sábado, 15 de setembro de 2007

Leitura de final de semana

*Embora pareça, esta não é a redação do DIARINHO:
é do jornal “20 minutos”, de Madri, na Espanha


De uns tempos para cá, tem surgido um debate apaixonado sobre uma tal de “mídia conservadora e golpista”, que estaria a serviço das “elites brancas separatistas” e trabalhando contra o sucesso do operário nordestino que dirige este País.

Tenho falado nisso meio de passagem, como ontem, quando comentei o ridículo artigo do Paulo Henrique Amorim. Mas nem todos os que vêem os defeitos da grande imprensa (que muitas vezes são reproduzidos pela pequena imprensa), devem ser ignorados. Há gente que sabe argumentar e que levanta pontos realmente importantes, que devem ser considerados.

O Luiz Lanzetta, que é um velho amigo e um jornalista experiente no trato com jornais e jornalistas do eixo Rio-Sampa-Brasília, acha que a “mídia” errou bastante na cobertura:
“Como fez em várias outras, desde a campanha das diretas já, que não foi cobertura jornalística, foi campanha mesmo. Fez-se o leitor acreditar que havia grande chance de mudar a constituição, quando nunca houve votos, em nenhum momento, suficientes para isto. A mídia relevou muitos fatos notórios sobre o caso Renan porque contrariavam a pauta. Ninguém pesou o discurso “contra” da Heloisa Helena, que não tinha nada que estar lá. Na verdade, ela foi o grande libelo a favor do Renan. Não existe ninguém mais anti-Senado que ela. E ninguém tão “alagoas” quanto ela, para confirmar a tese de Renan: o caso é picuinha da politica provinciana."
O veterano Luís Nassif, num artigo publicado ontem em seu blog, critica a falta de abrangência e profundidade das coberturas jornalísticas. Focados no escândalo da hora, os jornais esquecem-se das lições básicas de reportagem e, segundo Nassif, “desperdiçam os escândalos”. Cita como exemplo o caso da outorga das concessões de rádio e TV (que são mencionadas no escândalo principal, do Renan). Ele acha que a partir daí poderiam surgir reportagens sobre quem deu os “presentes” a tantos políticos, em tantas ocasiões. Em Maceió mesmo, uma das TVs é do deputado Tomaz Nonô (DEM).

Ao não aprofundar a cobertura, ao deixar passar pautas só porque não atingem diretamente o alvo do momento, a mídia desvaloriza-se e torna-se, por sua vez, presa fácil das críticas que vem sofrendo.

Embora exista um contingente de fanáticos, que defende com ganas de torcedor de futebol tudo que possa, mesmo de longe, significar ameaça à hegemonia lulista, muitos dos críticos da mídia são igualmente críticos com relação ao governo. E gostariam de ver jornais e TVs atuando com maior competência justamente para que cumpram seu papel de ajudar a colocar as coisas em pratos limpos.

Embora os jornais errem, nem sempre erram propositadamente. Não existe a mão malévola que os fanáticos enxergam, direcionando a forma como os jornalistas trabalham. Pesa mais, às vezes, o excesso de trabalho, a pressão do relógio e a inexperiência das chefias.

5 comentários:

Anônimo disse...

Nassif e PHA?? Faça-me o favor!! São dois lulistas de carteirinha. Com o caquético Minor Carta, formam o triunvirato mais chapa-branca "deffte paiff". Pra encerrar esta discussão tola: imprensa é oposição. O resto é lojinha de secos e molhados (Millor).

Fausto

marcello disse...

Prezado Cesar
Tenho que concordar contigo, afinal tu és jornalista tchê!

Gus disse...

Muitas vezes, admiro a profissão de jornalista pelo poder que tem sobre a opinião pública. Outras vezes, percebo que ele, afinal de contas, está defendendo o seu sustento e a sua aposentadoria. Muitos (!?) se vendem a quem paga mais. Quando vejo um decano do jornalismo catarinense, de cabelo branco, dando lições de moral, pergunto-me: mas não foi ele, que se vendeu, vendeu a sua alma por uma aposentadoria? Como pode alguém falar em moral e ética se não a pratica? Esta reflexão leva-me a uma questão filosófia: faz o que te digo, mas não faças o que eu faço.

Carlos Henrique disse...

Caro César,

Eu realmente gostaria de acreditar que a pauta da grande imprensa não é ditada pelos interesses dos empresários donos dos veículos de comunicação. Uma boa chance de averiguarmos isso é acompanhar como vai ser a repercussão na "opinião pública" do chamado "tucanoduto", matéria da última edição da IstoÉ: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/1977/artigo61479-1.htm

Um abraço,
Carlos Henrique

Marcos Lauro disse...

Fica a pergunta: Os interesses deixariam a cobertura polícia ser mais aprofundada ou é o raso que interessa (aos que estão no poder) e ponto final?