terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Pedras no meio do caminho

TEATRINHO TIO CESAR DE DRAMAS (E COMÉDIAS) DO COTIDIANO




O Natal está cada vez mais perto e não fica bem a gente atravessar dezembro falando de coisas sérias, tristes e preocupantes. Por isso hoje abro as portas do Teatrinho Tio Cesar de Dramas (e Comédias) do Cotidiano, para apresentar a primeira peça escrita, dirigida e interpretada pelo fabuloso elenco desta coluna. Recostem-se confortavelmente e aproveitem o espetáculo

Primeiro ato: o monte de pedras

Num belo país distante, chuvas torrenciais fizeram com que um monte de pedras deslizasse pra cima da estrada que ligava o Sul ao Norte do reino.

Ao Norte, ficavam os palácios de veraneio e as praias de águas mais quentinhas. Era pra lá que todo mundo queria ir quando o tempo esquentava.

Mané 1 (diante da estrada bloqueada, dirigindo-se ao Vizir De Infra): “E agora?”

Vizir (segurando o queixo com uma das mãos, com uma sobrancelha mais elevada que a outra, na clássica pose dos sábios): “É simples. Iniciaremos cuidadosa remoção das pedras, enquanto vocês desviam pelas estradinhas recém pavimentadas pelo Al-Cai de férias”.

Mané 2 (intrometendo-se na conversa): “Sei não, aquela estradinha não vai agüentar o peso dos caminhões e ônibus e vai dar um engarrafamento monstro!”

Mané 1: “É mesmo!”

Vizir: “Capataz, isola a área, afasta os curiosos e não dá conversa pra malandro, que temos muito o que fazer”.

[Termina o ato numa nuvem de gelo seco, significando a poeira e a passagem do tempo]

Segundo ato: o inferno

Mané 1: “Bem que tu falastes, isto aqui não ia dar certo, olha só como o pavimento está afundando. A estradinha está indo pro vinagre”.

Mané 2: “Então, então, e olha só o tamanho da bicha, vai até onde a vista alcança. E a paulistada toda se enfia pelo acostamento, achando que tão arrombando.”

Mané 1: “Pois então não vi? Inda ontonte o Paulo Brito quase caiu na porrada com um galego. Se fosse um gaúcho armado, tinha dado um pipoco no Brito.”

[Sons de buzinas, freadas, motores acelerando, gritos e xingamentos.]

Terceiro ato: o bate-boca

Al-cai de férias: “Ô gente-boa, quando é que vais liberar uma pistinha aí pros meus eleitores queridos poderem passar?”

Sub-Vizir: “Vai demorar, é uma operação delicadíssima. Quando a gente tira a pedra de baixo, a de cima cai. Tem que ir bem degavarzinho”.

Al-cai de férias: “Ó, acho que não, hem? Já falei com o Rei Luís XV e ele disse que a coisa tá demorada demais. Dá um jeito aí e libera essa engronha até domingo ou eu vou ter que mandar investigar se não estás devendo IPTU e se a tua casa tem habite-se”.

Sub-Vizir: “Não tem jeito, mas em todo caso o trânsito tá todo passando aqui perto, o trajeto aumenta só uns poucos quilômetros. Te acalma que assim que der a gente abre uma passagem”.

Al-cai de férias: (irritado) “Olha aqui, ô rapaz, libera logo essa coisa, senão eu vou te processar por estares estragando a estradinha que mandei pavimentar com tanto cuidado faz pouco tempo”.

Sub-Vizir: “Também, do jeito que aquilo ali foi feito, não podia agüentar mesmo nem o peso da kombi dos produtos Catarina. Ô troço matado, sô!”

Al-cai de férias: “E quem és tu pra criticar minha pavimentação? Nem consegues tirar meia dúzia de pedras de cima de uma estrada!”

Sub-vizir: “Sou engenheiro de estradas, Sub-vizir do Vizir De-Infra...”

Al-cai de férias (ao telefone): “Dom Luís, assim não dá, assim não pode ser, tem um sujeitinho aqui desafiando a minha autoridade, se achando e dizendo que o Senhor não manda nele!” (para o Sub-Vizir) “Vais ver só o que é bom pra tosse, ô maleducado!”

