sábado, 25 de outubro de 2008

O DEBATE

Se eu fosse um E.T. que tivesse chegado a Florianópolis na hora em que começou o debate, teria achado que o pobre do Dário estava atrás nas pesquisas, procurando desesperadamente uma brecha para minar o poderio do adversário. Impressionou-me a forma como o Alemão (que, ao contrário do que o E.T. pensa, está à frente nas pesquisas, faz tempo) subordinou seu discurso ao que o Amin dizia ou sugeria. Se fosse psicólogo ou psiquiatra talvez pudesse diagnosticar alguma coisa como complexo de inferioridade. Mas, para felicidade de todos nós, sou apenas um jornalista cansado e enfastiado, que não agüenta mais ver debates políticos na televisão com tamanha disparidade entre os contendores.

Deixem-me explicar antes de me apedrejar: acho que o eleitor tem todo o direito de achar que o Dário fez um bom governo e que merece continuar por mais quatro anos. Teve até um comentarista que disse que é fã do Amin, mas gosta do Dário e vai votar nele porque quer votar no Amin pra Senador (vai entender a cabeça do eleitor...). Mas que os debates entre Amin e Dário não têm graça, por favor, admitam que não têm mesmo. O Amin, independente do que vocês acham dele e dos... (palavra da moda) “métodos” dele, é um sujeito culto, informado e articulado. O Dário, coitado, mal e mal repete o que lhe disseram pra repetir.

Vamos convencionar o seguinte: não é pré-requisito pra administrar bem o que quer que seja, que o cara tenha cultura e consiga falar coisa com coisa. Mas num debate político, como num jogo de futebol, o legal é ver times com força semelhante. Sai faísca, levanta poeira, anima a torcida, empolga a galera. Até o Amin, que é um sujeito de inteligência aguda, memória prodigiosa e reflexos rápidos, diante do adversário capenga, ficou xoxo. A seleção brasileira joga mal com adversários fracos e às vezes surpreende diante de adversários competentes. Foi mais ou menos assim que senti o debate.

Isto não tem qualquer significado eleitoral. O eleitor sabe onde lhe aperta o sapato e o que a prefeitura fez (ou não fez) por ele. Muitas vezes, mesmo quando é maltratado, prefere votar na continuidade, porque tem esperança que a coisa melhore. E acha mais complicado mudar do que continuar. Mas o fato é que eu não sou um eleitor comum. Sou um jornalista com mais de 35 anos de janela. Desde pequenininho minha vida tem sido achar defeito no que eu via, ouvia ou lia. Meu pai me incentivava, em 1958, a ler criticamente o Pato Donald. Então, por favor, não me peçam para dizer que, neste debate, o Dário se saiu bem.

Ah, bem a propósito: sou contra essa bobagem de “campanha propositiva”. Isso é uma enganação que os marqueteiros criaram para livrar a cara de candidatos que estão com o rabo preso. Campanha política é pra mostrar os defeitos de cada um. A verdadeira cara de cada um. Caracas! Campanha propositiva é o cacete!

Idiotas que nada têm a propor nem têm como se defender vêm com essa história para tentar calar quem levanta a folha corrida deles. Como diriam os americanos, “bullshit”! Debate é para quem tem inteligência, vocabulário e cultura. Gente de poucos recursos nesta área, ficará repetindo bordões e se apoiando nas muletas do “né”. Podem ser excelentes administradores. Mas, em países com democracia consolidada, não seriam eleitos nem para síndicos de prédio de três andares e seis apartamentos.

Fiquem tranqüilos os militantes de um e de outro lado. A massa dos eleitores não lê meu blog. Não lê, aliás, nem jornal. Tal como boa parte dos próprios políticos, jamais entenderiam o que escrevi aqui. Perguntariam à pessoa do lado se eu estava ou não ofendendo seu candidato. Não estou ofendendo ninguém. Estou apenas constatando, mais uma vez, que a história seria outra se o machismo dos Berger tivesse reconhecido que a Dona Rose é milhares de vezes melhor que o Dário. Acho que, nesse caso, estaria dizendo aqui que o Amin foi soterrado pelo discurso moderno e vigoroso de uma mulher sintonizada com as necessidades da cidade.

Bom, mas a família escolheu, para candidato, o elo mais fraco. Então, sem opção, mantenho o que disse. Boa sorte a todos. E que vença o que tiver mais votos.

Em tempo – discordo dos colegas que classificaram como “baixaria” a troca de acusações. Baixaria é ficar jogando pra debaixo do tapete as questões que cada lado considera importantes e fazendo, como se estivéssemos num conto de fadas, de conta que não há problemas a serem debatidos. A assepsia em campanha política é hipócrita. A campanha é o momento de expor os podres, purgar as pustemas, jogar limpo com o eleitor. Campanha propositiva é a baixaria das baixarias...

12 comentários:

Anônimo disse...

Tio César,

Ainda há "jornalistas em SC", parodiando "há juízes em Berlim"!
Beijo no coração pela clareza da análise!
Apraz-nos tua inteligência e perspicácia.
Sucesso sempre, com seu costumeiro humor ranzinza!

