quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

DESASTRE PREVISÍVEL

O secretário da Segurança, Benedet, deu ontem uma entrevista para explicar o inexplicável, justificar o injustificável e mostrar-se surpreso com uma notícia velha. Velhíssima.

A superlotação das cadeias é uma bomba-relógio cuja existência foi anunciada há muito tempo. A falta de condições para prender aqueles que devem ser retirados das ruas, é notícia antiga. A saída encontrada, em Palhoça, para prender sem ter onde, não deixa de ser engenhosa. Ficar acorrentado a uma coluna, num local arejado, não parece, assim à distância, situação mais desumana do que ficar empilhado com outras 20 pessoas dentro de uma cela onde caberiam quatro.

Espantam-se com as correntes? Ora, isso era uma coisa mais ou menos inevitável de ocorrer, se é que já não ocorreu ou ocorre em locais com menor visibilidade.

Tal como os hospitais sucateados e o saneamento básico, a situação carcerária deveria encher de vergonha a todos nós. Todos. Mas, é claro, principalmente o Governo. É uma inominável falta de sensibilidade política e um descaso para com suas responsabilidades históricas, manter Florianópolis (e tantas outras regiões do estado), nas trevas da idade média.

Ao apenas empurrar com a barriga os grandes e urgentes problemas (como os da saúde pública, aí incluído o saneamento básico e do sistema penitenciário), o homem público deixa à mostra a sua pequenez, a mediocridade da sua visão e nos constrange a todos.

Ao enfrentá-los com decisão e, com sinceridade e vontade, dar-lhes a prioridade que a sociedade exige, o homem público cresce e honra seu mandato.

ORA, ORA, ORA!

O partido no poder, incapaz de resolver ou de propor uma solução para a bagunça penitenciária e a falta de vagas, agora vem com uma proposta que, nestas circunstâncias, soa indecente: quer privatizar as cadeias catarinenses.

O porta-voz de tamanha bobagem (não pela privatização, em si, que é uma discussão que até poderá levar a algum lugar, um dia, mas pelo momento inoportuno em que é trazida) é o deputado Piriquito. Ele teve a pachorra de anunciar ontem, quando estávamos ainda todos admirados com as imagens chocantes das celas superlotadas e dos prisioneiros acorrentados, que está propondo um projeto de lei autorizando o governo do PMDB a privatizar “as unidades prisionais”.

A proposta é um verdadeiro presente de Natal que o hábil Piriquito joga no colo da oposição: é o atestado, assinado por um peemedebista, da incapacidade do governo do peemedebê, de resolver a situação.

E ele diz, textualmente:
“Reconheço que o nosso atual modelo de gestão não está dando conta do recado. Vamos encarar o problema de frente e caminhar para uma possível solução para a sociedade”.
Pronto, então taí a solução proposta pelo governo: quando a crise se agrava, entrega tudo para a iniciativa privada que ela resolve.

4 comentários:

Anônimo disse...

SOLUÇAO SIMPLES MEU CARO CESAR, NINGUEM QUER DEPOSITO DE COISA RUIM PERTO DE CASA, E SIMPLES, ESTAS CHEIOS DE PEQUENAS ILHAS NA COSTA CATARINENSE, QUE FAÇAM "ALCATRAZES" POR AI DE PREFERENCIA DE "MAXIMA SEGURANÇA",
VAI VER SE SE NAO RESOLVE, OU SUB-TERRANEA. FICA A PERGUNTA, SERA QUE DEIXARAM A COISA DESGRINGUELHAR PARA DIZER QUE NAO TEM COMO O GOVERNO DO P.M.D.B. RESOLVER POR ISTO TEM QUE ENTREGAR PARA ALGUMA EMPRESA AMIGA JA MAPEADA ADMINISTRAR ESTAS PENITENCIARIAS?

Carlos disse...

É de se perguntar se tudo isso que está acontecendo nos serviços de saúde e de segurança pública não são também obras da tão decantada Descentralização.

Osvaldo disse...

Chama-se "monteSinos-Sistema de Administração Prisional Ltda. Empresa catarinense e doadora de campanha, a solução que vão encontrar no afogadilho.(www.montesinos.com.br)

delucca disse...

"da incapacidade do governo do peemedebê, de resolver a situação"

Governo do peemedebê só, não!
Do peemedebê, do pêfêlê (aliás, demo), do pêéssedebê e de outros tantos mais parasitas...

E isso não exime o governo nacional do pêtê e de seus asceclas e dos governos passados do pêdeésse...