quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Quarta

O MAPA DOS CABIDES
O Ministério Público de Santa Catarina divulgou, ontem, um estudo sobre o emprego de parentes nos municípios catarinenses. Dos 293 municípios, há casos de nepotismo em cargos comissionados ou terceirizados em 258 prefeituras. No legislativo (as câmaras de vereadores), como tem menos emprego, a situação se inverte: na maioria dos municípios as câmaras não empregam parentes dos vereadores. Abaixo, os mapas do emprego da parentada. O litoral não fica muito bem na foto.

E AGORA?
O Procurador-Geral de Justiça vai encaminhar as informações aos Promotores de Justiça das respectivas comarcas, para que sejam tomadas as providências (ajustamento de conduta, ações civis públicas e projetos de lei anti-nepotismo). A íntegra do diagnóstico, com mapas e tabelas, pode ser lida no site www.mp.sc.gov.br (portal do Ministério Público estadual).

“MAS ELES SÃO COMPETENTES!” – Acima, nos municípios mais claros, o MPSC não encontrou nenhum caso de nepotismo no Poder Executivo. Abaixo, é o mesmo mapa, só que com a região de circulação do DIARINHO ampliada (e para ampliar ainda mais os mapas, é só clicar sobre eles). Nele só cinco prefeituras não empregam parentes.

Aqui a mesma coisa dos mapas anteriores, só que em relação ao Poder Legislativo municipal. Nos municípios pintados de alaranjado escuro, tem nepotismo nas câmaras de vereadores. Itajaí, por exemplo, tem parentes empregados nos dois poderes.

[Nota do editor: Na primeira versão deste post havia um erro num dos números do gráfico do poder executivo (onde está 35 eu tinha colocado 19!). Já foi feita a correção (às 11:57). Os números anteriores não mudavam o quadro geral, mas este novo engano demonstra, definitivamente, que estou mesmo com a cabeça nas nuvens (ou gagá, como constato na nota abaixo). Uma outra mudança, nos números do legislativo (passaram de 47/246 para 46/247), foi para corrigir um equívoco do próprio Ministério Público (não sou só eu que erro, hehehe). Desculpem]
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TIO CESAR TÁ GAGÁ!
Na coluna de ontem mostrei uma simpática igrejinha e, no jornal, disse que ela ficava em “Santo Antônio do Rio Vermelho” (notei quando coloquei o texto aqui no blog e corrigi, mas àquela altura o jornal já estava sendo impresso)! Ora, isto é um disparate sem tamanho, por vários motivos: primeiro, porque este lugar não existe na Ilha de Santa Catarina. Existe Santo Antônio de Lisboa, que é onde fica a igreja. E existe Rio Vermelho ou São João do Rio Vermelho. Não são próximos e não faço a menor idéia por que misturei os dois.

O pior (e mais chato) é que eu me casei naquela igreja (em 1977) e, portanto, não poderia ter trocado o nome. Pra completar, a foto foi tirada agora, no domingo e não daria tempo para “esquecer” o nome. Perdão, leitores.

O QUE O RONÉRIO & O CÉSAR SOUZA Jr TÊM EM COMUM?
O prefeito de Palhoça e presidente da Associação dos Prefeitos do PMDB, Ronério Heiderscheidt e o novíssimo deputado César Souza Júnior (PFL), embora em partidos quase opostos (pelo menos é o que parece, na região) e aparentemente sem muita coisa em comum, agora dividem irmãmente a mesma assessora de imprensa.

A animada e folclórica Valquíria Guimarães, famosa nas redações pelos seus e-mails (“não são a cara do Ronério?”), agora está atendendo aos dois senhores. Das máquinas da Assembléia dispara e-mails sobre o César (“que está com a bola toda!”) e, da prefeitura mesmo, manda o material político do prefeito (isso de separar administração pública e atos políticos é coisa de gente desocupada, a Valquíria não deve ter tempo pra essas miudezas).

O que teria levado o César Jr, que é de geração diferente, de partido diferente e (espero!) de escola diferente, a usar a mesma assessora do Ronério, que produz o material de um e de outro exatamente da mesma maneira folgazã, como se fossem dois políticos iguais? Será que é contenção de despesas? Ou será que os dois estão mesmo mais próximos um do outro do que nós, tolos e ingênuos, achamos que estão?

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Terça

OS FIOS E AS ÁRVORES
A av. Rio Branco, em Florianópolis (fotos acima), é uma das poucas que ainda mantém suas árvores. O pessoal da Celesc tem uma certa raiva das árvores, porque atrapalham seus postes e fios. Mesmo que, em alguns casos, as árvores tivessem chegado primeiro. Na Rio Branco, eles fazem uma poda maluca, que vai abrindo uma espécie de túnel do meio das árvores para os fios. Como não sou otimista, já sei quem perderá essa batalha. Daqui a pouco, ou as árvores morrem por causa das podas mal feitas, ou eles encontram uma forma de derrubá-las. E postes e fios, vocês sabem, não fazem sombra nem refrescam o ar. Mas tem gente que acha o máximo uma cidade toda espetada e com aquela fiarada horrorosa tapando a paisagem.

MALANDRÔ FRANÇAIS
Às vezes a gente imagina que só no Brasil tem malandro e só aqui os turistas passam maus bocados na mão de gente sem escrúpulos.

Casal amigo esteve há poucos dias em Paris e foi comprar uns perfuminhos numa das lojas da afamada rede Sephora (lê-se Ceforrá). São lojas grandes, muito bem conceituadas, tipo assim “último lugar do mundo” onde se imagina que a história a seguir poderia acontecer.

Feitas as compras e o pagamento no caixa, meu amigo pegou os pacotes (nem era tanta coisa assim) e a poucos passos do caixa deu pela falta da carteira. Voltaram imediatamente ao caixa, perguntando pela carteira, que poderia ter ficado sobre o balcão, ou caído por ali.

Até este momento, conseguiam se entender perfeitamente com a moça do caixa e demais funcionários em inglês. A partir da menção do desaparecimento da carteira, ninguém mais falava inglês e não entendiam o que meus amigos estavam perguntando.

Com a confusão, veio o segurança e nada de ninguém saber de nada. Até que minha amiga, brasileira, esperta, começou a espiar por dentro do balcão da caixa e viu a carteira, assim meio escondidinha atrás do teclado do computador. Fez um escarcéu, o segurança pegou a carteira, abriu e tinha uma foto dos dois, impossível duvidar de quem era a carteira.

A partir daí, o segurança começou um rosário de pedidos de desculpas e todos meio sem jeito, mas ninguém muito surpreso. Não era, certamente, a primeira vez que isso acontecia. E sabe-se lá quantas carteiras “esquecidas” de turistas apressados não ficaram por lá, caídas descuidadamente em algum vão?

Meus amigos pensaram em chamar a polícia, mas estavam sendo esperados em Frankurt e tudo o que eles não gostariam era de arrumar para a cabeça (polícia é sempre polícia, em qualquer lugar do mundo, tanto podem estar de bom humor quanto de mau humor e a burocracia às vezes abunda) e ainda acabar perdendo o vôo.

Fica a advertência para meus leitores e leitoras, que eu sei que vivem indo pra lá e pra cá, para mais esse golpe, o da carteira que caiu pra trás do teclado na loja chique, acima de qualquer suspeita.

GENTE BOA
Mas nem todo mundo é ladrão e nem todo lugar se aproveita das distrações. Há alguns anos fui comprar um paletó numa loja, em Washington DC e, naturalmente, tirei o casaco que estava usando para poder experimentar os novos. Num momento de bobeira, acabei deixando o meu paletó “antigo”, com passaporte, cartões e dinheiro, na loja.

Só me dei conta algum tempo depois, já na rua. Voltei correndo, já contando com o prejuízo e com a chateação que é perder o passaporte.

Mas o vendedor tinha, naturalmente, guardado o paletó. E telefonou para o hotel, cujo cartão estava em um dos bolsos, deixando recado. É claro que estava tudo intacto. Ao contrário dos filmes e das lendas sobre o espirito argentário dos norte-americanos, ele não aceitou a gorjeta que eu quis lhe dar. Disse que não fizera mais que a obrigação.

Já que falamos em fios na paisagem, lá em cima, na av. Rio Branco, deixa mostrar esta igrejinha, uma das mais antigas do País, na localidade de Santo Antônio de Lisboa, na Ilha de Santa Catarina. Mais acima, uma foto de 2003, com os fios de todo tipo atrapalhando a foto. E aqui, uma foto de 2007: a prefeitura e a Celesc enterraram a fiação e liberaram a fachada da igreja. Não ficou legal?

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Sábado, domingo e segunda

CORINTIANICES
Envolvidos em rolos federais, a diretoria do Corinthians e seus associados estrangeiros resolveram apelar para o bom e generoso amigo das multidões, o compreensivo e paciente Lula.

