sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

E LÁ SE VAI O RESTANTE DO MORRO...

O Canga (identidade secreta do jornalista Sérgio Rubim) mandou estas fotos, que ilustram uma denúncia sobre uma nova área explorada pela Pedrita (que é uma pedreira e empreiteira de obras públicas). Transcrevo o recado na íntegra:
“Domingo saí de casa, no Campeche, e fui até o Rio Tavares pela Lagoinha. De repente a surpresa: desmatamento da parte superior da metade, que resta, do morro da Pedrita.

Da Lagoinha já dá pra ver o avanço da Pedrita sobre o morro. Mando as fotos para que vejam o impacto visual que já está causando a “limpeza” da área e a tirada da cobertura vegetal.

Nesses tempos de arroubos preservacionistas do nosso prefeito, seria de “bom alvitre” perguntar a quantas andam as licenças ambientais da Pedrita e se está autorizada a comer o morro todo.”

GRANDE FESTA

O PSDB de Joinville está divulgando, com alarde, os detalhes da super-hiper-mega festa com que os puxa-sacos, amigos, parentes e filiados homenagearão o prefeito de Joinville, Marco Tebaldi, que faz 50 anos no próximo dia 31 (convite acima).

Em ano eleitoral, ninguém quer perder as oportunidades de fazer barulho e divulgar o candidato. No dia do aniversário será lançado, numa livraria de shopping, um livro sobre a vida do prefeito que tem, segundo a propaganda da festa, “um currículo impecável”.

A festança, à noite, nada deixará a dever aos grande showmícios da época em que a legislação eleitoral ainda permitia fazer showmício: entre outras atrações, tem “show com Osvaldir e Carlos Magrão e baile com Irmãs Passos”.

O único senão é que os convivas pagam suas bebidas. O resto é grátis. Mas o convite não fala se haverá alguma coisa pra comer.

Se alguém quiser participar da festa tucana, é só aparecer, a partir das 20h, no Centro de Eventos Sítio Novo (tudo é centro de eventos, em Joinville), perto do aeroporto.

A VOLTA DA CPMF

Deu no Estadão (O Estado de S.Paulo): “Planalto discute recriação da CPMF com os Estados”.

A reportagem, assinada pelo Leonencio Nossa, informa que “o Palácio do Planalto começou ontem a discutir com secretários estaduais de saúde proposta que recria a Contribuição sobre Movimentação Financeira (CPMF), extinta pelo Senado no mês passado. Para facilitar o diálogo com o PSDB e o DEM, o governo não se envolverá oficialmente no debate. Tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto os ministros procuraram ressaltar que estão fora das negociações”.

Eles não são umas gracinhas?

FALA, LEITOR!

“Cesar, O Dário está colocando placas pela cidade, como a da foto, informando que a prefeitura é referência nacional em iluminação pública.

Será que ele está querendo nos fazer crer que onde tem placa foi ele que instalou a iluminação, ou é apenas o reconhecimento do trabalho das administrações que o antecederam, executados na avenida da Saudade, na Via Expressa Sul e na Via Expressa Continental?

Além do mais, o §1º do artigo 37 da Constituição Federal é claro:
‘A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanha dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos’.

Atenciosamente,”
Riederer

DÁ PRA CONFIAR?

Lembram que o prefeito Dário disse que só não vetou a lei das cobaias, porque perdeu o prazo? Mas entraria imediatamente com uma ação para anulá-la? Que nada, era tudo cascata. A lei está em pleno vigor e ele nem tchuns.

O PREÇO DO PICOLÉ

Não sei isso ocorre em todo o litoral, mas aqui na capital muitos comerciantes não respeitam o preço máximo que as distribuidoras de sorvetes colocam como sugestão nos displays. Rasuram, colam etiquetas por cima ou cobram mais na caradura mesmo.

O jornalista Alexandre Gonçalves, que levantou o assunto no seu blog Coluna Extra, recebeu uma carta da Joice Sabatke, que é gerente comercial da Catarinense Distribuidora, que há 21 anos distribui com exclusividade os sorvetes da marca Nestlé em Santa Catarina. E aí a gente vê que não se trata apenas de estupidez dos comerciantes. É sonegação mesmo:
“Essas adulterações, além de serem um desrespeito ao consumidor, configuram uma sonegação fiscal. Assim como o cigarro, o sorvete é um produto regido pela Substituição Tributária (ST). Adulteração de tabela-padrão é uma prática que atinge tanto a Kibon quanto a Nestlé ou marcas regionais. Quando falamos de ST subentende-se que o ICMS é retido na hora que a carreta sai da fábrica, no Rio (Nestlé) ou em São Paulo (Kibon). A tabela-padrão é a referência que a fábrica utilizou para calcular todos os impostos. Sendo assim, qualquer adulteração configura um “por fora” deste cálculo.

A adulteração é uma forma de o comerciante do ponto de venda engordar sua margem (que, nas marcas nacionais, gira em torno de 28%).”
Ao cobrar acima da tabela, o comerciante deixa de vender mais, afeta o seu bom nome e o das empresas que ele representa e passa para o consumidor final aquela sensação, já nossa velha conhecida, de que estamos sendo sempre roubados.

Será que os idiotas acham que os poucos reais que roubam em cada picolé compensam a fama de ladrão?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

OS PRIMEIROS 30 MESES DA GRANDE OBRA...

Quando o LHS comprou o Centro Administrativo do BESC para instalar ali o Centro Administrativo do governo, encontrou no prédio principal um grande auditório, de uns 400 lugares. Era usado com freqüência para várias atividades. Como, por exemplo, as solenidades da Semana do Servidor, que a foto acima, de junho de 2005, mostra.

Mas, em determinado momento, LHS resolveu que o auditório não servia mais e que, no lugar, deveria construir o maior e melhor teatro que Florianópolis já teve. E no mesmo junho de 2005, LHS deu o pontapé inicial. Claro que, para não dar muito na vista, LHS assinou, na mesma data, a “revitalização” do maior teatro da capital, o do CIC, que estava (e continua) bem maltratado.

A grande obra começou, em novembro de 2005, naturalmente com a destruição do auditório e a construção da caixa do palco do teatro. Mesmo que provisoriamente, ficou o Centro Administrativo sem o seu grande auditório.

No dia 21 de novembro de 2005, o secretário regional, Valter Gallina, anunciava, satisfeito, que o teatro Pedro Ivo, no Centro Administrativo, seria inaugurado em agosto de 2006, com área de 2.340 m2 e 760 lugares. Custaria, segundo as estimativas daquela época, R$ 2,7 milhões.

Mas as águas passaram por debaixo e por cima das pontes, o ritmo das obras tornou-se irregular e, pelo jeito, o fluxo de recursos também.

Em janeiro de 2007 fiz essa foto aí, onde se via que, um ano e pouco depois, a estrutura de concreto estava praticamente concluída e as paredes começavam a ser erguidas.

Ontem dei um passadinha lá para registrar como anda a obra. Vê-se que as paredes já foram erguidas, que o reboco já tem marcas do tempo que passou. E que, no tapume, foi pintada a marca registrada do governo LHS.

Como disse Gallina, no distante novembro de 2005, “o teatro Pedro Ivo Campos é mais uma prova de que o Governo do Estado investe, e muito, em Florianópolis, como em toda a região”.

Agora, cá entre nós: alguma coisa deve ter dado muito errado, para que a obra tenha ficado nesse estado de semi-paralisia (era pra ter sido inaugurada em agosto de 2006!). Imagina só, um troço desse tamanho, bem ao lado do gabinete do governador, com um tapume que vai até à entrada principal do Centro Administrativo, se arrastando por 30 meses e sem prazo para concluir.

No meu tempo se dizia que quando alguém começava uma coisa sem planejar direito e não conseguia terminar, é porque tinha dado “um passo maior que as pernas”. O fato é que, se fosse na minha casa, eu ficaria muito envergonhado, porque os vizinhos, que são umas flores de pessoas, certamente ficariam falando mal daquele troço inacabado bem na entrada da casa. No mínimo diriam que eu estava falido.

TÁ, E AÍ, COMO FICA?

Não sei vocês, mas eu estou por aqui com essas operações que acabam demorando muito pra se resolver. Vejam a Moeda Verde: não aconteceu nada de nada, depois da espetaculosa prisão dos suspeitos. Nem os presos entraram com ações contra as presumidas injustiças, nem a Justiça deu os passos seguintes, que todos esperamos com ansiedade.

Agora, com esta operação estadual, parece que teremos o mesmo roteiro: os advogados, cheios de recursos, vão libertar seus clientes. Os inquéritos seguirão indefinidamente seu tortuoso curso. E a gente, aqui de fora e de longe, fica se sentindo meio logrado.

Afinal, se foi mesmo verdade que os suspeitos meteram a mão numa grana preta, terão todo o tempo do mundo para arrumar suas vidas e de seus parentes.

