sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A FALÊNCIA DOS PARTIDOS

Este segundo turno em Florianópolis será interessante de se acompanhar, porque vai ser uma daquelas eleições em que se poderá avaliar que tipo de influência terão os partidos políticos no comportamento do eleitor.

Votar em nomes, considerar a pessoa do candidato, em vez das suas posições políticas ou mesmo da sua folha corrida, é uma tendência que vem se consolidando a cada eleição. O sujeito votou no Cesar Jr, ou no Amin, ou na Angela, ou no Dário e, se perguntar direitinho qual é o partido (coligação, então, nem pensar), é capaz da maioria não saber.

Agora, para ganhar espaço, mostrar serviço e aparecer bem na foto, os dirigentes partidários estão fazendo seus jogos. Usam a “unidade partidária” como bandeira, mas estão mesmo é preocupados com o dia de amanhã e com a conta do supermercado. E aí anunciam que “o partido decidiu apoiar” como se estivessem transferindo, automaticamente, os votos de um curral eleitoral. E, em alguns casos, o “partido” é uma ficção e os votos que diz ter são de algum candidato, cujos eleitores provavelmente nem sabem que estão sendo ofertados como um dote.

No caso específico do Dário Berger, os partidos políticos estão todos (inclusive o PMDB) numa situação muito desconfortável. Eles sabem que o candidato é daqueles que não dá muita bola pra partido político. Sempre que a estrutura partidária oferece alguma resistência aos planos da família ou não atende às necessidades, eles mudam. Sem drama (da parte deles) e sem remorso. O partido que é “abandonado” fica amuado, choroso, lamentando a perda de um candidato com recursos e com votos, combinação rara e muito valorizada no mercado eleitoral. Foi assim com o PTB, com o PFL e com o PSDB e naturalmente, mais dia, menos dia, será com o PMDB.

Os Berger identificaram essa tendência personalista do eleitorado e estão aproveitando a onda, mantendo-se, o mais possível, descolados das legendas. Usam-nas apenas porque a legislação obriga. Então, é engraçado ver os partidos todos paparicando o candidato, tentando assegurar, para ele, para si e para os eleitores, que a vitória do Dário, se ocorrer, será devido ao grande esforço das direções partidárias, que forneceram os votos necessários, colhidos nas suas disciplinadas hostes.

Bom, este é o jogo (pelo menos como consigo ver, aqui do meu canto) e o futuro dará as informações que podem complementar o quadro: tanto apreço dos partidos pela candidatura conseguirá sensibilizar os Berger a ponto de torná-los mais partidários e menos individualistas? O eleitor que votou contra o Dário no primeiro turno mudará o voto no segundo turno? E, se o fizer, terá sido por “orientação partidária” ou porque também não gosta do Amin?

Antes de encerrar: refiro-me “aos Berger” sem qualquer conotação pejorativa. Até onde consegui observar – e sempre observei de longe – há, na família, uma precisa e eficiente divisão de tarefas. Agem sempre coordenadamente e complementarmente. O Dilmo toca as empresas e fica fora dos holofotes, o Djalma e o Dário exercem os mandatos e a Dona Rose, que, a meu ver, é o gênio político (já falei aqui, é articulada, fala muito melhor que o Djalma e o Dário, sabe exatamente onde atuar e de que forma), não é só uma primeira dama. E ninguém está brincando. Trata-se de um projeto de longo prazo, estruturado e executado segundo as melhores técnicas de marketing político.

Em tempo – Antes que algum comentarista venha dizer o óbvio: todo político, Amin, Lula, LHS, tem projetos de médio e longo prazo e se organiza para chegar ao Poder e ficar lá o maior tempo possível. Isso é absolutamente legítimo, dentro de certos limites. Um dos fatores que diferencia uns de outros é a forma como tocam suas vidas partidárias.

7 comentários:

Anônimo disse...

Star Trek, a nova geração também está em cartaz com João Amin.
Oligarquia é o que não falta em SC. Escolha a sua e fale mal das outras.

Bonassoli disse...

Voto com o relator: Dona Rose sabe tudo. Não será surpresa alguma se, em pouco tempo, tivermos uma nova candidata na família Berger.

Arrisco dizer que ela se sairia melhor do que o marido e o cunhado.

Carlos disse...

