terça-feira, 7 de outubro de 2008

CENSURA NA CÂMARA

Em vários órgãos do governo estadual o Ciasc implantou, há tempos, um controle de acesso à internet. Como os gênios da informática do e-gov do LHS acham que os blogs são brincadeiras de criança, bloqueiam automaticamente todos os endereços que tenham “blog”. Como o De Olho tem, no endereço “deolhonacapital.blogspot.com”, acaba ficando inacessível para muita gente do governo.

Pois agora a censura foi estendida também ao legislativo de Florianópolis. Quem tenta acessar o blog na Câmara de Vereadores recebe uma mensagem agressiva e ameaçadora, como se fosse crime informar-se.


E isto é inédito, porque o legislativo deveria ser uma Casa plural, onde convivem vários partidos e onde a informação é fundamental. Bloquear o acesso dos vereadores e de seus assessores aos blogues é estabelecer uma censura, acima de tudo, burra.

O número de pessoas que se informa pela internet e acompanha opiniões e informações em blogues é crescente. E existem formas de burlar essa censura idiota de algum tecnocrata de mente estreita, o que acaba fazendo com que a tentativa de controle resulte inócua na prática. Mas com grande estrago político.

GRANDO SE APRESENTA

Na tribuna da Assembléia, o deputado Sérgio Grando (PPS) disse, claramente, que o partido (que elegeu um vereador) tem 18 mil votos em Florianópolis, “que podem fazer a diferença”. Aparentemente ainda não tinha sido “convocado” para a temporada de “conversas” e por isso resolveu mostrar as armas e apresentar-se para o combate.

Grando, ex-prefeito e ex-presidente da Fatma, é um fiel aliado de LHS. Não há muitas dúvidas sobre o rumo que o PPS da capital tomará. Mas não custa aguardar para ver se ocorre alguma surpresa.

A ESTADUALIZAÇÃO DA CAMPANHA


O deputado sargento Soares discursava há pouco, na Assembléia Legislativa, com um cartaz nas mãos (foto acima), onde estava escrito “Faz três anos que o governo Luiz Henrique não negocia salário com os servidores da segurança pública”.

O PDT, partido ao qual o deputado pertence, está entre aqueles que estão sendo “convidados” a apoiar Dário Berger, em nome da coesão da base de apoio do governo estadual.

Esta é mais uma situação curiosa, boa para se acompanhar nos próximos dias: com essa entrada espetacular do governador LHS no segundo turno da campanha municipal em Florianópolis, embretando os partidos, enquadrando as lideranças e assumindo um papel que, a rigor, poderia ser exercido pelo presidente do PMDB, como farão para impedir que os problemas estaduais contaminem a campanha local?

Esse caso dos salários de servidores públicos estaduais, por exemplo: será que o praça florianopolitano que está indignado com o LHS vai relacionar o Dário ao LHS? Ou na cabeça do eleitor essa imbricação de conveniências e esse cipoal de apoios não produz o efeito que a gente imagina?

(Foto: Carlos Kilian/Alesc)

LHS CHAMA O PSDB NAS PUAS

O título gauchesco desta nota significa exatamente o que parece: o governador enfiou as esporas no PSDB (e nos demais partidos da multi-aliança que alguns achavam que estava esfacelada irremediavelmente) para que apóie a candidatura Dário Berger na capital, ou desembarque do governo.

Fiquei em dúvida entre usar essa expressão aí, ou o “chamar na chincha”. Mas acho que, por enquanto, foi só uma chamada nas puas. Depois, se houver alguma rebeldia, haverá a chamada na chincha. A diferença é sutil, mas não há a menor dúvida sobre quem está a cavaleiro e quem são as montarias.

EM TEMPO

Os diretórios estaduais do DEM e do PMDB acertaram um pacotinho básico de trocas de apoios. O DEM engole o Dário aqui e o PMDB engole o Darci de Matos em Joinville. Resta saber se a militância vai entender a lógica (!?) desses acertos de cúpula e defender, a partir de agora, aqueles que combatia até domingo.

PRAGMATISMO POLÍTICO

Daqui a pouco, às 15 horas, no diretório estadual do Democratas, reunem-se o prefeito e candidato Dário Berger com a executiva estadual do partido e a bancada de deputados estaduais.

Diz o comunicado oficial da reunião: “Na ocasião será formalizado apoio do partido ao candidato no segundo turno das eleições municipais de Florianópolis”.

Portanto, O partido do Dr. Jorge, do Cesar Jr., do Raimundo Colombo, do JPK e de tantos outros vai engolir o Dário, com casca e tudo. Ou será o contrário?

Lembrem-se que o Dário nasceu no PFL, sob as asas do Dr. Jorge e depois deu as costas aos criadores. Durante algum tempo os Bornhausen pareciam sinceramente amuados com a ingratidão. Mas, vê-se agora, em nome da costura para 2010 e do doce convívio com o Poder, tudo é passado. São amigos de infância e certamente trocarão juras de amor eterno.

EM TEMPO

Só para ilustrar trago para cá o comentário que um leitor (ou leitora) deixou há pouco, na nota abaixo:
“Votei no César Souza Jr por ele representar uma força nova na cidade, por sua atuação parlamentar, por ter lutado pelo Jardim Botânico da cidade. Não acredito que ele e seu partido apoiarão Dário Berger neste segundo turno. Seria uma incoerência indesculpável, até porque César Jr atacou duramente o sr Dário na campanha e foi vítima de ataques também duríssimos do atual prefeito. Além de que, seria uma falta de inteligência e ausência de estratégia política entregar duas cidades tão importantes nas mãos de uma mesma família. Portanto, não acredito nem que o César Jr nem a liderança dos Democratas apoiarão Dário Berger no segundo turno.

Caso isso aconteça, acredito que os eleitores do jovem político não o acompanharão e mesmo ficarão revoltados com esse gesto. Quero crer que o bom senso e a boa memória não sejam defenestrados na hora dessa decisão. Por favor, líderes do DEM e César Jr, pensem bem antes de tomar uma decisão. A cidade espera uma atitude coerente e digna de vocês.”

A GRANDE QUESTÃO

Lembram-se quando o Dr. Jorge ainda era senador e resolveram colocar o Paulinho Bornhausen para concorrer ao Senado? No eleitorado começou a correr um sentimento de “péra aí, assim é um pouco demais!” e para evitar de colocar pai e filho no senado, votos que até poderiam ser do PFL migraram maciçamente para outros candidatos. A Ideli foi beneficiada com esse movimento.

Pois agora a grande questão é se a situação da região metropolitana de Florianópolis influirá ou não na decisão do eleitor da capital. Como vocês sabem, São José é uma cidadela Berger. Os eleitores de lá, certamente satisfeitos com o governo de Dário Berger, agora elegeram o irmão, Djalma. Se os florianopolitanos elegerem Dário, a família estará assentada em dois dos principais municípios do estado. E com áreas contíguas. O que transformará Florianópolis e São José num único e grande município, porque é muito provável que os projetos administrativos de Djalma e Dário sejam semelhantes. Afinal, Djalma foi secretário do irmão em mais de uma oportunidade.

O eleitor de Florianópolis vai dar bola pra isso? Terá algum peso na decisão o fato de formarem uma dobradinha familiar? Isso ajuda ou atrapalha? Taí um bom assunto para animar as rodinhas de conversa nesta terça-feira ensolarada.

DIARINHO TEM PODER?

Alguns leitores me escreveram perguntando minha opinião sobre o estrago que as reportagens do DIARINHO talvez tenham causado nas campanhas do Décio Lima e do Volnei Morastoni.

Ontem ouvi o colega Moacir Pereira comentar a eleição em Blumenau e ele destacava vários fatores que foram importantes para produzir aquele resultado. A boa administração do JPK, o arco de alianças, o apoio entusiasmado de vários líderes de peso, por exemplo.

É muito provável que o resultado da eleição fosse exatamente o mesmo, se o DIARINHO não tivesse publicado a parte do inquérito que citava o nome do candidato. Bom, talvez não exatamente o mesmo, mas muito próximo. Essas histórias criam uma marola no dia, mas em geral não causam danos permanentes.

Vai muito da forma como o candidato lida com elas. O João Rodrigues, em Chapecó, recebeu uma traulitada de peso, com a divulgação daqueles vídeos onde ele aparece fazendo imbecilidades. Mas se abraçou com seus eleitores, tentando explicar o que dava pra explicar, colocando-se como vítima. E, se dano houve, não atrapalhou o resultado.

A diferença de votos que JPK teve sobre Décio não é fruto de eventos isolados, de alcance duvidoso. Aparentemente, não foi só JPK que fez uma boa campanha. Décio, por seu lado, não fez uma boa campanha. E pode ter reagido mal às denúncias, complicando-se além do necessário.

Já em Itajaí estou com a Samara, diretora deste jornal, na avaliação que fez no editorial da edição de ontem: Volnei perdeu o foco. Dirigiu tempo e esforço para outros alvos que não o seu adversário e a sua campanha.

O que o jornal divulgou a respeito do prefeito, em si, acredito que tenha mexido pouco com a campanha. Mesmo porque dificilmente um jornal muda voto com fatos negativos sobre o candidato (falar bem e elogiar, em todo caso, podem ajudar a criar uma imagem positiva que influi na eleição).

Se alguma coisa aconteceu, foi a partir da publicação, na internet, via YouTube, do áudio das fitas gravadas pela PF. É muito diferente ler que fulano disse alguma coisa e ouvir o som da voz da pessoa, falando aquilo tudo. O que foi dito até pode nem ser muito importante, mas o tom da voz é marcante. Essas fitas podem ter causado algum estrago.

Mas, novamente, a forma como o candidato reagiu diante desses contratempos não ajudou. Ao contrário.

