terça-feira, 3 de junho de 2008

PERGUNTAS A GRANEL

A prisão do Nei Silva, em vez de responder às perguntas que a história de amor e ódio entre governo e revista Metrópole levantou, acrescentou mais algumas.

Acho que seria interessante – e aí conto com a ajuda sempre preciosa dos leitores e leitoras, nos comentários – fazer uma listinha das perguntas que não querem calar. Das dúvidas que os investigadores de boa vontade deveriam procurar responder à medida em que o processo avance.

1. Por que o amigo de longa data, sócio (ex?), colaborador, revisor e prefaciador (do livro “A descentralização no banco dos réus”) Danilo Prestes Gomes, depois da prisão do Nei Silva, afirma estar “decepcionado com as atividades do ex-sócio”? Se escreveu o prefácio do livro, teve acesso à “obra” inteira. E, pelo que escreveu, não parecia decepcionado. A decepção foi depois? Com o que?

2. Afinal, houve mesmo o fato novo que a polícia citou como principal motivo para o flagrante de extorsão? O preso diz que tinha ido buscar mais uma parcela do que ele achava que o governo devia. O delegado diz que ele, além da dívida explicada no livro, teria pedido mais de um milhão para não publicá-lo. O dinheiro entregue (pela terceira vez!) pelo ex-secretário Armando Hess de Souza na segunda-feira, em Florianópolis, era mais uma parcela do pagamento da dívida, ou a primeira parcela do pagamento da extorsão?

3. Por que o governo não tratou este caso, desde o começo, como caso de polícia? Se não tinha qualquer contrato com a empresa e as atividades dela estavam causando problemas e contrangimento, como agora alegam, por que não tomaram providências legais antes? Os out-doors da “Descentralização” que foram multados pela Justiça Eleitoral, por exemplo, teriam sido feitos sem autorização ou conhecimento dos “clientes”.

Bom, a lista está aberta. Ao longo do dia, se me lembrar de mais alguma coisa, vou adicionando.

Atualização da tarde:
Agora meu computador preferido, que estava na UTI, já está de volta ao batente, recuperado, ainda um pouco abatido (como perdeu um pouco de memória, está meio lento, mas logo-logo vai voltar a lembrar-se de tudo), mas bem mais ágil do que os ábacos com que tive que me virar nos últimos dias.

Vamos lá, trazer pra cá as contribuições dos leitores, nos comentários:

Alfonso Mattos (
10:46 AM) disse...

“Pegaram o safado EM FLAGRANTE quando foram pagar a primeira parcela (ou terceira, sei lá) da extorsão. Muito bem. Se tinha extorsão...tinha MOTIVO, não? Se tinha motivo, e esse era, forçosamente errado (senão, pra que a extorsão??), por que também não prenderam o Governo em flagrante?”

Herta Fleishmann (
11:06 AM) disse...

“Por que o segredo de justiça? Quando se trata de questão envolvendo o interesse público é possível usar "segredo"? Isso não se traveste em CENSURA não?”

Anônimo das
11:16 AM disse...

“Mas o cara não havia distribuído cópias do material pra todo lado, inclusive pra imprensa? Ora, o tio César até publicou vários trechos aqui na sexta-feira! Cadê o motivo da extorsão? Pedir dinheiro pra tornar público aquilo que já era público ? A coisa não fecha...”

Schneider (
11:45 AM) disse...

“Por que houve uma relação, direta ou indireta, de homens no exercício de funções públicas com uma empresa notoriamente de picaretagem ou oportunista?

Por que e quais interesses comuns colocaram no mesmo barco em passado recente aqueles que hoje são partes contrárias num possível episódio de extorsão?”

Anônimo das
11:56 AM disse...

“Parece-me claro que há um conluio entre as partes (governo estadual e editora) para desqualificar a denúncia mais grave, aquela que tramita no STF. É óbvio que sendo a Metrópole a principal geradora dos fatos que denuciam o governador e estando às vésperas do julgamento, um envolvimento em página policial diminui o impacto das denúncias lá em Brasília. Vejamos!!!”

