terça-feira, 10 de junho de 2008

PRA QUE A PRESSA?

O Ministério Público Federal avisou, recomendou e chamou a atenção, mas a Eletrosul não quis nem saber. O jeito foi entrar com uma ação civil pública, pra ver se a coisa endireita.

Os procuradores da República em Joinville, Mário Sérgio Ghannagé Barbosa, Tiago Alzuguir Gutierres e Davy Lincoln Rocha estão movendo a ação contra a Eletrosul, a União, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o Consórcio ABB/Selt e Mário Sérgio Colley.

Eles implicam principalmente com a pressa: “não há fundamentos consistentes para dispensar a licitação de uma obra orçada inicialmente a R$ 55 milhões e que, por aditivos, poderá passar dos R$ 70 milhões”.

A justificativa seria poder faltar energia para as novas indústrias que estão para se instalar na cidade, mas os procuradores não perdoam: “O único apagão de que pode tratar é de ordem moral”, caso ocorra a dispensa, dizem eles..

EMERGÊNCIA OPORTUNA

O MPF afirma que desde 2006 há um Procedimento Administrativo da ANEEL “que previa a Licitação, a fim de contratar uma empresa para construir, dentre outras obras, a Subestação Energética Joinville/Norte”. Mesmo quando, em setembro de 2007, o Operador Nacional do Sistema Energético (ONS) faz uma previsão de aumento de consumo energético para região de Joinville, ninguém se assusta e a licitação continua, a passos de cágado.

Aí, em janeiro de 2008, o Governo do Estado de Santa Catarina tirou do bolso do colete uma “solução genial”: contrata-se a Eletrosul pra fazer o serviço (a subestação) e joga-se a licitação na lata do lixo. solicitou à ANEEL que fosse autorizada à Eletrosul a construção da Subestação Joinville Norte e da Linha de Transmissão, em 230 KV, Joinville Norte-Curitiba. A ANEEL, no começo, deu o contra.

Mas a turma não é fácil e aí conseguiram um “estudo” (que segundo o MPF é fajuto), baseado no qual o governo LHS, em março de 2008, decretou “estado de emergência” na região de Joinville no setor hidroenergético.

Para os procuradores “essa urgência pode ser considerada – no máximo – um pretexto e uma desculpa da ineficiência estatal, que não consegue fazer concluir o procedimento licitatório aberto desde 2006. Também pode ser considerada um simples pretexto para se dispensar a licitação ao arrepio da legislação vigente”, afirmam na inicial.

Na ação, os procuradores dizem que “um procedimento licitatório desse porte não é assim tão demorado; licitações de órgãos públicos para compra ou reforma de imóveis duram, em média, um pouco mais de dois meses”.

TÁ TUDO ENROLADO
Como desgraça pouca é bobagem, também tem problemas com o terreno escolhido pela Eletrosul para instalar a subestação. Ela “selecionou um terreno interditado, objeto de Ação Civil Pública (nº 038.07.047748-2) movida pelo Ministério Público Estadual em razão de problemas ambientais ocorridos”.

Mas o problema ambiental é pinto perto do que realmente tá pegando: “adquirido em 2000 por pouco mais de R$ 300 mil, [o terreno] custará quase R$ 6 milhões aos cofres públicos. Isto é, em 8 anos o imóvel sofreu uma valorização de mais de 1700% , isto é, mais de 17 vezes.”

Pra poder fazer o serviço, a Eletrosul teve seu contrato de concessão de prestação de serviço público aditado pela ANEEL. Pro MPF está claro que o aditamento (verbal), “dissimula um contrato de construção de obra pública com dispensa de licitação”.

Não satisfeita com tanto enrosco, a Eletrosul, contratada sem licitação, subcontratou outra empresa, a ABB Selt. Igualmente sem licitação. E, na brincadeira, a Eletrosul embolsa R$ 38 milhões (a título de fiscalização da obra) e pagará R$ 31 milhões pra empresa que vai construir a subestação.

A ação quer impedir que sejam feitos pagamentos para a Eletrosul ou qualquer outra empresa do esquema e também para o felizardo dono do terreno. Pede ainda que os contratos, aditamentos e outros parangolés sejam declarados nulos. Pra tentar evitar o pior.

SEM EXAME DO MÉRITO

Virou modinha: os processos vão, voltam, param, retornam, são extintos ou arquivados e nada de se entrar no mérito das questões. É o melhor dos mundos.

O ex-vereador Juarez Silveira está para ser devolvido à Câmara de Vereadores de Florianópolis, por causa de um carimbo arrevezado ou coisa parecida. Uma tecnicalidade que, distraidamente (ou seria propositalmente?) aqueles que o cassaram deixaram de observar faz com que a coisa volte à estaca zero.

Absolvido? Claro que não. As acusações permanecem intactas. Como não se entrou no mérito, não se discutiu se eram procedentes ou não. Mas ninguém mais, hoje em dia, está procurando provar inocência. Julgamento propriamente dito, com sentença e tudo é coisa em desuso.

O processo do LHS no TSE está sendo encaminhado para a mesma toada: colocar tantas e tão vistosas pedras no caminho, que o mandato vai terminar antes que se chegue a uma decisão.
Terminar assim só seria grave se alguém estivesse interessado em obter, dos tribunais, a comprovação de inocência ou da falsidade das acusações.

DEBANDADA NO TCE

Nem tudo são flores no Tribunal de Contas do Estado. Auditores fiscais estão abandonando o barco e procurando colocação em outros órgãos. Quatro deles mudaram-se, recentemente, para a Secretaria de Estado da Fazenda, para exercer a função de Auditor Interno do Poder Executivo.

No ano passado outros seis tinham feito caminho semelhante. E já há cinco esperando as novas nomeações. Com esses, o TCE terá perdido 15 fiscais de primeira qualidade (pelo menos um com mais de dez anos de carreira).

O motivo é salarial. Os servidores acham que está havendo um “descaso com os Auditores Fiscais de Controle Externo, justamente aqueles fiscalizam os gastos públicos municipais e estaduais”.

ENTÃO É ELE?

Li uma nota no Paulo Alceu, ontem, que me fez repensar o conceito que tinha sobre o LHS: talvez nem tudo seja culpa dele.

O “cabeça-de-motim” que inventa essas patacoadas, ao que parece, é o “consultor de articulação internacional”, Edson Machado (que foi saído da Fundação Catarinense de Cultura, mas continua no barco). Segundo a nota, é ele que está ajeitando as coisas para os “futuros convênios” entre o Conservatório de Música Tchaikovsky de Moscou em Blumenau, a Companhia de Dança Folclórica de Varsóvia em Criciúma, a Scuola de Criativitá de Firenze e os estúdios cinematográficos de Los Angeles em diversas cidades de Santa Catarina.

JORNALISMO EM DEBATE

Lancei uma proposta, na semana passada, pra que alguma entidade aproveitasse o “gancho” da lama envolvendo a revista Metrópole, e fizesse alguma coisa, pra mostrar pra sociedade catarinense que existem jornalistas sérios por aqui e que picareta é uma coisa e jornalista é outra.

A Profª Maria José Baldessar, ofereceu as instalações do Curso de Jornalismo da UFSC e o Prof. Paulo Scarduelli, do Jornalismo da Estácio de Sá, também colocou aquela escola à disposição. O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, o catarinense Sérgio Murillo, achou a idéia boa e está conversando com o Sindicato dos Jornalistas de SC para ver como levar a coisa à prática.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

SEMPRE CABE MAIS UM

domingo, 8 de junho de 2008

NOVIDADE NA DIREITA (II)

Coloquei aí na coluna do lado, abaixo da Ronda Diária, uma caixinha com os links dos blogs e sites que não têm RSS, como o do Paulo Alceu, o Acontecendo Aqui e o A política como ela é. A diferença entre um e outro, como é fácil perceber, está no fato de que uma lista é dinâmica, mostrando a última atualização feita lá e a outra é estática.

sábado, 7 de junho de 2008

INDEPENDÊNCIA EDITORIAL

A picaretagem e a venda de matérias não são problemas exclusivamente brasileiros. Publicações como a Metrópole e tantas outras, que vivem de achacar empresários e poder público, oferecendo entrevistas, reportagens e o que mais o freguês quiser, existem em todos os países.

Mas existem, além dessas aberrações, problemas sérios envolvendo jornais, revistas, emissoras de rádio e TV e a captação de recursos para sua manutenção.

Esta semana, o Comitê para Cultura e Educação da União Européia divulgou um relatório que contém um alerta sobre o perigo que corre a mídia privada, de deixar de ser uma guardiã da democracia.

[Para ler a notícia sobre o relatório (em inglês) clique aqui ou aqui]

O perigo estaria nos esforços que os veículos de comunicação privados estão fazendo para aumentar seus lucros, literalmente a qualquer preço. E o comitê recomenda que a Comissão Européia e os estados membros adotem leis que estimulem a concorrência na mídia, para garantir o pluralismo dos pontos de vista.

O relatório também defende a clara separação entre os departamentos editorial e comercial. E advoga que proprietários, acionistas ou governos sejam impedidos de interferir no conteúdo editorial, recomendando que os ombusdman atuem para proteger a liberdade dos media.

A estoniana Marianne Mikko, que assina o relatório, afirma que trata-se de estabelecer “salvaguardas para a democracia”. “É preciso encontrar uma forma de garantir o pluralismo dos canais de midia e assegurar o equilíbrio entre quantidade e qualidade, no mercado de comunicação”, diz ela.

O relatório não tem peso legal, mas oferece uma diretriz para as instituições executivas européias.

