sábado, 13 de outubro de 2007

ESSE DIARINHO...

Respondam rápido, o que o DIARINHO, o nosso Diário do Litoral, tem em comum com as revistas Time, Fortune, Sports Illustrated, People e, no Brasil, o jornal Meio&Mensagem (o mais importante do mercado de comunicação)?

Simples: o software que gerencia toda a produção editorial. O DIARINHO usa, desde o ano passado, o Woodwing Smart Connection, um sistema desenvolvido por uma empresa holandesa, cujo uso está crescendo em vários países. O grupo Time (que edita 130 títulos, dos quais alguns são esses que citei acima), por exemplo, começou a usar o Woodwing agora em setembro.

Com sua linguagem solta, seu jeito original de contar histórias, o respeito quase religioso pelo leitor, é possível que muita gente ache que o DIARINHO seja um pequeno jornal feito artesanalmente. Que nada. É uma empresa administrativamente bem organizada, em crescimento constante, que vai atrás do que há de mais moderno no mundo para fazer seu trabalho sem, contudo, deixar de ser um jornal voltado para as cidades onde circula.

Desculpem o entusiasmo e a mal disfarçada propaganda, mas é que acho o DIARINHO o máximo. E fico todo faceiro quando vejo que, além de ser um pioneiro no uso da linguagem coloquial e na preocupação com o noticiário local, também é pioneiro na adoção de soluções editoriais tecnologicamente revolucionárias.

BEM COLOCADO

Se a gente prestar atenção no noticiário, vê que a cada dia temos novos motivos para nos orgulharmos deste país, tão generoso com corruptos e ladrões de uma maneira geral.

O Brasil já é o 4º colocado no ranking mundial do roubo de bens culturais. Tem pouca gente na nossa frente, quando se trata de dilapidar o patrimônio dos museus e bibliotecas. A Biblioteca Nacional, no Rio, e o Museu do Ipiranga, só para citar dois exemplos, perderam quase 6 mil peças raras.

E olha que nem foram roubos cinematográficos. Foram atos facilitados pela desorganização dos acervos e sistemas de segurança completamente capengas. E como o acervo não está todo catalogado, é possível que o rombo tenha sido ainda maior.

Mas, em compensação, o Brasil também é o 4º colocado, no mundo em população carcerária. Tem uns 420 mil detentos. Posição injusta, porque os mandados de prisão que pelos mais difersos motivos (inclusive a falta de cadeias) continuam em aberto, somam cerca de 550 mil.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

SEGUNDA VERDE

A Polícia Federal está concluindo o inquérito da tal operação Moeda Verde e deve enviar à Justiça, na segunda-feira, suas conclusões. Há quem aposte que a lista de indiciados será longa, com uns 30 nomes.

Não deixa de ser sintomático que, no mesmo dia, uma das estrelas das escutas feitas pela PF, o ex-vereador e ex-procurador da Assembléia, Michel Curi, assuma a Secretaria de Assuntos Institucionais da prefeitura de Florianópolis.

Era mesmo de assuntos institucionais da prefeitura que ele tratava com o prefeito, vereadores e amigos, quando foi flagrado pela escuta, ao usar o telefone do Juarez Silveira. Assuntos institucionais que continuam na ordem do dia: a lei da hotelaria.

E o novo secretário já avisou que, ao tomar posse, às 14h de segunda-feira, fará um pronunciamento que “causará repercussão política”. Se eu fosse vocês, não cancelaria a ida ao dentista para ouvir o que o Michel dirá. Dificilmente, no contexto em que ele está metido, conseguirá produzir um fato mais relevante do que a conclusão do inquérito da Moeda Verde e, a seguir, o encaminhamento judicial que será dado.

Ah, e pra que vocês não estranhem o Michel na prefeitura: o ex-vereador Juarez Silveira continua circulando pelas secretarias com desenvoltura.

O RENAN TÁ NU

Com um discurso patético, pra variar, o senador Renan Calheiros licenciou-se da presidência do Senado e do Congresso. Nem vale a pena perder tempo e espaço com este caso. Ainda que seja emblemático: como tudo e todos, na política, ele não fez nada extraordinário, nem nada que pelo menos a metade de seus colegas já não tenha feito. Mesmo assim, foi pego.

O CRAQUE

TRAGÉDIA

Alguns leitores acham que não se deve, já, antes de qualquer investigação, jogar sobre os ombros do motorista da carreta que fez “strike” na turma que atendia o outro acidente, toda a culpa. Claro, vai ver que o caminhão ficou de repente sem freios, ou coisa parecida.

Tá certo, todos temos o benefício da inocência presumida. Jogamos fácil a culpa nos outros, mas quando é conosco queremos que carreguem o andor com calma. Não fará a menor diferença, para as vítimas e seus amigos e parentes, aguardar um pouco.

Nesses casos traumáticos sempre corremos o risco de ceder à tentação do linchamento, da “justiça pelas próprias mãos”, que tantas e tantas vezes tem se demonstrado caolha, cega e... injusta.

Esperamos, todos, que se apurem as responsabilidades. Com calma, desapaixonadamente e, se possível, com rigor técnico. A impunidade não se combate apenas punindo, mas, principalmente, punindo a pessoa certa.

PEDÁGIO NA ESTRADA

Já que estamos no “momento ombudsman” da coluna, vamos continuar: alguns leitores têm me criticado, desde que comecei a falar aqui a favor do pedagiamento das rodovias. Acham que estou aceitando passivamente, ou até comemorando, “mais um aumento de impostos”.

É mais ou menos isso. Mas não é bem isso. Aqui dentro da minha cabeça, onde geralmente reina uma grande bagunça, tem horas que a coisa está clara, tem coisas que a coisa está confusa.

É verdade que já pagamos mais do que suficiente para que o governo mantenha uma boa malha viária. Alguns impostos foram criados exclusivamente para este fim (IPVA, Cide, etc). Mas, aparentemente, toda a grana foi desviada para outros usos. Pagar funcionalismo, por exemplo.

Aí chegamos à situação atual, com estradas inacreditavelmente mal conservadas e uma grande carência de novas rodovias. Qual a saída? Esperar que o governo mude de uma hora para outra, passe a respeitar o contribuinte e devolva em obras os impostos pagos?

O governo não mudou nem quando elegemos um líder popular carismático “de esquerda”, que iria fazer tudo diferente “dissoquetaí”. Então, não vai mudar tão cedo.

Nesse contexto, saudar a privatização de rodovias é, sem dúvida, uma espécie de masoquismo assumido. Como se pudesse haver, dos males, o menor. Num mundo menos canalha, seria uma coisa ou outra. De fato, não tem sentido pagar impostos para manter rodovias e ainda pagar pedágio. Mas quem disse que o jeito que o Brasil é governado (pelos três poderes) faz sentido?

JUS SPERNIANDI
Uma notícia para os inconformados com a privatização lulista das rodovias: A Procuradoria Regional da República da 4ª Região vai continuar esperneando. Interporá um “agravo legal” pra contestar a liminar da presidência do TRF que liberou o leilão.

Com isso, esperam poder continuar a lutar pela ação civil pública proposta pelo procurador da República do Paraná, que questiona a privação por cinco motivos:
1) falta projeto básico das obras a serem realizadas;
2) os editais estariam baseados em dados desatualizados;
3) não ocorreu regular audiência pública;
4) os contratos não prevêem a construção de vias alternativas;
5) os contratos não prevêem critérios rígidos para controle do reajuste de tarifas.

XENOFOBIA SELETIVA

Diante de tanto apreço que LHS tem por tudo o que vem de fora, não deixa de ser engraçado ouvir seu líder na Assembléia, o invocado Manoel Mota, reclamar que as empresas que vão administrar as rodovias privatizadas são espanholas e “o dinheiro vai todo pra lá”. Ora, ora, e as empresas estrangeiras que o LHS quer trazer, vão deixar o lucro aqui?

