segunda-feira, 20 de outubro de 2008

CHEGA DE TI-TI-TI

Bom, finalmente assisti a um debate do segundo turno. Não sei por que, veio-me à lembrança um artigo que tinha lido mais cedo, na Veja, sobre a desvantagem que é, para um político, a cultura e a inteligência.

Saber expressar-se corretamente, ter um certo repertório de vocábulos e formulações, usar de ironia e humor (sinais externos de inteligência) acaba dando ao político uma desvantagem diante daqueles que, com vocabulário limitado, freaseado imperfeito e raciocínio pouco elaborado, acabam parecendo mais... “simples”.

A campanha publicitária do Dário Berger, espertamente, resolveu enfatizar justamente esses aspectos, ao dizer que “chega de blá-blá-blá, de ti-ti-ti”. Claro, não interessa discutir, conversar, debater. Essas coisas cansam, chateiam, incomodam.

O sonho de muita gente seria a volta da Lei Falcão: apenas o retrato do candidato, com seu nome, número, partido e pronto. Sem ti-ti-ti. No máximo, circulariam alguns bordões “clássicos”, como “não troque o certo pelo duvidoso” ou “deixa o homem trabalhar”.

Cada vez fico mais curioso pra saber como a Dona Rose se sairia num debate com o Esperidião (ou com qualquer outro oponente). Acho que seria muito mais interessante. Porque embora os marqueteiros estejam apostando na escolaridade rala das massas e na falta de paciência do eleitor para lubrificar a cachola, debate, pra ser bom de assistir, tem que ter contendores de mesmo nível. Diferentes, mas de mesmo nível.

Senão, é como assistir a um jogo entre um time profissional e uns pernas-de-pau da várzea. Não tem graça. Não tem nem jogo.

ATUALIZAÇÃO DA MANHÃ

Um leitor fez, nos comentários, uma pergunta (im)pertinente que devo responder:
“Olá, apenas que eu possa entender (pertenço à massa ignara): o candidato culto, o bom falador, o simpaticão é, então, o melhor candidato à prefeitura da capital? É isto? É aquele que decora orelha de livros, tem memória fotográfica, este é o melhor gestor? É o democrata e aliado de última hora do partido comunista? Só prá que possamos entender, caro amigo. Grato.”


Em primeiro lugar, a massa ignara não lê e comenta blogs de política. Em todo caso, não disse que o candidato culto seria também simpaticão e nem que algum deles seria o melhor candidato. Fiz uma reflexão sobre a adesão de boa parte do eleitorado a um candidato que se apresente com limitações culturais. E é evidente que o melhor gestor não é o que decora as orelhas dos livros, mas aquele que lê livros inteiros e os entende e que os comenta, naturalmente poderá ter maiores dificuldades para ser um candidato popular. Quanto à memória fotográfica, o Maluf tem boa memória e isso não significa nada, para a nossa discussão. Para que vocês possam entender (fazendo de conta que o objetivo do comentário seja realmente estabelecer uma discussão e não apenas fazer a defesa do seu candidato), a dificuldade em escolher o candidato, no segundo turno, está ainda maior que no primeiro. Claro, as opções estão dramaticamente limitadas a dois. E um deles, pelo que vi no debate de ontem e consegui perceber ao longo de seu governo, aposta que o eleitor não quer saber de observar baleias (ele chegou a afirmar que não tem baleia nas costas de Florianópolis e eu vou achar uma foto que minha amiga Teca fez, há poucas semanas, no Campeche, de uma baleia passando por lá, pra mostrar aqui) e fez pouco de outras sutilezas cultas, como se fossem coisas abstratas, que não interessam. Defendeu coisas concretas, simples e diretas. E aí, a meu ver, estabeleceu-se uma diferença importante entre os dois. São dois estilos, duas propostas de atuação. Provavelmente as duas longamente discutidas e elaboradas (a adesão ao estilo “não culto” é, em geral, uma opção de marketing).

Bom, agora resta, ao eleitor, a questão: qual será a melhor escolha hoje? Sabemos que o discurso de campanha é, muitas vezes, apenas o discurso de campanha. O que, pra variar, só complica a decisão... Boa sorte.

14 comentários:

Spesso disse...

Ontem ele se superou e demonstrou toda a sua ignorância. O ápice de tudo foi o momento em que fez pouco caso do turismo limpo (observatório de baleias e etc). Ao que parece, ele não dá valor a uma das maiores indústrias desse planeta. E ainda teve a cara de pau de dizer que as ruas dos balneários (Canasvieiras em especial, onde moro) estão revitalizadas. Essa é a maior mentira de todas. As ruas daqui estão um LIXO, repito, um LIXO. Deu pra ti Dário. Te arranca!!!

Anônimo disse...

Olá, apenas que eu possa entender (pertenço à massa ignara): o candidato culto, o bom falador, o simpaticão é, então, o melhor candidato à prefeitura da capital ? É isto ? É aquele que decora orelha de livros, tem memória fotográfica, este é o melhor gestor ? É o democrata e aliado de última hora do partido comunista ? Só prá que possamos entender, caro amigo. Grato.

Eduardo Zinckel disse...

Eu vi o debate e não tive dificuldade em identificar quem era o time profissional, com bagagem, cancha e categoria e quem era o perna-de-pau da várzea, acuado pelos cantos completamente desesperado...he he he ...

Anônimo disse...

Já dizia o velho ditado: "diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és". Quem escuta a gravação que está sendo divulgada hoje, entre o Dário e o Juarês, no caso da Moeda Verde, não tem dúvida em deduzir de que lado está o nosso Prefeito e com quem ele anda abraçado. E de quebra, os palavrões, numa demonstração de baixeza e falta de educação.

