quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Quinta

UM DIA PARA LEMBRAR
O Senado da República, por intermédio da maioria dos senadores (41, pra ser mais exato), mandou ontem um recado muito claro para os brasileiros: vamos acabar com essa patacoada de honestidade, de ética, de respeito às leis. Isto é coisa para otários.

O que está valendo, segundo esses senhores, é a esperteza, o jogo de cartas marcadas e a putrefata confusão entre a coisa pública e a privada.

O senador Neuto de Conto (PMDB-SC) estava disposto a votar pela cassação, “desde que apresentem provas cabais”. Ora, ninguém chega à presidência do Senado (exceto talvez o Severino), deixando impressões digitais em todo lugar. E mesmo as provas que a tal perícia da PF disse que eram fajutas, os amigos do Renan dizem que eram sólidas. Como se fossemos todos desprovidos de cérebro.

A senadora Ideli cumpriu, como sempre, seu papel de líder do governo. Se Lula quer proteger, a qualquer custo, o aliado (cúmplice?) Renan, então Ideli fará, das tripas, coração, para cumprir sua tarefa. Ela parece não se importar muito com o desgaste que poderá sofrer junto ao eleitorado. Afinal, está em alta com quem, no fundo, realmente interessa, que é o presidente da República.

A palhaçada de fazer uma sessão com microfones desligados (os oradores tiveram que gritar para serem ouvidos no plenário), de criar um clima opressivo de grave ameaça à segurança nacional, precisa ser lembrada, estudada e avaliada sempre.
Não fará bem para o nosso amadurecimento democrático se varrermos, para debaixo do tapete da memória, os acontecimentos de ontem.

[A molecagem sobre a foto do Congresso foi inspirada em uma charge de Milton Cesar, publicada ontem de manhã no blog do Noblat]

ESTE É O JOGO
O ínclito Renan, durante a sessão secretíssima, abriu o jogo e fez ameaças veladas ou explícitas a alguns senadores, conforme relato publicado no blog do jornalista Ricardo Noblat (www.noblat.com.br). Mostrou que sabe quais são os pontos fracos de cada um:
Renan: Senadora Heloísa Helena, a senhora sonegou o pagamento de impostos em Alagoas. Deve mais de R$ 1 milhão. Tenho um documento aqui que prova isso. E nem por isso eu o usei contra a senhora.

Heloísa: É mentira, mentira.

Renan: Veja bem, senador Jefferson Perez. Eu poderia ter contratado a Mônica [Veloso, ex-amante dele] como funcionária do meu gabinete. Mas não o fiz.

[Perez nada disse. Ouviu calado.]

Renan: [olhando diretamente para Pedro Simon] A Mônica Veloso tem uma produtora. Eu poderia ter contratado a produtora dela para fazer um filmete e pendurar a conta na Secretaria de Comunicação do Senado. Eu não fiz isso.

[Simon ouviu calado.]
O clima de intimidação dos senadores começou a ser criado logo no início da sessão, quando discursou o senador Francisco Dornelles (PP-RJ). Ele foi o primeiro a falar.
Dornelles: Crime tributário não é causa para quebra de decoro. Amanhã, isso pode ser usado contra os senhores. Porque muitos aqui têm problemas fiscais.
Dornelles foi secretário da Receita Federal no governo de João Figueiredo, o último general-residente da ditadura de 1964. E depois foi ministro da Fazenda do governo José Sarney.

O FIM DA BOLSA-PIJAMA
O Supremo Tribunal Federal derrubou ontem a aposentadoria para ex-governadores do Mato Grosso do Sul. Conhecida como “bolsa-pijama”, o benefício foi aprovado em dezembro passado pela Assembléia estadual (numa sessão secreta, ora vejam só) e previa que Zeca do PT receberia R$ 22 mil pelo resto da vida.

Aqui, Luiz Henrique, Eduardo Pinho Moreira, Esperidião Amin, Paulo Afonso e Jorge Bornhausen (será que esqueci algum?) estão com as barbas de molho: quando o STF examinar o caso catarinense, levará em conta a decisão de ontem.

MEIA ENTRADA
Faltou criatividade aos nossos nobres representantes na Assembléia. Como forma de estimular a doação de sangue, aprovaram uma lei que adiciona os doadores de sangue à lista daqueles que têm direito a meia-entrada em “eventos realizados em locais públicos”.

É o típico caso de cumprimentar com o chapéu alheio. Impõem uma penalidade aos promotores de eventos, e apresentam-se como benfeitores da comunidade. Simples, né?

Já que a coisa está feita, tomara que de fato estimule doações de sangue (e não só a falsificação de carteirinhas de doadores), porque a crise nos hemocentros é grave.

