terça-feira, 30 de setembro de 2008

DIARINHO GANHA A SEGUNDA!

Sobre aquele pedido de direito de resposta do Décio Lima (PT), que foi negado na primeira instância (leia a nota de 19 de setembro – DIARINHO GANHA A PRIMEIRA! – aqui), olha só o que deu na segunda instância:
Decisão Plenária
Decisao em 30/09/2008
A C O R D A M os Juízes do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina, à unanimidade, em conhecer do recurso e, afastada a preliminar suscitada, a ele negar provimento, nos termos do voto do Relator, que fica fazendo parte integrante da decisão.
Créu! Nos vemos no TSE!

EM TEMPO: sugestão de hino para as comemorações dos 30 anos do jornal, em 2009.



ATUALIZAÇÃO DAS SETE DA NOITE

A RBS também ganhou a segunda (mas no caso deles o resultado não foi por unanimidade, com votação desempatada pelo presidente). Tá lá no site do TRE:
O deputado federal Décio Lima, atual candidato à prefeitura de Blumenau, tentou conseguir junto ao TRE-SC direito de resposta formulado contra a RBS – Zero Hora Editora Jornalística S/A. Décio Lima alegou que a o site ClicRBS o havia difamado e injuriado ao disponibilizar no dia 17 de setembro de 2008 notícia sobre a sua suposta participação em esquema criminoso, conforme investigações realizadas na operação Influenza, da Polícia Federal. O TRE-SC não concedeu a resposta, confirmando a decisão do juízo da 88ª Zona, de Blumenau, que já havia rejeitado a concessão do direito.

A opinião da maioria dos juízes foi a de que o conteúdo da veiculação não possuiu o condão de macular a imagem do candidato e limitou-se à divulgar as informações em sentido estritamente jornalístico. "Não entendo que ocorra a divulgação de informação sabidamente inverídica, pois a matéria veiculada se restringe a relatar fatos que são de conhecimento público, sendo inclusive publicados por outros veículos de comunicação", afirmou o juiz Odson Cardoso Filho, que foi o relator designado do recurso já que o relator, juiz Márcio Vicari, votou pelo direito de resposta.

A votação a respeito da matéria terminou empatada no Pleno (3 votos a 3), mas o presidente do Tribunal, desembargador João Eduardo Souza Varella, desempatou, não concedendo direito de resposta ao candidato.

VORTEI!

Desculpem o sumiço e o represamento dos comentários, mas é que eu fui ali em Itajaí comprar um peixinho, mas já vortei.

HAJA EMBARGO

Se tem uma coisa que não falta aos advogados do LHS naquele processo de cassação, é perseverança. Insistem até o fim. Não tem aquela história das perícias sobre os gastos de publicidade, de 2002 em diante? Pediram uma vez, o relator negou. Daí, tinham pedido pra que se ele não tivesse entendido, passasse adiante (recursos que tem um nome jurídico complicado) mas o relator também negou. Pois não se deram por vencidos e agora entraram com um embargo, que é um tipo de recurso, reclamando que o relator não atendeu o pedido anterior.

O “jus sperniandi” é um direito clássico dos envolvidos em processos judiciais. Em muitas ocasiões não se tem mais o que fazer, além de espernear.

No caso do processo contra LHS, há um fator que leva os advogados a espernearem ainda mais: se o julgamento não terminar antes do final do mandato, mesmo no caso de condenação não terá efeito prático. Não tem como reduzir um mandato que já acabou. Foi um mandato “sub judice”, mas quem se importa com isso?

COLOCARAM O PAVAN PRA ESCANTEIO!


Até recentemente, em todas as placas de inauguração de obras do governo do estado era praxe constar os nomes do governador e do vice-governador. Agora isso mudou. Pelo menos nas obras da secretaria do Desenvolvimento Regional de Florianópolis, o Pavan (PSDB) sumiu. Será que o tucano delegou ao secretário regional, o Galina, a tarefa de representá-lo nas placas? A propósito, o Galina (PMDB) é esse barbudinho que aparece animadão nas fotos.

SINDICATO DOS JORNALISTAS


Esta é a diretoria que foi empossada há poucos dias, depois de um processo eleitoral atípico. Têm pela frente vários desafios. Destaco dois: mobilizar os jornalistas para que defendam sua profissão, ameaçada agora mais do que nunca; e mostrar que, ao contrário do que ocorria, não vão deixar o pepino do sindicato na mão dos dois ou três de sempre.

ATUALIZAÇÃO DA TARDE

Taí a identificação da turma da foto, que a assessoria de imprensa do Sindicato me mandou (não sei se vocês perceberam, mas é uma única foto, bem horizontal, que eu dividi em duas, pra visualizar melhor)

Primeira fila, da esquerda para a direita: Aroldo Pereira da Silva (São Miguel do Oeste), Adriana Baldissarelli (Florianópolis), Fabíola de Souza (Florianópolis), Iran Rosa de Moraes (Lages), Rubens Lunge (Concórdia), Marlise Groth (Joinville), Ivonei José Fazzioni (Florianópolis), Hilton Maurente (Joinville), Jorge Luiz dos Santos (delegado em Itajaí), Michel Imme (delegado em Blumenau), Aderbal Machado (delegado em Balneário Camboriú), Jorge Luiz Cardoso Pedroso (delegado em Jaraguá do Sul).

Segunda fila, também da esquerda para a direita: Luís Henrique Prates (Florianópolis), Sérgio Homrich dos Santos (Jaraguá do Sul), Ieda Maria de Matos (Criciúma), Aristheu Formiga (Blumenau), Vanessa Feltrin Pinheiro (Criciúma), Josemar Sehnem (Florianópolis), Cláudio Silva da Silva (Florianópolis), Lúcio Fernando Sassi (Jaraguá do Sul)

Abaixo, a nova diretoria (tem uma vírgula ali, não quero dizer – ainda – “abaixo a nova diretoria”):
Executiva:
Presidente: Rubens Lunge – Diário da Manhã Chapecó
Vice-Presidente: Josemar Sehnem – SINJUSC Florianópolis
Secretario Geral: Lúcio Fernando Sassi - AN Jaraguá do Sul
1º Secretário: Fabíola de Souza – SINFREN Florianópolis
Tesoureira: Vanessa Feltrin Pinheiro - A Tribuna Criciúma
1º Tesoureiro: Heverton Ferri – RBSTV Joinville

Suplentes da Executiva:
Hilton José Soares Maurente – RBSTV Joinville
Ieda Maria de Matos - Jornal da Manhã Criciúma
Flavia Rubiane Durgante - Câmara de Vereadores Chapecó
Rafael Pedro de Matos – UNISUL Tubarão
Sérgio Luiz Homrich dos Santos – INFORMA Jaraguá do Sul
Adriana Baldissarelli – COMCAP Florianópolis

Conselho Fiscal:
Sandro Gleston de Mattia - Câmara de Vereadores Criciúma
Ivonei José Fazzoni – SENAI Florianópolis
Aroldo Pereira da Silva – UNOESC São Miguel do Oeste

Suplentes:
Aristeu José Formiga de Oliveira – FURB Blumenau
Elaine J. F. Tavares - IELA/UFSC Florianópolis

Comissão de Sindicalização e Exercício Profissional:
Luis Henrique Prates - Free Lancer Florianópolis
Fernando Arteche Hamilton SOCIESC/IBES Blumenau
Felipe Antônio Damo – Prefeitura Itajaí

Comissão de Comunicação e Eventos:
Miriam Santini de Abreu – SINTRAJUSC Florianópolis
Andréa Leonora Lisboa Neves - ALESC/PRIME Florianópolis
Cleusa Varnier Frese – UNOESC Xanxerê
Suplente - Marlise Groth – EDM Logos Joinville

Conselho de Representantes da FENAJ:
Iran Rosa de Moraes – Prefeitura Lages
Cláudio Silva da Silva – Free Lancer Florianópolis
Suplente - André de Oliveira Pinheiro – Prefeitura Itajaí

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

CADERNO 2

Estava conversando com meu amigo Mário Medaglia sobre a espantosamente falha teia de divulgação cultural que assola esta cidade, quando nos ocorreu o seguinte: temos a faca e o queijo na mão! O Medaglia e suas amigas freqüentam cinemas, teatros e outros ambientes divertidos e eu tenho, aqui, um blog com uma audiência média diária que está nos quatro dígitos (e crescendo!). E entre esses leitores, muita gente que não vive só de política, de comentários ácidos, de críticas ferinas, de piadinhas sensaburronas. Também gosta de poesia, teatro, cinema e arte.

Então, caros amigos e amigas, está inaugurado o “Caderno 2”, espaço com dicas, recomendações e comentários. De olho na cultura da capital. O nome da seção é uma saudosa homenagem ao caderno de “variedades” do  jornal O Estado. O editor é o Mário Medaglia, eu ajudo catando as ilustrações.

Divirtam-se. Espero que gostem. Se acharem bom, parabenizem o Mário (sim, sim, aquele) e espalhem; se acharem fraco, me digam que eu dou um cascudo nele.

ADEUS AO CINE YORK
Estamos condenados a viver de saudades e de lembranças na área cultural. Não tem jeito. Agora foi a vez de o Cine York desaparecer. Foi uma tentativa do Gilberto Gerlach de misturar um pouco o comércio com a cultura, os filmões americanos e seus lixos com o bom cinema. Isso em São José, bem perto do teatrinho da praça, onde o Gerlach e o Clube de Cinema Nossa Senhora do Desterro na década de 70 arrastavam verdadeiras excursões formadas por aqueles que fugiam da programação comercial dos cinemas de Floripa. É passado, como daqui a pouco pode acontecer em Florianópolis com a nova sede do Clube de Cinema, a simpática e acolhedora sala do Centro Integrado de Cultura, maltratada pela Fundação Catarinense de Cultura, ignorada pela divulgação da mídia.

Em tempo: o pessoal do cotidiano.ufsc.br de vez em quando faz reportagens sobre cultura e arredores. Clique aqui para ler o que eles contam sobre o fechamento do York. É uma bela reportagem, com um pouco da história destes espaços cinéfilos, que se confundem com a história pessoal do Gerlach.

