sábado, 31 de maio de 2008

TV CULTURA, CANAL 6

Na foto acima (de 2005), o grande Darci Lopes (à direita), conversa com o Roberto Alves e com a Sílvia Hoepcke da Silva (rádio Guarujá) num evento na Assembléia Legislativa.

O Moacir Pereira, em seu blog, lembra-nos que há 38 anos o sinal da TV Cultura, canal 6, entrou no ar. Não é um aniversário qualquer. Nem é data pra gente deixar passar sem uma referência, e várias reverências.

Conta Moacir que foi o Roberto Alves, na coluna do DC, que comentou o fato. E cita os diretores da emissora: Darci Lopes, Lauro Caldeira de Andrada, Leon Schmigelow, Arno Schmidt, Frederico Buendgens e Ody Varela.

Quem faz TV hoje em Florianópolis, na verdade, precisa ter muito cuidado com o que coloca no ar, para não desmerecer a história de seu surgimento na cidade. Uma história que faz bonito em qualquer parte do mundo e que, parece, nem todos conhecem ou nem todos valorizam como deveriam.

Até mesmo a fantástica aventura da verdadeira TV pirata (aquela que foi ao ar sem a devida concessão) do Silvestre, que funcionou bem ali na esquina do Senadinho merece estudo e respeito, porque mostra uma forma de ver e fazer televisão que não é comum. E não foi mera coincidência que do grupo reunido na Sociedade Amigos da Televisão, inicialmente responsável pelas repetidoras das emissoras de outros estados, tenha saído a primeira TV. Eram amigos da TV, que a trataram com grande carinho nos primeiros anos, permitindo que a cidade se visse e se reconhecesse.

Mauro Amorim, Marisa Ramos, Pacheco, Roberto Alves e Oscar Berend são alguns dos pioneiros que consigo lembrar sem esforço. Eram tempos românticos, amadores no bom sentido, da TV Cultura. O Roberto Alves, aliás, é um capítulo à parte. Uma das personalidades brasileiras de TV mais adaptadas e adequadas ao veículo, o Roberto parece estar mais à vontade na frente da câmara do que em sua própria casa. Algumas pessoas fotografam bem, outras são esforçadas, mas são muito poucas as que “funcionam” na TV naturalmente, com o timing exato, a noção clara da intimidade com o telespectador, o uso correto das inflexões. Este é o Roberto Alves, que sobreviveu às mudanças que a TV florianopolitana atravessou as várias fases, com maior ou menor tempo de programação local. E que é bem a nossa cara.

O fato da TV Cultura ter sido colocada no ar por um grupo de pequenos e médios empresários, é único. O “normal” é que as concessões sejam dadas a grupos poderosos, com conexões políticas amplas. E o espaço que abriu para as coisas da cidade ajudou a transformar aquela cidadezinha provinciana, mexeu com a capital.

Fui um atento observador da Sociedade Amigos da Televisão: ficava de binóculo, da minha casa, no Estreito, no final da tarde, vendo a Rural do Darci Lopes subir o Morro da Cruz para ligar a repetidora da TV Piratini. Era um tempo de TV escassa, imagem ruim e antenas domésticas enormes. Mas eles iam lá em cima, todo dia, por amor à camisa.

Depois, quando ganharam a concessão e colocaram no ar as primeiras imagens da fase experimental, com aquele 6 que formava um olho, a emoção foi grande. Era, também, ainda muito jovem, um espectador fiel da TV Cultura.

Quando a TV Cultura foi fazer a primeira transmissão de Carnaval a cores, fiz uma coisa que parece ter azedado, para sempre, a minha relação com aqueles pioneiros. Era cronista do jornal O Estado e metido, como até hoje, a ser crítico e independente. Assisti à transmissão do Carnaval na praia, em Canasvieiras, de bloquinho na mão. Anotando os deslizes que ocorrem em toda longa transmissão ao vivo. E publiquei as anotações numa crônica, sob o título: “TV Cultura. Cultura?” O jornal, na época, era o principal veículo de comunicação da cidade, lido por “todo mundo”.

Pra quê?

Nunca mais consegui consertar o estrago daquela exposição, por escrito, do que foi dito no ar. Até onde fiquei sabendo, os citados (Oscar Berendt, Roberto Alves e Marisa Ramos) ofenderam-se. À exceção de Marisa Ramos, que já era minha amiga e até hoje é muito gentil quando nos encontramos (e nunca se queixou daquele episódio), os demais, acredito, passaram a me ver como um inimigo. Sorte que o tempo ajuda a esconder o passado sob uma neblina e alguns fatos acabam perdendo a importância que um dia tiveram.

Em todo caso, independentemente do que aquela crônica possa ter sugerido sou, como sempre fui, fã de carteirinha desses talentos e admirador da forma como surgiu a televisão em Florianópolis. E queria deixar aqui, nesta data tão especial, os parabéns e um abraço de gratidão a todos esses pioneiros.

3 comentários:

jânio disse...

Bem feito. Lula também está aprendendo: não se mexe com a mídia.

Mauro Flores disse...

Quando se fala em Tv Cultura Canal 6, Os jornalistas nunca lembram do grande profissional que foi Dirceu Freitas Flores, faz oito anos que nos deixou , nunca é lembrado nas história da Televisão em Santa Catarina, Fica aqui o meu registro. Mauro Freita Flores

Anônimo disse...

Verdade dizem-se conhecedores da historia da TV , porem esquecem do cara que batia o esquanteio e ia cabecear a bola , pois no inicio da TV Cultura em SC poucos conheciam de TV e o saudoso Dirceu Freitas Flores , fazia de tudo em TV desde regular os antigos transmissores a valvula até apresentar tele jornais , pois nem nesta aréa havia profissionais , muitos aprenderam com o Dirceu Flores...fuiiii Marco Aurelio (filho do Seu Flores como era conhecido)