sábado, 12 de abril de 2008

A SORTE DO REMOR

Em 19 de fevereiro de 2008 publiquei uma cartinha enviada por um leitor, dizendo o seguinte:
“Prezado Cesar: Tem sortudo na Beira Mar da capital! Não é que, com uma baita placa anunciando o “Mirante da Beira Mar”, seccionaram em dois pontos o canteiro divisório da pista antiga, bem antes da que já existia e outro em frente à churrascaria Floripana?

O Remor [Aurélio Castro Remor, Secretário de Obras da Prefeitura de Florianópolis] (danado de sortudo) tem uma casa bem no meio das duas entradas (onde era o salão do Júlio de Leon) e a casa dele vai abrigar um banco, que não botou placa nenhuma anunciando a vinda, porque provavelmente quer evitar enxurrada de depositantes antes da inauguração.

Que é moeda é, de que cor??”
Fiquei de ir atrás da explicação, mas não fui. Aí, deu o rolo do encerramento da obra inconclusa (comentei aqui há poucos dias), dois meses depois de iniciada. Era o mesmo acesso sobre o qual o leitor falara em fevereiro.

Ontem, o assunto foi levantado no blog do Moacir Pereira e, pra evitar retrabalho, aproveito para transcrever aqui a explicação que o secretário de comunicação da prefeitura deu a ele (tal como o Moa, transcrevo ipsis literis):
“De acordo com o ex-secretário Aurélio Remor, o projeto daquela área tramita o IPUF desde 2001. Foi feito a pedido do ex-deputado e ex-presidente do Tribunal de Contas, Moacir Bértoli, e do Dr. Carlos Alberto Cerqueira Cintra, ex-procurador do Besc, além de outros moradores do local. A ex-prefeita Angela já havia se comprometido com a obra na época dela, tenho inclusive um ofício em que a ex-prefeita assumia compromisso com os moradores do local. A idéia de tocar adiante o projeto foi do prefeito Dário, que queria revitalizar o local, que estava muito mal cuidado. Quando um motoboy morreu no local, que já era muito perigoso e mal sinalizado, o prefeito mandou fazer a obra. A licitação da obra foi feita pelo secretário Shuwabe (já que o Aurélio Remor ficou fora da Secretaria por um tempo). “Não interferi neste projeto, o engenheiro Luiz Américo, foi quem fez o projeto final, não tenho participação nenhuma nisto”, afirmou Remor. Somente os moradores de um daqueles edifícios não concordaram com a obra e entraram com uma ação no Mïnistério Público.”
Tinha razão o leitor desta coluna: o Remor é mesmo um sortudo. Tem vizinhos poderosos que pediram a obra e por coincidência nem estava na secretaria quando a licitação foi feita.

BRINCANDO DE AVIÃOZINHO

O GRANDE IRMÃO

Na quinta-feira assisti um documentário muito interessante sobre o império Google, na Management TV. Bem realizado, levantava a questão dos riscos de tantas informações ficarem armazenadas num único lugar, ou pelo menos sob controle de uma única empresa.

[Caso interesse, o programa será reapresentado hoje, dia 12, às 10h e às 22h, no canal 93 da Sky]

Caso vocês não saibam, cada pesquisa feita fica registrada nos servidores do Google, junto com algumas informações sobre o usuário que fez a pesquisa (coletadas pelos cookies, programinhas mais ou menos amigáveis que a maioria dos sites instala nos computadores, para identificá-los). Se o sujeito ainda usa o GMail, seus e-mails também ficam armazenados lá (como de resto ficam em qualquer serviço de e-mails). E assim por diante.

Quem usa a internet profissionalmente ou pelo menos freqüentemente já sabe que privacidade é um conceito muito relativo, na rede. Mas sempre fica uma pulga atrás da orelha, quando a gente pensa nas possibilidades de um banco de dados desse tamanho. Com tanta informação, montar perfis e identificar usuários segundo suas preferências acaba sendo fácil. Para o bem e para o mal. A turma do Google jura que é do bem. Seus críticos não são tão otimistas.

Quase como num segundo capítulo do documentário, ontem o Virtua (empresa da Net/Globo que fornece conexão de banda larga à internet), deixou seus usuário praticamente o dia todo sem acesso a todos os serviços e sites do Google.

Quando se fala nesse nome, normalmente a gente associa apenas ao mecanismo de busca. Mas com o bloqueio proporcionado pelo Virtua, ficou mais clara a extensão que essa corporação já assumiu na rede. Ou pelo menos, a falta que fez na minha sexta-feira (e, imagino, de milhares de outras pessoas).

DONA MARISA

Leitores que são fãs da primeira dama reclamaram que escrevo errado o nome dela. Era só pra inticar, mas como também não gosto quando erram meu nome, volto a grafar com S, igual ao das lojas Marisa.

E para complementar as fotos dos modelitos de ontem, trago uma notinha (“Compras com cartão em Paris”) que colhi no blog do colega Cláudio Humberto:
“Intriga quem acessa os gastos com cartão corporativo na Casa Civil da Presidência da República os vários pagamentos nas famosas Galeries Lafayette, em Paris, ano passado, totalizando 18 mil euros (R$ 47,5 mil). Os titulares dos cartões utilizados nessas compras, assim como os destinatários dos produtos adquiridos, estão inscritos na lista protegida por “sigilo”. As Galeries Lafayette vendem, sobretudo, roupas de grife.”

O BOLO PUBLICITÁRIO DO LHS

Saiu o resultado da concorrência da Secom para contratar agências de publicidade. Adivinha quem ficou com a parte do leão? Sim, claro, a agência do Wilfredo Gomes. Abaixo, só pra dar uma idéia de como a coisa ficou, as primeiras colocadas nos 21 lotes, com a soma da verba anual prevista para cada área. Ainda falta a etapa de abertura dos envelopes com as propostas de preços:

OneWG: R$ 20,3 milhões;
Mercado: R$ 7,5 milhões;
D’Araújo: R$ 6,1 milhões;
Polo: R$ 4,7 milhões;
Quadra: R$ 4,5 milhões;
Fórmula: R$ 4,5 milhões;
Neovox: R$ 3,5 milhões;
Propague: R$ 3 milhões;
Criação: R$ 3 milhões;
Prime: R$ 2,5 milhões;
Estratégia: R$ 2,1 milhões;
Marcca: R$ 700 mil e
MFP R$ 500 mil.

Mais detalhes no Acontecendo Aqui.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

FORA DO AR

Numa gentilzeza do Virtua (empresa da Net/Globo de conexão à internet) fiquei (com os demais usuários) o dia todo sem acesso a qualquer serviço ou site Google. Como o Blogger é do Google, não tive como entrar para autorizar os comentários. Agora, às 17:56, com o retorno do acesso, tentarei colocar o serviço em dia.

Desculpem-me a falha deles.

BILHÕES E MAIS BILHÕES

“Santa Catarina vive um momento especial de crescimento econômico, social e de confiança da população”, disse LHS, em uma reunião meia boca do Colegiado. Por favor não se ofendam, vou explicar a expressão: é que só reuniram os 20 secretários “setoriais”. Os secretários do desenvolvimento regional ficaram pra outra. Então, lá de onde eu venho, se não tá todo mundo, a coisa tá pela metade.

Bom, mas o mais importante, além da informação governamental, de que vai tudo bem, é que as coisas ainda vão melhorar bastante. Até 2010, a previsão do LHS é que as empresas invistam a bagatela de R$ 15 bilhões no estado.

Se na campanha passada a gente teve os out-doors falando em milhões, na próxima a coisa será na base dos bilhões. E 15, claro, porque os números dos partidos existem para isso mesmo: facilitar a memorização.

Aos secretários setoriais, LHS voltou a lembrar, pela enésima vez, “a importância dos Conselhos de Desenvolvimento Regional”. E, pra garantir que todo mundo entendeu, voltou a explicar os benefícios da descentralização. Precisa mesmo, porque afinal, como são só cinco anos de doutrinação, é capaz que algum secretário ainda não tenha entendido direito.

Como sempre, tem umas coisas que eu custo a entender. Por exemplo: por que que o presidente da Epagri é chamado, pelo governo, de “presidente nacional” do programa Meu Lugar? Como assim? Como pode ter presidente nacional um programa do estado, voltado para o estado e que ocorre apenas no estado?

Parece piada, né?

O TRATOR A TODA

A oposição a LHS na Assembléia é pequena, mas faz bastante barulho. O governador, como vocês sabem, tem ouvidos sensíveis. Daí, além de aprovar todas as matérias do seu interesse a bordo de um trator majoritário, agora inventou de intisicar com a minoria.

Já que não tinha votos para aprovar as coisas do seu jeito, a oposição exercia seu papel esperneante pedindo informações aos secretários e ao governador. E depois, com as respostas, tratava de fazer mais um pouco de barulho. Coisa absolutamente inócua, que servia apenas para manter viva essa plantinha frágil que é a democracia.