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

TRAGÉDIA

A esta altura, não resta muita coisa a dizer sobre a tragédia da BR-282. Estamos cansados de ouvir histórias parecidas, talvez sem tantas vítimas de uma só vez, mas o enredo é conhecido.

Um caminhão em excesso de velocidade, ou de peso, ou de droga na cuca do motorista, bate na traseira de outro, jogando-o na contramão. Onde, por azares da fortuna, transita um ônibus.

Depois outro caminhão, cujo motorista encarna bem o espírito dos motoristas brasileiros, avança na contramão, para “podar” os otários que estavam parados, na fila. Como tantos e tantos motoristas de caminhão, acelera a 100 km/h, como se fosse possível parar um trem daqueles. Não dá. O resultado foi o que vimos.

O fato é que as estradas não estão abandonadas apenas quanto à conservação do seu pavimento. Estão abandonadas porque as infrações são cometidas impunemente. A PRF afirma que não tem gente pra fiscalizar. Os governos lavam as mãos. Afinal, se o motorista é maluco, o que eles podem fazer? Poderiam fazer cumprir a lei. Mas parece que isto não é prioridade.

PARECE DEBOCHE I

O Ministério Público de Santa Catarina está recorrendo ao TJ, pedindo a “suspensão dos efeitos da sentença que reconduziu o ex-Vereador Marcílio Ávila à Câmara de Vereadores de Florianópolis”. Alega o MPSC que o vereador utilizou-se do sistema de Justiça de forma dissimulada, para a concretização de um artifício eleitoral.

Ele pediu à Justiça para ser reintegrado à Câmara, porque não tinha tido tempo para defender-se, no processo de cassação. Aí, um dia depois de reassumir, renunciou, para não correr o risco de ser cassado de novo, perder os direitos políticos e ficar inelegível.

Os promotores de Justiça também reclamam, na ação, que a Câmara de Vereadores não foi citada para poder defender-se. Afinal, teve um de seus atos contestados.

Além do que, a história de que não teve direito à defesa porque estava viajando, é bem fraquinha: o caríssimo advogado dele (que só anda de Jaguar) estava fazendo o quê? E quem, em sã consciência, se manda pra Nova Iorque enquanto está correndo um processo de cassação? Só os espertos.

PARECE DEBOCHE II

Li ontem a seguinte nota, na coluna do Raul Sartori (A Notícia):
Imortal – O governador Luiz Henrique poderá ser o próximo imortal da Academia Catarinense de Letras. Alguns acadêmicos tomaram a iniciativa de respaldar seu nome para ocupar a vaga de Almiro Caldeira de Andrada. As inscrições serão recebidas até o dia 21.”

PARECE DEBOCHE III

Esses tucanos não têm jeito mesmo. A Folha de S. Paulo flagrou o deputado federal e ex-ministro Paulo Renato (PSDB-SP) com as calças na mão. Não literalmente, é claro, mas quase. O tucano escreveu um artigo metendo o pau na incorporação do BESC pelo Banco do Brasil. E mandou-o para a Folha, para ser publicado.

Só que, trapalhão, enviou junto, no e-mail, o registro de conversa anterior. E, por ali, vê-se que antes de mandar o artigo para o jornal, o tucano o mandou para o presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, revisar, com um recadinho: “veja se está correto e se você concorda, ou tem alguma observação”.

Vai ver são só coleguinhas, né?

LOCAL? REGIONAL? COMO ASSIM?


Novela das assinaturas de jornais para
escolas estaduais poderá ter novos capítulos


O governo LHS, em 2003, criou uma lei que destinava uma montoeira de dinheiro para comprar assinatura de jornais para as escolas estaduais. Na época, a lei falava que teria que haver um “processo licitatório” para contratar empresa que fornecesse jornais locais e regionais para as escolas.

Não houve licitação (se houve, ninguém sabe, ninguém viu) e, jogando no lixo o parágrafo que falava em jornais locais e regionais, o governo contratou, por uns dois milhões de reais, assinaturas do Diário Catarinense e de A Notícia, para todas as escolas do estado. Jornais estaduais.

Ao longo dos anos, para alegria desses jornais, a coisa vem sendo renovada acríticamente. Com a compra de A Notícia pela RBS, o sorriso dos gaúchos ficou ainda maior.

O secretário da educação em 2003 era Jacó Anderle (PSDB). Um sujeito decente. Que deve ter engolido a contragosto o “acordo”. Não acredito, pelo que conheço da sua história política, que ele tivesse engendrado essa interpretação maliciosa da lei, que deixou os locais e regionais a ver navios. Ele não está mais aqui para defender-se, mas o fato é que, até onde se sabe, aceitou e calou.

Agora, em 2007, a lei foi modificada. A mudança mais visível foi a supressão da necessidade de licitação. Não entendi o motivo da mexida, mas é certo que não foi por acaso ou sem querer.

“PAGA A RBS!”
No começo do ano (ou no final de 2006), quando chegou a hora de renovar as assinaturas, o Grupo Gestor, que parece que é quem de fato governa, disse que não havia dinheiro para pagar a RBS.

E, de fato, não pagaram. Mesmo sem o pagamento, os jornais foram fornecidos, por três meses. Mas aí veio uma ordem “superior”. LHS em pessoa teria saído dos seus cuidados para ir até o porão e mandar acabar com essa esculhambação: “paga a RBS!”, teria sido a ordem. E a RBS foi paga.

Um parênteses: cada vez que eu falo com gente do governo sobre a grana paga à RBS, eles me corrigem, dizendo “peraí, não é à RBS, são assinaturas do DC e da Notícia”. Nem me dou ao trabalho de contestar. Fecha.

Pois bem, devidamente “contornado” o parecer contrário do Grupo Gestor, as assinaturas deste ano estão garantidas. Mas, e o atual secretário da educação, Paulo Bauer (DEM) o que pensa disso tudo?

INSATISFAÇÃO
Conversei ontem com o Diretor Geral da Secretaria, Silvestre Heerdt, que me atendeu por solicitação do secretário, que estava viajando. E ele afirmou que a situação vai mudar. “Para o ano, teremos modificações na forma como isso é feito”, disse.

Eles pretendem recuperar o espírito original da lei e transferir às escolas a decisão sobre os jornais locais e regionais que gostariam de ter à disposição, para suas atividades pedagógicas.

Perguntei se estavam preparados para a pressão que a RBS certamente fará contra essa pretensão e o Diretor pareceu-me tranqüilo quanto a isso. Disse-me que, se depender do secretário, não haverá mais renovação automática das assinaturas dos jornais da RBS. “O secretário não está satisfeito”, afirmou Heerdt, para destacar o interesse em encontrar uma nova forma de conduzir o caso.

PRAGA

Bom, mesmo que o secretário da Educação consiga injetar um pouco de bom senso no governo e as escolas passem a ter acesso a jornais locais, em vez dos jornais estaduais, resta um problema muito sério: conseguir cancelar as assinaturas da RBS.

No DIARINHO de ontem tem a queixa de uma senhora que não consegue cancelar a assinatura do JSC. Eu mesmo, que uma vez caí na besteira de assinar o DC, passei maus bocados não só para cancelar, como para recuperar o dinheiro que, tempos depois, sem minha autorização, debitaram indevidamente da minha conta bancária. Mesmo com todo o rolo que já fiz, de vez em quando ainda aparece o jornal na porta de casa. E dá-lhe estresse, infernizando a vida das atendentes, para que parem de me mandar jornais não solicitados. Claro, eles mandam sem que a gente peça e depois, também sem que a gente peça ou autorize, começam cobrar.

E o mais curioso é que as coitadas, que ouvem a nossa reclamação, estão em Florianópolis, mas as pragas que autorizam débitos e envios não solicitados, ficam em Porto Alegre, protegidas pela distância.

