terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Terça


VAMOLÁ, HORÁCIO!
O Horácio Braun, grande sujeito, contador de histórias, marqueteiro dos bons, bom copo e figura representativa do que de melhor Blumenau tem, foi operado na quinta-feira, saiu da UTI no domingo à tarde e continua se recuperando no Hospital Santa Catarina.

Conhecido e respeitado por todos os que levam a inteligência, o bom humor e a boemia a sério, Horácio tem um site de internet (coisasdohoracio.com.br) e uma coluna num dos 300 jornais da RBS.

O Santa, ao avisar os leitores que a coluna de sexta seria repetida porque o Horácio tava no hospital, disse que ele permanecia na UTI “em estado delicado” e que fora operado de diverticulite. O filho do Horácio, no Coisas do Horácio, informou ontem que o pai tinha saído da UTI no domingo de tardezinha e que estava melhor.

Ontem mesmo, fui ao bar mais próximo para brindar com Zehn Bier (o chope feito em Brusque que serve de base para o chopp do Horácio) pela recuperação rápida e indolor do Horácio.

JORNALISTAS DE OURO
A rede BandNews FM fez ontem uma reportagem sobre um assunto que muita gente faz questão de varrer pra debaixo do tapete. Agora no dia 5 de março a Câmara dos Deputados faz um concurso para contratar mais jornalistas.

Há quatro anos a Câmara tinha 63 jornalistas (TV Câmara inclusive), hoje tem 132 contratados. Todos com salário acima de R$ 9 mil, por cinco horas de trabalho diárias. Com as gratificações o salário pode facilmente chegar a R$ 16 mil. É um jornalista para cada 4 deputados. Fora a assessoria de imprensa de cada gabinete, cujo custeio entra nos gastos do Gabinete. É um batalhão de jornalistas de fazer inveja a qualquer grande empresa de comunicação. Mas a atividade-fim da Câmara não é comunicação.

Os jornalistas que trabalham em veículos de comunicação raramente ganham acima de R$ 2 mil. A maioria, mesmo em Brasília, que é um lugar que “paga bem”, ganha o piso salarial, que é algo por volta de R$ 1,3 mil.

Mesmo no governo, os salários dos jornalistas não tem comparação com os da câmara. Nos ministérios quem ganha muito bem chega a R$ 6 mil (claro, sempre pode ter algum por fora, via agência de publicidade que serve ao ministério, mas essa não é a regra).

O concurso de março abrirá as portas do paraíso de R$ 16 mil mensais para mais 13 coleguinhas “absolutamente necessários”.

Segundo apurou a BandNews FM junto ao Tesouro Nacional, não foram só os jornalistas que aumentaram de número na Câmara. O total de servidores (ativos e inativos) era 19,5 mil em 2002 e em dezembro de 2006 estava em 20,7 mil. Claro que o novo presidente da Câmara, ao ser entrevistado na mesma reportagem, disse que não sabia que os jornalistas ganhavam tanto.

ESTADO DE CARNAVAL
Esta é uma das épocas mais ingratas para os jornalistas, em especial de política. O Lula já avisou que só mexe no ministério depois do Carnaval. Os deputados catarinenses só vão por a mão na massa da reforma depois do Carnaval. Ninguém está disposto a dizer nada que preste nesta semana porque sabe que poucos vão prestar atenção.

Declarar-se em “estado de Carnaval”, para um jornalista, significa mais ou menos o mesmo que o “estado de calamidade” para um município. Em todo caso, como não tem outro jeito, seguirei aqui, skindô-lê-lê, tentando tirar samba da pedra.

E por falar em samba, estou aquecendo os tamborins para desfilar, pela primeira vez em meio século, numa escola de samba. Será numa escola estreante do carnaval de Itajaí, que tem o supreendente nome de “Escola Família” e cujo enredo homenageia o Dalmo Vieira, jornalista que criou o DIARINHO.

Fiz um teste pro pessoal ver minhas habilidades de sambista e aí me arranjaram uma vaga de empurrador da alegoria. É uma posição de responsabilidade, embora de pouca visibilidade e que exige um certo esforço físico. Não sei se conseguirei fazer muitos malabarismos enquanto estiver empurrando o carro com a diretoria do jornal em cima.