Segundo o Juca Kfouri (no Blog do Juca), como o “nebuloso dinheiro russo” parece que está secando, Duailibi e Duprat foram ver se conseguem meter a mão no nosso dinheiro. O clube é um dos maiores devedores da Receita Federal.

Se eu fosse o Lula, não me exporia a uma situação vexatória como essa. Mas ele sabe muito bem o que faz.

SUPER SAMBÓDROMO
O PrefeitoDário e seu fiel secretário de Turismo Cavalazzi reuniram os alegres rapazes da imprensa para fazer um balanço do carnaval e entregar os chequinhos para Momo e sua corte.

Na foto acima (pra abrir uma ampliação é só clicar sobre a foto), o Ninho do Pandeiro, o cidadão samba 2007, tenta assinar o recibo dos R$ 3 mil que ele ganhou, mas o Ariel Bottaro Filho, assessor para assuntos aleatórios, ficava enfiando a mãozinha sabe-se lá pra fazer o quê.

Dário anunciou grandes obras no sambódromo, com a construção de camarotes, frisas e outras melhorias, para que aquele trambolho possa ser usado o ano inteiro e, no carnaval, renda uma graninha com o aluguel dos camarotes para os turistas riquinhos.

SINTONIA “FINA”
Acho que nunca vou entender direito a política e os políticos. O governador, que é do PMDB, disse que ia dar de presente para a prefeitura (do PSDB, mas faz parte da base do governo estadual), a Biblioteca Pública Estadual, que anda meio abandonada, porque, como todos sabem, cultura, em Florianópolis, não dá voto.

Aí, entre os que se opõem a este gesto tresloucado está ninguém menos que o presidente do PMDB na capital, ex-prefeito Édison Andrino. Pelo jeito, assim como o governador não fala com o presidente (embora PMDB e PT participem do governo federal) o presidente do PMDB da capital não é ouvido pelo governador sobre assuntos da sua região. Ou então o PMDB da capital não tem muito prestígio no palácio, porque o Andrino, em vez de falar direto com o LHS, teve que mandar recado pelo Ivo Carminatti.

As árvores e as crianças sempre acham um jeito de se entender...

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Sexta

Lula com o Governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), no gabinete do Presidente, no Palácio do Planalto (pra ver uma ampliação, é só clicar sobre a foto. Para os muito curiosos: a marca da TV é Philco).

ESSE DIARINHO…
Já disse aqui mais de uma vez: errar, todo mundo erra, mas é na hora de reconhecer ou consertar o erro que a gente vê quem tem e quem não tem caráter.

A emenda feita ontem, na primeira página do jornal, de um erro cometido anteontem na primeira página, “foi melhor que o soneto”, como disse o jornalista Alexandre Gonçalves, no blog Coluna Extra, que comentou o fato.

É por coisas como esta, que certamente não passam despercebidas ao leitor, que o DIARINHO continua crescendo em vendas e em índice de leitura.

ADEUS AN CAPITAL
Já que comecei falando em jornal, vou continuar. A RBS já definiu a data em que vai fechar o suplemento AN Capital, do jornal A Notícia: 15 de março. O caderno, que circulava diariamente desde setembro de 1995, foi um belo projeto, que agora perdeu a razão de ser: os novos donos do jornal têm outras duas publicações no mesmo mercado. Li a informação no blog do Carlos Damião.

ADEUS RÁDIO GUAÍBA
Os mais antigos, cinqüentões e sessentões decerto lembram do Correio do Povo e da rádio Guaíba. Foram os principais veículos de comunicação do Rio Grande do Sul, com grande circulação em Santa Catarina, também.

Na década de 70 a empresa faliu e, em 1986, um arrozeiro endinheirado, Renato Ribeiro, comprou a massa falida e reiniciou a publicação do jornal e manteve no ar as rádios (AM e FM) e a TV Guaíba.

Com o mesmo desprezo pela informação aos clientes e funcionários que demonstrou ao comprar o grupo, o arrozeiro vendeu a rádio e a TV, de uma hora para outra e sem qualquer anúncio oficial, para a Igreja Universal do Reino de Deus (Rede Record).

No Correio do Povo (que na fase atual circula em formato tablóide), nem uma única linha sobre o negócio.

Enquanto os catarinenses se assustam com a concentração dos meios de comunicação nas mãos da RBS, os irmãozinhos gaúchos arregalam os olhos com o avanço do Bispo Macedo sobre os espaços ainda não ocupados pela rede dos Sirtosky. Profissional e friamente, acredito que, no caso da Guaíba, dos males, a Record é o menor.

A VIDA NÃO VALE NADA
Os gritos do menino arrastado pelos bandidos ainda não silenciaram e a estupidez humana trata de, a cada dia, adicionar novas demonstrações de inviabilidade da vida em sociedade, tal como a conhecemos.

Na quarta-feira, um funcionário da prefeitura de Carazinho, RS, matou a facadas uma menina de 10 anos que não quis entregar os R$ 12,00 que carregava, fruto da venda de uma rifa.

TÁ TUDO DOMINADO
O novo presidente da Câmara quer processar jornalistas do Correio Braziliense que publicaram, antes do Carnaval, reportagem mostrando a relação entre as doações de campanha e a composição das comissões temáticas da Câmara.

Por exemplo: um deputado que faz parte da comissão de Minas e Energia, “por coincidência”, recebeu relevantes doações de empresas dessa área.

Deu o maior bafafá e reacendeu a discussão sobre a questão complicada dos financiamentos de campanha. Mas o mais interessante foi o que não foi publicado: o jornal “esqueceu” de falar na poderosa comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática.

E esta comissão tem uma característica especial: vários de seus componentes são, eles mesmos, proprietários de emissoras de rádio e TV. Ou seja, diretamente interessados em influir na legislação a respeito.

A Comissão de Educação também tem vários deputados que são donos de faculdades e escolas (como o João Matos, aqui de Navegantes). Mas a comissão de Comunicação mexe com calos muito maiores e mais doloridos.

Como lembra o Venício Arthur de Lima no site Observatório da Imprensa,
“uma rápida leitura da relação dos membros da nova CCTCI revelará que lá estão figurinhas carimbadas como, por exemplo, Eunício de Oliveira (PMDB-CE), Jader Barbalho (PMDB-PA), José Rocha (PFL-BA), Vic Pires Franco (PFL-PA) e Paulo Bornhausen (PFL-SC), com sabidas ligações com a radiodifusão”.
No Senado a coisa não é diferente, com a silenciosa criação de uma nova comissão de Comunicação, desmembrada da comissão de Educação. O presidente é o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), não por acaso suplente do ministro das Comunicações, Hélio Costa. E entre seus membros estão o bisbo Crivella, de notória ligação com a Rede Record, o radialista gaúcho Sérgio Zambiasi, apoiado pela RBS e vários outros igualmente conhecidos.

QUEM MANDA?
Os partidos políticos, no Congresso, são meras ficções, legendas de faz-de-conta. Quem manda mesmo são as várias “bancadas” formadas segundo interesses comuns.

Segundo levantamento do jornal O Estado de S.Paulo, são 113 as frentes que atuam na Câmara. As maiores e mais influentes são a bancada empresarial (120 parlamentares); a bancada ruralista (104 deputados); a bancada das comunicações ( mais de 100 participantes, com José Sarney e Fernando Collor incluídos); a bancada sindicalista (60) e a evangélica (depois dos escândalos do ano passado, voltou mais fraca só com 36 deputados). Também são poderosas as frentes da segurança, municipalista e ambiental.

Consideradas como um indicativo da fragilidade dos partidos políticos e da falência das ideologias, as frentes visam objetivos concretos, como a aprovação de determinadas leis, a alteração de certos dispositivos ou a garantia que benefícios não sejam modificados.

FORÇA BRUSQUENSE
Com a saída do Dado Cherem para ocupar a secretaria da Saúde, assume a vaga, na Assembléia Legislativa, o Serafim Venzon (PSDB), cuja base eleitoral é Brusque. Vai conviver no plenário com seu adversário Dagomar Carneiro (PDT, o homem da camisa vermelha, afilhado do Ciro Roza, prefeito de Brusque). Disputaram votos para deputado estadual naquela região e provavelmente disputarão os mesmos votos no ano que vem, ao concorrer à prefeitura.

O NOME CERTO DA AVE
Tal e qual a maioria daqueles que procuram errar menos e acertar mais, escrevi aqui, com todo cuidado, o nome de guerra do deputado Edson Renato Dias: Periquito. Afinal, é assim que se chama aquela pequena ave papagaioforme de canto estridente. Mas ele próprio, quando o encontrei semana passada, esclareceu: é Piriquito. Com i. Então tá.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Quinta

Novos radares infra-vermelhos, novos bafômetros, nada nos impedirá de levar esse genocídio estúpido às últimas conseqüências.

