sábado, 26 de julho de 2008

OS “COLEGUINHAS” DO NEI

Não sei se todos vocês sabem que a revista Metrópole não era a única publicação do mercado que misturava comercial e editorial. Existem vários jornais e revistas, de diversas cores partidárias, que funcionam dessa forma heterodoxa. Se comprar um anúncio, ganha menção favorável em alguma coluna, ou até “reportagens positivas”. Ou, em alguns casos, até a opinião está à venda.

O problema é que hoje em dia parece que há um aumento de consciência popular a respeito do que é aceitável e do que é condenável. Aí, quando alguém faz uma proposta indecente, a turma fica indignada. Foi o que aconteceu com o caso que passo a contar. Uma das pessoas que recebeu a proposta ficou braba e resolveu botar a boca no trombone. Mandou-me cópia do troço e disse que iria representar ao Ministério Público Eleitoral.

Olha só: o dono de uma publicação da capital, que se apresenta como “membro da executiva da coligação PV/PT”, enviou a correspondência abaixo para toda a listagem de candidatos a vereador da coligação. Suprimi os nomes pra não os expor demais, mas no momento em que o e-mail, com a proposta comercial, foi enviado para um grupo grande, deixou de ser correspondência privada:
“Para melhor identificar-me, sou membro da Executiva da coligação PV/PT. O ### da Executiva do PT pode falar mais a meu respeito.

Atualmente, como jornalista, sou Fundador - Diretor/Editor do jornal ###, distribuição quinzenal e gratuita de 8 mil exemplares, e também oferece página On-Line: www.###.com.br - (todo material publicitário ou artigo divulgado no jornal impresso é inserido no On-Line em sua totalidade).

Portanto desta forma, ofereço-lhe espaço para divulgar sua propaganda de campanha. Proponho espaço colorido limitado pelo TRE em 1/ 4º de página ao valor mensal (02 inserções por R$ 500,00 total), ou ainda, divulgar o “santinho” padrão mensal (02 inserções por R$ 300,00 total).

E como parceiros, posso em cada edição tecer comentários sobre sua candidatura, logicamente dentro dos limites da justiça eleitoral.

Fico no aguardo de sua resposta.
Grande abraço e muito sucesso.”
Destaquei, em negrito, a parte da carta que nos interessa. O resto é uma proposta comercial simples, sem problema aparente. O que está pegando aí é “apenas” esse oferecimento de “comentários” sobre a candidatura do “parceiro”.

Já seria grave o suficiente o sujeito se apresentar como diretor de jornal, colunista & militante partidário. Ferrou de vez ao franquear o espaço editorial, como bônus a quem adquirir um espaço comercial.

No caso, não nos preocupam os “limites da justiça eleitoral”, mas os limites do correto exercício profissional. Que credibilidade poderá ter a coluna política desse jornal, se quem a assina faz uma oferta desse tipo? Como em toda faca de dois gumes, a partir de agora até mesmo quando o político for citado sem ter pago nada, pesará sobre o elogio, ou a crítica, a sombra da dúvida.

Dúvida, aliás, que corremos o risco do leitor comum estender a todos nós. Como poderá ele ter certeza, com o jornal diante dos olhos e mil pulgas atrás da orelha, que essa prática, disseminada como está, não seja adotada por todos?

5 comentários:

Anônimo disse...

Tio Cesar, quem vos fala é o TANSO de novo:

Isto é o que se chama misturar alhos com bugalhos?

O que significa tecer comentários 'dentro dos limites da justiça Eleitoral' (sic)?

E quem não publicar santinhos não terá seu nome tecido nessa teia?

Anônimo disse...

Por aí tem muitos desses acordos "tácitos". Dá pra ver pelas opiniões nem um pouco isentas de certos colunistas. E na TV também.
Liberdade de imprensa é isso aí!

Schneider disse...

Pois é, César, essa mistura problemática e indecorosa. O interessante nesse "bônus" é que a "oferta" é por um serviço "dentro dos limites" e apenas "tecer comentários". Finalmente um exemplo de picaretagem com sutilezas éticas.
Mas há exemplos bem piores por aí, o que não ameniza a conduta neste caso. A gravidade é maior quando envolve homens públicos e dinheiro público. São as publicações chapa branca. Vão além de tecer comentários e bajulam escancaradamente. Aproveitando uma expressão que está na moda, são de fato UM CASO DE POLÍCIA.

Rodrigo Lóssio disse...

E o que me entristece é que isso não acontece só em período eleitoral, não acontece só na pauta de política, não acontece só com veículo pequeno. São os desafios que qualquer assessor de imprensa aqui em Santa Catarina (pelo menos aqueles que se negam a negociar informação pelo comercial) enfrenta para realizar seu trabalho.

Anônimo disse...

É tanto motivo pra ficar triste com estas histórias...
E o cara é do PT, aquele ex-partido ético. Depois que perderam a "virgindade" no mensalão, cairam de boca nas maracutaias. Deu no jornal ontem: O ex governador Zeca do PT, de MS, tem mais de 20 processos em cima, tudo por ilegalidades. Como disse o Lula, o PT sá está fazendo o que os outros sempre fizeram. É de doer!
Carlos X