[Saída às pressas]

Epílogo: o final feliz

Vizir: “Meu querido, pelos bons serviços prestados aqui nesta obra, vais assumir a partir de agora destacado posto de auxiliar de operador de caçamba na fronteira oeste do Reino. Tá aqui a passagem. Te manda”.

Sub-vizir: “Mas o que é que eu fiz? Não tratei bem a empreiteira que o Senhor escolheu? Não fiz o serviço direito?

Vizir: “Fez tudo direito, por isso ganhastes a promoção. Ah, e é claro que a conversa que tivestes com o Al-cai de também ajudou.”

Sub-vizir: “Nem dei bola porque ele, afinal, não está de férias? Ainda manda alguma coisa? Por que não reassume de uma vez?”

Vizir: “Seilhá, vai ver é alguma coisa da descentralização, um trabalha e o outro passeia e dá bronca. Coisa assim...”

Sub-vizir: “E aqui, o que vai acontecer?”

Vizir: “A gente vai abrir uma passagem pra liberar pro trânsito logo, nem que seja em meia boca”.

Sub-vizir: “Mas e se chover? Essa coisa está completamente instável, é arriscado deixar sem escorar...”

Vizir: “A gente deixa a polícia rodoviária avisada, para interromper de novo se chover muito. E sair de baixo, hehehe!”.

Sub-vizir: “Hahaha”.

[Saem abraçados. Pano rápido]
Nota do Autor: a peça acima é ficção fictícia. Qualquer semelhaça com fatos ou pessoas passados, presentes ou futuros, vivas, mortas ou de férias, é mera coincidência.

14 comentários:

Anônimo disse...

Assim num dá César !
Tás ironizando nossos mandantes numa hora tão difícil ??? Tststs !
O cara tá de férias e tá só se preocupando cum nóis e ainda ironizas ? Isso não se faz César !
Eu acho que tu devias é chamar o Ronaldão para promover uma campanha para angariar fundos para ajudar as empreiteirazinhas da cidade, pois a da Beira-Mar Continental já parou também !
Tem maledicentes dizendo até que é por causa das "comissões" que os hómi tão cobrando para pagar dívidas de campanha que estão inviabilizando as obras !
Eu é que não acredito numa coisa dessas...

Anônimo disse...

hauhuahuahuahuahuahuahuaa
uhahuahuahuahuahuahuahuahua
huahuauhahuauhahuahuahuahua
Só esqueceu do "Galin(h)a"
Abraços

epaminondas disse...

Me desculpe, mas este tipo de teatro não pode ser apresentado (ou seria representado?) nas suntuosas instalações do melhor e mais moderno teatro do reino.
Acho que tá mais para circo. daqueles com tourada e tudo mais, onde o cara que vende o bilhete corre para vender a pipoca e ainda atua como palhaço.
Se bem que para palhaço eles podem pegar qualquer um de nós que estamos na platéia, logo atrás das autoridades civís, militares e eclesiásticas.

Anônimo disse...

César, tu és dimais seu istepozinho!

Cumé qui di uma cabeça só pode sair algo tão criativo e em tempo tão real rapaz?

Tu és realmente um fenômino da iscrita rapaz, parabéns!

Anônimo disse...

Tio César,

Já que tais tão criativo, sugiro uma outra peça teatral discorrendo sobre a importância da recuperação do Estado versus a importância da reforma administrativa!
Eta racinha Republicana esta turma do DEM/PMDB/PSDB. O Estado em crise e eles demandando espaço no Governo.
E o Rei, curva-se, como um COVARDE nunca visto nestas terras!

Anônimo disse...

Está no Jornal O Carona que é distribuido gratuitamente no TICEN:
Três equipes da prefeitura e funcionários da Radial Engenharia estão realizando Operação Tapa Buraco.
Não estou insinuando nada, mas ter a empresa do irmão do Prefeito para realizar esse trabalho interminável de colocar asfalto frio que é levado na próxima chuva....
Hummmmm

Anônimo disse...

tio cesar tu conseguiu vender a peça p/ passar la no teatro do alcader maior?
Ela tem q passar la...hahahha
Tio cesar tu é o maior,adorei....
aquele teatrólogo da globo nau sabe o q temos aqui.....hahahaha



Abraços


Ronaldo

Anônimo disse...