Então, se eles dificultam a vida até de uma velha senhora, por causa de uma mísera assinatura, nem quero pensar no que farão para não perder os preciosos R$ 2 milhões anuais, da viúva estadual.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

UÉ!? PRIVATIZARAM?

Não sei vocês, mas eu lembro perfeitamente da campanha eleitoral, onde o Lulinha Paz e Amor aparecia como o tio bonzinho que protegia os bens públicos, e o adversário... Alckmin? e seu partido, PSDB, eram os monstros que venderiam o Brasil a preço de banana.

Fiquei convencido que, enquanto Lula estivesse no governo, ainda mais desfrutando de amplo apoio popular e relativamente folgada margem de apoio parlamentar, jamais privatizaria nada.

Entendi até que o PT e seu líder viam com simpatia aquele movimento pela reestatização da Vale do Rio Doce. Ou seja, o PSDB era o partido da privatização, o PT e Lula, da estatização.

Não foi, portanto, sem alguma surpresa (mesmo que, de uns tempos para cá, nada mais me surpreenda), que assisti a privatização de várias rodovias federais. Manoel Mota (PMDB) e deputados do PT catarinense devem estar possessos com essa “derrota”.

Vamos ver se agora continuam mobilizados para cobrar, dos governos, explicações sobre a destinação da grana dos impostos. Pras estradas, a gente já sabe que não iam.

PREPARE O BOLSO

Para quem viaja bastante por via rodoviária, é uma boa notícia. Afinal, a experiência brasileira tem mostrado que as estradas, privatizadas e pedagiadas, ganham qualidade e se mantém em boas condições por mais tempo.

Aqui em Santa Catarina, dois dos principais trechos foram “entregues” pelo governo Lula a grupos privados espanhóis: a rodovia de Florianópolis a Curitiba (BRs 101 e 376) e a BR-116 inteira (que passa por Lages).

Segundo as primeiras informações, de Florianópolis a Curitiba serão instaladas cinco praças de pedágio e em cada uma o usuário morrerá com R$ 1, mais ou menos. Na BR serrana os preços serão mais salgados (será que é porque estão prevendo despesas com duplicação?): R$ 2,50 em cada praça. Estão previstas três praças, para o trecho que vai da divisa do RS com SC, até Curitiba.

Aquela coisa horrorosa que é a Régis Bittencourt também foi privatizada, para alegria dos motoristas catarinenses que vivem pra cima e pra baixo, levando e trazendo produtos (hortaliças, pescados, etc) do e para o Ceasa paulistano.

Ah, dia desses arrebentei uma roda e um pneu num buraco, na Régis Bittencourt, perto de Registro, SP. Como sou viajante esporádico, o que tive que gastar ali, na bucha, pra poder continuar a viagem, daria pra pagar pedágio por alguns anos.

CASAN SEM CPI

O casal Walmor e Ada de Luca vai passar o feriadão sem sobressaltos. A Comissão Parlamentar de Inquérito que iria investigar a Casan (e, por extensão, a campanha eleitoral da deputada que dorme com o presidente da empresa), foi arquivada.

E o deputado Marcos Vieira (PSDB), depois de ter domado as feras e conseguido que a CPI da Casan fosse para a gaveta do esquecimento, dedicou-se a aprovar um projeto de lei para acabar com os Pit Bull em Santa Catarina. A lei responsabiliza os donos dos cães pelos danos que as ferinhas causarem.

CASACA ROTATIVA

Esse nem é mais vira-casaca. De tanto mudar de partido, digamos que instalou uma casaca rotativa.

O blog do Vieirão (vieirao.com.br) conta o milagre (um vereador da capital que é o campeão do troca-troca), mas não diz o nome do santo:
“Elegeu-se a primeira vez em 1992, pelo PDT; em 1996, pelo PMDB; em 2000 e 2004, pelo PSDB. E vai disputar a eleição de 2008 novamente pelo PMDB.”
E aí, descobriram quem é? O blog dá mais algumas pistas:
“As escolhas do edil podem parecer aleatórias, mas não são bem assim. Elas seguem uma lógica clara e precisa: sempre disputar a reeleição sob o abrigo do poder, com o apoio da máquina pública, se possível das duas, do município e do governo do Estado.

Em 1992 o PDT fez parte da coligação que elegeu Sérgio Grando prefeito.

Em 1996 o PMDB governava Santa Catarina com Paulo Afonso e mantinha cargos no governo Grando.

Em 2000 o PSDB era aliado de Angela Amin na Câmara e integrava o colegiado do governo do Estado, então sob o comando do Esperidião.

Em 2004 o PSDB dividia os cargos do governo LHS e só deixou Ângela na véspera da eleição, quando lançou Dário Berger à prefeitura da Capital.”
Bom, mesmo tendo que descontar que a turma do Vieirão é do PP, a esta altura a ficha caiu e eu acho que descobri. Mas não vou facilitar a vida de vocês. Vou prolongar o suspense. E só vou dar mais uma dica: foi sobre este vereador que, em dezembro de 2005, escrevi o seguinte, dentro de uma nota onde comentava os out-doors natalinos que os políticos espalharam:
“O mais direto e objetivo, sem dúvida nenhuma, é o do vereador ... (PSDB). Decerto ele cansou de mensagenzinhas água com açúcar e resolveu ir direto ao assunto. O out-door é simples. Tem a foto dele e, bem grande: “Desejo votos”. Lá embaixo, pequenininho que quase nem dá pra ler direito (vai ver preciso trocar os óculos) tem “de boas festas e feliz natal” ou coisa parecida.”
Se descobrirem, anotem num papelzinho e colem na porta da geladeira. Afinal, todo mundo diz que eleitor tem memória fraca...

ESSA IDELI...

Pois não é que a líder do governo, senadora Ideli Salvatti (PT), agora está lamentando o fato do Renan não apear da presidência do Senado? Claro, quando conversa com jornalistas catarinenses, ela carrega mais nas tintas e dá a impressão que é contra Renan desde criancinha. Na tribuna do Senado, é mais “soft”, não afirma que ela quer que Renan saia, mas pelo menos já admite que existe um “clima” contrário a ele.

Ora, cá entre nós, se tem alguém que não pode queixar-se das coisas terem chegado aonde chegaram, é a dona Ideli. Ela participou ativamente, pelo que nos contam testemunhas oculares da História (os jornalistas de Brasília), de algumas manobras iniciais que deram, ao ínclito Renan, a base sobre a qual ele apoiou sua espetacular cara de pau e seu estonteante estoque de óleo de peroba.

O problema é que, a esta altura, o discurso da vossa líder parece coisa de quem, no meio do caminho, teria levado um passapé, ou uma mão boba, do pudibundo Renan. Soa como mágoa de cúmplice traído. Aliado de primeira hora que, por algum motivo que jamais saberemos, passou a ser adversário. “Soft”, “light”, mas adversário.

A ARENA DE VOLTA

Lembram da tal “arena multiuso” que queriam espremer ali no aterro, entre a estação do esgoto e o centrosul, na Ilha? Aquela, cujo edital teve que ser suspenso porque o Tribunal de Contas encontrou um monte de erros e falhas?

Pois estão consertando os erros do edital e preparam-se para voltar à carga. Pra variar, segundo um dos secretários municipais, “agora só falta alterar o zoneamento da área”. Vão mudar de Área Verde de Lazer para Área Comunitária Institucional.

Claro, pra que iríamos querer uma “área verde de lazer”? Muito melhor ter outra arena. Construída (ou pelo menos começada), desta vez, pelo LHSDB.

