terça-feira, 13 de maio de 2008

O TRANSPORTE AQUÁTICO

O governador fez grande auê no sábado, ao inaugurar o “terminal hidroviário” da linha de barcos que, daqui a alguns meses, ligará Joinville a São Francisco do Sul. Na foto acima, está a lancha apelidada de “Jetvan”, com capacidade para 20 passageiros. Tem bancos estofados e bom acabamento.

Pois é, e aqui na Ilha de Santa Catarina, a terra do já teve, a terra dos casos e ocasos raros, temos uma das experiências de transporte coletivo aquático melhor sucedidas, aquela entre o centrinho da Lagoa e a Costa da Lagoa. E não vejo ninguém falar em melhorá-la, em aproveitar a experiência acumulada ali para levar a outras regiões.

Falam, é verdade, em trazer um barco russo, outro argentino, em lanchas a jato e catamarãs sobre patins. É possível que muitos dos que falam nessas coisas maravilhosas nunca tenham ido conhecer o dia-a-dia da linha de barcos da Costa. Que tal conversar com os usuários, com os cooperativados e ver o que deu certo e o que está ruim por lá?

Na foto acima, o terminal de embarque no centrinho da Lagoa. Tem barco de hora em hora e dependendo, até com maior freqüência. Na foto abaixo, um dos “pontos de ônibus” da linha.

Os barcos, é verdade, não são confortáveis, têm bancos de madeira sem encosto, nem sempre as janelas protegem de uma chuva com vento e a passagem é cara (eu achei, mas não perguntei o que que quem usa todo dia acha).

Já falei aqui inúmeras vezes, que isso de fazer uma coisa isolada não resolve um problema amplo e complexo como o da mobilidade urbana. É lindo ver que rios começam a ser melhor utilizados, é bonito ver que vai ter linha de barco, mas sem um plano geral, integrador, adianta pouco. Até porque cada uma das modalidades de transporte tem suas qualidades e defeitos.

Por mar nem sempre é mais rápido, mas se for mais barato, pode compensar. Por trem é mais rápido, mas o trajeto fica engessado, não tem como alterar facilmente. Ônibus é um conceito que está sendo repensado (em muitos lugares do mundo, mas não aqui), porque é leve, tem flexibilidade de rotas. E pode ser tão confortável quanto o trem ou um bom barco. O segredo do sucesso está em como usar e integrar tudo isso.

6 comentários:

Anônimo disse...

Cesar,

Uma outra vantagem do transporte aquático é tirar carros das nossas saturadas ruas. Os moradores da Barra da Lagoa reivindicam há anos a ligação marítima com o Centrinho da Lagoa, algo indispensável no verão, com os mega engarrafamentos da praia Mole e da Avenida das Rendeiras. Nesta época, o trajeto que normalmente é feito em 10 minutos pode levar até uma hora e meia. A ligação por barcos facilitaria a vida dos moradores, serviria aos turistas e também retiraria carros desse funil. O pessoal da cooperativa de barcos diz que assim que a Prefeitura permitir e der as condições eles passam a operar a linha. Há anos escuto nas ruas e leio nos jornais de bairro da região a reivindicação e as negativas da prefeitura em permitir a rota e instalar os equipamentos necessários (que são baratos e de fácil realização). Como o que é simples e de baixo custo não interessa às autoridades, por render poucos “dividendos” (vide a nota do Engenheiro, ai no blog), ficamos a ver “navios”, no caso, circulando entre Joinville e São Francisco.

Anônimo disse...

Sim, uma maravilha o transporte marítimo. Mas não esqueçam de que seja metro de superfície e/ou transporte marítimo, estes, necessariamente, tem que integrar com o transporte urbano. Não esqueçam...

Anônimo disse...

Há 30 anos fizemos- minha mulher, um filho recém-nascido e eu- o percurso da Lagoa até a Costa. nauqele só tinha uma picada que tomava duas horas apé pelo meio do mato. Em dia de temporal de vento sul, fomos numa baleeira cainda aos pedaços (ou quase afundando).
Hoje os barcos, pelo que vejo, são cheios de modernidade. Talvez por isso é que acabaram com a Lagoa. Floripa não tem furacões mas tem turistas...

Anônimo disse...

Seria interessante divulgar quando foi que a Prefeitura negou autorização para a coperativa de barqueiros fazer a ligação com a Barra da Lagoa !

Anônimo disse...

Só para lembrar: é que os terminais no "centrinho" e no Parque do Rio Vermelho, bem como os "pontos de ônibus" dos barcos foram construídos pela "tia", em substituição aos antigos trapiches que eram um risco de vida.
Essas obras revitalizaram o transporte para a Costa e representaram uma renda extraordinária aos restaurantes de lá !

Fernando Silva disse...

Só não sei os barquinhos da Costa da Lagoa seriam valentes o suficiente para enfrentar um dia de vento sul nas baías. Entendo que um hovercraft seria mais seguro (e rápido, mas mais caro também). Mesmo assim, é um absurdo que uma ILHA não tenha transporte aquaviário.