Alguns carros, da turma da Moeda Verde, estão presos na Polícia Federal, mas parece que não fazem falta. Os tais suspeitos indiciados já estão circulando com carangas novinhas. E a gente, vocês e eu, passando um cortado pra pagar as prestações do Fiesta, do Corcel, do Celta. Ou da moto.

E as construções sobre as quais havia a suspeita de terem comprado licenças ambientais e modificações no Plano Diretor, estão aí, prontas e faturando. O supermercado Bistek, uma chaga vermelha na paisagem, visível a quilômetros de distância, funciona normalmente. A boate que abriu uma fenda na mata nativa, no Jurerê, funciona a toda, logrando os otários que vão lá: com suas instalações improvisadas e o péssimo serviço, que não valem um décimo do preço cobrado.

E assim por diante. Parece que os espertos descobriram que a lentidão da Justiça, os furos da Lei e as inúmeras chicanas que todo advogado razoavelmente competente conhece, são suficientes para reverter aquele velho ditado: “o crime não compensa”. Compensa, sim, e muito.

DIZE-ME COM QUEM ANDAS...

GRANDE MINISTRO 1
O novo ministro das Minas e Energia, senador Edison Lobão (PMDB-MA) tomará posse na segunda-feira às 19h. O suplente dele no senado é seu filho Edison Lobão Filho (DEM-MA). Sobre ele pesam acusações de usar “laranjas” para ocultar sua sociedade em uma empresa atolada em dívidas.

“Ele vai assumir [a vaga de senador] mas deve se licenciar para se defender fora do Senado”, explicou o zeloso pai, à saída da audiência com Lula no Palácio do Planalto.

No lugar de Lobinho entrará Remi Ribeiro (PMDB-MA), indiciado pelo Ministério Público sob a acusação de peculato (apropriação de recursos públicos).

Este é o grande ministro que Lula colocou para cuidar do apagão de energia.

GRANDE MINISTRO 2
O dublê de ministro do Trabalho e presidente do PDT, Carlos Lupi, não satisfeito com a polêmica ética sobre sua dupla militância, criou outra área de atrito: quer instalar, em várias partes do mundo, “Casas do Trabalhador”, para fazer atendimento clientelista aos brasileiros que vivem no exterior. Oferecerá música brasileira e comidinha caseira (feijão, arroz, essas coisas). E nós todos, idiotas, imbecis, pagando a conta de mais este delírio sem noção.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

CORRUPÇÃO NA SAÚDE

OOPS!
A nota que publiquei ontem, sobre a operação que prendeu servidores e comerciantes suspeitos de... falcatruas na secretaria de estado da Saúde, tinha dois erros.

No primeiro, inexplicável, cometido por mim num daqueles minutos de bobeira a que estamos todos sujeitos, em vez de dizer que a operação foi realizada pelo Ministério Público Estadual de Santa Catarina, falei no Ministério Público Federal, que não teve nada a ver com a história.

O outro foi dizer que a operação se chamava Falcatrua. Este é mais fácil de explicar: só depois que enviei a coluna para o jornal é que o MPE divulgou nota explicando que não tinha batizado a operação e que o nome foi dado por algum veículo de comunicação.

Perdão, leitores.

PARABÉNS

E já que estamos falando na operação, não custa parabenizar o promotor de Justiça Assis Marciel Kretzer, da Promotoria da Moralidade Administrativa do Ministério Público (MP) do Estado em Joinville. Mostrou com quantos paus se faz uma canoa. E ajudou, com sua ação desassombrada e independente, a justificar a confiança que a população tem no Ministério Público.

E AGORA?

Mas enquanto o promotor Kretzer leva adiante uma investigação sobre propinas na liberação de recursos da saúde, o Ministério Público Estadual mantém em banho maria, há pelo menos três anos, denúncias feitas pelo PP sobre uma absurda quantidade de dispensas de licitação da mesma secretaria de estado da Saúde. O jornalista Paulo Alceu informa que a grana envolvida nas dispensas de licitação pode chegar a R$ 500 milhões.

Segundo o advogado Gley Sagaz, as dispensas eram assinadas pelo mesmo Ramon Silva, que foi preso segunda. O que mostra uma outra faceta interessante do esquema: o mesmo servidor que dispensava a licitação, era o que autorizava os pagamentos.

Talvez o MPE não tenha achado muito relevante o fato da secretaria não fazer licitação para comprar remédios, por exemplo. Só que, pela legislação, só se pode comprar sem licitação quando existe urgência. Uma epidemia, um desastre natural, coisas desse tipo.

Pela quantidade de dispensas, provavelmente Santa Catarina é um dos estados com maior número de epidemias e desastres. Porque a toda hora tinha que comprar “às pressas”, alguma coisa. E, pior, segundo as denúncias do PP, “não compravam diretamente dos laboratórios, mas de atravessadores”.

O fato é que uma dispensa de licitação deve ser sempre olhada com cuidado: as chances de haver algum desvio numa operação como essa são grandes. E, quando há corrupção aí, o volume de dinheiro envolvido pode ser superior ao das propinas que geraram a operação da segunda-feira.

E O TCE?
Como, ao que tudo indica, perguntar não ofende, permitam-me uma perguntinha: não caberia também ao Tribunal de Contas do Estado dar uma olhadinha nessas dispensas de licitação?

BOMBA NO COLO
O secretário municipal de saúde de Joinville (e virtual candidato a candidato a vice-prefeito), Norival Silva, também foi preso na mesma operação que grampeou o Ramon Silva (parentes?). Apesar de terem sido apreendidos documentos e computadores da sua atual repartição e de ter sido encontrada certa quantia em dinheiro na sua casa, é claro que os amigos dos amigos já começaram a dizer que a culpa é do Amin: “ele foi secretário adjunto estadual da saúde no governo anterior!”

Como em tantos outros casos, que se investigue o que tiver para investigar, mas não nos chamem de idiotas: se apreenderam documentos atuais, a investigação é sobre fatos recentes, ocorridos nos últimos anos.

Da mesma forma, o secretário Dado Cherem torna público, agora, que estava sitiado, na secretaria, por servidores de confiança do secretário anterior, Fernando Coruja. Ora, ao assumir um posição de risco (ser secretário nominal, sem poder sobre seus subordinados), o deputado deve ter pesado bem os prós e os contras. E avaliado a possibilidade real de que alguma bomba, plantada sem o seu conhecimento, explodisse no seu colo.

Assim como, na época, o secretário Max Bornholdt, tanto o prefeito Tebaldi quanto o secretário Dado dizem que não sabiam de nada. Desconheciam o fato de seus subordinados cobrarem um “por fora” para liberar dinheiro a fornecedores .

Os peemedebistas raivinhas, que querem que a penca exploda, devem estar adorando o escândalo: pega o Coruja, do PPS (de quem Ramon Silva foi chefe de gabinete) e os tucanos Dado e Tebaldi. E, como em todas as outras vezes, ainda podem dizer que tudo começou no governo anterior.

PIROTECNIA

O governador LHS subiu nas tamancas quando a Polícia Federal conduziu, presos e algemados, seus amigos na operação Moeda Verde.

Pois na segunda-feira foi a vez da polícia do governador LHS fazer a sua pirotecniazinha: prendeu, algemou e ainda (o que muitos consideraram abusivo), em vez de levar o preso para a delegacia, desfilou com Ramon algemado dentro da secretaria da Saúde. Até o momento em que escrevi isto, não li ou ouvi o governador reclamar da sua polícia. Que, de resto, portou-se à altura da missão que lhe coube.

DIVERGÊNCIA

Os fofoqueiros de plantão comentavam ontem sobre os percentuais das propinas. Acham que os valores divulgados (3% a 5%) são irreais: “normalmente o empresário só chia quando passa de 20%”, diz um “expert”. Até esse valor, o custo estaria embutido no preço.

AS FALHAS DA ANATEL

O site Tela Viva News, especializado em notícias sobre mercado audiovisual, traz alguns detalhes do relatório que o ouvidor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Aristóteles dos Santos, entregou segunda-feira ao presidente Lula. A nota tem o sugestivo título de “Anatel está em crise”.

O texto da repórter Mariana Mazza diz que o relatório aponta “entre as principais falhas da autarquia, o compromisso prioritário em defender as empresas em detrimento da sociedade”. Uau! uma agência reguladora que defende mais as empresas que a sociedade? Então não é só a Anac (a da aviação) que age assim?

Segundo o ouvidor, “quase uma década após a privatização, a Anatel ainda não encontrou o meio termo entre a defesa dos interesses das concessionárias e o apoio ao consumidor”.

No relatório, Santos afirma que a agência não tem correspondido ao seu papel legal e precisa ser revista com urgência. “A Anatel, por não cumprir ou não fazer cumprir integralmente os propósitos que justificam a sua criação, vive, a nosso ver, uma relevante crise existencial”, afirma.