Só que, se lá eles estão preocupados e discutindo isso, aqui a discussão está muito longe de ser levada a sério. Todos sabem que só existe idependência editorial com independência econômica e que os pequenos veículos de comunicação sofrem imensas pressões: ou se adaptam aos anunciantes, ou morrem de inanição.

De uma certa maneira, os governos, as empresas estatais e os empresários privados, em sua maioria, sentem-se compelidos a aplicar as verbas publicitárias (e mesmo as pseudo-publicitárias) em veículos sobre os quais tenham algum tipo de controle.

Para o público, é o pior dos mundos. Porque fica sem acesso à informação equilibrada. A prioridade deixa de ser atender o direito que todos temos à informação, para dar ao anunciante o que ele quiser. E isto pode ser desde uma foto da filha na coluna social, a reportagens sobre os assuntos e enfoques que lhes sejam mais adequados.

Nos desesperados esforços para conseguir ganhar mais alguns tostões (ou milhões) de qualquer maneira, os veículos de comunicação acabam corroendo a fé pública que desfrutam na comunidade. O leitor, que não é bobo, acaba percebendo que está recebendo uma informação pasteurizada, filtrada e adaptada a interesses que não os dele, leitor.

A preocupação com a forma como se dá o relacionamento entre governos e empresas e os veículos de comunicação, portanto, vai muito além dos eventuais embates eleitorais, dos partidarismos políticos. Está em jogo a própria democracia.

Em rolos como esse da revista Metrópole, perdemos todos, de todos os partidos e de todas as profissões. Tolerar a picaretagem é demonstrar desprezo pela construção da democracia.

LEMBRAS DISSO?

A figurinha acima é um arqueirinho, portando uma besta (quem atira flechas com uma besta também pode ser chamado de arqueirinho?), com uma roupinha que parece dos tempos do Robin Hood, ou do Guilherme Tell. Durante várias décadas foi o principal símbolo de um grande jornal catarinense.

Eu sei que vocês lembram de tê-lo visto, anos atrás, no jornal, que tinha circulação estadual. Além disso, era usado em toda a papelaria da empresa (envelopes, laudas, etc). As minhas dúvidas, porém, vão além do nome do jornal. São muitíssimo mais complicadas. Valem como um teste:

1. Qual a origem do bonequinho? Por que ele está vestido assim?

2. Quem escrevia a coluna que está ligada à origem do bonequinho? Em que período ela foi publicada?

3. Quem desenhou o bonequinho?

RESPOSTAS

Vou colocar aqui o que chegar. Como eu também ainda não sei as respostas, depois a gente vê quem acertou, para as devidas homenagens.

Do Strix: “O Estado _ acho que é do Bonson _ adotado em 1975. Época em que o Montenegro (expulso do JSC - quiném eu) era diretor do Departamento de Circulação.”

GOVERNO ENGESSADO

PRA ONDE VAI O SEU DINHEIRO4% Para investimentos;
12% Pagamento da dívida;
13% Para os demais Poderes;
25% Para os municípios; e
46% Saúde, educação e folha.

Cada vez que leio os relatórios da secretaria de Estado da Fazenda sobre a arrecadação não posso deixar de me assustar com o gráfico acima, que mostra o comprometimento das receitas. É compreensível que os governadores reclamem tanto. Afinal, mesmo que a arrecadação bata recordes, dispõem de uma fatia minúscula para tocar suas obras. O resto está tudo carimbado.

E restam, ao governo, apenas dois movimentos: cortar despesas e/ou aumentar arrecadação. Um é uma luta permanente que nem sempre dá resultado, o outro depende de inúmeros fatores (inclusive a conjuntura internacional), alguns dos quais completamente incontroláveis.

Os outros movimentos que seriam teoricamente possíveis, como o de reduzir o número de funcionários, esbarram em obstáculos políticos intransponíveis.

DEPUTADO RELÂMPAGO

Vocês têm acompanhado essa modinha que deu em alguns partidos, de fazer um rodízio com os suplentes de deputado? É uma coisa espantosa.

Os deputados titulares entram de licença e aí o suplente assume, por algum tempo, pra ter uma exposiçãozinha na TVAL, poder se apresentar na sua “base” como deputado, desfrutar da infra-estrutura que a Assembléia oferece, etc. Agora, com a saída de deputados para concorrer nas próximas eleições, a coisa ficou ainda mais movimentada.

O problema é que, nesse entra e sai, a conta (que é a gente que paga) acaba ficando mais salgada. Um leitor indignado, o Renato Schmitd, deu-se ao trabalho de fazer as contas:

José Natal (PSDB), ocupava o lugar do Dado Cherem, que estava na Secretaria da Saúde. Dado reassumiu dia 3 e se licenciou dia 4, pra concorrer a prefeito de BC. O Zé Natal, então, foi convocado de novo. Ficou menos de 24 horas fora da Assembléia e vai receber um salário extra, pela convocação (mais R$ 14,6 mil).

Antônio Ceron (DEM-o, secretário da Agricultura), suplente, entrou na vaga do Darci de Matos, que saiu pra concorrer à prefeitura de Joinville. Vapt-vupt, Ceron se licenciou quatro horas depois de ter assumido. Claro, quer continuar secretário da Agricultura. Mas com a manobra, leva o salário da Assembléia, que é maior. Aí foi chamado o suplente seguinte, Ismael dos Santos. Que, é claro, também recebeu os R$ 14,6 mil regulamentares, só pela convocação. Quando o deputado fica, por exemplo, dois meses, ganha três salários: a convocatória e os referentes ao tempo.

Só nesta semana ocorreram as seguintes trocas de cadeiras na Assembléia:

Carlos Chiodini (PMDB) entrou na vaga do deputado Genésio Goulart; Adherbal Ramos Cabral (PMDB) entrou na vaga do deputado Edson Piriquito; Valdir Cobalchini (PMDB entrou na vaga da deputada Ada de Luca; Cezar Cim (PDT) entrou na vaga do deputado Dagomar Carneiro Carlos Hoegen (DEM) entrou na vaga do deputado Cesar Souza Junior; Ivan Natz (PP) entrou na vaga do deputado Kenedy Nunes.

OS CARROS DA DALVA

Faz tempo que não falo, aqui, da secretária Dalva Dias (PDT), daquela secretaria que administra as verbas federais do ministério do Trabalho (PDT).

Mas é que tem sempre tanto assunto que acabo esquecendo. Depois, qual a importância de se falar que alguns veículos alugados circulam pra cima e pra baixo sem identificação da secretaria? O próprio governo proíbe, mas ela já explicou várias vezes: “comigo a coisa é diferente”.

Ah, e o povo de lá tá falando que ela concentrou praticamente todos os comissionados num “aquário” (assim tipo um viveiro), decerto para afastá-los das influências perniciosas dos servidores efetivos.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

NOVIDADE NA DIREITA

Alertado por uma dica que li no Coluna Extra, do Alexandre Gonçalves, adicionei mais uma gracinha no blog. Ali na coluna da direita, abaixo do slide-show, agora tem os posts mais recentes de uma listinha de blogs e sites que acompanho. E se algum assunto interessa, clica no link e vai até o site.

Aparecem sempre os dez que têm atualizações mais recentes. Pra ver a lista toda, é só clicar em “Exibir todos”.

Como o programa, pra fazer essa lista, usa o RSS, que é uma linguagem padronizada que permite que os conteúdos sejam distribuídos, os blogs e sites que não têm isso não podem ser colocados aí. Por exemplo: leio todo dia o Acontecendo Aqui, que é um blog de publicidade, propaganda e comunicação, mas, como não tem RSS, não vai aparecer. Ah, claro, outro que não está ali porque não tem RSS é o blog do meu amigo Paulo Alceu.

Alertas técnicos

O companheiro Carlos Damião precisa ver, com algum guru dos blogs, como o próprio Alexandre, como fazer para que os títulos e as primeiras linhas dos seus posts sejam lidos pelo RSS. Sempre que o Damião atualiza, aparece apenas o nome dele e a gente fica sem ter uma amostra do que foi que ele escreveu.

E o Canga e o Aluízio também estão com problemas no RSS. Os posts recentes não aparecem. O último é de meses ou semanas atrás.

Vamos prestar atenção nessas rebimbocas e mantê-las azeitadas, porque é por aí que esta ferramenta se diferencia dos jornais de papel e permite uma circulação mais rápida e ampla das informações.

NÃO LI, MAS NÃO TEM NADA DEMAIS

O NOVO MORIBUNDO

Hoje faz uma semana que comecei a mexer no vespeiro que é o livro/dossiê “A descentralização no banco dos réus”.

Na sexta-feira passada, coincidindo com a divulgação, aqui, dos primeiros trechos do livro, sob o título “Retrato de uma chantagem”, o Armando Hess procurava a polícia para registrar que estava sendo chantageado ou sofrendo uma extorsão. A operação que resultou na prisão do Nei Silva, na segunda-feira, começou, então, a ser montada.

No sábado publiquei no DIARINHO um resumo do conteúdo do livro, completando a exposição do material inciada na sexta no blog. E aí a coisa estourou. Foi o assunto do final de semana. Aquilo que durante alguns dias tinha sido comentado a boca pequena por alguns, ganhava as ruas de forma incontrolável.

Na segunda de manhã recebi uma ligação do delegado Renato Hendges, com quem nunca havia conversado. Ele queria me contar que prendera o Nei Silva em flagrante, por extorsão. Naturalmente, porque fui o primeiro a mostrar, em público, trechos daquele material que tinha toda a aparência de ter sido montado para uma chantagem.

Pronto, aí o troço pegou fogo mesmo. Com a prisão, os demais veículos de comunicação, que receberam cópias do livro ao mesmo tempo que eu e não tinham tido interesse, coragem ou oportunidade de entrar no assunto, tiveram que entrar no caso. Não dava mais pra deixar a bomba na gaveta.

