terça-feira, 22 de janeiro de 2008

A UFSC E O RACISMO

A Universidade Federal de Santa Catarina, com seu reitor à frente, vai até o fim na defesa da separação de estudantes por raça (isto não é uma forma de racismo?). Pretende derrubar a liminar que, na sexta-feira, mandou parar com a segregação das vagas.

O nó do problema é que a UFSC resolveu implantar as tais cotas raciais mesmo sem que exista uma lei federal sobre isso. O MPF acha que a UFSC não pode, com uma simples resolução, estabelecer coisas que competem à União fazer, por intermédio de leis.

Num país de mestiços como o Brasil, as cotas raciais são ainda mais problemáticas do que foram em países com maior divisão racial, alguns dos quais estão revendo essa política.

Em vez de garantir um ensino público e gratuito de qualidade, a partir da pré-escola, os petistas, que estão no governo mas agem como se não estivessem, preferem adoçantes artificiais. Com a ilusão que as cotas criam, adoçam artificialmente a boca dos pobres esforçados, enganando-nos a todos. E dando uma força pro racismo.

3 comentários:

Rodrigo Lóssio disse...

Sugiro a leitura da matéria (ou seria um artigo?) de Veja desta semana sob o título "Crédito ou débito?", que fala dos gastos da ministra de igualdade racial durante o ano passado. É ridículo (não os gastos, mas sim as atitudes da tal ministra).

No mais, sou de mesma posição, contra as cotas. Só que o discurso de que o ensino tem que melhorar do básico tem que ser posto em prática e do jeito que está não deve mudar mudar muito.

Pescador disse...

Mais uma medida do lula para posar de bom moço para o "povo". Assim como o esmola-familia e as cotas, lula quer visto como o robin hood brasileiro. Fazer essas medidas é muito mais fácil e rápido do que implantar medidas na base do problema, que levaria anos para surtirem efeito...

Felipe Silva disse...

Porque eu não concordo com esse sistema de cotas:

- O governo passa um atestado de incompetência e admite que não consegue oferecer educação de qualidade. Pior, não se preocupa em melhorar isso e prefere tratar um câncer com essa aspirina que inventaram aí.

- Existe racismo no Brasil? Existe, é lógico, e não é pouco. Conheço várias pessoas racistas e que não sentem vergonha em dizer que são. Mas o vestibular não é racista. Ninguém olha a foto de ninguém antes de aprovar. Usar o racismo, a escravidão, etc., como argumentos para defender as cotas, na minha opinião, é um desafio à inteligência.

- Negros, brancos, amarelos, azuis, roxos, listrados, multicoloridos, todos os que cursaram o ensino público tiveram as mesmas dificuldades. Ninguém é menos capaz que ninguém. Por que os negros, além das cotas para ensino público, merecem ter mais uma cota, especial para eles?

- Creio que um sistema de cotas decente deveria premiar o bom aluno de escola pública, aquele que não passava no vestibular por causa de quatro ou cinco pontos. Mas no vestibular da UFSC, houve cursos em que a diferença entre o último não-cotista aprovado e o último cotista foi de mais de 40 pontos!!! Se esse candidato aprovado não mudar muito nos próximos meses, tem tudo para reprovar em várias disciplinas já na primera fase.

- Com esse sistema da UFSC, sinceramente, eu me sentiria desestimulado a estudar. Pra que vou me matar de estudar se com 30 pontos passo para Odonto?

- Com as cotas, cria-se a "cultura do coitadinho". O cara se acostuma a ser beneficiado, a ter vantagens. Minha (futura) esposa e minha cunhada estudaram toda vida em escola pública (meus pais também, mas se usá-los como exemplo vão dizer que "isso foi há muito tempo", "a concorrência era menor", etc.) e são formadas em dois cursos bastante conceituados e concorridos - Jornalismo/UFSC e Fisioterapia/Udesc. Não teve milagre. Enquanto os outros brincavam de jogar aviãozinho na sala, enquanto o professor dava aquela aula matada ou arrumava atestados médicos para ficar em casa coçando, elas se matavam de estudar, sempre com os pais apoiando e cobrando. Nunca ficaram arrumando desculpa, nunca se consideraram inferiores. Meteram a cara nos livros e deu no que deu.

É isso. Desculpe o longo comentário. Um abraço.