TEATRO (quase) SECRETO

A observação acima vale para os bons espetáculos teatrais, como acaba de acontecer com a excelente peça Adubo, integrante do projeto Palco Giratório do SESC. Soubemos dela porque o Juliano, um dos atores, é filho do jornalista Lourenço Cazarré, que já morou e trabalhou por aqui e tratou de avisar os amigos. Produção e divulgação garantidas só para aquelas coisas cheias de atores globais.

O Cesar Valente também falou sobre o espetáculo numa das notas de hoje de manhã: “No domingo à noite fui assistir à pouco divulgada, mas instigante e refrescante “Adubo”, no teatrinho do SESC, na Prainha. Ali um grupo de jovens atores, formados pela escola de artes cênicas da UnB, mostrou um trabalho de excelente nível onde a densidade do tema (o suicídio, a morte) não impediu que a platéia, em certos momentos, risse bastante. E em outros, ficassem em dúvida se ria ou se chorava. Uma montagem profissional, apresentada com a vitalidade e a criatividade dos amadores (no bom sentido). Um dos atores, Juliano Cazarré, está no elenco da nova série brasileira da HBO, “Alice”. ”

DICAS DE BOM CINEMA
Voltando ao cinema, que sofre do mesmo mal (de falta de divulgação adequada), exemplinhos rápidos de filmes que, se a gente não avisa aqui, acabariam passando despercebidos:

“Aventuras de Molière”, título bobo para um bom filme sobre uma passagem da vida de Jean Baptiste Poquelin. Com o pseudônimo de Molière, este autor teatral (França, 1622-1673) tem parte de sua obra e vida retratadas na produção francesa de Laurent Tirard, com bons atores, o talento e a beleza da italiana Laura Morante. Molière está no CIC. Como aperitivo, abaixo o trailer. En français, bien sûr.



A bela Laura também pode ser vista na Lagoa da Conceição, no Cine Clube Sol da Terra, em “Medos Privados em Lugares Públicos” (Coeurs), direção de Alain Resnais. Já vi os dois e recomendo. Abaixo o trailer, em espanhol.



No CIC, além do Molière, está “Do outro lado” (Auf der anderen seite) - Alemanha/Turquia – melhor roteiro e Prêmio Ecumênico em Cannes 2007. Direção da Fatih Arkin, trata de encontros e desencontros em uma história que passeia pela Turquia e Alemanha. Este filme tem a Hanna Schygulla, a musa dos filmes de Rainer Fassbinder (Casamento de Maria Braun, entre outros). Fassbinder, considerado o mais importante diretor alemão do pós-guerra, também entra em ciclo no CIC com alguns de seus filmes. “Amor e Preconceito”, com a Schygulla, é o primeiro deles. É o que temos para o momento. A quem interessar possa. Antes que saiam de cartaz praticamente ignorados, como acontece sempre. Abaixo, o trailer de “Do outro lado” sem legendas(sorry).

MORASTONI CONSEGUE CENSURA PRÉVIA

Transcrevo o texto do Terra Magazine. É auto-explicativo. Nem precisa de comentários adicionais. Ah, exceto talvez o fato de se referir à propaganda eleitoral. Não se estende à imprensa.
Segunda, 29 de setembro de 2008, 11h22 Atualizada às 12h10
Juiz eleitoral autoriza censura prévia em SC

Raphael Prado

A menos de uma semana das eleições municipais, o juiz eleitoral Osvaldo João Ranzi, de Itajaí (SC), autorizou a censura prévia a veículos que divulgarem informações sobre a Operação Influenza, da Polícia Federal, que corre em segredo de Justiça. A ação, desencadeada em junho, prendeu 24 suspeitos e apura susposto esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e fraudes na administração pública local.

A decisão do juiz, em favor do atual prefeito de Itajaí e candidato à reeleição Volnei José Morastoni (PT), reconhece:

"... embora a censura prévia seja odiosa, em casos excepcionais, como o é o presente, deve ser adotada, sobretudo se for para preservar um bem maior, como a paz e a harmonia dos eleitores de Itajaí. É o que a prudência recomenda, sem que isso signifique malferir os princípios constitucionais."

A ação foi impetrada por Morastoni contra o candidato Jandir Bellini (PP). No entendimento do magistrado, "o público já tomou conhecimento de que a Polícia Federal desencadeou ação para investigar delitos que estariam ocorrendo em órgão público deste município. (...) Ocorre que o ressurgimento dessa matéria na quadra eleitoral (...) afigura-se fato preocupante, pois é consabido que os ânimos dos candidatos estão à flor da pele, a adrenalina a mil, a militância partidária em efervescência, ou seja, mexer naquela ferida poderia constituir-se em um estopim perigoso".

Procurado por Terra Magazine, o magistrado não foi localizado para comentar a sentença.

A Constituição Federal, em seu lacônico parágrafo segundo do artigo 220 - que trata sobre Comunicação Social -, determina: "É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística".

A decisão é uma vitória para o candidato Morastoni, que já provocou o Conselho Nacional de Justiça a investigar o juiz estadual Paulo Afonso Sandri por ter autorizado escutas judiciais contra o prefeito. Morastoni atribui a ele "prática de interceptações ilegais".

Terra Magazine

A ILHA DE PAZ E TRANQÜILIDADE

Puxa, ainda bem que a crise mundial não vai afetar o Brasil, né?

Gráfico da agência Estado

E enquanto isso sai nova pesquisa colocando Lula nas alturas. A aprovação do governo  federal está praticamente empatada com o índice de aprovação do governo Dário: todo mundo adora os dois. Definitivamente, entendo cada vez menos a cabeça dos brasileiros (ou, pelo menos, a cabeça brasileira que aparece nas pesquisas).

TADINHO!

Leio no blog do Roberto Azevedo, que o PP/PTB também entrou, sábado, com ação na Justiça Eleitoral contra supostos abusos que teriam sido praticados na campanha do Dário. Em parte são reclamações idênticas às do PCdoB/PDT e parte são novas queixas (propaganda antecipada, por exemplo).

A julgar pelo que tem acontecido Brasil afora, é agora mesmo que o Dário vai crescer nas pesquisas. Quanto mais o sujeito se vê enliado por suspeitas, processos, acusações, condenações, mais o eleitorado gosta dele.

O que nos leva a uma conclusão assustadora: essas campanhas institucionais contra corrupção, pelo voto consciente, em favor de candidatos sem folha corrida, são um retumbante fracasso. Os eleitores não estão nem aí para o que dizem os tribunais, pouco ligam para provas, muito menos para suspeitas fundadas. A se acreditar nas  pesquisas (e esta é outra questão cabeluda) preferem fiar-se no que dizem os candidatos em sua própria (e às vezes esfarrapada) defesa, nos palanques da vida.

De Olho no Jazz

Mais uma “modinha” no blog. Ali do lado está o logotipo do blip.fm e na caixa onde aparece meu nome e uma bobagem qualquer (à guisa de comentário sobre a música) tem “play”. Ao clicar no play começa a tocar uma série de 25 músicas da “rádio” que criei no blip.fm. Infelizmente ainda não tem execução contínua. Ao final de cada música tem que clicar no “next” para tocar a próxima música, ou “prev” para a música anterior.

Dá também pra ir clicando no “next” até achar uma música do seu gosto (não tem pagode, nem sertanejo ou vanerão...)

Pra parar a música basta, é claro, clicar no “pause”.

A utilidade disso? Seilhá! Talvez pra ficar ouvindo enquanto lê os longos textos que insisto em colocar aqui. Vocês é que vão ver se o coisinho tem alguma utilidade ou se é uma bobagem inútil.

Se, por acaso, gostares da seleção e quiseres ouvir a rádio do Tio Cesar sem ter que clicar “play” a cada música, então o melhor é ir direto à fonte: blip.fm/cesarvalente. Uma vez lá, é só clicar “play” uma vez e deixar tocar. Vai rodando uma após a outra automaticamente. Boa tarde, bom trabalho e boa viagem.

RETA FINAL

Acompanhei o debate de ontem... hoje, nos blogs do Damião e do Paulo Alceu. No domingo à noite fui assistir à pouco divulgada, mas instigante e refrescante “Adubo”, no teatrinho do SESC, na Prainha. Ali um grupo de jovens atores, formados pela escola de artes cênicas da UnB, mostrou um trabalho de excelente nível onde a densidade do tema (o suicídio, a morte) não impediu que a platéia, em certos momentos, risse bastante. E em outros, ficassem em dúvida se ria ou se chorava. Uma montagem profissional, apresentada com a vitalidade e a criatividade dos amadores (no bom sentido).

Um dos atores, Juliano Cazarré, está no elenco da nova série brasileira da HBO, “Alice”. E é filho do jornalista e escritor Lourenço Cazarré, que trabalhou aqui em Florianópolis anos atrás. Não fosse por este fato (o pai coruja avisou que o filho passaria por aqui com sua peça), teria perdido este espetáculo por absoluta falta de informação a respeito. A divulgação dos eventos culturais em Florianópolis anda precisando de uma revisão.

Bom, mas voltando à campanha eleitoral e ao debate, parece que perdi alguma coisa. Finalmente os candidatos começam a agir como gente e não como atores bem treinados. E o líder das pesquisas e atual prefeito, dá-se conta do óbvio: estão todos atirando pedra no telhado dele. Ora, ora, desde que foi realizada a primeira eleição, provavelmente para síndico das cavernas, o preferido da maioria é também o principal alvo. Na escola primária do marketing político isto é ensinado já na primeira semana. Não faz sentido que um candidato escolado, veterano de tantas eleições, queixe-se que estão tentando derrubá-lo.

Hum... faz sentido, sim. É o famoso marketing da vitimização. Uma resposta planejada aos inevitáveis ataques. Para que o eleitor e a eleitora desavisados digam “tadinho do moço loiro...” E para que qualquer acusação, com fundamento ou não, possa ser rapidamente colocada debaixo do tapete, como coisa de gente ruim, que não quer o bem da cidade, apenas prejudicar o “moço bonzinho que nunca fez nada de mal pra ninguém e só quer ajudar as pessoas”.

Isto aconteceu no Recife, onde um “juiz malvado” impugnou a candidatura do moço bonzinho de lá, o petista que lidera nas pesquisas, candidato da situação. Os computadores da secretaria municipal de educação que a PF apreendeu, recheados de material de campanha que eram enviados dali para os eleitores, não são nada. O importante é que “querem calar a voz do povo do Recife” e para isso “inventam” que o candidato usou “a máquina”. Tadinho.