Foi assim, portanto, que os catarinenses ficaram sabendo da existência de mais um moribundo, que vai se arrastar por muito tempo, insepulto e malcheiroso, assombrando as noites do governo.

A VERSÃO DO GOVERNO

Vou resumir, em tópicos, o que consegui entender, até agora, da posição do governo em relação à revista Metrópole. Minha fonte principal, no governo, é o diretor de imprensa da Secom, jornalista José Augusto Gayoso, mas também conversei com outras pessoas.

1. Não houve contrato com a revista Metrópole, ou com qualquer outra, para um projeto “Descentralização”, ou qualquer outro projeto semelhante. A área de comunicação não trabalha desta forma.

2. Os veículos de comunicação se cadastram na Secom e podem, ou não, ser contemplados com anúncios das campanhas publicitárias que o governo e as empresas estatais colocam na rua.

3. O pessoal da Metrópole tentou “vender” o projeto na Secom, mas recebeu uma negativa inegociável. Não foi fechado nenhum acordo ou negócio.

4. Os anúncios do Badesc, Casan e outros órgãos ligados ao governo que foram veiculados na revista o foram porque a revista estava cadastrada e são as áreas de comunicação dos órgãos que determinam à Secom quem deve ser incluído na programação de mídia desta ou daquela campanha.

5. A cobrança extra-judicial, que Nei Silva informa no livro que apresentou ao governador LHS, foi ignorada pelos advogados do governador, por inconsistente. Não acharam que merecesse uma resposta. Provavelmente foi para o lixo.

6. “Se houvesse o que cobrar, ele teria entrado com uma ação judicial”, diz o governo, usando este fato como demonstração de que a acusação não se sustenta.

7. O governo foi surpreendido, em plena campanha de reeleição, com as revistas e os out-doors. Que não foram pedidos ou autorizados por LHS, Secom ou do núcleo do governo. Ao contrário. Donde a irritação dos donos da Metrópole com o governo.

8. E o papel e a participação do ex-secretário Armando Hess na história? “Aí tem que perguntar pra ele, porque ele está há mais de dois anos fora do governo”.

MAIS DO MESMO

Pra quem ainda não cansou do assunto e tem curiosidade de dar uma espiada no livro “A descentralização no banco dos réus”, o Sérgio Rubim, o Canga, está colocando as páginas no seu blog. Já estão disponíveis as 20 primeiras.

O endereço é cangablog.blogspot.com e a qualidade da digitalização não é lá essas coisas (quando souberem de um cursinho para operar scanner, convidem o Canga), mas dá pra ler, sem grande dificuldade.

Um dos destaques do início do livro é o prefácio, escrito pelo Danilo Prestes Gomes. Tinha lido na semana passada e agora, ao relê-lo, percebi que desde ali já viceja a mágoa, que é a madrasta da vingança, quando o autor se classifica como alguém que “ele [LHS] sequer dignou-se a receber durante o seu reinado”. E o Danilo menciona que fez com LHS “um dos mais estranhos contratos de comodato que sua administração jamais sonhou ou realizou com qualquer outro parceiro”.

O FILME DO CARMINATTI

O parente do Ivo Carminatti já está filmando, em Tubarão, Criciúma e Florianópolis, o “Arrasa Corações” (The Heartbreaker), produção binacional patrocinada, em boa parte, pelo generosíssimo governo catarinense, que está disposto a fazer concorrência com Hollywood. Além das cidades catarinenses, o filme, que tem elenco multinacional, também teve cenas gravadas em Boston, nos EUA.

Numa demonstração clara de que as belezas do estado serão mesmo mostradas para o mundo todo, as cenas gravadas na garagem do shopping Farol, em Tubarão, serão depois modificadas digitalmente, para que pareça uma garagem dos Estados Unidos. Não é o máximo?

Para ler as demais informações do site Acontecendo Aqui sobre o filme, clique aqui.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

UMA OXOTA ABERTA!

De tanto ver sacanagens em todos os ambientes e Poderes, animei-me a cometer o supremo ato de libidinagem:
ABRI UMA OXOTA!

E agora, desavergonhado e devasso, mostro, para todos os meus 17 leitores e 5 leitoras, a Oxota completamente aberta, com seu orifício ainda pingolejando as gotas frementes do momento em que, com os dedos trêmulos, a boca sedenta e a nuca arrepiada, provoquei aquele ruído inconfundível que só uma Oxota produz, ao ser aberta.

Uma vez tendo-a aberto e exposto ao mundo suas vergonhas, esvaiu-se-me completamente a pudicícia e, como se estivesse num festim diabólico, passei a saborear a Oxota. Verti, com calma, cuidado e carinho, seu néctar, levemente espumoso.

Uau! que sensação! a Oxota é forte, encorpada, vem por cima, gulosa, com seus 8% de graduação alcoólica. Lembra-me meu tempo de estudante em Porto Alegre (por favor, antes de me espancar, deixa explicar que sou manezinho e só fui fazer faculdade em Porto Alegre porque não tinha matemática no vestibular), quando tomava “trigo velho” com o chope. Trigo velho é uma espécie de Steinhaeger. No caso da Oxota, dá impressão que misturaram a Steinhaeger na cerveja. Beleza!

Se eu fumasse, a esta hora estaria acendendo um cigarrinho. Foi bom pra vocês assim como foi bom pra mim? Ótimo. Relaxem e gozem, porque depois da meia noite voltaremos à nossa programação normal. Até lá.

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES

Troquei de novo o álbum de fotos que fica rodando ali na coluna da direita. Sai a Flor de Maio, por decurso de prazo, mas continuamos no mesmo tema. Agora mostro o resultado de algumas caminhadas pelo Jardim Anchieta, no Córrego Grande, em Florianópolis. São flores e árvores que fui encontrando pelo caminho.

Pra ver as fotos em tamanho maior (estão num álbum da Web do Picasa/Google), é só clicar sobre a miniatura.

SALVEM O JORNALISMO!

Vou deixar aqui uma proposta, como quem joga uma semente pro alto. Alguém ou alguma entidade (de preferência ligada ao jornalismo e à comunicação) se animaria a montar, agora, enquanto a coisa está quente, um fórum, um seminário ou um painel de debates, sobre a imprensa que se vende?

O título poderia ser: Promiscuidade e corrupção no jornalismo.

Ou: Promiscuidade e corrupção em nome do jornalismo.

O fenômeno de cobrar por matérias, por entrevistas, por fotos na capa, por minutos no ar, tem crescido bastante. Parece ser uma fonte de renda segura (exceto quando ocorre algum acidente, como esse da revista Metrópole). E autoridades e homens públicos de todos os níveis parecem achar natural ter que pagar para ver suas fotos e opiniões serem publicadas.

Imagino que o público leigo tenha dificuldade em ver diferenças entre o que faz, por exemplo, o João Cavalazzi, que é um jornalista, um repórter propriamente dito, e a Márgara Hadlich, que trabalhou na revista Metrópole e, por orientação de seus patrões, ao mesmo tempo que produzia os textos, fazia contatos publicitários com anunciantes, que muitas vezes eram os entrevistados.

Mesmo entre os proprietários de veículos de comunicação ditos sérios, a idéia de que apenas a venda dos espaços claramente comerciais não é suficiente cresce assustadoramente. O aumento do poder dos departamentos comercial e de marketing das empresas sobre o departamento de jornalismo ou editorial, tem feito surgir anomalias preocupantes.

Como os jornalistas não têm nenhum órgão que se ocupe do exercício profissional (como os advogados têm a OAB, os engenheiros e agrônomos o CREA, os médicos o CRM), charlatães usam nosso nome para fazer todo tipo de barbaridades e ninguém diz nada.

O evento que estou propondo seria uma sinalização, à parcela informada da sociedade, que os jornalistas estão se sentindo profundamente incomodados com a ação dos charlatães e com o abrigo que governos e poderes de todos os níveis dão a eles e a seus produtos mercenários.

Não resolveria muita coisa, mas pelo menos a gente não ficaria calado, como se nada de muito grave estivesse acontecendo, sob nossos narizes, com a nossa profissão.

O QUE A FOTO PROVA?

A foto acima (que não está no livro e me foi enviada anonimamente) mostra o governador LHS escrevendo alguma coisa na capa da revista Metrópole, edição “Por toda Santa Catarina”. A moça ao lado dele é a Márgara Hadlich, na época funcionária da editora Metrópole. A ela cabia a execução da revista, entrevistas, contatos com autoridades e anunciantes.

(Pra que não restem dúvidas sobre qual a revista em que LHS apóia as mãos, girei a capa 90°, aqui ao lado. Se clicar nas fotos abre-se uma ampliação)

Tá, e daí? Bom, qualquer foto pode ter várias “leituras”, dependendo da posição política do leitor e de seu nível de informação. E todas bem razoáveis e plausíveis. Por exemplo:

1. A moça, querendo guardar uma recordação, levou a revista em que ela trabalhava e que tinha matérias sobre a descentralização, para mostrar ao governador e aproveitou para pedir-lhe um autógrafo. E ele, como bom político, atendeu.

2. A moça, por solicitação do próprio governador, levou-lhe o “boneco” da revista (a prova, antes da impressão), para que ele desse uma olhada e autorizasse. A foto mostra o momento em que ele assina a provinha, autorizando a publicação.

A foto em si, portanto, nada prova. No máximo, informa que LHS conhecia a revista. E se aparecer um “boneco” (a provinha) com a assinatura de LHS? Prova que ele autografou aquele papel. E até aí morreu Neves. Mas e se ele escreveu algo mais? Aí vai depender do que estiver escrito. Só que, por enquanto, a conversa morre aqui, porque nem se sabe se o papel existe.