LUCRO ACIMA DE TUDO

O ouvidor busca entender as raízes das distorções da agência:
“Desestatizado o setor e instituída a Anatel, o seu corpo técnico absorveu o discurso oficial e incorporou dentre as suas atividades a prioridade de assegurar às prestadoras o prometido retorno do capital. Dessa forma, a agência, tendo absorvido tal obrigação como prioritária, acabou por colocar em risco a sua independência, risco este posteriormente agravado diante do extraordinário poder de influência dos novos concessionários.”
Os resultados desse desvio de finalidade a gente tem sofrido no bolso e na carne (pra não dizer na veia):

– falta de competição;
– alto custo da assinatura básica do telefone fixo;
– nenhuma iniciativa concreta em viabilizar o Aice (Acesso Individual Classe Especial, o telefone fixo popular) e a telefonia rural; e
– descaso no atendimento aos cidadãos.

Segundo o Tela Viva, as críticas atingem diretamente o call center da Anatel, que não teria diálogo dentro da agência e padeceria da incapacidade de solucionar as demandas recebidas. Também está na mira da ouvidoria o Conselho Diretor, considerado insensível às políticas sociais.

O diagnóstico é bem interessante, mas será mais interessante ver o que o presidente fará, agora que, oficialmente, já sabe dos problemas. E quando, porque segundo seus críticos, Lula é chegado a empurrar com a barriga as questões mais cabeludas, evitando até o último minuto meter a mão na massa.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

PRIORIDADES

Todas as fotos desta nota foram colhidas, no domingo, do site de notícias do governo estadual. Acima, uma surpreendente presença governamental numa etapa de um torneio de golfe. Vemos, a partir da esquerda, o secretário regional de Florianópolis, o governador LHS, o senador Neuto de Conto (por coincidência também dono do Santa Rita Golf Club onde se realizou esta etapa do Stella Artois Open) e o deputado Djalma Berger. Na foto menor, o vencedor do torneio, meio assustado com o assédio das autoridades na hora da foto.

[Neste blog, se clicar sobre a foto, abre-se uma ampliação, onde será mais fácil ler o que escrevi sobre a imagem]

O governo, cujo patrocínio ao torneio está visível na bandeira catarinense na manga das camisetas promocionais, também vai patrocinar a próxima etapa, no campinho do compadre, comendador Fernando Marcondes de Matos (Costão Golf).

Não é um fato muito relevante que o governo patrocine eventos esportivos, nem que assuma a solenidade de premiação, transformando-a num quase comício.

Mas a coisa ganha importância quando lemos, no mesmo site de notícias do governo, a informação que a pintura das escolas estaduais de Joinville será feita pelas associações de pais e mestres. O governo, por intermédio da secretaria regional, doou a tinta.

E nas fotos acima, vemos o pessoal na solenidade de entrega dos galões de tinta e, depois, rindo sabe-se lá de quê, começando a pintura.

Segundo informa, sem corar, o governo, “a maioria das instituições promoverá mutirões com a comunidade”. E, é claro, as cores serão as clássicas: vermelho, verde, palha e branco.

Não sei vocês, mas eu acho muito desconfortável, como catarinense e contribuinte, saber que o governo não tem grana para pagar mão de obra especializada para pintar suas escolas, mas tem recursos para incentivar justamente o golfe, esporte de elite para o qual não tem faltado patrocínio privado.

FALCATRUA

O Ministério Público Estadual de Santa Catarina realizou ontem, com apoio da polícia Civil, uma operação que alguns coleguinhas chamaram de “Falcatrua”, para deter suspeitos de... falcatruas com dinheiro público na secretaria de estado da Saúde. Aparentemente o necessário sigilo foi mantido e a operação, bem sucedida e bem executada, com dois suspeitos graúdos presos, pelo lado dos corruptos e outros pelo lado dos corruptores.

Acho que vocês sabem, ou pelo menos imaginam, que a secretaria da Saúde não é o único órgão ou entidade pública que hospeda servidores corruptos. E que não existem corruptores apenas entre os fornecedores da área da saúde.

Enquanto não se instalar, entre a maioria silenciosa, mas honesta, de servidores públicos, a consciência que diante da patifaria não pode haver conivência nem omissão, os patifes encontrarão sempre um jeitinho de nos roubar.

Não dá pra fazer de conta que não viu, com medo de arranjar encrenca: é preciso denunciar, por todos os meios. E confiar que, mais dia, menos dia, a casa cai. Lugar de corrupto é na cadeia ou, pelo menos, na boca do povo.

Update das 9h: por um inexplicável cochilo, escrevi, na versão original desta nota (e, pior, naquela que foi publicada no jornal) “Ministério Público Federal” onde deveria escrever Ministério Público Estadual. Corrigi agora, alertado por um leitor. Perdão, leitores da madrugada. Com os leitores do jornal só poderei me desculpar amanhã :-(

sábado, 12 de janeiro de 2008

MORATÓRIA? HUM...

A placa acima foi colocada no ano passado, por força de acordo judicial. Era só uma meia trava e mesmo assim a prefeitura só aceitou na marra. Aí, de repente, passa a defender a “moratória” que para tudo. Pode até não ser, mas bem que parece um lance típico de ano eleitoral.

O DÁRIO ACORDOU?

O prefeito Dário sacudiu a poeira, espantou o sono e avisou ontem que é pros vereadores voltarem rápido, porque ele está com cinco projetos esperando pelo sim dos nossos representantes municipais.

Na verdade, é um pacote que poderia perfeitamente ter sido lançado há bem mais tempo. Um deles pretende corrigir o problema da falta de habite-se de pelo menos 17 mil imóveis comerciais, coisa que se arrasta há uns 20 anos. Outro, que chega meio tarde, quer “dar um tempo” nas construções da bacia do Itacorubi (como se ainda tivesse sobrado muito o que salvar).

Tem também a regulamentação do impacto de vizinhança, que é uma imposição do Estatuto das Cidades, uma norma federal.

E os dois projetos restantes são de interesse direto do governo LHS: as alterações do Plano Diretor nas regiões da penitenciária (Trindade) e do Centro Administrativo (no Saco Grande).

No caso da penitenciária, que o governo quer vender ou trocar, é preciso dar à área a melhor configuração de aproveitamento, para atrair interessados. No Centro Administrativo, o que está pegando é que o governo quer construir lá algumas torres, de uns dez andares, para abrigar toda a estrutura central do governo. Hoje só são permitidos prédios mais baixos, de uns três ou quatro andares.

Portanto, data vênia, salvo melhor juízo, urgência nenhuma. Exceto aquela velha pressa, causada pela demora em apresentar as propostas. Ficou paralisado o ano inteiro e aí quer resolver tudo de uma vez, em janeiro e fevereiro.

Dirão os otimistas: “antes tarde do que nunca”. É verdade. Sempre é melhor alguma ação do que a omissão.

Sobre a tal “moratória”, que tem animado tanta gente, que já vê no Dário um valente cavaleiro solitário duelando contra os dragões da incorporação imobiliária, tenho lá minhas reservas.

Já vi muita coisa, na vida, pra sair batendo palmas assim, de repente. Prefiro firmar bem os quatro pés no chão, colocar a barba de molho e esperar um pouco mais antes de elogiar ou condenar. Vai que não é bem isso...

Ainda há muitas dúvidas no ar: se a solução era assim tão fácil, por que não propôs antes? Só porque ainda não era ano eleitoral?

Caro Angeloni

Queiram por favor os leitores mudarem de coluna ou de página, porque agora terei uma conversa particular, ao pé do ouvido, com o seu Angeloni, dono de um grande supermercado.

Há algumas semanas, quando mostrei aqui minha surpresa com o fato de ter encontrado rótulo de validade colado sobre rótulo de validade, o sr. mandou, por intermédio das simpáticas colegas da assessoria de imprensa, uma cartinha me tranqüilizando.

Lembro que, na época, alguns leitores mais céticos acharam estranho que fosse necessário que os fregueses detectassem os problemas. Imaginavam eles que o sr. deveria ter uma equipe de fiscalização interna que prevenisse essas situações.

Eu até reforcei, aqui, a sua recomendação para que os fregueses fossem à gerência sempre que notassem alguma coisa errada.

Mas, seu Angeloni, pois não é que ontem um leitor me mandou fotos assustadoras de um queijo com nozes que estava na validade, mas tinha rótulo colado sobre rótulo e, dentro, pelinhos estranhos e manchas verdes?

Fiquei muito decepcionado, porque achava que a turma que cola os rótulos tivesse afinal aprendido que isso não se faz. Pega mal e é muito perigoso.

Seguindo seu conselho, insisti com o leitor que levasse o queijo esverdeado, com pelinhos, à loja, pra mostrar pro gerente.

Mas, cá entre nós, seu Angeloni, será que não tem mesmo como fazer a turma parar de ampliar artificialmente a validade dos produtos?

Ô RAÇA!

Leitor manda cartinha estranhando o patrocínio do governo do estado num torneio de golfe que se realiza hoje no campo da família do senador Neuto de Conto (Santa Rita Golf Club, em Rancho Queimado). Ô gentinha encrenqueira que não quer o pogressio!