NOSSA GUERRA CIVIL
Vocês sabem quantas pessoas se estima que tenham morrido nas estradas, no País todo, neste feriado de Carnaval? Umas 800.

Dá pra comparar, por exemplo, com os soldados das forças de ocupação do Iraque (Estados Unidos e turma), que morreram no período de maio de 2003 a junho de 2004: foram 803. Uma semana nas nossas estradas mata a mesma coisa que um ano no Iraque.

De dezembro de 2005 até hoje, morreram 1.052 soldados no Iraque. Em Santa Catarina, em 2005, morreram nas estradas 1.920 pessoas. Sabem quantos mortos aparecem na estatística oficial do Denatran, no Brasil, em 2005 (não encontrei dados mais recentes)?

34.381 mortos em um ano!

Dá mais de 90 mortos por dia. Na única guerra de verdade onde nos metemos, a Segunda Grande Guerra, morreram cerca de 2 mil brasileiros (metade destes, militares). E para voltar à intervenção no Iraque, o número de civis iraquianos mortos desde que a guerra começou (em 2003) é estimado em cerca de 59 mil. Em um ano matamos, nas estradas brasileiras, a metade de pessoas que os americanos e seus amigos mataram em três anos ou mais.

A máquina de destruição massiva que montamos por aqui é mais eficiente, menos espalhafatosa. Conseguimos criar viúvas, órfãos e aleijados como se isto fosse um fato normal e natural da vida em sociedade.

Nas escolas, não se ensina trânsito, como se ninguém fosse andar na rua ou dirigir. As escolas de motoristas (os tais centros de formação de condutores) são, em sua maioria, umas piadas de mau gosto, caixas registradoras atreladas à vexaminosa rede de corrupção dos Detrans.

Deslizamos fagueiros sobre o sangue das milhares de vítimas que mancham nossas estradas e nossa reputação. Ninguém faz nada de muito concreto para mudar esse quadro. Educação para o trânsito, vigilância severa, punições, viram palhaçada nas nossas mãos. Não levamos a sério, só queremos que a lei funcione para os outros e sempre achamos que nada vai acontecer conosco.

MAUS MOTORISTAS
Não somos nada além de arremedos de Piquets, de Senas, de Fittipaldis, com nossas latas de cerveja, o som bem alto, nosso desprezo pela segurança e com nossa lendária imprudência assassina. Deixamos crianças soltas no banco de trás e elas são as primeiras a voar através do vidro para se espatifar em algum barranco. Queremos mostrar que sabemos correr em via pública e demonstramos ao mundo, com milhares de cadáveres empilhados, com um sem número de mutilados que vegetam ou vivem pela metade, que somos, isto sim, imbecis.

Povinho de merda, este que se mata sem motivo. Suicidas ignorantes metidos a sabichões. Descansem em paz.


O Kennedy Nunes acocorou pra que ninguém notasse que ele estava ali...

COMEÇA O SHOW
A Assembléia Legislativa aquece os tamborins para iniciar, na proxima terça, o espetáculo da votação da Reforma Administrativa do LHS. Será o primeiro teste da nova turma. O governo tem maioria folgada, o que não significa muita coisa, porque a Reforma ameaça interesses justamente de dentro da base aliada.

No caso da redução de cargos comissionados, pode ser que o governo precise da ajuda da oposição para manter sua meta de austeridade. Os governistas vão querer garantir suas fatias do bolo administrativo, que estão ameaçadas com essa história de reduzir as boquinhas. O espetáculo será transmitido pela TVAL. Divirtam-se.

FRATERNIDADE
Durante a ditadura militar a gente esperava pelo tema da Campanha da Fraternidade para poder ter uma palavra de ordem a mais contra a repressão. A Campanha, lançada na quaresma, portanto depois do Carnaval, também ajuda a acordar e a começar o ano. Este ano, chama a atenção para a amazônia (cartaz acima).

País mal-acabado, o Brasil corre riscos diários de perder para estrangeiros espertos, suas riquezas. Temos sempre que correr atrás do prejuízo, apagar incêndios, porque não fizemos, a tempo e há tempos, nosso dever de casa.

A disputa pelo açaí, fruta que há pouco tempo virou moda no Sudeste e Sul (na foto abaixo, uma tijela de açaí, como é servida em muitos lugares), seria cômica, se não fosse trágica. Uma empresa alemã registrou a palavra “açaí” na Europa, outra patenteou o açaí no Japão. Corremos o risco de sermos impedidos de exportar esses produtos para lá. E este não é o único caso de produto natural brasileiro registrado ou patenteado no exterior. Daqui a pouco, para produzir cupuaçu (outra fruta da enorme diversidade amazônica), poderemos ter que pagar royalties a alguma empresa japonesa.

Uma nutritiva tijela de açaí. Provem enquanto podem.

Ficamos doando US$ 20 milhões para a Bolívia, que em troca aumenta o preço do gás que nos vende, fazendo acordos sabe-se lá de que tipo com a Venezuela e desmantelamos a Embrapa e tantos outros órgãos de pesquisa que poderiam patentear processos e assegurar para seus legítimos donos o direito de exploração das riquezas deste país paradoxal, que mantém seus habitantes na pobreza enquanto faz a riqueza de uns poucos, aqui e lá fora.

Povinho de merda, este que se deixa explorar. Ignorantes e servis.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Quarta-feira de cinzas


ECOS MOMESCOS
Acima, aproveito a foto de uma alegre turma de foliões para identificar o “estado-maior” que cerca informalmente o LHS. São amigas inseparáveis: a Deputada Ada (mulher do Walmor de Luca), a Secretária Dalva (irmã do Walmor de Luca) e a Dona Ivete. À direita, o comandante pop da PM coloca seu bloco na rua e na chuva. E abaixo o Ariel Bottaro Filho acaricia o secretário Cavalazzi, enquanto o Moacir Pereira capricha no samba enredo.


ESTILO DÁRIO
Não é só a vida político-partidária do prefeito Dário que está carregada de indecisões e faz-que-vai-mas-não-vai. A própria administração municipal começa a assimilar o estilo Dário de ser.

No dia 2 de fevereiro, no site de notícias da Prefeitura de Florianópolis, estava escrito exatamente o seguinte:
“O prefeito de Florianópolis, Dário Berger, determinou ao SETUF o fim da restrição de horário para o uso do cartão ‘passe rápido estudante’. Com a medida, os alunos podem utilizar o passe a qualquer hora e o controle do benefício volta a ser o já empregado nos anos anteriores.”
E explicava os procedimentos para cadastro, que poderiam ser feitos até pela internet.

Aí o contribuinte mais ingênuo deve ter achado que acabariam as restrições de horário para uso do passe escolar. Afinal, “o prefeito determinou”. É, mas o prefeito é o Dário e as coisas nem sempre são como parecem ou deveriam ser.

Um leitor reclamou e ontem fui verificar, no site do Setuf, na página com informações sobre o Passe Rápido. Evidentemente, continuava tudo da mesma forma, redigido daquela maneira completamente inamistosa e ameaçadora.O site diz claramente que os estudantes têm que se cadastrar comprovando o turno que estudam. E mostra a tabela com as restrições de horário.

Por exemplo: o estudante do turno matutino pode usar o ônibus das 5 da madrugada até as 5 da tarde e o do turno da tarde pode usar das 8 da manhã às 7 da noite. Não é um horário muito apertado, mas aquilo que o prefeito falou no site da prefeitura, o “fim da restrição de horário”, efetivamente não aconteceu. Talvez, quando o prefeito decidir para que partido irá, a turma do Setuf resolva obedecer ao chefe. Por enquanto, fica o dito pelo não dito.

O NOME DO PAI
Teve um tempo, quando eu era mais moço, que ficava rindo e falando mal de estados sub-desenvolvidos politicamente, como o Maranhão, onde a escola é Sarney, a avenida é Sarney, o fórum é Sarney, a praça é Sarney. Claro, um é nome da mãe, outro do pai, outro da mulher, outro do tio e assim por diante. Todos nomeados enquanto algum Sarney era governador ou prefeito.

Depois descobri que o poder corrompe e que mesmo no Sul maravilha, sempre que possível, os governantes dão nomes de seus parentes às obras, ruas, praças, acidentes geográficos, estradas e pontes.

É uma forma de burlar a legislação que impede de dar nomes de pessoas vivas a bens públicos. Se o prefeito ou governador não pode dar seu próprio nome, então que tal dar o nome do pai ou da mãe? Aí ficará registrado para a história que aquela pessoa foi homenageada por ter gerado aquele grande prefeito, aquele grande governador, aquele grande senador.

