quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

PENÚRIA

A situação calamitosa dos hospitais públicos em Florianópolis não é coisa que possa ser debitada unicamente ao atual Secretário da Saúde. Ele tem, naturalmente, um papel protagonista. Mas a verdade é que todos, do governador ao mais humilde ocupante do menor cargo comissionado, têm responsabilidade solidária.

Não vamos também eximir os governos anteriores ou dar qualquer refresco aos servidores efetivos. E não seríamos justos se também não chamássemos às falas o eleitor e o contribuinte. E, naturalmente, a imprensa.

Vamos fazer de conta que estamos num País onde ninguém tenta fugir de suas responsabilidades dizendo que o outro cometeu mais erros ou que “fiz o que pude”. Parte da imprensa poderá mesmo dizer que registrou o descaso, mostrou as dificuldades, apontou as deficiências. Mas isto não a exime: teria que ter feito mais, com maior estardalhaço, com maior freqüência.

Os governos anteriores poderão dizer que tentaram, fizeram, encaminharam, sempre com a melhor das boas intenções. Terão que admitir que falharam em algum ponto: um desastre desse tamanho tem, com certeza, alguma contribuição ancestral.

Os secretários de outras áreas poderão até fazer cara de paisagem e assobiar aquela musiquinha do “não tenho nada com isso”. Bobagem, fazem parte de um mesmo colegiado, são todos responsáveis por terem calado, fechado os olhos, virado o rosto ou tapado os ouvidos.

PAQUIDÉRMICA APATIA
Não é possível que só quando a TV mostra cenas dantescas e desumanas, as autoridades responsáveis por conduzir a máquina estatal dêem-se conta do que acontece nas repartições públicas. Podem, alguns deles, ignorar algum detalhe, mas a situação geral de penúria, de péssimo serviço, de falta de gente, de verba, de leitos, não é coisa que um servidor público possa se dar ao luxo de ignorar e continuar sendo mantido por nós.

Em ano pré-eleitoral, é claro que haverá aproveitamento do escândalo, para pedir que o eleitor puna prováveis culpados, de preferência os do partido adversário. Mas isso não interessa àquelas famílias que sofrem dia e noite ao ter algum ente querido sendo tratado como condenados no corredor da morte, à disposição do carrasco e sem qualquer previsão de retorno ao convívio familiar.

Para eles e para nós todos, interessa ver a paquidérmica máquina estatal mover-se na direção do que realmente interessa. Mesmo que não se consiga construir hospitais em um mês, ou contratar servidores em quinze dias, o catarinense é suficientemente culto para perceber quando está sendo enrolado e quando as coisas estão realmente acontecendo.

Quando o governo diz que o problema é que há muitos servidores em licença médica, deixando no ar uma suspeita difusa de fraude, sabemos que está enrolando. Fraude na concessão de licenças médicas é caso de inquérito, polícia, o que for. Não podem os enfermos esperarem pelo final desses processos. Eles não têm nada a ver com isso e é desumano que paguem, às vezes com a vida, pela incompetência alheia.

3 comentários:

jânio disse...

LHS deveria criar a Secretaria Extraordinária Para os Hospitais Públicos: 1 secretário + 1 adjunto + gerentes + assessores + ...

Mauricio disse...

Cesar.

O Governo não melhora a situação da saúde e de outras área também, porque não quer.

Veja se as SDRs não estão devidamente estruturadas com imóveis, móveis, tecnologia, pessoal e larga estrutura comissionada.

Só falta a vontade de fazer.

O resto é balela.

Anônimo disse...

Caro Cesar,
lembrando sempre que o iluminado Ronaldo Benedet, teve a genial ideia ha algum tempo atras, de publicar o "manual do sortudo", "ensinando" as pessoas a nao "darem mole" para nao serem assaltados. Diante da vexatoria resposta da sociedade o manual foi tirado de circulacao. Obviamente que o dinheiro gasto....rsss.... E agora, em cadeia nacional vem ele de novo tomar as medidas cabiveis. Pelo amor de Deus, ele que volte para o sua toca, de onde nunca deveria ter saido. Fora Benedet, nao envergonhe mais o povo catarinense "por toda Santa Catarina".
Ass. Geff Sbruzzi