VIVA A FICHA SUJA!
Todos (ou quase todos) os candidatos que respondem a processos ou que já foram condenados (embora estejam recorrendo), tiveram boas votações. O eleitor não está nem aí para a folha corrida dos políticos. Parece mesmo que tem uma certa atração por malfeitores. Lamentavelmente, todas as campanhas feitas pelas mais diversas entidades, pela moralização das escolhas, alertando para o fato de alguns candidatos terem a ficha suja, revelaram-se um retumbante fracasso. Até aquelas imagens do irresponsável João Rodrigues brincando com a morte dos mendigos e outras sem-gracices, passaram em branco. Não é exatamente uma surpresa, mas é, sem dúvida, uma triste confirmação dos nossos piores pesadelos: o eleitor não leva em conta essas “miudezas” éticas. Pode roubar o quanto quiser, desde que faça alguma coisa. Ademar de Barros ficou famoso pelo slogan “rouba mas faz”. Parece que, mesmo passadas tantas décadas, o eleitor ainda continua achando que é isso que vale.

E este é o fato que torna ainda mais curiosas as derrotas de Volnei e Décio: por que o eleitor, que não ligou para acusações relacionadas a outros candidatos, deixou-os na mão? Ora, porque os problemas não foram só as denúncias. O peso delas sozinhas não seria suficiente para virar uma eleição. Não no atual estado de torpor ético da maioria dos eleitores.

PAVAN DEU UM PAU NO LHS

O vice-governador Leonel Pavan (presidente do PSDB), deu uma entrevista no rádio, ontem, dizendo que tinham derrotado LHS. Até o entrevistador se assustou. Claro, Pavan é vice justamente do LHS. E seu partido compõe a base do governo LHS. Como assim? Então brigaram?

Que nada. Trata-se apenas de 2010. Pavan estava só marcando seu território, para mostrar aos peemedebistas (LHS incluído), que está no páreo e que não se iludam com a vitória do Piriquito. Deu um cascudo preventivo, pra deixar os aliados mais alertas. Sim, sim, aliados. Não se enganem quanto a isso.

PMDB CANTA VITÓRIA

Em movimento semelhante ao do PSDB, mas em sentido contrário, o PMDB publicou ontem, no blog de campanha do presidente Eduardo Moreira, uma estatística mostrando que “um em cada três prefeitos de SC é do PMDB”.

E, naturalmente, afirma que “o PMDB foi o partido que mais cresceu em Santa Catarina na soma total de votos”. Pelas contas deles, os candidatos peemedebistas tiveram cerca de 40% do total de votos válidos.

De olho em 2010, o Dr. Moreira contabiliza “mais de 180 mil novos eleitores, em relação à disputa de 2004”. Lamentavelmente, são 111 os prefeitos eleitos do PMDB: seria muito melhor para o marketing se fossem 115. Em todo caso, ainda há os vice-prefeitos. Mesmo assim a numerologia não lhes foi simpática: levando em conta os vice-prefeitos, o PMDB estará no executivo municipal de... 145 cidades.

A esperança do PMDB é que o Dário vença o segundo turno, pra ficarem 112 ou 146 prefeituras. Não é grande coisa, mas é melhor que carregar o 11 e o 45 nas suas estatísticas.

Ah, segundo o Dr. Moreira, o PMDB tem 2,8 vereadores por município (843 no total). Resta saber como é que é um vereador 0,8. Será que é um sujeito meio dividido, tipo assim, 80% PMDB e 20% DEM?

E AGORA, DR. JORGE?

Sinuca de bico para o Dr. Jorge Bornhausen e seu partido. Se apoiar Amin, contra Dário, comprará uma briga com LHS que provavelmente afastará o DEM do Poder. Se escolher continuar nos braços do LHS, terá que engolir o escorpião galego que, embora criado por eles, gostariam muito de esmagar bem esmagadinho.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

CADERNO 2

Futebol, família e religião nas telas

Linha de passe é uma expressão que define uma jogada do futebol, quando a bola passa de pé em pé entre jogadores do mesmo time, sem que um adversário consiga interromper a seqüência. E com esse título está nas telas de Florianópolis o último filme de Walter Salles e Daniela Thomas (Central do Brasil, Abril Despedaçado, Diários de Motocicleta,Terra Estrangeira). Em 108 minutos o roteiro traça o retrato de uma família humilde e sua luta pela sobrevivência em São Paulo. Cleuza, intepretada por Sandra Corveloni (prêmio de melhor atriz no festival de Cannes), cria sozinha quatro filhos de pais desconhecidos. Reginaldo, o mais novo e único negro, procura seu pai obsessivamente, Dinho se refugia na religião e o mais velho, Denis, tem dificuldade para se manter como pai involuntário de um menino. Dario já com 18 anos, sonha com a carreira de jogador de futebol, cada vez mais distante dele. O futebol e as transformações religiosas pelas quais passa o país, o exército de trabalhadores que alimenta São Paulo, a questão da identidade e da ausência do pai estão no coração do enredo de Linha de passe.

Em tempo – em dois momentos o filme tem diálogos entre torcedores do Corinthians que envolvem o Avaí, numa brincadeirinha que a torcida vai detestar. A torcida do Figueirense, em todo caso, vai adorar.

Abaixo, o trailer oficial

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ONDE?

Iguatemy Cinesystem
Segunda, terça, quarta e quinta-feira (6, 7, 8 e 9) às 14h40 - 17h05 - 19h25 - 21h50.
Shopping Iguatemi, Av. Madre Benvenuta, 687 - Trindade – 3201-1595 ou 3239-8700

Cine Itaguaçu – Rede Arco Iris
Segunda, terça, quarta e quinta-feira (6, 7, 8 e 9) às 17h10 - 19h20.
Shopping Itaguaçu - Rua Gerôncio Thives, 1079 - São José – 3246-0744

SLOGAN AMBÍGUO

Os marketeiros do Dário Berger terão que repensar o slogan que o prefeito tem usado à exaustão nos últimos dias: “não troque o certo pelo duvidoso”.

Como Esperidião já foi prefeito da capital e governador (o que não deixa, em certa medida de ser também uma espécie de co-prefeito) e sua mulher também foi prefeita em dois mandatos, a cidade conhece bem o jeitão Amin de ser.

Conhece menos o jeitão Berger (que, por enquanto, tem mais tempo como prefeito de São José do que como prefeito de Florianópolis).

Portanto, a rigor, o tal “certo” seria Amin. E o “duvidoso” seria Berger. Eu, se fosse consultado, recomendaria aposentar o slogan rapidinho. Antes que algum engraçadinho, em algum blog, invente de levantar esse assunto.

OS “DERROTADOS” E OS “MORTOS”

Se tem uma coisa que o tempo ensina a gente a evitar é a proclamação, logo depois do resultado das urnas, das listinhas de “grandes derrotados” ou daqueles que, agora, estão “mortos” politicamente.

Aparentemente, o governador LHS e o PT, em Santa Catarina, ficaram mal na foto. Pelo menos nas principais cidades são candidatos a “grandes derrotados”. Mesmo assim, o PT está na disputa em Joinville e LHS em Florianópolis. E o ex-governador Esperidião Amin era dado esta semana, em alguns círculos, como morto e enterrado, pelos votos que seriam dados à jovem promessa do DEM. Não chegaria ao segundo turno: “deu pra ele, fechou o ciclo”. Mas ainda não foi desta vez. Está vivo, na disputa.

Vários comentaristas estão admirados com o fato de Eduardo Moreira (presidente do PMDB), Leonel Pavan (presidente do PSDB), Raimundo Colombo (presidente do DEM), Ideli Salvatti (senadora do PT,  líder do governo Lula) e LHS (ícone do PMDB joinvillense) terem perdido em suas cidades, ou em seus “redutos eleitorais”. É mesmo um fato interessante, que mostra como as eleições municipais regem-se por regras próprias, que não levam muito em conta os fenômenos estaduais ou federais. Mas é cedo para avaliar se essas derrotas vão abalar ou afetar a trajetória de cada um deles e de seus partidos e em que nível isso se dará.

A composição da lista dos “derrotados” ainda vai depender do que ocorrerá nas próximas semanas. Os políticos adoram aquele velho ditado que fala em usar os limões que foram jogados sobre suas cabeças, para fazer uma limonada.

Ah, enquanto a gente pensa que eles vão se preparar para o segundo turno (aqui e em Joinville), na verdade todos eles vão levantar, sacudir a poeira e tratar de começar a trabalhar por 2010. As conversas para o segundo turno vão ser como as preliminares para o grande jogo. Um breve aquecimento. Talvez com uma ou outra experiência, mas sempre de olho no futuro.

A campanha para governador, senador e deputados, a meu ver, começa hoje.

domingo, 5 de outubro de 2008

ESSAS PESQUISAS...

Só pra contribuir com as discussões da noite coloco aqui, lado a lado, o resultado da última pesquisa Ibope, publicada no DC de domingo (que começou a circular no sábado) e o resultado divulgado pelo TRE-SC. Percentuais referentes aos votos válidos:

Candidato --> Ibope --> Votos
Dário        --> 45%   --> 39,8%
Amin         --> 21%   --> 25,3%
Cesar Jr    --> 14%   --> 13,05%
Ângela      --> 12%   --> 12,5%
Nildão      --> 6%     --> 6,84%
Afrânio     --> 1%     --> 2,02%
Joaninha   --> 1        --> 0,47%

E trago pra cá o comentário do Les Paul: “O Ibope engolfou 30 mil votos do Amim de ontem pra hoje. Foram 9% de diferença: 5% a mais pro Dário e 4% a menos pro Amim. É um erro 'estatístico' muito grande, vc não acha? O cenário não é dos mais confortáveis pro prefeito.”

“DONOS” DA CIDADE

A gente conhece melhor o que pensa da vida um candidato que ganhou a eleição, quando vê o tipo de comemoração que ele permite que seus puxa-sacos façam.

Alguns vereadores têm absoluta certeza que mandam na cidade. Quando são reeleitos, então, imaginam que ganharam salvo-conduto para o paraíso da impunidade.

O Jaime Tonello (DEM), por exemplo, dono da farmácia do Saco dos Limões, vereador que se reelegeu hoje, trancou a rua onde mora (e onde vivem centenas de pessoas que não têm nada com isso) e está submetendo seus vizinhos a uma tortura de foguetório e buzinaço. O que leva uma criatura a punir dessa forma aqueles que, vai ver, até votaram nele? Ou será que ele acha que ninguém da rua dele votou nele e por isso é preciso fechar a rua e cometer essa violência?

