TV – sem demonstrar qualquer rubor nas faces – que a campanha deles não atacou ninguém nem falou mal de ninguém. Delirou, então, o TRE, ao dar direitos de resposta. Injustiça das injustiças com gente tão boazinha, que em nenhum momento acusou o adversário de nada... como diriam os gringos, “gimme a break!” Ou como diria o mané: “dá um tempo, ô!”

A ÚNICA SURPRESA

A rigor, a única surpresa de hoje foi a inusitada festa da vitória no Palácio D'Agronômica. Não foi na casa do candidato vitorioso, nem no seu comitê de campanha ou na sede do partido. Ou em qualquer outro local ligado à cidade. Foi, justamente, na casa do governador que, ao que tudo indica, ao perder fragorosamente na sua antiga casa, está se transferindo para Florianópolis, último grande reduto eleitoral onde o PMDB fez um prefeito.

A partir desse fato curioso não será surpresa se, ato contínuo, LHS transferir seu domicílio eleitoral para cá. Como forma de gratidão aos eleitores da capital que o acolheram com tanta generosidade.

DÁRIO ELEITO, JOÃO BATISTA PREFEITO

Não esqueçam de acompanhar melhor os passos e a vida do João Batista, que provavelmente será o prefeito de vocês a partir de 2010. E se não for, será porque surgiu, no caminho do Dário, alguma pedra, recomendando-o a adiar seus planos.

MUITO CUIDADO NESSA HORA...

Esses momentos de euforia, como logo depois do final dos jogos de futebol ou no calor da abertura das urnas, proporcionam ambiente para que frases sejam ditas sem pensar, que depois de algum tempo (às vezes até no dia seguinte) podem soar estranhas.

A insistência em colocar o Dário como candidato a governador, como se a vitória em Florianópolis o tornasse, imediatamente, a cereja do bolo político (e como se não houvessem outros interessados igualmente poderosos) ou dizer que o Amin tá morto, são dessas coisas que abundam neste momento. Mas precisam, para serem comentadas a sério, de mais algum tempo. E que a carruagem ande um pouco mais, para que as melancias se ajustem na caçamba.

Ah, e a turma que está agourando que o Dário vai sair logo do PMDB, deve lembrar que a legislação mudou e que as mudanças de partido já não são mais tão fáceis. Neste novo contexto é muito mais fácil, tendo vereadores e votos, “tomar” o diretório municipal e adequar o diretório estadual às suas pretensões. Em vez de, à primeira contrariedade, simplesmente buscar outra sigla, agora é preciso um pouco mais de trabalho para, quem sabe, transformar, na prática, em outra sigla, aquele velho partido de onde já não se pode sair ao bel prazer.

CAPITAL REELEGE LHS

A comemoração do resultado da pesquisa boca de urna no Palácio D'Agronômica já é suficientemente eloqüente. Mas ter, antes do pronunciamento do prefeito reeleito, a voz do governador, é pra que ninguém duvide do que se trata.

Segundo LHS, “confirmamos uma supremacia absoluta no estado”. Não, não falou sobre Joinville. Mas o maior colégio eleitoral do estado não deve representar muita coisa, né?

Dário: “vou me tornar um dos melhores prefeitos de Florianópolis de todos os tempos”. Então tá. A história é escrita pelos vencedores.

OS OLHOS DA VERA

Falei na Vera Sayão num dos posts abaixo e mesqueci que os leitores mais recentes talvez não saibam de quem se trata.

Ela é fotógrafa de rara sensibilidade (a foto acima é dela, claro). Carioca, adotou Florianópolis e vocês podem dar uma olhada nas fotos dela no flickr, aqui. Para ir direto aos álbuns com fotos de Florianópolis e arredores, cliquem aqui.
Nesta foto ela e dois de seus ídolos, Kleyton e Kledir que, por sua vez, também gostam muito de Florianópolis.

Já que estamos falando de flickr e fotografia, um bom programa pra gastar o tempo enquanto esperam o resultado da eleição é viajar pelo álbum Florianópolis, do flickr, que reúne fotos da cidade ou relacionadas a ela, feitas por dezenas (centenas?) de fotógrafos. Aqui.

