terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

JÁ FEZ O SEU PEDIDO?

Uma das vantagens de se viver num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, é a abundância. Há de tudo, para todos os gostos. Hoje o DeOlho Restaurant oferece um cardápio com o melhor das várias crises que estão surgindo ou em andamento, para que nossos clientes possam escolher, com calma, em qual desejam cravar seus dentinhos.
Bon appetit! Et merci pour votre preferènce
Chef Cesár

1. Processo de cassação à moda do TSE,
com molho picante

Um prato relativamente recente, embora usando ingrediantes maturados. Faz tanto sucesso que Santa Catarina, ontem, foi praticamente abandonada por algumas de suas principais autoridades: viajaram para Brasília o governador, o vice e dois secretários de estado (de secretarias centrais e importantes). Estes, inclusive, entraram repentinamente em férias, para poderem se dedicar full time à crise. O governador, em nota oficial (melhor redigida que as da semana passada), informa que estão vendendo os bens da família para pagar a defesa. Mas a solidariedade dos amigos não tem faltado: segundo Moacir Pereira, LHS viajou no domingo e voltou ontem num jatinho da Golden Air. Que, ao que se sabe, é do amigo Wilson Pereira (Golden Bingo). Trata-se, portanto, de um prato saboroso, que é melhor degustar enquanto está quente.

2. Perplexidade do vice diante da tragédia anunciada, ao molho agridoce
É praticamente um complemento do prato anterior. Embora igualmente dramático, tem um componente surreal que lhe adiciona um sabor único: Pavan abandonou seu bem mais precioso, o mandato de Senador, para abraçar-se com LHS. E agora, com a água chegando no queixo (do LHS), Pavan corre o risco de morrer na praia, sem ter, a rigor, nada a ver com o peixe. Acompanha salada de ovos de tucana, cozidos.


3. Descarrilamento iminente de trem da alegria, com multa flambada e ranger de dentes amanteigados
O Ministério Público do Trabalho entrou com uma ação civil pública para tentar corrigir irregularidades detectadas na “transferência” de empregados públicos do CIASC, da CIDASC, da EPAGRI e de outros órgãos, para os quadros de carreira da administração direta, especialmente para as Secretarias da Fazenda e Administração do Estado de Santa Catarina. Com a brincadeira, tiveram aumentos que chegam a 600%. O MPT estima isso cause um prejuízo de cerca de R$ 10 milhões por ano ao Estado. A multa solicitada na ação é de R$ 40 milhões e os passageiros do trem da alegria terão que desembarcar e voltar às estações de partida, com os salários anteriores. Como brinde, a casa oferece, abaixo, uma tabelinha demonstrativa de algumas das transposições mais açucaradas, para degustação.

4. Cascata de bilhões sobre ONGs,
com impunidade gratinada

Não se deixe iludir pela fama de outros pratos. Esta verdadeira maravilha culinária tem ingredientes mais ricos, envolve maior cuidado na preparação e custa muito mais caro aos cofres públicos. Como acompanhamento, tem também uma CPI, que até é presidida por um catarinense.

Este, como outros pratos da culinária nacional, não leva Lula, que consegue se manter distante da frigideira.

5. Cartões corporativos governamentais envoltos em massa de pizza, sobre leito de mamão com açúcar
Um prato leve, de fácil digestão, que não trará qualquer complicação adicional. Como algumas sobremesas flambadas, faz um certo estardalhaço, os ocupantes das mesas vizinhas olham espantados, mas é só isso. Nada de mais grave deve acontecer. Pela simples razão que tanto quem está no governo, quanto quem sonha em chegar ao governo, têm interesses comuns: mamar despreocupadamente nas tetas da viúva. E, para isso, este prato é insuperável. Talvez sejam feitos alguns ajustes, sacrificados alguns bodes expiatórios, e mais nada muito dramático .

SOBREMESA
DEGUSTAÇÃO DE TRANSPOSIÇÃO AÇUCARADA
A tabela e os textos abaixo foram extraídos da Ação Civil Pública com pedido de liminar proposta pelo Procurador do Trabalho Marcelo J. Ferlin D’Ambroso:
“Com efeito, a irregular “transposição”, “reenquadramento”, “incorporação”, “cessão”, etc., não importa o nome jurídico atribuído ao ato, implicou em aumentos que variam de 41,13% a, pasme-se, 654,58%!