A competição de hoje é só a primeira etapa da Taça Santa Catarina de Golfe. A segunda etapa (também chamada de Stella Artois Open), será dias 25 e 26 no campinho do primeiro amigo, Fernando Marcondes de Mattos (Costão Golf). Coisa de primeiro mundo.

Bem faz LHS que não liga pra turma do atraso. E querem saber do que mais? Além do governo estadual, a prefeitura de Florianópolis também deu uma mãozinha. Vocês queriam o quê? Que o senador e o comendador não conseguissem fazer seus eventinhos por falta de recursos? Imagina!

PARABÉNS LEITOR!

Hoje o DIARINHO está de aniversário, mas são os leitores do jornal que estão de parabéns. Dia após dia mostram, nas bancas, seu afeto pelo jornal. E também todos os dias nos dizem, de uma ou de outra forma, como querem que o jornal seja feito. São 29 anos de cumplicidade, amizade e, acima de tudo, lealdade. Parabéns!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

DESCONFIANÇA MÚTUA

O governo desconfia (muito) da gente. Não acredita na nossa palavra e sempre pede reconhecimento de firma, papelada, carimbos e nada consta.

E os governos, todos eles, sempre pedem que a gente confie na palavra deles. Mas sabemos que não dá pra confiar.

A Lúcia Hippolito, no seu blog (www.luciahippolito.globolog.com.br), resumiu brilhantemente essa difícil convivência no reino da desconfiança. Estes são alguns trechos:
“O ministro de Minas e Energia afirma que não há risco de apagão de energia elétrica.

Mas o diretor-geral da Aneel afirma que é melhor o país preparar um Plano B, porque o nível dos reservatórios brasileiros é o mais baixo dos últimos 76 anos.

E a sociedade civil? Está convencida de que o racionamento vem aí.

O ministro da Saúde afirma que não há risco de uma epidemia de febre amarela urbana. Diz que os casos são de febre amarela silvestre.

A ministra do Turismo afirma que todas as pessoas devem se vacinar. (...)

E a sociedade civil? Faz fila nos postos de saúde para se vacinar.

Resultado: está faltando vacina em Brasília, no Rio de Janeiro, e em outras localidades.

As duas principais notícias de hoje demonstram, mais uma vez, o pesado manto da desconfiança que cobre as relações entre o Estado brasileiro e os cidadãos.

Não se trata de situação nova, o governo Lula não inaugurou nada – apenas aprofundou a desconfiança entre Estado e sociedade civil.”

E A RELEVÂNCIA?

É ótimo que o governo use nosso dinheiro para apoiar pesquisa científica. Mas, como se trata de dinheiro dos outros, também seria bom se todos os cuidados fossem tomados para que a gente não financiasse trabalhos que não sejam realmente necessários e importantes.

Um dos beneficiados com verba de R$ 22 mil da Fapesc é um estudo sobre “aspectos éticos e psico-sócio-culturais” de abatedouros no Vale do Itajaí, “abordando o interesse humano e animal”.

Parece que temos aí um conflito insolúvel. Porque o interesse humano, num abatedouro, é matar o animal. O interesse do animal é não morrer. O suporte ético para a carnificina seria a alimentação humana (o homem, embora os vegetarianos tentem convencer-nos do contrário, é também carnívoro).

Como não conheço a íntegra da proposta contemplada com a generosa verba oficial, este comentário beira o ceticismo de botequim. Mas que a gente fica preocupado com a possibilidade de não resultar nada de útil, lá isso fica.

SUTIL PRESSÃO

Não é segredo para ninguém que tanto LHS quanto Lula acham exageradas as preocupações ambientais. Já reclamaram em público, mais de uma vez, tanto contra a demora dos licenciamentos, quanto do rigor da lei.

Pois o governador, de uns tempos pra cá, resolveu marcar a Fatma sob pressão. Isto que o órgão estadual não é exatamente um modelo de rigor (que o diga o Ministério Público Federal). Agora, até entrega de licença ambiental prévia vira solenidade com presença do governador. Como o nome diz, a LAP sequer permite que qualquer obra inicie, é prévia mesmo. Mas lá está LHS, avalizando o termo, ao lado do presidente da Fatma.

Ao dar este aspecto solene e oficial a atos burocráticos e rotineiros, LHS coloca a Fatma e seus técnicos numa sinuca de bico: como pedir novos laudos ou negar a licença, se o governador, em pessoa, está esperando para entregar o papel para a empresa interessada?

Claro que essa tática reduz a figura do governador a mero advogado de defesa das empresas (ou então, despachante de luxo), mas isso parece não incomodar LHS. Afinal, degradação ambiental não tira voto, mas emprego, mesmo em empresas poluidoras, sempre dá uns votinhos.

RECORDAR É VIVER!

TEXTOS PUBLICADOS NA COLUNA DE 18 DE AGOSTO DE 2005

O FUTURO DE FLORIANÓPOLIS
A capital catarinense está num momento, da sua vida de cidade, em que tem que resolver se casa ou compra uma bicicleta.

Se continuar do jeito que está, em pouco tempo a qualidade de vida terá caído tanto que deixará de ser um destino turístico cobiçado e passará a ser mais uma daquelas cidades que perderam o bonde da história.

Por isso, em vários níveis e de várias formas, tem muita gente se organizando para tentar, de alguma forma, fazer com que a capital tome jeito. E o problema aí passa a ser que jeito. Qual a cara que Florianópolis poderá ter, que agrade seus moradores mais antigos, que não exclua os pobres, que gere riqueza, que não destrua o que ainda temos de bom? Esta é a questão do momento.

O ATERRO
No meu tempo, o mar vinha até aqui. E ali pra cima era tudo mato. A cidade era outra. Depois que aterraram pra fazer a avenida, construíram um paredão de prédios e pelaram os morros, começou a vir gente de fora. Hoje a gente sai na rua e não encontra ninguém. Os sobrenomes são esquisitos. Mesmo quando se parecem, não têm nada a ver com os dos velhos conhecidos. Os amigos só se encontram nos velórios, ainda assim quando alguém lembra de avisar. E ninguém mais passa a noite, ninguém traz lanche ou café, ninguém sabe contar piada, ninguém mais vela seus mortos direito. Os filhos e netos namoram e casam com gente que é filho e neto de desconhecidos. E ficam chateados quando alguém pergunta quem é teu pai, quem é tua mãe. Nasceram das ervas, por acaso? E quando dizem, nem adianta: ninguém conhece. Acho que quando aterraram o mar acabaram enterrando no lodo, no fundo do aterro, a alma da cidade.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

BC É O MÁXIMO

Como sou ilhéu e faço uma coluna “de olho na capital”, de vez em quando falo sobre a minha cidade. Na semana passada, disse aqui que “passear ou viver em Florianópolis é o sonho de milhões de pessoas”.

Pois o Carlos Henrique Peters, de Balneário Camboriú, discorda. Ele acha que eu estou enganado e que onde todo mundo quer ir passear e morar é na cidade dele, “a cidade que mais cresce em Santa Catarina”, diz, com orgulho.

Ótimo, porque este, na verdade, é o sonho de todo manezinho: que a turma pare de ir para Florianópolis. A gente não quer ser a maior cidade do estado. E muitos de nós acha ruim quando as “autoridades” saem por aí fazendo propaganda. Podem levar todo mundo pra BC. Se for preciso, a gente até ensina o caminho.

Ontem um dono de restaurante estava me contando de uma estatística informal que ele e amigos estão fazendo: “o turista só vem duas vezes como turista, na terceira ele vem morar”. Com essa “demanda”, não tem mesmo infraestrutura que agüente.

SÓ PARA RICOS

O presidente da Casan, Walmor de Luca, distribuiu para jornalistas, junto com o seu cartão de boas festas, um artigo que ele escreveu, sob o sugestivo título de “Turista tomando tererê ou tomando champagne francesa?” O artigo foi também publicado, no dia 2 de janeiro, no jornal A Notícia.

[Para ler o artigo, na íntegra, clique aqui]

Da leitura depreende-se que o turista pobre é predador, daninho. E por isso deveriamos encontrar um jeito de só deixar entrar turista rico no estado.

O tererê a que o título nada sutil se refere, é uma espécie de chimarrão, do jeito que muitos paraguaios, uruguaios e argentinos tomam. Como é uma bebida popular, barata, que eles tomam até na praia, caracterizaria o tipo de turismo que, segundo o presidente da companhia de água e esgoto de Santa Catarina, deveria ser evitado.

Já o gosto pelo champagne francês (uma redundância, porque não existe champagne em outros países: é uma denominação de origem registrada por uma região da França) representaria um turismo de qualidade.

Não sei com quem o Walmor andou se aconselhando ou conversando sobre turismo e turistas, mas fazia tempo que não ouvia, ou lia, uma bobagem tão grande. Se fosse o LHS que tivesse dito, até compreenderia, porque o governador tem feito reiteradas declarações de amor ao nouveau richisme, com uma xenofilia obsessiva e, quase sempre, equivocada.