[Recado do Espírito Crítico do autor, psicografado pelo Palhares (aquele canalha): “companheiro, o final dessa nota aí tá bem fraquinho. Coisa de humorista velho, que acha que consegue fazer graça com trocadilhos da década de 70. Metade dos leitores não sabe o que é arena e mdb e a outra metade, por causa da idade, não se lembra. Muito menos querendo juntar uma arena do Jaime Lerner, toda estilosa, com um LHSDB, que ninguém vai relacionar ao MDB. E muito menos desconfiar que o DB é de Dário Berger. Não sei como tens coragem de publicar um troço desses...”]

COCOSUGO NA CABEÇA

Desde que comecei esta coluna, aqui no DIARINHO, transcrevo-a num blog (deolhonacapital.blogspot.com, sim aqui mesmo), para que leitores, que moram onde o jornal não é vendido, também possam acompanhar as aventuras políticas (recadinho sutil para os leitores que moram de Florianópolis até Barra Velha: de vez em quando comprem o jornal na banca, para ajudar minha chefe a pagar meu salário).

Aquela história do LHS-Consult, com a qual enchi lingüiça ontem (só a lista de figurões ocupou quase a coluna inteira), fez a cabeça dos leitores que usam o blog para fazer seus comentários sobre as notas da coluna.

Reproduzo, abaixo, o que eles disseram lá (ali, no espaço de comentários) sobre o tal Conselho. E teve até um que se deu ao trabalho de corrigir o uso que eu faço do português, coisa muito bem vinda, porque além de não ser um grande conhecedor da língua, ainda escrevo rápido e releio sem grande atenção.
1. Não tem pra ninguém. É o governo mais brega do Brasil.

2. E o Tucano ficou/virou uma Arara. Não é que esqueceram de convidar o o vice-governador Leonel Pavan para o “Cocosugo”? Penas vão voar...Viva a tríplice-aliança...

3. Vou ser curto e grosso a respeito do assunto: absolutamente patético e ridículo. Tribunal de Contas neles.

4. Reunião do “Clube dos Gourmets”?

5. Não sei, mas cada vez mais sinto-me vivendo na Idade Média, numa daquelas aldeias que ficavam instaladas junto às paredes externas dos castelos.
Lá dentro do castelo festas, bebidas, luxo, tudo obtido com o trabalho (impostos) do povo.
Na aldeiazinha, fome, falta de segurança, miséria, doenças e, de vez em quando, uma chuva de excrementos jogados do alto da torre.
Será que o Lucas Mendes, o Boni ou o Gerdau sabem que fazem parte deste Conselho?
Se sabem, será que irão participar? Estudar Santa Catarina, viajar pelo interior do Estado para conhecer como vive o colono e quais são as suas dificuldades e necessidades?
Os problemas reais não são resolvidos.
Quanta senilidade.

6. O porta-voz (lembram?) Antônio Britto não se reelegeu no RS; Germano Rigotto sequer chegou ao segundo turno.

7. Gostaria de saber a impressão do Nelson Piquet sobre esse colendo.
Ele, Piquet, com seu indefectível amargor e sinceridade, deve estar rubro de vergonha com tamanha estupidez.
O Jorge mesmo, gostaria de saber mesmo sua opinião sobre tamanha, estupida e brega reunião.
Não, TC neles não, é cadeia mesmo.
Acho até que o LHS faz de sacanagem.

8. Bem, depois da filiação do Dário Berger ao PMDB ter sido feita nas dependências da Secretaria de Desenvolvimento Regional de São José...

9. Notou a água mineral servida na tal reunião? [Era Charrua] Será que não é possivel prestigiar a industria catarinense? Será que não existe fonte de agua mineral em Sta Catarina?

10. O Vieirão quando secretário da fazenda não permitia a compra de água mineral que não fosse catarinense.

11. Em “se é que haverão”, troca-se o verbo por “haverá”. É esquisito, mas é o correto. “Haverá reuniões”, assim como “houve reuniões”.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

AGORA VAI! COMEÇOU A FUNCIONAR A “LHS-CONSULT”

O COLEGIADO VIP VAI SE REUNIR AO VIVO UMA VEZ POR ANO
E A QUALQUER HORA NO MSN OU NO ORKUT

O governador LHS instalou, domingo, o tal Conselho Consultivo Superior do Governo do Estado (Consult) no Costão do Santinho (do amigo e também conselheiro, Dr. Marcondes). Vinculado ao Gabinete do Governador, o Consult “tem como objetivo gerar políticas de crescimento para Santa Catarina”.

Na reunião de trabalho da segunda-feira, a julgar pelas fotos (para ir para a página do governo onde estão as fotos, clique aqui), o figurão internacional Domenico De Masi e o presidente da Fiesc, empossados domingo, fizeram “forfait” (vai ver, tinham ido ao banheiro na hora da foto). E vários secretários de estado tomaram parte da reunião que acabou parecendo um encontro do colegiado (as secretarias regionais foram substituídas pelos VIPs).

“Queremos que os conselheiros contribuam com suas experiências, conhecimentos, inteligências para que possamos concretizar nosso objetivo, que é a construção de um Estado de qualidade”, afirmou Luiz Henrique. E os implicantes (eu inclusive) já começaram a falar mal.

Ora, todo governador e presidente conversa com figurões, ouve suas opiniões, chama de vez em quando um grupinho pra comer um churrasquinho e trocar uma idéia. Mas nenhum, ou poucos deles, dão a esta atividade simples e corriqueira, o caráter que LHS deu.

Teve até pastinha com o nome “Consult” impresso (ou seria bordado?), pruma reunião que, ficou-se sabendo depois, só acontecerá uma vez por ano. No resto do tempo, segundo contou o ex-comunista e recém-peemedebista Quirido, eles vão se comunicar pela Internet. Não é uma coisa impressionante?

FIGURÕES – Na foto acima, do domingo à noite, aparecem os primeiros conselheiros:

1. Raphael de Almeida Magalhães
Ex-secretário do Planejamento do governador Carlos Lacerda, foi vice-governador e governador em exercício do Rio de Janeiro e Ministro da Previdência.

2. Ruy Hülse
Foi diretor Cecrisa e da Cerâmica de Santa Catarina S.A (Cesaca). Também foi deputado federal por três legislaturas, presidente da Assembléia Legislativa por duas vezes e prefeito de Criciúma.

3. José Zeferino Pedroso
Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc). Em janeiro deste ano, deixou a presidência da Cooperativa Central Oeste Catarinense (Coopercentral Aurora).

4. Jorge Bornhausen
Ex-governador e ministro-chefe da Casa Civil na gestão de Fernando Collor, também foi governador de Santa Catarina, senador e embaixador do Brasil em Portugal.

5. Antônio Britto
Eleito governador do Rio Grande do Sul em 1994, o jornalista gaúcho foi ministro da Previdência da gestão de Itamar Franco, deputado federal e presidente da Calçados Azaléia.

6. Germano Rigotto
Ex-governador do Rio Grande do Sul, foi deputado federal e relator da proposta de reforma tributária.

E a foto continua, abaixo.

7. LHS
Governador do Estado e autor da idéia

8. Fernando Marcondes de Mattos
Empresário dos setores hoteleiro e plástico. Na Grande Florianópolis, é um dos diretores da Inplac e do Costão do Santinho Resort.

9. Domênico De Masi
Sociólogo, professor de Sociologia do Trabalho da Universidade La Sapienza, de Roma, e diretor da S3 Studium, empresa especializada em ciências organizacionais. Autor de vários livros, entre eles O Futuro do Trabalho.

10. Alfredo Felipe da Luz Sobrinho
Ex-secretário do Planejamento e da Fazenda. É diretor de Relações Institucionais e Jurídico da Sadia.

11. Alcides Abreu
Doutor em Direito pela Universidade de Paris, teve participação decisiva na criação do Besc e da Udesc. Tem 17 livros publicados.


12. Alcântaro Corrêa
Presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina.

13. Glauco Corte
Faz parte da diretoria da Cerâmica Portobello e é primeiro-vice-presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina.

