quarta-feira, 6 de agosto de 2008

SEMPRE À FRENTE

Mantendo o ritmo e o hábito, o governo do estado prometeu apoiar a criação de um sofisticado “cluster neurotecnológico” na Grande Florianópolis (foto acima).

O projeto é do mundialmente renomado cientista brasileiro Miguel Nicolielis, ligado à Universidade Duke, nos Estados Unidos. Ele está criando ilhas de excelência tecnológica em neurociência. O objetivo é montar arquipélagos científicos. Uma coisa semelhante a esta que estão propondo para SC já existe no Rio Grande do Norte.
ABRE PARÊNTESES: Para conhecer o que o pensa o Dr. Miguel e do que se trata o projeto dele, clique aqui. E para conhecer o Instituto Internacional de Neurociência de Natal (RN), clique aqui. O site só tem uma página ativa, mas dá pra ter uma idéia de como pretendem que funcione, lá, esse modelo de “parceria público-privada”. FECHA
São iniciativas que se sustentam com capital híbrido: público e privado. O governo já atraiu parte do empreendimento para aquele empreendimento sempre divulgado e nunca suficientemente examinado, o Sapiens Parque, no norte da Ilha.

A outra parte irá para a Pedra Branca, numa aproximação com a Unisul, entidade privada de ensino.

E nós com isso? Ora, em princípio a proposta parece ser muito interessante. Imagino que ninguém seja contra a criação de um núcleo de estudos científicos assim, antes de saber direito do que se trata.

Mas ando tão impressionado com a penúria dos serviços de emergência médica dos hospitais públicos estaduais, que recomendaria, aos meus amigos do governo, algum cuidado.

Não tem muita graça termos gente mal atendida ou mesmo morrendo por falta de uma sutura, de uma cirurgia de urgência (que às vezes nem é tão complicada, só é urgente), enquanto dinheiro público ajuda os bam-bam-bans da neurotecnologia a desenvolver recursos de primeiro mundo, como braços robóticos acionados pelo pensamento.

A menos que alguém veja como progresso humano e científico a implantação desses aparelhos num coitado que ficou como ficou por falta de atendimento médico básico.

As filas nas emergências, as doloridas esperas nas macas, a desumana falta de condições que faz com que médicos, enfermeiros e pacientes acabem sendo irmãos na impotência e na desesperança, deveriam ser corrigidas, para evitar esse confronto cruel entre o primeiro e o terceiro mundos.

Ninguém pretende taxar de ilegal ou imoral o esforço, que acredito seja sincero, de dotar a capital e mesmo o estado catarinense do que há de melhor, de mais estimulante, de mais avançado na medicina. Só gostaríamos que igual empenho fosse visto e sentido na recuperação das áreas mais degradadas do atendimento médico, entre as quais o socorro de urgência.

2 comentários:

Schneider disse...

Concordo, César. Há coisas boas, mas também há prioridades.
A princípio a proposta é boa e visa incentivar a ciência. Mas, como calma e canja de galinha não fazem a mal a ninguém, cada coisa no seu lugar.
A megalomania adora coisas "grandes", "importantes". Parece que esse governo é formado por pessoas recalcadas por terem nascido aqui. Sempre que podem avançam o sinal e agem como primeiro-mundistas natos. Tudo tem que ser grande, moderno, de primeiríssima, inovador e, preferencialmente, do exterior.
O básico fica de lado. Ou, pior, para trás. Tecnologia de ponta e atendimento médico terceiro-mundista.
Mas o governador Luiz Henrique pode estar no caminho certo. Breve, em algum evento nos Estados Unidos (com patrocínio do Estado de SC), ele poderá apresentar um novo 'case': nos hospitais públicos de SC enfermeiros com braços robóticos aplicam injeções. Tudo graças à modernidade descentralizadora.

Anônimo disse...

César,
Vc já ouviu a expressão " fazer caridade com o chapéu dos outros"?
Pois é isso q Luis XV faz. Ele inventa esses projetos de primeiríssimo mundo, mas quem paga a conta não é ele. Somos nós o povo otário ou empresários e entidades louquinhas pra puxar o saco do Rei.
Dá uma pesquisada pra ver quem tá pondo dinheiro nesse Sapiens Parque!