O pior é que isso deve estar acontecendo em várias ruas de muitas cidades. Cada vez mais os candidatos estão se convencendo que podem fazer o que bem quiserem, porque conseguirão se eleger desde que tenham recursos suficientes e apoio dos caciques políticos. O eleitor não apita nada e cada vez menos.

E por falar nisso, os donos de farmácia, pelo jeito, farão uma bancada na câmara de vereadores da capital. Que eu saiba já tem dois eleitos, o Tonello e o Renato.

ATUALIZAÇÃO DA NOITE DE SEGUNDA

Os amigos do vereador citado acima apareceram nos comentários para solidarizarem-se com ele, dizer que a festa foi bonita, que não causou muito transtorno e alguns aproveitaram a viagem pra tentar atingir minha canela. Como não moro na rua do vereador, naturalmente fiz o comentário louvando-me em informações de gente que mora lá e que tem minha total e irrestrita confiança. Mesmo porque hoje em dia, com a popularização das câmeras digitais, a coisa mais fácil que tem é obter um registro em vídeo e áudio do que está acontecendo.

As comemorações são naturais, saudáveis e, quando razoáveis não se deve reprimir. Mas os abusos precisam ser evitados, até para mostrar a boa educação dos participantes. Outro caso, parecido, mas aparentemente mais grave ocorreu no norte da ilha, né João da Bega?, onde também fecharam ruas e mudaram o trajeto, atrapalhando a vida de quem não estava participando. Talvez parte da indignação dos amigos do vereador seja porque não enumerei aqui todos os abusos. Isso mostraria que eles apenas fizeram o que todo mundo faz, do jeito que todos fazem. Não foram os únicos, não serão os últimos. E os incomodados que quiserem se mudar vão se dar mal, porque no outro bairro terá coisa parecida. Os donos da cidade são, efetivamente, donos da cidade.

E quanto às caneladas, estou acostumado, porque em geral quem tem funções públicas ou gravita em torno de autoridades responde muito mal às críticas e reage com irritação à fiscalização da sociedade. Quem não concorda com tudo o que fazem e dizem e não os bajula, passa a ser um “inimigo de todos”, um ser abjeto que é preciso combater. Quando, se olhassem com serenidade, veriam que a crítica mais ajuda do que atrapalha. A visão contraditória, para as pessoas bem intencionadas, funciona como um parâmetro importante de avaliação de suas condutas. Ou de como as condutas estão sendo percebidas fora do círculo mais próximo. Só isso.

A VOZ DAS URNAS

Ontem fiz um pequeno exercício de futurologia, numa nota em que informava o que eu consideraria resultados surpreendentes da apuração.

Disse lá que consideraria surpresa, em Florianópolis:

1. O candidato Dário Berger ter mais de 35% dos votos: teve 39,8%.

2. O candidato Esperidião Amin ter mais de 25% dos votos: teve 25,33%

Portanto, surpresa pouca. Deu, no geral, o que as pesquisas estavam prevendo.

Mas houve, no estado, alguns resultados surpreendentes (pelo menos para mim).

– A vitória do petista Paulo Eccel em Brusque, contra a máquina do prefeito Ciro Roza, que estava apostando no candidato Dagomar Carneiro (PDT). O próprio LHS tinha fundadas esperanças de eleger Dagomar.

– A vitória do Jandir Bellini, em Itajaí. Normalmente, quando um candidato, ao longo da campanha, tem uma curva descendente, segundo as pesquisas, acaba se dando mal na eleição. E quando tem uma curva ascendente, pode sair vitorioso. Morastoni tinha essa curva positiva e Bellini estava em queda. Um leitor comentou, aqui, que o prefeito barbudinho perdeu o foco da disputa. Em vez de disputar com Bellini, a partir de um determinado momento passou a disputar com o DIARINHO. E concentrou muito esforço nessa disputa. No final de semana, por exemplo, Morastoni fez circular em Itajaí mais de 40 mil exemplares de um jornal (ironicamente chamado “A Verdade”), com o tal “direito de resposta” que o TRT cassou. As últimas horas de campanha, portanto, foram direcionadas para derrotar o DIARINHO. Que, como todos sabem, não concorria a nada. O resultado dessa estratégia apareceu nas urnas.

– O senador Raimundo Colombo e o deputado federal Coruja, um dos parlamentares com melhor conceito entre os jornalistas de Brasília, uniram-se, em Lages, para retomar a prefeitura. Olhando aqui de longe, parecia uma dupla imbatível. Mas não deu. O Renatinho (PP) levou. Sem surpresas, a pífia votação do noveau-pestiste Godinho confirmou aquilo que se imaginava: essa mistura estranha não podia dar certo mesmo.

– Todos (ou quase todos) os candidatos que respondem a processos ou que já foram condenados (embora estejam recorrendo), tiveram boas votações. O eleitor não está nem aí para a folha corrida dos políticos. Parece mesmo que tem uma certa atração por malfeitores. Lamentavelmente, todas as campanhas feitas pelas mais diversas entidades, pela moralização das escolhas, alertando para o fato de alguns candidatos terem a ficha suja, revelaram-se um retumbante fracasso. Até aquelas imagens do irresponsável João Rodrigues brincando com a morte dos mendigos e outras sem-gracices, passaram em branco. Não é exatamente uma surpresa, mas é, sem dúvida, uma triste confirmação dos nossos piores pesadelos: o eleitor não leva em conta essas “miudezas” éticas. Pode roubar o quanto quiser, desde que faça alguma coisa. Ademar de Barros ficou famoso pelo slogan “rouba mas faz”. Parece que, mesmo passadas tantas décadas, o eleitor ainda continua achando que é isso que vale.

– Pelo menos dois dos principais “infiéis do Dário”, vereadores que se bandearam do PSDB para o PMDB para acompanhar o prefeito (um deles cassado por infidelidade, outro na fila para a cassação), tiveram expressivas votações. O Gean Loureiro e o Deglaber Goulart estão entre os quatro mais votados, num grupo onde figuram o filho do Esperidião Amin e o Renato da Farmácia (da Lagoa, um dos fenômenos desta eleição). Comprova aquela história: o eleitor não está nem aí pra essas questões morais e éticas, mesmo (ou principalmente) quando levantadas pelos tribunais superiores, como condutas reprováveis.

APOSTAS ENCERRADAS!

Começou a apuração. Segundo a pesquisa boca-de-urna, em Florianópolis o segundo turno será entre Dário e Esperidião Amin. Mas daqui a pouco (o TRE calcula que até 21h) saberemos como ficou a coisa.

APERTO
Em Itajaí, com 75% dos votos apurados, Jandir Bellini (PP), vai vencendo do Volnei Morastoni (PT) por uma estreita margem de 10%.

EXTRA-OFICIAL
A rádio Clube Bandeirantes, de Itajaí, já anunciou que “Jandir Bellini é o novo prefeito de Itajaí”.

20 ANOS. E DAÍ?


Há 20 anos, nesta data, o Brasil ganhava uma nova Constituição. Imperfeita, com falhas (como a necessidade de regulamentação posterior, que nunca foi feita, para alguns de seus instrumentos), mas construída num momento importante da história e com uma expressiva participação da sociedade organizada.

Em todo caso, num país onde muita gente não está nem aí para o cumprimento das leis e vive encotrando ou criando expedientes para burlá-las, o aniversário de uma Constituição não tem a menor importância.

sábado, 4 de outubro de 2008

FAÇAM SEU JOGO, SENHORES...

Sou de um tempo em que se dizia, a respeito de tudo o que era imponderável, que “de barriga de mulher, cabeça de juiz e urna eleitoral, não se sabe o que sairá”. Aos poucos, o progresso científico está tratando de colocar esse ditado em desuso.

O ultra-som vulgarizou a identificação do sexo dos anjos e hoje ninguém mais precisa hesitar na hora de decidir sobre a cor do enxoval. E as pesquisas eleitorais, cada vez mais instantâneas, sofisticadas e freqüentes, estão tentando fazer a mesma coisa, pretendendo adivinhar o que iremos dizer na cabine indevassável do voto secreto.

Restam ainda as surpresas que os juízes têm-nos reservado. Mas é claro que tem gente trabalhando para que também aí a surpresa fique, pelo menos, sob controle. Há um certo número de juízes e desembargadores que estão sendo processados (alguns até foram presos), por venda de sentenças. Mas, felizmente, a maioria ainda resiste e interpreta as leis (escritas muitas vezes canhestramente por legisladores mal intencionados ou mal informados) conforme seu melhor arbítrio.

Hoje, entretanto, o que nos interessa é comentar um pouquinho sobre a surpresa que a apuração dos votos poderá revelar. Como não se pode chamar de surpresa a diferença de alguns pontos entre o que as pesquisas apontam e o que a urna revela, o que seria, a meu ver, surpresa em Florianópolis?

1. O candidato preferido (Dário Berger, PMDB) ter menos de 25% dos votos;

2. O candidato preferido (Dário Berger, PMDB) ter mais de 35% dos votos;

3. O candidato Esperidião Amin (PP) não ir para o segundo turno;

4. O candidato Esperidião Amin (PP) ter mais de 25% dos votos;

5. No caso do Amin não ficar em segundo lugar, as hipóteses “normais” seriam a Ângela ou o Cesar Jr. Não será surpresa, neste caso, se um ou outro passar ao segundo turno. Surpresa será se o candidato do PT, Nildão, ocupar o segundo lugar.

6. Outra surpresa, mas aí não relacionada diretamente com a urna eleitoral (entra mais naquela história da cabeça do juiz), será se as denúncias por “uso da máquina” não forem aceitas ou derem em nada.

Imagino que vocês tenham suas próprias listas de surpresas (e sustos). Mas acho que a grande surpresa, aquela com que todos sonhamos, seria descobrir que ninguém vendeu seu voto, ninguém aceitou a pressão para trocar seu voto por favores e todos votaram orgulhosos de seu poder, da forma que bem lhes deu na telha. Nesse dia, os grandes surpreendidos seriam aqueles que ainda tentam, das maneiras mais torpes, manipular os eleitores e controlar o resultado das eleições. Pois é, sonhar ainda não paga imposto, mas sonha rápido porque parece que tem uma comissão, na Receita Federal, estudando uma medida provisória nesse sentido.

