quinta-feira, 7 de agosto de 2008

CHUVA DE VOTOS

Sempre fui péssimo aluno de matemática e, por extensão, a estatística nunca me desceu bem. Às vezes não entendo como é que uma coisa pode ser dita de um jeito que pareça o que não é. O sindicato dos Jornalistas divulgou o resultado das eleições. E colocou, na nota, o seguinte título:
Chapa eleita foi aprovada por 93% dos eleitores
À primeira vista parece uma votação histórica. Uau! Como o Sindicato tem cerca de 900 eleitores aptos a votar, então uns 837 votaram na chapa única? Resultado espetacular.

Aí a gente começa a ler a nota e descobre que os “eleitores” do título teriam sido melhor qualificados como “votantes”. A chapa foi eleita por 93% dos votantes: os eleitores que efetivamente votaram. Como votaram 173 jornalistas, os que disseram sim foram 161.

Nem vou comentar o número de votantes porque posso ser injusto (vai que em alguma das outras eleições de chapa única dos últimos 20 anos teve menos votantes que isso). Mas não posso deixar de notar que os dissidentes, que no seu manifesto diziam que iriam mobilizar-se pelo sindicato, estavam falando por falar. Simplesmente não votaram. Vai ver ficaram de mal. E a chapa remanescente não conseguiu atrair muita gente para a grande festa do voto. Se levarmos em conta que a diretoria tem uns 27 cargos, o número de votantes voluntários fica ainda mais esquálido.

O jeito será seguir os conselhos dos melhores gurus de auto-ajuda: juntem essas pedras e construam sua casa. Ou catem os limões e façam uma limonada. Ou ainda: em javanês arcaico, crise é escrita com os mesmos rabiscos com que se escreve oportunidade.

Se alguém ficou curioso, transcrevo abaixo a íntegra da nota dos vitoriosos:
Chapa eleita foi aprovada por 93% dos eleitores

Ampliar o trabalho em defesa dos jornalistas catarinenses, fortalecer a atuação do Sindicato de Santa Catarina e defender ainda mais a profissão. Em linhas gerais esse é o projeto da Chapa "Sindicato Forte é Sindicato Presente", eleita na noite do dia 6 de agosto para dirigir a entidade na gestão 2008-2011. O presidente Rubens Lunge e a nova diretoria, que tomam posse no dia 27 de setembro, foram eleitos com 161 votos, o que representa 93% dos 173 votantes, registrando-se ainda sete votos nulos e cinco em branco.

A presidente da Comissão Eleitoral, jornalista Márcia Quartiero, destacou o sucesso do processo eleitoral e a adoção do voto totalmente eletrônico. "Representa um avanço para a eleição dos dirigentes do SJSC e a ferramenta torna o procedimento mais transparente".

Os observadores externos Marino Tessari, presidente da Associação dos Conselhos Profissionais de Santa Catarina (Ascop), e Raphael Atherino dos Santos, assessor da presidência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SC), que representou a entidade, elogiaram o procedimento eleitoral implantado no SJSC. Eles participaram da abertura e fechamento das urnas.

Os membros da Mesa Apuradora, Moacir Loth e Fabrício Severino, respectivamente assessores de imprensa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC), também destacaram a inovação eleitoral.

A nova forma de votação foi aprovada pela Comissão Eleitoral que atuou durante dois meses e recebeu elogios pelo trabalho desempenhado, principalmente nas figuras das jornalistas Márcia Quartiero, Juraci Perboni, Silvio Smaniotto e Sibyla Goulart.

Obs.: Em matéria postada no site do SJSC constam as propostas do grupo eleito e a nominata da chapa.

Um comentário:

Orlando Tambosi disse...

Bem flagrado, Cesar. Eleições com mais de 90 por cento dos "eleitores", só na falecida URSS, na China, em Cuba, na Coréia do Norte e nos Estados teocráticos....