terça-feira, 4 de dezembro de 2007

AO DEUS DARÁ

Moradores do morro que fica ali em frente ao trevo do Erasmo, no sul da Ilha de Santa Catarina, passaram o domingo substituindo o poder público e sentindo, na pele, o nível de abandono em que estamos todos mergulhados.

O trevo é aquele que tem a bifurcação das estradas para a Armação (Morro das Pedras, Pântano) e para o Ribeirão da Ilha.

O fogo começou por volta das 11h da manhã, morro acima. Com todas as condições favoráveis: tempo seco e vento. O pessoal começou a se mexer pra tentar apagar e, ao mesmo tempo, chamou os bombeiros.

Os dois carros de bombeiros, que parecem ser os únicos da Grande Florianópolis, estavam no Estreito, apagando o fogo num conteiner de lixo. Quando, ali pelas duas da tarde apareceram os primeiros bombeiros, segundo contam moradores, os coitados se queixavam da falta de tudo. Até, naturalmente, da água.

Fogo no mato, morro acima, é coisa que sempre deveria preocupar. Porque assusta bastante quem tem casa por ali. Nunca se sabe direito a direção das chamas e nem se aquelas mangueiras fininhas que os moradores usavam para tentar fazer as vezes de bombeiros iriam ajudar de alguma maneira.

Às cinco da tarde, a coisa terminou, deixando uma ferida a mais na mata.

PENÚRIA
Na prática, o que a demora no atendimento e a precariedade do socorro ao fogo no sul da Ilha mostra, é que não dá para ocorrer dois incêndios ao mesmo tempo na região. Mesmo que não sejam muito grandes (vi na TV o tal incêndio na lixeira), já embananam tudo.

Tarde da noite de domingo, já no começo da segunda-feira, a RBS-TV mostrou mais uma reportagem sobre a situação da saúde pública. Mostrava a penúria em que vive o principal hospital público de Florianópolis, o Celso Ramos.

Num e noutro caso, além da população, os profissionais também sofrem. Os bombeiros, enfermeiros, médicos, pessoal auxiliar, certamente percebem que, apesar de seus esforços pessoais, a coisa não melhora. Os mais dedicados, fazem das tripas, coração. Os mais frágeis, largam de mão. E todos se desgastam numa luta inglória.

Que ilha maravilhosa é esta, que obriga seus moradores doentes a ficar dias e semanas como porcos num abatedouro, espremidos em macas, em corredores e cantos? Que estado fantástico é este que constrói “centreventos” às carradas, mas não consegue ter “viaturas” suficientes, ou combustível para as que tem?

E dá-lhe “atrair” investimentos, novos moradores, turistas, como se a infra-estrutura estivesse resolvida.

4 comentários:

Anônimo disse...

Cesar,

Só nos resta rezar e esperar o fim desse governo. A bem da verdade os catarinenses assim escolheram, e por duas vezes. Agora não adianta reclamar.

O que fica evidente é o descaso do governo para com a grande Florianópolis.

A situação dos Hospitais é o exemplo claro disso. O LHS definitivamente não gosta da capital.

Pedro de Souza

Schneider disse...

César. Vocês são muito exigentes.
Vejam só: Têm a Eco Power, produtora de cinema norte-americana, Desafio Internacional das Estrelas, o Bolshoi ali em Joinville, Palácio da Agronômica e muito mais. Brevemente terão o corredor bioceânico, reciclagem de sucata no modelo português e os vôos diretos de Portugal e da Rússia, que LHS foi buscar lá fora. E logo terão o trem-bala. Tudo isso e vocês ainda querem carros de bombeiros e atendimento médico-hospitalar? Isso é pensar pequeno, além de falta de consideração para com LHS que, no exterior, busca sempre o melhor para Floripa. E, no futuro, segundo LHS declarou nos States, SC será transformada em grande centro financeiro mundial.
E vocês ainda querem mais?

Marcos disse...

Pois é, "tio César"...

enquanto isso, o Diário Oficial do Estado, edição de 26/11/07, em sua página 66, publica dois interessantes resultados de licitação:

1) Aquisição de UM automóvel pela bagatela de R$ 191.000,00 (claro, trata-se de um PAJERO FULL para o nobre LHS);

2) Contratação de serviços de decoração natalina para o Centro Administrativo por módicos R$ 250.000,00 (!!!!).

Como é bom morar em um estado rico, que se dá ao luxo de gastar 1/4 de milhão com decoração natalina... e você, tio César, preocupado com bombeiros e hospitais, coisa de somenos importância...

Um abraço!!

Anônimo disse...

Os políticos, como funcionários públicos, deveriam ter os mesmos "benefícios" que os demais: SUS, somente 30 dias de férias, expediente de 40 horas semanais com ponto (em caso de descumprimento, corta-se o mesmo e, conseqüentemente, o salário), etc. Outra coisa que deveriam ser obrigados é utilizar o transporte público para locomoção. Garanto que, em um mês, eles dariam jeito nessa situação...

Enquanto isso, continuam dando festas, comprando carros importados e enfeites nobres com nosso suado dinheiro, ainda sem nos consultar.

Alguém de fora que visse essa situação, no mínimo, acharia que estão zombando da gente...