terça-feira, 4 de setembro de 2007

Terça

MAIS UMA ASSEMBLÉIA
É isso mesmo. Se não reúne, a turma chia; se reúne, a turma tira sarro. Paciência, este é o jogo. Também, quem mandou criar um grupo assim, como direi, tão vistoso? Não tem como reunir mais de 40 secretários em torno de uma mesa e passar despercebido.

Ontem, em Gravatal, no sul do estado, LHS reuniu pela quarta vez a turma toda, para discutir a relação: “o que precisamos é afinar a linguagem, sem tolher a criatividade e a iniciativa individual”. Parece até a letra daquela música do Paulinho da Viola: “tenho asas, meu amor, preciso abri-las, a seu lado não sou muito criativa”.

Com a criação de um “Comitê da Descentralização”, o governo quer fazer com que a coisa enraíze para que os que governarem o estado depois não tenham como desfazer: “o processo tem que chegar ao ponto de se tornar irreversível e irrevogável.”

No dia 3 de outubro, em Salete, será feita uma reunião ainda maior e mais espetacular. Porque, além dos secretários todos, terá a participação de “todos o ocupantes de cargos comissionados e agentes públicos, além de todos os integrantes dos Conselhos de Desenvolvimento Regional”. Waal! Será que na simpática Salete tem ginásio de esportes ou arena multiuso onde caiba toda essa gente? E terá espaço para estacionar todos os ônibus ou todos os carros oficiais?

MOTORISTAS A GRANEL
Por falar em ir de carro oficial à reunião do Colegiado, não consigo me acostumar com as autorizações que os secretários regionais têm publicado, onde permitem que todos ou quase todos os servidores da SDR dirijam os veículos oficiais.

Na SDR de Lages, por exemplo, até o próprio secretário, Osvaldo Uncini, estava na lista, onde 14 comissionados foram autorizados a dirigir veículos oficiais.

Só quero ver se ele vão conseguir responsabilizar alguém quando aparecer um arranhado num carro. Ou quando o motor pifar porque ninguém se lembrou de por óleo ou água.

MANEZINHO INFILTRADO
A RBS está comemorando seus 50 anos com uma gigantesca exposição, num dos lugares mais impressinantes da capital gaúcha, a antiga usina do gasômetro. Para quem não vai a Porto Alegre a tempo de ver a exposição, dá para ter uma idéia da extensão do projeto num site especial, na internet (www.noar50anosdevida.com.br).

Independentemente da opinião que possamos ter a respeito da forma como ela conduz seus negócios e seus veículos de comunicação, trata-se de uma trajetória importante, que deixou marcas profundas na história dos dois estados. E, até onde consegui ver, a exposição foi montada com grande profissionalismo e usa um volume impressionante de tecnologia justamente para... impressionar.

E, lá no meio, como parte da ilustração do Campo e Lavoura, programa criado em 1975, usam um fragmento de uma reportagem sobre pastoreio Voisin, onde aparece um repórter magrelo e cabeludo, com uma blusa espantada (foto acima). Mal sabem os gaúchos que aquele sujeito, que participou da equipe que criou um dos programas de maior durabilidade da TV (e de onde a Rede Globo tirou inspiração para criar o Globo Rural) é um manezinho da ilha.

E nem sonham que boa parte do “conhecimento” daquele mané sobre lides do campo e agricultura tinha sido adquirido nas Canoas e na Bocaina, logo ali, entre Lages e Bom Retiro.

Agora, cá entre nós: só apareço na história porque aquele foi um dos poucos pedaços de filme (na época as reportagens não eram em videotape, mas em película, mesmo) que sobraram, sem terem sido consumidos pelo mofo e pelos fungos.

OS CHORÕES
Tou pra ver gente mais chorona que os empresários do transporte coletivo. Vivem reclamando dos impostos, dos custos em geral, dos velhos, dos estudantes, do trajeto e da vida. Se fossem reclamações muito sérias é claro que eles já teriam mudado de ramo. Mas como continuam, é porque decerto o negócio não é assim tão ruim.

Numa audiência pública para debater a redução ou isenção de ICMS para o diesel utilizado pelo setor, o representante do Sindicato das Empresas (Setpesc) explicou qual é o sonho da turma: “nos países de primeiro mundo os governos subsidiam até 2/3 da passagem, além de participar em parte do investimento feito pela iniciativa privada”.

