quarta-feira, 7 de maio de 2008

METRÔ A JATO

O governador LHS reuniu-se ontem com o vice, secretários de Estado e o prefeito de Florianópolis (foto acima), pra dar um gás no projeto do tal metrô de superfície. Disse, em resumo, que a implantação do trem urbano teria que ser acelerada para terminar em julho de 2010. Junto com o término das obras de recuperação da ponte velha.

Por que a pressa? Ora, crianças! Tem que terminar antes das eleições. Sabemos todos que faltam dois anos e que um projeto completo para trânsito urbano numa cidade complicada como Florianópolis não pode ser pensado, criado e executado em prazo tão exíguo. Mas LHS deixou bem claro que a decisão está tomada e que agora cabe encontrar a forma de realizar a coisa.

Ao mesmo tempo em que afirma, corretamente, que “trata-se de uma nova noção de transporte público, não se trata de apenas substituir ônibus por vagões”, o governador dá a entender que a prioridade é o prazo. A pressa.

E o planejamento e a implantação de novas noções de transporte público não podem ser subordinadas unicamente ao calendário. É bom que não se arrastem, mas a última experiência sobre integração de transportes urbanos que tivemos em Florianópolis não foi exatamente o que a gente poderia chamar de sucesso.

Os entusiasmados governantes, do estado e do município, vão fazer apresentações do projeto aos vereadores e à população. Nessas ocasiões seria bom verificar se houve um estudo integral de trânsito e transporte urbano, no município de Florianópolis e mesmo no seu entorno.

Isso que o Romualdo França, do Deinfra, apresentou na reunião sob o sonoro nome de “TRANSpolis – Transporte Metropolitano de Florianópolis”, parece ter sido mais um relatório sobre andamento das obras de recuperação da ponte, do que um estudo abrangente sobre mobilidade coletiva.

VAGÃO ANTES DA LOCOMOTIVA
Vocês estão entendendo minha preocupação? Uma coisa é fazer uma linha de trem de Barreiros ao centro. Com lindas estações feitas a toque de caixa, aproveitando, para a passagem das composições, algumas vias já existentes, como sugeriu o prefeito Darío. E “integrar-se” ao sistema de ônibus magicamente, pelo simples fato de ter seu ponto final no mesmo termial dos ônibus.

Até gostaria que os arquitetos, urbanistas e engenheiros que lêem o DIARINHO me corrigissem se estou errado, ou me mandassem calar a boca, se estou falando besteira. Não se dota uma cidade de um sistema eficiente de transporte coletivo simplesmente decidindo (com base em quê? no estudo de quem?) que o metrô vai... hum... ah, já sei, de Barreiros ao Centro ou de Barreiros à UFSC.

Por que não do Kobrasol? Ou da Palhoça? Ou de Biguaçu? Não parece que foi uma escolha aleatória, sem levar em conta as demandas e as prioridades?

E agora serão feitos todos os projetos, a jato, para realizar o que já foi definido pelo governador. Não deveria ser o contrário? Estudos e projetos antes da decisão? Mas isso nem é tão grave quanto o que, daqui à distância parece que está acontecendo: um lindo trem urbano colocado na cidade (até como “atração turística”, como lembrou o prefeito Darío), sem integrar-se, como deveria, ao grande projeto de mobilidade urbana da capital.

Tomara que eu quebre a cara e que amanhã joguem na minha porta um pacote com os resumos de todos os estudos já feitos e de como o trem vai complementar, maravilhosamente, a malha prevista para a cidade. Que em 2010, além de eleger novo governador, começará a deixar seus carros particulares em casa e a deslocar-se rapidamente, sem gastar muito, por trem, bicicletas, ônibus e lanchas.

9 comentários:

Anônimo disse...

O padre de Paranaguá ensinou o caminho: O metrô suspenso por bixigas de hélio seria o mais rápido e econômico.
Strix.

Schneider disse...

Acredito que para implantar um sistema de trens urbanos em Floripa, os estudos devem durar no mínimo um ano. Ainda mais que é uma área já congestionada. Isso, é claro, sem esquecer que é uma obra que deve ser planejada também para o futuro. Isso requer ainda mais cautela.
E para as obras? Quanto tempo será necessário?
Planejamento e execução não podem ser a jato. Esse imediatismo, fruto da prepotência, sairá muito caro. Isso, é óbvio, se conseguirem concretizar essa promessa faraônica.

Carlos andrade disse...

E vão analisar os vários tipos de metrôs???

Este projeto parece ser muito bom:
http://www.aeromovel.com.br/
http://www.pucrs.br/aeromovel/

Anônimo disse...