O impacto em folha de pagamento desse verdadeiro “trem da alegria”, somado, somente nos exemplos auditados pelo TCE, implica em um acréscimo de cerca de R$10.000.000,00 anuais! Quantia suficiente para construção de um hospital público regional ao ano, por exemplo, quando são notórias as deficiências de leitos hospitalares no Estado.”
[Se clicar sobre a tabela se abre uma ampliação]
“No mérito, sugere-se sejam considerados irregulares os atos de enquadramento dos servidores listados às fls. 484/546, por terem propiciado a transposição de servidores a cargos pertencentes a órgãos/carreiras diferentes daqueles para os quais prestaram concurso público, o que se afigura inconstitucional; conseqüentemente, sugere-se seja determinada a anulação destes mesmos atos, por se tratar de hipótese de provimento inconstitucional, conforme acima aduzido.

No mesmo sentido, sugere-se seja determinada a revisão de todos os atos de enquadramento embasados nas Leis Complementares ns. 311/2005, 323/2006, 324/2006, 325/2005, 326/2006, 327/2006, 328/2006, 329/2006, 330/2006, 331/2006, 332/2006, 346/2006, 347/2006, 348/2006, 349/2006, 350/2006, 351/2006, 352/2006, 353/2006, 354/2006, 355/2006, 356/2006, 357/2006 e 362/2006, sendo anulados aqueles que resultaram no provimento de servidores em cargos pertencentes a órgãos/carreiras distintos daqueles para os quais prestaram concurso público.”
(Para ler a notícia no site do MPT-SC, clique aqui.)

Update da manhã: perguntam-me por que não publiquei os nomes dos servidores e servidoras, na tabela acima. Resolvi substituir os nomes por simpáticas carinhas sorridentes porque me pareceu que seria uma exposição injusta: o levantamento do MPT detectou 200 casos semelhantes e ali naquela tabela estão apenas 12. E mesmo os 200 foram encontrados por amostragem. Pode haver mais. Em todo caso, expor os 12 significaria proteger indiretamente os 188 restantes. Aí, com essas dúvidas na cabeça, considerei que, se era apenas para exemplificar, o mais importante seria mostrar os valores e seus acréscimos.

DIARINHO DE FORA: o bravo Diarinho (jornal que circula no litoral catarinense, de Barra Velha a Florianópolis e é líder de vendas em Itajaí e Balneário Camboriú) publica, na edição de hoje, reportagem sobre o rolo do LHS, ilustrada com uma foto linda, do Rubens Flores, mostrando LHS e amigos rezando, de mãos pro alto. E lembra um detalhe importante: no caso do atrelamento de jornais, o Diarinho está de fora. Não faz parte desse coletivo que, segundo sugerem os votos dos ministros, elogiaria remuneradamente o governo.

Update da tarde: uma leitora, Lia de Souza, deixou um longo comentário ali na caixa de comentários. Como sempre acho que nem todos que passam por aqui vão até lá para ler os comentários, trago pra cá. No mínimo porque é um prato bem temperado, que ajuda a manter o cardápio aquecido e as línguas ardendo.
“Fui informada por uma colega professora que me passou o recorte da notícia.

Há dois anos venho brigando com o Sinte por ter deixado passar batido tamanha pouca vergonha. Com que então um grupinho, e conheço alguns: duas ex-diretoras que deixaram seus 'amados alunos' [uma da minha escola], uma secretária de escola desalojada porque entrou uma concursada e mais um ex-professor/diretor de escola agregado na Gerei de São José, todos eles só assinaram um papel 'desistindo do Magistério' e passando assim a funcionário público, sem concurso nem nada, ganhando o tal prêmio de produtividade de 100% e os outros ficaram pastando? por que não foi aberto pra quem quisesse? porque seria uma debandada geral, mesmo sem os 100%? por que o sinte não fez greve por causa disso , pra tornar público? Até eles acham que é legal! Que quem reclama está contras os 'próprios colegas'!!! é mole? Por que não fizeram uma lista e não publicaram?

A ex-secretária, que já havia trabalhado na minha escola, me explicou que fizeram isso pra ajeitar os casos de gente fora de sala que teriam de voltar por conta dos concursados que seriam empossados. Perguntei qual o critério e ela disse que chamaram os mais antigos.