“O bom senso impõe-nos que discutamos se o nosso destino está mais para a pobre Praia Grande ou para a rica Guarujá”, argumenta o presidente da Casan, resumindo a questão. Falta apenas descobrir como se dará, na prática, a inconstitucional segregação econômica e social que reservará SC para os endinheirados do mundo, impedindo de entrar ou deportando os “pobres”. Se por decreto, ato institucional ou manu militari.

O QUASE-DIÁRIO OFICIAL

Foi só falar no assunto, que a turma se assanhou e mandou montes de cartinhas. A principal bronca com o Diário Oficial do Estado é, naturalmente, o fato de ainda não estar disponível na internet. Mas juntinho a essa, tem a da data de circulação.

“Hoje é dia 9 de janeiro de 2008 e o Diário Oficial que está circulando é o do dia 14 de dezembro de 2007”, reclama um leitor. E pergunta, só por perguntar, se isso não prejudica, por exemplo, os candidatos a um concurso que será realizado no final de janeiro: “o edital, que deveria sair dia 14 ou 15 de dezembro, só se tornou público hoje. Será que os amigos dos amigos não ficaram sabendo antes?”

Tem vários prazos que dependem da data precisa de circulação do DOE para começarem a correr. Essa espantosa flexibilidade (a data de capa quase nunca é a data real de circulação) dá farta munição para aqueles que afirmam que o governo LHS teme a transparência.

GENTE SOBRANDO

E por falar em Casan e DOE: na edição do dia 25 de outubro saiu a ata da assembléia geral extraordinária da estatal, realizada em 23 de agosto de 2007, com a finalidade única de autorizar a “cessão de empregados para o poder legislativo”, com ônus, naturalmente, para a origem, a Casan.

A Casan cedeu funcionários para a Alesc para manter uma “relação harmoniosa” entre poderes. Que coisa, né? A Alesc com falta de funcionário...

RECORDAR É VIVER!

MOLECAGEM PUBLICADA ORIGINALMENTE DIA 20 DE JANEIRO DE 2006

EXCLUSIVO
DELEGAÇÃO CATARINENSE QUASE VIRA PICOLÉ NA RÚSSIA!

Nem o freezer da casa da gente é tão gelado quanto o inverno russo. Enquanto aqui em casa ontem à tarde o termômetro marcava +25º C, lá em Moscou, na mesma hora, estava –28º C, nevando e com a umidade a 85%. Além de frio pra cacete, úmido! Num frio desses, se deixar as orelhas de fora por mais de dois minutos elas congelam, quebram e caem. A mesma coisa com o nariz. Fazer xixi na rua, nem pensar.

Mesmo assim, o Governador 1 (LHS) manteve o ritmo, indo pra lá e pra cá (veja nas fotos exclusivas, que comprei de um coreano), sem ligar para os transtornos que as nevascas sempre causam. Ainda bem que o Secretário Colin sabe tudo sobre a Rússia e não deixou o LHS entrar em fria.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

ACUDA, SÃO PEDRO!

Não sei se vocês estão acompanhando a história do cadeião em São Pedro de Alcântara. O pacato município da Grande Florianópolis já hospeda uma penitenciária e o gentil, sutil e sensível governo LHS, com o boné do Benedet à frente, quer também enfiar lá um cadeião, que é uma espécie de casa de triagem de presos.

A comunidade tem se mobilizado bastante contra esse “acréscimo” na sua cota de sacrifício. E a coisa foi pra Justiça. Para acompanhar, vá até o blog do jornalista Carlos Damião (carlosdamiao.zip.net), que tem informações quase diárias sobre o movimento.

O argumento dos moradores é simples e aparentemente razoável: o cadeião deve ficar mais próximo das delegacias que têm maior movimento. Hoje funciona no Estreito, em Florianópolis. Se tiver que mudar, que seja para um dos municípios que disputam a taça de maior número de ocorrências. E aí, a pequena e bucólica São Pedro de Alcântara deveria ficar de fora.

Além disso, eles têm a experiência da Penitenciária: os familiares dos presos, como é natural, querem ficar próximo de seus entes queridos. Cria-se, ao redor, uma outra comunidade, que tem pouco a ver com a cultura local. Temem que, com o cadeião, isso se repita ou se amplie, prejudicando as características rurais do município.

No blog do Damião está uma tabela com o número de eleitores de municípios da Grande Florianópolis. Porque há uma suspeita que o governo LHS/Benedet teria resolvido empurrar o cadeião goela abaixo de São Pedro, porque lá o estrago político seria menor.

Enquanto São José tem quase 130 mil eleitores, Palhoça 74 mil, Florianópolis uns 289 mil, São Pedro tem 3 mil. Na cabeça de minhoca de quem pensa assim, 3 mil votos não vão atrapalhar a carreira de ninguém. Ainda mais que, até 2010, ainda falta algum tempo e a memória do povo é fraca.

Esquecem-se, porém, os estrategistas do “cadeião goela abaixo”, que em todos os municípios do estado tem eleitores que acompanham esses movimentos e vão formando, sobre seus autores, opinião clara que pode ser manifestada nas urnas.

A intolerância e a falta de jogo de cintura que o governo LHS/Benedet demonstra hoje com São Pedro, poderá amanhã voltar-se contra qualquer outro município que, na avaliação deles, não seja muito importante. Não sei não, mas acho que é o caso de chamar urgentemente o secretário do Vai dar Merda, antes de continuar com essa queda de braço idiota.

MAIS UM

Segunda-feira estreou na internet o Diário Oficial da Justiça Eleitoral de Santa Catarina. Como as demais instituições que já usam a rede para publicar seus atos oficiais, a Justiça Eleitoral enumera as vantagens do novo veículo e as facilidades que traz.

Faço o registro apenas para ter um novo pretexto para falar sobre a digitalização do Diário Oficial do Estado, que se arrasta há alguns anos: começou no governo Amin, andou um pouco no começo do governo LHS e depois morreu.

Para delícia dos peemedebistas, o projeto iniciado no governo anterior não deu certo: “a gente até tentou usar o que já estava começado, mas não funcionou, não teve jeito”, informou ontem um funcionário graduado da Imprensa Oficial.

Por causa disso, a coisa foi pra gaveta e ficou lá quietinha, parada, por um bom tempo. Foi retomada recentemente. Recomeçaram do zero. Agora as fases preliminares já estão vencidas e o processo está nos finalmentes, preparando a licitação para contratação de quem vai executar o serviço.

Eles acham que colocam no ar em no máximo dois meses (depois que forem encerrados os procedimentos legais e definido o fornecedor).

Então tá. Façam suas apostas.

RECORDAR É VIVER!

MANUAL PUBLICADO DIA 30 DE JANEIRO DE 2006.
SERÁ QUE DE LÁ PRA CÁ MUDOU MUITA COISA?

Guia prático para entender o aeroporto Hercílio Luz

O aeroporto de Florianópolis está no limite da sua capacidade e muito acima do limite da paciência de seus usuários. Por isso, se tiver que utilizá-lo, leve um saco extra de paciência. E nem adianta esperar a ampliação, porque essa é uma novela que vai levar alguns anos.

Agora que estamos em férias e tem muita gente indo e vindo, vou dar algumas dicas para tentar ajudá-los a sobreviver naquela selva.

O “CHECK-IN”
A primeira coisa que se faz, num aeroporto, para poder “pegar” o avião é o tal “check-in”: a gente informa pra companhia que está lá, mostra os documentos, despacha as malas e ganha um cartão de embarque.

Parece simples, mas não é. Não no Hercílio Luz. Como as filas ficam mais ou menos amontoadas no saguão apertado, é preciso primeiro identificar qual é a nossa fila. Coisa difícil e confusa (veja a foto acima), porque às vezes a fila que lá no começo é do pessoal que vai pro Rio, se mistura com a do pessoal do Paraguai e aqui no final tem uma porção de gente que pretende ir pro Chile. Todo cuidado é pouco, portanto, para escolher a fila em que você vai ficar, no mínimo, uma hora.

O EMBARQUE
Com o cartão de embarque na mão, é preciso descobrir se o avião está no horário e quando que devemos ir para a sala de embarque. Um problema sério, porque o sistema de vídeo, que é bem novo, está todo detonado: muitos monitores perderam a cor, a definição, a imagem (atenção: isto foi escrito em janeiro de 2006, é possível que já tenha dado tempo deles consertarem). E os que funcionam, passam mais tempo avisando pra não alugar carros fora dos guichês de aluguel de carros, do que informando sobre os vôos.

Depois de se despedir dos amigos e parentes e enfrentar mais uma meia hora de fila pra entrar na sala de embarque, é preciso cuidado, para acertar o portão em que será feito o embarque do seu vôo. Dá impressão que eles se divertem ao ver o pessoal feito barata tonta, tentando descobrir qual é a porta em que deve embarcar.

