domingo, 12 de outubro de 2008

SINUCA DE BICO

Um enredo paralelo a essa trama do segundo turno, em Florianópolis e Joinville, é o que se desenrola no PMDB. Lembram-se que, no PDT, militantes fizeram um artigo responsabilizando a atual direção daquele partido pelos maus resultados e pedindo a cabeça da executiva? Pois coisa semelhante – talvez não tão explícita – pode estar ocorrendo no PMDB.

Nunca é demais lembrar que o partido tem um líder que, desde a eleição de LHS, tem sido deixado à sombra, meio fora de jogo, o ex-governador Paulo Afonso. E ele tem, entre os filiados, seguidores fiéis e, à medida que o tempo passa, novos admiradores. Sempre que os peemedebistas acham que a história de polialiança está passando dos limites e que companheiros estão sendo prejudicados em benefícios de “aliados”, alguém fala em “retomar o partido”. Ainda falam em voz baixa. Mas os sussurros já podem ser ouvidos do lado de fora.

Eu tinha achado que passar de 115 para 111 municípios não era uma coisa assim tão grave. Mas parece que esta redução está tendo outras leituras, levando em conta a expressão dos municípios que poderiam ser do PMDB (como prefeito ou pelo menos vice), se não tivesse ocorrido alguma intervenção em seu desfavor.

E o mais interessante é que uma eventual vitória de Dário Berger na capital não está sendo levada em conta como um aumento do espaço do PMDB. Será, no final das contas, uma vitória do PDB (partido dos Berger), que tem, no momento, como aliado principal, o PMDB. Talvez alivie, mas não evitará que se desencadeie uma discussão interna intensa. Que poderá ter conseqüências práticas na eleição da próxima executiva. E até, quem sabe, no nome que o partido indicará para concorrer ao Senado em 2010.

Ah, é claro que o cenário sugerido acima tem nuances que podem ficar mais carregadas à medida em que, por exemplo, o DEM consolidar sua liderança na penca e chegar a emplacar Raimundo Colombo como candidato preferencial ao governo. Ou seja, trata-se de uma novela que promete emoções fortes, viradas de mesa, reconciliações, traições e súbitas paixões, tudo que um bom folhetim precisa para prender a atenção do leitor ou espectador.

EM TEMPO – o título da nota abaixo, sem ponto de interrogação é, evidentemente, uma ironia e uma provocação. Não acho que a eleição esteja resolvida. E não está. Mas também não será fácil para nenhum dos lados. Ah, e tem time que, quando acha que já ganhou e coloca a chuteira de saltos altos, começa a perder.

4 comentários:

Anônimo disse...

OLHO VIVO. Sr. Cesar, como emedebista há mais de 30 anos posso assegurar-lhe que boa parcela do partido, tradicional e esquecida, que não transige mas que leniente deixou-se ficar nas más companhias (novas e velhas) que assaltaram a legenda, não engole nem LHS e seus negócios e muito menos Dário Berger. ULISSES &t LIQUER POIR

Anônimo disse...

O PMDB de Florianópolis hoje é uma vergonha que não tem nenhuma liderança local.
O Edson Andrino é um Zumbi que vive nas sombras em troca de migalhas.
O Blasi pra conseguir aqueles votinhos que o elegeram, teve que buscar votos em outros municípios da região, que com os votos de Florianópolis ele não se elegia.
A militância hoje são apenas FANTOCHES da Alda de Luca, Valter Galina, Pinho Moreira e do viajando LHS.
É uma vergonha, um partido com tanta tradição se deixar dominar assim tão facilmente por esses PARAQUEDISTAS, e não conseguir formar uma liderança na cidade.
E eles ainda se acham!
No dia de votação eu ví PMDBistas tradicionais travestidos apenas com uma camiseta branca, com vergonha do seu candidato.

Acorda PMDB de Florianópolis!

Denis Appel disse...

Que me desculpe o leitor das 5:03 mas a mistura do público com o privado, as gastalhanças e os escândalos têm sido uma marca dos governos do PMDB (novo ou velho) em mácompanhia ou sem ela. O oportunista Dário só vem engrossar a lista.

Anônimo disse...

Dennis Appel: aqui quem fala é o das 05:03 - vc tem razão. Mas um dia remoto perdido no tempo o MDB já foi limpo e ético. Ao menos muitíssimo mais limpo e ético. Mas, já faz tempo que virou um grande balcão de negócios e abriga qualquer bandeira e escória.