Pois agora o governo resolveu passar o trator nisso também. Não aprova mais os pedidos de informação. Proibiu de ficar perguntando coisas inconvenientes.

É espantoso que um Poder cuja função principal é justamente ser fiscal do Executivo, abdique assim fácil desta missão.

Resta a pergunta: para que servem, então?

ANITA NA ONG E NA FCC

Não teve jeito. O governador não consegue mesmo viver longe da Anita Pires. Não adiantaram os choramingos dos tucanos nem as demais sugestões de amigos e inimigos. A poderosa peemedebista dos eventos, que reassumiu ontem a presidência da ONG FloripAmanhã, no próximo dia 15 assume também a Fundação Catarinense de Cultura.

Se eu fosse um cara educado e um jornalista trabalhador, convidaria a Dona Anita para visitar o CIC (Centro Integrado de Cultura) e depois contaria pra vocês as reações dela diante de cada um dos inúmeros problemas que existem por lá. Do estacionamento aos banheiros, nada funciona direito, como se fosse um enorme testemunho, concreto e mofado, do descaso com que Florianópolis e sua vida cultural tem sido tratada nos últimos anos.

Independentemente de todos os eventuais compromissos decorrentes de suas múltiplas atividades e lealdades políticas e empresariais, seria bom – para todos – que Dona Anita Pires usasse seu inegável prestígio junto ao governador para remendar pelo menos parte do estrago feito por seus antecessores na Cultura da capital.

Resta saber se LHS, empenhado até o pescoço em reeleger o prefeito Darío, vai ter tempo pra outros assuntos.

Pra conhecer a ONG (FloripAmanhã) que a Anita dirige, clique aqui.

Pra conhecer a Associação (ABEOC-SC) que a Anita também dirige, clique aqui.

Pra ir à FCC, que a Anita vai dirigir, clique aqui.

OS APERTOS DO GREGOLIN


O ministro da Pesca passou maus bocados ontem, na CPI dos cartões corporativos. Um deputado o acusou de ter usado dinheiro público para fazer campanha pra Lula no Pará. Em viagens de serviço teria feito discursos pedindo votos e atacando adversários. O deputado, é claro, pediu a demissão do ministro. Não vai dar em nada, mas pelo menos agitou a tarde.

NO PÉ DOS PETRELLI

O jornal Impacto, semanário distribuído gratuitamente, com edições no Paraná e em Santa Catarina, remexe, na sua última edição, os rolos relacionados com a aquisição de uma das emissoras iniciais do grupo RIC no Paraná, a TV Carimã.

Baseia-se na ação popular 90.000 8121-1, que corre na Justiça Federal do Paraná. Coisa antiga (de 1990), onde a família de um dos sócios alega que sua assinatura teria sido falsificada no documento que transfere a titularidade do canal. Além disso, o prazo da transferência não teria respeitado a legislação.

Não sou estudioso do assunto, mas tenho a impressão que se for feito um exame minucioso de todas as concessões de TV e a forma como as redes foram se formando, aparecerão muitos problemas. Ninguém leva a letra a lei muito a sério e a maioria age com um certo nível de flexibilidade. Tipo “poder não pode, mas dá-se um jeitinho”.

Ou então prevalece aquela história, de que “a lei engessa e o excesso de normas dificulta o progresso”. Encontrar atalhos é sempre uma coisa mais ou menos tolerada, dependendo do apetite da concorrência.

Para ler a reportagem do jornal Impacto na íntegra, clique aqui.

D. MARIZA ARRASOU

Já que ontem colocaram o Lula sem ela, hoje cortei fora o Lula e deixei só ela. Lula, por falar nisso, estava no jantar “black-tie” da Rainha, de gravata vermelha e terno, enquanto os demais estavam de smoking e... black-tie.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

JOGUINHO: ONDE ESTÁ D. MARIZA?

O presidente Lula chegou ontem a Rotterdam, na Holanda, e a D. Mariza não aparece (pelo menos não inteira), nas fotos enviadas pelo fotógrafo oficial da presidência (acima). Publico essas fotos aí exatamente como foram distribuídas, sem corte ou qualquer outra alteração, a não ser aquela setinha, para ajudar os mais aflitos a encontrar a D. Mariza.

Só nas fotos da Agência Brasil (também oficial, mas da Radiobrás), como estas abaixo, é que a gente tem certeza que ela estava lá. Hum... a turma do Palácio tira ela das fotos e depois os petistas acham que a gente é que implica com o silêncio da primeira dama.


Pra ir até o site de fotos da Presidência pra ver se eu estou falando a verdade, clique aqui.

O site de fotos da Radiobrás é aqui.

“ATÉ TU, CESAR?”

Com esta expressão clássica, o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, o catarinense Sérgio Murillo de Andrade iniciou uma longa carta onde contesta a crítica que fiz aqui ao veto de Lula ao controle do TCU sobre o uso do dinheiro do trabalhador, pelas centrais sindicais.

O Sérgio é dirigente sindical há bastante tempo e, é claro, diverge, em parte, da minha opinião. Vou deixá-lo explicar a coisa, para que vocês possam conhecer o outro lado. E para que, pelo menos em relação ao DIARINHO e a esta coluna, ele veja que a gente dá espaço ao contraditório:

“Em relação ao imposto sindical:

Sou contra. Mas não sou insano, nem irresponsável. Os sindicatos que controlam a centro de poder na CUT (metalúrgicos, bancários, servidores públicos) não precisam. Não é o caso dos jornalistas. Temos sindicatos como do Acre, Piauí, Maranhão, Rondônia, Roraima, Amapá, Dourados, Juiz de Fora, Londrina, Estado do Rio, com pouco mais de uma centena de sindicalizados. O do Maranhão, por exemplo, paga uma mensalidade de R$ 19,00 à FENAJ.

Em relação aos jornalistas, temos um índice alto de sindicalizados (mais de 40%), mas também uma grande inadimplência. Você mesmo confessa que há anos não contribui com o Sindicato. E não me venha transferir a culpa exclusivamente ao Rubens/Luis Fernando/Sérgio/Celso, pra ficar no pós-MOS. O fim do imposto, sem uma alternativa real e efetiva, abalaria mortalmente boa parte do movimento sindical dos trabalhadores e algumas entidades sindicais dos patrões tbém. Quem ganharia com isso?

Procuro há anos a resposta para um dilema. Você não quer pagar o imposto, ou uma taxa alternativa, porque não quer contribuir com o Sindicato. Justo, é um direito seu. Mas você, por coerência, tem que abrir mão de todos os serviços prestados e ganhos salariais que eventualmente os Sindicatos conquistem para a categoria. O Sindicato negociou um aumento, todos na redação, sindicalizados, recebem. Menos você. O problema é que a legislação não permite essa discriminação. Assim, o discriminado é o sindicalizado, o tanso que sustenta a estrutura que beneficia inclusive os não sindicalizados. É justo?

Sobre a auditoria do TCU:

Também sou contra. É intervenção do Estado. Sem meias palavras. A Constituição foi mudada também pra acabar com isso. É um retrocesso do ponto de vista da democracia e da liberdade de organização e autonomia do movimento sindical. Nada tenho contra auditorias. Acabei de vir de uma reunião, aí em Fpolis, do Conselho de Representantes da FENAJ – um representante de cada Sindicato – que aprovou, por unanimidade, inclusive com a participação da oposição, a prestação de contas do ano passado, enviada para análise dos conselheiros com mais de um mês de antecedência. Isso costuma ser regra no movimento sindical. Tem picaretagem? Claro que sim. Combata-se a picaretagem, sem defender um retrocesso. Havendo indícios, o Ministério Público pode ser acionado para fiscalizar e auditar as contas dos Sindicatos. A lei pode exigir, por exemplo, que os Sindicatos publiquem os balanços na internet. Tudo menos dar um passo atrás. Além disso, imagina se o TCU e os TCEs têm condição de analisar as contas de milhares de sindicatos, federações e confederações em todo o Brasil. Sei bem o resultado: mais servidores, mais prédios públicos ou anexos, mais denúncias. Quem ganharia com isso?

O Moacir [Pereira, jornalista] diz que OAB, CREAs etc prestam contas ao TCU. Ok. São autarquias. Pertencem à estrutura do Estado. Mas ele, como jornalista e advogado, deveria saber que a OAB recusa-se há anos a apresentar suas contas ao TCU, sob a alegação de não comprometer sua independência política. E aí? A OAB, inclusive, apoiou o projeto do Conselho Federal dos Jornalistas (ninguém na grande mídia divulgou isso), com uma única exigência: a não prestação de contas ao TCU. E aí?