Pode acontecer exatamente o mesmo aqui, se algum juiz eleitoral aceitar as denúncias que foram protocoladas na sexta-feira pelo PCdoB. O discurso será, sem dúvida, aquele conhecido, do “não conseguem ganhar nas urnas e querem ganhar no tapetão, contrariando a vontade do povo”. Desde o começo da campanha é acusado de tudo. Tadinho. Em geral o eleitor compra essa história. E não liga muito se houve crime ou não, se as suspeitas têm fundamento ou não, se o que foi feito ajudou ou não a alterar o resultado, das pesquisas e da eleição.

Aliás, sobre essa questão de liderança nas pesquisas e confiabilidade dos institutos, recomendo vivamente a leitura da nota abaixo, onde reproduzo informação de O Globo, citada pelo Noblat.

Gabeira diz que Ibope manipula dados

deu em O Globo (transcrito a partir do blog do Noblat)
Gabeira diz que Ibope usa sede
para manipular dados


Um dia depois de Ibope e Datafolha divergirem sobre a diferença de intenções de voto entre sua candidatura e a de Marcelo Crivella (PRB), o candidato a prefeito Fernando Gabeira (PV) resolveu detalhar ontem uma acusação que vem fazendo desde o início da campanha. Disse que o instituto usa sua sede em Salvador como fachada para receber os pagamentos do PMDB, que encomendou pesquisas no Estado do Rio.

Em troca, disse Gabeira, o Ibope usaria as margens de erro para manipular seu desempenho, estimulando um cenário de segundo turno entre Marcelo Crivella (PRB) e Eduardo Paes, candidato do PMDB. O Ibope apontou uma diferença de 14 pontos dele para Crivella, enquanto o Datafolha são apenas três pontos.

— Nossos advogados estão acompanhando o trabalho do Ibope desde que descobrimos que o instituto é contratado pelo PMDB para fazer pesquisas diárias. Os levantamentos apresentados tendem a trabalhar na margem de erro para criar uma situação, enfraquecer minha candidatura e fortalecer o Crivella. É como criar uma espécie de bicho-papão Crivella contra o salvador, que seria o PMDB. O Ibope está usando sua sede de Salvador como fachada para essas operações — disse Gabeira, em terceiro lugar nas duas pesquisas.

Um dos episódios em que o Ibope, segundo Gabeira, teria manipulado números serviu para tirá-lo da lista dos candidatos entrevistados pelo telejornal RJ-TV, da TV Globo. A emissora usou os dados do instituto como critério para selecionar seus convidados. Leia mais em O Globo

ATUALIZAÇÃO DO FINAL DA MANHÃ


O PT de Florianópolis, inconformado com o resultado da última pesquisa do Ibope, divulgou nota onde enumera um “histórico de erros cometidos pelos institutos de pesquisa”:
(...) Nas eleições de 2004, em Florianópolis, a pesquisa do Ibope, também realizada em setembro, apontava o candidato do PT com apenas 4%. O resultado oficial, contrariando o Ibope, registrou 16%.

Nas mesmas eleições, em São José, a pesquisa do Mapa apontava apenas 3% ao candidato do PT, Círio Vandresen, que acabou obtendo 20% dos votos.

Além destes dois equívocos estatísticos flagrantes, temos o exemplo de 2002, quando a pesquisa do Ibope colocava a candidata do PT ao Senado, Ideli Salvatti, em quinto lugar com índice de 3%. Ideli elegeu-se em primeiro lugar com larga margem de vantagem sobre os demais candidatos, sendo que em Florianópolis fez 61% dos votos.

Neste caso, nós derrotamos as pesquisas. Porém, em muitos outros casos, os prejuízos foram incalculáveis, não só para o PT, mas para o próprio sistema democrático.

A nota, assinada pelo presidente do diretório municipal, Gilberto Del'Pozzo, termina com um apelo à militância:
“O PT repudia o uso das pesquisas como forma de manipulação do processo eleitoral e conclama toda a sua militância e os setores organizados da sociedade civil a continuar nas ruas construindo a vitória da democracia.”

BLOGUEIRO NOVO NA PRAÇA

O Mosquito (codinome do Amilton Alexandre) sempre foi um agitador político, cultural e gastronômico. Comunista de carteirinha, exerceu várias funções tipicamente capitalistas e como todo bom capitalista, acabou quase falindo. Aparecia de vez em quando nos comentários dos blogs dos amigos, conhecidos e desafetos (isto quando não tinha os comentários sumariamente bloqueados ou deletados).

Pois agora resolveu acabar com essa história e abriu um blog: o “Tijoladas do Mosquito”, para expressar a sua proverbial indignação, com seu já lendário estilo. É provavelmente o único mosquito conhecido que, em vez de dar apenas aquela mordidinha incômoda, joga um tijolo. Pelo que se vê por lá, vai distribuir tijoladas em Palhoça, Sao José e Florianópolis.

Seja bem vindo a este mundo online de tantas e tão variadas vozes. Quanto mais e mais variadas, melhor.

Uma notinha de , como aperitivo:
Para que servem os smurfs
Uma das missões da Guarda Municipal de Florianópolis é cuidar do patrimônio público.

O monumento de Anita Garibaldi na Praça Getúlio Vargas está sem a espada de bronze que foi quebrada.

O Monumento da Guerra do Paraguai na Praça XV está todo pichado.

As ramas de louros de bronze do monumento do Hercílio Luz na cabeceira da ponte foram roubadas.

Os smurfs não cuidam do patrimônio público. Ficam desfilando e namorando com seus carrões.

Pasmem tem até um carro tipo BOPE na GMF. Isto é o fim da picada.

A GMF quer ser a PM fora da lei.

domingo, 28 de setembro de 2008

AMIGOS...

Cada vez que o Lula agasalha um presidente sul-americano em apuros ou troca juras de amor eterno, alguma empresa brasileira se ferra. Na Bolívia foi a Petrobras. No Equador, a Odebrecht. Isto sem falar na criação de um mercado enorme, no Brasil, para o incerto gás boliviano, que é liberado ou retido conforme ronca a cuíca na casa daquele vizinho complicado. Tenho a impressão que, logo depois do terceiro mandato, Lula será candidado a presidente da América do Sul. Só um sujeito em campanha terá tanto carinho para com os problemas alheios que acabe deixando sua própria gente ao desabrigo e no prejuízo.

Por mais amigos que sejamos dos EUA, por exemplo, experimentem meter a mão numa empresinha norte-americana qualquer, que esteja atuando no Brasil. Por mais inexpressiva que seja, o Império tratará de olhar por ela. Já os empresários brasileiros que atuam na América do Sul (e são muitos, há inúmeras empresas em crescente internacionalização), entenderam que estão sozinhos, contando apenas com suas próprias forças. Se forem vítimas de qualquer ruptura de contratos ou da ordem legal, não poderão contar com o apoio do seu País. Do jeito que tem agido em situações semelhantes, temos tudo para acreditar que Lula certamente morrerá de pena do “colega” ditador, presidente, ou que nome tenha e recomendará ao empresário brasileiro que “pare de criar caso”, entregue seu patrimônio e caia fora.

E olha que nem falei na Venezuela...

CABEÇA NOVA

Sempre que tenho alguma coisa importante pra fazer arranjo meios de postergar o início do trabalho ao máximo. Ocupo-me, por exemplo, com as tarefas mais inúteis (e divertidas). Uma das formas que encontrei, hoje, foi mexer no cabeçalho do blog. Fazia tempo que estava do mesmo jeito, aí resolvi dar uma mudada. Ainda não está 100%, mas já está diferente. E ganhei umas horinhas, do dia, elocubrando como seria.

Agora está no forno uma mudança grande, pra todo o blog, mas acho que só vou mexer nisso quando novamente tiver que fazer alguma coisa muito importante e precisar de pretexto para adiar o momento de pegar no batente.

AVENTURA OCTÓPODE



Filminho de domingo: historinha da escola de animação Gobelins, da França (Pra quem acha que só existe a Pixar (e os EUA) no mundo).

Peguei lá no Café Preto.

sábado, 27 de setembro de 2008

O NÚMERO DO MORIBUNDINHO

O pessoal da coligação da Ângela informa que o moribundinho deu entrada às 16h20min da sexta na maternidade da 12ª Zona Eleitoral em Florianópolis, onde foi identificado com o nº 103550.

Agora é só esperar pra ver o que os juízes-parteiros dirão: se o coisinho tem chance de se criar (e aí ouviremos um berreiro), ou se será engavetado por inanição probatícia grave ou outra moléstia neonatal. Enquanto esperas pra ver, não esquece de fazer uma fezinha no bicho, com o número do protocolo.

Pra quem chegou agora e não está entendendo que história é esta de “moribundinho”: rola a tela um pouco mais, até chegar na nota... O Moribundinho. Ali está explicado.

OS BOATOS LADRAM E O DIARINHO PASSA...

Mais uma vez sou acordado, cedinho, por alguém ao telefone querendo saber se é verdade que o DIARINHO foi apreendido, ou impedido de circular, ou retirado das bancas.

Parece que à medida em que a eleição se aproxima, esses eventos se tornam mais freqüentes. E, impotentes para fazer o que, no fundo (e na superfície) desejavam, aqueles que se sentem incomodados com a independência do jornal, lançam esses boatos.

O que houve, relacionado com a edição de hoje do jornal (que recebi normalmente, no horário de sempre), é que a coligação do Dado Cherem (candidato a prefeito de Balneário Camboriú, PSDB), conseguiu, na Justiça, a proibição da pesquisa IPS/Univali que o Diarinho publicaria hoje. A ação foi contra a Univali, cujo reitor afirma que recorrerá para recuperar o direito de publicar a pesquisa. Neste caso, além de colocar na gaveta o caderno que já estava pronto com o resultado da pesquisa, o Diarinho nada pode fazer, a não ser aguardar.

