sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Sexta

Lula com o Governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), no gabinete do Presidente, no Palácio do Planalto (pra ver uma ampliação, é só clicar sobre a foto. Para os muito curiosos: a marca da TV é Philco).

ESSE DIARINHO…
Já disse aqui mais de uma vez: errar, todo mundo erra, mas é na hora de reconhecer ou consertar o erro que a gente vê quem tem e quem não tem caráter.

A emenda feita ontem, na primeira página do jornal, de um erro cometido anteontem na primeira página, “foi melhor que o soneto”, como disse o jornalista Alexandre Gonçalves, no blog Coluna Extra, que comentou o fato.

É por coisas como esta, que certamente não passam despercebidas ao leitor, que o DIARINHO continua crescendo em vendas e em índice de leitura.

ADEUS AN CAPITAL
Já que comecei falando em jornal, vou continuar. A RBS já definiu a data em que vai fechar o suplemento AN Capital, do jornal A Notícia: 15 de março. O caderno, que circulava diariamente desde setembro de 1995, foi um belo projeto, que agora perdeu a razão de ser: os novos donos do jornal têm outras duas publicações no mesmo mercado. Li a informação no blog do Carlos Damião.

ADEUS RÁDIO GUAÍBA
Os mais antigos, cinqüentões e sessentões decerto lembram do Correio do Povo e da rádio Guaíba. Foram os principais veículos de comunicação do Rio Grande do Sul, com grande circulação em Santa Catarina, também.

Na década de 70 a empresa faliu e, em 1986, um arrozeiro endinheirado, Renato Ribeiro, comprou a massa falida e reiniciou a publicação do jornal e manteve no ar as rádios (AM e FM) e a TV Guaíba.

Com o mesmo desprezo pela informação aos clientes e funcionários que demonstrou ao comprar o grupo, o arrozeiro vendeu a rádio e a TV, de uma hora para outra e sem qualquer anúncio oficial, para a Igreja Universal do Reino de Deus (Rede Record).

No Correio do Povo (que na fase atual circula em formato tablóide), nem uma única linha sobre o negócio.

Enquanto os catarinenses se assustam com a concentração dos meios de comunicação nas mãos da RBS, os irmãozinhos gaúchos arregalam os olhos com o avanço do Bispo Macedo sobre os espaços ainda não ocupados pela rede dos Sirtosky. Profissional e friamente, acredito que, no caso da Guaíba, dos males, a Record é o menor.

A VIDA NÃO VALE NADA
Os gritos do menino arrastado pelos bandidos ainda não silenciaram e a estupidez humana trata de, a cada dia, adicionar novas demonstrações de inviabilidade da vida em sociedade, tal como a conhecemos.

Na quarta-feira, um funcionário da prefeitura de Carazinho, RS, matou a facadas uma menina de 10 anos que não quis entregar os R$ 12,00 que carregava, fruto da venda de uma rifa.

TÁ TUDO DOMINADO
O novo presidente da Câmara quer processar jornalistas do Correio Braziliense que publicaram, antes do Carnaval, reportagem mostrando a relação entre as doações de campanha e a composição das comissões temáticas da Câmara.

Por exemplo: um deputado que faz parte da comissão de Minas e Energia, “por coincidência”, recebeu relevantes doações de empresas dessa área.

Deu o maior bafafá e reacendeu a discussão sobre a questão complicada dos financiamentos de campanha. Mas o mais interessante foi o que não foi publicado: o jornal “esqueceu” de falar na poderosa comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática.

E esta comissão tem uma característica especial: vários de seus componentes são, eles mesmos, proprietários de emissoras de rádio e TV. Ou seja, diretamente interessados em influir na legislação a respeito.

A Comissão de Educação também tem vários deputados que são donos de faculdades e escolas (como o João Matos, aqui de Navegantes). Mas a comissão de Comunicação mexe com calos muito maiores e mais doloridos.