Anônimo disse...

Catarse é a que deve-se buscar numa campanha política, aliás, campanha em sua acepção primeira significa acampamento de tropas, campo de batalha, batalha, conjunto de operações militares, enfim, fazer campanha é guerrear, e num estado de beligerância, ficar levando tiro e não revidar é, assim por dizer, submissão ou mesmo acatamento. Por isso, "Seu Dário" ao repetir o repetido repetidamente tal expressão " campanha propositiva" "chove no molhado", "não diz nada"... diz , em verdade, em mensagem subliminar que "OK, ELE (AMIN) TEM RAZÃO, MAS ACREDITO NA IGNORÂNCIA POLÍTICA DO POVO QUE ME COLOCOU AQUI, E LÁ VOU EU DE NOVO"!
Por fim, essa história de que o povo não gosta de baixarias é uma falácia;´o povo gosta de ver sangue, gosta de ver baixaria, gosta de ver sofrimento, vai ver que por isso votou no Dário!Adora sofrer, mas eu não! Vamos criar um município César? ;)
Juliano

Carlos disse...

Assino embaixo, César !
A verdade é que esse debate nem chega à algumas comunidades, como a do Rio Vermelho, pois por falta de sinal, só assistem TV por parabólica !
E pensar que nete país já houve o tempo que uma parabólica derrubou o Ministro do porte de Rúbens Ricúpero, só por que ele disse "em off" que coisa boa a gente mostra, a ruim não !
Quanta saudade daquele tempo, que parece que não volta mais !

Elaine Telles disse...

Pois eu achei o debate tão ridículo que só mantenho o meu voto porque acho que o meu candidato é MENOS PIOR que o outro. Se eu não tivesse princípios cívicos anularia meu voto!

Anônimo disse...

César, sempre fui muito crítico aos teus comentários, achando-os, inclusive, tedenciosos. Mas, DESTA VEZ, assino embaixo. Vc. foi muito feliz em todas as suas colocações. Só gostaria de colocar o seguinte: Acredito que o povo não aceita candidatos PREPOTENTES; RAIVOSOS; POSUDOS e ARROGANTES. Por isso, a agora acrescido por aquele comentário extremamente infeliz no segundos finais da propaganda gratuíta, onde a comentarista fez mensão ao Romildo da novela, é que, muito provavelmente irá se confirmar esta última pesquisa da RBS. Mais uma vez, parabéns pela inteligência ( que lhe é peculiar) das colocações em sua análise crítica.

Otavio disse...

Realmente você tem razão em todas as vígulas, ambos na realidade seriam bons em cidades com menos de 600 habitantes e sem informação.
Depois deste debate tão ruim acho que está na hora do Esperidião se aposentar como político.
Vejam a empresa de marketing da campanha, para ter o cuidado no futuro de não contratar para nada. Muito ruins.
Que vença quem for mais votado.
Não está dando nem para desejar boa sorte, porque o Dario também foi ruim demais nos debates, parece aquelas bonecas compradas no Paraguai que só repete, repete, repete,repete...

Carlos Andrade disse...

O pior de tudo é que a RBS está isolando o restante do estado desse levantamento da ficha corrida que está ocorrendo. Segundo o Mosquito, o restante do estado assites a programação normal da Globo e o horário político de Porto alegre... É o cúmulo, privar os eleitores, que já tem memória curta, dos fatos que estão sendo apurados...

Fascista é o compportamento da Rede Brasil Sul.

C.A.

Anônimo disse...

ESTÁ TUDO CERTO, MAS QUE O DÁRIO MELHOROU EM RELAÇÃO AO ÚLTIMO DEBATE EU NÃO TENHO NEM DÚVIDAS.

Anônimo disse...

Os dois foram horríveis. O Amin não devia ter se rebaixado ao nível do Dário e bem que podia ter explanado um mínimo de propostas. O Dário, sem comentários, nem o melhor marketeiro do mundo conseguiria dar um jeito na ignorância dele. Sem dúvida, amanhã é 99 da cabeça !

Anônimo disse...

Prá min, o Esperidião deve pegar o boné, e esquecer da política. O povo está saturado dos AMINS. Chega !

Anônimo disse...

Que obsessão pela moça hein ??? Kkkkkk....atentai ao décimo mandamento....,oh preclaro escriba !!!
Diversão à parte. Florianópolis já perdeu, antes mesmo do primeiro turno a derrota era evidente. Candidatos carreiristas, em fúria ególatra. Vejam a câmara....agora lotada de novatos coorporativistas ou por "senhoras matronas" com 5, 6 mandatos consecutivos. A Ilha seguirá a sanha de ficar de cócoras, à mercê de um empresariado iletrado, vingativo e depredador. Até a "comunist baby", Senhorita Albino agachou-se aos interesses da Arena Florianópolis, em uma cena que o eleitor mais atento nunca esquecerá. Dário-Amim é a imagem do pária, do mascate de vontades, de tudo que passa longe das necessidades, das ações de proteção e planejamento que nossa cidade urge. Hoje é domingo e Florianópolis amanhece derrotada, despida, cada dia mais machucada.

Leandro Damasio disse...

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