O único jeito de ter alguma certeza é quando, ao entrar no avião, a comissária de bordo avisa, pelo microfone: “este é o vôo com destino ao Rio de Janeiro”. Se você pretendia ir para Ciudad del Este, desça imediatamente porque seu avião deve ser aquele outro, que acabou de decolar.

O DESEMBARQUE

Quando for buscar alguém que vai chegar, evite tentar descobrir se o avião está no horário dentro do aeroporto, porque os monitores estão quase todos pifados. Melhor, antes de sair de casa, se souber o número do vôo, ou pelo menos de onde ele vem, é acessar o site www.infraero.gov.br e no item “Vôos On Line” ver, com nitidez, aquelas mesmas informações que deveriam aparecer nas telas descoloridas dos monitores do aeroporto.

E, na chegada, haja paciência: em vez das criaturas sairem da sala de embarque e só mais adiante pararem para abraçar os parentes, elas sempre param bem na saída, trancando a passagem do restante da fila.

Ah, e o lembrete mais importante de todos: nunca, jamais, de modo algum, em nenhuma circunstância, utilize o estacionamento do aeroporto, aquele que fica bem em frente ao prédio.
Utilize aqueles outros, que existem antes de entrar no aeroporto, se quiser sair do estacionamento em menos de meia hora e sem enfrentar novas filas.

A Infraero é péssima administradora de estacionamentos (o estacionamento foi reformado no ano passado, mudou o sistema, mas ainda tem problemas).

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

LULA E A ANATOMIA

Se eu fosse um sujeito ranzinza, desses que ficam pegando no pé das autoridades simplesmente porque elas são o que são e estão onde estão, teria hoje um prato cheio.

Depois de séculos de uso, o velho ditado “cortar na própria carne” parece que perdeu força. Tanto que o presidente resolveu inovar, colocando sob a lâmina afiada da sua língua, outro detalhe anatômico. Ontem ele advertiu que a situação exige muito mais do que auto-mutilação muscular. Precisa que se “corte na própria veia”.

Algum engraçadinho poderá até enfiar ali um acento, como se Lula tivesse mandado “cortar na própria véia”. Mas não, o empacotador dissimulado e prolixo queria mesmo dizer que é preciso cortar num daqueles caninhos que, em vários seres vivos, humanos inclusive, conduzem o sangue.

Por que teria ele abandonado a carne e passado para a veia? Esta é uma discussão que poderia encher páginas e mais páginas, se não fosse janeiro, se o sol não estivesse brilhando e se eu não tivesse mais o que fazer. Por isso, tentarei ser breve.

Decerto ele acha, como tantos, que o brasileiro é um forte, que não liga para a catadupa de impostos que lhe extraem por todos os poros assalariados (sim, porque se tiver uma grande fortuna, o leão só ronrona e acaricia, não ruge nem morde).

Cortar na nossa própria carne já não causaria o efeito pretendido. Deve imaginar o presidente que se mandasse “cortar na veia” a turma se assustaria mais e o levaria, finalmente, a sério.

Esquece-se, porém, o honorável dignitário, que esses ditados populares e frases de efeito precisam fazer sentido. É possível entender que, diante de uma situação extrema, de dificuldade e penúria, um vivente possa cortar um pedaço da sua própria carne, quem sabe um naco de bunda macia e continue vivendo. E até supere a dificuldade.

Por mais horrenda que essa sugestão auto-antropófaga possa parecer, não deixa de fazer algum sentido: consumir-se um pouco, para dar a volta por cima. Há um outro ditado que é primo-irmão desse, que é “queimar as gorduras”. Tem sentido semelhante e é bem menos radical.

Mas, se sair cortando veias, o pobre coitado não sobreviverá. Cortar as veias é o que fazem os suicidas, sempre que viver lhes parece insuportável. Recomendar a alguém “cortar na própria veia” é uma inadequada e escandalosa sugestão ao suicídio. Em outras palavras, seria como dizer “matem-se de uma vez, cambada de chorões”.

[O lindo esqueleto ajoelhado, sobre o qual fiz a molecagem acima, é um desenho de William Cheselden (1733) encontrado na US National Library of Medicine/Bethesda MD.]

ZONA

A história da Zona Azul e do estacionamento no centro das cidades sempre mexe com os leitores. E vários se manifestaram.

O Alexandrino Barreto Neto levanta a questão dos ônibus estacionados em área privilegiada e central da capital: “eles são multados?” Se alguém tentar estacionar o carro por ali, leva mordida por todos lados, “dos flanelinhas e dos azulzinhos”.

E o Sérgio manda uma sugestão de reportagem para o DIARINHO:
“Há meses te enviei um e-mail informando que motoristas, cobradores, funcionários da Cotisa transformaram uma área pública na frente do terminal do centro (em Fpolis) em estacionamento particular deles. A situaçao permanece a mesma. Vale foto.”
Naturalmente, a Zona Azul (ou que nome tenha), tem lá suas qualidades, que o Max Paul Jr., corretor imobiliário em BC destaca:
“O maior mérito das chamadas “zona azul”, ou estacionamento rotativo, é a democratização do espaço para estacionamento, além de (no caso de B.C.) restringir a vinda ao centro de quem não se dispuser a pagar o valor cobrado para ter este direito.

Agora, lucro ou prejuízo, depende das pessoas que administram o sistema, que vai desde a “capacidade administrativa” e depende até mesmo da “honestidade” dos gestores e/ou agentes.

Aliás capacidade administrativa, competência e honestidade são valores que contam cada vez menos em nosso estado. Basta ver a composição das SDR, e as operações “abafa” dos casos descobertos...”

O CABO ELEITORAL LHS

O Carlos Viana, leitor desta coluna e colaborador do jornal “Leste da Ilha” chama a atenção para a pesquisa Datafolha que mediu a possível influência do presidente e dos governadores nas próximas eleições.

Sem muita surpresa, a pesquisa mostra que Lula é um bom cabo eleitoral no Nordeste, mas no Sul e Sudeste não puxa muito voto. Ao contrário, parece que até pode tirar alguns.

O que surpreendeu o Carlos e provavelmente muita gente, foi o fato de mais de um terço do eleitorado (38%) dizer que não votaria em candidatos ligados ao governador LHS. É o campeão da influência negativa. Ou o pior cabo eleitoral entre os governadores.

É um resultado curioso, porque LHS é considerado como um bom articulador político, venceu duas eleições recentes e montou uma ampla base de apoio (ou pelo menos de convivência).

Mas cada eleição é uma nova eleição. E voto raramente é transferido. Ainda que as pesquisas tenham que ser lidas sempre com alguma cautela, vai ser interessante acompanhar o desempenho do cabo eleitoral LHS na campanha municipal.

RECORDAR É VIVER!

A diretora de redação do DIARINHO ficou com muita pena do colunista, que ontem nem conseguiu trabalhar porque estava derretendo no calor e mandou um memorando interno urgente com as seguintes palavras de estímulo: “deixa de ser mandrião, para de enrolar e volta pro trabalho!”

Fui obrigado, então, a dar um jeito pra driblar o calor: arranjei umas bóias pro teclado e pro mouse, instalei o computador na beira da piscina do vizinho (que está viajando) e escrevi a coluna dentro d’água. Só assim consegui produzir alguma coisa. O problema é que o vizinho volta hoje!

[BRINCADEIRA PUBLICADA ORIGINALMENTE DIA 12 DE JANEIRO DE 2006]

sábado, 5 de janeiro de 2008

MARAVILHA! SOBRA ESPAÇO NO HCR!

Somos mesmo todos uns idiotas mal informados. Pois não é que, enquanto a malta se queixava da falta de leitos, dos problemas para internação hospitalar na capital, o governo doava quase mil metros quadrados do principal hospital público da cidade para uma universidade semi-privada?

O projeto deu entrada na Assembléia em meados do ano passado, foi ao plenário no dia 19 de dezembro e, aprovado pelos senhores deputados, seguiu no dia seguinte para a sanção governamental. Não sei se o LHS já assinou ou se vai deixar passar o recesso, mas não tem importância. O fato é que o governo deu-se ao luxo de abrir mão de boa parte do oitavo andar do HCR. Prova que, na visão oficial, tem espaço sobrando nos hospitais. E aqueles malucos que ficam nas macas, pelos corredores, ou que inventam de morrer por falta de enfermeiros e médicos, estão exagerando. Devem estar a serviço da oposição.

Antes que a turma da Unisul venha me contar que é uma “universidade comunitária sem fins lucrativos” e que tem longa história desde que foi fundada como FEESC, em Tubarão, no século passado: os alunos que freqüentarão o privilegiado espaço público no oitavo andar do HCR pagarão, neste semestre, a mixaria de R$ 92,73 por crédito (no mínimo precisam cursar 12 créditos, o que dá, para os mais lentos, uma despesa mensal de R$ 1.112.76. Mas não é raro encontrar quem pague quase R$ 3 mil por mês.

É o grande paradoxo dessas entidades anfíbias: funcionam como particulares, cobram como particulares, mas, para alguns efeitos, como ocupar espaço precioso em hospital público, por exemplo, não são particulares.