Faz parte do jogo político que o DEM, PSDB, PPS e o escambau façam marola em torno dessas questões. Mas não acho justo a mídia – embora entenda bem as razões – alimentar essa polêmica somente com o ponto de vista deles, sem NENHUM espaço ao contraditório.”

Abraços fraternos,

Do ex-aluno Sérgio Murillo de Andrade

UMA PEDRA NO CAMINHO

Lembram que falei aqui sobre a ação do procurador Davi Lincoln Rocha, que visava baixar o valor das diárias do Ministério Público Federal? Pois saiu na terça-feira uma sentença que é um balde de água fria. Na verdade, o mérito da ação nem chegou a ser discutido. O Juiz Federal Roberto Fernandes Júnior extinguiu a ação porque considerou que “o meio processual escolhido (ação civil pública) não é adequado” e que o pedido de fixação judicial dos valores é “inepto e juridicamente impossível”.

Resta ao procurador encontrar rapidamente uma toalha, secar-se e recomeçar a luta que, ao que parece, é boa. Afinal, com o “troco” das diárias de R$ 700,00, os procuradores (que segundo Rocha não gastam mais de R$ 183,00 por dia com hospedagem e alimentação) estariam “enriquecendo sem causa”.

Advogados ou curiosos por detalhes que quiserem ler a íntegra da sentença, cliquem aqui.

Quem quiser ir ler o que o Frederico Vasconcellos, da Folha, escreveu a respeito, clique aqui.

OS NOVOS RICOS DO HUMOR (O dia seguinte)

Só pra efeito de comparação, o Diário Eletrônico da Justiça Federal da Região Sul publicou ontem decisão unânime da 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) que confirma o pagamento de indenização por danos morais e materiais e pensão vitalícia a um jovem que ficou tetraplégico após uma cirurgia de apendicite.

Adivinhem o valor? Bom, se nem Jaguar nem Ziraldo ficaram aleijados e ganharam mais de um milhão (e uma pensão vitalícia de R$ 4.375,88) cada um, o garoto de 14 anos que foi jogado ao fundo de uma cama por causa de uma barbeiragem médica merece pelo menos o dobro, né não?

Que nada. A sentença determina que a União, o Estado do Paraná, o Município de Paranavaí e o Hospital Santa Casa de Paranavaí deverão pagar R$ 300 mil a título de danos morais e R$ 3 mil pelos danos materiais. E uma pensão vitalícia de dois salários mínimos (!!!) para aquisição de medicamentos e pelo que o jovem deixa de receber como remuneração de trabalho, além de R$ 1,5 mil para despesas com enfermagem. Só.

Ah, e pra ler e/ou assinar a petição on line contra a indenização milionária, clique aqui.

E pra ver quem já assinou (na manhã desta quinta tinha 1.392 assinaturas), clique aqui.

NASSIF VEM AÍ

O jornalista Luís Nassif é o convidado da próxima edição do Brasil em Debate na Assembléia Legislativa, dia 23, às 19 horas, no auditório Antonieta de Barros.

Nassif, que ultimamente se notabilizou pela briga com a revista Veja e pela defesa de algumas posições lulistas, falará sobre “O Brasil no Mapa da Economia Mundial”. As inscrições gratuitas poderão ser feitas só pela internet, a partir das 9 horas do dia 16.

Para ir para o blog do Nassif, conhecer um pouco mais sobre ele e sobre o que anda fazendo, clique aqui.

COMO É QUE É?

Leitor da coluna, que é advogado na capital, levou um susto, dia desses, quando consultava processos no site do Tribunal de Justiça. Lá aparece, em muitos processos, como advogado da Prefeitura de Florianópolis, o Hélio Cesar Bairros, que desde março de 2006 é presidente do Sinduscom (Sindicato da Indústria da Construção Civil da Grande Florianópolis).

E mandou uns exemplos (clique para ampliar):

Não deixa de ser interessante ver que, em processos como o 023.03.012007-4, movido por Empreendimentos Imobiliários Zita Ltda (uma associada do Sinduscom) contra a prefeitura, aparece lá, como advogado da ré, o presidente do Sinduscom, Hélio Cesar Bairros.

Na verdade, o presidente do Sinduscom é advogado na procuradoria da Prefeitura. E este é o motivo de seu nome constar em tantos processos. Mas, segundo ele e a Procuradoria informam, está licenciado, sem vencimentos, desde que assumiu o Sindicato. Os processos seriam anteriores a este período.

Imagino que não exista nada de errado no fato de um sindicato de empresas de construção ter escolhido um ex-advogado da prefeitura para presidir sua entidade de classe, mas que é curioso, lá isso é.

Atualização da manhã de quinta: o Carlos Stegman, assessor de imprensa do Sinduscon, avisa que, pra variar, eu troquei as letras. Se o sindicato é da construção, não tem sentido a sigla ter um m no final. O correto é Sinduscon e não como escrevi inúmeras vezes na nota acima.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

IA ESQUECENDO...

No dia primeiro de abril comentei os anúncios de brincadeira que a BMW.UK faz todo ano e falei que quando achasse o de 2008, mostraria. Um leitor atento (sempre eles), me avisou no dia seguinte, mas o distraído aqui (sempre eu) esqueceu de mostrar pra vocês. Faço-o extemporaneamente. Pra tentar compensar, traduzo (como a minha cara) o texto.

Pra ver o anúncio original, na página da BMW, é só clicar aqui.

Apresentamos a Canine Repellent Alloy Protection
Da antena em formato de barbatana de tubarão às rodas aerodinâmicas, uma BMW é tão agradável de olhar quanto o é para dirigir. E graças ao nosso sistema Canine Repellent Alloy Protection, continuará assim por longo tempo, mesmo depois de sair de cena. O invento do Dr. Hans Zoff, encarregado da segurança automotiva, evita que os cães se aliviem no carro, dando-lhes um imediato e relativamente indolor choque elétrico. Mas a grande surpresa é que os 220 volts exigidos para isto são fornecidos gratuitamente pelo nosso sistema de regeneração de energia dos freios. Ele converte a energia gerada ao brecar, numa carga elétrica conhecida como Rim Impulse Power (R.I.P.) e armazena-a, pronta para o próximo encontro. E aí está. Beleza por meio da prefeição mecânica – nossa filosofia, em uma porca de roda. Se quiser saber mais sobre Canine Repellent Alloy Protection, por favor chame 0800 325 600 (no Reino Unido).

SUSPENSE

A VEZ DE PALHOÇA

Terminou ontem o prazo que o procurador da Moralidade Administrativa, Raul de Araújo Santos Neto deu ao Executivo e ao Legislativo de Palhoça, para se pronunciarem sobre um “termo de ajuste de conduta” para os casos de nepotismo municipais.

O procurador identificou, em inquérito, que existem 15 casos de nepotismo direto no executivo e nove no legislativo. Visto isso, propôs um TAC, semelhante ao que foi assinado em outros municípios, onde as autoridades municipais podem, “voluntariamente”, despedir seus parentes.

Caso o Rei Nério e os senhores vereadores não tenham respondido até o final do expediente de ontem, o procurador vai entrar com uma Ação Civil Pública, pra tentar restabelecer a moralidade administrativa naquela próspera comuna.

Ah, antes que alguém ache que os 15 identificados são todos parentes do Rei Nério: tem parentes de outras... como direi? “autoridades”, também.

CRIAR DIFICULDADE...

Uma das máximas da corrupção universal é aquela que diz que o negócio é criar dificuldade para vender facilidade. É imbatível: onde quer que um burocrata crie uma dificuldade, mais adiante ele mesmo ou alguém de suas relações colocará à venda a facilidade.

Quando li a nota sobre pedágio que o colega Paulo Alceu publicou ontem, não sei por que, soou um alarme. Diz lá que começa amanhã o cadastramento de veículos com placas de Palhoça que ficarão isentos do pedágio da BR 101.

Hum... Só terão isenção veículos cujos proprietários estejam em dia com o IPTU (???) e que morem na região da baixada do Maciambú (!!!). Em ano eleitoral, esses “cadastramentos” são um prato cheio. Pode até ser que tudo seja feito dentro da maior lisura e organização e que ninguém acabe ganhando dinheiro (ou votos) com essa complicadíssima manobra. Mas que a coisa foi montada bem no jeito, lá isso foi.

MARAVILHAS DA ENGENHARIA

Se eu conhecesse alguém do Confea (o órgão que reúne os conselhos estaduais de engenharia, agronomia e arquitetura), perguntaria se não está na hora de dar uma ligadinha para o CREA-SC e acordar o pessoal.

Sim, porque depois dos vários viadutos com problemas, agora temos uma rua fechada antes de ser inaugurada. Segundo me informa o DC, a secretaria de Obras da prefeitura trabalhou durante dois meses, gastando sabe-se lá quanto, para fazer um acesso à av. Rubens de Arruda Ramos (a tal Beira-Mar Norte).