Na pesquisa, a propósito, o Periquito aparece na frente (não muito, apenas uns oito pontos). E a turma do Dado ficou sabendo do resultado na quinta-feira, quando os repórteres do Diarinho os procuraram para que comentassem o resultado. O Diarinho publica há meses as pesquisas IPS/Univali de praticamente todos os municípios da região de circulação principal do jornal. Tudo devidamente registrado na Justiça Eleitoral, com metodologia aprovada, etc e tal. Mas, neste caso, os tucanos acharam um troço qualquer para obter a liminar. O pessoal do IPS acha que a defesa será tranqüila e que a decisão poderá ser revista.

No outro dia, quando o Morastoni (PT, candidato a prefeito de Itajaí) tentou impedir a circulação do jornal na Justiça, recebi telefonemas de gente querendo saber se a Samara (a diretora do jornal) tinha sido presa mesmo. Os boatos, naquela ocasião, além da prisão, falavam que o jornal ficaria 15 dias impedido de circular.

Então agora vocês já sabem: quando ouvirem um boato desses, NÃO LIGUEM PARA O CESAR VALENTE ANTES DAS 10 DA MANHÃ!

É bem como diz aquela velha canção do Chico Buarque...



Aí está a letra, pra que vocês cantem com a Bebel e comigo:
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade, que arde
E apressa o dia de amanhã

De madrugada a gente ainda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna a nossa cama, reclama
Do nosso eterno espreguiçar

No colo da bem-vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade, que alarde
Será que é tão difícil amanhecer

Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lá
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Um bom final de semana e que a chuva e os boatos nos sejam leves...

“I'M BACK!”

Molecagem sobre foto do Ricardo Stuckert/PR (Clique na foto para ampliar)

AS TESTEMUNHAS

Ontem à tarde foram ouvidas, no Tribunal Regional Eleitoral, cinco das seis testemunhas que o vice-Pavan, o litisconsorte passivo, pediu ao TSE que fossem ouvidas como parte de sua (e do LHS) defesa no processo que pede a cassação do mandato.

Uma das testemunhas, o deputado Jorginho Mello, deu um presentão pros advogados do governador: disse que só poderá atender o pedido do TRE no dia 9 de outubro, depois das eleições. Até lá estará envolvido com a campanha. Como é deputado, pode escolher a hora e o dia em que será ouvido. E neste processo, vocês já sabem, cada minuto vale ouro. Fazer com que a coisa fique paradinha por uma semana e pouco, tem lá seu valor.

Bom, mas e o que disseram, as testemunhas? Segundo o advogado Gley Sagaz, da coligação que propôs a ação (do Amin e do PP), “nada que seja útil para o processo, nem para a acusação, nem para a defesa”. Ele acha (como alguns ministros do TSE também já disseram nos autos) que o processo trata da potencialidade que os atos denunciados tiveram, para alterar o resultado da eleição.

E os ouvidos, diretor de jornal, presidentes de associações de jornais, rádio e TV e de sindicato de agências de publicidade, apenas repetiram informações que estão no processo, sobre o relacionamento das empresas de comunicação com o governo.

Em todo caso, acho que teve uma coisa interessante, sim: todas as testemunhas têm o governo como cliente. Todas têm interesse comercial (legítimo, claro) no governo, que é anunciante e a quem várias agências de publicidade prestam serviços. Não são, portanto, testemunhas no sentido clássico do termo: parecem-se mais com avalistas, que foram lá reafirmar que o LHS e o Pavan são do bem.

O MORIBUNDINHO

A coligação Inovar Florianópolis (Ângela, PCdoB/PDT) anunciou ontem que vai entrar com uma ação na Justiça Eleitoral, pedindo a cassação do registro ou diploma do candidato Dário Berger (PMDB).

Entre as razões está a suspeita de uso de bens e servidores públicos (a tal “máquina”) para beneficiar a campanha de reeleição.Tem muita semelhança com a ação que o PP propôs contra LHS e que no começo ninguém levava muita fé, até ela dar aquele cagaço em todo mundo, quando começou a ser votada no TSE. É claro que é preciso, antes de fazer o batizado de mais esse moribundinho, saber o que vai ocorrer na sala de partos do TRE, quando o pessoal do Ghizoni (coordenador da campanha da Ângela) chegar lá.

O TEFLON A MIL

O eleitor não tem muito do que se queixar. Aliás, acho que todo povo tem o governo que merece. Vejam só estas duas situações muito esclarecedoras:

1. Segundo o jornalista Ricardo Noblat, depois que teve sua candidatura impugnada pela Justiça, por causa do uso da “máquina”, a campanha do candidato a prefeito do Recife, João da Costa (PT) ganhou um impulso extra. A decisão judicial, baseada em fartas provas coletadas pela Polícia Federal após denúncia do Ministério Público, está sendo anunciada à população pelos militantes como uma “tentativa de golpe de quem quer calar a boca do Recife”.

2. Aqui ao lado, em Tijucas, segundo conta Moacir Pereira, o presidente do PMDB local e coordenador da campanha do candidato Elmis Manrich (PMDB) foi preso na operação Dríade, sob acusação de crime ambiental. Ao sair da cadeia foi recebido por uma multidão nas ruas, com foguetório, faixas e cartazes e com isso o PMDB ganhou mais força na disputa.

O eleitor, ao que parece, não está nem aí para essas irregularidades, suspeitas, processos, condenações. Não é de duvidar que a notícia do processo da Ângela contra o Dário acabe ajudando na campanha dele.

O BALDE DE ÁGUA FRIA

Passado o primeiro impacto da decisão da juíza Ana Cristina Krämer, a sexta-feira amanheceu cinzenta, é verdade, mas sem as nuvens escuras do entardecer de quinta. A claridade do dia sempre ajuda a ver melhor o que nos cerca e também o que ameaça cair sobre nossas cabeças.

Há grandes possibilidades que a anulação do período inicial das escutas não venha a ter uma influência decisiva sobre a absolvição ou condenação dos que forem acusados. Há mais provas do que apenas aquelas escutas. E há escutas mais recentes, autorizadas pela Justiça Federal.

O que teria levado o juiz Sandri a não cumprir o rito que a juiza o acusa de não ter cumprido? Como não estou em Itajaí e o jornal traz reportagem sobre este assunto, com a palavra do juiz, não quis falar com ele. Mas trato de ir adiante: ouso formular uma hipótese sobre o que pode ter acontecido, mesmo sem ter conhecimento dos detalhes. Apenas olhando de longe e do alto da minha arrogância de palpiteiro profissional.

E se, por acaso, em tese, algum personagem, nas escutas, tivesse dito, como disse Daniel Dantas naquelas outras escutas, algo como “tenho os juízes na minha mão”? Dantas teria falado que tinha medo dos juízes de primeiro grau, porque nos tribunais superiores a coisa seria mais fácil. Então vamos admitir, para tornar verossímil esta hipótese, que exista, nas gravações, alguma coisa parecida. Isto poderia levar o juiz a temer que, se o processo caísse em outras mãos, as investigações poderiam perder força, interesse e nenhuma outra escuta seria autorizada.

Bom, mas isto é uma coisa que será resolvida em breve, com a confirmação ou reforma da decisão da juíza Ana Cristina, pelo Tribunal Regional Federal. O que existe de concreto, sobre o juiz Sandri, é que ele vem sendo ameaçado e em função disso não só mantém a Polícia Federal informada, como teve que tomar precauções de segurança. Sinal claro que, de uma forma ou de outra, ele mexeu em algum abelheiro. De abelhas muito grandes e ferozes.

NO RASTRO DA SUNDOWN
Os advogados dos suspeitos e indiciados da operação Influenza já estavam preparando recursos contra os grampos telefônicos, na mesma linha daquele que refrescou a situação da turma da Sundown: o entendimento dos tribunais superiores, que o grampo telefônico não pode ser renovado indefinidamente. No caso Sundown, os suspeitos de trambicagem financeira foram “ouvidos” por dois anos.

Animados com a “forcinha” dada pela juíza que anulou parte das escutas, os advogados anunciavam, ontem que já na segunda-feira entrarão com os recursos que pedem que todas as escutas sejam varridas para debaixo do tapete.

O balde de água fria, portanto, continua cheio e no alto das cabeças das pessoas de bem, pronto para ser derramado a qualquer momento, de um ou de outro jeito. Seja porque o juiz Sandri descumpriu a Lei, seja porque há precedentes de impunidade por causa de divergência na interpretação da Lei, seja porque, afinal, lugar de bacana não é mesmo na cadeia.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

...E AÍ, 23 ANOS DEPOIS...

Notícia que, por coincidência, os jornais da Adjori publicaram no mesmo dia em que o processo contra LHS (movido pelo PP), dava mais um passinho, com a “oitiva” das testemunhas, entre as quais o presidente da... Adjori.

Mas é daquelas coincidências que soam como um troco, uma revanche. Os nomes citados abaixo são todos ligados ao ex-governador (e agora candidato a prefeito) Amin. E até o desembargador se espantou que fatos de 1985 tenham chegado ao Tribunal de Justiça apenas no ano passado. A sentença da primeira instância, já de barbas brancas, foi mantida na segunda instância.

Por falta de tempo para resumir, transcrevo na íntegra o que o Ilton Dellandréa teve a gentileza de capturar no O Barriga Verde, simpático jornal de Taió.
Ex-funcionários do Besc
condenados por contratos irregulares

26 de Setembro de 2008

A 1ª Câmara de Direito Público do TJ, em processo sob relatoria do desembargador Vanderlei Romer, manteve sentença da Comarca da Capital que condenou Carlos Passoni, Carlos Passoni Júnior, Paulo Roberto Ferrari, Rodrigo de Carvalho, Ernesto Ferreira, Francisco de Assis e João Eduardo Moritz, a restituírem ao Estado de Santa Catarina os valores recebidos em contratos com empresas do sistema Besc, sem prévia licitação e com utilização de recursos - materiais e humanos – da instituição bancária.

O valor será equivalente ao da soma dos pactos irregulares, atualizado e com juros legais a contar da data do contrato. Segundo ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público, Passoni, Ferrari e Carvalho, lotados no setor de recursos humanos do Besc, constituíram, em 1985, uma sociedade denominada Consultores Associados de Recursos Humanos – Conarh –, para prestação de serviços na área.