Como lembra o Venício Arthur de Lima no site Observatório da Imprensa,
“uma rápida leitura da relação dos membros da nova CCTCI revelará que lá estão figurinhas carimbadas como, por exemplo, Eunício de Oliveira (PMDB-CE), Jader Barbalho (PMDB-PA), José Rocha (PFL-BA), Vic Pires Franco (PFL-PA) e Paulo Bornhausen (PFL-SC), com sabidas ligações com a radiodifusão”.
No Senado a coisa não é diferente, com a silenciosa criação de uma nova comissão de Comunicação, desmembrada da comissão de Educação. O presidente é o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), não por acaso suplente do ministro das Comunicações, Hélio Costa. E entre seus membros estão o bisbo Crivella, de notória ligação com a Rede Record, o radialista gaúcho Sérgio Zambiasi, apoiado pela RBS e vários outros igualmente conhecidos.

QUEM MANDA?
Os partidos políticos, no Congresso, são meras ficções, legendas de faz-de-conta. Quem manda mesmo são as várias “bancadas” formadas segundo interesses comuns.

Segundo levantamento do jornal O Estado de S.Paulo, são 113 as frentes que atuam na Câmara. As maiores e mais influentes são a bancada empresarial (120 parlamentares); a bancada ruralista (104 deputados); a bancada das comunicações ( mais de 100 participantes, com José Sarney e Fernando Collor incluídos); a bancada sindicalista (60) e a evangélica (depois dos escândalos do ano passado, voltou mais fraca só com 36 deputados). Também são poderosas as frentes da segurança, municipalista e ambiental.

Consideradas como um indicativo da fragilidade dos partidos políticos e da falência das ideologias, as frentes visam objetivos concretos, como a aprovação de determinadas leis, a alteração de certos dispositivos ou a garantia que benefícios não sejam modificados.

FORÇA BRUSQUENSE
Com a saída do Dado Cherem para ocupar a secretaria da Saúde, assume a vaga, na Assembléia Legislativa, o Serafim Venzon (PSDB), cuja base eleitoral é Brusque. Vai conviver no plenário com seu adversário Dagomar Carneiro (PDT, o homem da camisa vermelha, afilhado do Ciro Roza, prefeito de Brusque). Disputaram votos para deputado estadual naquela região e provavelmente disputarão os mesmos votos no ano que vem, ao concorrer à prefeitura.

O NOME CERTO DA AVE
Tal e qual a maioria daqueles que procuram errar menos e acertar mais, escrevi aqui, com todo cuidado, o nome de guerra do deputado Edson Renato Dias: Periquito. Afinal, é assim que se chama aquela pequena ave papagaioforme de canto estridente. Mas ele próprio, quando o encontrei semana passada, esclareceu: é Piriquito. Com i. Então tá.

3 comentários:

Carlos Damião disse...

Lá em cima, na nota sobre emendas (erratas), lembrei de imediato da história de A Gazeta - conheces?
Na década de 1950, o bravo diário florianopolitano publicou uma chamada de capa: "Esquadrilha da Fumaça dá show no c u de Brusque". No dia seguinte, diante do escândalo, veio a emenda: "Onde se lia, ontem, 'Esquadrilha da Fumaça dá show no c u de Brusque', leia-se: 'Esquadrilha da Fumaça dá show no c u de Brusque'". O problema estava na fonte utilizada (linotipo), que insistia em não aparecer corretamente: céu. Abraço, do Damião

Ilton disse...

Com a venda das rádios e da TV Guaíba vão-se os últimos baluartes da cultura riograndense mais autêntica e telúrica, como dizem por aqui. É uma pena. Segundo noticiou a "coirmã" RBS, o jornal Correio do Povo e as operações de Internet não entraram no negócio. Um abraço.

Mauricio disse...

Cesar,
Já que estamos falando de erratas, gostaria de corrigir um erro de digitação de um comentário meu, quando grafei "patagruélico", quando minha intenção era digitar pantagruélico.
No que diz respeito ao nome da "ave", penso: se o nêgo é "Quirido", o periquito pode ser "Piriquito".
Abraços.