PRA QUE MAIS PROVAS?

O relacionamento do governador com a Metrópole e com os jornais que fizeram cadernos a seu favor está provado (tem processos nos tribunais falando nisso, lembram?). Uma foto a mais não altera o quadro, em relação ao governador.

Os fatos relatados no livro “A descentralização no banco dos réus” são mais importantes para mostrar, ao público em geral, como as “autoridades” e os empresários tratam bem e se relacionam com certo tipo de “empreendedores da comunicação”, do que para comprovar o que, de resto, já era sabido.

Serve, também, como um caudaloso fornecedor de indícios de novos crimes. Alguns, contudo, de difícil comprovação.

O fato é que, como em todo divórcio litigioso, os outrora parceiros agora quebram o pau, magoados com o rompimento. Um dos cônjuges quer ser remunerado pelos bons serviços prestados. O outro cônjuge afirma que não pediu nada e que não há o que remunerar.

É bom ficarmos olhando meio de longe, porque já diz a sabedoria popular que em briga de marido e mulher não se mete a colher. Mas como a briga envolve agentes políticos e dinheiro público, também é bom não perdermos a coisa de vista.

A IMPRENSA A FAVOR

Alguns governantes, como Lula, vivem se queixando da imprensa. Afirmam que os jornais e revistas fazem campanha contra, que vivem dando voz a golpistas e inventando maracutaias onde só existe caixa 2 ou bancos de dados.

Já o governador LHS tem se incomodado muito mais com a parte da imprensa que lhe é simpática, do que com as críticas. O processo que enfrenta no TSE teve origem justamente no favor que dezenas de jornais lhe fizeram, ao elogiá-lo, e à descentralização, em coro.

A revista Metrópole, então, depois de publicar as reportagens dos sonhos de qualquer governador, tornou-se um pesadelo interminável. Os elogios incondicionais que ela publicou ajudaram a compor o processo que está em andamento.

Por isso, temendo um agravamento da crise, LHS (e seu governo) se afastou dos antigos amigos, criando a pendenga que estourou agora. Problemas domésticos, criados pela imprensa a favor.

Não sei não, mas é capaz que a esta altura o governador esteja repensando seus conceitos sobre a imprensa. Parece ser mil vezes melhor enfrentar uma imprensa crítica, mas honesta, que pratique um jornalismo exercido com critério profissional por gente de bem, do que ter que conviver com esse arremedo de jornalismo, totalmente a favor, mas gerenciado por mercenários inescrupulosos.

AS VÍTIMAS

Em 1917, o senador norte-americano Hiram Johnson disse que “A primeira vítima, quando a guerra inicia, é a verdade” (“The first casualty when war comes, is truth”). A frase tornou-se célebre quando Phillip Knightley a utilizou no seu livro... “A primeira vítima”, onde comprova, à exaustão, contando histórias de várias guerras, que o senador estava certíssimo.

Pois bem, nessa guerra deflagrada pela revista Metrópole contra o governo, além da primeira vítima de sempre (a verdade), há pelo menos duas outras cuja trajetória devemos acompanhar.

No meu entendimento, e até onde consegui ver, do lado do governo quem está sendo colocado em pior situação é o ex-secretário Armando Hess. Raciocinem comigo: se o governo, para preservar LHS, afirma que nada foi autorizado à Metrópole, e que quando viram os out-doors e revistas mandaram os caras parar, por que Armando continuou a conversar com eles? Por iniciativa própria, voluntariamente?

Aparentemente, pelo que se ouve agora, ninguém lhe pediu esse favor. E couberam-lhe tarefas ingratas, a última das quais fazer o BO e figurar como interlocutor na hora do flagrante.

Mas, se o governo não o tem tratado bem, deixando-o numa situação complicada, o outro lado não o tratou melhor. A exposição, no livro, de uma longa conversa em que o Armando explica detalhes de suas estratégias de negociação com credores nas suas empresas é a sacanagem clássica. Desnecessária e constrangedora.

E, do lado de lá, sobrou para a Márgara. Carregou o piano da revista e, na hora da festa, seu empregador faz, no livro, insinuações que a colocam em situação delicadíssima, como ela mesmo contou, no bilhete que me mandou e que publiquei aqui na terça-feira.

CONTAS APROVADAS COM RESSALVAS

O Tribunal de Contas do Estado emitiu ontem o parecer prévio sobre as contas do governo, exercício de 2007. Recomenda a aprovação, embora tenha feito seis ressalvas e uma dúzia de recomendações.

Agora o parecer será discutido e votado pela Assembléia Legislativa, que é o Poder fiscalizador, que pode aprovar ou não as contas do governo.

O que o TCE achou de errado:

1. Educação – inclusão dos gastos com inativos para efeito de cálculo do percentual mínimo de 25% das receitas, a ser aplicado na manutenção e desenvolvimento do ensino;

2. Saúde – inclusão dos gastos com inativos para efeito de cálculo do percentual mínimo de 12%, a ser aplicado em ações e serviços públicos de saúde;

3. Defensoria dativa – ausência de registro contábil de dívida no valor de R$ 54 milhões;

4. Precatórios – contabilização, de forma imprópria de precatórios a pagar no Passivo Permanente;

5. Ensino superior – reincidência quanto à não aplicação do mínimo exigido em assistência financeira aos alunos;

6. SEITEC (Sistema Estadual de Incentivo à Cultura, ao Turismo e ao Esporte) – aplicação de recursos do Funcultural fora da sua finalidade, vinculação de receitas de impostos a fundos e contabilização incorreta de receita tributária como contribuição.

Entre as recomendações, tem algumas bem interessantes, como a de que o governo estabeleça “políticas voltadas à solução do crescente prejuízo gerado todos os anos” pelo Invesc.

Um dos pontos salientados pelo relator, conselheiro César Filomeno Fontes, foram os conflitos entre a previsão e as despesas. O conselheiro deu até uma alfinetadinha na Secretaria de Planejamento: “É um fato que evidencia uma deficiência no planejamento governamental, muito embora a estrutura administrativa do Estado contemple uma Secretaria especialmente responsável por essa função”.

Para ler a íntegra da nota do TCE sobre as contas, clique aqui.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

HORA DO RECREIO

As coisas andam muito sérias e sisudas ultimamente. Não dá pra ficar o tempo todo só falando na mesma coisa. Por isso vamos fazer um momento de recreio.

Um amigo que acaba de voltar da Rússia, mais especificamente de Moscou, trouxe-me alguns presentes. Infelizmente aquele tempo bom, em que se trazia ouro de Moscou, acabou. Mas vocês verão que ele trouxe coisas preciosas: cervejas e jornais.

[Neste blog é só clicar sobre a foto que se abre uma ampliação]

Basicamente foram duas marcas de cerveja, uma delas com variações. Graças a meus conhecimentos de russo, não consegui entender nada do que estava escrito nos rótulos e fiquei sem saber em que a cerveja da lata azul é diferente da da lata amarela. Mas ali tem uma palavra que me parece conhecida: Oxota... hum... isso me lembra alguma coisa...

Ah, é verdade! Oxota! Putz, esta cerveja terá que ser consumida numa ocasião especial. Que gosto terá? Vejo um 8% ali no rótulo. Será a dosagem alcoólica? Uau! É uma Oxota das boas, daquelas de derrubar o cidadão!

Os velhos comunistas vão gostar de ver, aqui, uma foto recente do lendário Pravda. O tablóide da esquerda é o Pravda propriamente dito. Tablóide?! E o da direita é o Pravda Jovem (o logotipo faz uma jogadinha com o “da” final, que em russo é “sim”). Pravda Jovem?! Dã!

Os tablóides são do mesmo tamanho do DIARINHO, mas os standard são maiores do que os jornais semelhantes do, vá lá, ocidente. Uma modinha iniciada nos Estados Unidos estreitou os jornais standard daqui (vide Folha e O Globo, por exemplo). Mas lá os jornais continuam parecendo lençóis. Na foto dá pra ter uma idéia do tamanhão.

Alguns títulos muito importantes de jornais que circulam em Moscou. Não faço a menor idéia do que estão dizendo nem como são seus nomes (exceto, é claro, o americanófilo “daily” que um deles ostenta no logo). Devia ter pedido pro meu amigo, que fala russo fluentemente, (com leve sotaque ucraniano por causa da sua origem no Ribeirão da Ilha), pra me fazer uma tradução simultânea, mas ficamos mais concentrados nas cervejas e esquecemos dos jornais.

Aí outras fotos dos jornais, pros que gostam de diagramação e se interessam por design gráfico darem uma espiada.

CARTADA FINAL

Recebi agora de manhã o seguinte press release da Justiça Federal:

“A Justiça Federal, por meio da Vara Federal Criminal Especializada em Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, em Florianópolis (SC) decretou prisões, preventivas e temporárias, de 19 investigados na operação denominada Cartada Final, bem como expediu 51 mandados de busca e apreensão, relacionada à organização criminosa sediada na cidade de Joinville (SC), suspeita de praticar crimes de contrabando de peças de máquinas eletrônicas programadas, exploração ilegal de casas de jogos, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, entre outros. Os mandados foram cumpridos na data de hoje pela Polícia Federal nos Estados de Santa Catarina, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte.”

Logo em seguida ficou-se sabendo que um dos presos em SC foi o cônsul honorário da Espanha em Joinville, Antônio Escorza Antonanzas, suspeito de ser o cabeça da organização criminosa. Os nomes dos demais presos ainda não foram divulgados.

Como eu sou esquecido e distraído, mas não completamente, fiquei matutando onde é que já tinha ouvido o nome desse senhor. Se fosse leitor das colunas sociais joinvillenses, certamente o teria visto por lá. Mas não, tinha sido em outro lugar.