Antigos em quê? Na função política [diretoras e secretárias são/eram cargos de indicação], e os mais antigos em sala de aula? continuam pastando além dos 29 anos de serviço, sem direito à aposentadoria porque não têm a idade mínima? E os que sofreram readaptação por doença funcional grave, que depois voltaram a lecionar e agora não podem contar tempo de readaptado (mas trabalhando e produzindo) como tempo de professor? ficaram assim: se aposentam como func. público, mais tempo, mais idade, MAS CONTINUAM EM SALA DE AULA como professor! como é que pode isso? Licença de saúde longa, de meses e meses, até dois e três anos, picadinha ou não, conta tempo (que fica em casa, sem produzir) o readaptado que não quis licença pra não ficar em casa se coçando, preferiu função compatível por um tempo, não pode contar o tempo por quê? Se só vale tempo de efetivo trabalho em sala de aula então não pode contar licença-prêmio, gestação, cursos, nada disso é feito em sala, é?

Adorei ver a notícia, mas conhecendo a Justiça que temos, não vai dar em nada.

A ex-diretora da minha escola pulou de R$ 1.500 para 5 mil, pra ficar no Ipesc, só meio período, brincando no computador. Não faço questão que voltem ao lugar de origem, que fiquem onde estão, mas já vale o aperreio de perderem o dindim que tanto farejam. Seria justiça divina. Não vai acontecer. Já ganharam uma vez. O TJSC bateu o martelo como constitucional, não vão mudar o que já fizeram, pois eles também gostam de $$$$ e ar-condicionado, longe de trombadinhas.

Desejo toda sorte do mundo ao Procurador Marcelo, mas ele vai perder o bonde que o trem foi do tipo trem-bala.

Ademais, já vi o mesmo filme com outro governador que também fez um trem assim: gente que estava a um mês da aposentadoria no Magistério, mas trabalhava na UCRE, desistiu, ganhou uma indenização fabulosa, comprou até sítio em Santo Amaro, reingressou, levou o tempo trabalhado de antes, já que não era aposentado, averbou e depois se aposentou como func. público. Foi no governo logo depois do Pedro Ivo...

É um vergonhaaaa. A revolta é grande nas escolas. Dá vontade de fazer como Nero; por ora me sinto só Herodes quando entro numa sala de aula com gente que deveria estar na Febem.

14 comentários:

Anônimo disse...

E a nota da ADI, Adjori e Acaert? ahahahahahahaahah

Carlos Henrique disse...

Se o procurador considera as cessões irregulares, então tá, tudo bem. Mas será que se trata realmente de prejuízo ao erário estadual? Pois se os funcionários não estivessem exercendo essas funções, outras pessoas teriam que ser contratadas para suprir tais cargos (via concurso público, naturalmente). Aí as despesas seriam ainda maiores, pois o governo teria os salários dos funcionários antigos e dos novos para pagar. Em resumo: a "transposição" pode ser irregular, mas os tais 10 milhões estão na liminar só pra causar impacto.

Anônimo disse...

Cesar,

A transposição tem cunho de previlegiar os afilhados políticos. O que o concurso público não tem.

Agora os nomes dos agraciados deveriam ser publicados. Mesmo porque a transposição tem que passar no Diario Oficial o que tornará do conhecimento publico.

Parabens pela analise. Supimpa!! Que partido ruim esse PMDB.

Paulo Afonso para permecer governador teve fazer pacto com o diabo (Jorginho Melo) e ali o Besc foi quebrado.

O LHS vai trazer para história de Santa Catarina a marca do Governador afastado por atos de improbidade na sua gestão. Lamentável.

E a defesa está sendo coordenada pelo Eduardo Pinho Moreira que tb deve ser punido, e aí quero ver se ele vai permanecer com as vinte e duas milhas por mes de salario de ex-governador.

Pedro de Souza

Schneider disse...

Chef César, bon jour.
Très bons goût, c'est un menu des deuses.
Outra vantagem de viver num país tropical é a apetitosa irreverência, dos tempos do Barão de Itararé aos do Chef César. Criatividade não se compra em farmácia. A alma, enxaguada, agradece.

Mauricio disse...

Bom dia.

Não entendi este comentário de Carlos Henrique.
Não sei qual a relação dele com este delito, mas defender este tipo de crime é incompreensível.
Afinal que sumidades eram estas que estavam se submetendo a salários ínfimos e, de repente são guindadas (sem concurso)a funções tão valorizadas?
Se eram tão valorosos por que estavam sujeitando-se àqueles salários que recebiam?
Possuem alguma notória especialização para justificar uma inexigibilidade de licitação (concurso)?
Espero que o Carlos Henrique seja um dos nomeados ou parente de um deles ou, ainda, que esteja envolvido nas nomeações, senão, fica difícil querer que este país evolua.

