quinta-feira, 2 de outubro de 2008

ANÁLISE DE BOTEQUIM

Reunido com amigos numa mesa de bar fiz o que muitos fazem a esta altura: discuti política e o andamento da campanha. À medida em que a noite avançava, mais precisas e lúcidas (ou preclaras) iam-se produzindo as análises. A certa altura, enquanto aguardávamos a conta, já nos sentíamos cientistas políticos do terceiro milênio, sabedores de tudo e compreendendo todos os fenômenos. Não havia mais qualquer dúvida.

É claro que, à luz do sol e de volta à rotina sóbria de todo dia, as dúvidas e os pontos obscuros ocupam os espaços que lhes são próprios. E a análise, antes tão óbvia e cristalina, torna-se turva e tortuosa.

Mas, em todo caso, tentarei recuperar algumas das conclusões que, diante de uma (uma?) Original e uma mandioquinha frita bem sequinha, pareciam definitivas:

1. A se confirmarem as pesquisas, o PMDB sairá das eleições com o lombo todo lanhado. Nas principais cidades tem possibilidades reais apenas em Florianópolis, né não? No Sul, a situação do presidente do partido e ex-governador Eduardo Pinho Moreira inspira cuidados. No Norte, LHS está comendo o pão que o diabo amassou. No Oeste, nada. Nada, nada e provavelmente fenecerá na praia do lago de alguma represa.

2. E por que isso? Ora, a política de alianças, da forma como foi conduzida por LHS, criou cobras no quintal do PMDB. João Rodrigues (DEM), em Chapecó; Kleinübing (DEM) em Blumenau; o PSDB no meio-oeste e em outras regiões. Em algumas situações, não de agora, mas desde a eleição municipal anterior, candidatos do PMDB foram ostensivamente preteridos. Fortaleceram-se os partidos da aliança, enquanto o PMDB parecia paralisado ou atônito.

3. A eventual vitória de Dário Berger em Florianópolis não poderá -- a rigor -- ser considerada uma “vitória do PMDB”. Ao longo de sua história política, tanto Dário quanto Djalma já mostraram que têm projetos próprios, uma dinâmica própria e os partidos, ora os partidos, são apenas um detalhe. Pertencem, no fundo, ao PDB (Partido dos Berger) e só estão ora no PFL, ora no PSDB, ora no PMDB, ora no PSB, porque a legislação obriga uma filiação partidária. E aí buscam os espaços onde acreditam que sejam colocados menos obstáculos a seus projetos. Ou maior impulso às suas carreiras (os fãs dirão que buscam as melhores condições de fazer mais pelas pessoas, o que, afinal, dá na mesma).

4. O PT em Santa Catarina, visto de fora, parece ter apenas duas correntes (sim, eu sei, internamente são várias). A principal é o PTdI (PT da Ideli) e a outra, talvez não minoritária, mas no momento com menor poder de fogo, é o PTCI (PT contra a Ideli). O resultado da eleição poderá dar mais gás e discurso a uma ou outra corrente. Porque, assim como LHS, Ideli indicou candidatos em alguns municípios que contrariaram o desejo de militantes locais. Se ganharem, terá sido uma jogada de mestre (viva Ideli!), se perderem, terá sido uma interferência indevida (abaixo Ideli!).

5. Combatido duramente em sua própria casa (Balneário Camboriú) pelo principal aliado (PMDB!), o PSDB de Leonel Pavan, que no primeiro governo de LHS nadou de braçadas e conseguiu um crescimento surpreendente, parece estar meio atordoado. Correndo por fora, o DEM está numa posição das mais confortáveis. Bate no principal aliado (PMDB!) em Joinville, mantém-se bem posicionado em Blumenau, está bem encaminhado em Chapecó e tem um novato disputando em Florianópolis, com algumas chances de ir ao segundo turno. Não é um mau desempenho.

6. Pra encerrar: as pesquisas deixam a campanha muito chata, muito previsível. A única alegria que o eleitor independente pode esperar, é que o resultado das urnas mostre coisas bem diferentes. Aí vai ser legal. Sempre é divertido ver gente que foi dormir embalado pelo “já ganhou” acordar no ostracismo do segundo ou terceiro lugar. Essas surpresas, se acontecerem, serão motivos mais que suficientes para voltar à mesa do bar e fazer novas análises. Se não acontecerem, não restará outra alternativa senão sentar-se ao redor de uma mesa e lamentar a chatice em que se transformou a política. Garçon, um pastel de camarão, por favor!

5 comentários:

Schneider disse...

A análise é boa e muito coerente. Aliás, pela coerência não foram muitas as saideiras.
O maior derrotado será mesmo LHS que perderá na maioria dos seus "condados".
Ao final da tarde da próxima segunda-feira, seria providencial uma avaliação dessa análise. E, já que estarão no botequim, os cientistas políticos se sentirão na obrigação de pedir uma Original. Originalidade até na desculpa.

jânio disse...

Ô tio! Viu o que falaram do Diarinho lá no Damião? Quequié aquilo?

Anônimo disse...

Tio César,

Já que vocês analisaram as campanhas por aqui, poderias responder-me por que o César Jr esconde os Bornhausen (Paulinho e Jorge)?
Ou a Original causo-lhes esquecimentos?
Nunca vi um filho repudiar tanto seus pais (padrinho também a pai, segundo a Santa Madre Igreja)!

Anônimo disse...

Não vou me identificar, mas acho que desta eleição o PFL (DEM) é quem sai mais forte.
Ganha em Blu, em Jville, e se apoiar o Dário, mata os Amin em Fpolis. Aliás, o Amin e as pretenções familiares morreram, o casal não tem mais votos para ganhar eleição sozinho e o PP acabou.
O Eduardo vai levar uma surra no Sul e o LHS no Norte.
Raimundo Colombo após esta eleição é o mais forte candidato ao governo do Estado e deve participar das eleições ao lado do Aécio ou o Serra. Este projeto se fortalece se o Kassab ganhar da Marta em SP. O Dário, se ganhar bem do Amin no segundo turno, pode correr por fora ou no PMDB, ou no PSB do Irmão e do Ciro Gomes. Mas ainda não tem o nome estadualizado.
Neste quadro, para os Democratas, é melhor o Dário ganhar no segundo turno do que encher a bola dos Amin e criar cobra no quintal.
Para 2010 poderemos ter forte ainda a Ideli, se conseguir a indicação do PT, o que é bem difícil.
Abraço,
P

El Torero disse...

Sempre foi claro como água, que o LHS sacrificou as eleições para prefeitos em 2008 em troca de sua reeleição. Nas bases do velho MDB interiorano, esta aliança absurda com o PFL nunca foi aceita.
abraço, parabéns pelo blog.