Pois bem, fiz uma pesquisa rápida aqui no blog e descobri um comentário, de 14 julho de 2007, que na época, pra mim, era completamente incompreensível. Meio cifrado, parecia coisa de louco estrangeiro (notem que o português é meio arrevezado). E tinha sido feito em uma nota onde eu comentava alguma coisa sobre bingos. Acho que o deixei lá pra ver se alguém explicava do que se tratava ou para ir atrás depois. E, pra variar, esqueci. Transcrevo-o abaixo, na íntegra:

Anônimo disse...

“AMERICAN DE JOINVILLE=

ANTONIO ESCORZA, Dono e responsavel de tudos os crimenes que se imputan a ele.

SANTIAGO BAQUEDANO FERNANDEZ, Diretor Geral e cérebro financeiro do Grupo, autor de tudos os crimenes financeiros do Grupo.

ACACIO PICCINI, Laranja... melhor Acerola do Grupo, e cachorro do Antonio Escorza, responsavel de tudos os delitos juridicos do Grupo.”
Julho 14, 2007 4:09 PM

UM POUCO DE HISTÓRIA

Se, na época, eu tivesse feito o dever de casa, teria descoberto que Escorza tinha sido citado na Operação Xeque Mate, da PF, conforme Robson Bonin relatou em reportagem publicada dia 3 de julho de 2007 em A Notícia. A empresa do cônsul aparecia como uma fornecedora de caça-níqueis, mas investigação da PF não chegou até SC.

Num dos quadros da matéria, a mensagem cifrada do comentarista, que transcrevi acima, fica clara como água:

“Empresa não fala sobre o assunto

Em Joinville, na fábrica do grupo American, que fica na avenida Santos Dumont, a produção segue normalmente, mas ninguém se pronuncia sobre as informações da PF. Na rua São Paulo, onde funciona o centro administrativo, o assessor jurídico, identificado apenas como Gilmar, ficou de localizar, desde a tarde de quinta-feira da semana passada, os acionistas, mas não deu retorno. A Notícia voltou à empresa na sexta-feira para tentar ouvir os atuais diretores José Acácio Piccinini e Santiago Baquibadano Fernandez, mas não foi recebida.

A reportagem também tentou falar com a família Escorza e os advogados do empresário por telefone. Na fábrica e no setor de administração, as secretárias afirmaram que não estavam autorizadas a repassar os telefones e que o empresário está em viagem para a Espanha.

Nos dois endereços do grupo American, não há placas. No endereço da rua São Paulo, um tapume de obras esconde parte da fachada do prédio sofisticado e protegido por um forte esquema de segurança que conta com câmeras e sensores em todas as entradas. É lá que operam os setores financeiro, jurídico, recursos humanos e de inteligência do negócio da família Escorza.

Segundo consta no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da American, Antonio Escorza Antonanzas saiu do comando direto da empresa no final de 1998, quando a direção foi passada à mulher dele Débora Pinnow. Depois, em julho de 2002, o cunhado José Acácio Piccinini e a mulher dele Marlene Diene Pinnow assumiram a diretoria que hoje é tocada apenas pelo cunhado Piccinini e por Fernandez, conhecido como “espanhol”.”

Pronto, nada como um pouco de aplicação no estudo, pra gente se informar melhor. O pior é que já tem oposicionista maledicente dizendo que essa história de mexer no bingo pode respingar no governo. Lembram que o governo do estado fazia campanha aberta pela legalização do jogo, chegando a editar uma lei, depois derrubada no Supremo, liberando a jogatina? Pois é, tem gente que aposta que vem mais incomodação por aí.

Então, só pra fazer o serviço completo, transcrevo também o outro quadro da reportagem do Robson (em A Notícia de 3 de julho de 2007), que tem mais algumas informações sobre o personagem do dia.

“Casa de videobingo em shopping

Quando a atividade era permitida por lei, o empresário Antonio Escorza Antonanzas mantinha casas de videobingo em Joinville. Uma delas funcionava em um dos shoppings de Joinville, de propriedade da família.

Na última sexta-feira, a Polícia Civil apreendeu 29 máquinas caça-níqueis em um cassino clandestino que funcionava sobre uma loja de aviamentos, na rua 15 de Novembro, no centro de Joinville. “As máquinas tinham o timbre da American Indústria e Comércio Ltda. Agora as investigações irão apurar se o cassino era da família Escorza ou se as máquinas haviam sido alugadas ou adquiridas do Grupo American”, explicou o delegado José Alves da Silva, que conduziu a operação.

“O que temos certeza até agora é que as máquinas foram fabricadas pela empresa. Agora, se os presos eram funcionários da fábrica ou clientes só será definido com o fim das investigações”, afirmou Alves.

Antonio Escorza responde a processo na Justiça Federal do Rio Grande do Sul pela suposta importação de componentes eletrônicos para fabricação de caça-níqueis e tem pedido de prisão preventiva requerido pelo Ministério Público Federal (MPF) por contrabando ou descaminho. O processo encaminhado pela polícia federal gaúcha tem três volumes e descreve com detalhes a dinâmica dos negócios de Antonio Escorza.

Tanto a prisão quanto a responsabilidade do empresário pelas mercadorias serão analisadas em audiência marcada para o dia 12 de setembro, na 1ª Vara Federal da Comarca de Rio Grande (RS), cidade portuária onde os componentes eletrônicos foram apreendidos.”

Adendo noturno só pra pegar no pé dos coleguinhas:
só depois da oito da noite é que a RBS, por intermédio do blog de Brasília [aqui], deu-se conta que um dos seus jornais (A Notícia), tinha falado no homem em 2007. Será que leram a referência aqui?

O “DOSSIÊ” METRÓPOLE

Primeiro foi o tal dossiê que era um banco de dados e agora é o livro, que alguns governistas estão chamando de dossiê. Livro ou dossiê, sei que muitos dos que estão chegando aqui pela primeira vez buscam mesmo é “A descentralização no banco dos réus”, o “best-seller” que foi mostrado primeiro neste blog.

Existem duas formas de chegar até as notas que publiquei a respeito, com trechos do livro/dossiê:

1. Rolar a tela até encontrar, mais embaixo, as notas do dia 30 de maio. É um caminho mais longo, mas permite que vocês, enquanto caminham, dêem uma olhada nas demais notas do blog e conheçam um pouco do que se faz aqui.

2. Clicar nos links abaixo, que são atalhos que levam direto às notas do dia 30. Ao clicar, o post desejado se abre numa nova janela.

Retrato de uma chantagem 1 (o resumo do enredo)

Retrato de uma chantagem 2 (a repórter e o governador)

Retrato de uma chantagem 3 (as revistas do Judiciário e do Pavan)

Retrato de uma chantagem 3b (a revista do Badesc)

Retrato de uma chantagem (final)

Ah, o blog “A política como ela é” o Vitor Santos publicou vários trechos do livro, especificamente os relacionados com a “captação de recursos” que teria sido feita em várias regionais.

Para ir até lá é só clicar aqui.

ARAPUCAS TECNOLÓGICAS

Da minha recente peregrinação pelas clínicas, pronto-socorros e hospitais de computadores e monitores recolhi algumas informações importantes, que repasso.

1. Ao comprar um monitor de LCD (vale também para televisores de LCD e plasma), já comece a fazer uma poupança. Inevitavelmente em um ano (pouco menos, pouco mais) ele terá que baixar oficina. Provavelmente para trocar a placa lógica ou alguma outra rebimboca. Coisa para R$ 250,00 (pouco mais ou pouco menos, dependendo do tipo de defeito). Como é um troço da tecnologia desse tipo de monitor, não existe marca que não dê problema semelhante. Se o sujeito for sortudo mesmo, o defeito aparece só no segundo ano. Se for azarado, com alguns meses de uso.

As fábricas têm integral conhecimento desse fato. Tanto que aquelas que, no início, ofereciam garantia de três anos, reduziram o prazo. Agora garantia é, no máximo, um ano. E algumas ainda segmentaram a garantia: três meses pra tal coisa, seis praquela outra e um ano para aquela lá.

2. O Daniel Bernard (daniel@iinformatica.com.br), além de também ter comentado sobre a questão dos monitores de LCD, mandou as fotos acima: aquilo ali é resultado de maresia e poeira, coisas comuns em cidades à beira mar. Provavelmente a cpu foi colocada num local pouco arejado (no chão?) e ninguém se preocupou, de tempos em tempos, em dar uma limpada.

Não sei se vocês sabem, os computadores têm vários ventiladores (alguns têm dois, outros mais), para refrigerar as suas entranhas. Os ventiladores movimentam o ar dentro do gabinete. E trazem o que estiver no ambiente, criando depósitos de poeira e material corrosivo (como umidade e salitre) em áreas sensíveis da máquina. O Daniel recomenda que, a cada 12 meses, o computador passe por uma revisão e limpeza, pra não chegar ao ponto desse aí de cima, que deu “perca total” do gabinete e de alguns componentes. Por puro desleixo.

Atualização da tarde: o Daniel deixou um comentário com mais alguns esclarecimentos.

“A primeira foto, é uma foto-montagem de de um módulo de memória ram. Em cima ele aparece limpo e em baixo ele ainda instalado na placa mãe, com um pouco de poeira nos contatos.

Se clicar sobre a foto, abre uma ampliação aonde é possível ver os pontos de oxidação (alí aonde os contatos são dourados, umas pequenas manchas mais escuras)

Na segunda foto, aparece um gabinete desmontado. Este gabinete era de um cliente que morava na Praia Mole. O computador ficava sobre a mesa, embaixo da janela, de frente para o mar.