Esta atividade (dar nomes e mudar nomes) ocupa um tempo enorme das Câmaras de Vereadores de todas as cidades. Tem vereador que praticamente só faz isso, durante toda a legislatura. É uma coisa antiga, arraigada nos costumes, que mesmo governadores que gostam de dizer, nos discursos que praticam uma “política nova” não conseguem deixar de fazer.

NOSSO EMBAIXADOR
O governador LHS gosta de viajar e acredita que a presença do governador junto a potenciais mercados para produtos catarinenses ajuda a abrir portas e contribui para que os empresários daqui tenham mais chance lá fora. E para que os turistas venham gastar seus euros e dólares por aqui. Até pode ser.

Agora leio, não sem um certo espanto, na coluna do Cacau Menezes, que o marqueteiro-mor Wilfredo Gomes, vai aos Emirados Árabes Unidos “preparar uma viagem do governador”.

Deve ser uma missão preparatória semelhante àquela que, durante um festival de Cannes, montou um ágape para convidados ilustres num iate.

Dispensar os serviços do Itamaraty e da nossa rede de embaixadas e mesmo deixar de fora o Quirido, secretário da Articulação Internacional, não deve sair barato.

A grande questão, que não quer calar mas, com certeza, não será respondida porque um governo que tem maioria na Assembléia não se preocupa muito com respostas, é de que forma estamos remunerando esse nosso embaixador informal? Tá incluído nas comissões pagas pela propaganda oficial? É alguma outra verba? Ou ele está fazendo isso só por amizade?

REFLEXÕES DE FERIADO
Não existe nada mais inútil do que esses alarmes que a turma instala nas casas e automóveis. Servem apenas para disparar quando seus donos estão longe e ficar azucrinando a paciência dos vizinhos. Muita gente acha que basta colocar o sensor e a buzina e pronto. A casa tá segura. Aí, por qualquer motivo, o alarme dispara e fica tocando o final de semana inteiro. Como não está conectado a nada, a nenhuma empresa de segurança, a nenhum telefone, pune a vizinhança por morar perto de um idiota.

Os municípios deveriam estabelecer multas para proprietários de alarmes que tocam sem motivo dias e noites inteiras.

Da mesma forma, instalar som acima de determinada potência em veículos deveria ser considerado crime hediondo. A fabricação, importação e venda dos equipamentos deveria ser proibida. Deveriam ir para a cadeia o mecânico que fez a instalação e o dono da loja (traficantes de som), além do dono do veículo e seus ocupantes (usuários). As penas teriam agravantes dependendo da qualidade de música difundida. E o prefeito que autorizasse carros de som, seria punido pela Lei de Responsabilidade Sonora.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Adendo terçafeirino

Aviso aos navegantes: esta coluna, que fez na madrugada de segunda sua estréia carnavalesca, na escola de samba Carnaval da Família, homenageando o "véio" Dalmo na avenida beira-rio de Itajaí, retornará só na quarta. Como todo mundo, aliás. Porque na terça não tem jornal.

Enquanto isso, para um relato bem detalhado do carnaval florianopolitano e suas circunstâncias, recomendo uma visita ao blog do Carlos Damião.

Até quarta.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Sábado, domingo e segunda (de Carnaval)

Não sei por que, mas pareceu-me que estes três desenhos do Rodrigo de Haro davam um ar carnavalesco a esta coluna de final de semana. A propósito, estes e outros tantos desenhos estarão na mostra “Ruas da Cidade”, de 22 de fevereiro a 3 de abril, na Galeria de Arte Municipal Pedro Paulo Vecchietti, em Florianópolis (Praça 15, esquina com Tiradentes).
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CESINHA EXPLICA

A propósito da brincadeira que fiz aqui (ver posts anteriores) com os jovens deputados Cesar Souza Júnior e Jean Kuhlmann (foto acima), meu xará mandou a seguinte cartinha:
“Gostaria de esclarecer um mal entendido que posivelmente originou a nota. O tal “videogame” a que meu veterano colega se referiu é um palm, que, como você bem sabe, funciona como um PC portátil. Eu e o Deputado Jean estávamos discutindo termos da reforma que está arquivada no palm. É normal que deputados mais veteranos não tenham tanta intimidade com este tipo de ferramenta. Não havia um único deputado com menos de 35 anos na legislatura anterior, agora somos dois, acredito que isso é positivo, embora reações sejam normais. (...) espero ser julgado por minha conduta parlamentar, embora tenhamos de conviver com pré-julgamentos em função de idade ou filiação.

Forte abraço,
Cesar Souza Júnior

PS – Fique tranqüilo, o palm não carrega joguinhos, apenas agenda e anotações relevantes.”
Legal, gostei de ver que o deputado tirou dos seus cuidados para esclarecer logo a situação. Prestar contas a seus eleitores, por intermédio dos jornalistas, é sinal de bom senso e maturidade. E maturidade, todos sabem, não depende da idade.

PALMS PARA TODOS
O mais engraçado dessa história é que eu nem sabia que o xará tinha levado um palm pra aula, digo, sessão, e que ficou mostrando pro coleguinha de classe. Achei que era só uma brincadeira com a idade deles. Mas a resposta do deputado mostra que atirei no pardal e acertei na rolinha.

Até pode ser que o deputado não tenha joguinhos no seu palm, mas existem joguinhos ótimos para essas maquininhas, que são fantásticos pra gente passar o tempo.

Por falar nisso, tem crescido muito o número de empresas, em Florianópolis, especializadas em produzir e exportar jogos e outros conteúdos para celular (os jogos do palm são meio parecidos com os dos celulares, apenas um pouco mais sofisticados) e os jogos em java que os palms e seus primos rodam. É uma atividade econômica importante, na qual a capital tem se destacado. Portanto, não vejo problema algum em ter, no laptop, no palm ou no celular, joguinhos.

PERIGO À VISTA
O presidente perpétuo da Venezuela disse em 2005 que pensava em mudar o brasão do país, por sugesão de sua filha mais moça. Aí, o Laureano Márques, um humorista famoso por lá, aproveitou a bola quicando e escreveu, num jornal, um artigo de humor, pedindo que a menina sugerisse ao pai umas tantas outras mudanças. Por causa disso, ele foi condenado a pagar uma multa de R$ 38 mil, entre outras punições.

Yeda Crusius, a governadora dos gaúchos, que assumiu a presidência do Codesul ontem, sendo alegremente cumprimentada pelos seus colegas LHS e Requião.

PORTUGES É DIFICEO
Cometo erros todos os dias. Erros de distração, de dislexia, de bobeira e de ignorância momentânea (ou permanente). Nem por isso deixo de me sentir à vontade para criticar os erros cometidos pelos outros.

Um dos mais comuns, uma verdadeira armadilha onde muita gente boa cai e fica esmigalhada, é o verbo adequar. Este verbo estranho não tem todas as conjugações. Os gramáticos o classificam como “um daqueles verbos defectivos que só pode ser conjugado nas formas arrizotônicas.

Não tenho a menor idéia do que seja isso, mas sei que soa feio e mal ajambrado falar qualquer coisa, no presente do indicativo, além de nós adequamos, e vós adequais.

Mas as pessoas parecem achá-lo bonito e insistem no seu uso criando as formas inexistentes. O grande problema, no entanto, é que tem gramáticos que já se adaptaram adequadamente ao vai-da-valsa da preguiça e acham que de tanto serem inadequadamente usados, os vocábulos adequo, adequas e adequam acabarão sendo aceitos e incorporados à gramática. Sei não, mas pra mim isso é o fim do mundo.


BONS TEMPOS
Os jornalistas de Brasília mantém, há 30 anos, um bloco carnavalesco chamado Pacotão. E o bloco, sempre satírico, tem a cada ano uma música que toca no calo mais recente da política nacional. Este ano a velha guarda do bloco vai levar uma faixa com “Esse Arlindo é um Chinaglia” e outra “Lula volta pro ABC”.

O Ricardo Noblat vai publicar, durante o carnaval, em seu site (www.noblat.com.br), algumas das letras. Ontem ele publicou a música de 1980 cujo título é, justamente, “Santa Catarina”. Composta por Carlão, Cristiano Menezes e Rubens Artigas, tinha tudo a ver com o momento, como explica Noblat:
“O governo Figueiredo seguia os rumos previstos pelo Pacotão. Estava atolando todo mundo. Inflação disparando, o PDS botando pra quebrar. Ficou famosa sua passagem por Santa Catarina, quando, revelando seu temperamento explosivo, reagiu às vaias que o povo lhe proporcionava e quis sair no tapa com os manifestantes. O Pacotão não deixou por menos”.
Taí a letra:

Subiu carne,
subiu a gasolina,
subiu feijão
e também a margarina
ai, ai, João
eu vou pagar
a inflação com serpentina
Enquanto isso, o PDS
coloca no programa o toplesse
ai, ai, João
Vou te mandar lá pra Santa Catarina.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Sexta

A senadora Ideli Salvatti (PT) falou ontem, dia 15, em Florianópolis, sobre o que a Petrobras reserva para SC no seu “Plano Estratégico 2015”. Principalmente quanto ao fornecimento confiável de gás para as indústrias. A turma do PMDB entendeu tudo como um gesto simpático de aproximação.

