sábado, 4 de outubro de 2008

A COLUNA DO SÁBADO

Neste domingo a Constituição Cidadã que o PT assinou a contragosto, com ressalvas*, completa 20 anos. Nela está escrito que a liberdade de expressão é um direito fundamental e ela assegura a liberdade de imprensa sem adjetivos e subterfúgios.

Esta Constituição, que o PT assinou mas gostaria de não ter assinado, deu ao Ministério Público a estrutura que hoje tem, para investigar os malfeitos de todas as cores e incomodar os poderosos de todos os matizes.

Tanto a liberdade de imprensa quanto as conquistas na apuração dos chamados “crimes do colarinho branco” estão sob permanente ameaça. Surpreendentemente, é no governo do constituinte Lula (sim, Lula foi deputado constituinte), que as ameaças tomam contornos mais concretos.

O candidato a prefeito em Itajaí, Volnei Morastoni (PT), inconformado com o fato da Polícia Federal ter produzido um relatório de investigação onde ele aparece “ao natural”, resolveu que este jornal é um jornal ruim, feio e bobo. Acham, ele e sua turma, que praticamos aqui o mau jornalismo. Imaginam seus fãs, cegos de amor, que adulteramos informações.

Bullshit! Besteira! Bobagem! Nonsense! Morastoni, como todos os políticos, de todos os partidos, em todos os países, sonha com uma imprensa subserviente, dócil, respeitosa e atrelada. Que faça o “bom jornalismo” dos sonhos dos poderosos de plantão: feito de elogios e de obsequioso silêncio...

Pois vocês vão mofar com a pomba na balaia. Seja quem for o prefeito, sejam quem sejam os vereadores, sejam quem sejam governadores ou presidentes, terão, deste jornal (pelo que conheço de sua valente diretora e de meus bravos colegas), o respeito sempre, a idolatria nunca. O direito a serem ouvidos, sempre, o ramerrão dos puxa-sacos, nunca. A reportagem escrita com o maior cuidado possível para que reflita a verdade, sempre. A ocultação de cadáveres e a cumplicidade nas mutretas, nunca!

O leitor sabe que pode contar com o DIARINHO quando não consegue ser ouvido pelos que deveriam prestar um bom serviço ao público. O leitor pode contar com o DIARINHO quando quiser saber, afinal, se o fulano botou ou não botou a mão no baleiro. O leitor confia que, mesmo ameçado com processos e mais processos para que se cale, o jornal não se curvará.

Queria aproveitar para, em público, dizer que tenho o maior orgulho de poder, após 35 anos de uma carreira profissional movimentada e prazerosa, fazer parte desta equipe e ter, neste jornal especial e único, um espaço para dizer o que não poderia dizer em outros lugares.

Este é um jornal que atende perfeitamente, sem tirar nem por, o desejo que o prefeito candidato à reeleição expressou nas páginas de propaganda eleitoral obrigatória que obteve na Justiça Eleitoral de primeiro grau (suspensas pela Justiça Eleitoral de segundo grau): este é um jornal livre e responsável.

Portanto, exercendo com responsabilidade cada vez maior a liberdade que a Constituição nos assegura, cumprimos com tudo aquilo que nossos eleitores, aqueles que, a cada dia, votam no DIARINHO na banca mais próxima, esperam de nós.

Pra não aparecer de bunda de fora nas páginas do jornal é simples: põe uma calça e sai da janela. Homem público e dinheiro público precisam de fiscalização constante. De acompanhamento permanente, por uma imprensa livre e responsável, que não tenha medo de cara feia.
* Dia 23 de setembro de 1988, ou seja, a 12 dias da promulgação da Constituição-cidadã, Lula fez um longo discurso e disse: “o partido vota contra o texto, e amanhã, por decisão do nosso diretório – decisão majoritária – assinará a Constituição, porque entende que é o cumprimento formal da sua participação nessa Constituinte”. (Conforme relato publicado na Agência Sindical: www.agenciasindical.com.br)

7 comentários:

Anônimo disse...

A foto do cara arregaçando as mangas, como se fosse dar porrada em alguém, conjugada com o texto da imprensa livre, diz tudo. Não acho que foi feita à toa, a mensagem é totalmente explícita. É intimidatória.
A resposta do Diarinho (ou vc que fez?) é melhor, dizendo que não tem medo de cara feia. Perfeita, inteligente, verdadeira (o cara tem cara feia mesmo!).
No todo, mais um episódio de baixaria política, $ na cueca, pequenas corrupções (as grandes não apareceram), tráfico de influência etc. Política brasileira em sua mais legítima expressão.
Em Floripa é o mesmo, com um prefeito mais do que pego com a mão na cumbuca do $ público (tanto que foi condenado a devolvê-lo) pedindo censura aos jornais e sendo aclamado pelos eleitores. Ainda estamos na pré-história.
Carlos X

Anônimo disse...

Boa Tio Cesar. So porque estao no poder sao inatingiveis? Ainda bem que tem "gente" que nao se vende e expoe os fatos para a populacao. O Diarinho cumpre seu papel de fazer aquilo que o povo espera de um meio de comunicacao de massa, ao contrario da imprensa chapa branca que temos "por toda SC". Valeu e que a equipe do Diarinho continue. Afinal, pessoas que nao se curvam aos "deleites profanos da honradez" sempre serao lembrados pela historia, aos demais....
Abraco.
Joanildo.

Thamy disse...

Parabéns pelo texto. Mas parabéns, especialmente, pelo oitavo parágrafo. Soa como luz no fim do túnel, em tempos de imprensa conglomerada aqui em SC.

Anônimo disse...

O Diarinho deve estar mancomunado com o Volnei. A tiragem deve ter subido bastante(será q vcs vão divulgar?). Quem sabe ele não é acionista do Diarinho?

Anônimo disse...

Espero que um dia Florianópolis tenha também um "Diarinho" para divulgar os "causos" que os "gaúcho$$$" não contam prá nós !
Eles "amarelam" quando a "Moeda é Verde" ou quando a "ficha está suja". Na Lei da Hotelaria tem "quinhentinho$$" do Marcondes para membros da "famiglia" que permaneceram escondidinhos da chamada "pirotecnia", e ninguém fala nada !
Mas está tudo gravado, com nome e endereço !

Anônimo disse...

Se o Diarinho estampar na capa a Juliana Paes eu compro. Mas este sr senil...Vão falir o jornal.

Anônimo disse...

B R A V O!!! B R A V Í S S I M O. Esse é o Tio Cesar esmerilhando o teclado da velha Remington. Tem uma coisa que deixa qualquer pessa séria 'puta-da-cara', esse desejo sórdido de culpar a moldura e o fotógrafo pelo retrato do monstro obrando sua monstruosidade. Bravo, cubram-se e tirem o fiofó da reta. (Les)