EVOÉ, MOMO! (II)

ANO NOVO, PREÇO NOVO

Da rodoviária, ainda assustado, me liga leitor para reclamar que o ônibus Fpolis-Blumenau subiu uns R$ 6 no ano novo. Da calçada, indignado, me liga outro leitor para reclamar da Zona Azul, que não quer ser responsabilizada pela segurança dos veículos e ameaça com aumento. E, lá da rua, grita a vizinha dizendo que a gerente do banco avisou-a que a conta está negativa e que com o aumento do IOF ela vai pagar mais do que quando tinha CPMF.

Fecho a janela, desligo o telefone e ponho uma música bem alta. Não quero saber. Faço questão de não saber. Odeio gente que fica chorando pitanga na hora em que o calo aperta, mas que no resto do ano não faz nada.

Agora, por exemplo, estamos em ano eleitoral municipal. Que excelente oportunidade para dar uma prensa em quem acha que governar é só aumentar o IPTU, né? Ou para dar um recado para quela turma que está de olho nas gorgetas que sempre pingam para administradores municipais compreensivos e venais.

ZONA

E por falar na Zona Azul, outro dia ouvi o delegado-presidente do Ipuf dizendo que praticamente toda a arrecadação é usada para pagar a folha. E aí, como sou burro e ignorante, fiquei sem entender então por que existe a tal Zona Azul.

Vou tentar me explicar: eu achava que a prefeitura cobrava o estacionamento nas vias públicas para aumentar a arrecadação e poder prestar algum serviço de melhoria das ruas, das calçadas ou pelo menos de segurança. Bom, segurança já sabemos que não é, porque o Ipuf disse claramente que os incomodados devem ser queixar ao LHS, que segurança é coisa estadual.

E pra outras melhorias também não serve, porque tudo o que é arrecadado é usado para pagar as pessoas que fiscalizam os estacionamentos. Então é correto supor que a Zona Azul foi criada apenas para dar emprego para aquela gurizada. Mais nada.

E a esta altura, ai de quem falar em acabar com essa cobrança absurda: “imagina o problema social, desempregar aquela gente toda!” ou então “isso vai desorganizar todo o sistema de estacionamento, vai reduzir a rotatividade das vagas”. Como se a cidade fosse mesmo um exemplo de organização no trânsito. Ou como se alguém estivesse realmente preocupado com isso!

CULTURA É ISSO AÍ

Já que estão falando em mudar o secretário de estado da cultura, aí vai uma cartinha que um leitor mandou:
“Esta semana, na volta de uma caminhada pela Beira Mar resolvi dar uma passada no CIC para conferir a programação de cinema. No jornal quase sempre está errada. Fui recebido, logo na porta, por um vira-latas que passeava tranqüilamente no saguão de entrada. Olhei o que me interessava, confirmei as desiformações dos jornais e, ao sair, quase tropecei em outro cãozinho, menor mas igualmente tranquilo, deitado na frente do balcão de recepção, onde um guarda sonolento e desinteressado acompanhava o movimento (dos cães, claro). Não bastasse a sujeira, externa e interna, cadeiras rasgadas, lâmpadas queimadas e ausência de programação, nossa ex-maior casa de cultura agora está também entregue aos cachorros.”

RECORDAR É VIVER!

COISINHA PUBLICADA DIA 7 DE JANEIRO DE 2006

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

EVOÉ, MOMO!

O carnaval está aí. Este ano, por causa das conjunções astrais do ano bissexto, será no início de fevereiro. Para quem depende da temporada pra faturar um troquinho, é uma péssima notícia. Pra quem não agüenta mais o embalo, é uma ótima novidade. (Pra ver melhor a foto, clique sobre ela que se abre uma ampliação).

O fato é que, tradicionalmente, a temporada de verão perde muita força com o final do carnaval. Mas é claro que todos farão grandes esforços para que a turistada fique por aqui pelo menos até o final de fevereiro.

Lula, por exemplo, já fez soar o apito da folia: ao se fantasiar de embaixador da Bolívia e despachar como se estivesse vestido normalmente, mostra que ele é, sem dúvida, o folião-mor. Um pândego. Que sabe como poucos encarnar o espírito carnavalesco que faz, deste País, uma terra abençoada pelo Rei Momo e suas rainhas.

Não por acaso, a prefeitura de Florianópolis abriu ontem o prazo de inscrições para Rainha do Carnaval 2008. Beldades de 18 a 28 anos podem se inscrever até o dia 15. A disputa por um lugar no júri, pra poder ver de perto o material, será feroz. É uma das épocas em que aparece o maior número de amigos de infância do prefeito e do secretário de turismo.

Assim, com o carnaval tão próximo e o verão tão curtinho, nem vale a pena falar de outros assuntos. Como diria a ministra do Turismo, Marta Suplicy, em março todos terão esquecido os engarrafamentos, os pernilongos, as muriçocas, as água-vivas, os comerciantes ladrões e os ladrões propriamente ditos.

Enquanto isso, o jeito é mesmo relaxar e gozar. Até porque eles estão sempre gozando da cara da gente.

A PENCA SE PARTIU

Tenho uma certa inveja dos colegas colunistas que têm paciência para mexer nos balaios de gatos da campanhas municipais, pra tentar adivinhar quem vai coligar com quem.

São, em geral, agrupamentos, onde a lealdade eterna de hoje pode perfeitamente ter sido construída sobre a traição abjeta de ontem. São muito pragmáticos, os políticos. E não têm problemas em dizer hoje que “Vossa Excelência tem a mãe na zona!” e amanhã, abraçados no mesmo palanque, afirmar que “Vossa Excelência é o mais honrado dentre os honrados”.

O fato é que a disputa municipal rachou de vez a jangada que o LHS construiu usando uma penca de partidos. No andar da carruagem, novos acertos estão sendo feitos. E que ninguém se espante, porque tudo é possível.

A VELHA REPÚBLICA

Lula vai mesmo entregar o ministério das Minas e Energia para José Sarney. E Sarney vai colocar lá um dos seus mais fiéis servidores: o senador Edison Lobão. Eles representam o que há de mais atrasado na política brasileira, originários que são de um dos estados socialmente mais injustos e desiguais do País, o Maranhão.

A riqueza dos Sarney, que mandam em tudo e são nome de tudo, por lá, contrasta agressivamente com a pobreza e as dificuldades da maioria.

Lobão, como nos lembra Ricardo Noblat, foi eleito pelo PFL em 2002 e filiou-se ao PMDB em outubro último. Ele é até nome de município no Maranhão. Cederá a vaga de senador ao suplente Edison Lobão Filho, o Edinho, dono de emissoras de rádio e de televisão e, é claro, filho dele.

RECORDAR É VIVER!

MOLECAGEM PUBLICADA DIA 4 DE JANEIRO DE 2007
Para ampliar, é só clicar sobre a foto

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

COMEÇOU!

[Neste blog é só clicar sobre a foto que se abre uma ampliação]

Não, o ano ainda não começou porque, como todos sabem, só começa depois do Carnaval. Só que, antes de tirar suas férias de verão, o presidente Lula começou a anunciar o pacote que ele não quer chamar de pacote.

São apenas algumas medidas compensatórias da CPMF, embrulhadas em papel de presente. Pra não ficar pesado, haverá outras doses, depois das férias presidenciais e provavelmente depois do Carnaval, que é quando, vocês sabem, o ano deverá começar.

O pacote de ontem não tem novidades. Um certo suspense paira sobre os cortes anunciados. Os três poderes ficarão com as pernas das calças mais curtas, mas é provável que não apertem muito os cintos. Historicamente, o governo prefere deixar de investir a ter que regular a gastança do custeio.

Darão passos mais curtos, mas não deixarão que os espaços orçamentários já ocupados sejam reduzidos. Ou seja, mesmo aí, nenhuma novidade.

Sei que é implicância minha, mas precisavam, Lula e os dois ministros, posar para as fotos rindo daquele jeito? Sou de um tempo em que governantes anunciavam aumento de impostos com o ar sério e compungido.

Agora, a gozação pra cima da gente foi tão completa, que só faltou aquele aspone fazendo “top-top” ao fundo.

LOUCURAS DE VERÃO

Em muitos países do mundo, no verão, há dias ou semanas em que parece que as coisas saem do controle.

Engarrafamentos monumentais, filas até para comprar cigarros, serviços caindo de qualidade por excesso de fregueses e praias lotadas.

É uma coisa mais ou menos inevitável. As cidades que têm essa vocação turística precisam aprender a conviver com isso. Os habitantes dessas cidades não têm o direito de se surpreender quando, a cada ano, a coisa se repete. Claro, se algo sempre acontece de forma semelhante na mesma época, passa a ser rotina.

Alguém me disse, há alguns anos (acho que foi o ex-governador Esperidião Amin), que Florianópolis deveria ficar contente de ter essa vitalidade. É mil vezes preferível ser uma cidade para a qual todos querem vir, do que uma de onde todos querem sair.