ISTO É QUE É NOTÍCIA
O consumo de chope em Santa Catarina cresceu 55% nos últimos dois anos, informa o Carlos Tonet, no seu saite Noticenter. Embora grandes fabricantes, como a Brahma, se beneficiem, porque têm maior estrutura de distribuição e produção, na verdade também são grandes responsáveis por esse saudável crescimento as micro-cervejarias (Zehn Bier, Eisenbahn e tantas outras).

Essas cervejarias despertaram o interesse de muita gente para um produto que pode ter sabores, cores e texturas diferentes. A disponibilidade do chopp em locais onde antes só serviam cerveja e mesmo a abertura de choperias, também ajudaram a matar a sede da turma.

O que é fundamental, nessa história toda, é não deixar a Brahma, que já tem praticamente 70% do mercado do chope no Brasil, sufocar as pequenas cervejarias, em busca do monopólio.

RETARDO MENTAL
Não existe nenhuma demonstração mais clara de imbecilidade do que os “trotes” violentos que são impostos a quem entra num curso superior. Qualquer que seja a justificativa, acaba demonstrando a indigência mental de quem o pratica. Normalmente é feito porque os “veteranos” querem se vingar de terem sofrido abusos quando entraram na faculdade. Tipo olho por olho, dente por dente, mas com pessoas diferentes, que nada tiveram com os maus-tratos originais.

Mesmo em universidades onde os trotes são oficialmente proibidos (como a UFSC), os “veteranos” levam a calourada para fora do campus e dão vazão a seus maus instintos e desvios de personalidade. Muitos desses “veteranos” seriam prato cheio para estudos sérios sobre a violência e o desprezo pelos direitos humanos.

E muitos deles, depois de formados (ou até antes), trocam os calouros por esposas e filhos, a quem torturam e infernizam como se isso fosse normal.

Polícia tem que ser bem remunerada, bem treinada e bem equipada. Até porque a gente precisa poder exigir deles profissionalismo e um serviço de qualidade.

Internet pessoal (2)
Na semana passada mostrei aqui alguns endereços de internet de uma lista que visito regularmente. A lista é extensa. Por vários motivos, profissionais, pessoais e afetivos, costumos navegar todos os dias por algumas dezenas de site. E espero que, ao compartilhar alguns endereços que me parecem interessantes, possa ajudar os leitores que eventualmente ainda não conheçam estes locais, a também ir fazendo a sua lista.

Hoje vou comentar alguns endereços que têm material que pode ser útil tanto para quem ainda está estudando e precisa ampliar suas fontes de consulta, quanto para quem apenas tem curiosidade ou interesse pelo mundo maravilhoso da comunicação.


O Alexandre Gonçalves compartilha, no Coluna Extra, observações e informações sobre marketing, cinema, música, futebol e uso da internet. O mix, embora pareça meio estranho citado assim, tem funcionado muito bem, criando um ambiente de visita obrigatória, até para saber qual o tema do dia.

Além dos posts (que é como se chamam os textos dos blogs), tem uma listinha de endereços de blogs, na sua maioria, ou em boa parte, de jornalistas catarinenses.


Este é um site feito por um veterano jornalista, Walter Sotomayor, que reside em Brasília. Trata, como o nome diz, especificamente de meios de comunicação. Tanto do mercado quanto de práticas e tendências.

Mescla o noticiário nacional com um apanhado do que mais importante acontece internacionalmente nesta área. Como em tantos blogs bem organizados tem uma catalogação dos posts por assunto, o que facilita na hora de procurar nos arquivos.

Dirigido pelo Alberto Dines, o Observatório tem, todas as semanas (é atualizado terça-feira à tarde) dezenas de novos artigos sobre imprensa e meios de comunicação.

A página de abertura mostra os destaques, mas gosto de clicar no link “Todos os artigos da edição” para poder navegar na página onde estão os titulos, separados por seções. Não dá para ler tudo de uma só vez.

Recomendação especial, dentre os diversos bons lugares do Observatório: a coluna “Circo da Notícia”, do Carlos Brickmann. Notas curtas muito bem humoradas, bem informadas e sobretudo críticas na medida certa.


Inspirado no Observatório, o Monitor de Mídia, da Univali, faz a análise crítica da imprensa catarinense. É produzido por um grupo de professores e alunos do curso de Jornalismo dessa universidade, com apoio financeiro do CNPq.

A importância está, naturalmente, em acompanhar as questões locais, que nem sempre ganham destaque em sites nacionais. Embora eu tenha a impressão (espero que seja só impressão) que a turma do Monitor “esqueça” que na região da sede da Univali o principal jornal, em todos os sentidos, é o DIARINHO, vale dar uma navegada nos arquivos e no material recente.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Quinta

A DUPLA-REVELAÇÃO DOS ARES
NOVAS ADESÕES
Liguei o rádio ontem e alguém estava falando que “tem que acabar com essa concentração, Brasília não consegue resolver todos os problemas do Brasil, nem na segurança nem em outras áreas”. Estranhei, porque embora o discurso fosse do LHS, a voz não era parecida. Ou será que ele estava resfriado e por isso a voz estranha?

Mas depois tudo ficou mais claro, ou mais confuso: quem estava falando era o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho. Isto mostra que aquela tecla gasta, na qual o LHS bate todos os dias desde que assumiu o governo, começa a ganhar adeptos. Seja pelo efeito evangelizador do bispo LHS (da Igreja Universal da Descentralização), seja porque a idéia é razoável o suficiente para que outros governadores a adotem voluntariamente.

CONFERÊNCIA
Ainda no rádio, ouvi uma frase, dita pelo locutor do noticiário, que de tanto falarem já está quase passando despercebida: “Ingressos para conferir o desfile das escolas de samba estão esgotados”. Alguém, em algum momento infeliz, achou que conferir poderia substituir assistir e outros alguéns, com a deficiência vocabular que caracteriza os novos iletrados que posam de pós-graduados, utilizou e reutilizou. Conferir o desfile é coisa para os fiscais, para os diretores das escolas, para quem tem alguma função que exige uma observação rigorosa, em busca de algum problema ou para ver se determinados requisitos foram atendidos. Talvez a própria comissão julgadora tenha que, além de assistir o desfile, de conferir como se portou a escola neste ou naquele quesito.

Mas os alegres foliões, que compram ingresso para arquibancadas ou camarotes, vão assistir, sambar, exibir-se, namorar, azarar, pegar chuva, enfim, poderão fazer um monte de coisas, entre as quais certamente não estará a conferência do desfile.

Em todo caso, a praga está tão alastrada que até anúncios comerciais convidam potenciais clientes a conferir as ofertas. Isto significa que o prezado leitor está sendo convidado a comparar, verificar, não aceitar de pronto nem acreditar no que dizem. Acho que o comerciante, em vez disso, gostaria de convidar para aproveitar as ofertas, conhecer os lançamentos, ver as novidades, comprar sem medo. Mas, cego e surdo, talvez embromado pelos iletrados crônicos que habitam as redondezas dos veículos de comunicação, o comerciante topou que usassem o conferir como se fosse sinônimo desses outros verbos convidativos.

Paro por aqui, porque dei-me conta que nem todos sabem o que significa sinônimo. Então vamos deixar pra lá e mudar rapidamente de assunto.

ESSE KNAESEL...
O deputado Gilmar Knaesel disse, a um amigo comum, que desconfiava que “o Cesar Valente não gosta de mim”. Ontem, passseando pela Assembléia Legislativa e tentando me acostumar com as caras novas que habitam aquela Casa de Leis, encontrei o Knaesel e tratamos de esclarecer a questão.

Um homem público, como um secretário de estado, por exemplo, depende muito dos profissionais que o cercam, os tais assessores. Por uma razão simples: é com eles que a gente tem contato mais freqüente. E no caso do Knaesel, durante sua gestão como Secretário, a coisa foi muito complicada.

Contei pro deputado aquele episódio, que os leitores da coluna conhecem, em que uma assessora de imprensa da secretaria dele anotou, embaixo de um texto que seria enviado para jornais e jornalistas, “não enviar para o DIARINHO nem para o Cesar Valente”. E, é claro, o texto acabou sendo enviado, inclusive para mim, com o recadinho anexado.

A coisa virou piada, gerou pedido de desculpas do diretor de imprensa do Centro Administrativo. A culpa da mancada não foi do Knaesel, mas ele nada fez a respeito, para exigir profissionalismo de sua assessoria.