Anônimo disse...

Esta nota nas paginas de politica do D.C.
Pra mim nao passa de piada, estas figuras sao os mais comprometidos, é só dar uma olhadela nas paginas dos caras, nao se ve uma linha de critica ao governo, e voltando pra traz, de uma outra olhadela nos anuncios da epoca de campanha e os texto que os nao sei ditos "jornalistas" destes veiculos de bajulaçao escreviam.
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Entidades repudiam parecer
A Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acaert), a Associação dos Diários do Interior (ADI) e a Associação dos Jornais do Interior (Adjori) de Santa Catarina emitiram nota ontem na qual repudiam veementemente toda e qualquer insinuação de tendência a favor de lideranças políticas, agremiações partidárias ou de interesses particulares.

A manifestação foi provocada pelo teor do voto do ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Ari Pargendler, dando provimento ao recurso que pede a cassação do governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB).

Ao justificar seu voto, Pargendler argumentou que "sem sombra de dúvida foi montado o maior aparato de comunicação já visto em Santa Catarina com um único fim, alavancar a candidatura a reeleição do então governador Luiz Henrique da Silveira, isso tudo a custa do erário" e que "toda a mídia de Santa Catarina, por meio de jornais, rádio e televisão e respectivas associações" estiveram envolvidas na campanha.

Em sua nota, as associações destacam que os veículos de comunicação "atuam, incondicionalmente, comprometidos com a sua principal razão de existência: seu público", e que sua atuação é pautada pela "ética, transparência e responsabilidade, seja nas áreas comercial ou jornalística".

Anônimo disse...

César,
Até que enfim resolveram mexer nesses vespeiro. Tem gente graúda beneficiada por essas "transposições" inconstitucionais. Inclusive gente ligada ao Judiciário catarinense. Basta que se investigue os nomes da lista e seus parentescos.

Anônimo disse...

Ao Sr Carlos Henrique devo dizer que se o governo fizer concurso público para preencher as vagas que estes servidores (transpostos, transmutados, transgeneros????) os salários serão 1/10 do que qquer um desses está ganhando. Dê uma olhada no edital do ultimo concurso para a Secretaria de Adminstração.

Lia de Souza disse...

Fui informada por uma colega professora que me passou o recorte da notícia.
Há dois anos venho brigando com o Sinte por ter deixado passar batido tamanha pouca vergonha.Com que então um grupinho, e conheço alguns: duas ex-diretoras que deixaram seus 'amados alunos'[uma da minha escola], uma secretária de escola desalojada porque entrou uma concursada e mais um ex-professor/diretor de escola agregado na Gerei de São José,
dodos eles só assinaram um papel 'desistindo do Magistério' e passando assim a funcionário público, sem conurso nem nada, ganhando o tal prêmio de produtividade de 100% e os outros ficaram pastando?porque não foi aberto pra quem quisesse? porque seria uma debandada geral, mesmo sem os 100%?por que o sinte não fez greve por causa disso , pra tornar público?Até eles acham que é legal!Que quem reclama está contras os 'próprios colegas'!!!é mole?Por que não fizeram uma lista e não publicaram?
A ex-secretária, que já havia trabalhado na minha escola, me explicou que fizeram isso pra ajeitar os casos de gente fora de sala que teriam de voltar por conta dos concursados que seriam empossados.Perguntei qual o critério e ela disse que chamaram os mais antigos.
Antigos em quê?Na função política[diretoras e secretárias são/eram cargos de indicação],e os mais antigos em sala de aula? continuam pastando além dos 29 anos de serviço , sem direito à aposentadoria porque não têm a idade mínima?E os que sofreram readaptação por doença funcional grave,que depois voltaram a lecionar e agora não podem contar tempo de readaptado( mas trabalhando e produzindo)como tempo de professor?ficaram assim: se aposentam como func.público, mais tempo, mais idade, MAS CONTINUAM EM SALA DE AULA como professor!como é que pode isso?Licença de saúde longa, de meses e meses,até dois e três anos, piacadinha ou não, conta tempo( que fica em casa, sem produzir) o readaptado que não quis licença pra não ficar em casa se coçando, preferiu função compatível por um tempo,não pode contar o tempo por quê?Se só vale tempo de efetivo trabalho em sala de aula então não pode contar licença-prêmio, gestação,cursos,nada disso é feito em sala, é?
Adorei ver a notícia,mas conhecendo a Justiça que temos, não vai dar em nada.
A ex-diretora da minha escola pulou de R$1500 para 5 mil, pra ficar no Ipesc, só meio período, brincando no computador.Não faço questão que voltem ao lugar de origem,que fiquem onde estão, mas já vale o aperreio de perderem o dindim que tanto farejam. Seria justiça divina. Não vai acontecer.Já ganharam uma vez.O TJSC bateu o matelo como constitucional, não vão mudar o que já fizeram,pois eles também gostam de $$$$ e ar-condicionado, longe de trombadinhas.