Bom final de tarde e bom domingo.

INFORME-SE

Há algumas semanas coloquei o link para o site Transparência Brasil ali na coluna do lado. Mas é possível que nem todos tenham paciência ou curiosidade para ficar fuçando essas coisinhas que rodeiam as notas. Por isso, aproveito o sábado chuvoso, propício à reflexão, para reforçar o convite:

Para ir ao Transparência Brasil, basta clicar aqui. Uma vez lá, visite a página Excelências (aqui), onde é possível fazer algumas pesquisas muito interessantes.

Pra facilitar ainda mais, clique aqui e vá direto ao arquivo pdf com dados sobre a Câmara de Vereadores de Florianópolis (junto com as de Fortaleza e Recife). Se não estiver muito a fim de encarar um pdf, clique aqui e vá até o Cangablog, que colocou as informações no texto de uma das notas do blog.

Pronto, aí estão algumas ferramentas legais pra meditar e concentrar-se para a grande missão que todos teremos amanhã.

FESTIVAL DE RESPOSTAS

No último horário político gratuito, na quinta-feira, o candidato à reeleição em Itajaí, Volnei Morastoni (PT) acionou uma metralhadora giratória. Como resultado, a Justiça Eleitoral abriu, no horário nobre de duas emissoras locais de TV (Record e Brasil Esperança), sexta-feira, espaço para as respostas dos ofendidos. Durante quase cinco minutos, O DIARINHO apresentou basicamente o editorial que tinha publicado na edição de sexta (e que citei algumas notas abaixo), lido por um locutor e transcrito em caracteres na tela. O Juiz Paulo Sandri e o candidato Jadir Bellini (PP), apresentaram os textos que podem ser lidos e ouvidos no vídeo abaixo.



Em tempo – a pesquisa publicada hoje pelo DIARINHO mostra que a divulgação das reportagens sobre as escutas não impediu que Morastoni continuasse sua curva ascendente (e Jandir a descendente): os dois aparecem tecnicamente empatados. A disputa, portanto, parece que vai ser voto a voto.

SOM NA CAIXA!

JOVENS CIDADÃOS?

No dia 1º comentei, aqui, uma nota que tinha visto no Cangablog, sobre a atuação da mãe do Gean Loureiro como “cabo eleitoral”. Lá no Canga está um vídeo, que o blogueiro afirma ter sido feito em sala de aula, no colégio Aderbal Ramos da Silva, mostrando uma senhora distribuindo santinhos e adesivos do candidato.

Uma leitora passou hoje por aqui, lançando uma dúvida (razoável) sobre o fato da distribuição estar sendo feita dentro do colégio. Como, de fato, no vídeo não se consegue saber se a ação se passa num escritório de campanha, num próprio particular ou no colégio, trouxe o comentário para cá:
“Recomendo que o Sr. César reveja o tal video e reescreva esta matéria. Se não se deixar levar pelo texto tendencioso do blog que publicou este material, verá que a senhora filmada não está em sala de aula e que o material que ela entrega à pedidos da pessoa com voz de homem feito e que claramente não é aluno de escola secundária, está dentro de sua bolsa pessoal. Qual é o crime que ela comete? Crime é expor a imagem de uma pessoa levando à crer que a mesma está comentendo uma infração.

Esta notícia, da maneira em que foi escrita, coloca em descrédito todas as demais deste blog.

Maria Fernanda ”
Naturalmente, se ela estava num prédio público (não importa se em sala de aula ou alguma outra sala), não poderia fazer campanha, mesmo que estivesse tirando o material “de sua bolsa pessoal”. Mas se ela estava em outro local, tinha todo o direito (e até o dever, pois não?) de tentar conseguir uns votinhos para o filho.

ATUALIZAÇÃO DA NOITE

Prestando bastante atenção no áudio, parece que não há mesmo dúvidas. A senhora estava no colégio. Com a palavra o Ministério Público Eleitoral.

A COLUNA DO SÁBADO

Neste domingo a Constituição Cidadã que o PT assinou a contragosto, com ressalvas*, completa 20 anos. Nela está escrito que a liberdade de expressão é um direito fundamental e ela assegura a liberdade de imprensa sem adjetivos e subterfúgios.

Esta Constituição, que o PT assinou mas gostaria de não ter assinado, deu ao Ministério Público a estrutura que hoje tem, para investigar os malfeitos de todas as cores e incomodar os poderosos de todos os matizes.

Tanto a liberdade de imprensa quanto as conquistas na apuração dos chamados “crimes do colarinho branco” estão sob permanente ameaça. Surpreendentemente, é no governo do constituinte Lula (sim, Lula foi deputado constituinte), que as ameaças tomam contornos mais concretos.

O candidato a prefeito em Itajaí, Volnei Morastoni (PT), inconformado com o fato da Polícia Federal ter produzido um relatório de investigação onde ele aparece “ao natural”, resolveu que este jornal é um jornal ruim, feio e bobo. Acham, ele e sua turma, que praticamos aqui o mau jornalismo. Imaginam seus fãs, cegos de amor, que adulteramos informações.

Bullshit! Besteira! Bobagem! Nonsense! Morastoni, como todos os políticos, de todos os partidos, em todos os países, sonha com uma imprensa subserviente, dócil, respeitosa e atrelada. Que faça o “bom jornalismo” dos sonhos dos poderosos de plantão: feito de elogios e de obsequioso silêncio...

Pois vocês vão mofar com a pomba na balaia. Seja quem for o prefeito, sejam quem sejam os vereadores, sejam quem sejam governadores ou presidentes, terão, deste jornal (pelo que conheço de sua valente diretora e de meus bravos colegas), o respeito sempre, a idolatria nunca. O direito a serem ouvidos, sempre, o ramerrão dos puxa-sacos, nunca. A reportagem escrita com o maior cuidado possível para que reflita a verdade, sempre. A ocultação de cadáveres e a cumplicidade nas mutretas, nunca!

O leitor sabe que pode contar com o DIARINHO quando não consegue ser ouvido pelos que deveriam prestar um bom serviço ao público. O leitor pode contar com o DIARINHO quando quiser saber, afinal, se o fulano botou ou não botou a mão no baleiro. O leitor confia que, mesmo ameçado com processos e mais processos para que se cale, o jornal não se curvará.

Queria aproveitar para, em público, dizer que tenho o maior orgulho de poder, após 35 anos de uma carreira profissional movimentada e prazerosa, fazer parte desta equipe e ter, neste jornal especial e único, um espaço para dizer o que não poderia dizer em outros lugares.

Este é um jornal que atende perfeitamente, sem tirar nem por, o desejo que o prefeito candidato à reeleição expressou nas páginas de propaganda eleitoral obrigatória que obteve na Justiça Eleitoral de primeiro grau (suspensas pela Justiça Eleitoral de segundo grau): este é um jornal livre e responsável.

Portanto, exercendo com responsabilidade cada vez maior a liberdade que a Constituição nos assegura, cumprimos com tudo aquilo que nossos eleitores, aqueles que, a cada dia, votam no DIARINHO na banca mais próxima, esperam de nós.

Pra não aparecer de bunda de fora nas páginas do jornal é simples: põe uma calça e sai da janela. Homem público e dinheiro público precisam de fiscalização constante. De acompanhamento permanente, por uma imprensa livre e responsável, que não tenha medo de cara feia.
* Dia 23 de setembro de 1988, ou seja, a 12 dias da promulgação da Constituição-cidadã, Lula fez um longo discurso e disse: “o partido vota contra o texto, e amanhã, por decisão do nosso diretório – decisão majoritária – assinará a Constituição, porque entende que é o cumprimento formal da sua participação nessa Constituinte”. (Conforme relato publicado na Agência Sindical: www.agenciasindical.com.br)

DIARINHO GANHA A QUINTA!

O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina restabeleceu a ordem. E suspendeu, ontem à noite, o direito de resposta que o juiz de primeiro grau tinha dado ao candidato Volnei Morastoni (PT).

O DIARINHO circula hoje, portanto, sem as cinco páginas de “propaganda eleitoral gratuita” a que me referi nas notas anteriores.

Ufa! Esta foi por pouco!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

HUM...

O TRE-SC foi provocado a se manifestar sobre a decisão do juiz de Itajaí, que deu direito de resposta, em cinco páginas do DIARINHO, para Volnei Morastoni.

A expectativa é grande.

AMANHÃ NO DIARINHO...


O Morastoni e sua turma, que não são bobos, vão aproveitar o espaço que a Justiça Eleitoral deu para que explicassem as inexplicáveis conversas detectadas pela operação Influenza, para fazer uma propagandinha básica. Grandes fotos do candidato e até uma contradição em termos: o candidato, arregaçando (ameaçadoramente?) as mangas, dizendo que quer “imprensa livre e responsável”. Bullshit! Bobagem, conversa pra boi dormir desmentida, por falar nisso, em algumas das gravações publicadas pelo Diarinho. Eles, tal e qual os outros, de todas as cores, querem imprensa subserviente, dócil, respeitosa e atrelada. Que faça o “bom jornalismo” dos sonhos dos poderosos de plantão: feito de elogios e de obsequioso silêncio...

DIARINHO GANHA A QUARTA E PERDE UMA!

Uma notícia boa e outra ruim.

Primeiro a boa: o Diarinho ganhou direito de resposta nas televisões de Itajaí, para se defender das acusações, levianas e mentirosas do candidato Volnei Morastoni. Será hoje às 20h30min.

Agora a ruim: o mesmo juiz eleitoral, certamente pra evitar “mal maior” deu à coligação do Volnei, a capa e mais quatro páginas do jornal, para que eles escrevam o que bem entenderem, à guisa de “defesa”. Praticamente no mesmo dia em que outro juiz, de Blumenau, achou que nada havia para responder (veja notas abaixo).

