O Supremo Tribunal Federal deverá discutir, em breve, se os brasileiros merecem ou não que seus jornalistas tenham nível superior e algum tipo de regulamentação para o exercício profissional. Há quem defenda (os empregadores à frente) que diploma é bobagem. O que é, isto sim, rematada besteira.
Ter jornalistas bem formados, cultos, deveria ser uma exigência dos leitores, espectadores e ouvintes. Acabar com a regulamentação não amplia a liberdade de expressão. Muito antes pelo contrário: facilita a criação de um rebanho dócil (inclusive salarialmente) à disposição dos donos da mídia. Se achas que agora tá ruim, te prepara: vai piorar.
A CAMPANHA
A Federação Nacional dos Jornalistas está empenhada, naturalmente, em sacudir a poeira dos jornalistas acomodados, para que se posicionem. E os Sindicatos estão em plena campanha pela manutenção da formação superior para jornalistas.
Uma das ações que eles estão propondo é que se enviem e-mails aos onze ministros do STF. Este é o texto que sugerem e que, naturalmente, não precisa ser enviado só por jornalistas. Profissionais de todas as áreas que acreditem que não tem cabimento desregulamentar uma profissão que tem fé pública, também são convidados a participar da campanha.
Texto sugestão
À Sua Excelência Sr(a)
Ministro(a) do STF
A exigência do diploma de Curso Superior em Jornalismo para o exercício independente e ético da profissão de jornalista é uma conquista histórica não só desta corporação, mas de toda a população brasileira. A luta pela criação de Escolas de Jornalismo começou no início do século passado. O primeiro Curso foi implantado 40 anos atrás e a profissão, regulamentada há 70 anos, desde 1969 exige a formação superior na sua legislação. Este requisito representou um avanço para a imprensa do país ao democratizar o acesso à profissão, antes condicionado por relações pessoais e interesses outros que não o de atender o direito da sociedade de ser bem informada.
Setores sem compromisso com a construção de um jornalismo responsável e realmente cumpridor de sua função social vêm questionando este fundamental instrumento para a seriedade, democracia e liberdade na imprensa. Confio que o(a) Excelentíssimo Ministro(a) votará com este entendimento no (RE) 511961, em favor de uma categoria profissional com papel tão relevante e em defesa da sociedade brasileira.
O diploma em Jornalismo, bem ao contrário de ameaçar a liberdade de expressão, é uma das garantias que conferem à mídia brasileira qualidade e compromisso com a informação livre e plural.
Evidentemente, será necessário que o remetente se identifique claramente (nome, profissão, cargo, etc), para que o apoio possa ser levado a sério.
Os endereços:
Ministro Gilmar Mendes - Presidente
mgilmar@stf.gov.br
Chefe de Gabinete: Isabel Cristina Ferreira de Carvalho
isabelc@stf.gob.br
Ministro Cezar Peluso - Vice-Presidente
macpeluso@stf.gov.br
Chefe de Gabinete : Carla Kindler Rosanova Sotto
mluciam@stf.gov.br
Ministro Celso de Mello
mcelso@stf.gov.br
Chefe de Gabinete: Miguel Ricardo de Oliveira Piazzi
piazzi@stf.gov.br
Ministro Marco Aurélio
mmarco@stf.gov.br
Chefe de Gabinete: Marcos Paulo Loures Meneses
marcosp@stf.gov.br
Ministra Ellen Gracie
ellengracie@stf.gov.br
Chefe de Gabinete: Ângelo Tabet
angelotabet@stf.gov.br
Ministro Carlos Britto
gabcarlosbritto@stf.gov.br
Chefe de Gabinete: Beatriz Ventura Teixeira Coimbra
beatriz@stf.gov.br
Ministro Joaquim Barbosa
mjbarbosa@stf.gov.br
Chefe de Gabinete: Marco Aurélio Lúcio
marco@stf.gov.br
Ministro Eros Grau
egrau@stf.gov.br
Chefe de Gabinete: Alexandra Mery Hansen Matsuo
alexandram@stf.gov.br
Ministro Ricardo Lewandowski
gabinete-lewandowski@stf.gov.br
Chefe de Gabinete: Patrícia Maria Landi da Silva Bastos:
patriciaml@stf.gov.br
Ministra Carmen Lúcia
clarocha@stf.gov.br
Chefe de Gabinete: Eduardo Silva Toledo
eduardost@stf.gov.br
Ministro Menezes Direito
Chefe de Gabinete: Ana Maria Alvarenga Mamede Neves
gabmdireito@stf.gov.br
6 comentários:
Não é o diploma que faz um bom jornalista.
Nem o bom médico, nem o bom enfermeiro, nem o bom torneiro mecânico. Mas dá (ou pelo menos deveria dar) uma uniformizada no conhecimento básico das principais técnicas e rotinas. Quando o profissional foi formado por um bom curso, tem até maior facilidade para assimilar e compreender as vivências que encontrar (o tal aprendizado "prático", tão glamurizado pelo discurso anti-diploma e de tão poucos resultados efetivos).
Cesar, sou contra a regulamentação. Reconheço seus argumentos, mas acho que a "formação" oferecida não supre as necessidades éticas e morais de um bom profissional. E cultura não vem com diploma universitário. É um bom tema para se estabelecer um debate.
Cesar
só um questionamento:
Você, como um jornalista ético e defensor da lisura na ações de todos os poderes constituídos, concorda que os jornalistas "pressionem", mandando e-mails, os ministros do STF para que se pronunciem a favor da classe?
Os ministros não está lá para julgar a luz da lei o que é ou não constitucional ou os jornalistas, que tanto combatem pressões externas e favorecimento, devem utilizar desse recurso quendo eles são os interessados?
Acho pertinente esse debate em torno da ética nossa e da éticados outros.
Olha, "Observador", não pensei muito sobre isso, mas não vejo grande problema em que um cidadão diga, a quem está julgando, o que pensa daquela questão. Em grande parte dos julgamentos há componentes que não são estritamente técnicos e objetivos. Mas isso quem pode te explicar melhor é o Ilton Dellandréa (dellandrea.zip.net), que foi juiz e desembargador.
Caramba... é incrível como ainda tem pessoas que são contra a exigência de nível superior para o jornalista! Na minha opinião é o mínimo a se exigir! Será que alguém confiaria num médico ou num engenheiro sem formação?!?! Como confiar em um jornalista sem formação, sem base???
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