De repente, não mais que de repente, moradores foram ao Ministério Público e levantam uma questão incontornável: medo de acidentes. Aí, o diretor de operações do Ipuf manda parar tudo. E pronto. Simples assim.

Que espetacular conhecimento de engenharia têm os moradores, que fizeram os engenheiros da prefeitura calarem-se, colocar a viola no saco, o prejuízo no nosso bolso e fazer de conta que não aconteceu nada?

Será que foi só isso? Ou tinha alguma coisa a ver com interesses particulares misturados ao interesse público, algum favorecimento especial que, descoberto, fez com que agora se tente sepultar tudo sob pesados blocos de concreto?

Qualquer que seja o caso, a verdade é que a imagem da Engenharia anda sendo muito maltratada por todos esses imbroglios. Não seria o caso de alguém fazer alguma coisa?

OS NOVOS RICOS DO HUMOR

Jaguar e Ziraldo fizeram parte da turma que construiu um dos maiores fenômenos editoriais brasileiros, o O Pasquim. Semanário de humor, nasceu e cresceu durante a ditadura militar, chegando a atingir, no seu auge, tiragens de 200 mil exemplares, o que é muito mesmo para os grandes jornais brasileiros de hoje.

A censura encheu muito o saco do Pasquim e a turma, ou boa parte dela, chegou a ser presa durante um tempo. Várias edições foram apreendidas, recolhidas ou tiveram sua circulação dificultada. A ditadura, portanto, causou ao Pasquim grandes prejuízos. Como causou a tanta gente. Até mesmo àqueles que sofreram anônima e indiretamente com os problemas que uma ditadura sempre provoca.

Pois bem, como tantos outros “revolucionários”, Jaguar e Ziraldo acabam de ser premiados com uma indenização milionária (milionária mesmo, mais de R$ 1 milhão pra cada um) e mais uma boa pensão mensal, graças a essa ferramenta que o governo FHC inventou, mas o governo Lula aperfeiçoou: “que luta política que nada, aquilo foi mesmo um grande investimento previdenciário”.

Ziraldo acha que o Brasil lhe deve essa grana. Muita gente acha que não, que a gente não lhe deve isso e que nossos impostos não deveria servir para esses casos de enriquecimento tardio de antigos idealistas arrependidos.

Há, entre aqueles que foram presos e torturados pelos militares, naquela época, quem tenha se recusado a receber a indenização: entraram na luta por um ideal e o pagamento mercantilizaria esse sonho. Mas esta não é uma questão pacífica, ou tranqüila.

Talvez o que cause mais revolta seja mesmo o valor das indenizações. Enquanto a Justiça brasileira tem atribuído valores quase irrisórios a tantas indenizações que parecem muito justas, o bolsa-ditadura esbanja dinheiro.

Em todo caso, em que pese esse tropeço, essa nódoa biográfica, não se pode, de uma hora para a outra, apagar o papel histórico que Ziraldo e Jaguar tiveram na manutenção da sanidade mental de uma geração que, sem o Pasquim, não teria aprendido a dizer que o rei está nu. Nem a rir de si mesma.

BEM FEITO!

Lula deu o bolo na festança de aniversário da Associação Brasileira de Imprensa. Mandou o vice avisar que infelizmente, como era dia de aniversário da D. Mariza, ele estava proibido de sair de casa. Houve época em que a ABI (por iniciativa de alguns de seus dirigentes) portava-se com certa dignidade. Hoje é apenas mais uma de tantas entidades cuja existência o brasileiro médio faz bem em desconhecer.

TUDO NA MESMA

Lembram daquele motim dos controladores de vôo da aeronáutica, um ano atrás? Foi um dos marcos da crise aérea, depois do acidente da Gol e antes do acidente da TAM.

Pois bem, segundo a Federação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo, apesar de tudo, de todas as mortes, de tantas promessas e de tantos discursos, tudo continua exatamente como há um ano. Foram feitos alguns investimentos em equipamentos, mas o clima entre controladores continua igual, ou pior. O que, infelizmente, não surpreende.

VERDADE E MENTIRA

No começo deste século, a Gazeta Mercatil resolveu reforçar sua sucursal de Brasília, para fazer frente ao Valor Econômico, jornal que estava para ser lançado pelos grupos Folha e Globo. Tive a felicidade de ser designado para ajudar no esforço, que permitiu que se montasse uma equipe excepcional, com grandes repórteres, como João Domingos, Sheila D’Amorim, Maurício Correa, Márcia Quadros, Anamaria Rossi e vários outros. Entre eles, uma jovem repórter chamada Janaína Leite.

O grupo se dissolveu em 2001 com a crise da Gazeta e cada um seguiu seu caminho. Anos depois, na sua passagem pela Folha de S.Paulo, Janaína fez algumas matérias sobre o enorme rolo Brasil Telecom/Daniel Dantas. E incomodou muita gente. Ela na Folha e Diogo Mainardi na Veja, publicaram o mesmo tipo de informação. E agora sofrem num cirquinho de horrores montado, em parte, pelos próprios jornalistas.

Luíz Nassif e Paulo Henrique Amorim a incluíram entre os inimigos a combater. E na rede circulam mentiras, meias-verdades e verdades tão entrelaçadas que fica difícil separá-las. A Jana agora vai tentar manter seu bom nome na Justiça e fez um blog para contar a sua versão: arrastao.apostos.com. Vale a visita.

terça-feira, 8 de abril de 2008

MÃOS AO ALTO

O ex-delegado da Polícia Federal e multi-secretário municipal, Ildo Rosa, dá boas notícias para os engomadinhos da capital: “agora vocês têm plano de carreira e poderão andar armados”.

A prefeitura anunciou ontem a sanção da Lei Complementar nº 321/2008, que “cria a corregedoria na área de segurança pública no município”. A nova legislação ainda amplia o efetivo para 800 policiais e institui um plano de carreira para os guardas municipais. E determina um programa de aumento de efetivo até 2017.

A informação mais preocupante, contudo, está na última linha da nota oficial: “No exercício de suas funções, os integrantes da guarda municipal vão poder atuar armados para garantir sua proteção pessoal e da população”.

A partir de agora, portanto, todo cuidado é pouco. Uma infração de trânsito poderá se transformar em tragédia, caso algum guardinha considere ameaçador o motorista reclamar da sua incompetência ou omissão. Ou mesmo se o engomadinho mal treinado não gostar de alguma crítica, e, inseguro, acreditar que está sendo ameaçado pelas anedotas e piadas que circulam a respeito deles.

Guarda Municipal armada é tudo o que Florianópolis precisava, para completar o clima geral de insegurança.

FALA, SONTAG!

O empresário e ex-candidato a governador Antônio Carlos Sontag enviou uma cartinha, a propósito da nota “Sontag na lona” que publiquei na coluna do final de semana. Transcrevo na íntegra:
“Caro Cesar Valente,

Em poucas palavras, eu não diria que estou na “lona”, mas que querem me nocautear, isso querem!!!

Quero, inclusive, lhe parabenizar pela visão dos fatos! Você não imagina como “as bruxas” trabalham... Jamais imaginei que um segundo turno, indesejado, traria tamanha incomodação...

Quanto aos desdobramentos judiciais, eles tem total procedência. Para as empresas EBV, não há nenhum problema que seus colaboradores recebam atraves dos seus devedores. Desde que recebam! Por essa razão, não ingressamos com nenhuma ação visando derrubar tais decisões. (mesmo sabendo a motivação delas)

O caso da PMJ (Prefeitura Municipal de Joinville), eles quiseram expulsar a EBV de lá com uma atitude violenta digna da época da ditadura. Bem ao estilo do atual governante de município... Mas não conseguiram! A justiça, neste caso, prevaleceu. Vamos ver até onde vai esta briga burra!

Finalizando, o que se espera é que todos os colaboradores das empresas EBV sejam devidamente pagos e que os que devem as empresas, quitem suas dívidas.

Uma coisa é certa Cesar: Não existe só uma eleição!!!
Forte abraço e sucesso!”

Antonio Carlos Sontag
Presidente do Conselho de Administração Grupo Sontag

CHOPE GRÁTIS

O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina vai comemorar o dia do jornalista (que foi ontem) durante toda a semana. Na quarta, dia 9, vão festejar na Cachaçaria da Ilha, no centro de Florianópolis. Jornalistas sindicalizados que tenham uma “carteira de jornalista” não pagam ingresso e, das 18 às 21h, a cada dois chopes, pagam um. E além disso, o Sindicato ainda pagará um chope pra cada jornalista presente.

O pretexto é o início da campanha salarial. Mas bem que pode ser também para comemorar o presentão que Lula deu às centrais sindicais: dinheiro público a rodo, sem fiscalização externa (o sindicato dos jornalistas é filiado à CUT).