O deputado, que é político experiente e homem vivido, sabe que o jornalismo feito aqui não se nutre de ódios ou amores. E que, em muitos casos, as denúncias até servem de alerta, para os titulares, de bobagens que estão sendo feitas e ditas em seu nome ou na área de sua responsabilidade.

A propósito: estamos, o deputado e eu, muito otimistas com a gestão da professora Elisabete Anderle, que assume até março a superintendência da FCC.

FESPORTE
Já que estamos falando no Knaesel, tem uma outra coisa na área dele que me incomoda: entre as propostas assustadoras da reforma administrativa do LHS, está a extinção da assessoria de imprensa das fundações. Não sei como a Fesporte, por exemplo, vai dar conta de todos os seus eventos. Ali, mais do que um assessor, é preciso uma equipe para trabalhar nas competições e fazer o acompanhamento das delegações catarinenses sob sua responsabilidade nos eventos nacionais.

Enxugar exige uma certa visão de conjunto. Não dá pra prejudicar a ação de governo a pretexto de economia.

AMADORISMO
A TV Record comprou os direitos de transmissão do campeonato catarinense por três anos, superando uma proposta da RBS, até então detentora desses direitos. Ótimo, maravilha.

O problema é que a Record não tem a mínima estrutura para absorver o evento. O narrador é um ex-global, Maurício Rodrigues e o comentarista idem, Raul Plasman. Moram no Rio e a cada jogo caem de paraquedas por aqui, sem nenhum conhecimento da nossa realidade esportiva. Domingo a transmissão de Atlético Herman Aichinger x Avaí, em Ibirama, foi um vexame. Mesmo quem não assistiu pode imaginar o festival de besteira e desinformação.


Perguntei ontem, a um deputado veterano, quais eram as novidades. E ele, malandro e brincalhão, apontou para a última fila de cadeiras do plenário, onde sentam dois dos mais jovens deputados, o Cesar Souza Júnior e o Jean Kuhlmann: “tá vendo aqueles dois meninos? passam o tempo todo brincando e agora até estão falando em trazer, para se distrair durante as sessões, um videogame. Parece que ainda não se acertaram sobre o tipo de videogame, mas dizem que até já pediram para o presidente da Casa providenciar a compra”.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Quarta

(OS DADOS ABAIXO FORAM COMPILADOS E PUBLICADOS ORIGINALMENTE POR WWW.NOBLAT.COM.BR)

68.520 agressões contra crianças foram registradas no Brasil em 2006. Foram
5.710 casos mensais de humilhação, de surras, de violência sexual, de negligência. Ou
190 por dia. Ou
7,9 por hora.

Os maiores agressores são os pais.

FONTE: Sistema de Informação para a Infância e a Adolescência, da Presidência da República (SIPIA)

A polícia consegue elucidar apenas
3% dos homicídios no Rio de Janeiro, enquanto nos Estados Unidos uma média de
65% dos homicídios terminam esclarecidos e seus responsáveis, julgados.

FONTE: José Alexandre Scheikman, professor de economia da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, em artigo publicado na Folha de São Paulo, em 3 de dezembro de 2006.

Somente no ano passado policiais de São Paulo eliminaram
705 pessoas. Sendo que
570 morreram porque resistiram ao trabalho da Polícia, segundo os registros da Secretaria de Segurança Pública.
As outras 138 perderam a vida assassinadas por policiais que estão sendo investigados por homicídios culposos ou dolosos.

FONTE: Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo.

Só nos 12 primeiros dias de fevereiro
120 pessoas morreram assassinadas no Rio de Janeiro. Foram
10 homicídios por dia. O que significa
1 homicídio a cada 2 horas e 24 minutos.

FONTE: Riobodycount (www.riobodycount.com.br)

319 mulheres foram assassinadas no ano passado em Pernambuco, estado recordista em violência contra mulheres.

Só em janeiro de 2007,
27 moradoras do Recife sangraram até a morte.

O número de assassinatos de mulheres em Pernambuco aumentou
30% em apenas quatro anos.

FONTE: Jornal O Globo, edição de 11/2/2007

4.517 crianças tiveram suas vidas ameaçadas por castigos físicos em 2006 no Brasil. Dessas,
1.385 tinham menos de seis anos de idade.

FONTE: Sistema de Informação para a Infância e a Adolescência, da Presidência da República (SIPIA)

(Para abrir uma ampliação é só clicar sobre a foto)

INSANIDADE
Cerca de 24 mil alunos voltam hoje às aulas, só em Florianópolis. Hoje, vocês sabem, é quarta-feira e no sábado começa o carnaval. Terão, essas crianças, três dias de “aulas” e em seguida um feriadão de cinco dias. Voltarão, se formos otimistas, numa quinta-feira, para mais dois dias de “aulas” e depois o final de semana.

Nada mal, para um sistema educacional “faz-de-conta”. Mas uma verdadeira insanidade se pretendemos fazer com que “educação de qualidade” ajude a reduzir as desigualdades sociais e a violência. Se os educadores não conseguem produzir um calendário que faça sentido, não dá para acreditar que conseguirão produzir um ensino que resulte em aprendizado eficiente.

Zêlo hipócrita esse, que a pretexto de mostrar “seriedade”, atrapalha férias, feriados e lazer em família. Só pode ser comodismo ou carência de recurso intelectual para encaixar com naturalidade, na vida escolar, um feriado tradicional. E a cada ano se discute a coisa e a cada ano se inventa uma moda nova e a cada ano nossos filhos aprendem menos de professores que, a cada ano, se mostram mais despreparados e pretenciosos. Eles também são produto da escola mambembe, que reproduzem servil e acriticamente.

FOLIAS DE MOMO
O Marcos Bayer mandou-me cópia de um rolo de serpentina jurídica que ele pretende lançar sobre o carro alegórico do Centro Administrativo, para animar a festa. Ele pede que o Procurador da República abra os olhos (e os ouvidos) para o seguinte samba-enredo: quando o governo do estado mudou-se para a sede do BESC (em 2003), fez algumas reformas para instalar os gabinetes do governador e do vice, “sem licitação”, segundo afirma Bayer. Ele dá ao confete (realização de obra pública sem a devida licitação) o nome de “corrupção”. E pede providências.

Pra “facilitar” o serviço do Ministério Público, diz que o Cícero Dobner, de Bombinhas, foi o responsável pela execução das obras. Eskindô-lê-lê.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Terça


VAMOLÁ, HORÁCIO!
O Horácio Braun, grande sujeito, contador de histórias, marqueteiro dos bons, bom copo e figura representativa do que de melhor Blumenau tem, foi operado na quinta-feira, saiu da UTI no domingo à tarde e continua se recuperando no Hospital Santa Catarina.

Conhecido e respeitado por todos os que levam a inteligência, o bom humor e a boemia a sério, Horácio tem um site de internet (coisasdohoracio.com.br) e uma coluna num dos 300 jornais da RBS.

O Santa, ao avisar os leitores que a coluna de sexta seria repetida porque o Horácio tava no hospital, disse que ele permanecia na UTI “em estado delicado” e que fora operado de diverticulite. O filho do Horácio, no Coisas do Horácio, informou ontem que o pai tinha saído da UTI no domingo de tardezinha e que estava melhor.

Ontem mesmo, fui ao bar mais próximo para brindar com Zehn Bier (o chope feito em Brusque que serve de base para o chopp do Horácio) pela recuperação rápida e indolor do Horácio.

JORNALISTAS DE OURO
A rede BandNews FM fez ontem uma reportagem sobre um assunto que muita gente faz questão de varrer pra debaixo do tapete. Agora no dia 5 de março a Câmara dos Deputados faz um concurso para contratar mais jornalistas.

Há quatro anos a Câmara tinha 63 jornalistas (TV Câmara inclusive), hoje tem 132 contratados. Todos com salário acima de R$ 9 mil, por cinco horas de trabalho diárias. Com as gratificações o salário pode facilmente chegar a R$ 16 mil. É um jornalista para cada 4 deputados. Fora a assessoria de imprensa de cada gabinete, cujo custeio entra nos gastos do Gabinete. É um batalhão de jornalistas de fazer inveja a qualquer grande empresa de comunicação. Mas a atividade-fim da Câmara não é comunicação.

Os jornalistas que trabalham em veículos de comunicação raramente ganham acima de R$ 2 mil. A maioria, mesmo em Brasília, que é um lugar que “paga bem”, ganha o piso salarial, que é algo por volta de R$ 1,3 mil.

Mesmo no governo, os salários dos jornalistas não tem comparação com os da câmara. Nos ministérios quem ganha muito bem chega a R$ 6 mil (claro, sempre pode ter algum por fora, via agência de publicidade que serve ao ministério, mas essa não é a regra).

O concurso de março abrirá as portas do paraíso de R$ 16 mil mensais para mais 13 coleguinhas “absolutamente necessários”.