14. João Paulo Freitas
Presidente da Indústria Cerâmica de Criciúma (Cecrisa), e presidente da Associação Catarinense de Vinhos Finos de Altitude (Acavitis) e dono da vinícola Vila Francioni, de São Joaquim.

15. Lírio Parisotto
É presidente da Videolar, a maior empresa brasileira de soluções integradas e serviços para as indústrias cinematográfica e fonográfica. Atua também no setor de resinas plásticas (poliestireno), atendendo os setores eletroeletrônico, plástico, descartáveis e alimentos.

16. Udo Döhler
Empresário do setor têxtil e cônsul honorário da Alemanha em Santa Catarina, é diretor do Hospital Dona Helena, de Joinville.

E TEM MAIS


Além destes, que apareceram para a festa do domingo, a lista do LHS ainda tem outros nomes, tão ou mais impressionantes:


Albert Fishlow
Professor de Economia e Diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Colúmbia (Nova Iorque)

Décio Silva
Presidente da WEG

Ignacy Sachs
Economista polonês, naturalizado francês, é co-diretor do centro de pesquisas sobre o Brasil contemporâneo na escola de altos estudos em ciências sociais de Paris.

Jorge Gerdau Johannpeter
Presidente do Grupo Gerdau

José Bonifácio Sobrinho (o Boni)
Ex-diretor da rede Globo, responsável pela criação do “padrão Globo”.

Júlio Moura
Florianopolitano, Presidente do GrupoNueva, Presidente do Conselho da Masisa S.A. e da diretoria da Amanco. Vice-presidente do Comitê Executivo do Conselho Mundial Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável.

Lucas Mendes
Jornalista sediado em Nova Iorque, ex-correspondente da Rede Globo, âncora do programa Manhattan Connection.

Nelson Piquet
Ex-piloto de corrida, tri-campeão mundial de Fórmula 1. Empresário.

ADENDO DA MADRUGADA – Se eu fosse um jornalista sério, ligava pro Ilson, diretor da Secretaria de Comunicação e perguntaria: essa gente chique toda está ganhando alguma coisa, algum jeton? Quem pagou hospedagem e passagens? As atas das reuniões, se é que haverão, serão públicas? Eles poderão também criticar o que virem sendo feito errado?

Mas, como sou só um palpiteiro sem compromisso, vou desligar este troço, colocar uma música e ler um livro. Ou ver um filme. Até amanhã.

A CAMPANHA NA RUA


A foto acima foi tirada durante a movimentada convenção do PSDB de Balneário Camboriú, sábado último, que elegeu o prefeito Rubens Spernau como presidente do partido.

Nela, o vice-governador Leonel Pavan aparece seguido de perto pelo deputado federal Gervásio Silva, que nos últimos dias não tem feito outra coisa senão explicar por que mudou, pra que mudou e por que acha que não terá que desmudar.

E tenta manter, a alguma distância, o famoso mala Carlos Alberto, popular Chifrudo, que faz um barulho danado com seu megafone. Os bordejos do cara do megafone são um dos indícios mais claros que a campanha, se não começou, está para começar.

“LURIAN E EU”

Trechos do relato da jornalista Aline Cabral, no blog dela:
“Atrasada quase meia hora, cheguei hoje à porta do Centro Integrado de Cultura e fui barrada para a cerimônia com o presidente Lula, para a qual fui convocada por motivos profissionais. ‘Não pode entrar, senhora, está lotado’, disse o segurança. (...).

Nesse meio tempo, chegou a Lurian, filha do homem, e foi direto pra porta. ‘Não pode entrar, senhora, está lotado’, disse o segurança. Ela ficou meio sem jeito e disse que era convidada, pra ver se o despreparado porteiro se tocava. Não adiantou, e ela teve que dizer a verdade: ‘Sou filha do presidente’. Aí a coisa mudou de figura, colocaram pra dentro rapidinho.

Eu fiquei ali mais um tempinho olhando uns engravatados que também foram barrados e um cachorro preto que dormia indiferente. Aproveitei pra viajar um pouco sobre como seria se meu pai fosse presidente... Só não queria ser filha do Lula.”
Para ler as ótimas sacadas da Aline, sempre muito bem escritas, em cima de pequenos eventos cotidianos, vá até pensamentospublicos.blogspot.com.

sábado, 6 de outubro de 2007

LULA EM SC

ASSÉDIO AFETIVO

DÁRIO SE DECIDIU!

O prefeito de Florianópolis, que praticamente desde que entrou para o PSDB faz biquinho e ameaça sair, finalmente tomou uma decisão. No último minuto, da última hora, bandeou-se para o colo do LHS. Na verdade, mais para o colo do Eduardo Moreira, que é o presidente do PMDB. E levou, a reboque, o pastor, surfista e vice, Bita Pereira.

Outro que também gosta de uma indecisão, o ex-prefeito Édison Andrino, que estava sai-não-sai do PMDB, ficou de vez. E não é candidato a nada, mesmo porque, com os irmãos Berger na parada, não tem pra ninguém.

Ah, o Vinícius Lummerz, o popular Quirido, oficializou de direito a união que mantinha de fato. Ele estava casado com o PPS, mas vivia em concubinato, há bastante tempo, com o PMDB.

O PSDB da capital, dirigido pelo deputado Marcos Vieira (que diz que fez de tudo pro Dário não ir embora), distribuiu uma nota dando tchauzinho pro prefeito e anunciando que os tucanos terão candidato próprio em 2008.

O AUTOR DA FAÇANHA

O figura da foto ao lado, com bandeira do Internacional na mesa, é o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (nascido em SC, mas radicado em Rondônia). É dele a responsabilidade de ter tirado, da Comissão de Constituição e Justiça, dois dos mais ilustres e respeitados senadores da República: Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos. Para atender sabe-se lá a qual senhor (Renan ou Lula?), o Raupp (que vez por outra é chamado de Ralpp) prestou-se a esse papel patético, que certamente o tornará famoso no mundo das patifarias.

Ulysses Guimarães, coitado, onde estiver, deve estar batendo com a cabeça na parede e arrancando os cabelos das sombrancelhas [oops, falha nossa! tem um “m” sobrando aí: o correto é sobrancelhas], desesperado com o que essa gentinha está fazendo com o que restava de dignidade no PMDB.

RESPINGOS DA SEXTA

Coisinhas que foram ditas na coluna de ontem e que mereceram acréscimos e comentários.

CADÊ O DEPUTADO?
Identifiquei, na foto do plenário quase vazio, cinco deputados e havia uma dúvida. O sexto deputado, atrás do Júlio Garcia, era o Antônio Aguiar (PMDB).

DONO DA RUA
A leitora Tatiana afirma que “todas as emissoras fazem a mesma coisa”. E conta o macete: “eu, que também sou jornalista, sei como funciona. Ligamos com antecedência para a Guarda Municipal, pedimos autorização e fica tudo liberado. Não é só a RBS que faz isso.”

TREMEI, INFIÉIS!

O Supremo Tribunal Federal fez o que o Congresso deveria ter feito e colocou ordem na suruba partidária. Deixou claro que o mandato não é do eleito. É do partido ao qual ele era filiado quando se elegeu. Os casos passados de infidelidade ainda serão analisados.

Mas já tem muito neguinho tendo que dar explicacação. Como o Gervásio Silva (PFL... não, PSDB... será?), na foto, cercado de repórteres. O triste, no caso dele, é que a Agência Brasil, da Radiobrás, distribuiu essa foto aí informando, na legenda, que se tratava de um deputado do Acre!

Logo que vi, achei que ele também tinha trocado de estado. Mas que nada, tinha sido apenas um erro da agência. Ele continua em SC. E, junto com vários outros deputados, vereadores e prefeitos, com as barbas de molho. Afinal, ainda podem perder a boquinha.

