domingo, 9 de setembro de 2007

Sábado, domingo e segunda

De Olho na Capital da Música!
Pena que este jornal não tenha som, pra vocês terem uma idéia da maravilha que foi o festival de música de Itajaí. Nas fotos, a jam session da madrugada de ontem (dia 7). Foi uma daquelas coisas que fazem a gente voltar a acreditar na humanidade. Espetacular! Inesquecível!

TV DEMAIS, ASSUNTO DE MENOS
Lembram dos fradinhos do Henfil? Claro que não, afinal não fica bem admitir, ainda que apenas em pensamento, que tens mais de 50 anos. Mas vamos lá assim mesmo: eram dois personagens, como tantas duplas. Um, cumprido bonzinho e outro, baixinho sádico. Pois não é que às vezes me baixa justamente o fradinho baixinho? Exatamente aquela peste que era capaz de colocar gilete em escorregador?

Pois então, num desses momentos de fradinho baixinho desandei a pensar uma coisa cá com meus chips. Todos sabem que dentro de mais algum tempo os canais de televisão aberta ganharão filhotes: por obra da digitalização, a banda que transmitia um, transmitirá vários canais.

Multiplicam-se, portanto, as possibilidades. Some-se a isso a TV paga e seus cento e tantos canais. Acrescente a internet, com cabo ou sem cabo, que em breve poderá ser vista na telona da sua TV doméstica e todas as atrações que serão desenvolvidas para esse novo veículo.

Ou seja, aqueles cinco ou seis canais que toda grande capital brasileira tinha, alguns anos atrás, multiplicaram-se barbaramente. E é aí que entra o sadismo do fradinho: tás pensando que vais ter mais qualidade? Que vais poder escolher livremente num cardápio marcado pela diversidade? Que nada! Terás centenas de canais atulhados de porcarias e alguns poucos com coisas boas, mas sempre ameaçados de fechar por causa da “baixa audiência”.

E os donos dos canais, do alto de seus bilhões de dólares, arrancarão os cabelos atrás de mentes criativas capazes de colocar novidades no ar (ou no cabo). A massiva imbecilização que eles mesmos patrocinaram, conseguiu reduzir perigosamente os níveis de malucos (e malucas) saudáveis, imaginativos, cultos, capazes de inventar conteúdos, dar vida a idéias novas e requentar com talento velhas propostas.

O fradinho, portanto, rola de rir atrás de uma pedra, ao ver o paradoxo instalar-se na aldeia. Antes parecia haver tanto a dizer, tanto a mostrar, tanto a conhecer e tão poucos canais, acesso tão restrito, enormes dificuldades e distâncias abissais. Agora o mundo tornou-se pequeno, o acesso democratiza-se, as informações jorram aos borbotões de tudo quanto é aparelhinho, tela, telinha, telona. E bastam quinze minutos de atenção para constatar a inutilidade dessa avalanche.

Ainda bem que o fradinho e seu sadismo mordaz desaparece na poeira do tempo, deixando saudade e liberando-me para reassumir o pragmatismo e o otimismo que nos ensinou outro personagem antigo, a inspiradíssima Pollyanna. Para quem, sempre, “tudo vai dar certo, muito certo”. Há uma turbulência passageira, natural em épocas de transição, mas logo os melhores cérebros assumirão criativamente as rédeas desse maravilhoso pequeno mundo, que nunca, como agora, teve à sua disposição tantos conteúdos enriquecedores (sabemos todos quem está enriquecendo, mas este é outro assunto).

Para encerrar, gostaria de deixar uma mensagem de fé na infinita capacidade do ser humano de tornar melhor o mundo em que vive. Tá certo que quando a Pollyanna se vai, começo a ficar um pouco mais preocupado. Mas recosto-me na poltrona, coloco um monitor de TV no Eurochannel, outro no Film&Arts, o terceiro na BandNews e o quarto fica na internet, mostrando a TV Senado. Para completar o repouso, ouço Beatles nos fones de ouvido e releio, emocionado e atento, as Histórias de Tia Nastácia, de Monteiro Lobato.

(Nota do Editor: A coluna do final de semana só apareceu aqui no domingo à tarde, porque no feriado estive muito ocupado aferindo e fiscalizando a qualidade do chopp em Timbó, Pomerode e Blumenau. E aí, não sei por que, esqueci completamente de colocar a coluna na internet).

Um comentário:

Ilton disse...

Eu sou um dos que lembra dos fradinhos. Assinava o Pasquim, que os publicava, e do qual tenho quase todos os exemplares. Concordo plenamente com a colocação sobre os canais de tevê. E não tenho mais a sorte de sintonizar o Film&Arts que a SKY me surrupiou e que motivou o ajuizamento de uma ação contra ela. Na verdade, estou sem tevê a cabo desde 27/8. Sinto falta, mesmo, só do Film&Arts. Tsk, tsk. Um abraço.