Oligarquia e projeto político, tem pra todo gosto. Só que, pra administrar dinheiro público, melhor escolher quem não tem condenação por malversação ou improbidade administrativa, não é mesmo?
Bom, esse é o comportamento que eu imagino que as pessoas honestas e com um mínimo de ética devam adotar. Pra turma que mama, aí incluídos apaniguados e os eleitores que vivem pedindo favores aos políticos, isso certamente não faz a menor diferença.

Anônimo disse...

Devemos inclusive estudar o retrospecto de cada oligarquia e pesar quem faliu qual instituição, quem manobrou pra se firmar no poder. Tudo isso conta na hora de votar.

Marcelo Fernandes disse...

Já pro divã!Engraçada essa arrogância intelectual... “Se você não concorda comigo, nem com meu inimigo, você está em cima do muro”. Mas que petulância! Pelo visto, os “iluminados” devem ter decretado que só existem, obrigatoriamente, duas opiniões neste “universozinho”. A miopia é tamanha que só dá pra enxergar o umbigo. A diversidade de opiniões e posições – fora do que é bom (amigo) e ruim (inimigo), para eles – é chamada de “em cima do muro”. Que jeito estranho de declaração de voto, hein!... Coragem, amigos.
Grato, Cesar, pelo espaço. Um abraço.
Blog:marcelofernandescorrea.blog.terra.com.br

LesPaul disse...

O Binômio hegeliano assombra MF. Mas tem razão, quanto a esse papo maniqueísta que é muito xarope. Bem e mal, certo e errado. Dialética marxista-materialista anti - isso e aquilo. PORÉM, chega uma hora na guerra que não há como NÃO se posicionar: ou numa trincheira ou noutra. Ponto Final. Se ficar em cima do muro, no varal ou no fio dos postes fazendo companhia aos pardais, vai levar pedrada no meio dozóinhos. E de ambos os lados. Nasce um novo modelo político: o METRO-Eleitor. Só NÃO É POR QUE NÃO QUER, ou não tem cujones, ou tem interesses subliminares e quer ficar bem com ambos os bordos, ou ainda, é um néscio, enluarado, ignaro ou simplesmente passivo. Quem não tolera assistencialismo e não admite que o privado e o público ultrapassem as lindes legais e se misturem no mesmo bolso, TEM QUE ASSUMIR UM LADO, mesmo que não seja o lado idealizado no silêncio do WC. Arranca o dedo, mas não arranca a mão. Arranca a mão, mas não arranca o braço. Enquanto não arrancarem minha consciência, senso ético e a capacidade de me indignar e não transigir com a canalhice vou salvando o que posso pro futuro da prole, da cidade, do país. Eu seria arrogante se chamasse de arrogante uma opinião diferente da minha. É apenas diferente. O que não exclui que seja uma opinião em alguma medida pelintra.

Anônimo disse...

Triste de quem briga e ofende os seus e todo o mundo por conta de eleição, de política.
Eles lá ficam numa boa, os tansos ficam de bico com vizinhos, colegas de trabalho, familiares...

As coligações são a lição mais didática do que é política de resultados(nas urnas, claro).

Coligações são associações pra o crime continuado.Com a sopa de letrinhas de partido não se espere outra coisa.

Numa retrospectiva séria, de cada um dos candidatos finalistas ou não neste concurso de Miss Simpatia 4x4,vamos ver que se gritar pega ladrão não fica um.
Tem um mais experiente,afinal de biônico filhote da ditadura,que subiu na política tanto qto as águas das enchentes,sobretudo a de 83, inimigo fidagal do PT de
Floripa e arredores, né Batistti?, passando ao outro que descarta sigla de partido,mas forjado na mesma velha prática de governar pra os meus mateus,ficamos com quem?

De toda forma, o retrato que define o que é política no pior sentido, foi o que foi publicado no jornal Notícia do Dia,24 de junho de 2008,página 9,encimado pelo título " São jose, PT e PP oficializam coligação"

Da esquerda para a direita(apenas posicão na foto, pls):Ideli, Osni Meurer, padre Círio, Luci Chonacki(fanzoca do MST) e Amin,abraçados como formandos em dia de baile de formatura,posando pro álbum do nada como um dia após o outro e uma noite entreverada...

ÔOO, César, quem era mesmo que vivia gritando " o povo não esquece, Amin é PDS??"
Vontade de fazer balõezinhos na foto, de pensamento, com o que realmente um pensa do outro...
Lia¬¬