Segundo apurou a BandNews FM junto ao Tesouro Nacional, não foram só os jornalistas que aumentaram de número na Câmara. O total de servidores (ativos e inativos) era 19,5 mil em 2002 e em dezembro de 2006 estava em 20,7 mil. Claro que o novo presidente da Câmara, ao ser entrevistado na mesma reportagem, disse que não sabia que os jornalistas ganhavam tanto.

ESTADO DE CARNAVAL
Esta é uma das épocas mais ingratas para os jornalistas, em especial de política. O Lula já avisou que só mexe no ministério depois do Carnaval. Os deputados catarinenses só vão por a mão na massa da reforma depois do Carnaval. Ninguém está disposto a dizer nada que preste nesta semana porque sabe que poucos vão prestar atenção.

Declarar-se em “estado de Carnaval”, para um jornalista, significa mais ou menos o mesmo que o “estado de calamidade” para um município. Em todo caso, como não tem outro jeito, seguirei aqui, skindô-lê-lê, tentando tirar samba da pedra.

E por falar em samba, estou aquecendo os tamborins para desfilar, pela primeira vez em meio século, numa escola de samba. Será numa escola estreante do carnaval de Itajaí, que tem o supreendente nome de “Escola Família” e cujo enredo homenageia o Dalmo Vieira, jornalista que criou o DIARINHO.

Fiz um teste pro pessoal ver minhas habilidades de sambista e aí me arranjaram uma vaga de empurrador da alegoria. É uma posição de responsabilidade, embora de pouca visibilidade e que exige um certo esforço físico. Não sei se conseguirei fazer muitos malabarismos enquanto estiver empurrando o carro com a diretoria do jornal em cima.

Ah, e quanto ao carnaval de Florianópolis, não sei se estou muito enganado, mas é uma coisa para turistas, para quem não conheceu os bons tempos do carnaval de rua da capital. Prefiro ficar longe. E Itajaí é uma ótima opção.

AS LEIS E A EMOÇÃO
Os políticos demagogos e oportunistas acham que prestam um serviço público ao tentar legislar sob forte comoção popular. A cada crime bárbaro levantam-se das cadeiras estofadas onde cochilavam e com os bolsos chacoalhando de moedas, dizem bobagens sem sentido, apenas para faturar algum prestígio em cima da dor alheia e das legítimas preocupações de todos nós.

Ficam anos sentados sobre projetos importantes, jogando com a barriga as atualizações que a legislação requer e daí, sobre o sangue ainda morno de alguma vítima, levantam a voz como se fossemos todos idiotas. E fazem um arremedo de pressa, mostram para as câmeras que estão “trabalhando” para resolver problemas graves. Bobagem, falta de caráter, vagabundagem da mais deslavada.

Fazer com que um assassino fique mais de três anos na cadeia não é coisa que se consiga de uma hora para outra. Precisa mexer em muita legislação e em muita coisa: nas condições carcerárias, por exemplo. Precisa que deputados e senadores trabalhem duro por meses a fio, para dotar o país de uma legislação moderna. Mas isso, trabalhar duro, não é com eles.

É muito melhor levantar o cadáver despedaçado de um menino, pisoteando sobre nossa alma esmigalhada de dor e fazer pose de salvadores da pátria. Demagogos, incompetentes, vão trabalhar, vagabundos. Para evitar os crimes. E não usem os crimes para lustrar ainda mais suas caras de pau.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Sábado, domingo e segunda

(Pra abrir uma ampliação é só clicar sobre a foto)

ESSA DALVA...
A irmã do Walmor, que é secretária do Desenvolvimento Social, odeia que a gente fale dela. Dia desses descobriu que, numa pasta da rede de computadores interna da secretaria “dela”, alguém tinha colocado, para que todos pudessem ler, trechos da minha coluna em que ela é citada.

A Dalva, conta-se nos corredores do Centro Administrativo, subiu nas tamancas, recolheu as CPUs de três funcionários, de quem desconfia tenha partido a insubordinação cívica e diz que vai abrir processo na Polícia Federal(!!!).

A turma, na Secretaria, ficou assustada. Afinal, quem já passou pelo Cezar Cim e pelo Sérgio Godinho sabe que tudo é possível nesse feudo do PDT.

Senhora secretária, pode parar de procurar “responsáveis pelo delito” aí na sua secretaria. Desista de promover uma “limpeza étnica” às cegas. As informações que publico aqui não são enviadas por ninguém que a senhora possa punir. E, como a história ensina e vosso líder, o saudoso Brizola, sabia muito bem, a censura tem pernas curtas.

A AVENIDA DO COLOMBO
LHS foi visitar ontem, em Lages, as obras da Av. D. Pedro II, onde o governo do estado deve aplicar cerca de R$ 3 milhões. A via corta a cidade, tem 12 quilômetros de extensão, com quatro pistas e ciclovia. O custo total é de R$ 12 milhões (tem ainda financiamento do Badesc de R$ 5 milhões e uma contrapartida da prefeitura, de R$ 4 milhões).

Pois esta avenida é justamente aquela que esteve no centro do rolo criado pelo ex-deputado Sérgio Godinho: ele disse, no ano passado, que LHS tinha conseguido a adesão do Raimundo Colombo usando, como moeda de troca, a grana para esta obra. Disse, meio que se desdisse, depois ficou o dito pelo não dito e, como em tantas outras coisas, não se fala mais nisso.

CLAREZA
Um boletim sobre telecomunicações (Tela Viva), dirigido a empresários da área (radiodifusores, principalmente), ao comentar a movimentação dos projetos de interesse do setor, fala com absoluta clareza sobre as posições dos parlamentares, alinhados com este ou aquele segmento (“teles” são as empresas de telefonia):
“Depois do projeto de Paulo Bornhausen (PFL/SC), alinhado aos interesses das teles, Nelson Marquezelli (PTB/SP) reapresenta o que era o projeto de Luiz Piauhylino, alinhado com as TVs.”
No texto de onde foi retirado o trecho, se discutiam os projetos para regular conteúdo de canais pagos.

ESPETÁCULO
Se a Justiça mandou suspender pousos e decolagens de Congonhas quando chove porque a pista tá no bagaço, alguém, na Infraero, que não fez os consertos e reformas antes e a tempo, deveria ser punido, não?

Mas é claro que ninguém será punido. Assim como ninguém é punido quando obras públicas ficam rapidamente deterioradas, demonstrando que foram feitas com material de última categoria.

O caos aéreo, que começou com a demonstração de incompetência da Anac, continua com o espetáculo que a Infraero está proporcionando.

A decoração de Carnaval (mezza boca, né não?) já está nas ruas da Capital. Ontem a festa foi aberta por um bloco que não o tradicional Berbigão do Boca. Tem gente reclamando do toque de recolher às 2 da manhã. O Carnaval de Florianópolis, aquele de saudosa memória, está morto. Não dá pra dizer que o toque de recolher “vai matar o Carnaval”, porque o cadáver jaz, insepulto e abandonado, há algum tempo. Carnaval de rua é só uma foto na parede.
(Foto: Marta Moritz)

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Sexta


DEU PRA BAND AM
A Rádio Bandeirantes AM, de Florianópolis, do grupo TVBV, vai desaparecer dia 25 de fevereiro. Há exatamente uma semana, os cerca de 25 funcionários da emissora, que tá no ar há cerca de um ano e meio, receberam uma cartinha com o aviso prévio da sua demissão.

A concessão é do Aroldo Cruz Lima (era a antiga rádio Santa Catarina) e está sendo cobiçada por uma das igrejas evangélicas da cidade. Nos corredores circula que a saída do baixinho invocado Miguel Livramento (que foi pra RBS), teria sido o tiro de misericórdia. A morte da rádio, em todo caso, teve muitas causas, como as freqüentes viradas de programação que não ajudaram a cativar e manter os ouvintes.

O boato que o Petrelli ia aproveitar para reforçar a equipe da sua rádio Mais Alegria, levando alguns dos demitidos, é só boato. Uma fonte na emissora josefense me garantiu ontem que ninguém pensa nisso. O que é uma pena.

DEU PRO CESAR SOUZA
O programa Cesar Souza (TVBV, gerado em Florianópolis), que deve ter uns 25 anos de idade e ajudou a eleger pai e filho para a Assembléia, vai sair do ar até o final do mês.

O carnê Casa Feliz, que é o Baú da Felicidade da família Cesar Souza, também vai terminar. Leva um pouco mais de tempo, por causa de alguns contratos, mas o que se fala é que não durará mais de três meses.

DIARINHO A FAVOR
Li neste jornal (ontem, na pg 8) reportagem em que o DIARINHO avaliza o novo sistema montado pela prefeitura da capital para transbordo do lixo reciclável. E os repórteres acharam o máximo o funcionamento da “estação” ao lado do teatro Álvaro de Carvalho, que “atrapalha menos que o caminhão da Skol”.