Já que o movimento sindical (de uma maneira geral, não só dos jornalistas) anda meio esvaziado e as discussões e “lutas” não conseguem despertar atenção, quem sabe o chope “grátis” consiga reunir uma turma maior do que aquela meia dúzia de sempre.

Por falar em esvaziamento, qualquer dia ainda vou acabar me sindicalizando de novo, só pra tentar reeditar o velho MOS (Movimento de Oposição Sindical), de saudosa memória. De tempos em tempos os sindicalistas se acomodam e aí é preciso dar uma sacudida na poeira e agitar o ambiente. Nem que seja só pra confundir a cabeça dos patrões.

[Para ler a nota da Fenaj sobre o Dia do Jornalista, clique aqui]

MENTALIDADE AUTORITÁRIA

O jornalista Eugênio Bucci foi presidente da Radiobrás (empresa que tem a agência de notícias oficial do governo e produz, entre outros programas, a Voz do Brasil), de 2003 a 2007 e agora lança um livro, “Em Brasília, 19 horas”, com uma espécie de prestação de contas do seu trabalho.

As resenhas publicadas mostram uma obra intrigante e interessante, que revela alguns detalhes importantes do jogo pelo poder e a forma como esse poder vê a comunicação oficial. Como, por exemplo, o bombardeio que sofreu de Bernardo Kucinski (jornalista e militante do PT, autor de um relatório diário que Lula lia durante o café da manhã, até 2006) e José Dirceu.

Uma excelente contribuição ao debate sobre a forma como se portam certas figuras que agem nas sombras dos governos (qualquer governo) são os sete pecados capitais do pensamento autoritário, que Bucci reuniu:

“1. O esquecimento proposital
Sonegar a história e ocultar os fatos que não convêm ao argumento.

2. O coletivo compulsório
Dizer “nós” para impor obediência e intimidar a divergência.

3. A futrica instrumental
Semear a intriga palaciana para prejudicar os que pensam diferente.

4. A apologia do aparelhismo
Promover – abertamente ou, se necessário, de forma dissimulada – o uso dos meios de comunicação públicos para fins do grupo de governo.

5. O ódio à imprensa
Banir a reportagem e profetizar que todo jornalismo será castigado

6. A arrogância sem substância
Desdenhar do outro para desqualificá-lo.

7. Condenar a priori
Acusar pelas costas, na escuridão, sem provas e sem tolerar o direito de defesa.”

À direita e à esquerda, uma das funções públicas mais incompreendidas e deturpadas é justamente a comunicação. Os repórteres públicos (jornalistas que prestam serviços a órgãos públicos) nem sempre encontram ambiente favorável ao exercício correto das suas funções. E às vezes eles próprios não têm claro o que devem fazer.

Como o assunto nunca é tratado adequadamente, porque talvez seja considerado um problema “menor”, não admira o sucesso de tantas ações judiciais contra o mau uso (e o abuso) da comunicação por governos de vários níveis, que confundem informação com propaganda.

[Para ler mais sobre o livro de Bucci, clique aqui ]

segunda-feira, 7 de abril de 2008

CURIOSIDADES SEGUNDAFEIRINAS

Vários portais de internet têm espaços onde leitores podem publicar o que bem entendem (desde que não seja ofensivo, etc). Pois bem, um atento comentarista da coluna chamou a atenção para esta “notícia” que encontrou no Minha Notícia, do IG, enviada por alguém que se assina “o paulista Nelson Valente” (Autor de livros sobre Jânio Quadros. Acho que não é meu parente). É uma coisa curiosa essa compulsão que as academias têm, de atribuir qualidades literárias a políticos (depois que a Academia Brasileira de Letras transformou Sir Ney em imortal, nada mais parece impossível ou proibido).

“Governador de Santa Catarina toma posse na Academia de Letras Blumenauense

Enviada por Nelson Valente
06/04/2008 - 14:14


O governador do Estado de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, toma posse dia 14 na Academia de Letras Blumenauense. Irá ocupar a cadeira em homenagem ao jornalista Crispim Mira.

Na mesma solenidade, marcada para às 19h30 no Auditório Carlos Jardim, da Fundação Cultural de Blumenau, assumirão suas funções como acadêmicos também: Alfredo Scottini, Djalma Patrício, Dorothy de Brito Steil, Paulo Roberto Bornhofen, Rodrigo Rogério Ramos e Suzana Sedrez.

Ainda haverá a posse dos seguintes membros correspondentes: Cláudio Salvador Lembo, Geraldo Alckmin, Heródoto Barbeiro, José Paulo de Andrade, Salomão Esper, José Nello Marques, Arnaldo Niskier e José Renato Nalini. O paulista Nelson Valente é o presidente da ALB.”

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O site da ALB, um tanto desatualizado (o último evento anunciado é a posse da nova diretoria, em outubro de 2007), não informa sobre a existência de uma cadeira que tenha como patrono Crispim Mira. Deve ter sido uma criação recente. E entre os “membros correspondentes”, além dos notórios Lembo e Alckmin, estão jornalistas paulistas, como Heródoto Barbero (CBN), José Paulo de Andrade e Joelmir Betting (Band).

sábado, 5 de abril de 2008

O DESLUMBRAMENTO

A gente sabe que aqueles que são verdadeiramente íntimos da modernidade e de tudo o que isso representa (como a tecnologia) não vivem falando nisso. No lado oposto, aqueles que vivem exibindo seu I-Phone, comentando em voz alta as últimas aquisições e viagens, a intimidade com figurões, a “familiaridade” com os temas da moda, passam um atestado de provincianismo. De deslumbramento com esse mundo novo (para eles).
Quando assisto o governo reverenciar, como grande solução tecnológica, a tal “reunião virtual”, ou a “videoconferência”, tenho esta impressão: eles estão deslumbrados.
No outro dia, foi uma reunião em Brasília, a que servidores catarinenses foram “convidados” a assistir nos monitores dos computadores. Agora o governador viaja para o Oeste, instala-se no município “mais distante do litoral”, para mais um “espetáculo de tecnologia”.
Dividem-se os membros do governo para o test-drive da parafernália, como se não estivessem juntos, na mesma cidade, no dia anterior (ou até algumas horas antes) e não fossem se reunir novamente em pessoa hoje ou amanhã. Isto, para mim, é a quintessência do deslumbramento com o brinquedo novo.
Se eu não fosse um cara sério, poderia supor que, já que LHS não consegue estar na TV pelo tempo que gostaria, então cria-se uma TV interna, para manter a imagem do governador diante de suas dezenas de secretários por longos períodos.
Não seria mais barato deixar então os tradicionais retratos do governador nas paredes dos gabinetes? Pelo menos não tinham som e não gastavam eletricidade nem banda de internet...
Mas, falando sério, espero que não tenha ninguém, nem nenhuma empresa “de tecnologia”, ganhando (muito) dinheiro com essas brincadeiras e caprichos. Aí seria mesmo o fim da picada.

RANZINZA, EU?

Ultimamente minha paciência tem acabado muito rapidamente. Algumas das minhas colunas, de fato, parecem amontoados de resmungos de uma velha fofoqueira. Preciso tomar cuidado para não me transformar permanentemente num observador amargurado.

Essa história de unir as SDRs em redes de videoconferência pela internet, por exemplo, não é coisa ruim em si. Uma estrutura descentralizada precisa de ferramentas desse tipo. O grande risco da descentralização é justamente que as partes percam a noção do todo e que as políticas determinadas pelo núcleo do governo demorem a chegar ou cheguem distorcidas às regionais.

Só que ferramentas modernas deveriam estar disponíveis para todas as necessidades de serviço, dos vários setores. Não para reuniões político-administrativas de utilidade duvidosa.

Então, ao mesmo tempo que considero ótimo que o governo finalmente tenha meios eficientes de comunicação, irrito-me com o uso que fazem deles. Irrita-me, na verdade, encontrar servidores públicos, em várias áreas, lutando com enormes dificuldades, sem que ninguém os ajude. Faltam desde coisas básicas (gasolina, por exemplo) até soluções modernas e eficientes.

Mas quando o governador quer falar com seus secretários, mobilizam-se todos os cérebros disponíveis, abrem-se as burras do tesouro e instala-se o que for preciso para que o espetáculo do deslumbramento ocorra sem falhas.

Acho que eu respeitaria muito mais o governante que buscasse os benefícios da tecnologia e da “modernidade” (em qualquer dos 300 significados que isso pode ter), para melhorar os serviços públicos e com isso a vida do contribuinte, sem se exibir, a todo momento, como o pai de todos, o fura-bolos e o mata-piolho salvador da pátria.

Alguém do governo poderá dizer, até com certa propriedade, que estou deixando de mencionar uma série de inovações que foram colocadas à disposição da máquina estatal, para tornar mais eficiente o serviço público. E que minha implicância é ranzinza, sim, porque todos os governantes fazem isso – e precisam fazer, para não serem engolidos pela contra-informação dos adversários políticos.

