terça-feira, 29 de julho de 2008

OS JORNALISTAS RACHADOS – PARTE 2

Como quase tudo na vida, essa briguinha dos jornalistas/sindicalistas também tem outro lado. Ontem, os que ficaram de fora da chapa, mas morrem de vontade de estar dentro, divulgaram um manifesto. Hoje é a vez dos que estão dentro da chapa exporem seus pontos de vista.

Transcrevo a réplica, na íntegra (a numeração pula de 3 pra 5, mas estava assim no original. Deve ter sido só um equívoco na hora de numerar os ítens. Aliás, o pessoal das duas bandas gosta de numerar os parágrafos, né?):
Caros jornalistas,

Circulou pela rede um manifesto assinado por vários colegas que faz algumas críticas e acusações a respeito de como as coisas aconteceram no processo de construção de chapas para as eleições do Sindicato dos Jornalistas. Com relação aos fatos, cabe esclarecer:

1O processo de discussão foi democrático, com a realização de plenárias em todas as regiões do estado, nas quais os jornalistas deliberaram sobre propostas que, inclusive, fazem parte do programa da chapa que acabou se formando.

2Se o processo não avançou para uma chapa de consenso foi porque havia pensamentos divergentes e sentiu-se a necessidade de construir um grupo afinado com interesses comuns. Não existe obrigatoriedade para a existência de uma única chapa. É natural e legítimo que as pessoas se aglutinem em torno de propostas semelhantes. Foi o que aconteceu.

3É estranho que as pessoas que assinam o manifesto – muitas delas atuais diretores - tenham esperado estes dias pré-eleitorais para lançar estas denúncias. Por que não o fizeram antes?

5Não consideramos justo que estes elementos de denúncia tenham sido jogados ao vento desta forma e nesse momento, quando tudo poderia ter sido discutido às claras, democraticamente, como bem orienta a grande política.

6O que fica parecendo é que o valoroso grupo que ficou de fora da direção – por não ter conseguido formar uma chapa – está apenas querendo obscurecer o processo eleitoral, infelizmente no melhor estilo da pequena política.

7Da nossa parte, reiteramos a decisão de fazer parte da chapa que hoje disputa a eleição, porque compreendemos que há o firme compromisso de atuar no sindicato no sentido de defender os interesses da categoria, para além das disputas pessoais ou divergências políticas menores. E para isso aqui estamos, dispostos a trabalhar e lutar.

8Todas as informações e denúncias colocadas no manifesto, esperamos que sejam debatidas de forma franca e aberta ao longo dos próximos meses e nos fóruns da categoria, senão este manifesto divulgado agora perde todo o sentido.

9Por fim, mantemos a posição de seguir nosso trabalho e disputar as políticas sempre de forma aberta, libertária e generosa. Para isso, conclamamos aos colegas a participar do processo eleitoral, depositar seu voto de confiança em quem está disposto à luta, de fato, para que a nossa categoria possa lograr vitórias e permanecer unida. Toda a disputa de idéias precisa ser feita nos fóruns da categoria, de maneira livre e aberta. Assim podemos construir. Fora desse campo, é só vaidade!

Chapa 1 - Sindicato Forte Sindicato Presente

6 comentários:

Rogério Christofoletti disse...

Cesar, não é verdade o que você escreve: "os que ficaram de fora da chapa, mas morrem de vontade de estar dentro".

Particularmente, não tenho nenhuma vontade de compor a chapa. Já dirigi o sindicato e sei que não é tarefa fácil. Mas isso não me impede de tecer críticas, de me opor à condução do processo. O fato de assinar um manifesto e mostrar a minha posição é legítimo. Por que não seria?

Orlando Tambosi disse...

Huummm,

será que a catchigoria sabe o que é ser 'libertário'? Se precisarem de bibliografia, mando. Mas desconheço jornalistas libertários ou que ajam sob tais princípios aqui no Grotão tucano/lulista.

Anônimo disse...

Meu caro César,

Sou sócio do Sindicato dos Jornalistas desde 1969 e, neste ano de 2008, até paguei integralmente a minha anuidade. Estou quite até dezembro e pretendo votar na eleição. Discordo de muitas atitudes com conotação ideológica dos dirigentes do nosso Sindicato, mas concordo com sua ação em favor da categoria. Nós sempre fomos pessimamente representados (se é que fomos representados) pelo Sindicato em épocas passadas (antes do MOS tomar a direção, você lembra). Naquela época, o pessoal só queria mordomia e aparecer, usufruindo de lugar destacado em solenidades. E só. Nota 10 para o nosso sindicato. A briga atual só assegura que existe sangue correndo nas veias. E uma boa briguinha (no sentido da polêmica institucional, política e sindical) é sempre estimulante, você não acha?

Anônimo disse...

Isso aí é o PT do B (ou seria P-Sol?) dos jornalistas. Não vejo grandes diferenças entre um "lado" e outro. Ambos estão recheados de gente com a cabeça nos anos 80, pré-queda do Muro de Berlim - quiçá nos 60!

Maria José disse...

Não faço parte da turma dos que "ficaram fora". Se quisesse e fizesse valer minha vontade estaria dentro. Desculpe: querias saber o que acho da tua posição, lá vai - é incorreta e descontextualizada. Tiras conclusões pelo que dizem e essa não é a verdade. Não é uma simples "disputa de cargos". São posturas diferenciadas. Diferentemente do que pensa o Tambosi - que acho que qualquer um se locupleta das coisa, pensamos em princípios, atitudes e ações.

Vou dormir mais triste hoje por ter lido a tua coluna.

Maria José

Anônimo disse...

A minha cara colega Maria José não entendeu o que eu disse. Não falei em locupletação ou coisa parecida. Apenas estranhei o termo "libertário" (uma variação de "liberal") num dos manifestos. E reafirmo: desconheço defensores de idéias liberais na "catchigoria". O que existe desde sempre é o pensamento antiliberal.


Tambosi