LHS-CONSULT

Parece nome de consultoria chique e, de fato, é. LHS empossa, domingo, o Conselho Consultivo Superior de Governo, cuja sigla mais óbvia, Cocosugo, foi substituída pela elegante Consult. E vamos ver se vocês já conhecem o suficiente como funciona o governo LHS: onde será a posse, domingo, e onde será a reunião inaugural, na manhã de segunda?

Enquanto vocês pensam, deixa eu contar que o Palácio, digo, Centro Administrativo, só liberou para a imprensa quatro, dos 25 nomes que comporão o Cocosugo, digo, o Consult. Estarão lá o Domenico De Masi, o ex-governador gaúcho (!!!) Germano Rigotto, o ex-governador Jorge Bornhausen e o empresário Udo Döhler.

Previsto na última reforma administrativa, o conselho de notáveis está ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos e vai ajudar LHS a planejar o futuro de Santa Catarina.

O local? Ora, é claro que será no Costão do Santinho. Fácil essa, não?

PARCEIRO INSEPARÁVEL
Colegas que cobriram a Futurecom, grande feira que foi realizada em Florianópolis, contam que, assim que o sujeito chegava no estande do Governo do Estado (com apoio Fapesc e Certi), recebia um folheto: “Concorra a um fim de semana no Costão do Santinho”. Dizia o texto:
“O Costão do Santinho está sorteando um final de semana com direito a 1 (um) acompanhante ao visitante do estande do Governo do Estado de Santa Catarina, durante o Futurecom.”
Não é lindo? Que sinergia, que empatia, quanto amor e carinho, né? Foi, com certeza, sem qualquer outro envolvimento e com pureza d’alma, que o Costão deu esse presentão.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

O MANDATO É DO PARTIDO

Tarde da noite, o STF terminou de julgar a questão da fidelidade partidária. Como meus horários de fechamento não comportavam esperar, nem falei no caso, na coluna. Mas não posso deixar de fazer pequeno registro aqui. Uso, para isso, trecho da nota que o Josias de Souza, da Folha, publicou no seu blog “Nos bastidores do poder”, sob o título “STF deflagra reforma que Congresso sonega ao país”:
“O Legislativo já havia terceirizado ao Executivo, com suas medidas provisórias, a tarefa de elaborar as leis que regem o dia-a-dia da nação. Exaustos da própria ociosidade, os congressistas abstiveram-se de aproveitar o tempo livre ao menos para produzir a reforma tida por todos como essencial. Como o oco e a política são conceitos inconciliáveis, o STF cuidou de ocupar o vazio. E o fez, diga-se, por provocação de três partidos com representação no Congresso: PSDB, DEM e PPS.

Um Congresso que, além de omisso em suas atribuições básicas, aceita como razoável a interferência espúria do Palácio do Planalto não tem moral para insurgir-se contra a legítima interpretação que o STF fez da letra da Constituição. O fenômeno da infidelidade partidária guiava-se até aqui por duas leis: a lei do mais forte e a lei da selva. Passa a ser regido agora pela lei do bom senso. Quer trocar de legenda? Pois devolva o mandato ao partido.”
Para ler a íntegra, clique aqui.

CADÊ O DEPUTADO QUE TAVA AQUI?

Na foto acima, o Plenário da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, durante uma das sessões matutinas de quinta-feira (dia 27/9, pra ser mais preciso). Até onde a vista consegue alcançar, vemos ali cinco deputados, dos 40. O Sargento Soares (PDT), sentado em sua cadeira, o Manoel Motta (PMDB) discursando e, na Mesa, os deputados Sérgio Grando (PPS), Dagomar Carneiro (PDT) e Júlio Garcia (DEM), que presidia a sessão. De pé, atrás do presidente, está uma pessoa que, na foto, não consegui ver se era algum deputado ou um servidor da casa (como sempre, se quiser ver a foto um pouco maior, basta clicar sobre ela).

Por favor não tomem a foto, em si, como uma crítica ou um registro fiel de algum malfeito: alguns minutos antes e depois do momento em que bati a foto, o plenário tinha um número bem maior de parlamentares. Por algum motivo, a maioria saiu ao mesmo tempo, deixando o Manoel Mota praticamente sozinho, com os telespectadores da TVAL.

Mas puxei essa foto dos arquivos porque ontem, justamente numa das sessões de quinta (que são realizadas pela manhã), o deputado Rogério Mendonça, o Peninha (PMDB) tocou no assunto do trabalho dos parlamentares. Ele rebateu críticas de que os deputados trabalham só dois dias e meio por semana (que é quando ocorrem as sessões plenárias).

E ele trouxe de novo a justificativa do trabalho “junto às bases”: “a atividade parlamentar se intensifica ainda mais nos finais de semana”, que é quando eles cumprem extensa programação de visitas e contatos.

Esqueceu-se, porém, o Peninha, de destacar um outro aspecto importante da atividade parlamentar, que é o trabalho das comissões. Enquanto os contatos “nas bases” servem, em grande medida, para manter o prestígio político do parlamentar e pavimentar seus próximos projetos eleitorais, o trabalho nas comissões define o que, afinal, será votado em plenário.

É nas comissões que os detalhes dos projetos e outras medidas são acertados. E vocês sabem que tanto Deus, quanto o diabo, moram nos detalhes. Embora seja no plenário que eles discursem e façam fita para aparecer na TV, é no trabalho das comissões que os parlamentares se revelam.

BIGUAÇU DE FORA

Durante todo o período do governo LHS, o site de notícias do governo registrou todas as solenidades de entrega de título de cidadão honorário. Com direito a fotos e tudo o mais.

Mas agora, que chegou a vez de Biguaçu, uma nova norma vetou a divulgação: afirmam que, por cautela, para não ser considerada promoção pessoal, deixaram, “de uns tempos pra cá”, de publicar as fotos da entrega de títulos de cidadão a LHS.

Os últimos títulos para LHS registrados foram os de Cunha Porã (21/9), Major Vieira (18/9), Porto União (5/9), São Lourenço do Oeste (26/7) e Saltinho (20/7). Tem também o de Santo Amaro da Imperatriz, para o Pavan (9/7).

Que pena. Eu estava curioso para ver como foi a festa, realizada numa das maiores indústrias do município que, por coincidência, pertence ao Doutor Marcondes.

DONO DA RUA

BOMBACHA AÇORIANA

Os manezinhos da ilha (eu inclusive) estão espantados com a novidade: a organização da 7ª Açorfesta (Festa da Tradição Açoriana), que será realizada neste final de semana em São José, programou, para encerrar o evento, a apresentação dos grupos tradicionalistas gaúchos Legião Campeira e Ivonir Machado e Banda.

Tá certo que o Rio Grande do Sul, e especialmente Porto Alegre, também teve uma importante contribuição açoriana no seu povoamento. E isto está adequadamente representado pela presença, no programa, do grupo de dança da Casa dos Açores do Rio Grande do Sul.

Mas, por algum obscuro motivo mercadológico, a turma da Fundação Municipal de Cultura e Turismo da prefeitura de São José acha que uma festa açoriana não vive só de açorianidades. E talvez até imaginem que, ao trazer Leci Brandão para uma noite de “samba e pagode” e encerrar com uma noite de “músicas tradicionalistas e gauchescas”, estejam “valorizando” a festa.

Que nada. Ao fazer essa mistura, visando a bilheteria, estão demonstrando que não entendem nada de valorização da herança cultural. E provavelmente nem sabem direito por que se deve respeitar e cultivar esses valores.

VIRA CASACA

O ex-deputado Eduardo Paes, ex-secretário-geral do PSDB, é mais um dos críticos ferozes do governo Lula que esquece o que disse e se joga no colo dele. Mudou-se para o PMDB, para tentar concorrer à prefeitura do Rio com apoio de Lula. Quem viu o moço, na CPI dos Correios, dando de dedo no governo, decerto se surpreendeu com a cara de pau e o oportunismo da virada. No PSDB, será substituído pelo Pavan.

