segunda-feira, 29 de setembro de 2008

RETA FINAL

Acompanhei o debate de ontem... hoje, nos blogs do Damião e do Paulo Alceu. No domingo à noite fui assistir à pouco divulgada, mas instigante e refrescante “Adubo”, no teatrinho do SESC, na Prainha. Ali um grupo de jovens atores, formados pela escola de artes cênicas da UnB, mostrou um trabalho de excelente nível onde a densidade do tema (o suicídio, a morte) não impediu que a platéia, em certos momentos, risse bastante. E em outros, ficassem em dúvida se ria ou se chorava. Uma montagem profissional, apresentada com a vitalidade e a criatividade dos amadores (no bom sentido).

Um dos atores, Juliano Cazarré, está no elenco da nova série brasileira da HBO, “Alice”. E é filho do jornalista e escritor Lourenço Cazarré, que trabalhou aqui em Florianópolis anos atrás. Não fosse por este fato (o pai coruja avisou que o filho passaria por aqui com sua peça), teria perdido este espetáculo por absoluta falta de informação a respeito. A divulgação dos eventos culturais em Florianópolis anda precisando de uma revisão.

Bom, mas voltando à campanha eleitoral e ao debate, parece que perdi alguma coisa. Finalmente os candidatos começam a agir como gente e não como atores bem treinados. E o líder das pesquisas e atual prefeito, dá-se conta do óbvio: estão todos atirando pedra no telhado dele. Ora, ora, desde que foi realizada a primeira eleição, provavelmente para síndico das cavernas, o preferido da maioria é também o principal alvo. Na escola primária do marketing político isto é ensinado já na primeira semana. Não faz sentido que um candidato escolado, veterano de tantas eleições, queixe-se que estão tentando derrubá-lo.

Hum... faz sentido, sim. É o famoso marketing da vitimização. Uma resposta planejada aos inevitáveis ataques. Para que o eleitor e a eleitora desavisados digam “tadinho do moço loiro...” E para que qualquer acusação, com fundamento ou não, possa ser rapidamente colocada debaixo do tapete, como coisa de gente ruim, que não quer o bem da cidade, apenas prejudicar o “moço bonzinho que nunca fez nada de mal pra ninguém e só quer ajudar as pessoas”.

Isto aconteceu no Recife, onde um “juiz malvado” impugnou a candidatura do moço bonzinho de lá, o petista que lidera nas pesquisas, candidato da situação. Os computadores da secretaria municipal de educação que a PF apreendeu, recheados de material de campanha que eram enviados dali para os eleitores, não são nada. O importante é que “querem calar a voz do povo do Recife” e para isso “inventam” que o candidato usou “a máquina”. Tadinho.

Pode acontecer exatamente o mesmo aqui, se algum juiz eleitoral aceitar as denúncias que foram protocoladas na sexta-feira pelo PCdoB. O discurso será, sem dúvida, aquele conhecido, do “não conseguem ganhar nas urnas e querem ganhar no tapetão, contrariando a vontade do povo”. Desde o começo da campanha é acusado de tudo. Tadinho. Em geral o eleitor compra essa história. E não liga muito se houve crime ou não, se as suspeitas têm fundamento ou não, se o que foi feito ajudou ou não a alterar o resultado, das pesquisas e da eleição.

Aliás, sobre essa questão de liderança nas pesquisas e confiabilidade dos institutos, recomendo vivamente a leitura da nota abaixo, onde reproduzo informação de O Globo, citada pelo Noblat.

2 comentários:

Anônimo disse...

Achei estranhíssima a troca de gentilezas entre o Afrânio e o Dário. Logo o PSOL... Tem caroço nesse angú...

Thamy disse...

Não quero falar de política, eu só quero me juntar para reclamar sobre a falta de divulgação da programação cultural por aqui. A gente fica sabendo depois que passou... porque alguém (por sorte ou por algum amigo que avisou) viu. Até mesmo quando nos dedicamos a procurar, é difícil.