Ficou neste estado em apenas 1 ano.

Algumas dicas para quem não quer se incomodar com o micro:

– Não deixe ele muito próximo ao chão.

– Em dia de faxina na casa, desligue o computador. Isso evita que ele aspire a poeira que fica suspensa no ar.

– Leve na sua oficina de confiança para uma revisão. No final do inverno, antes do verão, é uma boa época para esta limpeza preventiva.”

MANEZADA 2008

Além das informações acima, o Sione Márcio de Jesus pede pra avisar o seguinte:

Os ingressos serão vendidos quarta (4/6) e quinta (5/6) no Manezinho Bar e Restaurante, próximo à ponte Hercílio Luz, a partir das 18h00. Fone: 3222-1183.

E na sexta (6/6) no local do evento.

O preço dos ingressos:

Sexta (pagode, a partir das 19h): masculino R$ 20,00 e feminino R$ 10,00

Sábado (premiação, a partir das 11h): masculino R$ 20,00 (com direito a R$ 10,00 de consumação) e feminino R$ 10,00 (com direito a R$ 5,00 de consumação)

O FEDOR É INSUPORTÁVEL

Agora só se fala na prisão do dono da revista Metrópole e na tal extorsão. Tanto o governo, quanto o preso, sonham em posar de vítimas. De injustiçados.

Vou tentar explicar, para minhas queridas leitoras e meus bons leitores, por que ainda não consigo distingüir, neste caso específico, “mocinhos” e “bandidos”. Pra mim, até agora, não tem inocente neste rolo. Só não me arrisco a dizer, ainda, que “só tem culpado”, porque pode ser um exagero.

O dono (ou os donos) da revista não têm a minha simpatia porque, enquanto atuaram, denegriram, com sua forma de atuação, o Jornalismo e corromperam, com seus negócios, as boas normas de condução de negócios de comunicação.

O que eles faziam é conhecido, no nosso meio, pela classificação genérica de “picaretagem”. O fato de não serem os únicos na praça e nem os mais ricos, não os torna menos picaretas.

A pior coisa (a mais desonesta) que se pode fazer, em jornalismo e comunicação, é vender matéria. Cobrar pelo conteúdo de uma reportagem. As televisões que vendem horário estão cheias de programas “independentes” onde se faz exatamente isso: aparece quem paga. Há programas de entrevistas que cobram das “autoridades” que querem ser entrevistadas. E há jornais e revistas igualmente picaretas, em todas as cidades. Já falei aqui de jornais de bairro, em Florianópolis, que têm tabela para as reportagens e artigos.

Portanto, o tal Nei Silva e seu companheiro Danilo Gomes não merecem uma única lágrima. Colhem o que plantaram. Ou achavam que iriam “se dar bem”?

E SE O GOVERNO...

E no outro lado, o do governo, também não consigo ver ninguém ingênuo. Não há, na política, em qualquer nível, alguém incapaz de identificar, a quilômetros, uma negociata. Os honestos usam essa informação para ficar longe, os desonestos, para entrar na jogada.

Mas vamos admitir, só para examinar uma hipótese favorável ao governo, ainda que improvável, que aquilo que está no livro seja mentira. Alguns deputados da situação, na sessão de ontem da Assembléia tentaram dizer isso: “não há nada ali” e “o livro não existe, porque não se encontra nas livrarias”.

A revista Metrópole, só porque achava o governo do LHS o máximo e porque identificou no governismo editorial um bom filão de negócios, começou a publicar edições e mais edições favoráveis ao governo. Para se manter, captava anúncios e “verbas editoriais” de empresários entusiasmados com o governo e loucos para agradar LHS.

Espontaneamente, sem qualquer estímulo ou ordem de alguém do governo, fizeram publicações tão favoráveis que chegaram a enganar os ministros do Tribunal Superior Eleitoral. E ao TRE enganaram com os out-doors da descentralização, que foram multados.

O governo, como seria de se esperar, irritou-se com as trapalhadas da turma da revista, porque o apoio desinteressado começava a criar problemas. Aí a nossa hipótese começa a fazer água: já que o governo não tinha nada com a revista, por que não tomou alguma atitude firme para, pelo menos, deixar claro que não tinha nada a ver com aqueles patetas?

Bom, mas vamos admitir que alguém dormiu no ponto e não fez o corte naquele momento. Aí o dono da revista resolve chantagear o governo. Mas faria isso usando que tipo de informação, se o governo não teve nada a ver com a revista?

Até hoje, passados cinco dias da divulgação de parte do conteúdo do livro, ninguém negou que tivessem feito pagamentos à revista. O próprio pagamento usado para dar o flagrante, era chamado de “pagamento de uma parcela”.

Por que pagar a alguém com quem não se fez negócios? E se era mesmo chantagem ou extorsão, por que esperar tanto para acionar a polícia? Queriam ver se ele tinha mesmo coragem?

Ou seja, o governo colhe o que plantou. Topou fazer negócios com picaretas, agora vai chorar na cama, que é lugar quente.

O “OFF” E O “ON”

No jargão jornalístico uma informação “em off” é aquela dita ao pé do ouvido, em particular, longe de gravadores, para informação do repórter, mas que não deve ser publicada. Vem da expressão em inglês “off the records” (fora dos registros), que é usada no mesmo sentido.

E o “on”, naturalmente, é aquela informação dita às claras, que pode ser publicada sem problemas.

Ontem à tarde, na Assembléia Legislativa, o advogado Gley Sagaz teve uma conversa, segundo ele, “em off”, com dois colunistas: Paulo Alceu (RIC) e Moacir Pereira (RBS). Minutos depois, o que ele contou estava no blog do Moacir.

Gley considerou que houve quebra de confiança. Moacir diz que não tinha entendido direito que era “em off”. E Paulo Alceu disse que chegou a perguntar duas vezes para o advogado se poderia publicar e ele confirmou que era “em off”.

O fato é que, no final da tarde, o governo comemorava, como se tivesse feito um gol, a informação que Nei Silva tinha oferecido ao ex-governador Esperidião Amin (representado no encontro, no ano passado, pelo advogado Gley Sagaz), as provas que diz ter, pelo módico preço de R$ 1,2 milhão. A oferta foi recusada e as negociações encerraram.

Não entendi muito bem a alegria do governo com essa tentativa frustrada de venda do dossiê. Parece que entenderam como uma prova importante de que o cara era mesmo achacador. Mas, aqui de fora, a impressão que a gente tinha era que, no momento em que a polícia deu um flagrante e o sujeito foi preso, eles já tivessem todas as provas da extorsão.

Bom, em todo caso o “fato novo” contado “em off” e publicado instantes depois como se tivesse sido dito “em on”, era apenas esse: o Nei Silva tentou vender à oposição o dossiê que montara contra seus devedores. E a oposição não comprou.

Atualização da madrugada: numa segunda nota, à noite, o Moacir voltou a tocar no assunto, retificando um pouco a informação. O Nei Silva não teria oferecido o seu “kit” à oposição em troca de dinheiro. O próprio Gley, na caixa de comentários lá do blog do Moacir, deixou o seguinte recado:

Data: Terça-feira, 03/06/2008 às 22h22min

“Para que não paire qualquer dúvida sobre as informações postadas no seu Blog, envolvendo meu nome, cumpre estabelecer o seguinte: 1. Não ocorreu, por parte do empresário, qualquer pedido de dinheiro para liberar as provas que dizia ter; 2. O intuito do empresário era a inclusão das provas, que dizia ter, nos processos eleitorais que estão no TSE contra o Governador, o que se constatou inviável naquele momento.”

PRA ENCERRAR...

Amanhã quero voltar a tratar de outros assuntos na coluna, mas agora que já faltam apenas algumas linhas vou continuar, só pra colocar um ponto final (provisório, porque pelo jeito muita lama ainda vai passar embaixo dessa ponte).

O grande medo do governo é que as farpas desse divórcio litigioso (sim, porque não parece ser outra coisa) acabe interessando à imprensa nacional, dando ao episódio uma sobrevida e uma visibilidade que podem ser prejudiciais para quem tem processo no TSE justamente por uso indevido dos meios de comunicação.

terça-feira, 3 de junho de 2008

PERGUNTAS A GRANEL

A prisão do Nei Silva, em vez de responder às perguntas que a história de amor e ódio entre governo e revista Metrópole levantou, acrescentou mais algumas.

Acho que seria interessante – e aí conto com a ajuda sempre preciosa dos leitores e leitoras, nos comentários – fazer uma listinha das perguntas que não querem calar. Das dúvidas que os investigadores de boa vontade deveriam procurar responder à medida em que o processo avance.

1. Por que o amigo de longa data, sócio (ex?), colaborador, revisor e prefaciador (do livro “A descentralização no banco dos réus”) Danilo Prestes Gomes, depois da prisão do Nei Silva, afirma estar “decepcionado com as atividades do ex-sócio”? Se escreveu o prefácio do livro, teve acesso à “obra” inteira. E, pelo que escreveu, não parecia decepcionado. A decepção foi depois? Com o que?

2. Afinal, houve mesmo o fato novo que a polícia citou como principal motivo para o flagrante de extorsão? O preso diz que tinha ido buscar mais uma parcela do que ele achava que o governo devia. O delegado diz que ele, além da dívida explicada no livro, teria pedido mais de um milhão para não publicá-lo. O dinheiro entregue (pela terceira vez!) pelo ex-secretário Armando Hess de Souza na segunda-feira, em Florianópolis, era mais uma parcela do pagamento da dívida, ou a primeira parcela do pagamento da extorsão?