PEDÁGIO

Pararam a BR 101 por 30 minutos em “protesto contra os pedágios” nas estradas catarinenses. Nada contra o direito que temos todos, de protestar, falar e reclamar. Mas esse recurso barato de, por qualquer motivo, fechar rodovias e pontes, já demonstra, no mínimo, falta de criatividade e excesso de apego ao marketing, amor a tudo que atraia as câmeras de TV.

Volto a insistir na insanidade desse protesto, principalmente porque é liderado pelo PT e pelo PMDB. O PT, que governa o Brasil com apoio do PMDB, nunca fez nada para que os escorchantes impostos que pagamos, vários deles destinados especificamente para a construção e conservação de rodovias, fossem usados corretamente.

Que opção esses senhores protestantes nos oferecem? Rodovias sem pedágio mas, em compensação, com os buracos de sempre e a conservação porca a que estamos habituados? Como eles pensam em produzir, de uma hora para outra, rodovias de boa qualidade? Com dinheiro federal? Por acaso alguém foi perguntar ao Lula e ao Mantega se eles topam?

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

DÍVIDA LONGA VIDA

O secretário de Turismo da capital, Mário Cavallazzi (e), está com a multinacional Tetra Pak nos calcanhares, chamando-o de caloteiro em notícia crime. Foto de arquivo, dos tempos em que o Juarez Silveira (d) ainda circulava na prefeitura.

A multinacional Tetra Pak, que lidera o mercado de embalagens para “líquidos e viscosos” (como o tal leite “longa vida”) e atua em 165 países (no Brasil está há uns 40 anos e tem o monopólio do setor), está pegando no pé do Secretário de Turismo, Cultura e Esporte de Florianópolis, ex-deputado Mário Cavallazzi. Afirma que a empresa dele, a Brasil Import Agroindustrial, lhe deve R$ 458 mil, em equipamentos e mercadorias, desde 2000.

Cavalazzi afirma que é o contrário, que a Tetra Pak é que lhe deve e que assim como ela o está processando, ele também tem ação na justiça contra ela. “Eles são os abutres da indústria leiteira: se em cada litro de leite cerca de R$ 0,50 é para remunerar o produtor, R$ 0,90 é para pagar a embalagem deles”, diz o secretário.

“POSTURA MARGINAL”
A Tetra Pak, em 2003, por intermédio de seus advogados, deu entrada com uma notícia crime na vara criminal da capital. Ali fica-se sabendo que os sócios principais e administradores da Brasil Import, à época das compras, eram Mário Roberto Cavallazzi e Jean Marcel Silveira Gomes. E diz lá o advogado dos credores, ao justificar a medida tomada, que a Brasil Import “continua inadimplente com a referida quantia, até a data atual, mercê de estratagemas ignominiosos, liderados sem ética nem pudor pelo seu sócio quotista Mário Cavallazzi”.

E ainda afirma que fez o possível para receber o que lhe era devido, “sem êxito, em virtude da postura marginal dos Noticiados”.

“BANDIDOS”
A história que Mário Cavallazzi conta, resumidamente, é a seguinte. A pedido do BNDES, ele assumiu um projeto leiteiro, no interior de São Paulo (São Miguel Arcanjo). Coisa grande, de cerca de 100 mil litros/dia. Mas a exigência de um volume muito alto de capital de giro, fez com que ele decidisse sair do projeto e vendeu a usina.

Como o comprador não conseguiu regularizar sua situação com o BNDES e desistiu, a Tetra Pak, que tinha vendido vários equipamentos e arrendado outros, conseguiu uma autorização judicial e retirou os equipamentos. Nesta operação, teria retirado inclusive os que já haviam sido pagos, “pra tu veres como eles são bandidos”.

“Só uma das caldeiras que eles levaram e que já estava paga, vale o dobro do que eles dizem que devo”, afirma Cavallazzi. É por isso que ele diz que o credor é ele.

SÓCIO-COBRADOR

A Tetra Pak pediu a falência da Brasil Import em 2001. E como a multinacional não é fácil, continuou a acompanhar e investigar a vida da empresa. E, na notícia crime, afirma que, em janeiro de 2002, Mário Cavallazzi retirou-se da sociedade, cedendo a totalidade de suas cotas sociais a Edilton José Vitorino. Uma semana depois, o outro sócio, Jean Gomes, fez a mesma coisa, deixando em seu lugar Marco Antônio Woltrich.

Os advogados da Tetra Pak descobriram que o “empresário” Edilton, na verdade, é um pedreiro, que não tem a menor idéia da fria em que o meteram. Já o outro “novo sócio” era, na época, cobrador de ônibus na Emflotur. Por uma graninha (R$ 200), teria assinado uns papéis. Não deixa de ser irônico: colocar um cobrador pra driblar os credores.

“ÚNICO INSUCESSO”
As idas e vindas, alterações, mudanças, tentativas de venda e outros percalços da Brasil Import são semelhantes ao que acontece a tantas outras empresas que não tiveram sucesso e que precisam encontrar maneiras de lidar com a situação e a legislação. Cavalazzi diz que a usina de leite é um episódio doído, porque foi seu único insucesso empresarial. Mas a história do pedreiro e do cobrador, “é mentira”.

A Tetra Pak sempre foi uma pedra no sapato. Como não tem concorrentes, a multinacional cobra as embalagens à vista: “tinha que ter R$ 95 mil por dia só para pagar as embalagens e quando tinha feriadão de quatro dias, por exemplo, a coisa piorava, porque se não pagasse R$ 380 mil, o caminhão não descarregava”, diz ele.

A QUANTAS ANDA
O Ministério Público Estadual decidiu que era o caso de propor uma denúncia criminal, por estelionato. A lei manda que, nos crimes cuja pena mínima seja inferior ou igual a um ano, seja oferecida também uma proposta de “suspensão condicional do processo”.

O promotor achou que os acusados não cumpriam as condições que os habilitaria a tal proposta e não a fez. O juiz da 3ª Vara Criminal discordou do procurador e recorreu à Procuradoria Geral de Justiça, que acolheu a argumentação do juiz e designou novo procurador para fazer a proposta.

A proposta que será feita, na audiência do dia 8 de novembro, é a seguinte: se pagarem o que devem, o processo será suspenso. Caso não topem, aí caberá ao juiz decidir se aceita ou não a denúncia.

Há outra ação, civil, de cobrança, que é mais lenta e onde Cavalazzi só agora apresentou o contraditório. A ação de Cavalazzi contra a Tetra Pak corre em São Paulo.

SEM INTERMEDIÁRIOS

TÁ TUDO LIBERADO

Leitor manda o seguinte comentário:
“a Prefeitura de Fpolis está revitalizando os canteiros da Av. Hercílio Luz no Centro. Até aí tudo bem. A primeira parte já ficou pronta e foi aprovada. Agora, na segunda etapa, foi preciso encerrar as atividades de uma floricultura que atrapalhava o trabalho, por estar em área pública. Só que a tal floricultura, que já tem um ponto comercial nesta avenida, está se mudando para o centro da Praça Olívio Amorim, ocupando nova área pública. A comunidade não foi consultada e desconfia-se de “interesses outros” por trás do empreendimento. Não foi à toa que, nesta semana, dois colaboradores do Prefeito Dário pediram as contas, alegando não poderem trabalhar em função da “cultura” existente em Floripa de privilegiar interesses particulares.”

CULTURA À DERIVA

Num dia ficamos sabendo que o extraordinário Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul, está sendo depredado e pode fechar definitivamente, porque o governo LHS/Benedet não tem grana pra oferecer uma segurança eficiente. E isso logo ali, ao lado da querida Joinville.

No dia seguinte, descobrimos que o Encontro Nacional dos Museus, marcado para julho de 2008 em Florianópolis, poderá ser levado para outro estado. Tudo porque o governo LHS/Knaesel quer porque quer que o evento seja em Joinville (ou em Orleans).