Talvez por causa da proximidade do final de semana, o velho ranzinza aqui sonha, cada vez mais, com o dia que verá, no poder, alguém que faça diferente. Que não aja tal e qual seus antecessores. Que fuja das práticas viciadas, viciosas e perigosas que sempre deturparam a vida política.

Apesar das decepções freqüentes, não perco essa esperança. E, pelo jeito, ela continuará comigo até o dia em que tiver que bater à porta do paraíso dos ranzinzas, onde – espero – o ranzinza-mor, aquele que expulsou os vendilhões do templo, me receberá com um sorriso cúmplice e um copo de cerveja celestialmente gelada.

NERVOS À FLOR DA PELE

Duas informações publicadas pelo colunista Cláudio Prisco Paraíso, no A Notícia (aquele jornal regional de Joinville, não tem?), somadas, dão uma idéia de como o clima de campanha está deixando a turma nervosa:

1. No jantar comemorativo ao aniversário de Campos Novos, o governador Luiz Henrique, irritado com os rumos de uma discussão sobre a defesa do governo que os deputados fazem na Assembléia, “deu um soco na mesa e saiu sem se despedir”.

2. Em Curitibanos, onde esteve para receber o título de cidadão honorário, LHS reuniu-se com a cúpula do PMDB local. A negativa dos peemedebistas em negociar com o prefeito (do DEM), irritou o governador: “Já que é assim, não contem com meu apoio”. E encerrou a reunião, que havia iniciado três minutos antes.

[Clique aqui para ler a coluna do Prisco]

SONTAG NA LONA

Vocês, que são sábios, certamente dirão que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Mas eu, que sou lento e mal humorado, acredito em bruxas: não deve ter sido por pouca coisa que o ex-candidato a governador Sontag fechou, em fevereiro, algumas das suas empresas. A EBV Empresa Brasileira de Vigilância e a EBV Limpeza, Conservação e Serviços Especiais, por coincidência, eram concorrentes das empresas dos irmãos Berger. E enquanto Darío se abraçava com LHS, Djalma tomava conta do ex-partido do Sontag (PSB).

Pra resumir a novela: a Justiça do Trabalho determinou que de 7 a 18 de abril o Sontag pague as verbas rescisórias dos seus ex-empregados. O Ministério Público do Trabalho teve que se meter, porque “em todo o Sul do País, as empresas EBV vinham, há mais de um ano, pagando com atraso não só os salários, como gratificações natalinas, vales e demais verbas e encargos”.

E não era pouca gente: em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, Sontag tinha cerca de quatro mil empregados. E pra completar a trama: o governo do estado, Celesc e Casan, entre outros, terão que ajudar a quitar as dívidas trabalhistas, com a grana que devem às empresas do Sontag. Não parece enredo de filme?

[Clique aqui para a informação do Ministério Público do Trabalho.]

[Clique aqui para ler o bilhete que o Sontag deixou na porta.]

sexta-feira, 4 de abril de 2008

LULA E SEUS CACAREJOS

Foto (Lula): Ricardo Stuckert/PRA foto acima, à esquerda, é a reprodução de uma página do jornal O Globo, onde a risada do Ministro do Trabalho diz tudo (acima da foto está a legenda: “rindo por último”). [Achei no blog da Cora].

O motivo da alegria? Ora, Lula vetou um artigo, na lei que dá um dia do salário de cada trabalhador para as centrais sindicais. Justamente aquele que colocava o uso da grana sob controle do Tribunal de Contas da União. Não é mesmo de ficar muito contente? Receber uma bolada de dinheiro público e, junto, a informação que não terá de prestar contas do que fizer com o dinheiro?

Lulistas e alguns petistas não se conformam com as críticas que se faz ao companheiro supremo. Afirmam sempre que é armação, que é golpe, que é invenção, que é exagero.

No caso do veto ao controle, ou seja, da liberação para gastar do jeito que quiser, onde estaria a invenção? A maledicência? O veto não ocorreu? Ou suprimir o controle do TCU não significa dar a sonhada liberdade para a banda podre do sindicalismo? E de onde Lula tirou a informação que aquele dinheiro não é público? Porque foi isso que ele disse, em público. Ou não foi bem isso que ele quis dizer?

Da mesma forma, quando se diz que Lula está em campanha permanente, usando qualquer palanque, a qualquer pretexto, para fazer discursos e manifestações políticas, a turma que não gosta de críticas fica azeda e se ouriça toda. Imaginem só se Alckmin tivesse ganho as eleições e resolvesse percorrer o Brasil, em ano eleitoral, discursando contra os adversários, ameaçando-os e distribuindo benefícios a estados e municípios?

O que estariam dizendo os lulistas e petistas, a esta altura? No mínimo, que a Lei estava sendo jogada na lata do lixo, que o presidente estava fazendo pouco da Justiça.

Mas o Lula pode. Decerto tem uma autorização especial que o torna imune às cobranças que ele mesmo e seus correligionários sempre fizeram a outros em situação semelhante.

CACAREJOS ELEITORAIS

Dois blogueiros levantaram, cada um por sua vez, duas questões relacionadas com campanha política que podem ser consideradas como duas faces de uma mesma moeda: o uso (devido ou indevido) dos meios de comunicação.

Num lado, o jornalista Alexandre Gonçalves (colunaextra.blogspot.com), comenta o inacreditável anacronismo do TSE, que veda o uso da internet pelos candidatos. Naturalmente, os doutos ministros não entendem patavina da forma como os jovens estão usando esses novos canais e sequer imaginam que ali poderia estar um canal importante até mesmo para mobilizar auxiliares na fiscalização dos abusos, além, é claro, de ampliar o interesse do jovem pelas eleições.

No outro, o ex-deputado Vieirão (vieirao.com.br), mostra um exemplo concreto de picaretagem. Um jornal de Florianópolis, distribuido gratuitamente em... filas (!) ostenta três vistosos anúncios do governo do estado. E, ora vejam só, é todo elogios para a administração do prefeito Darío que, como se sabe, é candidato à reeleição. As “reportagens” parecem ter sido escritas pelos próprios assessores do prefeito (e não foram?).

Parceria, saca? O governo LHS sustenta, com nosso dinheiro, o jornal que faz propaganda do seu aliado local.

CANTANDO DE GALO

O Colégio dos Presidentes dos TREs, que estava reunido em Natal, RN, decidiu enfiar o dedo numa ferida antiga: quer que o Congresso aprove uma lei que proiba candidaturas de políticos que respondam a processos criminais ou civis por improbidade administrativa.

Segundo comenta a Lúcia Hippolito, os TREs até têm tentado impugnar as candidaturas daqueles que não têm currículo, têm folha corrida. Mas eles, que justamente buscaram a candidatura pra se abrigar no tal foro privilegiado, recorrem ao TSE e conseguem a suspensão da impugnação. E como a condenação só chega depois de muito tempo, esgotados todos os recursos, normalmente chega tarde demais. E fica no ar um odor desagradável de impunidade.

Os TREs vão entregar hoje minutas do projeto ao Congresso e ao TSE, pra ver se conseguem brecar no nascedouro a trajetória dos espertalhões profissionais que acham que eleitor e otário são sinônimos.

O MÃO E O PAC

Procurem, na internet, a íntegra do pronunciamento do Senador Mão Santa (PMDB-PI) onde ele fala que, no PAC, estão “cacarejando antes mesmo de por o ovo”. Brilhante. A Senadora Ideli, é claro, odiou. E quer cassá-lo por isso.

Atualização da madrugada: o conselho acima foi pro pessoal do jornal. Aqui, não tem sentido mandar procurar. É melhor encontrar e dizer: clique aqui (via Coturno Noturno).

“REVITALIZAÇÃO DA HERCÍLIO LUZ”

A turma da prefeitura da capital gosta de brincar com a gente. Com a ponte Hercílio Luz quase caindo, em obras intermináveis, eles colocam, como chamada da página de notícias, o título acima. Quando se vai ler, descobre-se que os brincalhões estão falando da meia-sola que a Avenida Hercílio Luz está recebendo. E os sites de notícias que macaqueiam automaticamente tudo que a prefeitura manda, repetiram a chamada enganosa. E, vai ver, nem se deram conta, porque pra eles é tudo a mesma coisa.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

FALE AGORA OU...

Vocês, que gostam tanto de meter o pau (ôpa!) na bagunça urbana da capital e ficam ouriçados quando vêem as barbaridades que são cometidas com devida autorização da prefeitura, precisam prestar atenção na movimentação do IPUF na preparação do tal Plano Diretor Participativo.

É um roteiro complicado, que à primeira vista visa permitir uma maior participação popular, mas à segunda vista parece mesmo destinado a embaralhar a cabeça de quem pretende ir atrás.