Que legal! Pena que só agora vc teve essa idéia. REu adoraria ter visto uma sobre a inauguração do Elefantão, com cena de helicóptero e tudo...kkkkkk

Anônimo disse...

ENQUANTO ISSO

PF prende presidente do TJ-ES e mais seis
Policiais da divisão de Inteligência do Departamento de Polícia Federal de Brasília prenderam na manhã de hoje o presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, desembargador Frederico Guilherme Pimentel, outros dois desembargadores, um juiz e mais três pessoas não identificadas. Os sete mandados de prisão cumpridos foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que também autorizou 24 mandados de busca e apreensão.


Entre os locais que estão sendo visitados pela PF está a residência do desembargador Elpídio José Duque, no bairro de Santa Cecília, em Vitória, onde a quantidade de dinheiro encontrada foi tamanha que os policiais federais precisaram requisitar ao Banco do Brasil uma máquina para a contagem das cédulas.


A operação da PF, batizada de Naufrágio, é continuação da Operação Titanic, ocorrida no dia 7 de abril deste ano, também em Vitória, mas que envolveu Ivo Júnior Cassol, filho do governador de Rondônia, Ivo Cassol, e o ex-senador Mário Calixto Filho, que chegou a ser preso, foi solto por liminar do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, mas teve novamente a prisão decretada quando os demais ministros do STF cassaram o habeas-corpus de Mendes. Hoje ele é considerado foragido.


Na operação Titanic, foi desbaratado um esquema de importação ilegal de veículos promovido pela TAG, de propriedade de Pedro e Adriano Scopell, empresários capixabas que abriram a empresa em Rondônia para se beneficiarem de isenções fiscais. Na operação, também estavam envolvidos auditores da Receita Federal lotados no Espírito Santo. Os presos da operação de hoje serão levados para Brasília, onde a investigação foi desenvolvida por causa do foro especial dos desembargadores.

Anônimo disse...

Tio cesar li agora no moacir:

PMDB reage

Reunidos hoje durante almoço na Assembléia, os deputados do PMDB não conseguiram esconder a incontida insatisfação com as mudanças anunciadas pelo governador no Secretariado Estadual. Manifestações críticas não faltaram durante a reunião. Até a hipótese de alguma reação pública de inconformismo da bancada chegou a ser cogitada, mas descartada.

O avanço do Democrata foi considerado tão significativo, que alguém chegou a mencionar que o futuro de Luiz Henrique pudesse ser o antigo PFL. Exageros à parte, a reforma enfraqueceu as pretensões do ex-governador Eduardo Pinho Moreira.

MAS DESSE GOVERNADOR O Q SE PODIA ESPERAR MAIS?

Anônimo disse...

Bem feito para os incompetentes do PMDB. Por falar em incompetência, vc conhece algum secretário estadual do PMDB? PMDB nunca soube administrar, não tem bons administradores. Só tem votos, votos capachos, e agora não reclamem do Luiz XV tripudiar até mesmo os deputados, tudo por conta do apoio da triplice aliança a seu nome para Senado. Meu Deus, quanta gente pobre e cega dentro do pmdb

Anônimo disse...

E as pedras voltaram a interditar a rodovia... Fiquei 20 minutos para percorrer 50 m. Fiz as contas e rapidamente descobri que deveria pôr minha barba de molho e aguardar um momento melhor para enfrentar o resultado da incompetência de nossos governantes. Isso foi há 1:30h atrás. Ainda agora a fila está imensa e locomovendo-se como uma tartaruga manca. Haja paciência!

Anônimo disse...

LHS para o Senado? QUE VENHA!! VOTAREI ATÉ NUM POSTE SE ESSE FOR O CONCORRENTE DELE !! Depois dessa, "efeito Paulinho" nele, PMDB....

Anônimo disse...

Notícia do Terra que certamente influenciará a opçao dos turistas:

SC 401
Um trajeto de pouco mais de 5 km acabou sendo percorrido em cerca de duas horas e meia. "Saí do centro as 17h e cheguei em Jurerê Internacional quatro horas depois", disse a empresária Luiza Mendes Junqueira.