sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

RECORDAR É VIVER!

TEXTOS PUBLICADOS NA COLUNA DE 18 DE AGOSTO DE 2005

O FUTURO DE FLORIANÓPOLIS
A capital catarinense está num momento, da sua vida de cidade, em que tem que resolver se casa ou compra uma bicicleta.

Se continuar do jeito que está, em pouco tempo a qualidade de vida terá caído tanto que deixará de ser um destino turístico cobiçado e passará a ser mais uma daquelas cidades que perderam o bonde da história.

Por isso, em vários níveis e de várias formas, tem muita gente se organizando para tentar, de alguma forma, fazer com que a capital tome jeito. E o problema aí passa a ser que jeito. Qual a cara que Florianópolis poderá ter, que agrade seus moradores mais antigos, que não exclua os pobres, que gere riqueza, que não destrua o que ainda temos de bom? Esta é a questão do momento.

O ATERRO
No meu tempo, o mar vinha até aqui. E ali pra cima era tudo mato. A cidade era outra. Depois que aterraram pra fazer a avenida, construíram um paredão de prédios e pelaram os morros, começou a vir gente de fora. Hoje a gente sai na rua e não encontra ninguém. Os sobrenomes são esquisitos. Mesmo quando se parecem, não têm nada a ver com os dos velhos conhecidos. Os amigos só se encontram nos velórios, ainda assim quando alguém lembra de avisar. E ninguém mais passa a noite, ninguém traz lanche ou café, ninguém sabe contar piada, ninguém mais vela seus mortos direito. Os filhos e netos namoram e casam com gente que é filho e neto de desconhecidos. E ficam chateados quando alguém pergunta quem é teu pai, quem é tua mãe. Nasceram das ervas, por acaso? E quando dizem, nem adianta: ninguém conhece. Acho que quando aterraram o mar acabaram enterrando no lodo, no fundo do aterro, a alma da cidade.

3 comentários:

jânio disse...

Grande César, dás um banho! Lembro dos ônibus sacolejando com o trepidar das tábuas da Hercílio Luz, da maresia do Miramar, do Mercado (quando era mercado e não shopping center)... você tem razão: era bom ser mané. E como tinha!

Anônimo disse...

´Foi este o caos que os Amim deixaram em Florianópolis, em mais de 30 anos de gestão. Uma cidade cheia, com 60 favelas e crecimento desordenado.
Hoje o prefeito Dário deu um basta nisto: Moratória na bacia do Itacorubi. E já anunciou moratória para Coqueiros. Alguém tinha que peitar os "bandidos" da cosntrução civil que não se preocupam com as consequencias das suas construções. O Mangue está morrendo e os Daux não param de construir edifícios. E o vereador Tonelo sempre dando um jeitinho de modificar o plano diretor para favorecê-los.
E depois ainda falam do Dário.
Só não vê quem tem culpa no cartório ou ligação com os Amim.

Anônimo disse...

O anônimo...
perdeste uma boa oportunidade de ficar calado.
Ass. Joanildo