terça-feira, 3 de junho de 2008

DIRETO DO TÚNEL DO TEMPO

No meio de umas tralhas antigas encontrei um recorte amarelecido do jornal A Notícia de 1976 onde se noticiava (com foto e tudo!) as coisas que eu teria dito durante minha passagem pela FURJ, num evento sobre Língua e Literatura. Infelizmente na época não era comum que as matérias fossem assinadas e as fotos tivessem crédito, então não sei quem é o autor ou autora do texto que transcrevo abaixo. E o transcrevo porque aquela idéia que eu tinha, trinta e tantos anos atrás, de dar voz a todos os grupos, está mais que nunca atual. Basta trocar os “pequenos jornais”, por blogs. Blogs que, na verdade, são pequenos jornais. Mais baratos e fáceis de fazer do que seus antecessores de papel. E a referência final, às asas e ao direito de voar, explica-se pela época: ainda estávamos sob a ditadura militar.

Criação de pequenos jornais
é defendida por Cesar Valente

A Notícia, 6 de outubro de 1976

“Numa escola, numa faculdade ,sempre deveria existir um jornalzinho circulando, exprimindo as queixas da maioria, ouvindo as explicações dos responsáveis por este ou aquele setor deficiente, organizando e facilitando as respostas a essas reivindicações”, foi o que disse na noite da última terça-feira o jornalista Cesar Valente, durante palestra integrante da Semana de Estudos de Língua e Literatura, que está sendo desenvolvida na FURJ – Fundação Educacional da Região de Joinville.

Falando sobre o tema “Jornalismo e Comunicação”, Cesar Valente, atualmente desempenhando funções junto aos jornais “O Estado” e “Desterro”, discorreu sobre as origens históricas da imprensa, e após tecer breves comentários sobre a posição do jornalismo no atual momento histórico por que passa o País, defendeu a criação de pequenos jornais nos recintos escolares.

– A necessidade de comunicação e informação de grupos minoritários está fazendo com que surjam pequenos jornais, chamados de “nanicos”, que no entanto, cumprem um papel importantíssimo no sentido de educar o público leitor a se interessar pelo que ocorre à sua volta. Especificadamente no caso das universidades, mostrou-se favorável ao debate, classificando-o de “sinônimo de diálogo”, concluindo que “além das tarefas óbvias de estimular o exercício da leitura, os pequenos jornais contribuem para aperfeiçoar a redação.

Mais adiante salientou que um jornal de faculdade que queira sobreviver alguns números, “deve procurar um modelo próprio e saber até onde o crescimento de suas asas não implica em poda total do direito de voar”.

3 comentários:

Anônimo disse...

Nossa, tio Cásar, tu já eras charmoso naquela época, heim?? rss rss

Pedro Lemos disse...

Nessa época tudo o que eu queria era uma Calói e um par de Conga.
:)

Anônimo disse...

Aí César, me fez lembrar os velhos tempos de Nanico, do curso de jornalismo da UFSC, criado por um desafio imposto por você, lembra? A publicação fez história ao levantar várias polêmicas no curso e, além disso, resultou na contratação da equipe pela Reitoria para confecção do Manual do Calouro. E essa contratação resultou num animado carnaval em Laguna para a equipe, mas essa não é uma história para esse horário.
Valeu!