quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A CELESC E EU

A luz da minha casa/escritório acaba de ser religada. Fosse eu um pouco mais paranóico, acharia que alguém naquela empresa exemplar, que ganha todos os concursos de qualidade no atendimento (!), tem algo contra mim. Vou aproveitar que estou novamente conectado pra contar o caso. Tentarei ser breve.

Há alguns meses, ao pagar a conta de luz, fiz alguma confusão e, em vez de pagar uma conta de 237,58 (atrasada, pra variar) e outra de 293,87, paguei duas vezes 293,87. E fiquei tranqüilo, porque, n minha cabeça, estava com as contas pagas. A Celesc, portanto, recebeu dinheiro a mais. Até o “sistema” reconheceu isso, tanto que minha conta atual veio zerada, por causa da duplicidade de pagamento.

Só que o mesmo “sistema” que reconhece quando o clienta paga a mais, não é capaz de fazer o encontro de contas e usar o saldo para pagar algum débito atrasado. E como o “sistema” não é direcionado para autorizar o corte apenas por falta de pagamento, no mesmo instante em que gerou uma conta zerada, por excesso de pagamento, emitiu a ordem de corte, por falta de pagamento!

No momento em que tive a luz cortada, estava ainda com um crédito de R$ 60 reais na Celesc. Os terceirizados que fazem o corte não querem nem saber de olhar comprovantes de pagamento. Cortam sem sequer falar com o dono da casa. Quando meu computador desligou, no meio de um longo texto sobre abóboras, vi que tinha gente mexendo no relógio e saí porta afora, querendo saber que história era aquela, mas eles, gentis como soem ser criaturas que aceitam esse tipo de serviço, arrancaram o carro com cara de poucos amigos e sem maiores explicações.

Para religar, vocês sabem, tem que ir até a loja “mais próxima”. E a Celesc cobra R$ 55,00 e dá-se um prazo de quatro horas. Trata-se de um dinheiro ganho com enorme facilidade. Havia dinheiro a mais na caixa da Celesc, mas em vez de saldar o débito atrasado, o que poderia evitar transtorno e mais despesas, a empresa preferiu manter o corte. Coisas do “sistema”, construído com vários objetivos, entre os quais não está o bem estar do cliente.

O problema só não foi maior porque eu estava em casa na hora do corte (senão só ficaria sabendo quando chegasse à noite e teria que esperar até a loja da Celesc abrir, no dia seguinte, para fazer alguma coisa), o carro estava na garagem e havia um restinho de dinheiro no banco. Se dependesse de ônibus ou taxi e fosse um daqueles dias em que a conta estivesse no negativo do negativo, teria realmente me incomodado bastante.

A única vantagem de ficar essas horas sem luz foi que pude lavar a louça que estava acumulada, tirar a roupa seca do varal e ler um pouco. A desvantagem é que o serviço que dependia de computador e de luz atrasou.

Por falar nisso, não é hoje que vai ter a continuação daquele jogo que foi interrompido por causa das comemorações de cinco anos do apagão? Taí, tou no clima...

9 comentários:

Ilton disse...

Pois é, Cesar. O "cérebro eletrônico" é burro. Tanto quanto os que os programam sem prever uma situação como essa. Aliás, é do interesse "deles" não prever. Eu, que estou tentando ir morar aí na terrinha já estou enfrentando dificuldades com a CELESC. Mas isto vou contar no meu blog, na hora que julgar adequado. Grande abraço.

Carlos disse...

A realidade é que a empresa pode se enganar, mas o consumidor tem que ser infalível. Parece que o consumidor vive para ficar pensando na sua conta de luz !
Mas incrível mesmo é que esse sistema "tão perfeito para cortar" não seja capaz de emitir um aviso, como por exemplo, de que consta um débito que se não for pago até o dia X a energia será cortada ! Se o cara for reincidente, reduz o prazo ou aplica uma multa !
Ah ! deve ser simples demais para ser possível, não ?
Dia desses passei por situação semelhante, só que o corte de energia foi devido à necessidade de remover uns galhos que estavam muito próximos da rede. Perguntei por que não avisaram que a energia seria cortada, e a resposta foi de que era por que apenas poucas casas ficaram sem energia ! Quando retruquei que era mais um motivo para terem avisado, recebi um sorriso debochado do funcionário !
Tenho que reconhecer que a empresa é "de qualidade" pois pelo menos ninguém me mandou para lugar algum !

Anônimo disse...

César,

o que me deixa furioso nessa história de cortes de água e luz é que eles não querem nem saber se há anos e, às vezes, há décadas aquele consumidor sempre pagou em dia. Se é bagrinho: Pau! Assim mesmo,sem ouvir, sem conversar, como descreveste! Mas, de uma coisa,discordo: O sistema não é burro, não! Bastava inserir uma pergunta no programa do computador: o contribuinte Há mais de um ano paga em dia? Se a resposta for "sim", esclareça ou intime-o pessoalmente antes de cortar. O que acoantece é que quem gerencia o sistema é que é mal intencionado. E ninguém mais mais intencionado do que o governo! Não sou o primeiro a dizer. O governo e as empresas que em torno dele gravitam. J.J. Rousseau já se referia a este problema: a pior das guerras,aquela que estamos vivendo... aquela em que o governo se volta contra o próprio povo... Apagões à parte, penso que o artista César está precisando de uma assessoria financeira. De repente... pode-se conversar... sem interesse, apenas pela velha amizade que os bancos acadêmicos insistem em preservar.
abr, waltamir

Cesar disse...

Ô Waltamir, manda um e-mail (tem endereço no cabeçalho do blog). Ajuda nunca é demais...

Anônimo disse...

César,
Vou corrigir porque errei na digitação do comentário anterior e, também, para reforço:
repito que não sou o primeiro a dizer: Ninguém mais mal intencionado do que o governo e as empresas que em torno dele gravitam! e acrescento: "Tadinho do povo"!, a parte mais fraca nessa guerra intestina!, a que se referia Rousseau. abr, waltamir

Anônimo disse...

Cesar,

A conta da Trirradial está em dia com a Celesc?

Taí uma pauta interessante.

Abs

Pedro de Souza

Anônimo disse...

Já aconteceu comigo. E por culpa (e burrice) da CELESC. Eles mandam a conta atual e a atrasada na mesma fatura, com o código de barras da "atrasada" (muitas vezes já paga, como foi o caso) embaixo. Aí, pagou-se duas vezes a antiga e se deixou a nova... Mas como são maldosos e defendem os terceirizados, o cliente/consumidor/otário que se exploda e corra atrás... Como são cargos políticos os de direção, não querem saber do povo... Só na hora do voto...

Anônimo disse...

Avisar com antecedência? Não, né? Vai que o cliente consegue algum "habeas energia" preventivo. Aí como é que a CELESC vai forçar o "caloteiro" a pagar as contas?

Anônimo disse...

No Notícias do Dia de hoje mostra como a questão é resolvida nos bolsões de pobreza da cidade: Ao tentar subir no poste para executar o corte, o funcionário é intimidado sob ameaça de arma - "Se você subir, não vai descer"
Será que vamos ter que chegar a esse ponto para ser respeitado ???