Anônimo das
12:28 PM disse...

“Quanto adubo orgânico boiando nas plácidas águas da política catarinense... tem cocô de tudo quanto é forma... o Santa Luzia vai ficar congestionado com tanto exame de fezes, os encanamentos e fossas vão transbordar, CSI Floripa vai ter muito mais trabalho pericial que o CSI MIAMI e as perfumarias vão vender como nunca.”

Blog “E agora o que eu faço?” - Jorge Oliveira, de Laguna (
1:47 PM) disse...

“César.

Ninguém tira da minha cabeça que esse esquema armado foi de cabeça pensada.
Não fecha! Simularam a extorsão (e isso é evidente). Já sabiam que exemplares "alternativos" da publicação estavam sendo distribuídos. Não tinha mais jeito de estancar a sangria, até porque quantas e quais pessoas tiveram acesso a essas informações?

Assim, como quem está no inferno não custa dar um abraço no capeta, essa armação intitulada "extorsão" nada mais é do que pura tentativa de desqualificar as sacanagens que fizeram.

No entanto, devemos considerar outros dados importantes, quais sejam: 1) alguém estava devendo dinheiro para o Nei; 2) fizeram um acordo para o pagamento dessa dívida em parcelas; 3) o olho do cara cresceu; 4) as dívidas que ele contraiu eram muito grandes; 5) estava num beco sem saída; 6) não lhe restava outra alternativa senão cobrar o que lhe deviam e isso teria que ser de forma imediata; 7) não foi ele quem vazou a publicação.

Anônimo da
1:54 PM (depois de uma depuração do editor paranóico) disse...

Parece que outros tantos Neis Silvas existem por aí ainda em estado latente. (Estado latente? Disse-o bem!)

14 comentários:

Alfonso Mattos disse...

Pegaram o safado EM FLAGRANTE quando foram pagar a primeira parcela (ou terceira, sei lá) da extorsão. Muito bem. Se tinha extorsão...tinha MOTIVO, não? Se tinha motivo, e esse era, forçosamente errado (senão, pra que a extorsão??), por que também não prenderam o Governo em flagrante?

Herta Fleishmann disse...

Por que o segredo de justiça? Quando se trata de questão envolvendo o interesse público é possível usar "segredo"? Isso não se traveste em CENSURA não?

Anônimo disse...

Mas o cara não havia distribuído cópias do material pra todo lado, inclusive pra imprensa? Ora, o tio César até publicou vários trechos aqui na sexta-feira! Cadê o motivo da extorsão? Pedir dinheiro pra tornar público aquilo que já era público ? A coisa não fecha...

Schneider disse...

Por que houve uma relação, direta ou indireta, de homens no exercício de funções públicas com uma empresa notóriamente de picaretagem ou oportunista?

Por que e quais interesses comuns colocaram no mesmo barco em passado recente aqueles que hoje são partes contrárias num possível episódio de extorsão?

Anônimo disse...

Parece-me claro que há um conluio entre as partes (governo estadual e editora) para desqualificar a denúncia mais grave, aquela que tramita no STF. É óbvio que sendo a Metrópole a principal geradora dos fatos que denuciam o governador e estando às vésperas do julgamento, um envolvimento em página policial diminui o impacto das denúncias lá em Brasília. Vejamos !!!

Anônimo disse...

Quanto adubo orgânico boiando nas plácidas águas da política catarinense... tem cocô de tudo quanto é forma... o Santa Luzia vai ficar congestionado com tanto exame de fezes, os encanamentos e fossas vão transbordar, CSI Floripa vai ter muito mais trabalho pericial que o CSI MIAMI e as perfumarias vão vender como nunca.

Lunar - Jorge Oliveira disse...

César.