Então taí: não se trata só de reduzir um ou outro imposto. Trata-se de conseguir que o governo (nós, os contribuintes), pague 75% da passagem. E aí, é só o passageiro (também nós) pagar 100% da tarifa, pra ficar de bom tamanho. Claro, quem sabe o governo também compra os ônibus e deixa as empresas explorarem seu uso? Ou não é isso que sonham quando falam em “participar do investimento”?

E toda essa conversa de primeiro mundo até faria sentido, se a gente acreditasse que os empresários do transporte, ao serem ainda mais subsidiados, passariam a prestar um serviço de qualidade. Que nada.

Como outros oito estados, provavelmente SC também fará (mais) essa renúncia fiscal em favor dos empresários do transporte coletivo. E será só isso. Que ninguém se iluda nem pretenda que, em retribuição, o serviço melhore.

O generosíssimo presidente do Deter, Tamanini, foi mais além, sugerindo também um troço chamado de “pró-frota”, que baratearia carroceria e chassi. Maravilha... quanto altruismo.

Querem os deputados que o eleitor usuário de ônibus acredite que tudo isso, tanto esforço e empenho, é apenas porque estão todos preocupados em encontrar formas de reduzir as tarifas. Até pode ser que um pequeno percentual dos benefícios seja repassado. Mas, do fundo da minha ranzinzinice, lembro que nem os empresários nem os deputados nasceram ontem e, nesse meio, quem anda mais devagar, avoa.

DÁRIO E PARTNERS
As preces do prefeito da capital foram atendidas e os vereadores também serão investigados. De uns tempos para cá este procedimento meio que virou norma: todo acusado acusa outros. Às vezes nem fazem grande esforço para negar o que lhes é atribuído, mas são rápidos e certeiros em apontar o dedo em outra direção: “e aqueles lá, que sempre fizeram aquilo e aquilo outro?”

Em todas as ocasiões recentes tem sido assim. No fundo, no fundo, não deixa de ter lógica. Afinal, se são todos, como essa estratégia de “defesa” parece querer demonstrar, farinha do mesmo saco, fica difícil dizer o que um fez e o que outro não fez.

SUJEITO ESPERTO

O Ministério Público Federal propôs uma ação por improbidade administrativa contra um funcionário “esperto” do BESC (no postinho da Eletrosul), que transferia valores de correntistas para sua própria conta. Usando sua própriasenha e seu cartão. Se for isso mesmo, tem que processar o cara por burrice. Ou por falta de inteligência. Tanto faz.

4 comentários:

Rogério disse...

Sobre a nota "Chorões", queria destacar a presença do deputado Sargento Soares na audiência pública em questão. O parlamentar, que tem mostrado na Assembléia uma coerência singular no mundo político, defendendo interesses de suas bases sem se incomodar com as pressões palacianas, destacou que a isenção do ICMS "é bem vinda se for para diminuir o preço das tarifas, mas não terá respaldo se for para aumentar o lucro dos empresários". Soares é coerente com seu discurso de campanha e uma ameaça constante nas votações do Legislativo.

Carlos Henrique disse...

Olá César,

Sobre esse assunto de transportes públicos, iniciativa privada e administração pública, tem um texto legal no blog do Luiz Carlos Azenha:
http://viomundo.globo.com/site.php?nome=MinhaNovaYork&edicao=1161

Saudações,
Carlos Henrique

Ilton disse...

Alguma coisa me diz (não sei bem ao certo o que é) que você se daria muito bem fazendo a cobertura do Renangado na tevê. Um abraço.

Anônimo disse...

Como usuário do transporte público, nem comentarei sobre o assunto. Cada dia temos mais carros circulando, com motoristas cada vez mais despreparados (é... O teste do Detran é dar uma volta em uma quadra) e desatentos (seja por estar fumando, usando o celular ou mexendo no som); somando a isso temos uma péssima malha rodoviária. Sem falar nas obras de engenharia que se tem feito: afunilando quatro pistas em duas, semáforos desincronizados, radares, etc. E a alternativa é: ônibus com passagens caras, agora com os condicionadores de ar removidos, horários muito espaçados, poucas opções diretas, muitos pontos de parada e para concluir muito desconfortáveis (canso de sentar em bancos que não comportam minhas pernas... e isso que tenho pouco mais de 1,80m). Tirando ônibus, pode-se comprar um carro e colaborar com o caos e a poluição ou desistir, pois para que mora no lado continental nem de bicicleta pode ir. Lamentável!