PREFEITURA ÀS MOSCAS
Ao que tudo indica o prefeito Dário não manda mais nada na prefeitura de Florianópolis. O organizador da parada da diversidade, que é funcionário de terceiro escalão da prefeitura, foi à televisão dizer que no ano que vem a avenida beira-mar norte será fechada novamente. E que ninguém se meta a contestar. Dos seus chefes (dona Rose e seu Dário) não se ouviu um ai. Nem a favor, nem contra.

Aliás, reclamar dos efeitos nocivos da parada parece que está sendo considerado, pelos organizadores, como demonstração de preconceito. Enorme bobagem. Se fosse um evento da igreja do vice-prefeito, a grita seria a mesma.

IDELI NA GAROA
Não tive tempo de comentar antes: a senadora Ideli Salvatti, acompanhada pelo prefeito Volnei Morastoni, foi ao show do Demônios da Garoa, durante o festival de música de Itajaí. Quando foi anunciada a presença da senadora, o público vaiou. E mais tarde, o conjunto canta uma música falando de corrupção, que fará parte do próximo DVD deles. E ainda informam: “na contracapa estará escrito que mentira tem perna curta, língua presa, barba branca e nove dedos”. O público foi à loucura, aplaudiu um monte.

Sei não, mas acho que foi o último show do Demônios da Garoa em município dirigido pelo PT.

A ASSESSORA EXPLICA
Falei ontem sobre o ecletismo de uma coleguinha que atende tanto o prefeito Reinério (PMDB), de Palhoça, quanto o jovem deputado Cesinha Jr. (DEM). E perguntava como ela fazia para conciliar emprego na prefeitura e na Assembléia.

Ela ligou para explicar: “não sou funcionária da prefeitura de Palhoça. Minha empresa faz assessoria particular para o prefeito, não para a prefeitura”. Perguntei se o Reinério pagava usando algum recurso público e ela disse que não, que era remunerada pela pessoa física.

Ela afirma que só tem função pública na Assembléia, no gabinete do deputado do DEM. E estava chateada, porque a nota poderia criar-lhe algum problema ou causar algum prejuízo. Na Assembléia, onde o Diarinho é bem lido, já estavam perguntando que história era essa de dois empregos públicos.

8 comentários:

marcello disse...

Cezar
O Brasil devia estar de luto hoje com o pendão brasileiro a meio mastro...

Anônimo disse...

Duvido que o Prefeito Ronério possa comprovar os pagamentos à jornalista como pessoa física. Que apresente os cheques e ela os depósitos. É mais um caso semelhante ao do Renan Calheiros, uma bandalheira. Vai ver algum empresário paga a conta para o Prefeito. Mas, por aqui tudo passa, ninguém denuncia, ninguém investiga. Os veradores são capachos do Prefeito e a imprensa comprometida. É mais fácil criticar senadores em Brasília do que prefeitos e suas mumunhas.

Anônimo disse...

Sobre doação de sangue, os deputados fariam melhor se
arregaçassem as mangas e doassem do seu próprio sangue uma vez por mês ao Hemosc.Seria até engraçado toda a última quinta-feira do mês (quinta porque deputado só trabalha de terça à quinta)o Hemosc instalaria uma ambulância de doação no plenário da Assembléia e os deputados dariam o seu sangua para o povo. Tirando a hipótese de contaminação, a idéia é genial, que tal?

Anônimo disse...

Pena que vc boicotou meu comentário anterior (moderação é pra isso mesmo). Mas se a moça não trabalha na prefeitura de Palhoça, quem é que ocupa aquela sala, ao lado do Gabinete do Reinério? Tem sempre um cara cuidando da sala, que tinham me dito que era funcionário da empresa da moça. Eu, se fosse você, nobre jornalista, não acreditaria mais em Papai Noel.
Abraço de um colega que te admira.

Anônimo disse...

Nos próximos dias, esse tal de Ronério vai aparecer numa revistinha de madame emergente. De graça não é. Pode ser troca de favores.

Anônimo disse...

Mais uma irregularidade: Funcionário público não pode ter empresa prestando serviços ao serviço público.

strix disse...

Cacete, só dá anônimos.
Só prá falá em pijamas, lembro do tempo em "trabalhava" em jornal que editei/publiquei uma matéria sobre a quantidade de "ceroulões" que o então ex-governador Ivo Silveira tinha amontoda dentro de seu "guarda-roupas".
Inté tinha um que "usou" no tempo em que era varredor de rua.
E não valiam pouco esses pijamas.
Eu tinha que trabalhar (",") mais de um ano só prá "comprá" um daqueles "pijaminhas".
É só conferir.
Strix.

Aluizio Amorim disse...

César: boa esta nota da Ideli...hehehe...e vai ter grande vaia neste sábado em São Paulo. Pelo menos é o que promete o pessoal do movimento Grande Vaia Brasil.
Aproveito daqui para enviar a minha saudação ao povo de Itajaí pois sei da grande leitura de sua coluna nessa cidade simpática e bonita que é Itajaí. Aliás registro muitos leitores de Itajaí no meu bloguinho.
Abração
Aluízio Amorim