De fato, se comparar o transtorno que causa um caminhão de bebida parado em fila dupla com o transtorno de um caminhão parado dentro de um estacionamento, numa área reservada para isso, o “sistema” do Dário fica parecendo mesmo uma maravilha.

É fundamental para qualquer cidade civilizada, coletar seus recicláveis de forma eficiente. Maravilha que alguma coisa que o Dário tenha inventado funcione direito. Mas não é esta a questão principal e nem é isto que se discute. O problema é que a prefeitura parece não ter a menor noção do que são os espaços urbanos e para que servem.

Ao lado do teatro já teve ponto de ônibus, tem estacionamento de carro, agora tem também lugar para colocar lixo reciclável no caminhão. Então é compreensível que muita gente não entenda por que se critica o trambolho mais recente. Na cabeça desse pessoal pragmático da prefeitura, o estorvo é o teatro. Não o que fazem ao redor dele.

A reportagem do DIARINHO constatou, com alívio, que o local não vai se transformar em depósito de lixo. Já eu sou um pouco mais cético: o fato do lixo só passar por ali (as carrocinhas estacionam e o material é colocado num caminhão) mostra que a área ao lado do teatro foi considerada adequada para este uso. Para carga e descarga de lixo. Não serve para ampliar a praça. Não serve para um equipamento de lazer. Não serve para plantar uma árvore. O teatro é, de fato, um antigo estorvo urbano.

Internet pessoal
Das novas tecnologias o que mais me fascina é o caráter pessoal, particular, individual, que podem ter. Um computador, por exemplo, acaba adquirindo a cara de seu principal usuário. Mesmo nos locais de trabalho, onde a instalação e configuração de programas é regulada por um tirânico departamento de TI (tecnologia da informação), sempre acaba ganhando uma cara diferente. Na posição do teclado, do mouse, nos post-its colados ao redor do monitor.

E a internet, com um número absurdo de sites, uma coisa enorme, global e disforme, também vai sendo moldada pelas nossas preferências. Navegamos com freqüência por mares conhecidos e só esporadicamente fazemos incursões em territórios desconhecidos.

Compartilhar listas de sites de internet equivale a compartilhar listas de livros lidos por último ou de músicas preferidas. Ajuda o interlocutor a conhecer-nos melhor. E vice-versa.

Da minha internet pessoal, trago alguns exemplos dos cerca de 60 sites que visito todos os dias e que talvez muitos de vocês não conheçam.

www.jornaldacapital.com.br

O Paulo Alceu é jornalista conhecido, atua na afiliada catarinense do SBT e tem uma coluna na internet. A coluna, em si, já seria um bom motivo para a visita, mas tem um algo mais. É a seção “Sem Cortes”, que é aberta aos leitores e leitoras, onde qualquer um pode expor seus pontos de vista e discutir a opinião dos outros (dentro de certas normas mínimas de convivência), com grande liberdade.

magenco.blog.uol.com.br

O Mário Gentil Costa é médico de ouvido, nariz e garganta, iconoclasta e artista. Muito conhecido em Florianópolis, nos seus comentários tanto fala mal de maus pacientes e de práticas inadequadas (ele odeia cotonetes) quanto de religião e arte. Mostra seus trabalhos, conta suas histórias e produz, com isso, uma boa alternativa para quem está meio cansado de opiniões pasteurizadas e mornas.

dellandrea.zip.net

O Ilton Dellandréa é um catarinense de Taió, que mora em Porto Alegre. Juiz aposentado, foi desembargador (se não me engano) e agora, no seu site, discute com conhecimento de causa, desassombro e linguagem acessível, as questões jurídicas. E se espanta, como qualquer mortal, com os desencontros, desacertos e patifarias do mundo político. Publica ainda crônicas saborosas e bem humoradas sobre o cotidiano familiar.

carlosdamiao.zip.net

O Damião também é jornalista experiente e conhecido, que na internet tem concentrado sua atenção em Florianópolis e sua gente. Ali fiquei sabendo, por exemplo, que a lendária professora Olga Brasil (fundadora da Escola Alferes Tiradentes) tinha falecido. E de vez em quando ele retira do baú fotos antigas que fazem grande sucesso entre os leitores, a maioria manezinhos saudosos dos bons tempos daquela capital que o tempo soterrou.

dauroveras.blogspot.com

O Dauro não é tão antigo quanto o Damião e o Paulo Alceu, mas é jornalista há algumas décadas. No seu site, conversa sobre cultura, leituras, temas sociais e, principalmente, faz um atento e delicado registro do crescimento de seus dois filhos (um ainda bebê). Ah, e também comenta sobre caminhadas nas trilhas da Ilha e viagens pelo mundo.

www.newseum.org/todaysfrontpages

Este site, em inglês, mostra uma enorme quantidade de capas de jornais do mundo todo, no mesmo dia em que são publicadas. São algumas centenas, de todos os continentes. É possível procurar por região, por nome e até num mapa. A utilidade desse tipo de informação é questionável e depende muito da loucura de cada um. Como me interesso pelo desenho de jornais, navego por ali para ver como são feitos os jornais no mundo (infelizmente, cada vez mais parecidos uns com os outros).

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Quinta

VELHAS CARAS NOVAS
Dá até uma tristeza ao constatar que tudo continua igual. Uma das primeiras reuniões a portas fechadas do novo presidente da Câmara dos Deputados foi com o célebre Severino Cavalcanti, que certamente veio cobrar alguma conta. O paupérrimo povo das Alagoas mandou de novo pra Brasília o nababo Collor. Os paulistas, mandaram um novo e um velho: Clodovil e Maluf, uma dupla explosiva. Os brasilienses das cidades satélites, beneficiados com as práticas nada ortodoxas do ex-governador Roriz, premiaram-no com uma cadeira no Senado. E assim vai.

Resta, como alento de juventude e renovação, a bela Manuela. Que terá, contudo, que remar muito para sobrepujar as práticas seculares dos parlamentos e manter seu pescocinho para fora do mar de lama que envolve a todos os que hesitam ao ouvir o canto da sereia da corrupção.

A NEGOCIAÇÃO
Você, caro leitor, cara leitora, decerto imagina que um deputado, ao ser indicado para ser secretário de estado, sairia calmamente da Assembléia e trataria de se concentrar na nova função, tentando fazer o melhor trabalho possível.

Não é bem assim que acontece. O que sai, quer continuar usando o gabinete parlamentar e suas regalias. E o que entra às vezes fica até sem espaço físico para trabalhar.

Para fazermos justiça é importante deixar claro que as histórias relatadas a seguir acontecem há bastante tempo, sempre que um deputado é chamado para integrar o governo. Ninguém tenta mudar, mas em todo caso não é coisa nova. Nem exclusiva deste ou daquele governo ou de algum partido.

Nesta legislatura os casos mais comentados dentro da Assembléia envolvem os deputados Ronaldo Benedet (PMDB, que saiu para assumir a Secretaria da Segurança) e Jean Kuhlmann (PFL, que sai para assumir a Secretaria do Desenvolvimento Econômico).

Seus suplentes, Edson Periquito (PMDB) e Eliseu Mattos (PMDB), tiveram que rebolar para conseguir uma estrutura mínima de trabalho. Benedet chegou a falar até em ficar com o carro!

E esta história do carro exemplifica bem o que está em jogo: não é o carro em si. Um secretário de estado também tem carro oficial. Mas é que, tendo carro da Assembléia, os assessores, auxiliares, aspones e cabos eleitorais não têm tanto rigor com a comprovação de diária. Tudo fica mais “fácil”.

Ontem o Periquito me disse que não houve disputa, que o Benedet foi um cavalheiro e que até fará um discurso elogiando o secretário. Sinal que houve acordo. Claro, a Assembléia conseguiu um cantinho, no 3º andar, para alojar a equipe do Benedet, que aí desocupou o poleiro do Periquito. E deve ter ocorrido acerto também para que o suplente, que ficará com o carro, possa contratar algum assessor.

O Kuhlmann (PFL), no começo, queria ficar com 80% das verbas de nomeação, como se o Eliseu (PMDB) fosse se contentar com 20%. Não sei como resolveram a pendência, afinal.

Os deputados que assumem secretarias ficam morrendo de medo de perder votos na eleição seguinte, se tiverem que fechar sua assessoria política e ficar sem todos os benefícios (diárias, correio, telefone, etc). Por isso ficam tão nervosos e vão com tanta sede ao pote.

O presidente da Associação Catarinense de Imprensa, Moacir Pereira (e) abriu ontem em Blumenau, com um bate-papo com jornalistas locais, a exposição Memória da Imprensa, no Shopping Neumarkt. E autorizou o DIARINHO a começar a preparar a vinda da exposição para Itajaí.