Desejo toda sorte do mundo ao Procurador Marcelo, mas ele vai perder o bonde que o trem foi do tipo trem-bala.
Ademais, já vi o mesmo filme com outro governador que também fez um trem assim: gente que estava a um mês da aposentdoria no Magistério, mas trabalhava na UCRE, desistiu, ganhou uma indenizaçõ fabulosa, comprou até sítio em Santo Amaro, reigressou, levou o tempo trabalhado de antes, já que não era aposentado, averbou e depois se aposentou como func. público.Foi no governo logo depois do Pedro Ivo...
É um vergonhaaaa. A revolta é grande nas escolas.Dá vontade de fazer como Nero; por ora me sinto só Herodes quando entro numa sala de aula com gente que deveria estar na Febem.

Anônimo disse...

Olhem o que li numa coluna política de hoje: "Durante o encontro com os empresários da Grande Florianópolis, presentes os reitores da UFSC e da Udesc e o prefeito Dário Berger, o governador Luiz Henrique anunciou com veemência:

— Se a Escola Superior de Administração e Gerência da Udesc não aceitar uma filial da Escola Nacional de Administração da França, maior unidade acadêmica de formação de administradores da Europa, acabo com estas guerrilhas de vaidades e vou criar uma escola nova vinculada ao meu gabinete."
O NOME DISSO É ARROGÂNCIA, DESPOTISMO E DESPREPARO.

Anônimo disse...

Concordo com o anônimo das 6:51.
Vaidosos são os professores da ESAG, que estão há décadas lutam para transformar aquele centro na segunda melhor faculdade de administração do país. Dom Luis XV não. Não é nada vaidoso. Ele luta para transformar este reduto de índios e colonos numa nova potência mundial.
Basta!
Não vejo a hora para esse julgamento acabar e mandar esta turma de volta aos grotões imundos de onde vieram!

Anônimo disse...

O anônimo da 6:51 que me desculpe mas isso é ignorância mesmo...

Servidor disse...

Ao anônimo das 2:11, informo que entrei no último concurso da SEA, e a única diferença do meu salário para os mais antigos é o triênio. Será que realmente existem R$ 10 milhões por ano em "prejuízo" por triênios? Olhando bem a ação do MPT, parece que o procurador quer é fama e... dinheiro. Sim, pois foram pedidos R$ 40 milhões para um fundo administrado pelo próprio MPT. Excelente!

Anônimo disse...