Resultado: os petistas vermelhinhos do Volnei, no entanto, acharam que não há o que dizer sobre o inquérito da Influenza (talvez porque não há mesmo como desdizer o que a PF apurou a respeito das ligações suspeitas e comprometedoras da turminha) e resolveram que vão ocupar o espaço dando lições do que eles acreditam que seja jornalismo. Aulinha sobre teoria do jornalismo petista, classificando, é claro, o Diarinho como sensacionalista e criticando (ora vejam só!) o fato de ser um jornal popular.

O leitor não será prejudicado, porque o jornal continuará do mesmo tamanho, aumentando o número de páginas para que o bla-bla-bla do Morastoni não roube espaço. Até a coluna De Olho na Capital, deste que vos fala, sairá normalmente. Com um pouco mais de pimenta, é claro. Como, aliás, no jornal todo, que o Diarinho nunca foi de ter medo de valentão nem nunca se mixou pra gente nervosa.

Ah, outra coisa: o texto petista que vai sair no Diarinho amanhã, foi distribuido em folhetos hoje, em Itajaí, aos milhares. Ou seja, nem inédita a coisa será.

ATUALIZAÇÃO DAS SETE E MEIA

O Juiz deu uma olhada no bla-bla-bla do Morastoni, levou um susto e mandou cortar um monte de coisas que não tinham nada a ver com a história. Aí os vermelhinhos, pra não perder o bonde e aproveitar a véspera de eleição pra fazer propaganda grátis, às custas do Judiciário e da paciência do contribuinte, vão ocupar boa parte das páginas com... fotos do Volnei! Isso mesmo.

Ah, e como é que, em pedidos semelhantes, um juiz de Blumenau diz não e um de Itajaí diz sim? Ora, meus amigos, e a pressão de dezenas de advogados, não conta? A cidade tomada por militantes nervosos, não conta? Claro que conta.

O jornal tem um recurso do TRE, mas não foi julgado ainda.

DÁRIO TÁ PROTEGIDO EM... SÃO JOSÉ?

Alertado pelos leitores, fui conferir o mandado de busca e apreensão editado pelo juiz Portelinha. E, de fato, ali está escrito que os jornais a serem recolhidos são os dos pontos de distribuição de... São José!

Ou seja, a menos que exista outro mandado específico para Florianópolis, a censura vale apenas para a área do irmão, Djalma. Não é estranho?

Se estiver difícil para ler, é só clicar sobre a imagem que se abre uma ampliação.

JUIZ RECOLHE JORNAL A PEDIDO DO DÁRIO


O jornal Impacto foi vítima, mais uma vez, de um mandado de busca e apreensão, expedido pelo Juiz Eleitoral Portelinha, a pedido do candidato Dário Berger. Na imagem acima, o início da matéria censurada, em sua versão disponível na internet.

Segundo os editores, “a solicitação se baseia em contrariedade das afirmações do Jornal Impacto SC. O jornal apresentou em sua edição censurada, provas de que o prefeito Dário Berger foi condenado, desmentindo suas afirmações públicas. Desgostoso com a verdade, Dário Berger usa mais uma vez a Justiça Eleitoral para impedir a sua divulgação. Vale ressaltar que Dário Berger foi condenado em primeira instância, e ele tem a seu dispor um arsenal jurídico que lhe dá direito a vários recursos.”

Embora o jornal, que é distribuído gratuitamente na Grande Florianópolis, esteja sob censura, as matérias que incomodaram o candidato à reeleição continuam disponíveis no site da internet: leia aqui.


ATUALIZAÇÃO DAS QUATRO DA TARDE

Um leitor enviou a nota da Associação Nacional de Jornais, sobre mais esta decisão do Juiz Portelinha:
NOTA À IMPRENSA

A Associação Nacional de Jornais protesta contra a decisão do juiz Luiz Henrique Martins Portelinha, da 101ª Zona Eleitoral de Santa Catarina, de determinar a apreensão da edição nº 46 do "Jornal Impacto", de Florianópolis. Esta é a segunda vez, em poucos meses, que o mesmo juiz determina a apreensão do jornal, em função de matérias veiculando denúncias contra o prefeito da cidade, Dário Berger, candidato à reeleição. Trata-se, lamentavelmente, de repetição de censura, medida inconstitucional e contrária à convivência democrática.

Iniciativas como essa acabam sendo revogadas pelas instâncias superiores da Justiça, mas nesses casos já se consumou um mal irreparável para a sociedade, que deixou de ser livremente informada por determinado período. A ANJ espera que os juízes eleitorais brasileiros, que vêm exercendo a censura com tanta freqüência, lembrem-se da frase do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Carlos Ayres Britto: "A liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade".

Brasília, 3 de outubro de 2008
Júlio César Mesquita – Vice-Presidente da ANJ
Responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão

DIARINHO GANHA A TERCEIRA!

Foi novamente o candidato a prefeito de Blumenau, Décio Lima (PT) ao Judiciário, em busca do que considera seus direitos. Pediu a “imediata suspensão da veiculação dos dados obtidos mediante violação ao sigilo telefônico, o recolhimento das edições (do DIARINHO) contendo tais dados e o deferimento do direito de resposta”.

E, mais uma vez, o Juiz Osmar Mohr, da 88ª Zona Eleitoral, em sentença assinada ontem no final da tarde, negou os pedidos:
“Portanto, tendo o referido periódico se limitado a noticiar acontecimento extraído de inquérito policial e, inclusive, assegurando ao representado o direito de resposta, é imperativa a rejeição liminar desta representação.

Ante o exposto, REJEITO liminarmente a presente representação eleitoral por ausência de fundamento legal.”

SKOL E ANGELONI NA CONTRAMÃO

Parece até campanha política: as coisas são ditas sem qualquer compromisso com a verdade. Ou comprometidas apenas com meias verdades, o que, no fim, dá na mesma.

A Skol (Ambev), querendo aparecer como empresa preocupada com o meio ambiente, lança o litrão de cerveja, em embalagem de vidro retornável. Tá escrito nas propagandas (o que, para todos os efeitos, equivale a um contrato) e no rótulo.

Supermercados como o Angeloni, na contramão dos cuidados com o ambiente, recusam-se a montar uma estrutura para receber os cascos usados na troca por novos. A história da tal embalagem retornável, vai, na prática, por água a baixo.

O cliente, com cara de tacho e se sentindo um palhaço, bate com a cara e com os cascos vazios, na porta do supermercado. E aí vai atrás de alguma explicação da Skol (Ambev). Que, tal e qual os políticos apanhados com as calças na mão, não diz nada. Faz que não é com ela. Nem pensa em brigar com o Angeloni e com outros estabelecimentos que, além de inundar o mundo com sacolinhas plásticas, não querem saber de ajudar na reciclagem de nada.

Estão, os supermercados que nos exploram e ao ambiente e a dona Ambev (poderosíssima, dona até da Budweiser, um ícone dos EUA) na contramão da tendência mundial. E aposto que nos mercados europeus, onde retornar a embalagem é comum e obrigatório, eles se comportam direitinho. Aqui, como parece que ainda acham que é a casa da Mother Joan, a gente é tratado dessa forma desrespeitosa. E o ambiente, ora, o ambiente que se ferre, impermeabilizado pelas sacolinhas de plástico e atulhado de embalagens produzidas a mais, porque faltou sensibilidade, interesse e respeito para montar um esquema eficiente de retorno e reciclagem.

Em tempo: no Paraná, o secretário do Meio Ambiente entrou no circuito, cobrando da Ambev uma posição. A empresa teve que se mexer, pra dar uma conseqüência prática à história e fugir da acusação de propaganda enganosa. Aqui, com o presidente da Fatma preocupado em liberar seu dinheirinho na PF, com os fiscais preocupados em se defender dos processos e o governador arrumando as malas para nova viagem à Europa, é evidente que nenhuma providência virá do poder público.

BETINHO HIRTZ

 
Morreu o jornalista Betinho Hirtz (foto). Deixa, além da família, inúmeros amigos que conquistou ao longo de uma vida dedicada a cultivar... os amigos. Não convivi muito com ele e nunca trabalhamos juntos, embora tivessemos sido contemporâneos, em Porto Alegre e aqui. Encontrei-o algumas vezes nos últimos anos, sempre acompanhado do fiel escudeiro Belmiro Sauthier. E em todas as ocasiões, sempre um sujeito gentil e atento ao que ocorria na profissão e no mundo. Um jornalista que, além de ser bom profissional, respeitado e admirado por seus colegas, também era um sujeito boa praça, respeitado e admirado fora do trabalho, por seus companheiros de papo e de bar. Esta combinação, por estranho que pareça, não é muito comum de se encontrar e dá bem a medida da falta que ele já está fazendo.

O sepultamento será às 17h, no cemitério da Lagoa da Conceição.

ATUALIZAÇÃO DAS CINCO E MEIA

O Betinho foi assessor de imprensa da prefeitura de São José por muitos anos. Ajudou a divulgar as ações e a imagem do prefeito Dário Berger, que começou sua carreira política naquele município. Certamente por isso o agora candidato à reeleição, como prefeito de Florianópolis, deixou a campanha de lado por algum tempo para ir ao velório e ao enterro. O candidato a vice-prefeito na chapa do Nildão, o Gerson Basso, também estava lá.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

OS APOIADORES

Tem-se falado, aqui e ali, que o Dário “escondeu” o LHS durante a campanha toda. Que o Cesinha não usou em público o apoio de Jorge Bornhausen. E que ambos, LHS e Bornhausen, estão “trabalhando” para seus candidatos em Joinville, mas foram dispensados de aparecer por aqui.

Aí, só pra agitar um pouco esta tarde ventosa, resolvi buscar fotos em que eles aparecem juntos. Não foi fácil. Tá certo que eu não posso comprar fotos e dependo de fotos de divulgação, que são colocadas à disposição gratuitamente. Mas, mesmo assim, tentei encontrar algumas fotos que mostrassem os candidatos com seus principais apoiadores. Não achei de todos, mas acho que esses aí já ajudam a dar uma idéia da coisa.


ATUALIZAÇÃO DA TARDE

Atendendo a pedidos...