BOCA DE URNA

O instituto de pesquisas DONC (De Olho na Capital, né?), com a costumeira irresponsabilidade, acaba de divulgar relatório sobre sua pesquisa de boca de urna:

“Nossa amostragem é insuficiente para apresentar qualquer resultado quanto aos votos válidos, mas, pelamordeDeus, o que tinha de gente falando que ia anular o voto...”

“COLÉGIO ELEITORAL”

Quando será que os chefes de redação e de reportagem ensinarão aos repórteres e redatores que a seções eleitorais instaladas em grupos escolares e outros prédios de escolas, não são “colégios eleitorais”?

Hum... é possível que eles também achem que colégio eleitoral é isso.

Estamos bem servidos, né não?

sábado, 25 de outubro de 2008

MISTÉRIOS SABADINOS

Neste final de tarde chuvoso e chato, em que não apenas nossa paciência se esgota, mas também a resistência do solo encharcado, vou propor um joguinho. Infelizmente não posso oferecer nenhum brinde ao ganhador ou ganhadora, mas acredito que vocês, imbuídos do espírito olímpico, não precisam de prêmios para sentir prazer em competir.

São só duas perguntas, a respeito da foto acima:

1. Qual o comitê de campanha que me mandou esta foto?
a) 15, do Dário;
b) 11, do Esperidião;
c) NRA

2. Em qual cidade a foto foi tirada?
a) São José;
b) Biguaçu;
c) Palhoça;
d) Florianópolis;
e) NRA

Bônus: ganhará medalha virtual (ou imaginária, o que preferir) de conhecedor emérito de ruas e buracos, aquele ou aquela que disser o nome da rua onde a foto foi tirada.


OLHA O RESULTADO!

As respostas corretas são:
1) 11
2) Florianópolis
Bônus: rua Lauro Linhares, Trindade

Vários leitores e leitoras acertaram. Todos receberão pacotinhos imaginários contendo a minha gratidão por vossa leitura e atenção. E como este concurso é completamente desprovido de regras claras escolhi, para receber a medalha virtual, a Vera Sayão, a fotógrafa minha amiga que fazia tempo que não comentava.

RECORDAR É VIVER

Não sei por que, amanheci o sábado pensando numa crônica que publiquei aqui no dia 23 de setembro passado. E resolvi reler. Taí:

O CANDIDATO TEFLON®
MAIS UM ESCORREGADIO CURSINHO DE
PSEUDO-CIÊNCIA POLÍTICA DO TIO CESAR

A história do Teflon® começa em 6 de abril de 1938, no Laboratório Jackson, da DuPont, em Nova Jersey, EUA. O químico Dr. Roy J. Plunkett (foto ao lado), da Du Pont, estava trabalhando com gases relacionados com o resfriador Freon®, que é outro dos produtos da empresa. Ao conferir uma amostra comprimida e congelada de tetrafluoretileno, o Dr. Plunkett e seus companheiros descobriram que a amostra tinha polimerizado espontaneamente, formando um politetrafluoretileno (PTFE).

O PTFE é inerte a virtualmente todos os químicos e considerado o material mais escorregadio existente. Essas propriedades o tornaram uma das tecnologias mais versáteis e valiosas já inventadas, contribuindo para avanços importantes nas áreas aeroespacial, comunicações, eletrônica, processo industrial e arquitetura.

A marca Teflon®, registrada pela DuPont em 1945, tornou-se um nome familiar nos lares do mundo todo, pelas suas propriedades anti-aderentes, associadas ao seu uso como revestimento de panelas e frigideiras e como proteção anti-manchas em tecidos e produtos têxteis.

O Dr. Roy Plunkett, falecido em 1994, é reconhecido pela comunidade científica internacional como um dos grandes inventores de todos os tempos, equiparado, por exemplo, a Thomas Edison e Louis Pasteur.

UM NOVO USO
No Brasil, a imprensa irreverente e desrespeitosa tem usado a marca Teflon® para identificar aqueles candidatos a cargos eleitorais que parecem ter sido recobertos pela prodigiosa película anti-aderente.