Ernesto Ferreira, gerente de recursos humanos do Besc em 1986, e Carlos Passoni Júnior, presidente do Besc e da Codesc em 1985, também se associaram à empresa de consultoria. Juntos, os réus firmaram contratos de prestação de serviços com Brescredi – na época sob a presidência do réu Francisco de Assis - e Bescval – com a interferência do réu João Eduardo Moritz -, sem licitação pública prevista pela Lei Estadual n. 6.080/82. Tais serviços, segundo documentos anexados aos autos, poderiam ser realizados pelo setor de recursos humanos da própria instituição financeira.

O relator do processo utilizou a representação do MP para ressaltar que os contratos e serviços prestados pelos réus foram realizados no horário de trabalho, com emprego de equipamentos, materiais, servidores, e até mesmo projetos e documentos plagiados do Besc. Diante dos fatos e das provas, concluiu-se que os contratos atentaram à moralidade, impessoalidade e ilegalidade, pois os funcionários utilizaram-se do vínculo com o Besc para receber grandes quantias de um serviço plagiado, já parte de suas funções devidamente remunerada.

O desembargador Vanderlei Romer esclareceu que, apesar dos fatos terem ocorrido em 1985, o processo somente chegou ao Tribunal de Justiça a menos de um ano. A decisão foi unânime. (Apelação Cível n. 2007.059458-4)

Fonte: Poder Judiciário de Santa Catarina

MAIS ECOS

Sim, sim, a coisa por aqui está paradona. Mas pra não perderem a viagem, dêem uma chegada no blog do Bonassoli, pra saber sobre o processo com que a Ângela vai pedir a cabeça do Dário (é bem parecido com aquele que o PP jogou em cima do LHS e que, na época, ninguém ligou porque achou que não ia dar em nada, seria “apenas um moribundo se arrastando pelos escaninhos do TRE”).

Aqui

ECOS DA CAMPANHA

O Cangablog (cujo editor declarou, há alguns meses, que votará no Amin) faz um registro bem interessante do clima da campanha na capital. Relata os fatos naturalmente a partir do ponto de vista dele, mas ajuda a entender o que significa, numa campanha, “ter a máquina na mão”.

Aqui

JUIZA ANULA PROVAS DA INFLUENZA

COMEÇARAM A ENCHER
O BALDE DE ÁGUA FRIA

A decisão da juíza Ana Cristina Krämer ontem, mandando anular as provas da operação Influenza abriu a torneira da água fria que está enchendo o balde. Se o Tribunal Regional Federal da 4ª Região confirmar a sentença (no que trata da anulação das escutas), aí então o balde de água fria será despejado na cabeça de todos aqueles que acreditaram na história de indiciar, processar e prender gente influente e poderosa.

O próprio nome da operação (Influeza), sugere que exista, em alguns círculos, um jogo bem azeitado de favores e influências. Suspeitos de alto coturno têm sempre muita sorte. Acabam sempre sendo beneficiados por uma tramitação mal avaliada, por uma prova mal coletada ou mal armazenada, por uma repentina criminalização das escutas telefônicas (com efeitos retroativos!), por inúmeros tipos de perhaps que bons advogados sabem sempre como achar no almofadado (para alguns), caminho processual.

Ao mesmo tempo em que o cidadão – preocupado com o sentimento de impunidade que o balde e sua água fria espalhará – enche-se de indignação, também se preocupa, se for um sujeito honesto e decente, com as injustiças que podem ter sido cometidas. Ninguém quer condenações feitas ao arrepio da Lei, com provas frágeis e defesa capenga. Como eu gostaria que o processo fosse conduzido se o réu fosse eu? Com calma, sem prejulgamentos. E provas incontestáveis.

Portanto, o problema às vezes não é o juiz ou juiza que anula a prova, mas quem deixou rabo, que permitiu o questionamento da prova. Mas anulação de prova é sempre um problema. Ainda mais quando são escutas com o conteúdo das escutas realizadas pela Polícia Federal com a autorização judicial agora contestada.

E tem gente comemorando, como se o balde já tivesse sido despejado. Ou como se tivessem a certeza prévia sobre qual será a decisão final. A água fria, em todo caso, não os atingirá, mesmo que o balde venha a ser elevado sobre nossas cabeças.

Como parece praxe no País, ninguém está preocupado em mostrar que não é malfeitor. Estão, antes e acima de tudo, preocupados em derrubar o processo. Ou protelá-lo indefinidamente. Se conseguirem anular as provas que podem condená-los, melhor. Isto agora, ao que parece, está se tornando possível e comum.

Ah, e comemoram também porque sabem que logo-logo a Constituição será mudada para suprimir aquele incômodo artigo que assegura liberdade de expressão. Não basta ter uma imprensa a favor. É preciso ter instrumentos para calar “constitucionalmente” os que insistem em suspeitar das fortunas que crescem como cogumelos no esterco. Ferramentas para fechar a boca daqueles que ousam achar que gente bem situada na vida, quando comete ilícitos, deveria pagar como pagam os pé-rapados que são pegos batendo carteiras.

O DEBATE NO DAMIÃO

Quem, como eu, não conseguiu assistir ao debate dos candidatos a prefeito da TVBV, tem uma alternativa: o Damião fez a narração, quase minuto a minuto, dos melhores momentos do debate. Lá no blog dele.

COMO ANULAR O VOTO?

Calma, calma, não vou começar nenhuma campanha pelo voto nulo. Mas, estimulado pela colega (colunista e blogueira) Lúcia Hippolito, acho que está na hora de falar sobre isso.

Lúcia publicou ontem uma nota justamente com o título “Ensinando a anular o voto”. E trata do assunto, que é tabu em algumas rodas, com grande clareza:
“Acontece que, no Brasil, o voto é obrigatório. Por isso mesmo, precisamos pensar também naquelas pessoas que querem votar em branco ou anular o voto.”
Claro, assim como o cidadão tem o direito de votar em quem quiser, tem também o direito de comparecer à urna e não votar. E a Lúcia explica o principal, que é o peso que votos brancos e nulos podem ter numa eleição proporcional (não existe aquilo de anular eleição votando nulo):
“Na eleição para vereador, que é uma eleição proporcional, vários vereadores são eleitos. E para isso é preciso calcular o quociente eleitoral.

E como é que se calcula isso? Divide-se o número de votos válidos, isto é, fora brancos e nulos, pelo número de cadeiras em disputa. Assim, se uma determinada cidade vai eleger 50 vereadores, por exemplo, divide-se o número de votos válidos por 50. O resultado é o quociente eleitoral, mínimo que um candidato tem que atingir para ser considerado eleito.

Por isso, uma grande quantidade de votos brancos e nulos diminui o quociente eleitoral, permitindo a eleição de vereadores com um número menor de votos.
A situação contrária, ou seja, de poucos votos nulos e brancos, eleva o quociente eleitoral, exigindo um número maior de votos para considerar vitorioso um candidato a vereador.”
Entenderam? Muito voto nulo e branco facilita a vida dos candidatos, pouco nulo e branco dificulta um pouco mais.

Ela acha (e eu concordo), que a Justiça Eleitoral deveria ser isenta o suficiente para também ensinar o eleitor a votar em branco e anular o voto. Na urna eletrônica tem uma tecla pra votar em branco. Mas o voto nulo é desencorajado. Quando se digita um número inexistente, aparece uma mensagem de “Número incorreto, corrija seu voto”. E tanto um quanto outro são manifestações legítimas do eleitor.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

ISTO É QUE É LAMA!

Está no blog do Ricardo Noblat uma denúncia fortíssima contra o governador do Amazonas, feita pela esposa de um amigão dele (o governador é padrinho da filha do casal), que informa sobre negociatas, ameaças de morte e um cardápio variado de malfeitos. Em texto e vídeo. Impressionante.

Clique aqui para ir pra lá.

[Se o link direto tiver algum problema ou pedir registro, entre na página principal, aqui, e procure a nota “Mulher denuncia sociedade suja entre o marido e braga”]

Justiça anula escutas da Operação Influenza

Recebi há pouco a nota abaixo, da assessoria de imprensa da Justiça Federal. Ainda não sei direito o que realmente significa. Mas dá pra entender que há aí algum conflito grave (“afronta à garantia constitucional do Juiz Natural”) e sempre que alguma prova, em qualquer inquérito, é tornada sem efeito, alguém comemora enquanto outros choram. E vice-versa.

“A Justiça Federal decretou a nulidade das provas da Operação Influenza obtidas por meio de interceptação telefônica entre 9 de agosto e 19 de novembro de 2007, período em que inquérito esteve em trâmite na Justiça do Estado de Santa Catarina em Itajaí. A juíza Ana Cristina Krämer, da Vara Federal Criminal de Florianópolis, entendeu que o direito ao devido processo legal foi violado porque não houve, no âmbito da Comarca de Itajaí, protocolo e distribuição dos pedidos de interceptação às varas criminais da Comarca.

“Não se trata de vício formal, mas de verdadeira afronta à garantia constitucional do Juiz Natural, corolário da parcialidade do Juiz e fundamental para o Estado Democrático de Direito”, afirmou a juíza. Na sentença, a magistrada explica que o primeiro pedido de interceptação poderia ter sido decidido sem prévia distribuição; os demais, relativo aos pedidos de prorrogação e novas quebras de sigilo, não poderiam ter dispensado a distribuição por sorteio.

A sentença foi proferida hoje (25/9/2008) em habeas corpus impetrado em favor de Mario Andrey Bertelli, que teve o seu indiciamento suspenso na mesma decisão. A juíza remeterá o habeas ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, para confirmação da sentença. Até o julgamento pelo Tribunal, a sentença não gera efeitos.

Na sentença, ainda, foi indeferido o pedido de trancamento do Inquérito Policial, porque “o reconhecimento da ilicitude de parte da prova não leva, necessariamente, à invalidade do Inquérito Policial”, que dependerá de decisão a ser proferida naqueles autos, após manifestação do Ministério Público Federal.”

TARDE SOFT

A tarde, por aqui, será meio paradona. Não percam tempo: façam visitas aos blogs que estão anotados ali na coluna da direita.

Ou ouçam um pouco de jazz e suas circunstâncias, aqui, na jazz24.org, a melhor rádio de jazz de Tacoma,WA ou aqui, na melhor rádio de jazz aqui de casa, no blip.fm (clica play na primeira música e deixa rolar, que vão tocando as seguintes automaticamente).

Volto lá pelas seis e pouco.