Ninguém tira da minha cabeça que esse esquema armado foi de cabeça pensada.
Não fecha! Simularam a extorsão (e isso é evidente). Já sabiam que exemplares "alternativos" da publicação estavam sendo distribuídos. Não tinha mais jeito de estancar a sangria, até porque quantas e quais pessoas tiveram acesso a essas informações?
Assim, como quem está no inferno não custa dar um abraço no capeta, essa armação intitulada "extorsão" nada mais é do que pura tentativa de desqualificar as sacanagens que fizeram.
No entanto, devemos considerar outros dados importantes, quais sejam: 1) alguém estava devendo dinheiro para o Nei; 2) fizeram um acordo para o pagamento dessa dívida em parcelas; 3) o olho do cara cresceu; 4) as dívidas que ele contraiu eram muito grandes; 5) estava num beco sem saída; 6) não lhe restava outra alternativa senão cobrar o que lhe deviam e isso teria que ser de forma imediata; 7) não foi ele quem vazou a publicação.

Jorge Oliveira
Laguna - Santa Catarina

Anônimo disse...

“Por que o governo não tratou este caso, desde o começo, como caso de polícia?” Ora, prezado César, o governo é o principal suspeito.
Sugiro uma acareação entre o Nei Silva e as pessoas que ele cita no livro. Duvido que aconteça. Afinal, é “segredo de justiça”.
Mas já sei o próximo capítulo. “Misteriosamente” o Nei vai dizer que nada daquilo que escreveu aconteceu, que foi tudo um delírio de sua cabeça atordoada com as dificuldades da empresa. Devidamente recompensado com o “ganho de consciência”, vai sair e também “misteriosamente” fará um tour pela Europa ou por outras bandas, bem longe de Santa Catarina.

Anônimo disse...

Parece que outros tantos Neis Silvas existem por aí ainda em estado latente. (Estado latente? Disse-o bem!)

(Republicado depois dos enormes cortes feitos pelo editor paranóico)

Pedro Lemos disse...

Gostaria de saber de que forma a Procuradoria Geral de Justiça receberá esse inquérito. Sem embargo, foi a primeira vez que ouvi falar em "extorsão" contra pessoa jurídica ... mas, como o nosso glorioso estado é peculiar em tantas coisas, não duvido que os nossos juízes acabem comprando essa idéia sem sequer pechinchar.

Anônimo disse...

Tio César,

Não era o Luiz VX que "tinha nojo de corrupção"?
E aí se alia com chantagistas, que não passam de corruptores.
Esta sim é uma política "velhaca", né Casildo?

Anônimo disse...

Que extorsão é essa afinal que já era conhecida no mundo dos blogs? Pra mim o cara foi cobrar a divida e mais uma vez não quiseram pagar, inventando uma extorsão. Simples assim!

Anônimo disse...

Este imbróglio todo é uma fratura exposta para uma categoria profissional: a dos jornalistas. Chamar este sujeito de jornalista é uma ofensa grave aqueles que praticam jornalismo com seriedade e honestidade. E o pior de tudo é que cidadão comum não diferencia o joio do trigo, colocando todos na mesma vala, a comum. E esse mesmo raciocínio vale para os políticos. Enquanto isso, a mediocridade grassa em todos os setores. Qualquer picareta imprime uma folha, publica um pasquim, escreve algo na internet, expressa sua opinião - o que é garantido pela Constituição - e sai por aí se auto-intitulando jornalista. Vivemos na era da informação, pena que a responsabilidade não faz parte da conduta de grande parcela da população.

Um país que têm a imprensa contaminada como a nossa precisa urgentemente rever seus valores. Buscar uma receita par expurgar uma instituição tão importante quanto essa. Antes que o paciente vire um moribundo, internado na UTI por conta de publicações vagabundas e aéticas.

Uma vergonha!!!!

Herta Fleishmann disse...

Aí a gente se pergunta: aquela propaganda toda, feita pela tal empresa, POR TODA SANTA CATARINA, foi ou não autorizada pelo governador? Se não foi, o jornalista estava maluco, se foi, o governo sabia muito bem que aquela era época de eleição e que, portanto, não podia fazê-la sob pena de comprometer o Princípio da Igualdade entre os Candidatos. Ora, se fez, o fez conscientemente, donde se conclui que a A ELEIÇÃO NÃO FOI LIMPA...A mim isso parece claro. Mas eu sou uma ignorante, não sou Ministro do TSE.