Quando um candidato, em plena campanha, recebe uma condenação do Tribunal de Contas da União e é obrigado a devolver R$ 500 mil e sua popularidade não é nem arranhada com o anúncio desse malfeito, podemos suspeitar que estamos diante de um candidato Teflon®.

A comprovação, no entanto, só virá se, por acaso, uma instituição como a Associação dos Magistrados Brasileiros informar publicamente que o candidato responde a cinco processos por improbidade administrativa. Se, mesmo com esse anúncio, as pesquisas não detectarem qualquer abalo nas intenções de voto, então, definitivamente, temos aí uma ampla cobertura de Teflon® no candidato.

O produto, como vimos acima, é prodigioso. É imune a praticamente todos os produtos químicos e é mais escorregadio do que limo no costão. Nada gruda, nada cola e quase nada o corrói.

O candidato Teflon® pode, sem grandes preocupações, mudar de partido a cada eleição, mesmo que no País tenha ocorrido uma discussão sobre fidelidade partidária e tenham sido estabelecidas punições para os infiéis. E, já que nada acontece com ele e sua popularidade, pode até se candidatar por um partido e ir ao município vizinho fazer campanha contra o candidato de seu próprio partido. O Teflon® o protege inteiramente.

Ao contrário do polímero da DuPont, porém, esse Teflon® alegórico que certos jornalistas metidos a engraçadinhos tentam sarcasticamente aplicar sobre alguns políticos, não é completamente eficaz, embora pareça. Funciona maravilhosamente com o eleitor distraído, que gosta de votar “em quem vai ganhar”. Mas há sempre o risco do excesso de confiança provocar um desgaste súbito da película anti-aderente, com resultados imprevisíveis.


EM TEMPO

O fato de ser protegido por uma camada antiaderente é, de certa forma, uma qualidade. E o candidato não tem nada que se envergonhar dessa propriedade, ao contrário.

Quando publiquei a crônica acima, uns torcedores mais exaltados do Dário vestiram a carapuça (de Teflon®) e encheram minha caixa postal de comentários. Os mais simpáticos me chamavam de “jornalista Teflon®”. Naturalmente tentando me ofender. Mas como considero o uso dessa película um avanço tecnológico em prol do bem-estar da humanidade, acabei foi ficando lisonjeado.

Outros, depois de xingar minha falecida mãe e dizer várias coisas impublicáveis, terminavam com uma espécie de grito de guerra: “os cães ladram e caravana passa”. Claro, uma caravana coberta de Teflon® desliza com facilidade pelos ambientes mais inóspitos.

E tinha aqueles que falavam, falavam, falavam, depois diziam que não deveriam dar atenção a “um jornalistinha que não tem mais que seis leitores”. Novamente, acho que queriam me ofender, mas acabaram me lisonjeando mais uma vez: afinal, se mesmo tendo apenas seis leitores dedicam tanto tempo e esforço pra me desqualificar, então é porque esses seis leitores são muito especiais. Provavelmente formadores de opinião.

Ah, isso de seis leitores é mentira: fiz as contas e só de primos tenho nove. Filhos (que eu saiba) três, mulher oficial, pelo menos uma e mais a pobre da revisora do jornal, que lê a coluna por obrigação, já temos aí uns 14 leitores. Se duvidar, é capaz de chegar a 20 (e dependendo de como for feita a pesquisa, poderei ter uns 30% de intenção de leitura)!

Em todo caso, espero que ninguém deixe de votar num candidato só porque sua popularidade não se abala com o que os adversários dizem ou anunciam. Cada um sabe de si e acredito que sejamos todos suficientemente espertos para poder avaliar o custo-benefício das nossas decisões eleitorais.

O DEBATE

Se eu fosse um E.T. que tivesse chegado a Florianópolis na hora em que começou o debate, teria achado que o pobre do Dário estava atrás nas pesquisas, procurando desesperadamente uma brecha para minar o poderio do adversário. Impressionou-me a forma como o Alemão (que, ao contrário do que o E.T. pensa, está à frente nas pesquisas, faz tempo) subordinou seu discurso ao que o Amin dizia ou sugeria. Se fosse psicólogo ou psiquiatra talvez pudesse diagnosticar alguma coisa como complexo de inferioridade. Mas, para felicidade de todos nós, sou apenas um jornalista cansado e enfastiado, que não agüenta mais ver debates políticos na televisão com tamanha disparidade entre os contendores.