3. Por que o governo não tratou este caso, desde o começo, como caso de polícia? Se não tinha qualquer contrato com a empresa e as atividades dela estavam causando problemas e contrangimento, como agora alegam, por que não tomaram providências legais antes? Os out-doors da “Descentralização” que foram multados pela Justiça Eleitoral, por exemplo, teriam sido feitos sem autorização ou conhecimento dos “clientes”.

Bom, a lista está aberta. Ao longo do dia, se me lembrar de mais alguma coisa, vou adicionando.

Atualização da tarde:
Agora meu computador preferido, que estava na UTI, já está de volta ao batente, recuperado, ainda um pouco abatido (como perdeu um pouco de memória, está meio lento, mas logo-logo vai voltar a lembrar-se de tudo), mas bem mais ágil do que os ábacos com que tive que me virar nos últimos dias.

Vamos lá, trazer pra cá as contribuições dos leitores, nos comentários:

Alfonso Mattos (
10:46 AM) disse...

“Pegaram o safado EM FLAGRANTE quando foram pagar a primeira parcela (ou terceira, sei lá) da extorsão. Muito bem. Se tinha extorsão...tinha MOTIVO, não? Se tinha motivo, e esse era, forçosamente errado (senão, pra que a extorsão??), por que também não prenderam o Governo em flagrante?”

Herta Fleishmann (
11:06 AM) disse...

“Por que o segredo de justiça? Quando se trata de questão envolvendo o interesse público é possível usar "segredo"? Isso não se traveste em CENSURA não?”

Anônimo das
11:16 AM disse...

“Mas o cara não havia distribuído cópias do material pra todo lado, inclusive pra imprensa? Ora, o tio César até publicou vários trechos aqui na sexta-feira! Cadê o motivo da extorsão? Pedir dinheiro pra tornar público aquilo que já era público ? A coisa não fecha...”

Schneider (
11:45 AM) disse...

“Por que houve uma relação, direta ou indireta, de homens no exercício de funções públicas com uma empresa notoriamente de picaretagem ou oportunista?

Por que e quais interesses comuns colocaram no mesmo barco em passado recente aqueles que hoje são partes contrárias num possível episódio de extorsão?”

Anônimo das
11:56 AM disse...

“Parece-me claro que há um conluio entre as partes (governo estadual e editora) para desqualificar a denúncia mais grave, aquela que tramita no STF. É óbvio que sendo a Metrópole a principal geradora dos fatos que denuciam o governador e estando às vésperas do julgamento, um envolvimento em página policial diminui o impacto das denúncias lá em Brasília. Vejamos!!!”

Anônimo das
12:28 PM disse...

“Quanto adubo orgânico boiando nas plácidas águas da política catarinense... tem cocô de tudo quanto é forma... o Santa Luzia vai ficar congestionado com tanto exame de fezes, os encanamentos e fossas vão transbordar, CSI Floripa vai ter muito mais trabalho pericial que o CSI MIAMI e as perfumarias vão vender como nunca.”

Blog “E agora o que eu faço?” - Jorge Oliveira, de Laguna (
1:47 PM) disse...

“César.

Ninguém tira da minha cabeça que esse esquema armado foi de cabeça pensada.
Não fecha! Simularam a extorsão (e isso é evidente). Já sabiam que exemplares "alternativos" da publicação estavam sendo distribuídos. Não tinha mais jeito de estancar a sangria, até porque quantas e quais pessoas tiveram acesso a essas informações?

Assim, como quem está no inferno não custa dar um abraço no capeta, essa armação intitulada "extorsão" nada mais é do que pura tentativa de desqualificar as sacanagens que fizeram.

No entanto, devemos considerar outros dados importantes, quais sejam: 1) alguém estava devendo dinheiro para o Nei; 2) fizeram um acordo para o pagamento dessa dívida em parcelas; 3) o olho do cara cresceu; 4) as dívidas que ele contraiu eram muito grandes; 5) estava num beco sem saída; 6) não lhe restava outra alternativa senão cobrar o que lhe deviam e isso teria que ser de forma imediata; 7) não foi ele quem vazou a publicação.

Anônimo da
1:54 PM (depois de uma depuração do editor paranóico) disse...

Parece que outros tantos Neis Silvas existem por aí ainda em estado latente. (Estado latente? Disse-o bem!)

ACELERA, LULU!

O presidente Lula se encarrega, ele mesmo, de deixar a bola quicando. Olha só a legenda da foto acima, que está no site de imagens da presidência da República (as letrinhas sobre a foto foram colocadas por mim, é claro):
“D.Marisa e o presidente Lula observam o protótipo do carro-verde, feito com bagaço de cana-de-açúcar
(Roma, Itália, 01/06/2008);
Foto: Ricardo Stuckert/PR”

O CASO DO LIVRO

Na minha coluna do DIARINHO de hoje eu publico algumas notas que saíram ontem aqui no blog. Como sei que os leitores do blog são atentos e assíduos, não vou repeti-las. E se alguém chegou atrasado, é só rolar a tela e olhar mais embaixo.

Ah, os “coleguinhas” finalmente entraram no assunto que os leitores do DIARINHO e deste blog já acompanham desde sexta-feira. Ainda bem, porque é um caso cabeludo demais pra ficar sendo tratado apenas por um único veículo de comunicação.

DIRETO DO TÚNEL DO TEMPO

No meio de umas tralhas antigas encontrei um recorte amarelecido do jornal A Notícia de 1976 onde se noticiava (com foto e tudo!) as coisas que eu teria dito durante minha passagem pela FURJ, num evento sobre Língua e Literatura. Infelizmente na época não era comum que as matérias fossem assinadas e as fotos tivessem crédito, então não sei quem é o autor ou autora do texto que transcrevo abaixo. E o transcrevo porque aquela idéia que eu tinha, trinta e tantos anos atrás, de dar voz a todos os grupos, está mais que nunca atual. Basta trocar os “pequenos jornais”, por blogs. Blogs que, na verdade, são pequenos jornais. Mais baratos e fáceis de fazer do que seus antecessores de papel. E a referência final, às asas e ao direito de voar, explica-se pela época: ainda estávamos sob a ditadura militar.

Criação de pequenos jornais
é defendida por Cesar Valente

A Notícia, 6 de outubro de 1976

“Numa escola, numa faculdade ,sempre deveria existir um jornalzinho circulando, exprimindo as queixas da maioria, ouvindo as explicações dos responsáveis por este ou aquele setor deficiente, organizando e facilitando as respostas a essas reivindicações”, foi o que disse na noite da última terça-feira o jornalista Cesar Valente, durante palestra integrante da Semana de Estudos de Língua e Literatura, que está sendo desenvolvida na FURJ – Fundação Educacional da Região de Joinville.

Falando sobre o tema “Jornalismo e Comunicação”, Cesar Valente, atualmente desempenhando funções junto aos jornais “O Estado” e “Desterro”, discorreu sobre as origens históricas da imprensa, e após tecer breves comentários sobre a posição do jornalismo no atual momento histórico por que passa o País, defendeu a criação de pequenos jornais nos recintos escolares.

– A necessidade de comunicação e informação de grupos minoritários está fazendo com que surjam pequenos jornais, chamados de “nanicos”, que no entanto, cumprem um papel importantíssimo no sentido de educar o público leitor a se interessar pelo que ocorre à sua volta. Especificadamente no caso das universidades, mostrou-se favorável ao debate, classificando-o de “sinônimo de diálogo”, concluindo que “além das tarefas óbvias de estimular o exercício da leitura, os pequenos jornais contribuem para aperfeiçoar a redação.

Mais adiante salientou que um jornal de faculdade que queira sobreviver alguns números, “deve procurar um modelo próprio e saber até onde o crescimento de suas asas não implica em poda total do direito de voar”.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

CAPTAÇÃO DE RECURSOS

O blog “A política como ela é” publicou, domingo, os trechos do livro “A descentralização no banco dos réus” que tratam da, como direi, “captação de recursos” nas diversas regionais. Para quem conhece o estado, é um bom recorrido, relembrando nomes conhecidos.

São trechos como esses que levantam a questão principal dessa história: o que vai acontecer com todos esses citados, que têm cargos públicos? Se foram citados injustamente, envolvidos em afirmações mentirosas, terão que processar o autor do livro e exigir retratação pública. Se participaram mesmo da coisa, terão que se explicar. Né não?

Para ir até lá dar uma espiadinha, clique aqui.

AUDIÊNCIA RECORDE


O gráfico acima mostra os visitantes únicos dos últimos 30 dias, aqui no blog. Em primeiro lugar dá pra ver que tenho um número significativo de leitores que acessam a coluna de computadores do serviço, ou pelo menos apenas em horário comercial. No sábados, domingos e feriados, o número é bem menor. Mas tem sempre uma certa regularidade levemente ascendente.

Na última sexta, porém, a procura foi bem acima da média, como se pode ver na coluna do dia 30. O final de semana 31/1º, em comparação com os demais, foi mais movimentado. Hoje, então, a coisa estourou. E olha que essa medição aí foi feita antes das oito da noite.

Prova que o pessoal gosta bastante de uma lama no ventilador, né?

O NOME DO SÓCIO

Distraído e esquecido, não liguei o nome à pessoa quando li que a revisão do livro e seu prefácio tinham sido feitos por um certo Danilo Prestes. Até estranhei, em nota abaixo, quando soube, pelo delegado Renato Hendges, que o autor do prefácio tinha sido o Danilo Gomes.

Só quando um velho companheiro chamou-me a atenção é que somei um mais um: o nome do Danilo Gomes é Danilo Prestes Gomes. Nada de pseudônimo, portanto.

