segunda-feira, 2 de junho de 2008

PRESO POR EXTORSÃO

O delegado Renato Hendges, do DEIC, me informou, hoje de manhã, que o empresário Nei Silva (revista Metrópole) foi preso em flagrante, por extorsão. Ele teria pedido mais dinheiro pelo livro aquele (“Descentralização no banco dos réus”, sobre o qual falei aqui em primeira mão) e “caiu” no momento em que iria receber uma parcela. O empresário Danilo Gomes, outro dos sócios da revista Metrópole, também foi levado ao DEIC, mas não ficará preso.

A Justiça decretou, hoje de manhã, que a investigação corra em sigilo.

Vou me informar melhor e volto ao assunto depois do almoço.

Atualização da tarde:

Não há muita coisa além disso. A grande novidade é que, segundo o delegado Renato Hendges, o dono da revista estava pedindo R$ 1,5 milhão para não publicar o livro. No livro ele citava uma dívida de R$ 380 mil.

O título que dei às notas que publiquei (“Retrato de uma chantagem”) estava, portanto, correto.

Na delegacia, Ney Silva teria afirmado que apenas divulgou um “press release” do livro, sem ter distribuído o conteúdo. Ora, na quinta-feira o mesmo passarinho que deixou a cópia xerox do livro na minha porta, deixou-a também na porta de outros jornalistas. Sem release. E com mais de 300 páginas. Além do que, se o livro foi depositado na Biblioteca Nacional, como consta de uma de suas páginas iniciais, deixa de ser um relatório privado. É, de fato, um livro destinado à publicação.

O flagrante e a prisão foram feitos hoje de manhã num local próximo ao DEIC. Como, até o final da investigação, a coisa vai correr em segredo de Justiça, não foram divulgados muitos detalhes, mas “está tudo gravado e documentado, com a monitoração que estávamos fazendo”, diz o delegado.

A publicação dos principais trechos, aqui no blog e no DIARINHO, pode ter precipitado o desfecho. Afinal, se o que estava sendo negociado era a possibilidade manter o conteúdo do livro em sigilo, sua publicação, aqui, deve ter embaralhado todo o esquema.

Outra novidade é que, também segundo o delegado, no original do livro, o prefácio é do Danilo Gomes (Na cópia que recebi era assinado por Danilo Prestes: pseudônimo?).

O DEIC tem 10 dias para concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Judiciário.

Uma questão curiosa: outros veículos e jornalistas tinham o livro, receberam no mesmo dia que eu (e segundo nota do Cacau Menezes domingo, no blog dele, a “distribuição” começou quarta). Ninguém publicou nada na sexta e no sábado. Ora, a coisa é escandalosa, envolve, se confirmadas as alegações, dinheiro público, tem inúmeros indícios de ilícitos de vários tipos: por que escamotear uma coisa dessas do conhecimento do público?

Quando por mais nada, pelo simples fato que a revista Metrópole ocupa lugar de destaque nos processos contra LHS que já estão tramitando. Mereceria umas linhas. Mas preferiram silenciar. Eu fiz o que achei que devia e a repercussão foi enorme, mas, novamente, apenas no âmbito dos blogs e nas rodas de conversa.

Pois bem, agora, com a prisão do autor do livro, por extorsão, é possível que o fato seja noticiado. Sem que os veículos tivessem informado, antes, sobre as graves histórias que acabaram provocando essa prisão. E com a decretação do segredo de Justiça, não podem ser divulgados trechos do livro até o final das apurações.

Se, por absoluto desinteresse dos concorrentes o DIARINHO saiu na frente sozinho, agora, com a colaboração da Justiça, está mantida a exclusividade. Quem viu aqui viu, quem não viu só verá coisa nova depois que for levantado o sigilo judicial.

10 comentários:

Schneider disse...

Em sigilo? Por quê?
Se praticou crime (extorsão) que seja preso. Mas o sigilo é para proteger quem?
Isso lembra o caso da Marlene Rica. Se envolve homens públicos a transparência deve ser ainda maior.

Anônimo disse...

O cara até pode ser um picareta, mas quem pagou para sair na revista, todos, também deveriam ser presos.
Temos que lembrar que qeum pagou, pagou com com dinheiro público.

Anônimo disse...

Tio César,

Alguém comentou sobre o relator do processo do Luiz XV no TSE: "ainda há juízes em Berlim"!
Parodiando: "ainda temos jornalistas me SC"!
Parabéns, tanto por cobrir o assunto de forma jornalística isenta, como indignando-se com os dois lados: corrupto e corruptor, chantagistas e chantageados.
Não tem inocente nesta história!

Anônimo disse...

É o fim da picada! E os que deram origem ao esquema, não serão presos?!?!?!

Schneider disse...

O caso é público. Sigilo por quê? Muito estranho isso. Também é estranho de que, depois de divulgar o livro, alguém queira pedir grana para não divulgar. Já é público. Muito estranho mesmo.
Será que os deputados estaduais cumprirão seu papel? Basta tornar públicas as denúncias. As denúncias já foram publicadas e, agora, são de conhecimento público e podem ser lidas por todos. Ou as edições do Diarinho serão incineradas? Vazou. Agora é tarde!

Anônimo disse...

Parabenizo o nobre jornalista pela iniciativa e forma de exposição da matéria. Inteligente e eficaz.

Anônimo disse...

Como são os "donos" da Polícia, fica fácil prender o cara. E os verdadeiros bandidos? Quem vai prende-los? Só se for a Federal. Mais um escandalo no governo do faz de conta. Parabéns César.

Lisandrea disse...

César, eu acho que o que poderia ser um bom furo acabou servindo para municiar o governo. Eles tiveram o final de semana todo para montar essa tal tentativa de extorsão e tirar o sujeito de circulação, abafando o caso. Cá entre nós, por que o cara estaria querendo extorquir o governo se ele mesmo já tinha distribuído o conteúdo do livro? Mas de qualquer forma vale cumprimentá-lo pela iniciativa de publicar o que muitos preferiram fingir que não existia.

Anônimo disse...

Tio César,

Pelo visto "como sempre neste país" os bandidos se denunciam.
Onde andam os jornalistas investigativos daqui?
Parabéns novamente por ousar ser diferente da mídia oficial.
Têm decanos nesta profissão que parecem gestores da "imprensa oficial": só colocam a tranca quando a porta foi arrombada!

Anônimo disse...

Segredo de justiça. Pois sim. E o NOSSO DIREITO de saber a verdade sobre as coisas que dizem respeito ao governo que gere o nosso dinheiro?