quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Quarta

(OS DADOS ABAIXO FORAM COMPILADOS E PUBLICADOS ORIGINALMENTE POR WWW.NOBLAT.COM.BR)

68.520 agressões contra crianças foram registradas no Brasil em 2006. Foram
5.710 casos mensais de humilhação, de surras, de violência sexual, de negligência. Ou
190 por dia. Ou
7,9 por hora.

Os maiores agressores são os pais.

FONTE: Sistema de Informação para a Infância e a Adolescência, da Presidência da República (SIPIA)

A polícia consegue elucidar apenas
3% dos homicídios no Rio de Janeiro, enquanto nos Estados Unidos uma média de
65% dos homicídios terminam esclarecidos e seus responsáveis, julgados.

FONTE: José Alexandre Scheikman, professor de economia da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, em artigo publicado na Folha de São Paulo, em 3 de dezembro de 2006.

Somente no ano passado policiais de São Paulo eliminaram
705 pessoas. Sendo que
570 morreram porque resistiram ao trabalho da Polícia, segundo os registros da Secretaria de Segurança Pública.
As outras 138 perderam a vida assassinadas por policiais que estão sendo investigados por homicídios culposos ou dolosos.

FONTE: Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo.

Só nos 12 primeiros dias de fevereiro
120 pessoas morreram assassinadas no Rio de Janeiro. Foram
10 homicídios por dia. O que significa
1 homicídio a cada 2 horas e 24 minutos.

FONTE: Riobodycount (www.riobodycount.com.br)

319 mulheres foram assassinadas no ano passado em Pernambuco, estado recordista em violência contra mulheres.

Só em janeiro de 2007,
27 moradoras do Recife sangraram até a morte.

O número de assassinatos de mulheres em Pernambuco aumentou
30% em apenas quatro anos.

FONTE: Jornal O Globo, edição de 11/2/2007

4.517 crianças tiveram suas vidas ameaçadas por castigos físicos em 2006 no Brasil. Dessas,
1.385 tinham menos de seis anos de idade.

FONTE: Sistema de Informação para a Infância e a Adolescência, da Presidência da República (SIPIA)

(Para abrir uma ampliação é só clicar sobre a foto)

INSANIDADE
Cerca de 24 mil alunos voltam hoje às aulas, só em Florianópolis. Hoje, vocês sabem, é quarta-feira e no sábado começa o carnaval. Terão, essas crianças, três dias de “aulas” e em seguida um feriadão de cinco dias. Voltarão, se formos otimistas, numa quinta-feira, para mais dois dias de “aulas” e depois o final de semana.

Nada mal, para um sistema educacional “faz-de-conta”. Mas uma verdadeira insanidade se pretendemos fazer com que “educação de qualidade” ajude a reduzir as desigualdades sociais e a violência. Se os educadores não conseguem produzir um calendário que faça sentido, não dá para acreditar que conseguirão produzir um ensino que resulte em aprendizado eficiente.

Zêlo hipócrita esse, que a pretexto de mostrar “seriedade”, atrapalha férias, feriados e lazer em família. Só pode ser comodismo ou carência de recurso intelectual para encaixar com naturalidade, na vida escolar, um feriado tradicional. E a cada ano se discute a coisa e a cada ano se inventa uma moda nova e a cada ano nossos filhos aprendem menos de professores que, a cada ano, se mostram mais despreparados e pretenciosos. Eles também são produto da escola mambembe, que reproduzem servil e acriticamente.

FOLIAS DE MOMO
O Marcos Bayer mandou-me cópia de um rolo de serpentina jurídica que ele pretende lançar sobre o carro alegórico do Centro Administrativo, para animar a festa. Ele pede que o Procurador da República abra os olhos (e os ouvidos) para o seguinte samba-enredo: quando o governo do estado mudou-se para a sede do BESC (em 2003), fez algumas reformas para instalar os gabinetes do governador e do vice, “sem licitação”, segundo afirma Bayer. Ele dá ao confete (realização de obra pública sem a devida licitação) o nome de “corrupção”. E pede providências.

Pra “facilitar” o serviço do Ministério Público, diz que o Cícero Dobner, de Bombinhas, foi o responsável pela execução das obras. Eskindô-lê-lê.

Um comentário:

mauricio disse...

Cesar,
Permita-me discordar de você quanto ao uso do FGTS.
O governo não pode e não deve utilizar aqueles recursos em infra-estrutura ou qualquer outro tipo de despesa.
Trata-se de um patrimônio dos trabalhadores que está sob os cuidados do Estado, mas terá de ser devolvido.
Posso admitir que o Governo se utilize do superávit que venha a obter na aplicação dos recursos, frente ao que está comprometido. Tarefa fácil devido a pequena remuneração que paga aos depositantes.
O que se faz necessário é que se contenham neste patagruelismo financeiro e se limitem a gastar o que é obtido com a exação, o que já é bastante.
Utilizando-se dos recursos do FGTS, estaremos, daqui a meses, discutindo sobre a falência do FGTS, tal qual discutimos sobre a (mentirosa) falência da Previdência Social.
Um dos grandes erros da política fiscal é a utilização de recursos para finalidades divergentes daquelas para as quais foram recolhidas.
O espaço é pequeno e não quero fugir do foco. O governo não pode gastar os recursos do FGTS.
Abraços.