MINISTÉRIO PÚBLICO ONLINE

Falei, numa das notas abaixo, que encontrei os extratos de investigação do Ministério Público no Diário Oficial do Estado. Um leitor, muito educado (nem me chamou de anta ou de bananão desinformado e/ou distraído), avisa que o Ministério Público coloca suas informações na rede. Ao contrário do governo do estado, que não consegue fazer o DOE sair do papel.

Aqui, na área de publicações oficiais do site do MPE, tem um diário eletrônico oficial em pdf, que pode ser acessado de qualquer computador. Na verdade é semi-oficial porque lá se informa que aquele material não substitui a publicação no DOE de papel.

Tecnicamente, a reprodução em pdf já é alguma coisa, mas ainda não é o melhor dos mundos (não é fácil fazer pesquisa de conteúdo, por exemplo). Mas para quem precisa ou quer manter-se informado sobre o que os procuradores estão investigando o que o Ministério Público tem feito, é bem útil.

Já que vocês são tão sabidos, digam lá: quais os estados brasileiros em que o DOE ainda não tem uma versão online funcionando normalmente?

HOJE É DIA DO RÁDIO!

Graças à lembrança da “Primeira comunidade on-line de apaixonados por rádio e televisão do Brasil” – a turma do portal “Caros Ouvintes” – fiquei sabendo que hoje é o dia da radiodifusão.

Se você gosta de rádio e ainda não conhece aquele pessoal, tem que ir, urgente, até lá. Vai encontrar montões de coisas interessantes: história, reminiscências, causos, informações, tudo, como diz o lema da comunidade, de e para “apaixonados por rádio e televisão”.

E agora, num oferecimento do Pudim Medeiros, Sorveteria Cocota, balas Rocôco, clube Paineiras, A Modelar e tantos outros, uma pequena homenagem a todos aqueles e aquelas que surfam (ou surfaram) nas ondas hertzianas e navegam (ou navegaram) em direção aos corações e mentes dos ouvintes. Sem escalas.


É DURA, ESSA VIDA DE PRESIDENTE...

Lula na ONU, em Nova Iorque, todo sorrisos, entre as sorridentes presidentes da Argentina (e) e do Chile (d). Foto: Ricardo Stuckert/PR.

“DOE” A QUEM DOER (ui!)

RECORTES DO DIÁRIO OFICIAL-SC – Nº 18.441 – 8/9/2008 (SEGUNDA-FEIRA) – PÁGINA 21

O Diário Oficial do Estado (DOE) tem uma novidade muito interessante: a Procuradoria-Geral de Justiça (Ministério Público) está publicando os extratos dos inquéritos civis que inicia (novidade pra mim, pelo menos, que não tinha visto antes).

Não tem aquelas ocasiões em que alguém pergunta “será que o Ministério Público está investigando?” ou mesmo sugere que “o Ministério Público deveria investigar isso”? Pois é, com os extratos dá pra saber em quais abelheiros o MP começou a mexer, provocado por quem e qual o Promotor de Justiça responsável pelo caso.

Os mais afobadinhos precisam tomar cuidado, porque o que está ali não significa quase nada, em termos de saber se existe irregularidade: trata-se apenas do registro de que a coisa será investigada. Poderá se acabar descobrindo, ao final da investigação, que estava tudo certo. E nem justificar uma denúncia. Ou, ainda, o juiz poderá não aceitar as razões do Promotor.

Ficou claro? A informação que está no DOE só ajuda a gente a saber o que o MP está fazendo. Mas, em alguns casos, já é bom saber que alguém vai, pelo menos, examinar a coisa.

Dei uma olhada em dois números do DOE, o do dia 8/9 e do dia 16/9. Além dos inquéritos que aparecem acima, em fac-símile, tem vários outros bem interessantes. No dia 16, tem o extrato nº 047/08, cujo objeto são possíveis irregularidades em licitações, contratos, convênios e atos jurídicos análogos – relativos ao ano de 2004 – ocorridas no âmbito da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional da Grande Florianópolis. E o requerente é o Tribunal de Contas do Estado.

Que demora, né? Só agora começam a investigar suspeitas sobre atos praticados em 2004. Bom, antes tarde do que nunca.

Outro inquérito civil que demorou (alguns dos fatos que examinará ocorreram em 2003), mas finalmente começou agora, dia 28/8, foi o nº 128/08. Visa apurar possíveis irregularidades na realização de contratos entre a Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão e a empresa Praxis Feiras e Congressos Ltda. O requerente foi o jornalista Gonzalo Pereira.

O único problema é que o DOE continua sendo divulgado apenas na sua versão impressa, com poucos exemplares, de difícil acesso. Dizem que é inevitável, que a pressão por maior transparência vencerá a resistência do governo em colocar o DOE na internet. Mas, por enquanto, nada.

JORNALISTAS APROVADOS

Aquela mesma pesquisa CNT/Sensus que deu ao Governo Lula a impressionante avaliação positiva de 68,8% (e a negativa em 6,8%), mediu outras coisas.

Um dos dados importantes que, no entanto não tiveram qualquer repercussão, foram aqueles relativos aos jornalistas. A pesquisa CNT/Sensus constatou que 74,3% da população aprovam o diploma para jornalismo e 74,8% defendem a criação de um conselho federal para a categoria. Foram ouvidas duas mil pessoas em todo País na semana passada, em 136 municípios.

A informação foi passada pelo presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, o catarinense Sérgio Murillo de Andrade. E não sairá nos jornalões pelas mesmas razões pelas quais o diploma e o Conselho têm sido bombardeados sem dó nem piedade há décadas.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

TORCIDA LÁ E CÁ

A gente acha engraçado quando os fãs do Dário ficam dizendo que ele vai ganhar no primeiro turno. É um pouco forçar a barra, um pouco propaganda e muita fé na DuPont. Mas também não deixa de ser engraçado ver a turma contra o Dário falar que o Djalma, em São José, “vai mal”, que está “a perigo” e que foi por isso que a líder política da família, a D. Rose, acompanhada pelo marido, esteve lá. Pra dar “uma força”.

Não é isso que mostra a pesquisa Mapa, divulgada hoje: Djalma está na frente, com 27,6% e os demais candidatos, mais ou menos embolados, entre 13 e 17,3%. Até na pesquisa espontânea (em que não se mostram nomes ao entrevistado), ele aparece na dianteira, com 22,6%.

É claro que o quadro pode mudar (afinal pesquisa é pesquisa e eleição é eleição), principalmente porque o número de indecisos detectados pelo Mapa ainda é grande. Mas daí a dizer que ele “está mal” é uma bobagem tão grande quanto aquela outra, de que “não teremos segundo turno na capital”.

[A pesquisa que citei acima foi contratada pela Associação Empresarial da Região Metropolitana de Florianópolis (Aemflo-CDL-São José) junto ao Instituto Mapa, sobre intenção de voto no município de São José (registro 98.548/2008). Tem mais alguns dados no blog do Damião]

ATUALIZAÇÃO DA NOITE

Tanto a leitura enviezada das pesquisas quanto os boatos que surgem agora, na reta final, fazem parte das campanhas e visam justamente aquela parcela mal informada ou insegura dos eleitores. Ninguém, dos observadores veteranos da cena política com quem conversei hoje, concorda que a eleição em Florianópolis se resolva no primeiro turno: “isso é bobagem”, disseram.

Quanto ao Djalma, acham que a coisa não está resolvida e lá na Terra Firme a casa ainda pode tremer.

BAFÃO ESQUISITO

Lembram que no último dia 19 coloquei aqui uma nota com o título “A lista tríplice de um nome só”? Pois é, foi escrita a partir de uma carta assinada por três procuradores do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina: Carlos Humberto Prola , Cibelly Farias e Diogo Roberto Ringenberg. Eles também trataram de dar a maior divulgação possível à missiva, que foi enviada para jornalistas e diversas entidades, Brasil afora.

Pois bem, pra começo de conversa, o texto não cita uma informação fundamental: são quantos procuradores nessa repartição aí? Quando o texto fala na história da lista tríplice, a gente fica pensando que são vários. Que há muita escolha. Donde o título que dei à minha nota. Pois fiquei sabendo ontem que são, no total, cinco procuradores. Os três signatários foram admitidos mais recentemente e os outros dois já estavam há mais tempo. Ora, dos cinco um era o procurador-geral que seria substituído. Então, para escolher o sucessor, são quatro possibilidades.

Como o “colégio eleitoral” era mínimo, e sempre foi mais ou menos assim, as “listas” sempre tiveram um nome. Aí os três propuseram que se adotasse a lei orgânica do Ministério Público Estadual, mas apenas naquilo que se refere à votação plurinominal (cada um vota em três nomes). Mas não queriam o restante da norma, que estabelece dez anos de experiência para o cargo. O procurador-geral achou que era um jeitinho meio esquisito usar apenas uma parte de uma lei de outro órgão. Criado o impasse, fez uma consulta ao MPE e decidiu fazer como foi feito das outras vezes.

Suspeita-se, então, que resolveram botar a boca no trombone contando, da missa, a metade deles, porque teriam ficado inconformados com o fato da coisa não ter dado certo: numa votação plurinominal, num colégio eleitoral de cinco pessoas, estando aliados, como estão, os três comporiam a lista tríplice e um deles seria o procurador-geral. Como o então procurador-geral não topou “dar um jeitinho”, virou algoz. E o outro, que agora é o procurador-geral, tornou-se o alvo solidário das “denúncias”. Um clima de bafão, em que fica difícil saber direito onde está o direito.

O que é mais interessante é que, segundo informa a coluna Bon Vivant, do Leo Coelho, publicada dia 12 de setembro, essa “nova geração” entrou justamente para acabar com o “jeitinho”. Leia, abaixo:
Com Classe

A promotora do Tribunal de Contas, Cibelly Farias, recebe convidados para comemorar seu aniversário no Costão Golf. Ela entrou para a memória Catarinense como sendo a primeira mulher brasileira a acessar um cargo do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas de um estado, por meio de concurso público. A nova geração de promotores se notabiliza pela vontade de acabar com o velho "jeitinho brasileiro", que assola as instituições brasileiras.”
Ah, não se espantem com isso de Costão Golf. Afinal, eles têm salários superiores a R$ 20 mil e é natural que usufruam dele como lhes aprouver. Claro que os procuradores da República, que estão com o Costão Golf atravessado na garganta (ou seria o contrário?), não devem achar muita graça, mas esta é outra história.

