quarta-feira, 21 de maio de 2008

PACIÊNCIA ESCASSA

Por obrigação profissional, ouvi atentamente, olhando de vez em quando, a sessão da CPI dos cartões corportativos. A postura e o discurso de alguns parlamentares deram-me engulhos e fizeram com que a minha paciência acabasse mais rápido do que bateria velha de celular antigo.

Os tais de Carlos Wilson (PTC-MG) e Sílvio Costa (PMN-PE) por exemplo, foram fenômenos inacreditáveis. A impressão que fica é uma só: eles têm absoluta certeza que a gente é idiota. Somos todos desprovidos de inteligência. Ofendem-nos com a maior desfaçatez.

Ofendem-nos, por exemplo, ao pretender que doissê e banco de dados sejam coisas muito diferentes. Se você dá uso político para um conjunto de dados, convencionou-se que estaria formatando um dossiê. Mas qualquer reunião de dados também pode ser chamada de banco de dados. Portanto, é absolutamente irrelevante a discussão semântica.

Ofendem-nos tentando instalar uma nova versão para o caso, que foi uma “quebra de confiança entre amigos”. O coitadinho do Zé Aparecido teria passado, em confiança, um banco de dados seletivo para um amigo querido que, ingrato e desamoroso, só porque era assessor da oposição, passou o documento para um senador (que daí completou a “traição”, divulgando para a imprensa). E, com base nisso, deve-se premiar a vítima (o Zé da Casa Civil) e punir os demais (a turma da oposição). Pode?

Ou então: como os dados se referiam a gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e foram passadas para um senador do mesmo partido, não houve qualquer problema, “crime nenhum”. Problema seria se tivessem sido passadas para a senadora Ideli, que é do PT. Senti-me com seis anos de idade, assustado com a estranhíssima relação entre o coelho de páscoa (um mamífero) e aqueles ovos coloridos que lhes eram atribuídos. Sem falar na confusa confluência entre Papai Noel, suas renas e símbolos pagãos e o nascimento de Cristo.

E o tal do Zé Aparecido é um santo. Uma criatura inenarrável, que tem a acompanhá-lo uma auréola de desenho animado e, se prestarmos atenção nas costas dele, havia um par de asas angelicais. De fato, uma pobre vítima, iludida e enganada. Cujo computador anexa arquivos sem que ele tenha conhecimento e os envia enquanto ele estava distraído. Nem sei como sobrevive em Brasília, que é uma selva onde o burocrata maior sempre tritura o menor. Tadinho.

3 comentários:

Carlos Andrade disse...

Bom dia Tio Cesar.
Na boa, não endendi direito o porque de tanto bafafá. O governo não eh uma instituição que deve governar às claras? Qual o problema legal de se mostrar onde foi gasto dinheiro?? Podes me explicar?

Porque acredito, e espero, que toda essa discussão não seja apenas pelo tal arquivo sujar o nome de um governo anterior. Mas sinceramente não entendi e como eu, acho q muita gente está olhando sem entender nada...

Abraços

Carlos Andrade

Anônimo disse...

As CPIs são um erro, porque inócuas. Isso é caoisa "prá poliça", desde que, é claro, desaparelhada politicamente. O Congresso que vá legislar (ou aprender a fazê-lo).

Kiko Gatti disse...

Vosmecê tá indo bem, boa linha de raciocínio (não precisa muito prá lidar com estes caras do Congresso), mas deixa eu entender: O tal André "Gravatatorta" é um inocente então ? Um pobre néscio desprovido de maldade? KKKKKKK...E o assessor do Artur Vírgílio que espalhou o "DÔCIER" (como diria Mário Couto - PSDB-PA)? É mãe também ??

Turminha boa essa...e a gente gastando tempo com estes pobres de alma.