Deixem-me explicar antes de me apedrejar: acho que o eleitor tem todo o direito de achar que o Dário fez um bom governo e que merece continuar por mais quatro anos. Teve até um comentarista que disse que é fã do Amin, mas gosta do Dário e vai votar nele porque quer votar no Amin pra Senador (vai entender a cabeça do eleitor...). Mas que os debates entre Amin e Dário não têm graça, por favor, admitam que não têm mesmo. O Amin, independente do que vocês acham dele e dos... (palavra da moda) “métodos” dele, é um sujeito culto, informado e articulado. O Dário, coitado, mal e mal repete o que lhe disseram pra repetir.

Vamos convencionar o seguinte: não é pré-requisito pra administrar bem o que quer que seja, que o cara tenha cultura e consiga falar coisa com coisa. Mas num debate político, como num jogo de futebol, o legal é ver times com força semelhante. Sai faísca, levanta poeira, anima a torcida, empolga a galera. Até o Amin, que é um sujeito de inteligência aguda, memória prodigiosa e reflexos rápidos, diante do adversário capenga, ficou xoxo. A seleção brasileira joga mal com adversários fracos e às vezes surpreende diante de adversários competentes. Foi mais ou menos assim que senti o debate.

Isto não tem qualquer significado eleitoral. O eleitor sabe onde lhe aperta o sapato e o que a prefeitura fez (ou não fez) por ele. Muitas vezes, mesmo quando é maltratado, prefere votar na continuidade, porque tem esperança que a coisa melhore. E acha mais complicado mudar do que continuar. Mas o fato é que eu não sou um eleitor comum. Sou um jornalista com mais de 35 anos de janela. Desde pequenininho minha vida tem sido achar defeito no que eu via, ouvia ou lia. Meu pai me incentivava, em 1958, a ler criticamente o Pato Donald. Então, por favor, não me peçam para dizer que, neste debate, o Dário se saiu bem.

Ah, bem a propósito: sou contra essa bobagem de “campanha propositiva”. Isso é uma enganação que os marqueteiros criaram para livrar a cara de candidatos que estão com o rabo preso. Campanha política é pra mostrar os defeitos de cada um. A verdadeira cara de cada um. Caracas! Campanha propositiva é o cacete!

Idiotas que nada têm a propor nem têm como se defender vêm com essa história para tentar calar quem levanta a folha corrida deles. Como diriam os americanos, “bullshit”! Debate é para quem tem inteligência, vocabulário e cultura. Gente de poucos recursos nesta área, ficará repetindo bordões e se apoiando nas muletas do “né”. Podem ser excelentes administradores. Mas, em países com democracia consolidada, não seriam eleitos nem para síndicos de prédio de três andares e seis apartamentos.

Fiquem tranqüilos os militantes de um e de outro lado. A massa dos eleitores não lê meu blog. Não lê, aliás, nem jornal. Tal como boa parte dos próprios políticos, jamais entenderiam o que escrevi aqui. Perguntariam à pessoa do lado se eu estava ou não ofendendo seu candidato. Não estou ofendendo ninguém. Estou apenas constatando, mais uma vez, que a história seria outra se o machismo dos Berger tivesse reconhecido que a Dona Rose é milhares de vezes melhor que o Dário. Acho que, nesse caso, estaria dizendo aqui que o Amin foi soterrado pelo discurso moderno e vigoroso de uma mulher sintonizada com as necessidades da cidade.

Bom, mas a família escolheu, para candidato, o elo mais fraco. Então, sem opção, mantenho o que disse. Boa sorte a todos. E que vença o que tiver mais votos.

Em tempo – discordo dos colegas que classificaram como “baixaria” a troca de acusações. Baixaria é ficar jogando pra debaixo do tapete as questões que cada lado considera importantes e fazendo, como se estivéssemos num conto de fadas, de conta que não há problemas a serem debatidos. A assepsia em campanha política é hipócrita. A campanha é o momento de expor os podres, purgar as pustemas, jogar limpo com o eleitor. Campanha propositiva é a baixaria das baixarias...