TÁ NA REDE

Repito os endereços online, para ajudar a turma que navega por aqui e que ainda está indecisa. Nos sites mais organizados dá pra encontrar também a lista de vereadores de cada coligação. Boa sorte.

OS CANDIDATOS DA CAPITAL
A lista, com os endereços na internet, na ordem crescente dos números:

11
Amo Florianópolis: PP/PTB.
Amin e Renato Marques: www.amin11.com.br

13
Compromisso com Florianópolis: PT/PV.
Nildão e Gerson Basso: www.nildao13.can.br

15
O trabalho continua: PMDB/PR/PRTB/PSB/PRP/PRB/PSC/PHS.
Dário e João Batista: www.dario15.can.br

16
PSTU.
Joaninha de Oliveira. Site do partido: www.pstu.org.br

25
Vai mudar para melhor: DEM/PSDB/PPS.
Cesar Souza Jr. e Dr. Juca: www.cesarsouzajr25.com.br

50
PSOL.
Afrânio e Laureano Teixeira: www.afranio.org

65
Inovar Florianópolis: PCdoB/PDT.
Ângela e Tico Lacerda: www.angela65.com.br

ATUALIZAÇÃO DA SEXTA

Hoje os sites do Dário e do Nildão (coincidentemente os que usavam o domínio “can.br” estão estiveram fora do ar. No do Dário, aparece aparecia a informação “A pedido do Tribunal Superior Eleitoral, este site está temporariamente fora do ar.”

Já voltaram. Foi uma interrupção temporária.

TÃO FAZENDO MAIS M...

A m... tá aumentando na região. O pessoal, segundo a Casan, está fazendo mais e isso faz com que a empresa tenha que buscar soluções para contornar os efeitos. Pelo menos foi isso que entendi do press-release que recebi há pouco da Casan e que transcrevo na íntegra (e ipsis literis), pra que vocês vejam com seus próprios olhos:
5 MILHÕES PARA ESGOTO EM SÃO JOSÉ

O presidente da Casan, Walmor Paulo de Luca, homologou hoje a concorrência pública número 09/ 2008 na qual foi vencedora a empresa STC Serviços de Terraplenagem e Construção Ltda para executar serviços no munícipio de São José.

A empresa tem 180 dias úteis para execução de obras civis e colocação de materiais para os quatro reatores anaeróbios, a fim de reduzir os odores da lagoa de anaeróbia da estação de tratamento de esgotos Potecas, localizada no município de São José. O contrato prevê investimentos de R$ 4.977.777,77 sendo R$ 3.989.191,10 para materiais e equipamentos e R$ 988.586,67 para mão de obra. A preocupação da Casan com Estação de Tratamento de Esgoto é constante,pois o aumento do volume de esgoto tem se acentuado nos últimos tempos,ocasionando problemas para população que reside nas imediações. A Estação de Potecas recebe efluentes de esgoto de São José e parte das esgoto de Florianópolis,mais precisamente dos bairros do Estreito.

Jor.Gilberto Bordignon
Assessoria de Imprensa da presidência
CASAN.”

“BOTA O PAVAN DE VOLTA!”

O secretário do desenvolvimento regional da Grande Florianópolis, Valter Gallina, ligou para dizer que as duas placas de inauguração em que o nome do vice-Pavan não aparece foram feitas equivocadamente e serão corrigidas. Eu comentei o fato há alguns dias (aqui).

“Naquelas obras as prefeituras ficaram encarregadas de fazer as placas. Alguém deve ter se enganado, mas já mandei refazer, colocando o nome do vice-governador”, disse Gallina. Ele afirma que na secretaria dele já foram inauguradas mais de 200 obras e em todas as placas sempre constou o nome do vice (“tanto o Eduardo, quanto o Pavan”).

Tão tá.

ATUALIZAÇÃO DA TARDE: “DEIXA DE FORA”

Como dava pra supor, lendo as placas, tratam-se de obras municipais, com alguma participação do governo estadual. Os prefeitos acham-se “donos” da obra. O de Governador Celso Ramos, ao ouvir o pedido do secretário Galina para incluir o Pavan na placa, deu de ombros: “vou pensar se boto o Pavan. Coloquei os nomes do governador e do secretário porque são meus amigos e vieram prestigiar a inauguração”, disse ele. Decerto o prefeito deve achar que a contribuição de cerca de R$ 1,5 milhão do governo estadual para a obra não justifica o gasto com uma nova placa.

DIARINHO RESPONDE AO VOLNEI

O candidato a prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni (PT), usou o último programa do horário político eleitoral para acusar o Diarinho e destilar sua raiva contra o veículo que publicou parte do inquérito da operação Influenza. Bem a seu estilo, desceu o cacete e o nível, dizendo, em resumo, que o Diarinho levou uma grana para publicar o que publicou.

A diretora de redação publicou, na edição de hoje, um editorial respondendo ao Volnei e colocando os pingos nos is.

Abaixo transcrevo o final. Para ler a íntegra, clique aqui.

“Eles passarão e 'nós' passarinho”

“(...) É fácil chamar o DIARINHO de vendido, de 'amarelo', xingar o juiz de corrupto, classificar uma matéria jornalistica de eleitoreira, quando se é pego com as calças na mão. Difícil é desmentir o que todo mundo leu. Difícil é não ficar 'vermelho' de raiva quando o que acontece nos bastidores do poder vem a público numa hora inconveniente.

Os hoje "amarelos", quando eram governo, também nos acusaram de sermos "vermelhos". E sabem por quê? Porque manter o poder e conviver com a imprensa livre é muito chato.

Quando a imprensa não se ajoelha aos jogos de interesses dos que estão no poder, ela leva pau. É mais fácil se dizer vítima de um complô, do poder econômico, de uma mentira, do que assumir que fez alguma coisa feia em nome do 'poder'.

Volnei e Décio não quiseram se defender nas páginas do DIARINHO, no espaço que concedemos para que explicassem as transcrições da Polícia Federal. Décio foi a juizo exigir o que tínhamos espontaneamente lhe oferecido. Jogo de cena, tanto que, em juizo, perdeu. Volnei também não quis se manifestar em nossas páginas, ao invés disso, achou melhor fazer acusações levianas no seu programa eleitoral.

Finalmente, acusar o DIARINHO de responder a ações judiciais para desmerecer nosso trabalho é babaquice. Todo jornal, todo veículo de comunicação responde a ações por danos morais. Atire a primeira pedra o jornal que nunca foi processado! E, num Estado Democrático de Direito, é assim que deve funcionar: os eventuais erros e abusos cometidos pela imprensa devem ser reparados no Judiciário. Mas isso não significa que o DIARINHO seja condenado em todas as ações que responde. Que o diga o Décio! Que o diga o Volnei! Ambos não conseguiram, até hoje, sequer um Direito de Resposta na Justiça, apesar de terem sim nos processado. E sabem por quê? Porque a justiça não entendeu que eles tenham sido ofendidos ou caluniados nas matérias referentes à Influenza.

E tem mais: o DIARINHO ou seus funcionários não respondem ação por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica, uso de documento falso ou peculato... Não somos criminosos e não temos do que nos envergonhar.

O que eles deviam ter aprendido, tanto os amarelos quanto os vermelhos, é que o poder, nas democracias, é cíclico e transitório, e a imprensa é livre e soberana.

STV (Samara Toth Vieira)”

ANÁLISE DE BOTEQUIM

Reunido com amigos numa mesa de bar fiz o que muitos fazem a esta altura: discuti política e o andamento da campanha. À medida em que a noite avançava, mais precisas e lúcidas (ou preclaras) iam-se produzindo as análises. A certa altura, enquanto aguardávamos a conta, já nos sentíamos cientistas políticos do terceiro milênio, sabedores de tudo e compreendendo todos os fenômenos. Não havia mais qualquer dúvida.

É claro que, à luz do sol e de volta à rotina sóbria de todo dia, as dúvidas e os pontos obscuros ocupam os espaços que lhes são próprios. E a análise, antes tão óbvia e cristalina, torna-se turva e tortuosa.

Mas, em todo caso, tentarei recuperar algumas das conclusões que, diante de uma (uma?) Original e uma mandioquinha frita bem sequinha, pareciam definitivas:

1. A se confirmarem as pesquisas, o PMDB sairá das eleições com o lombo todo lanhado. Nas principais cidades tem possibilidades reais apenas em Florianópolis, né não? No Sul, a situação do presidente do partido e ex-governador Eduardo Pinho Moreira inspira cuidados. No Norte, LHS está comendo o pão que o diabo amassou. No Oeste, nada. Nada, nada e provavelmente fenecerá na praia do lago de alguma represa.

2. E por que isso? Ora, a política de alianças, da forma como foi conduzida por LHS, criou cobras no quintal do PMDB. João Rodrigues (DEM), em Chapecó; Kleinübing (DEM) em Blumenau; o PSDB no meio-oeste e em outras regiões. Em algumas situações, não de agora, mas desde a eleição municipal anterior, candidatos do PMDB foram ostensivamente preteridos. Fortaleceram-se os partidos da aliança, enquanto o PMDB parecia paralisado ou atônito.

3. A eventual vitória de Dário Berger em Florianópolis não poderá -- a rigor -- ser considerada uma “vitória do PMDB”. Ao longo de sua história política, tanto Dário quanto Djalma já mostraram que têm projetos próprios, uma dinâmica própria e os partidos, ora os partidos, são apenas um detalhe. Pertencem, no fundo, ao PDB (Partido dos Berger) e só estão ora no PFL, ora no PSDB, ora no PMDB, ora no PSB, porque a legislação obriga uma filiação partidária. E aí buscam os espaços onde acreditam que sejam colocados menos obstáculos a seus projetos. Ou maior impulso às suas carreiras (os fãs dirão que buscam as melhores condições de fazer mais pelas pessoas, o que, afinal, dá na mesma).

