terça-feira, 22 de julho de 2008

AINDA A CARTA

Um leitor deixou algumas perguntas diretas, na caixa de comentários de uma das notas sobre a Márgara e eu resolvi trazer pra cá, pra tentar uma resposta.
“Tio César,
O Sr., ao entrevistá-la, sentiu sinceridade nas suas respostas? Acha que há incoerência entre a sua entrevista e a carta? Se concordares com a incoerência, do alto da tua sabedoria, qual ação espelha a verdade, a entrevista ou a carta? Não seria o caso para buscar mais uma entrevista?”
Pois é, o grande problema, o principal problema, foi a carta. Se ela tivesse enviado um bilhete de três linhas, dizendo a quem a convidou que não iria por motivos particulares, sem aquela frescura de reconhecer firma, não teria ficado tão óbvio. Quem, dentre vocês, manda reconhecer a firma numa recusa a um convite? Quem, dentre vocês, querendo que parem de importunar e investigar sua vida, escreveria (ou assinaria) uma carta com tantas entrelinhas? Quem, dentre vocês, tendo resolvido parar de falar, enviaria uma carta com várias informações novas ou, pelo menos, controversas?

Digamos que ela não tenha feito nenhum acordo para ficar quieta e só pretendeu dar uma resposta formal, séria, à altura de tanta gente importante que a estava procurando. Pode, neste momento, parecer pouco plausível, mas não é impossível. Bom, neste caso, errou a mão no texto. Mas, continuando a supor que tenha sido só isso, que outros indícios haveria da existência ou não do tal acordo?

Numa das últimas conversas que tive com ela antes da decisão de parar de dar entrevistas, me contou que tinha começado a ler o tal livro. Aos poucos, no blog do Canga, onde tem fotos das páginas. E estava ficando irritada com a forma como o Nei a retratara. Logo que falei aqui nas insinuações que o livro continha, bem no começo do rolo, ela reclamou. Ao ler o livro, foi ficando cada vez mais irritada com o Nei. Que, além de tudo, deixou-a a ver navios enquanto recebia dinheiro do Armando Hess.

Então, parece razoável que ela diga que o livro tem inverdades. Principalmente quando conta os episódios que sugerem que ela fosse uma espécie de chamariz sexual. A negação não seria de tudo, mas apenas deste aspecto que a deixa especialmente irritada.

E também é verdade que ela nunca fez negócios com o governo. Apenas entrevistava as autoridades, conversava com eles e elas. Negócios, de tirar autorização, receber dinheiro, ela fazia com os empresários, fornecedores do governo, que eram os anunciantes da revista. O trato com o governo ou com seus representantes, se houve, foi feito pelo Nei. Nenhuma novidade, portanto.

Aí resta a questão do “caráter eleitoreiro”. Bom, isso é óbvio. Em política, escândalo bom é aquele que tem conseqüências eleitorais. Só os ingênuos imaginarão que um fato político da importância desse não seria utilizado por adversários e mesmo por aliados, de correntes opostas.

Acho que o tempo nos dirá o que aconteceu. Gostaria muito de saber que, no depoimento dela ao Ministério Público, ou mesmo em Juízo, ela continua contando o que presenciou e o que sabe. E que esta carta foi apenas um acidente, na busca legítima por menos exposição. Acho que ela tem um papel importante a desempenhar e espero que não nos decepcione. Afinal, ela não é acusada de nada. Não deveria sentir-se ré. Muito menos acuada. Mas cada um sabe onde lhe aperta o sapato.

Ah, se houve acordo, ficaremos sabendo, mais dia ou menos dia. Vamos ficar combinados então: assim que eu souber, conto pra vocês e assim que vocês souberem, me contam.

EM TEMPO

E o Danilo Gomes, que assinou o prefácio do livro como Danilo Prestes, ninguém vai querer ouvir não? Aposto que ele também sabe de bastante coisa. Até porque percorre essa estrada há mais tempo que o Nei.

7 comentários:

Jairo de Amorin disse...

Não sei porque Cesar,mais acredito nessa moça,imagina uma pessoa que trabalha no meio de gente importante,mais não é importante se ve no meio de um escandalo retratado em livro e tudo,inexperiente com as façanhas políticas ,fala o que sabe,e tem medo pela família,volta atrás em um convite ,e só isso,ela tem esse direito,ou não o tem?

Anônimo disse...

Tio César,

Grato pela análise.
Vou lançar uma dúvida, que para mim é uma certeza: quantos documentos mais ela teve que registrar em cartório?
Certamente quem redigiu a carta, muitos outros documentos deve tê-la obrigado registrar!
Parece que conseguiram encurralar a moça!
Isto tem preço!

Anônimo disse...

Verdade, o Danilo conhece muito a estrada, e os caminhos que guiaram seu motorista, Nei Silva!

Anônimo disse...

A oposição está angustiada,pois a cada arapuca que eles montam(Gley Sagaz,Joarez,Amin),o governo desmonta. Gostaria de saber qual a próxima que o Gley vai montar?E a imprensa vai junto.É fogo

Anônimo disse...

O episódio Metrópole está sendo abafado. Mas o que já foi dito até aqui é mais do que suficiente.
Lamentável foi a proibição de editar o livrinho do Nei, conforme decisão tomada ontem.
Esse escândalo já é público. E os outros? E as outras publicações?

Anônimo disse...

Não sei se entendi bem: o govertno desmonta arapucas??? Ou seja, o bem informado governista diz que Márgara era uma arapuca e que o governo calou Márgara? Ass: O TANSO

Anônimo disse...

Que poderoso esse Sagais que só monta contra o Governo. O governo vítima de um homem só. Poupem a população em ach=a-la burrra.