Esse metrô de superfície só recebe atençaõ do governador e do Prefeito em ano eleitoral! Já fizeram 3 festas aqui na cabeceira da ponte hercilio Luz p/ anunciar a obra. Imagina o que vão fazer esse ano para dar uma forcinha ao Dario....E tem gente que ainda acredita.

Anônimo disse...

Antes de qualquer definição sobre o metrô de superfície, é preciso definir como será a recuperação do vão central da Ponte Hercílio Luz, por onde passaria esse metrô.
Será que essa questão já foi resolvida ? Qual é a solução definida para essa recuperação ? Vão baixar o vão central ou vão passar um novo cabo ? Se for com um novo cabo, onde serão construídas as ancoragens ?
Qual é o custo da recuperação ?
Já foi lançada a concorrência para essa recuperação ? Pois ela tinha sido suspensa (a licitação, não o vão central !!)

Anônimo disse...

Parece que os jornalões não se cansam de "lançar" estes factóides, por mais absurdos que sejam. Imagino que pensam em influenciar a camada mais ignorante da população, justamente aquela que só tem acesso às informações que eles divulgam. A maior esperança não é a cassação do rei LHS, mas a lição que alguns veículos de comunicação podem levar.

Carlos disse...

Vejam que em 2006, ano da re-eleição do governador foi lançado o edital de concorrência para a realização de estudos para o pré-metrô.
Ocorre que depois da eleição, a licitação foi cancelada !
Era esse o edital:

"A SC PARCERIAS S/A, torna público que fará realizar a CONCORRÊNCIA PÚBLICA - Edital nº 003/2006, do tipo técnica e preço, regime de empreitada por preço global, regida pela Lei Federal nº 8.666, de 21 de junho de 1993 e alterações introduzidas pelas Leis nº 8.883 (08/06/94) e 9.648 (27/05/98), para Seleção de empresa de consultoria de engenharia para a elaboração dos ESTUDOS DE VIABILIDADE TÉCNICA, ECONÔMICA E AMBIENTAL, bem como de PROJETO BÁSICO E EXECUTIVO DE ENGENHARIA, de um sistema de trasnporte coletivo urbano de passageiros, tipo "TRANWAY", denominado "SISTEMA DE TRANSPORTE COLETIVO COM EMPREGO DE VEÍCULOS LEVES SOBRE TRILHOS - VLT", para a grande Florianópolis, com utilização da Ponte Hercílio Luz ou de outra alternativa viável de travessia.

Os envelopes contendo DOCUMENTAÇÃO DE HABILITAÇÃO deverão ser entregues no Protocolo Geral da SC Parcerias S.A., localizada no Centro Administrativo, na Rodovia SC 401, km 5, nº 4600 - CEP 88.032-005 - Saco Grande - Florianópolis - Santa Catarina, até as 14h00min do dia 17 de julho de 2006, com início de abertura dos envelopes às 14h30min do mesmo dia, no endereço acima mencionado.

O Edital e seus anexos poderão ser examinados e adquiridos na SC Parcerias S.A. a partir das 14h00min do dia 01 de junho de 2006, no endereço supracitado, ao preço de R$ 350,00 (trezentos e cinquente reais).

Os interessados poderão obter mais informações e exclarecimentos sobre o Edital na SC Parcerias S.A., pelo telefone (48) 3231-2000, Fax (48) 3231-2010 ou pelo e-mail scparcerias@scparcerias.com

Vinícius Lumertz
Diretor Presidente da SC Parcerias S/A"

Anônimo disse...

Esta licitação ocorrida em 2006 é a mais ridícula que já houve em terras catarinenses... ora, contratar na mesma licitação Estudo de Viabilidade e Projeto Básico??? E se não for viável, alguém já pensou nisto???
Será que não passou pela cabeça de nossos governantes dar uma olhadinha nos outros metrôs espalhados pelo país p/ ver qual é o tamanho do rombo que estão deixando??

Breno disse...

Um absurdo isso tudo, eu não estva a par de tais barabaridades perpetradas pelas nossas administrações públicas. A implementação de um sistema de transporte coletivo complementar ao existente (sem entrar no mérito), em uma cidade com a complexidade geográfica de Florianópolis, obviamente merece um estudo aprofundado até mesmo antes de se fazer qualquer consideração leviana sobre o assunto.

Em tempo: o edital de 2006 fala em "tramway", ou VLT (veículo leve sobre trilhos), o que é completamente diferente da ideia de metrô de superfície. "Tramway" é o velho bonde elétrico, que é utilizado em muitas cidades mundo afora e aqui entre nós já circulou em muitas cidades (sei que pelo menos no RS, POA, pelotas e Rio Grande possuiam sistemas de bondes elétricos, desativados na década de 60).

Breno