sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

TEMPO REAL

Ouvi ontem o prefeito da capital com toda a atenção e descobri que ele não tem idéia do significado da expressão “em tempo real”. Em pelo menos duas televisões ele falou que estão todos mobilizados, que a atenção é integral, e, para enfatizar a disposição de atender prontamente às urgências, disse que “o atendimento será feito em tempo real”.

Imagino que ele estivesse querendo dizer que o atendimento seria imediato, feito com toda presteza, etc. E usou o jargão da informática que, se a gente simplificar bem, é sinônimo de “ao vivo”.

A transmissão do jogo, ao vivo, pela televisão pode, de certo modo, ser considerada uma transmissão “em tempo real”. O atendimento a um coitado que ficou ilhado ou que está com a casa começando a desabar, poderá ser rápido como for, nunca será “em tempo real”.
Update da madrugada: depois que mandei a coluna pro jornal, comecei a pensar que talvez o prefeito tivesse querido dizer que seu pessoal estará nos morros e locais que inundam, pronto a atender no exato momento em que a desgraça acontece. Só que esta interpretação favorável ao alcaide tem furos: primeiro, quem já precisou de atendimento urgente sabe que sempre leva um tempinho. Depois, a guarda municipal nunca está onde a gente acha que ela deveria estar, como não estava ontem nos locais alagados das ruas. Portanto, a chance de ter alguém da prefeitura ao lado no momento em que a necessidade surge, “em tempo real” é bem pequena. E, pra terminar: se está no local onde pode ocorrer algo grave, por que não trabalha preventivamente, para evitar que o pior aconteça?
Nem sei por que comentei isso, porque, diante de tudo o que foi dito, visto e ouvido na “cerimônia” montada com o governador e os prefeitos no Palácio da Agronômica, é um deslize insignificante.

Numa situação de desastre, de calamidade, o idiota aqui achava que as autoridades deveriam reunir-se, informar-se, organizar-se, designar tarefas e só então chamar a imprensa, para dar ampla publicidade das orientações e das decisões. Mas eles resolveram fazer a reunião diante das câmeras. Se pretendiam, com isso, tranqüilizar a população, acho que não funcionou.

Segundo update da madrugada: ainda bem que a maioria, envolvida com os transtornos e o caos em que a cidade e boa parte do estado se transformou, não assistiu à reunião “em tempo real”.

3 comentários:

Anônimo disse...

Ô Cesar,
Aquele cara camuflado ao lado do Luiz 15 não parece como o Amin ?

Linneu disse...

Percebi um fato nesta entrevista , que podemos classificar no mínimo como de mal gosto: Ao entrar as imagens com todos estes "homens públicos" na tv , percebi que havia um bom humor além do limite , onde no mínimo deveriam estar tão sérios quanto a situação , além do mais , estes , tomavam café e comiam rosquinhas como se estivesse em um coffee-break patrocinado pela população.
Garanto que uma pessoa que estava com problemas por causa das chuvas , não assistia aquilo com a mesma tranquilidade e bom-humor.
Pode ser que eu esteja ranzinza demais , mas de qualquer forma gostaria de deixar registrado.

Schneider disse...

Isso é coisa de quem entrou na era da informática de carona. Há expressões que para ele são novas. Pudera, Rainha da Sucata vem dos tempos da reserva de domínio. Lembram?
Considero normal LHS usar essa expressão. Ele está acostumado a dizer o que quer (vide texto anterior L’ÉTAT, C’EST MOI!) e fica tudo por isso mesmo.
Necessitamos de uma oposição em tempo real. Urgimos por um MP em tempo real. Ou, quem sabe, nos moldes franceses, uma nova revolução com a "queda da Agronômica"
em TEMPO: que ele caia na REAL.