quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Quarta

Esse conflito de atribuições entre a polícia Militar e a polícia Civil tem um aspecto assustador: a falta de alguma autoridade estadual que enquadre os policiais e exija obediência à Lei. Ou explicite, claramente, como será, e com que base legal, a reforma que a PM está começando a implantar, na marra.

A polícia Civil está inconformada com a usurpação de atribuições. Os juízes e promotores, nas diversas comarcas, têm sido chamados a entrar na questão. O clima é tenso e desconfortável. Mas o secretário da Segurança, que teoricamente deveria comandar as duas polícias, tá quieto, não quer saber de confusão pro lado dele. Afinal, tem uma carreira política a zelar e decerto não gosta de ficar tomando posições e resolvendo impasses. Transferiu a responsabilidade para uma comissão.

O governador, que acaba de criar mais um comando da polícia Militar no sul, parece não estar informado sobre o que acontece. Ou então está, mas não quer se meter. É o pior dos mundos. As polícias em conflito, a lei sendo “adaptada” à força e as chefias demorando para tomar alguma decisão.

POR QUÊ?
Há várias perguntas à espera de respostas consistentes:

Por que a PM, que comprovadamente tem efetivo menos numeroso do que deveria, se dispõe a imobilizar parte das forças escassas, para realizar o trabalho que seria da polícia Civil?

Por que a polícia Civil, que agora reclama da ação da PM, deixou criar, com sua morosidade, falta de investigação e de resposta à comunidade, esse espaço que os militares agora querem ocupar?

Por que o governo do estado se omitiu e deixou a coisa chegar a este ponto?

A BRONCA DOS ÔNIBUS
A propósito da nota “Chorões” que publiquei ontem, onde comentava a audiência pública, na Assembléia, sobre isenção de ICMS para empresários do transporte público, o deputado Sargento Soares (PDT), mandou-me uma cartinha, onde faz algumas denúncias graves de manipulação do movimento comunitário por deputados e prefeitos:
“Na audiência, o que me chamou a atenção também foi a mobilização que empresários, alguns deputados e o prefeito de São José, Fernando Elias, fizeram, convocando o movimento comunitário. As faixas, por exemplo, parecia óbvio que foram confeccionadas no mesmo lugar (mesmo padrão, mesmo material...) encomenda em série! Para ser mais claro, as associações de moradores, através de suas lideranças, atreladas ao poder político institucional, foram usadas para esquentar e dar apelo popular à vontade muito específica dos empresários do transporte coletivo.

Até mesmo a maior parte dos políticos (deputados, sobretudo) que estavam ali são financiados pelos empresários do transporte, os de Joinville em especial. Ou seja, os deputados que aliciam lideranças comunitárias são aliciados pelos empresários que financiam suas campanhas eleitorais.”
A arapuca foi montada de tal forma que, se algum deputado resolver ir contra as pretensões dos empresários, acabará sendo crucificado por ser “contra a redução de tarifas”. Ou seja, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Como sempre.

A COISA TÁ FEIA
A denúncia contra o prefeito Marco Tebaldi (que ele teria recebido propina de R$ 35 mil) foi aceita pela 1ª Vara da Fazenda de Joinville. Se também for recebida pelo Tribunal de Justiça, o prefeito ficará fora do cargo por até 180 dias. E os vereadores de Joinville, hem? nem quiseram saber de investigar o prefeito. Perdoaram-no confiando na memória fraca e no coração complacente do eleitor joinvilense.

A PÁTRIA LIVRE
Estamos em plena “Semana da Pátria” e na sexta-feira muitos de nós irão passear, graças ao feriado do dia da Independência. Claro que, passado o período escolar onde, dependendo da escola, fala-se alguma coisa sobre essas datas, nunca mais a gente para pra pensar sobre isso. Basta-nos o feriado.

Ignorar a História, contudo, é defeito grave. Foi no passado que todas as qualidades e defeitos que hoje encontramos em nós mesmos e no País começaram a ser formados. Saber, estudar, conhecer, discutir, debater e aprofundar-se nas nossas origens é fundamental para quem quer que pretenda ser cidadão de primeira classe.