[A íntegra da nota dos três procuradores está aqui]

NO PÉ DO ORLANDO

Primeiro foi o Coturno Noturno, que levantou a bola. Agora o Cláudio Humberto deu mais um toquinho: o ministro Orlando Silva, dos Esportes (PCdoB), teria cometido crime eleitoral ao usar uma viagem administrativa oficial a Florianópolis (paga por nós) para cumprir compromissos eleitorais, como gravar participação no programa de sua candidata, por exemplo.

E hoje o Coronel volta ao assunto, chamando a atenção pro fato de até agora a imprensa “chapa branca” não ter tocado na coisa.

Com a revoada de ministros na campanha catarinense, é bom mesmo observar se o “Código de Conduta da Alta Administração”, editado pelo próprio governo, está sendo cumprido.

Aliás, por falar nisso, se a gente tivesse tempo e mão-de-obra, até poderia investigar também o que os secretários de estado e outras autoridades estaduais fazem nas suas viagens, em época de campanha e fora delas: alguns vão ao interior, cumprem uma agendinha oficial de nada (rápida visita ao prefeito, por exemplo) e depois tratam de assuntos de seus partidos. Há casos em que, na viagem “oficial”, financiada com dinheiro público, quinze minutos são para assuntos... vá lá, administrativos e três horas para resolver (ou criar) pendengas no diretório municipal.

ANTIADERENTE POLÊMICO

Nem queriam saber, aquela história de trazer um pouco de ciência e cultura a esta coluna, explicando o que era um candidato Teflon®, deu o maior rolo.

Tal e qual as torcidas dos times de futebol em dia de jogo de campeonato, as torcidas dos candidatos, à medida em que se aproxima o dia da eleição, vão ficando nervosas e de mau humor.

Esqueci de falar, ontem, que o fato de ser protegido por uma camada antiaderente é, de certa forma, uma qualidade. E que o candidato não tem nada que se envergonhar dessa propriedade, ao contrário.

Uns torcedores mais exaltados do Dário vestiram a carapuça (de Teflon®) e encheram minha caixa postal de comentários. Os mais simpáticos me chamavam de “jornalista Teflon®”. Naturalmente tentando me ofender. Mas como considero o uso dessa película um avanço tecnológico em prol do bem-estar da humanidade, acabei foi ficando lisonjeado.

Outros, depois de xingar minha falecida mãe e dizer várias coisas impublicáveis, terminavam com uma espécie de grito de guerra: “os cães ladram e caravana passa”. Claro, uma caravana coberta de Teflon® desliza com facilidade pelos ambientes mais inóspitos.

E tinha aqueles que falavam, falavam, falavam, depois diziam que não deveriam dar atenção a “um jornalistinha que não tem mais que seis leitores”. Novamente, acho que queriam me ofender, mas acabaram me lisonjeando mais uma vez: afinal, se mesmo tendo apenas seis leitores dedicam tanto tempo e esforço pra me desqualificar, então é porque esses seis leitores são muito especiais. Provavelmente formadores de opinião.

Ah, isso de seis leitores é mentira: fiz as contas e só de primos tenho nove. Filhos (que eu saiba) três, mulher oficial, pelo menos uma e mais a pobre da revisora do jornal, que lê a coluna por obrigação, já temos aí uns 14 leitores. Se duvidar, é capaz de chegar a 20!

Em todo caso, espero que ninguém deixe de votar num candidato só porque sua popularidade não se abala com o que os adversários dizem ou anunciam. Cada um sabe de si e acredito que sejamos todos suficientemente espertos para poder avaliar o custo-benefício das nossas decisões eleitorais.

O QUE LULA DISSE NA ONU


O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, falou ontem na abertura do debate geral da 63ª Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque (o Brasil sempre faz a abertura). Na platéia, representantes de todos os países do mundo.

Li o texto com olhar curioso, para saber o que diz aquele que fala em nosso nome. E foi um discurso muito interessante. Como o espaço é pequeno, trago para cá apenas o começo e o final, dois dos pontos altos:
“Esta Assembléia realiza-se em um momento particularmente grave. A crise financeira, cujos presságios vinham se avolumando, é hoje uma dura realidade. A euforia dos especuladores transformou-se em angústia dos povos após a sucessão de naufrágios financeiros que ameaçam a economia mundial.

As indispensáveis intervenções do Estado, contrariando os fundamentalistas do mercado, mostram que é chegada a hora da política. Somente a ação determinada dos governantes, em especial naqueles países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem que se instalou nas finanças internacionais, com efeitos perversos na vida cotidiana de milhões de pessoas.

A ausência de regras favorece os aventureiros e oportunistas, em prejuízo das verdadeiras empresas e dos trabalhadores. É inadmissível, dizia o grande economista brasileiro Celso Furtado, que os lucros dos especuladores sejam sempre privatizados e suas perdas, invariavelmente socializadas.

O ônus da cobiça desenfreada de alguns não pode recair impunemente sobre os ombros de todos. A economia é séria demais para ficar nas mãos dos especuladores. A ética deve valer também na economia. Uma crise de tais proporções não será superada com medidas paliativas. São necessários mecanismos de prevenção e controle, e total transparência das atividades financeiras.

Os organismos econômicos supranacionais carecem de autoridade e de instrumentos práticos para coibir a anarquia especulativa. Devemos reconstruí-los em bases completamente novas. Dado o caráter global da crise, as soluções que venham a ser adotadas deverão ser também globais, tomadas em espaços multilaterais legítimos e confiáveis, sem imposições. Das Nações Unidas, máximo cenário multilateral, deve partir a convocação para uma resposta vigorosa às ameaças que pesam sobre nós.

(...)

O Muro de Berlim caiu. Sua queda foi entendida como a possibilidade de construir um mundo de paz, livre dos estigmas da Guerra Fria. Mas é triste constatar que outros muros foram se construindo, e com enorme velocidade. Muitos dos que pregam a livre circulação de mercadorias e capitais são os mesmos que impedem a livre circulação de homens e mulheres, com argumentos nacionalistas, e até fascistas, que nos fazem evocar, temerosos, tempos que pensávamos superados.

Um suposto “nacionalismo populista”, que alguns pretendem identificar e criticar no Sul do mundo, é praticado sem constrangimento em países ricos. As crises financeira, alimentar, energética, ambiental e migratória, para não falar das ameaças à paz em tantas regiões, demonstram que o sistema multilateral deve se adequar aos desafios do século XXI. Aos poucos vai sendo descartado o velho alinhamento conformista dos países do Sul aos centros tradicionais.

(...)

O Brasil de hoje é muito distinto daquele de 2003, ano em que assumi a Presidência do meu país e em que, pela primeira vez, compareci a esta Assembléia Geral. Governo e sociedade deram passos decisivos para transformar a vida dos brasileiros. Criamos quase 10 milhões de empregos formais. Distribuímos renda e riqueza. Melhoramos os serviços públicos. Tiramos 9 milhões de pessoas da miséria e outras 20 milhões ascenderam à classe média. Tudo isso em um ambiente de forte crescimento, estabilidade econômica, redução da vulnerabilidade externa e, o que é mais importante, fortalecimento da democracia, com intensa participação popular.

No ano em que celebramos o centenário do grande brasileiro Josué de Castro, o primeiro diretor-geral da FAO e um dos pioneiros da reflexão sobre o problema da fome no mundo, vale a pena recordar sua advertência: “Não é mais possível deixar-se impunemente uma região sofrendo de fome, sem que o mundo inteiro venha a sofrer as suas conseqüências.” Tenho orgulho de dizer que o Brasil está vencendo a fome e a pobreza.

Reitero o otimismo que expressei aqui há cinco anos. Somos muito maiores do que as crises que nos ameaçam. Dispomos de sentimento, razão e vontade para vencer qualquer adversidade. Esse, mais do que nunca, é o espírito dos brasileiros.”
Leia a íntegra do discurso aqui.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

ESSE JOÃO RODRIGUES É UM PÂNDEGO

O prefeito licenciado de Chapecó, candidato à reeleição, João Rodrigues (DEM), é mesmo um incorrigível brincalhão. Não pode ver uma câmera ligada que fica fazendo micagens. Ora, fala em cobrar comissão na compra de um caminhão, ora faz top-top (como aquele o grande ideólogo petista), ora completa frases com xistes e facécias. Não existe tema sobre o qual o alegre candidato não faça brincadeira. Parece uma coisa que está fora de controle.

Depois daquele vídeo onde ele brincou com o caminhãozinho, o PT colocou no ar outros fragmentos de gravações com novas e impagáveis brincadeiras. Como disse amigo meu, de Chapecó, “ele faz as brincadeiras e a gente é que fica com cara de palhaço”.

Abaixo, o vídeo mais recente, que fui buscar no You Tube depois de ter visto no jornal Impacto.

MOMENTINHO, SIM?

Vou ali e já volto. Já voltei.

Por isso, durante a tarde é possível que os comentários fiquem represados e que não tenha muita novidade por aqui. Mas assim que tiver condições, retorno ao posto. Até já.

EU E MEU VOTO

Volta e meia libero uns comentários de criaturas que acreditam que, se eu não pareço ser “a favor” do Dário ou do LHS, então devo ser “a favor” do Amin.

Não sei que parte daquela frase (do Millôr) que digo sempre eles não entenderam: “imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”.

O jeito de testar a coerência desta afirmação é esperar que, um dia, algum dos políticos que hoje faz oposição seja governo. Esta coluna continuará onde sempre esteve e fará o que sempre fez: olhar critica e desassombradamente para o Poder.

E quanto ao que realmente parece interessar a esses comentaristas que não gostam que seu candidato seja vitrine, vidraça e telhado (talvez preferissem que estivesse “na oposição”, sem mandato, mas também sem fiscalização), ainda não sei em quem vou votar. E em toda eleição é mais ou menos a mesma coisa. Às vezes só decido no dia mesmo, num tête-a-tête com Dona Lúcia na mesa do café da manhã, antes de sair para votar. Acho que vocês também já perceberam que o papel da família e dos amigos na escolha do candidato é fundamental.