Anônimo disse...

César, "na mosca"! Pena que nosso colégio eleitoral gazeia demais as aulas de cidadania, o que forma uma turma com péssima qualidade de voto.
Aliás, estava relendo o "Contrato Social" de Rousseau, e na parte dos deputados e representantes do povo o discurso, lançado em 1762, é deveras atual!
Abs
Juliano

Anônimo disse...

O Dário se sai melhor nas gravações e conversando com o seu líder na Cãmara, o Juju. Ali ele está em seu ambiente, chama os históricos do PMDB de malas, solta um monte de porras e ri desbragadamente. No mais, são 7 mil obras vezes sete. (7 não é numero dos mentirosos?).

Anônimo disse...

Excelente, caro Valente...a massa ignara agradece. Mesmo no ápice de minha turbidez mental consegui captar vossa opinião, agora calcada em sobriedade e lucidez tão brilhantes quando delas fazes uso. Lamento, e isso não é uma ironia, que nosso eleitor ainda não tenho o caldo cultural suficiente para perceber tais sutilezas. Aliás, perdoe-me a franqueza, tenho mesmo dúvidas que o próprio candidato PePista as sintonize.....cheira-me a uma adequação na busca de consolidar o eleitor da "Princesa" Albino, mais instruído e reticente. De modo que as linhas estão claras e a coisa vai pegando o ritmo de escolher o famosíssimo "menos ruim". Por mim, estou fora, não voto mais em Floripa desde que voltei para Goiás, embore ainda acompanhe com atenção o quadro. Não posso deixar de render loas a vossa perspicácia....mexeu muito comigo a tristeza da minha querida professora Eglê Malheiros de ver-se enredada em situação tão constrangedora a este ponto da vida. Lamentável!!
PS: Não seria interessante ouvir o que ela tem a dizer sobre a mais recente adesão da candidata comunista ?
Grato

Anônimo disse...

Cesar, sempre leio seu blog e gostaria primeiramente de parabeniza-lo pela responsabilidade e critcidade nas colocações. Me sinto reconfortada ao perceber que não sou a unica a ver uma cidade muito diferente da que o atual prefeito mostra em suas propagandas e discursos políticos. Antes de continuar meu comentário, gostaria, de esclarecer que nao sou ligada a nenhum partido, nem conheço pessoalmente o Sr. Amim, mas torço muito para que ele consiga derrubar estas víboras que se alojaram na nossa cidade e nao querem mais largar o osso. Sobre o debate de ontem, demonstrou sem deixar dúvida alguma(aliás como temos constatado durante esses 3 longos anos),que a administração de nossa cidade esta nas mãos de pessoas despreparadas e incompententes.

Anônimo disse...

Pombas, os caras tão numa pindaiba
danada,moram mal, comem mal, trabalham mal,isso quando tem trabalho e voces acham que eles vão se preocupar com baleias?
Ora façam-me um favor, vão passear pela ciclovia que esse cara fez prá voces.

Anônimo disse...

Condenação por improbidade administrativa, vocês sabem o que é isso?

Anônimo disse...

Outra ação proposta pelo Ministério Público, mas está parada....desde agosto....

Processo 064.08.018878-1
Classe Ação Civil Pública / Lei Especial (Área: Cível)
Distribuição Sorteio - 11/08/08 às 12:38 São José / Vara da Fazenda Pública
Local Físico 12/08/2008 12:00 - Gabinete do Juiz
Partes do Processo (Principais)


Participação Partes e Representantes
Requerente Ministério Público

Requerido Dário Elias Berger

Movimentações (6 últimas)


Data Movimento
12/08/2008 Concluso para despacho

12/08/2008 Aguardando envio para o Juiz

12/08/2008 Recebimento

11/08/2008 Processo distribuído por sorteio

Anônimo disse...

Não se trata de uma discussão sobre BALEIAS meu caro anônimo das 3:52 mas sim de avaliação da ENVERGADURA INTELECTUAL dos candidatos que aí estão, não percebeu?? Até por questão de inteligência política, pergunto se você debocharia de um assunto como esse em rede de televisão?

Vini De Lucca disse...

Dário, ao ser perguntado sobre turismo, quando prefeito em São José respondeu..."Ah, turismo, pergunte à Angela"

Dário, ao assumir a prefeitura de Florianópolis, colocou uma pessoa totalmente despreparada para o cargo de secretário...trocando depois pelo "super eficiente" articulador político e companheiro de idas com o Juju para POA, Cavalazzi, que nào fez absolutamente nada pela pasta que dirigia. Como profissional do turismo, tenho horror à administração do Dário no setor. Pra finalizar, a observação de baleias..o que esperar de um sem noção desses, que realmente nao tem a menor idéia do que seja turismo?

Anônimo disse...

Falei do Dário, agora vou falar do Amin (ou Espiridião Amim, conforme, corretamente, Jorge Bornhausen escreveu.

Durante a administração de Angela, A SETUR carregou uma malas de fora do trade turístico que dava pena. O local já era sucateado (Grando também não escapa) e incompetente.

Amin, no debate, saudou o Prof. "Toninho" Pereira Oliveira, ex-dono da Ilhatur, que o trade não suporta. Não é possível que o Amin vai aparelhar a SETUR com essas malas de repartição (vide Airton de Olveira e outros também), sedentos por empreguinhos - já que faliram suas empresas - com conhecimento de turismo (da atividade turística, não da atividade de fazer turismo) ultrapassado (década de 70 e 80) e distante da agilidade necessário do pujante e estratégico setor.