Senão vejamos: o IPUF dividiu Florianópolis em 12 distritos (como o centro ainda foi subdividido em ilha e continente, entende-se que são 13, mas a prefeitura não quis dar esse gostinho ao PT). A comunidade de cada distrito foi chamada a discutir seus problemas locais.

Uma grande reunião municipal, dia 8 de maio, vai tentar costurar os 13 retalhos desta colcha. Espera-se uma grande participação popular nessa audiência, onde será apresentado o “macro-relatório”, que será a soma das partes.

O núcleo gestor (a palavrinha da moda) do Plano Diretor, que se reúne toda a semana e lidera o processo tem 39 membros: 13 representantes dos distritos, 10 representantes de uma coisa designada genericamente como “segmentos oficiais” (secretarias e empresas da prefeitura, procuradoria da República e Crea) e 16 “representantes da sociedade” (entidades associativas empresariais, comunitárias, sociais, etc, a tal “sociedade civil organizada”).

Bem a tempo de ainda ser usado na campanha municipal, o projeto do novo Plano Diretor será entregue à Câmara dos Vereadores no final do primeiro semestre.

Uma das principais críticas ao processo é o fato da população não discutir o todo, apenas a sua vizinhança. E todos sabemos que muitos dos grandes problemas da capital não são locais nem localizados.

Bom, mas é em ocasiões assim que uma comunidade consciente e preocupada com seu presente e com o futuro demonstra sua garra e seu valor. Não pode deixar correr solto, porque deve ter um monte de gente esperta querendo enfiar seus interesses no Plano Diretor. Legalizar as maracutaias, preparar terreno para outras. E se o cidadão estiver distraído, batem-lhe a carteira na boa. Na caradura.

Não é nem de duvidar que alguns ou vários dos notáveis que participa do “núcleo gestor” esteja ali apenas para pavimentar sua própria candidatura a algum cargo eletivo ou pelo menos a algum empreguinho municipal. Tudo é possível. Até mesmo que todos sejam honestos, dedicados e competentes.

Pelo menos pra poder denunciar depois que o que foi discutido e proposto não foi respeitado no texto final, é preciso participar. Os desonestos contam justamente com o fato dos contribuintes terem que trabalhar, atender suas famílias e não poderem ficar se dedicando a reuniões e discussões. E nem todo mundo consegue também entender os termos técnicos complicados.

Estamos naquela hora em que o padre diz: “quem tiver alguma coisa a dizer ou perguntar fale agora ou cale-se para sempre”. Pensa rápido e vai à luta. Ou te encosta na parede e espera.

E AGORA, SEU DARÍO?

Cidade sem lei, freguesia onde cada um faz o que bem entende, de vez em quando cria uns rolos como este: a Procuradoria da República em Santa Catarina quer construir sua sede num terreno da União, mas não pode, porque a prefeitura autorizou que se instalassem ali estacionamento de ônibus, um camelódromo e uma feira de hortifrutigrangeiros.

Comunicada em janeiro de 2006 dos planos da Procuradoria para o terreno (de 32 mil m2), a prefeitura fez o que normalmente tem feito em casos semelhantes: nada. E o tempo vai passando.

Sem ter sucesso nas negociações com a prefeitura, o Ministério Público Federal recorreu à Justiça Federal, para pedir que dê um calor no seu Darío pra ver se ele se mexe e desocupa a moita, digo, o terreno.

O juiz Hildo Peron, da 2ª Vara Federal da capital, negou ontem o pedido de liminar (desocupação imediata do imóvel), porque acha que se a pendenga se arrasta desde 2005, não teria sentido escorraçar a turma assim, de uma hora para outra. Mas mandou intimar a prefeitura, para que não conceda mais alvarás e autorizações na área e apresente uma série de documentos que irão embasar a decisão a ser tomada.

Parece até que estou ouvindo a trilha sonora de sempre: “o terreno não é teu, mas te instala aí de qualquer jeito, que depois é muito complicado te tirarem. E qualquer coisa ainda podes pedir uma boa indenização pra desocupar, né?”

DEM-O NA DEFESA

O líder do DEM-o (D25, para os íntimos), deputado Gelson Merísio, estreou ontem a nova postura da bancada na Assembléia: vão jogar avançados na defesa de LHS. Sobre aquela condenação em primeiro grau do governador, ele disse que “não é competência de um juiz de primeiro grau julgar ações de foro privilegiado” e que “ações referentes ao governador deverão ser julgadas pelo Tribunal de Justiça, acatando determinação do Superior Tribunal Federal (STF)”. Disse mais, o beque: “é uma injustiça com o LHS”. E deu uma informação curiosa: “processos contra ele (LHS) são impetrados toda semana”. Uau!

SAI DAÍ, ANDRINO!

A se confirmarem as informações que circularam ontem, o prefeito Darío está se aconselhando com três peemedebistas, para recompor seu gabinete, que será desfalcado com a saída daqueles que querem disputar a eleição: Galina (da SDR), deputada Ada de Luca e o vereador (ex?) João da Bega.

O deputado e ex-prefeito Edison Andrino, pra variar, não será ouvido. Aliás, a grande dúvida é quando o Andrino largará de mão essa gente que não tem feito outra coisa a não ser maltratá-lo. Leva cacetada de todo lado e quando parece que vai tomar uma atitude, fica onde sempre esteve. Tudo bem que não queira mais concorrer, mas deveria exigir um pouco mais de respeito. Né não?

GAYOSO DE VOLTA

Reviravolta na Secretaria da Comunicação. O jornalista José Augusto Gayoso retoma a direção de Imprensa, que tinha exercido até o final de 2006. Ilson Chaves volta para a SC Parcerias. Durante este ano e pouco, Gayoso assessorou a Secretaria da Fazenda.

O retorno não foi surpresa. Jornalista experiente, com vivência e amigos em grandes jornais, Gayoso fez muita falta ao governo. Embora seu jeitão de levar as críticas numa boa e conversar com freqüência com os jornalistas não fosse do agrado de certos setores do partido do governador, parece que descobriram que, ruim com ele, pior sem ele.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

DEPOIS DO ROLO COMPRESSOR...

PRIMEIRO DE ABRIL SEM MISTÉRIOS

Caso alguém ainda tenha dúvidas sobre qual das notas de ontem era uma pegadinha de primeiro de abril: era a do trenzinho.

Lamento decepcioná-los, mas a da condenação era verdadeira.

TÁ TUDO LIBERADO

O sujeito lá de Chapecó que desceu o cacete numa frentista, num posto de gasolina, tem mesmo muita sorte. Parece que, por lá, bater em mulher é permitido e estimulado. Claro, porque não tem outra explicativa pro gesto bárbaro resultar em, no máximo, uma “denúncia por lesões leves”.

E mais, é capaz da coisa virar e a moça, que levou socos e pontapés, ser condenada por ter xingado o imbecil. Foi isso que ele teve o desplante de sugerir, na audiência inicial: perguntou se ela não iria pagar uma indenização pra ele.

E, até onde se sabe, o caso ainda não despertou a indignação das pessoas de bem do estado. Vai ficar por isso mesmo, passando uma mensagem clara aos trogloditas descerebrados: bater em mulher é permitido. Depois, mesmo que a agressão tenha sido gravada em circuito de TV (sem som), basta dizer que ela, antes de apanhar, o ofendeu. Pronto. O promotor de Justiça ficará morto de pena, a comunidade dirá “ah, bom, assim, sim” e, com muito azar, se livrará pagando uma cesta básica. Se tanto.

DEPUTADO PRESO

Por falar nisso, a polícia prendeu ontem o deputado estadual que está sendo processado por sua ex-mulher por agressão (enquadrado na lei Maria da Penha).

Mas não precisam ficar preocupados: isto aconteceu em Alagoas.

DIÁRIA EXCESSIVA

Li no blog do Frederico Vasconcelos (Folha de S. Paulo) que o procurador da República Davy Lincoln Rocha, de Joinville, está propondo uma ação ação civil pública com pedido de liminar para que sejam reduzidas as diárias de viagem dos membros do Ministério Público da União, ou seja, dele e de seus colegas!

Ele acha que eles estão ganhando acima do necessário: cerca de R$ 700,00 por dia (para hospedagem e alimentação). Pede que seja fixada, provisoriamente, uma diária de R$ 183,00
Não é fantástico? Vocês já tinham visto coisa assim? Isto é que é cortar na própria carne.

(íntegra da nota aqui)

LHS E A PUBLICIDADE

Vocês são muito chatos. Vai ver que o LHS está apenas cumprindo ao pé da letra a quinta regra do bom administrador (no quadro abaixo). Ali fala em publicidade. Foi o que ele sempre fez. Tão reclamando de quê?