Por entender que o Ministério Público é um órgão do povo, já que, na forma da Constituição da República Federativa do Brasil, todo Poder emana do povo e em nome dele deve ser exercido, e, nestas condições, a atividade ministerial que ocorre em defesa da sociedade deve ser o mais democrática possível, aí incluindo-se os indispensáveis esclarecimentos aos cidadãos de sua atuação, valho-me deste meio para trazer à lume algumas considerações que permitam à população catarinense refletir sobre os fatos veiculados na Ação Civil Pública n. 781/2008, que corre na 5ª Vara do Trabalho de Florianópolis, em comento. Em primeiro lugar, apresento congratulações ao editor do blog pela reportagem, e por permitir discussão entre os leitores, através de um meio moderno e dinâmico, como a internet, para dizer o seguinte: os R$10.000.000,00 anuais citados na ação correspondem a um valor meramente resultante do somatório do impacto financeiro em folha do Estado a partir das irregulares e absurdas transposições procedidas, conforme apurado pelo TCE, por amostragem, não a exata quantia, que, certamente, é bem superior, já que o MPT, a partir da divulgação em mídia do teor da ACP, está recebendo várias denúncias de novas situações de "reeenquadramentos". Para chegar aos R$40.000.000,00, a conta é simples: quatro anos, 4xR$10.000.000,00 = R$40.000.000,00 - verba que poderia muito bem ser usada quiçá para duplicar a BR 470 ou para melhorar as condições de segurança da BR 101 e das pontes que ligam a Ilha de Santa Catarina, que ceifam vidas, entre inúmeros exemplos a elencar de aproveitamento de uma quantia desse porte. Quanto à inconstitucionalidade da legislação estadual apontada e ilegalidade das "transposições", "cessões", "incorporações", etc., para não alongar, basta citar o conteúdo da Lei Complementar Estadual n. 325/2006, de idêntico teor à da LC 326/2006, e de tantas outras similares:
"Art. 5º. Os ocupantes de cargos de provimento efetivo, lotados na Secretaria de Estado de Coordenação e Articulação, serão enquadrados por transformação para o novo cargo, conforme linha de correlação estabelecida pelo Anexo III, parte integrante desta Lei Complementar.
§1º. Na linha de correlação prevista no Anexo III serão mantidos o nível e a referência em que o servidor se encontrar na data de 1o de janeiro de 2006.
§2º. Os titulares de cargos de provimento efetivo, na condição de isolado, lotados na Secretaria de Estado de Coordenação e Articulação por força do disposto no art. 199 da Lei Complementar n. 284, de 28 de fevereiro de 2005, serão atingidos pelas disposições do caput deste artigo, assegurando-se a diferença da remuneração percebida e a prevista para o novo cargo como vantagem pessoal nominalmente identificável, sendo enquadrados em nível e referência de acordo com o tempo de serviço no cargo ocupado."
Pois bem, o dito ANEXO III da referida LC, o qual pode ser obtido junto à Assembléia Legislativa, tal qual tantos outros anexos das questionadas leis pelo MPT, simplesmente dispõe, na chamada "linha de correlação", que "agente de serviços gerais" passa a ser "analista técnico em gestão ambiental", como também passam a ser "analista técnico em gestão ambiental", os "motoristas", os "administradores", os "nutricionistas", os "orientadores educacionais" e os "professores", dentre outros - ou seja, diferentes profissões com remunerações distintas passam a ser uma coisa só - "analista técnico em gestão", acumulando-se as benesses da função anterior com a da atual. Assim também no IPESC, cuja conversão ganha o nome de "analista técnico previdenciário"; assim também na Secretaria de Estado de Planejamento, que ganha "analistas técnicos em gestão pública", etc. Não se conhece, no ordenamento jurídico pátrio, justificativa plausível, dentre os princípios que regem a Administração Pública brasileira, que permita a transposição de um motorista, um advogado, um nutricionista e um professor para um único e novo cargo que abarca todas estas funções, denominado "analista técnico em gestão..." No particular, não se encontra explicação plausível para a denominada "linha de correlação" estabelecida na legislação estadual, nem no dicionário. Quanto ao pleito de condenação do Estado e demais órgãos acionados na indenização de R$40.000.000,00, pede-se a reversão da quantia ao FDD - Fundo de Defesa de Direitos Difusos, para recomposição de bens lesados, que não é administrado pelo MPT, diga-se de passagem, ou para entidades filantrópicas ou mesmo entes públicos (neste caso obras públicas em favor da comunidade afetada). Para refletir mais sobre as irregularidades que ocorrem na administração pública e suas conseqüências, é necessário pensar que cada criança que morre de fome, cada paciente que morre por falta de atendimento ou de medicamento pode ser uma vítima de verba pública mal empregada. É interessante que sempre chama mais a atenção da sociedade o homicídio resultante de violência nas favelas do que o prejuízo sofrido pela população nos desvios de dinheiro público afetando diretamente a massa que sofre as precárias condições de saúde, educação e trânsito ofertadas. A imoralidade administrativa não provoca homicídios mas, em muitos casos, genocídios. A única diferença com os crimes estampados nas capas de jornais é que não se vê a vítima, mas ninguém duvide, ela existe !
Enfim, espera-se que o povo brasileiro nunca perca a capacidade de se indignar e de questionar as irregularidades que acontecem na Administração Pública, nem deixe de acreditar que é possível construir uma sociedade livre, justa e solidária, tal qual prescreve a Constituição de 1988, apesar das falcatruas. O Brasil dispõe hoje de mecanismos e instrumentos capazes de corrigir as distorções, ainda que demande tempo, sendo que o Ministério Público existe justamente para isto.
Marcelo D'Ambroso
Procurador do Trabalho