E a separação do Brasil de Portugal é um dos eventos mais importantes, está entre aqueles que deveríamos saber de cor. Talvez muitos de nós até saibam que, a 7 de setembro, às margens de um riacho, perto de São Paulo, o português D. Pedro, filho do rei de Portugal, disse as famosas palavras: “Independência ou Morte!”

E não surpreendeu ninguém, porque desde aquela sua outra declaração (“diga ao povo que fico!”), no começo do ano, quando desistiu de voltar para Portugal, onde seria D. Pedro V, a turma já achava que ele estava mesmo querendo um império tropical para chamar de seu.

Há quem diga que a data que deveria ser comemorada como verdadeiro dia da Independência é a de 12 de outubro. Não só porque foi o dia em que o príncipe foi aclamado como Pedro I, Imperador do Brasil, mas também porque é só a partir daí que se pode dizer que as amarras foram efetivamente rompidas.

Polêmicas à parte, todo ano, desde que me conheço por gente, nesta época do ano, vozes se levantam dizendo que “não há nada o que comemorar, não somos ainda um país independente”. Os países ou forças que nos “escravizam” vão mudando, conforme passa o tempo, mas o discurso continua o mesmo.

Quando era pequeno, não entendia por que, em vez de ficar reclamando, os incomodados não iam à luta, à guerra, não se rebelavam em busca da independência definitiva. Depois aprendi que não dá para levar o discurso político ao pé da letra. Às vezes ele não significa muita coisa.

Hino da Independência
Escrito por Evaristo da Veiga e
musicado pelo próprio D. Pedro I


Já podeis, da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil...
Houve mão mais poderosa:
Zombou deles o Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Parabéns, ó brasileiro,
Já, com garbo varonil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá... temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

4 comentários:

Carlos Damião disse...

Está OK que a redução de impostos para o transporte coletivo vai favorecer os usuários, centenas de milhares em todo o Estado. Mas é claro que há uma motivação eleitoreira: já vejo a propaganda de Dário e Fernando Elias em 2008, dizendo que reduziram as tarifas de ônibus (um tema sempre caro a qualquer campanha). Populismo é isso aí.
Abração do
Carlos Damião

Anônimo disse...

É inaceitável o descaso da Sec.de Saúde p/com os diabéticos. Nenhum Posto de Saúde tem seringas para aplicação de insulina e nem previsão de quando chegarão. No Saco Grande II a situação é ainda mais crítica, pois eles não tem nem gases para fazer curativos.

marcello disse...

Prezado Cesar.
O problema do brasileiro é justamente não ser patriota. Já reparou que só somos Brasil por ocasião dos jogos da seleção brasileira?

J.L.CIBILS disse...

PARA MIM, O HINO DA INDEPENDENCIA E O MAIS LINDO, CREIO QUE PODERIA SUBSTITUIR PELO NACIONAL. QUANTO AO PATRIOTISMO, NO MEU TEMPO DE GURI, EU E OS OUTROS COLEGAS DE ESCOLA ERAMOS OBRIGADOS A SABER TODOS OS HINOS DE COR E SALTIADO, E SABER O SIGNIFICADO, E VESPERA DE FERIADO ERA PASSADO UMA REDAÇAO SOBRE O ASUNTO. HOJE OS PROFESSORES QUE TANTO FAZEM GREVE NAO TAO NEM AI, NEM AI, COM A HORA DO BRASIL.
SE PERGUNTA HOJE PARA UM JOVEM PORQUE VOCES NAO TERAO AULA AMANHA? E NAO TEM RESPOSTA,
QUER DIZER TEM SIM, E QUE O PROFESSOR DISSE QUE E FERIADO, TA MAS FERIADO DE QUE? NAO SEI......

AI FICA DIFICIL FALAR E PATRIOTISMO, HISTORIA, EDUCAÇAO MESMO.
TAO CRIANDO UM BANDO DE CABEÇAS VAZIAS.