LEMBRETE CÍVICO

“Os princípios básicos da administração pública estão consubstanciados em seis regras de observância permanente e obrigatória para o bom administrador:
legalidade,
moralidade,
impessoalidade,
razoabilidade,
publicidade e
eficiência.”

Hely Lopes Meirelles, Direito Administrativo Brasileiro (24ª ed. 1999, pág. 81).

POR TODA SC

LHS reclamou, dia desses, que os jornais do litoral não noticiam as coisas lindas que o governo tem feito no interior. Pra não deixar o governador chateado apresso-me em trazer duas realizações de SDRs distantes.

Na de Quilombo, o secretário regional, em pessoa, entrega os kits escolares aluno por aluno. Pra ficar claro que aquilo é um presente do tio bonzinho.

Na de Dionísio, devidamente uniformizadas, elas ilustram aquela piada antiga: quantas atendentes são necessárias pra vacinar uma contribuinte/eleitora?

É isso aí, o governo mais perto de você. Ainda mais em ano de eleição.

RECURSO NO RECURSO

O amigo leitor e a distinta leitora devem ficar preocupados quando lêem notícias e comentários sobre ações judiciais e descobrem que elas freqüentemente podem “se arrastar como um moribundo” por décadas.

Parte dessa lentidão se deve ao fato de que é da natureza da Justiça, com o sagrado direito de defesa ampla, ser mesmo cuidadosa. Justiça apressada não é bom sinal.

Mas uma grande parte da responsabilidade pela demora está na capacidade criativa e na cara de pau de muitos advogados, que conseguem protelação em cima de protelação, com recursos infindáveis.

O site Consultor Jurídico publicou semana passada um texto de Maria Fernanda Erdelyi (íntegra aqui) que mostra o extremo a que isto chegou:
“Parecia mais uma piada do que um julgamento. Os ministros do Supremo Tribunal Federal se olharam perplexos nesta semana quando o ministro Gilmar Mendes chamou à pauta o processo: embargos de declaração proposto contra acórdão da Corte que rejeitou os embargos de declaração, em embargos de declaração, em agravo regimental, em agravo regimental, em embargos de divergência, em recurso extraordinário”.

“Parece, mas não é brincadeira”.
Traduzindo para o português usual: alguém entrou com um recurso (um embargo) contra a decisão do STF que proibia recursos em recursos.

Os ministros estão preocupados com o excesso de recursos que astravancam os processos.
No habeas corpus 83.115, que tem como relator o ministro Gilmar Mendes, há uma espécie de corrente de recursos: “embargos de declaração nos embargos de declaração nos embargos de declaração”. Resultado: o troço rasteja, feito moribundo, desde 2003.

terça-feira, 1 de abril de 2008

PRIMEIRO DE ABRIL!

Hoje é o dia dos tolos, em muitos países. Jornais, emissoras de tv e grandes empresas fazem brincadeiras.

Não sei por que aqui no Brasil o primeiro de abril, ano a ano, vem perdendo a graça. Talvez porque nos façam de tolos a qualquer dia e qualquer hora.

Só para manter a tradição, uma das notas desta coluna é completamente falsa. As outras referem-se a fatos reais. Use seu senso crítico para descobrir. Bom divertimento.

Atualização da madrugada: só pra ver como o pessoal do outro lado do atlântico leva a sério, trago os anúncios que a BMW publicou dia 1º de abril de 2006 e de 2007. Quando descobrir o de 2008, também trago pra cá.

Ah, e o endereço onde estão os anúncios de outros anos é este aqui.

AGORA VAI!

Com banda de música e foguetes, o governador LHS, o prefeito/candidato Darío e todos os candidatos a vereador da coligação municipal farão a festa hoje, na Lagoa da Conceição, para inaugurar a primeira etapa do metrô de superfície (O projeto todo terá 200 etapas). A linha entre o centrinho da Lagoa e a Barra terá passagem a preço promocional (só R$ 5,50). Na etapa 153, prevista para as vésperas da eleição de 2010, o florianopolitano poderá atravessar a ponte Hercílio Luz de trem.

Clique na foto para vê-la ampliada.

PUBLICIDADE IRREGULAR

Março não terminou muito bem para o governador LHS. Ontem ele foi condenado pelo juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública de Joinville, Carlos Adilson Silva, em ação do Ministério Público de Santa Catarina, por publicidade irregular. O processo é de 2001, quando LHS era prefeito de Joinville.

Na época, pagou R$ 37,2 mil à revista Veja pela publicação de um informe publicitário intitulado “Joinville 150 anos. Onde a vida é mais feliz”. O MP-SC entendeu que se tratava de “auto-promoção política”, porque vinculava o relato sobre obras e serviços da prefeitura à imagem do prefeito e propôs a ação. O Juiz concordou com a denúncia e condenou LHS a “ressarcir o valor gasto com a reportagem mais juros e correção monetária no período” e ainda aplicou-lhe uma “multa civil de três vezes o salário de prefeito à época dos fatos”.

Claro que, como foi uma condenação em primeira instância, ainda há um looongo caminho a ser percorrido pelos advogados antes que LHS possa ser considerado definitivamente culpado. A lista de recursos é extensa.

Mas, em todo caso, não deixa de ser embaraçoso levar uma sentença dessas justamente quando o TSE se prepara para retomar o julgamento de outra acusação, que também envolve propaganda irregular.

PLÁGIO PRESIDENCIAL

Uma das pragas da jovem democracia brasileira é o uso indiscriminado e abusivo de medidas provisórias pelo presidente da República. Temos um legislativo que não legisla e vive a reboque do executivo legislante. O fato é incômodo por si só, mas agora adicionaram um elemento novo.

Lula enviou para o Congresso uma medida provisória que é cópia literal de um projeto de lei de um deputado da base governista. A MP trata da regularização de terras na Amazônia e foi publicada no Diário Oficial do dia 26 de março. Como foi constatado e denunciado da tribuna, é plágio de um projeto de lei do deputado governista Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) que já tramita na Câmara.

ROTEIRO MANJADO

A Lúcia Hippolito matou a charada. Desde 2004 o governo Lula segue, a cada novo escândalo, o mesmo roteiro. Olha só:

“Um escândalo de grandes proporções envolve altíssimos escalões do governo. A imprensa publica, o envolvido nega, a oposição esbraveja, o presidente declara que não sabia de nada, protege o envolvido, até que a permanência da pessoa do governo fica impossível.
Aí o presidente Lula se livra do auxiliar incômodo.
E segue o baile...”

FINALMENTE!

A obra mais famosa do pintor catarinense Victor Meirelles será trazida a Florianópolis para uma exposição. A “Primeira Missa no Brasil” estará no CIC de 3 de abril a 11 de maio. É uma grande obra, em todos os sentidos: mede 2,68 m x 3,56 m e pesa mais de 300 quilos. As escolas podem agendar visitas pelo telefone (48) 3953-2324 ou pelo email naemasc@fcc.sc.gov.br.

sábado, 29 de março de 2008

OS VELHOS JORNALISTAS SE DIVERTEM

O lançamento do livro (de memórias?) “Da Olivetti à Internet”, na quinta à noite na livraria Saraiva do Shopping Iguatemi, reuniu um grupo grande de jornalistas da, como direi, “velha guarda”. A maioria trabalhou no jornal O Estado, em diferentes períodos e muitos foram companheiros de redação.

E o clima estava tão bom, que se alguém tivesse convidado todos para sair dali direto para uma redação de jornal, topariam na hora. Aposto que fariam a gurizada comer poeira. Como nos velhos tempos.

Elaine Borges, repórter e fotógrafa, no momento em que me fotografava fotografando. Metalinguagem, saca?

Raul Caldas Fº, cronista, Laudelino Sardá, repórter, editor e Jair Hamms, estavam matando a saudade (foto mais acima), quando o chato do fotógrafo chegou e desmanchou o abraço, pra fazer a foto posada.

Saulo Silva, publicitário, mostra o dedo para o cronista/publicitário Jair Hamms. Diomário Queiroz só observa.

Ademir Arnon, da ACI, Sérgio Lopes, repórter de política, Raul Caldas e o insuperável Orestes Araújo, fotógrafo.

Os Sérgios (Sérgio Lopes e Sérgio da Costa Ramos, com a esposa) riam, contando boas histórias. Aí eu cheguei e eles se aprumaram pra foto.

Depois do “evento” social na livraria, os grupos foram tratar da vida. Acima, Flávio Sturdze, repórter, editor, Mário Medaglia, repórter, editor (hoje é comentarista de esportes do DIARINHO) e Saint-Clair Monteiro, repórter e editor, foram rememorar a consagrada prática de conversa de botequim. Um clássico das antigas redações, onde as experiências eram compartilhadas e os conhecimentos acumulados, à medida em que as garrafas iam esvaziando. Saint-Clair, no momento da foto, estava pensativo, tentando decidir se atacava o pastel ou a tábua de frios.