quinta-feira, 20 de novembro de 2008

ESSES BRASILEIROS...

É possível extrair duas leituras do fragmento de notícia reproduzido abaixo, copiado do DC Online. A primeira, naturalmente, de sentimento pela desgraça ocorrida e solidariedade com a dor dos familiares e amigos. A segunda, desde que se tenha algum distanciamento, emerge das próprias informações:
“O criciumense Giovani Araújo, 40 anos, morreu em um acidente de trânsito na madrugada de terça-feira, dia 18, em Londres, na Inglaterra. A Casa do Catarinense, instituição de apoio ao emigrante, pretende trasladar o corpo em um prazo de até 10 dias.

A instituição está mobilizada para comprovar a nacionalidade de Giovani, que portava documentos falsos em nome de um cidadão português.”
Com que então uma entidade chamada “Casa do Catarinense” vai se ocupar das despesas decorrentes da morte de um ilegal, que além de não estar autorizado a trabalhar no país, ainda cometia o crime de fazer-se passar por outra pessoa.

E o que é essa “Casa”? Em 2006, quando pretendia obter, na Câmara de Vereadores de Criciúma, o título de “entidade de utilidade pública”, divulgaram-se algumas informações sobre ela (o grifo é meu):
“A Casa do Catarinense, como é conhecida a associação, tem o objetivo de dar apoio aos sul-catarinenses que vivem ilegalmente nos Estados Unidos. A Casa do Catarinense atende necessidades de urgência como doença, assessoria jurídica, auxílio no traslado de corpos de brasileiros e orientação a detentos e cidadãos, porém a associação está precisando de recursos para atender os imigrantes que precisam de ajuda”.
O presidente da Casa na época, Renato Inácio, justificava o pedido desta forma: “Dos 30 mil sul-catarinenses que vivem nos Estados Unidos, 90% estão em situação ilegal. Os maiores problemas que tentamos resolver são casos de doença e mortes. Temos conterrâneos passando até fome na região de Boston”.

Não deixa de ser curioso ver como alguns políticos, de olho nos votos das aflitas famílias dos “aventureiros” (que é como os ilegais parecem ser condescendentemente tratados), aproximam-se dessa associação. Houve até quem sugerisse a instalação de sedes no exterior, como “embaixadas” ou “consulados” alternativos, da República dos Ilegais. E mobilizam esforços e recursos em socorro e defesa daqueles que, por qualquer motivo (em geral para levar alguma ilusória vantagem financeira), preferem viver na clandestinidade, muitas vezes sob identidades falsas e envolvimento com algum dos vários sub-mundos que se ocupam dos ilegais.

Acho que há uma tarefa humanitária realmente nobre, que é tentar ajudar as famílias em seus momentos de dor e dificuldade. Mas todos esses catarinenses que resolveram “se aventurar” sabiam muito bem o que os esperava. Foram porque quiseram (exceto um ou outro caso de tráfico de pessoas) e deveriam saber que aos olhos de todos nós são apenas aquilo que escolheram ser: ilegais.

As notórias dificuldades que o Brasil impõe ao crescimento econômico de seus cidadãos, não deveria servir como justificativa para que um brasileiro se tranforme em criminoso (ilegal é criminoso, mesmo que não mate ou roube) em uma terra estranha. E sirva de capacho e mão-de-obra barata para espertos estrangeiros (ou até mesmo para espertos brasileiros, que exploram seus conterrâneos ilegais).

Melhor faria a solidária sociedade sul-catarinense se unisse esforços para pressionar pela criação de melhores condições de educação e profissionalização dos jovens em seu próprio país, com estímulo e incentivo ao respeito às leis. Para que possamos todos andar de cabeça erguida e em qualquer posto de fronteira, de qualquer local do planeta, apresentar, com orgulho e sem sofrer discriminação ou desconfiança, o passaporte brasileiro.

6 comentários:

Anônimo disse...

Qual o apoio que eles dão aos miseráveis que viem por aqui?
Devem estar qualificados como filantropos, para usufruir algum....

Homero disse...

É um dos efeitos do famoso jeitinho brasileiro, ou seja, quando não dá pelo oficial, vai pelo paralelo mesmo, afinal estado paralelo já temos, vide os morros do Rio de Janeiro. Porque não termos também embaixadas paralelas????

Anônimo disse...

Essa solução é bem criativa para desencavar mais algum dinheiro público (de todos) para benefício de alguns. Alguns pilantropos formam a Casa do Baiano, Casa do Mineiro, Casa do Sergipano etc. e pegam "doações" públicas ($$ de nossos exorbitantes impostos) e abrem filiais na maioria das cidades do mundo onde os nacionais vão tentar uma vida mais digna que a possível no Bananil. As "casas" dão "assessoria" aos que morrem atropelados e o resto apurados é para pagamento dos custos da casa, of course, que ninguém é de ferro.
Somos os campeões nesse tipo de negócio. Afinal, aqui é ou não e Casa da Mãe Joana? (Não dá pra se pensar numa aposentadoria para as mulheres do emigrados?)

Anônimo disse...

É a Casa mantida pelo Clésio Salvaro. Pergunta pro Décio se não dá voto a tal casa... E pergunta prá quem a família do morto que será transladado votará na próxima eleição

Jorge Garcia disse...

Caro César, para que tenhas um conhecimento mais aprofundado do tema, sugiro pesquisares no youtube "denúncia Salvaro"". Essa ONG (podemos chamar assim) foi idealizada pelo dep. estadual Salvaro como mais um forma de receber dinheiro público (chamadas subvenções) e repassá-lo a população "desassistida" do sul do estado, especialmente Criciúma, com vistas a engrandecer sua imagem e nome, objetivando elegê-lo prefeito, como sói aconteceu. O PT de Criciúma criou a peça que hoje está no youtube para colocar na sua propaganda eleitoral gratuita mas preferiu não utilizá-la. De qualquer forma, acho bastante pertinente seu comentário com vistas a moralizarmos a questão das ONGs e da malversação do nosso dinheiro.

alexsandra disse...

Eu sou familiar do morto!!! E e o que me dói é saber que fiam brincando com sentimentos das pessoas, dos familiares, mãe, filho...Foi procurado sim ajuda nesta tal casa!!! E quero que fiquem sabendo que nada foi feito em termos de ajuda de custo!!! Ok o corpo está lá ainda, e nós aqui sofrendo com a dor da perda e da angúsia da espera! Ele não era nenhum marginal, fora roubado seu ´passaporte e o dinheiro que tinha para se tornar legal no país, para poder trabalhar dignamente, pagar suas dívidas e ajudar a família!!! É MUITO FÁCIL CRITICAR PORQUE NÃO É FAMILIAR DE VOCÊS!!!!