sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A TORCIDA E A POLÍTICA

De tempos em tempos os povos encantam-se com um líder e depositam em suas mãos (ou suas costas) esperanças, sonhos, desejos e torcem para que as coisas “mudem”. O desejo de mudança nem sempre (ou quase nunca) é algo objetivo, fácil de ser explicado. As pessoas querem mudar. Pronto.

O momento que estamos vivendo é espetacular. Nossos irmãos do Norte resolveram eleger, como depositário dessa coisa abstrata, mas muito concreta, que é a esperança de mudança, o senador Barack Obama. Um jovem político que, para complicar um pouco as coisas, é negro.

Engraçado que tenho lido, ouvido e visto, de muitos brasileiros, uma mesma preocupação: nós vivemos, há alguns anos, sensação parecida à que viveram, nos últimos dias, boa parte dos norte-americanos. Nós fomos às ruas comemorar a eleição de um metalúrgico, em quem todos tínhamos votado com um sentimento grande de esperança. Haveria de ser ele o agente da mudança com que sonhamos.

Mas a política, que é uma arte às vezes divina, às vezes demoníaca, enredou de tal maneira o nosso presidente de sonho, que hoje sabemos que pode ter ocorrido todo tipo de mudança: de nome, de cargo, de partido, de ponto de vista, de opinião, de bolso, mas aquela que a gente imaginava que iria ocorrer, não aconteceu. O sonho de um jeito novo, menos calhorda e canalha de conduzir os negócios de Estado e administrar os vários interesses, ficou perdido em algum ralo de banheiro.

E vemos, frustrados, que não há políticos diferentes. São todos iguais. Tomara que lá isto não ocorra.

3 comentários:

Wilmor Henrique disse...

Tio Cesar,
Estava pensando nisso agora.
Vendo as imagens do pessoal lá chorando emocionado com a eleição do Obama, lembrei da posse do Lula, da esperança de uma grande mudança.
Espero que eles tenham mais sorte nisso.
Não é possível que a turma de lá seja tão pelega quando a daqui.
p.s. E faz favor de continuar atualizando o blog na madrugada, vou trabalhar a noite toda e sempre é bom ter compania. hehehehe

Anônimo disse...

Na sua idade eu já tinha acordado destes devaneios há tempos. Benvindo à realidade.

Anônimo disse...

Pois é! Parafraseando Churchill (?), poderíamos dizer que, aqui no Brasil, "nunca, tantos foram tão roubados por tão poucos". Lá no norte, o Bush finalmente vai entregar o cargo. Embora pareça que o mundo todo tenha perdido com a administração Bush, não tenho dúvidas de que a indústria petrolífera, a indústria bélico-militar e a indústria farmacêutica, estão muito satisfeitas. Até mesmo os nossos novos caudilhos da América (casal Kirchner, Chaves, Evo Morales e Rafael Correa), tiveram em Bush um inesperado "cabo eleitoral" em que se alicerçar, para vender aos seus povos idéias populistas e atrasadas. Portanto, boa sorte a Mr. Obama. O pouco que fizer, certamente será muito quando comparado ao triste legado de Bush.