O problema, naturalmente, é como criar condições para que a invasão se dê com uma certa organização e sem penalizar os residentes. Algum estresse sempre vai rolar. Não tem como fazer um sistema viário para atender uma demanda que, dependendo do ano, pode durar duas semanas ou, no máximo, dois meses. Nem tem como ter água e energia que atendam a um crescimento indefinido de usuários.

Mas estas são coisas que estamos todos cansados de saber. O que a gente, aqui nesta ilha charmosa, perdida no Atlântico Sul, parece que ainda não aprendeu, é que se as demandas básicas de saneamento, transporte e energia da população estável não estão atendidas, as chances da coisa virar um pandemônio na temporada são muito maiores.

E POR FALAR NISSO...

Fico com pena dos turistas que visitam nossa Ilha: parece que não conhecerão a nossa briosa Guarda Municipal. Como, por estes dias, os engarrafamentos têm sido enormes, os problemas de trânsito (previsíveis, nesta época) são freqüentes, as chances de algum guarda aparecer são mínimas.

Sabe-se que eles só aparecem quando não há qualquer necessidade de sua ação. Eles preferem passear em dias traqüilos, multando veículos mal estacionados. Dar uma certa ordem ao trânsito, orientar motoristas, muitos dos quais circulando na cidade pela primeira vez, não é com eles.

Não que os guardas de trânsito possam fazer muita coisa, mas pelo menos poderiam dar um susto naqueles espertinhos que gostam de tornar ainda pior uma situação que já é, por si só, desgastante.
Mas, pensando bem, deixa quieto. É capaz das coisas ficarem ainda piores.

ESPERTALHÕES

A jornalista Elaine Borges conta, no seu blog Balaio de Siri, que alguém colou um papel sobre a placa da Fatma que indicava praia imprópria para banho no Retiro da Lagoa. O local, que fica no fim da avenida das Rendeiras, é um dos mais freqüentados da Lagoa da Conceição. Outra placa, próxima à ponte, que igualmente indica local impróprio, também foi alterada.

Não é de surpreender que idiotas façam isso. O que enche a todos de indignação é que fique por isso mesmo. Os dias passam sem que a Fatma mande recolocar os dizeres nos seus devidos termos. E ninguém é punido.

Basta ficar um pouco por ali, conversar com alguns comerciantes da redondeza, para saber nome, sobrenome e até endereço de quem não quer a placa da Fatma intacta. Mas, ao que tudo indica, ninguém está muito preocupado. Afinal, infecção intestinal, micose, hepatite e dermatite nos outros, é refresco.

Já vais? Ainda é cedo...

VIVIANI BONETTI
Formou-se em jornalismo em 1983, na UFSC. Fazia parte da turma Diretas Já. Abaixo, a foto do grupo de formandos, tirada na época. Morreu ontem, em Florianópolis. O sepultamento será hoje (quinta, 3) às 11h, no Jardim da Paz.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

MAIS DO MESMO

Advertência aos leitores: esta coluna começa o ano mal humorada e pessimista. Se vocês ainda estão no embalo do reveillon, à procura de palavras inspiradoras e bons augúrios, desculpem, mas não encontrarão nada disso aqui.

Estava meio constrangido de começar o ano sem qualquer dose de otimismo, quando li a mensagem que o Papa Bento, ele próprio, divulgou a propósito da passagem, ontem, do Dia Mundial da Paz. A parte leve da mensagem é a que fala nas nuvens escuras que aguardam a humanidade, envolvida até o pescoço em conflitos, guerras e desinteligências de todo tipo.

Ora, se o Papa começa o ano com uma mensagem sombria, por que eu não poderia também falar sobre as incertezas e certezas que me apertam o coração e ressecam a alma?

Até porque não consegui ver, no horizonte, nada que pudesse fazer-me crer que começa um ano novo. O ano que começa (e tomara que esteja errado) é apenas mais um daqueles a que já nos acostumamos.

CRISE? QUE CRISE?
Não é preciso ter bolas de cristal para “predizer” que as várias crises nacionais serão enfrentadas com mercuro cromo, esparadrapo, panos quentes e outros remendos que não farão nem cócegas nas causas dos problemas.

A única forma encontrada até hoje no mundo para reduzir as desigualdades sociais e econômicas, que é a educação, não é levada a sério aqui. Anos de desleixo com a escola, em todos os níveis, transformaram o Brasil nessa coisa complicada de administrar.

Analfabetos com diploma universitário, ignorantes com mestrado, imbecis dando aulas e, pior, sendo levados a sério, são algumas das conseqüências mais visíveis.

Mas ninguém se importa com isso, porque parece que a maioria acredita mesmo que é possível fazer-se por si mesmo, vivendo longe da escola. Quem já teve a oportunidade, cada vez mais próxima e freqüente, de disputar vagas com estrangeiros, sabe que para os brasileiros poderão sobrar, no mercado globalizado, apenas vagas de trabalho braçal.

E o pior é que não falta, à maioria dos cidadãos e cidadãs brasileiros, coragem, vontade e inteligência: eles vão atrás, fazem cursos, mas as escolas são faz-de-conta. Mesmo as particulares (e, às vezes, principalmente elas). Os professores são de brincadeirinha. E o coitado do aluno sai pior que entrou. Entendendo menos e achando, com razão, que foi logrado.

O ANO DOS MUNICÍPIOS
Este é mais um ano eleitoral. Durante a ditadura militar a gente sonhava com um tempo em que as eleições fossem regulares, gerais, livres e freqüentes. Agora, já tenho minhas dúvidas.

O que muda a cada eleição? Sabe-se, meses ou anos antes, que serão eleitos os que tiverem mais recursos. Seja em dinheiro vivo não contabilizado, ou em “máquina”.

E as “propostas”? Ora, até mesmo o político mais vasilha, mais cabeça oca e mais oportunista, fala que fará uma “campanha propositiva”. As palavras perdem sentido. E as mudanças são mais lentas do que deveriam. Há uma ou outra surpresa, aqui e ali, mas são apenas exceções.

O POVO QUE SE...
Os candidatos a prefeitos e a vereadores não são diferentes dos demais políticos. Enchem a boca pra falar no “povo” durante a campanha, mas vivem namorando e sentando no colo dos financiadores das campanhas.

São capazes mesmo de prejudicar fisicamente seus eleitores, para agradar a quem realmente interessa.

Florianópolis tem um exemplo concreto e inacreditável: a prefeitura da capital turística do mercosul, da cidade que atrai milhões de tolos todos os anos e topou regredir no tempo para beneficiar os empresários do transporte coletivo: autorizou que os ônibus que, por um descuido qualquer, tenham ar condicionado, circulem com o aparelho desligado. E autorizou as empresas a comprar apenas ônibus sem ar condicionado.

As desculpas são as mais esfarrapadas e nem vale a pena reproduzi-las, de tão cretinas. O fato é que um equipamento indispensável numa cidade com as temperaturas que Florianópolis tem durante boa parte do ano, foi banido com a bênção (e sabe-se lá se não com a iniciativa) da prefeitura, e a cumplicidade (sempre) dos vereadores.

O contribuinte que precisa do transporte público, além de não ter uma malha de transporte que facilite sua vida, é maltratado nas linhas que existem.

Os empresários morrem de rir de nós. E, satisfeitos, topam aplicar parte da economia que fizeram às custas do suor dos florianopolitanos, na campanha municipal. E aí os candidatos “premiados” juntam-se ao riso frouxo e fácil daqueles que vão lavar a égua em 2008.

E aquela brincadeira com uma caixa de papelão preta fazendo as vezes da “caixa preta” do sistema integrado de transporte coletivo, que o Dário “abriu” em fevereiro de 2006, parece que era mesmo só uma brincadeira.

CORAGEM EM 2008
Como vocês, que tiveram a paciência de ler até aqui puderam ver, tem assunto de sobra. Poderia encher várias páginas com anotações recheadas de pessimismo e embaladas em mau humor.

Falta-nos fazer as coisas direito. Até uma coisa aparentemente boa, como a extinção da CPMF, foi feita de um jeito atravessado: o governo não aceitou a derrota e provavelmente tentará “compensar” com arrocho em alíquotas e criação de novos tributos. Ninguém fala em cortar despesas.

Da mesma forma, ninguém fala em repassar ao consumidor o alívio bancário. Mas já estamos acostumados: os preços sobem a qualquer pretexto, mas nunca mais baixam. Ou, se baixam, é sempre lentamente e numa proporção menor. Vide preços dos combustíveis.

Resta-nos, diante disso tudo e de mais um pouco, reunir toda a coragem disponível, para enfrentar mais este ano. Que não terá nada de novo.

Bom, espero que pelo menos alguns de vocês tenham sucesso, que, apesar dos pesares, muitos encontrem alegria e prazer e que todos possam, em dezembro, dizer que me enganei e que 2008 foi, de fato, um ano novo.