FINAL DE GARANTIA

Há um mês terminou a garantia de três anos do meu computador principal. Ontem à noite ele engripou a parafuseta e baixou UTI. O computador reserva, que tem capacidade para rodar os mesmos programas de editoração eletrônica, pra variar, não ligou. Deu um crepe na malemolência e faltou contato no prequepé. Não teve jeito e maneira. Foi junto para o pronto-socorro. E este é um legítimo Frankenstein, computador feito com canibalização de vários outros. Ficou uma máquinha joinha, mas completamente desguarnecida de qualquer garantia.

Uns dias antes, um dos monitores (Samsung 940b, lcd) tinha pifado. Claro, a garantia de um ano terminara no começo de maio. Aproveitei a ambulância e levei também para o cirurgião. Lá fiquei sabendo que só naquela clínica de monitores da praça do Saco dos Limões, o médico atende uns 20 e tantos casos semelhantes por mês. Parece que a Samsung (e a LG vai na mesma toada) não tem grande apreço pelo consumidor brasileiro. Comercializam, na cara dura, um troço que invariavelmente acaba na oficina.

O computador deverá ter um diagnóstico médico amanhã. Tomara que não dê “perca total”. E que não seja a placa filha da mãe. De uma forma ou de outra, dentro de mais um ou dois dias deverei estar novamente com a programação normal e o melhor do carnaval. Mas o problema é que, enquanto isso, tenho que ficar usando computadores do século passado.

Sabe aquelas máquinas que a gente aposentou e que achava que nunca mais iria precisar usar? Pois então. Aquelas em que a gente clica para abrir o word e sai pra tomar um café? Essas mesmo. Ó vida...

O MORRO E NÃO VEJO TUDO!

Pois não é que o Cacau Menezes acredita mesmo que só existe ele e a RBS no mundo? Tem tanta certeza que as coisas só acontecem porque e quando ele fala, que teve o desplante de publicar o seguinte, no seu blog:

A força de um blog

O assunto já era de conhecimento de alguns jornalistas, que estavam apurando os fatos. Mas foi só Cacau publicar ontem aqui nesteseu blog que hoje o escândalo veio a público com desdobramentos sérios.

Minha nota de domingo começava dizendo que desde quarta-feira estava circulando na Capital o livro A Descentralização no Banco do Réus, escrito pelo jornalista Nei Silva, superintendente da Revista Metrópole, de Blumenau, a mesma publicação que motivou denúncia de propaganda irregular que quase custou o mandato do governador Luiz Henrique, com denúncias pesadas contra membros do governo.

Hoje cedo a polícia prendeu Nei Silva por extorsão, notícia que está na capa do diario.com.br e que foi destaque no Jornal do Almoço.

Não sei se essa prisão teria sido efetuada hoje cedo se Cacau não tivesse comentado o assunto ontem, de modo que, estou começando bem a semana, fazendo o que gosto, com alegria, liberdade e independência. Vamos juntos. Vocês fazem parte deste show.”

Então tá. Só rindo, né? Fazer o quê?

FALA, MÁRGARA

A Márgara Hadlich, repórter da revista Metrópole, que o Nei Silva, no livro, trata de maneira muito estranha, deixou um comentário numa das notas abaixo, que eu trago pra cá, porque nem todo mundo costuma abrir as caixas de comentários:

“Eu sou Márgara Hadlich... e como qualquer cidadã tenho direito a defender-me de acusações absurdas como estas... de supostamente ter tido algum tipo de relacionamento com o governador do Estado... nesta época era repórter da Revista em questão... todos os secretários regionais me conhecem por conta do trabalho que desenvolvi em todo o Estado... recolhendo entrevistas sobre a Descentralizaçãoo... Quando estive em Concórdia no debate na rádio entre os candidatos... cheguei a ser chamada pelo então candidato Esperidião Amim... não tenho nada a dizer sobre estas insinuações... somente sobre o trabalho que fiz.”

Márgara Hadlich

AS PONTAS SOLTAS

Sim, sim, essa história da revista Metrópole e seu desfecho penal tem, é claro, algumas pontas soltas. Alguns comentaristas até já mencionaram isso, aqui. Mas como se trata de um imbroglio envolvendo macacos velhos, a maioria com muita milhagem acumulada nas malandragens da vida, e, pelo jeito, oficia-se uma missa em latim, da qual a gente não entende a metade, é preciso muita calma nesta hora.

Aos poucos as respostas que faltam serão dadas, com a instauração do processo e os desdobramentos, políticos e penais, do caso.

PILANTRAGEM

A propósito, o Benhur Lima, diretor de Comunicação da Prefeitura de Joinville deixou, nos comentários, uma informação interessante:

“César: Esta pilantragem tentou achacar em Joinville, também. Queriam fazer "entrevista" com o prefeito e na hora da dita entrevista queriam R$ 7 mil. Não levaram nada. Mas encheram o saco um monte. Isto precisa acabar!”

Eu mesmo, no período em que fui assessor de comunicação da Secretaria da Administração, deparei-me com dois ou três casos semelhantes. O “jornalista” queria entrevistar o secretário. Ou para um programa de TV ou para uma revista. Quando estava agendando, acertando horário e dia, vinha o achaque: “vai custar tanto”.

Aí não tinha mais conversa. O corte tinha que ser imediato e muito claro: comigo não tem essa de matéria paga, de entrevista combinada, de “ajudinha por fora”. Quem embarca numa dessas, fica sujeito a outra lógica. Deixa de tratar com profissionais sobre assuntos profissionais e passa a chafurdar numa laminha básica, que só tende a piorar. Papo de bandido. É o tipo do mal que tem que se cortar pela raiz, no primeiro minuto.

O problema é que tem muito político, em cargos administrativos ou não, que acha que o fato de seu lindo rostinho aparecer na capa de uma revista, vale qualquer coisa. E que acha maravilhoso poder dizer qualquer coisa, falar sobre qualquer abóbora e sair tudinho na revista, do jeito que foi mandado pra lá... não vale o preço? Eu sempre achei que não vale um tostão furado e sempre tentei fazer com que meus assessorados entendessem os riscos desses “atalhos”.

Mas agora, depois dos últimos acontecimentos, perguntem aos que foram capa da revista Metrópole o que estão achando do “esqueminha legal” montado pelo Nei Silva, Danilo Gomes e outros...

PRESO POR EXTORSÃO

O delegado Renato Hendges, do DEIC, me informou, hoje de manhã, que o empresário Nei Silva (revista Metrópole) foi preso em flagrante, por extorsão. Ele teria pedido mais dinheiro pelo livro aquele (“Descentralização no banco dos réus”, sobre o qual falei aqui em primeira mão) e “caiu” no momento em que iria receber uma parcela. O empresário Danilo Gomes, outro dos sócios da revista Metrópole, também foi levado ao DEIC, mas não ficará preso.

A Justiça decretou, hoje de manhã, que a investigação corra em sigilo.

Vou me informar melhor e volto ao assunto depois do almoço.

Atualização da tarde:

Não há muita coisa além disso. A grande novidade é que, segundo o delegado Renato Hendges, o dono da revista estava pedindo R$ 1,5 milhão para não publicar o livro. No livro ele citava uma dívida de R$ 380 mil.

O título que dei às notas que publiquei (“Retrato de uma chantagem”) estava, portanto, correto.

Na delegacia, Ney Silva teria afirmado que apenas divulgou um “press release” do livro, sem ter distribuído o conteúdo. Ora, na quinta-feira o mesmo passarinho que deixou a cópia xerox do livro na minha porta, deixou-a também na porta de outros jornalistas. Sem release. E com mais de 300 páginas. Além do que, se o livro foi depositado na Biblioteca Nacional, como consta de uma de suas páginas iniciais, deixa de ser um relatório privado. É, de fato, um livro destinado à publicação.

O flagrante e a prisão foram feitos hoje de manhã num local próximo ao DEIC. Como, até o final da investigação, a coisa vai correr em segredo de Justiça, não foram divulgados muitos detalhes, mas “está tudo gravado e documentado, com a monitoração que estávamos fazendo”, diz o delegado.

A publicação dos principais trechos, aqui no blog e no DIARINHO, pode ter precipitado o desfecho. Afinal, se o que estava sendo negociado era a possibilidade manter o conteúdo do livro em sigilo, sua publicação, aqui, deve ter embaralhado todo o esquema.

Outra novidade é que, também segundo o delegado, no original do livro, o prefácio é do Danilo Gomes (Na cópia que recebi era assinado por Danilo Prestes: pseudônimo?).

O DEIC tem 10 dias para concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Judiciário.

Uma questão curiosa: outros veículos e jornalistas tinham o livro, receberam no mesmo dia que eu (e segundo nota do Cacau Menezes domingo, no blog dele, a “distribuição” começou quarta). Ninguém publicou nada na sexta e no sábado. Ora, a coisa é escandalosa, envolve, se confirmadas as alegações, dinheiro público, tem inúmeros indícios de ilícitos de vários tipos: por que escamotear uma coisa dessas do conhecimento do público?

Quando por mais nada, pelo simples fato que a revista Metrópole ocupa lugar de destaque nos processos contra LHS que já estão tramitando. Mereceria umas linhas. Mas preferiram silenciar. Eu fiz o que achei que devia e a repercussão foi enorme, mas, novamente, apenas no âmbito dos blogs e nas rodas de conversa.

Pois bem, agora, com a prisão do autor do livro, por extorsão, é possível que o fato seja noticiado. Sem que os veículos tivessem informado, antes, sobre as graves histórias que acabaram provocando essa prisão. E com a decretação do segredo de Justiça, não podem ser divulgados trechos do livro até o final das apurações.

Se, por absoluto desinteresse dos concorrentes o DIARINHO saiu na frente sozinho, agora, com a colaboração da Justiça, está mantida a exclusividade. Quem viu aqui viu, quem não viu só verá coisa nova depois que for levantado o sigilo judicial.