É uma decisão difícil. E ao contrário do que parecem acreditar os fãs do Dário, que me colocam apenas duas escolhas, existem várias opções. Gosto de pensar que, quanto àquelas histórias de obras, projetos e promessas, não há grandes diferenças. As coisas acabam sendo feitas, independentemente de quem esteja no cargo. Então, essa parte do horário político gratuito não me impressiona. Mas parece evidente que existem diferenças no jeito que cada um e cada uma vê o mundo. E no modo como constroem suas carreiras.

E por falar em indefinições, outro dia encontrei o deputado Edison Andrino (PMDBdaL), a quem conheço há muitos anos, e perguntei, só pra provocar: “e aí, como vai o teu candidato?” Ele parou uns segundos, certamente pensando como responderia à pegadinha. E disse, rindo: “não tenho candidato... mas talvez tenha candidata”. É claro que não se trata de uma declaração de voto, mas é, sem dúvida, uma demonstração que até dentro dos partidos há quem, por inúmeras razões, ainda esteja pensando no que fazer.

Enquanto isso, continuo metendo o bedelho onde não sou chamado e correndo o risco de ser confundido com simpatizante deste ou daquele. Coisas da vida.

NEW YORK, NEW YORK!

Presidente Lula e comitiva ontem, durante lançamento da nova campanha publicitária “Brasil Sensacional”, em Nova Iorque, EUA. Molecagem sobre foto do Ricardo Stuckert/PR. E aí, vocês sabem o nome dos ministros que aparecem na foto junto com o governador da Bahia e a presidente da Embratur? Hoje de manhã Lula dirá, na ONU, que o Bush devia ter tomado mais cuidado, pra evitar a crise.

O CANDIDATO TEFLON®

MAIS UM ESCORREGADIO CURSINHO DE PSEUDO-CIÊNCIA POLÍTICA DO TIO CESAR

A história do Teflon® começa em 6 de abril de 1938, no Laboratório Jackson, da DuPont, em Nova Jersey, EUA. O químico Dr. Roy J. Plunkett, da Du Pont, estava trabalhando com gases relacionados com o resfriador Freon®, que é outro dos produtos da empresa. Ao conferir uma amostra comprimida e congelada de tetrafluoretileno, o Dr. Plunkett e seus companheiros descobriram que a amostra tinha polimerizado espontaneamente, formando um politetrafluoretileno (PTFE).

O PTFE é inerte a virtualmente todos os químicos e considerado o material mais escorregadio existente. Essas propriedades o tornaram uma das tecnologias mais versáteis e valiosas já inventadas, contribuindo para avanços importantes nas áreas aeroespacial, comunicações, eletrônica, processo industrial e arquitetura.

A marca Teflon®, registrada pela DuPont em 1945, tornou-se um nome familiar nos lares do mundo todo, pelas suas propriedades anti-aderentes, associadas ao seu uso como revestimento de panelas e frigideiras e como proteção anti-manchas em tecidos e produtos têxteis.

O Dr. Roy Plunkett, falecido em 1994, é reconhecido pela comunidade científica internacional como um dos grandes inventores de todos os tempos, equiparado, por exemplo, a Thomas Edison e Louis Pasteur.

UM NOVO USO
No Brasil, a imprensa irreverente e desrespeitosa tem usado a marca Teflon® para identificar aqueles candidatos a cargos eleitorais que parecem ter sido recobertos pela prodigiosa película anti-aderente.

Quando um candidato, em plena campanha, recebe uma condenação do Tribunal de Contas da União e é obrigado a devolver R$ 500 mil e sua popularidade não é nem arranhada com o anúncio desse malfeito, podemos suspeitar que estamos diante de um candidato Teflon®.

A comprovação, no entanto, só virá se, por acaso, uma instituição como a Associação dos Magistrados Brasileiros informar publicamente que o candidato responde a cinco processos por improbidade administrativa. Se, mesmo com esse anúncio, as pesquisas não detectarem qualquer abalo nas intenções de voto, então, definitivamente, temos aí uma ampla cobertura de Teflon® no candidato.

O produto, como vimos acima, é prodigioso. É imune a praticamente todos os produtos químicos e é mais escorregadio do que limo no costão. Nada gruda, nada cola e quase nada o corrói.

O candidato Teflon® pode, sem grandes preocupações, mudar de partido a cada eleição, mesmo que no País tenha ocorrido uma discussão sobre fidelidade partidária e tenham sido estabelecidas punições para os infiéis. E, já que nada acontece com ele e sua popularidade, pode até se candidatar por um partido e ir ao município vizinho fazer campanha contra o candidato de seu próprio partido. O Teflon® o protege inteiramente.


Ao contrário do polímero da DuPont, porém, esse Teflon® alegórico que certos jornalistas metidos a engraçadinhos tentam sarcasticamente aplicar sobre alguns políticos, não é completamente eficaz, embora pareça. Funciona maravilhosamente com o eleitor distraído, que gosta de votar “em quem vai ganhar”. Mas há sempre o risco do excesso de confiança provocar um desgaste súbito da película anti-aderente, com resultados imprevisíveis.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Boa noite...

SEM TESTEMUNHAS!

Vejo no blog do Moacir Pereira que aquele pedido dos advogados do LHS, para que fossem ouvidos o Thomazi e o Derly, deu em nada. O ministro recusou. Por enquanto, vai dando a lógica, no processo.

Ah, esse moribundo heterodoxo, que em vez de se arrastar resolveu correr...

É O ZENO MESMO...

Advogados de defesa espalharam, nos últimos dias, uma história de confusão de nomes, dizendo que o Zeno da Fatma tinha sido preso equivocadamente, confundido com outro Zeno (o do Instituto Mapa), que aparece nas gravações. Além de livrar o cliente, a manobra tinha, nas entrelinhas, o objetivo de lançar nuvens de suspeitas sobre a lisura da operação Dríade, que prendeu suspeitos de crimes ambientais em Biguaçu, Florianópolis e São Paulo.

Falei sobre isto na nota “Zeno? Que Zeno?”, que está mais abaixo, é só rolar a tela.

Pois a Justiça Federal resolveu esclarecer a coisa e publicou a seguinte nota:
Operação Dríade:
Nota de Esclarecimento da Justiça Federal


Acerca de informações divulgadas por meios de comunicação social, fazendo referência à suposta prisão por equívoco no âmbito da Operação Dríade, a Justiça Federal em Santa Catarina esclarece que:

1. Todas as prisões temporárias determinadas em função das investigações da Operação Dríade foram precedidas de representação da Polícia Federal e manifestação favorável do Ministério Público Federal, subscritas, respectivamente, por delegado e procurador da República competentes, e submetidas ao exame da Justiça Federal com os imprescindíveis fundamentos de direito e de fato, nestes incluídos os indícios necessários à formação da convicção da Juíza Federal que proferiu a decisão.

2. Não houve, como parecem fazer crer as informações divulgadas, erro ou indução em erro em relação ao nome e à prisão do servidor da Fundação do Meio Ambiente (Fatma) Zeno Silveira de Souza Britto. O sigilo das investigações não permite a divulgação de todas as razões indicadas pela Magistrada para decretação da prisão do servidor, todavia a ordem concedida não se firmou, exclusivamente, em determinado excerto de interceptação telefônica, que não pode, ainda, ser considerado essencial.

3. Em despacho de 18 de setembro, já prolatado no inquérito após requerimento da defesa de Márcio Luiz Schaefer, a Magistrada afirmou que:

“Quanto à alegação de que contato telefônico entre o ora investigado e outro, de nome ZENO, se trataria de um equívoco, visto que na verdade teria tido contato com o Sr. José Nazareno Vieira, vulgo, “ZENO”, e não com o investigado ZENO SILVEIRA DE SOUZA BRITTO, necessário registrar que a prisão temporária não foi decretada com base apenas neste excerto das transcrições telefônicas, mas sim com base em todo um conjunto de informações colacionadas nos autos do inquérito até o momento, conforme salientado pelo Ministério Público Federal. Tal alegação, assim, não tem os efeitos pretendidos.”

4. A alegada conversa mantida entre uma das pessoas cuja prisão foi decretada e terceira estranha às investigações, esta supostamente confundida com Zeno Silveira de Souza Britto, sequer é citada pelo Desembargador Federal que concedeu o habeas corpus. O magistrado de segundo grau entendeu, simplesmente, que a segregação já havia cumprido sua finalidade, idêntico fundamento esposado para concessão da liberdade a outros presos.

Florianópolis, 22 de setembro de 2008
Justiça Federal em Santa Catarina – Seção de Comunicação Social

O OUTRO LADO DA VALA

A Inplac e Fernando Marcondes de Matos vão publicar, no DC de amanhã, uma nota de esclarecimento. O texto já pode ser lido no blog do Moacir Pereira.

Trata-se de uma detalhada exposição da atuação da empresa em Biguaçu, naturalmente tentando mostrar que seu envolvimento na operação Dríade foi um equívoco. Vale a leitura. Mesmo porque é fundamental ouvir o que todos têm a dizer.

TAXISTA NO PREJUÍZO?

Até onde entendi, esse “acordo” da Abrasel para que os taxis dêem desconto aos clientes de bares e restaurantes à noite, está capenga e tem tudo para não funcionar.

Ponham-se no lugar dos taxistas: por que devem dar desconto (e arcar com essa redução) aos clientes na night? Não faz sentido convocar os taxistas para que eles levem um prejuízo. Das duas, uma: ou os taxis vão fugir das redondezas dos bares, ou simplesmente não vão dar o desconto.

O que deveria ser feito pra coisa funcionar? O bar ou restaurante, ou a Abrasel, teria que pagar a diferença ao taxista. Ora, se o cara faz o favor de ajudar a manter a clientela aparecendo em tempos de lei seca, é justo que não tenha prejuízo.

Cada cliente conduzido poderia pagar menos, como forma de estimular o uso do taxi, mas o taxista receberia como uma corrida normal. Parte do passageiro, parte da instituição que teve a idéia de fazer mesuras com o chapéu alheio.

E nem é preciso muita inteligência pra bolar uma coisa que funcione. Basta dar uma chegadinha a São Paulo e ver como a turma da Vila Madalena está tratando os clientes (que escassearam): a pão de ló. E não tem essa de obrigar taxista a perder dinheiro. Ao contrário: abriram-se novas oportunidades de trabalho e renda. Tem até serviço para levar o carro em casa, daqueles que beberam demais.