4. O PT em Santa Catarina, visto de fora, parece ter apenas duas correntes (sim, eu sei, internamente são várias). A principal é o PTdI (PT da Ideli) e a outra, talvez não minoritária, mas no momento com menor poder de fogo, é o PTCI (PT contra a Ideli). O resultado da eleição poderá dar mais gás e discurso a uma ou outra corrente. Porque, assim como LHS, Ideli indicou candidatos em alguns municípios que contrariaram o desejo de militantes locais. Se ganharem, terá sido uma jogada de mestre (viva Ideli!), se perderem, terá sido uma interferência indevida (abaixo Ideli!).

5. Combatido duramente em sua própria casa (Balneário Camboriú) pelo principal aliado (PMDB!), o PSDB de Leonel Pavan, que no primeiro governo de LHS nadou de braçadas e conseguiu um crescimento surpreendente, parece estar meio atordoado. Correndo por fora, o DEM está numa posição das mais confortáveis. Bate no principal aliado (PMDB!) em Joinville, mantém-se bem posicionado em Blumenau, está bem encaminhado em Chapecó e tem um novato disputando em Florianópolis, com algumas chances de ir ao segundo turno. Não é um mau desempenho.

6. Pra encerrar: as pesquisas deixam a campanha muito chata, muito previsível. A única alegria que o eleitor independente pode esperar, é que o resultado das urnas mostre coisas bem diferentes. Aí vai ser legal. Sempre é divertido ver gente que foi dormir embalado pelo “já ganhou” acordar no ostracismo do segundo ou terceiro lugar. Essas surpresas, se acontecerem, serão motivos mais que suficientes para voltar à mesa do bar e fazer novas análises. Se não acontecerem, não restará outra alternativa senão sentar-se ao redor de uma mesa e lamentar a chatice em que se transformou a política. Garçon, um pastel de camarão, por favor!

CARTA DE PRINCÍPIOS


Há quem diga que a promulgação da Constituição, em 1988, foi o verdadeiro fim da ditadura, restabelecendo os instrumentos que o País precisava para poder por-se em pé e começar a exercitar a Democracia.

Ulysses Guimarães, ao promulgá-la, formulou uma espécie de definição do seu alcance: “Declaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil”.

Não é, claro, perfeita, mas o fato é que se trata de um documento fundamental. Entre outros avanços, deu-nos o Ministério Público tal como hoje o conhecemos. Chamou a atenção para a proteção à criança e ao adolescente. E transformou os municípios em “entes federativos”, tal qual os estados.

Coloquei isso aí só pra lembrar que agora no dia 5 de outubro de 2008 a “Constituição Cidadã” faz 20 anos.

(Foto: Arquivo ABr)

COM A BOLA TODA

Na foto acima, à direita, o presidente Lula batia uma bolinha (de futebol de salão) ontem, durante a solenidade de homenagem aos atletas das paraolimpíadas, que voltaram de Pequim com o peito cheio de medalhas.

No melhor espírito Caras que às vezes baixa nesta coluna (outras vezes é o espírito Contigo), fujo das notícias para comentar o acessório.

Vejam só, comparem com a foto da esquerda, de exatamente um ano atrás (dia 1º de outubro de 2007) e vejam que a voz do Lula continua a mesma, mas os cabelos... o topete foi rebaixado e as ondulações foram domadas por alguma escova esperta. Com esse “upgrade” no visual, não é de espantar que ele tenha crescido tanto na preferência do eleitorado.

Fotos: Ricardo Stuckert/PR (Se clicar sobre elas, abre-se uma ampliação)

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

HACKER TIRA SITE DO DIARINHO DO AR

O servidor que hospeda o site do Diário do Litoral (www.diarinho.com.br), foi atacado hoje à tarde. Como resultado, o site ficou fora do ar desde as 15h. Voltou há pouco.

Esse tipo de violência, como retaliação pela publicação de notícias incômodas, é típico de quem não sabe conviver com a liberdade de expressão. No passado, o jornal sofreu vários tipos de atentados (inclusive a tiros). Mas é a primeira vez que conseguem empastelar o jornal na internet, ainda que por algumas horas.

“O DIARINHO AMARELOU!”

Em Itajaí a campanha à prefeitura está bem polarizada entre o PT (Volnei Morastoni, candidato à reeleição) e o PP (ex-prefeito Jandir Bellini). A campanha do Volnei adotou o vermelho, sua cor partidária tradicional. E a do Jandir, o amarelo. E é assim que uma turma se refere à outra. “A carreata dos amarelos atrapalhou o trânsito no pior horário” ou “a carreata dos vermelhos não foi tudo aquilo que eles estão dizendo”.

A conversa dos “vermelhos” de Itajaí, ontem, era que o jornal (o DIARINHO) tinha “amarelado”. Ou seja, tinha “se vendido” ou “se entregue” para a campanha do adversário deles. Claro, as escutas da Polícia Federal que o jornal publicou mostram uma face de seus líderes que os petistas preferem ignorar. E acham que seria melhor que fosse mantida oculta. Por outro lado, se jogasse o caso para debaixo do tapete, os “amarelos” certamente estariam acusando o jornal de ter “avermelhado”.

Supor que o jornal possa fazer alguma coisa para deliberadamente ajudar o Jandir é desconhecer a história política do município. É ignorar, ou querer ignorar, como era a relação dele com o jornal quando foi prefeito. E esta é a principal característica do DIARINHO: em geral os prefeitos não gostam muito dele. Depois que deixam a prefeitura viram fãs. Mas, no poder, irritam-se muito com a independência do jornal, que não entra na “folha de pagamento”, não aceita controle e assim como um dia elogia, no outro publica coisas comprometedoras. Um saco.

Acho que, mesmo aqui, à distância, posso dizer que o jornal não abraçou a causa de nenhum candidato e não se acovardou. Definitivamente, o DIARINHO não amarelou em nenhum sentido.

SIGILO CONVENIENTE

Sempre que algum jornal publica trechos de inquéritos policiais ou, principalmente, transcrições de escutas telefônicas, a questão da oportunidade ou mesmo da legalidade dessa divulgação ressurge. Naturalmente, os citados ficam muito incomodados com a exposição de seus nomes naquela situação desconfortável.

É um tema que tem sido discutido há muitos anos nos ambientes acadêmicos e que recentemente ganhou a rua (ou pelo menos os gabinetes bem situados), com a divulgação de “grampos” onde são apanhados figurões da política, da economia e até senadores e o presidente do Supremo Tribunal Federal.

Qual é o mais grave? Que homens e mulheres com funções públicas ou mandatos populares tenham conversas pouco dignas ao telefone, ou permitir que a população, que lhes paga os vencimentos e proventos, saiba disso?

Do jeito que alguns gostariam que a discussão fosse encaminhada, naturalmente o crime estaria em mostrar à luz do Sol o que precisa permanecer nas sombras. As conversas íntimas entre lobistas e políticos, entre empresários e governantes, entre corruptos e corruptores, são feitas em voz baixa, em locais discretos, porque é da natureza desse tipo de conversa a sombra, o sigilo, a cautela.

Trazê-las às páginas dos jornais é, sem dúvida, uma violência inominável contra o conforto e a segurança do ambiente delituoso. Ofende a privacidade da negociata. Afeta a tranqüilidade das boas relações que se estabelecem abaixo da superfície, debaixo dos panos.

Cabe ao Judiciário decidir se o que disseram aqueles personagens é crime. O leitor de jornal, o cidadão pagador de impostos e cumpridor da Lei, contudo, tem direito de saber como se comportam seus representantes e aqueles que vivem às suas custas. Para mim, por exemplo, não é muito importante, neste momento, saber se o que o assessor tal conversou com o empresário fulano é crime ou indício de crime. Já é suficientemente esclarecedor saber que eles conversam de forma tão amigável, a ponto de várias trocas de favores soarem assim tão naturais.

O maravilhoso mundo do lobby, que em alguns países é regulamentado e acompanhado de perto, para evitar excessos, é fascinante. Relacionar-se com alguém que pode abrir portas é, em muitas atividades, quase imperioso. E quanto mais burocratizado o País, mais isso é fundamental. Em todos os níveis.

Quem já teve qualquer problema com a sua casa, precisou de habite-se ou de regularizar uma reforma, sabe que mesmo nas prefeituras há portas que só se abrem com a senha correta. Que pode ser o nome de um vereador, de algum amigo de alguém, de um ex-qualquer coisa. Imagine então em nível federal, quando o que está em jogo não é uma rampa de entrada na casa, mas negócios que podem render alguns milhões de reais?

Então, o que a divulgação dessas escutas (que, de resto, foram realizadas legalmente, com todas as autorizações necessárias) ameaça, não é a privacidade do cidadão honrado, que eventualmente tenha ligado para um telefone grampeado. A vida particular não é o foco. Mas expor essas conversas que envolvem interesse público é um trabalho de relevância social. É muito útil para conhecermos melhor quem faz, na coisa pública, o que só deveria fazer na privada.

MÉRITO JUDICIÁRIO

O Tribunal de Justiça comemora seus 117 anos de instalação com sessão solene hoje às 19 horas. Na ocasião outorga a Medalha da Ordem do Mérito Judiciário de Santa Catarina.

Entre os condecorados, vários políticos. Alguns deles em plena campanha para prefeito, como Décio Lima, Esperidião Amin e Jandir Bellini. Será quase uma festa pluripartidária. Olha só as listinhas de nomes, conforme a categoria da Medalha:

Grande Mérito
Abelardo da Costa Arantes Júnior, Ana Maria Guerrero Guimarães, André Maciel Pachá, Décio Lima, Eduardo Pinho Moreira, Esperidião Amin Helou Filho, Gercino Gerson Gomes Neto, Jorge Antônio Maurique, José Carlos Pacheco, Marco Aurélio de Melo e Marcus Faver.

Mérito
Adélcio Machado dos Santos, Amauri João Ferreira, Cesar Luiz Pasold, Ênnio Carneiro da Cunha Luz, Ivo Carminati, Jandir Bellini, Joares Ponticelli, José Enéas Athanázio, Miguel Herminio Daux, Moacyr Motta da Silva, Paulo Márcio Cruz e Paulo Roberto Froes Toniazzo.

Mérito Especial
Antenor Chinato Ribeiro, Francisco José Fabiano e Robison Westphal.