Ah, e quanto ao carnaval de Florianópolis, não sei se estou muito enganado, mas é uma coisa para turistas, para quem não conheceu os bons tempos do carnaval de rua da capital. Prefiro ficar longe. E Itajaí é uma ótima opção.

AS LEIS E A EMOÇÃO
Os políticos demagogos e oportunistas acham que prestam um serviço público ao tentar legislar sob forte comoção popular. A cada crime bárbaro levantam-se das cadeiras estofadas onde cochilavam e com os bolsos chacoalhando de moedas, dizem bobagens sem sentido, apenas para faturar algum prestígio em cima da dor alheia e das legítimas preocupações de todos nós.

Ficam anos sentados sobre projetos importantes, jogando com a barriga as atualizações que a legislação requer e daí, sobre o sangue ainda morno de alguma vítima, levantam a voz como se fossemos todos idiotas. E fazem um arremedo de pressa, mostram para as câmeras que estão “trabalhando” para resolver problemas graves. Bobagem, falta de caráter, vagabundagem da mais deslavada.

Fazer com que um assassino fique mais de três anos na cadeia não é coisa que se consiga de uma hora para outra. Precisa mexer em muita legislação e em muita coisa: nas condições carcerárias, por exemplo. Precisa que deputados e senadores trabalhem duro por meses a fio, para dotar o país de uma legislação moderna. Mas isso, trabalhar duro, não é com eles.

É muito melhor levantar o cadáver despedaçado de um menino, pisoteando sobre nossa alma esmigalhada de dor e fazer pose de salvadores da pátria. Demagogos, incompetentes, vão trabalhar, vagabundos. Para evitar os crimes. E não usem os crimes para lustrar ainda mais suas caras de pau.

5 comentários:

Maurício disse...

Cesar.
A questão da criminalidade, basicamente pela inércia dos "legisladores", precisa ser repisada, diariamente, com a tônica que você deu, para ver se o povo acorda e aprende a votar.
Os jornalistas responsáveis precisam abrir mais espaços para comentários sobre a má atuação dos políticos no cerne da profissão deles e cobrir menos as intrigas partidárias.
Atualmente, ao se abrir um jornal o que vemos são matérias sobre o político "A" que foi para o partido "PQP" e coisas do gênero.
Esses políticos, VAGABUNDOS, que só querem tratar de questões eleitoreiras e partidárias são os grandes responsáveis pela situação que vivemos e devem desaparecer das páginas dos jornais e da tela das TVS, porque esta é a forma de matar este tipo de praga.
Uma das questões que precisa ser urgentemente tratada é a da idade de responsabilidae penal.
Hoje, da forma como se encontra, o limite mais prejudica os jovens do que os protege, visto que não há crime de quadrilha que não apareça um jovem aliciado apresentando-se como responsável.
E esses políticos, VAGABUNDOS, perdem sessões inteiras discutindo o aumento de seus salários já elevados, a eleição dos presidentes das casas e outras picuinhas. É uma vergonha.

Ilton disse...

Caro Cesar: essa manifestação foi a mais lúcida e pertinente que, até o momento, li, vi ou ouvi, na imprensa brasileira. Partindo de você, não poderia ser de outra forma (desculpe o lugar comum), mas, novamente, não se fará nada. E pelo caminho que muitos apontam, mudará a lei mas não a realidade social, que continuará na barbárie. Um grande abraço.

Tambosi disse...

Não vi político nenhum ficar indignado. E a petralhada querendo botar capa na coisa. O esquadrão dos anjos infratores é que se mostra diariamente, na voz de juízes inclusive, não querendo mudar nada.
Acampamento é assim mesmo.

Gin disse...

CV
Nada não, vim matar a saudade :c)))
Quer dizer, também!

Êta texto perfeito, assino embaixo, posso?

No meio desse papo todo o que me deixa mais bege é a tecla usada e abusada da "minoridade" penal; nesse momento é o menos importante já que, pelo menos no RJ, há milhares de menores, com menos que 16, fazendo estrepulias aterrorizantes. Adianta alguma coisa, tipo assim séria e efetiva, baixar de 18 para 16 para solucionar uma "guerra civil"?

Ô políticos sonolentos e mofados, que não conseguem sequer discernir entre a mão direita e a esquerda!!!

No mais, aláláô ô Ô Ô Ô ô
Bom feriadão, CV
Bjs

Gin disse...

PS: estrepolias - foi a Cerpa...