Insígnia
Alberto Pizzolatti Remor, Almir Tadeu Peres, Ilson da Silva, Ivan Bertoldi e Zenaide Teresinha Irber.

“SE FALAR MAL DO GOVERNO, NÃO RECEBE!”

Ainda não consegui os textos pra colocar aqui. Por enquanto, então, temos que nos contentar em escanear alguns trechos. A imagem nem sempre fica muito boa. Mas, se clicar sobre ela, abre-se uma ampliação, que facilita a leitura.

Em todo caso, o que atrapalha mesmo, o que embrulha a vista e o estômago, é o jeito como essa gente trata as coisas. No texto acima, o “expert” Wilson Rebelo dá conselhos ao prefeito Morastoni, sobre como deve controlar a imprensa (ou pelo menos a parte dela que se curva e lambe as botas): “se falar mal do governo não vai receber”.

O Marcelo citado na conversa é o presidente da cia. de saneamento da cidade (Semasa) e o Normélio, o secretário de comunicação do município.

É TUDO MUITO FÁCIL...

Do DIARINHO de hoje, página 11. Clique para ampliar.

A propósito, o jornal esgotou nas bancas de Itajaí e Balneário. Segundo alguns jornaleiros, foi comprado às dúzias, pela turma do prefeito Morastoni. Claro, ele não ficou bem na fita. Da leitura das escutas em que ele aparece têm-se a impressão que ele quer controlar o judiciário, a imprensa e o legislativo. Fica muito irritado quando as coisas não saem do jeito dele.

E o site do jornal, na Internet, está congestionado, mesmo só permitindo acesso a quem tem assinatura.

JOVENS CIDADÃOS

Nunca é cedo demais para começar a fiscalizar os políticos e criticar a desavergonhada mistura do público (nosso dinheiro, dos nossos impostos) com o privado.

Alunos do colégio Aderbal Ramos da Silva, no Estreito (em Florianópolis), gravaram em vídeo, com seus celulares, a coordenadora do estabelecimento (empreguinho público, portanto), distribuindo material de campanha de seu filhinho, o vereador e candidato à reeleição Gean Loureiro (PMDB). Dentro do colégio.

O vídeo está no Cangablog, aqui.

O Gean Loureiro, por falar nisso, está com o processo de cassação por infidelidade engavetado no TRE. E isto mostra que, quando quer, o TRE também pode ser uma verdadeira mãe.

A CAMPANHA DOS 30

O anúncio acima faz parte da campanha publicitária com que o DIARINHO prepara a comemoração dos 30 anos de circulação (que completa em 2009). Está, não por coincidência, na página 5 da edição de hoje. E, como mostra a nota abaixo, tem tudo a ver.

EXCLUSIVO! NAS BANCAS!


O que (e quem) aparece nas escutas da “parte boa” da operação Influenza (que não foi anulada pela juiza). No DIARINHO de hoje. Corra às bancas, antes que os citados comprem toda a edição!

(Clique na foto para ampliar)

AMOSTRA GRÁTIS

Além da transcrição das escutas, o jornal faz alguns resumos das partes principais. Como este, que está abaixo, por coincidência na página 13 (dividi em duas partes pra ficar melhor de ler e aí algumas linhas ficaram repetidas). Se clicar nas fotos abre-se uma ampliação.

TJ SOB CONTROLE PÚBLICO

Uma das coisas fascinantes deste novo mundo que a Internet ajudou a criar é a possibilidade do cidadão exercer, com maior facilidade, a fiscalização dos órgãos públicos. Vejam só este exemplo prático.

Recebi um e-mail onde um contribuinte se dizia preocupado com a forma como o Tribunal de Justiça de Santa Catarina,  mais especificamente a sua Corregedoria, estava conduzindo o relacionamento comercial com uma empresa fornecedora de suporte em informática.

Contava a cartinha que uma empresa tinha sido contratada, por licitação, para o serviço (basicamente manutenção do software da Corregedoria, que gera uma série de relatórios necessários para, entre outras coisas, definir a criação de novas varas). O contrato, que terminou em dezembro de 2007, foi prorrogado até o final de agosto.

E aí é que começam as preocupações. A prorrogação terminou e o técnico continuou prestando serviço, sem contrato. Até que no último dia 22, a Diretoria de Material e Patrimônio publicou a dispensa de licitação nº 162/2008, contratando a mesma empresa, “em caráter emergencial”, sem licitação.

Uau! Que emergência teria sido essa? Como assim emergência, se o contrato tinha, desde o início de 2007, data marcada para terminar?

O FIO DA MEADA
Fazendo meu papel de intermediário, tratei de procurar o Tribunal de Justiça para saber, em nome do povo (foi só um que me escreveu, mas usar a palavra “povo” sempre ajuda a dramatizar o caso), que história é essa.

A resposta, via assessoria de imprensa, foi rápida e clara. Tão clara que deu pra perceber que o TJ foi supreendido em uma situação pouco confortável.

Olha só que interessante: uma das coisas que o “cidadão preocupado” tinha comentado, é que o serviço talvez fosse melhor executado se uma equipe da própria Corregedoria o assumisse. Talvez saísse mais barato do que pagar, pra uma empresa, cerca de R$ 6 mil mensais.

E o TJ estava justamente pensando nisso. Tanto que nem tinha iniciado os procedimentos para nova licitação. “Havia um grupo de trabalho de cinco pessoas que estava se preparando para assumir o trabalho”, informa a assessoria. “Mas, num determinado momento, pelos mais diversos motivos, o grupo começou a se desfazer”, me explicaram. O fato é que chegou o final da prorrogação, momento em que o TJ iria assumir a função, sem ter quem pudesse tocar o barco.

Diante deste fato, causado por alguma falha no planejamento, o TJ não teve outra saída que não apelar para o recurso da contratação sem, licitação. Como o software é vital para que a Corregedoria cumpra suas funções, ficar ao desabrigo, sem alguém que possa fornecer manutenção ou corrigir algum problema, criaria uma situação grave: este foi o fundamento da emergência, que deu mais seis meses para a Conceitual Sistemas de Informação.

Paralelamente, foi iniciada a montagem de um processo de licitação: “Não queremos mais ser surpreendidos. Se ao final dos seis meses a equipe interna não puder assumir, será feita a licitação”, diz a assessoria. Viram? Este foi um exemplo de como a gente pode manter uma saudável vigilância sobre os órgãos públicos.

ALUNA APLICADA

No começo do mês tinha encontrado o ex-prefeito e deputado estadual Edison Andrino (PMDB) e ele me falou que talvez fosse votar na Ângela Albino (PCdoB/PDT). Não levei muito a sério, mas interpretei como uma forma dele dizer que estava descontente com o candidato do seu partido (Dário Berger). Aí, na segunda-feira, os dois tiveram uma longa conversa no café do Badesc (foto acima, do Luis Prates/Divulgação). Pode não significar muitos votos, mas pelo menos a candidata deve ter ouvido boas histórias da política florianopolitana. Porque o Andrino sabe de muita coisa...

E ontem a Ângela recebeu a visita de outro velho professor de política, escaldado em tantas campanhas, o Cristóvam Buarque (PDT).

TÁ NA HORA!

Os mortais comuns não sabem o que é postar-se diante de uma folha de papel em branco (ou de uma página de processador de texto em branco), com um prazo apertado para escrever aquilo que, amanhã, impresso e indelével, estará nas mãos de milhares de pessoas. Falo em 30 minutos de prazo. É suficiente? Ou vocês estão habituados a trabalhar com pressão ainda maior?

Ao jornalista não é dada a graça de poder manter seus erros em petit comitê. A gente distribui o erro em milhares de bancas, entrega na casa de milhares de assinantes. As emissoras de rádio que apenas recortam e lêem os jornais, difundem o erro para inúmeros automóveis presos em incontáveis engarrafamentos. Tudo porque, naqueles dez minutos finais, de revisão apressada, ajustes superficiais e remontagem da frase de abertura que insiste em ficar confusa, o erro se camufla e esconde.

Mesmo sabendo disso há muito tempo, nunca consegui escrever nada a não ser no último minuto. As crônicas semanais do meu início de carreira eram escritas sem paradas para releitura ou ajustes, porque começava quinze minutos antes do horário final. As matérias do dia-a-dia, mesmo aquelas cuja apuração foi feita de manhã, eram escritas enquanto soavam as badaladas da undécima hora. Sob pressão.

O conjunto completo, portanto, é composto de um teclado, uma folha em branco (virtual ou real) e a pressão do prazo. Sem uma dessas partes, fica muito complicado cumprir a tarefa. Diria mesmo que sem computador sempre dá para escrever à mão ou à máquina, mas sem pressão não tem jeito.

Até aqui nesta coluna, lugar completamente desprovido de qualquer compromisso, tenho que estabelecer-me certas rotinas para que, de tempos em tempos, sinta-me obrigado a colocar no papel (ou que nome tenha), esta meia dúzia de parágrafos.

Quando o prazo se aproxima do final, começo a encontrar rotas de fuga. Um arquivo antigo. Um “link” para o site de alguém. O comentário de um colega. Uma foto ou ilustração. Até que, esgotadas todas as alternativas, só resta a derradeira. “Senta e escreve, seu mandrião!” ordena, com legítimo sotaque de Manezinho da Ilha, a minha consciência. “Ainda tem tempo”, retruca (ahá, estava tentando usar esta velha palavra há meses, sem sucesso) meu corpanzil, imerso em toneladas de preguiça. Respirando com um canudinho de palha (daqueles anteriores aos canudinhos de plástico, do tempo em que guaraná se tomava em taça), tento ficar quieto para que a consciência se esqueça e mude de assunto.

Mas, como é possível ver pela quantidade de letras, palavras, frases e pontuações que adornam esta página, fui mais uma vez vencido. Colocado diante de um espaço em branco, com pouquíssimo tempo, saí-me com esta coisa. Que se não tem nada de excepcional pelo menos fez com que a coluna da quarta-feira tenha saído sem espaços em branco. Quase fora do prazo, mas ainda a tempo.
E hoje começa tudo de novo. Que bom.