CPI DA IDELI

Foi dada a largada. Raimundo Colombo (DEM) será o presidente da CPI das ONGs. Teoricamente, vão investigar onde a montanha de R$ 33 bilhões, que a viúva deu, foi parar. A líder Ideli Salvatti (PT) luta desesperadamente para que o relator seja “confiável”. Como se pressentisse que pode sobrar para ela e seus amigos (lembram do Lorenzetti?). Bom, pelo jeito teremos duas batalhas: a nacional e a catarinense.

ESSES ARQUITETOS...

Já disse que um blog é um blog e isto aqui é coisa diferente. Claro, diferentemente do que se espera de um blogueiro, eu atualizo apenas uma vez por dia (geralmente depois das 23h) e transcrevo a coluna do jornal. Mas, às vezes, acabo rendendo-me à agilidade e facilidade de publicação do blog e pelos mais diferentes motivos tenho colocado notas aqui que não sairam no jornal. O principal problema é o espaço. O jornal não é de borracha, e se uso algumas fotos não sobra espaço pra muito texto. Outro problema é que jornal é impresso só uma vez por dia. Aí sempre tem coisas que me ocorrem, ou que acontecem, depois de ter enviado a coluna.

De qualquer forma esta nota, com seu enorme nariz de cera, é o tipo da coisa que só cabe num blog. A relação do colunista com leitores, lá, é diferente desta relação aqui.

Dito isto, vamos ao que interessa, que é o que não saiu lá, mas está aqui. Recebi ontem uma cartinha que dá continuidade ao tema “arquitetos”:
Prezado Sr. Valente

A matéria publicada pelo New York Times é interessante, divertida e perspicaz.

Muitos arquitetos, um grupo profissional caracterizado pela falta de humor em relação às suas atividades, consideraram aquele artigo uma ofensa pessoal. Bogagem, é claro.

Bem mais incisivo em relação ao assunto é o texto de Annie Choi publicado no Pidgin Magazine.

A leitura vale em especial por tratar-se de um caso raro: uma jornalista desmantela, com bom humor e sarcasmo, o mito do “Santo Graal” do exercício da arquitetura.

Cordialmente

Alfred
O Alfred que enviou o bilhete acima e me trata por “Sr. Valente”, é o arquiteto Alfred Biermann, que também havia chamado a minha atenção para o artigo do The New York Times, cuja tradução publiquei ontem (está abaixo, é só rolar a tela).

Acima, a reprodução das páginas da revista Pidgin, com a carta aberta da Annie Choi. Mal traduzindo, o título diz, mais ou menos: “Queridos Arquitetos, estou cheia das suas cagadas.” (Dear Architects, I'm sick of your shit.)

Se clicar nas fotos, abre-se uma ampliação. Mas separei uns links que permitem uma leitura mais confortável do artigo da Annie Choi:

Para ler em inglês, no blog PartIV, é só clicar aqui;

Em espanhol, aqui.

Tem também em italiano, na revista Abitare, que não está on line. Sei que existe uma tradução em húngaro, mas não achei (principalmente porque não sei como se diz shit no idioma magiar).

A Pidgin Magazine é a revista dos estudantes do curso de Arquitetura da Universidade Princeton, e seu site está aqui.

Pra quem ficou curioso sobre quem seria essa figura, o endereço do blog da Annie Choi é www.annietown.com/. Pra quem entende inglês, é uma boa pedida, porque ela é muito engraçada. Ia dizer inteligente e engraçada, mas aí seria redundância.

Ah, pra terminar, sei que nem precisava dizer, mas trata-se de uma crítica bem humorada. Ninguém aqui está mesmo disposto a matar arquitetos, nem fala muito sério quando sugere que eles mudem de profissão. Sei que pelo menos os dois ou três arquitetos e arquitetas que conheço, saberão levar na esportiva. E se algum arquiteto quiser escrever uma carta aberta aos jornalistas, pode mandar. Até agora é só jornalista e político que tem falado mal de jornalista...

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

DOUTOR MARCONDES TEM PODER!

Tinha terminado a coluna do jornal e ela já estava até na gráfica, quando caiu a ficha de uma coisa estranha (e grave) que tinha lido, mais cedo, na agenda de hoje do governador LHS. Mesmo sem ter podido incluir o comentário no jornal, registro aqui. Pra não passar em branco.

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Governo do Estado de Santa Catarina

Material de Imprensa

AGENDA DO GOVERNADOR - Quarta-feira (3)
Florianópolis, 02/10/2007 18:50:07

(...)

20:00 - Solenidade = Entrega do Título de Cidadão Honorário de Biguaçu ao governador Luiz Henrique.

Local: INPLAC - BR 101 - Km 195 - Biguaçu.

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O governador recebe esses títulos quase toda a semana, de quase todos os municípios catarinenses. Mas geralmente as entregas são feitas na Câmara de Vereadores. Ou em algum outro espaço público, como a prefeitura ou um dos inúmeros ginásios/“centreventos”. Até mesmo o salão de algum clube, por causa do espaço, pode ser usado sem grandes problemas.

Só que, no caso de Biguaçu, contudo, a entrega será numa empresa privada. Justamente a empresa do Doutor Marcondes. Seria mais ou menos como entregar um título de cidadão florianopolitano no Resort Costão do Santinho. Não tem lógica.

Com este gesto mostram, vereadores, prefeito e governador, ao povo trabalhador e sofrido de Biguaçu, quem é que manda na cidade.

Tomara que tenha sido só um ato falho do cerimonial e que até à noite encontrem um local mais adequado para a solenidade.

TÁTICAS URBANAS

“Primeiro a gente mata os arquitetos”
(Texto e ilustrações surrupiados do The New York Times, de 9 de setembro, como uma contribuição para o debate sobre urbanismo em cidades situadas em ilhas. Tradução feita por mim mesmo. Para ler o original, “First we kill the architects”, é só clicar aqui.)

Por Danny Lyon*

Pediram-me para ajudar a desenhar uma cidade. Estou orgulhoso. No passado, este era um trabalho para imperadores e reis. Mas é claro que hoje as coisas são um pouco mais complicadas. Tendo usufruido de uma educação em escola pública municipal de Nova Iorque, 65 anos de vida, e com a paz de espírito necessária para pensar claramente que tenho hoje, morando numa fazenda, onde cultivo meus próprios vegetais e peixes, recomendo o seguinte:

1
Primeiro a gente mata os arquitetos.

2
Daí, queima os shoppings. (Seguindo o exemplo de Alexandre, a gente mantém as livrarias e os cinemas, como ele preservou a casa e a biblioteca de Píndaro, quando queimou Tebas.)

3
Redução de impostos e incentivos fiscais para todas as pequenas empresas que quiserem construir sobre as cinzas ou se instalar no centro.

4
O uso de bicicletas é estimulado.

5
Apenas veículos movidos a eletricidade são permitidos. (Muitas cidades na China já baniram as motocicletas. Apenas as elétricas são permitidas)

6
Deixe a escavação do World Trade Center exatamente como está e use o espaço como um tanque de água doce, cultivado com lírios aquáticos rosa, brancos e amarelos. Encha-o com vários tipos de peixes (bass, sunnies, fat-head minnows) e tartarugas. Pesca permitida só para crianças até 12 anos. (A água doce pode ser bombeada do subsolo, do pântano do Beckman [Beckman’s Swamp], que está enterrado sob as ruas a leste). Uma pequena estátua do Voltaire deverá ser instalada ali, também.

7
Dez por cento de toda a área da cidade deve ser de campo aberto, onde você pode “tocar a terra”. Se isto não for espaço suficiente, podemos demolir os bancos e transformá-los em campos de flores e grama nativos. Um quarto do espaço livre será usado para cultivar verduras.

8
Mascotes são permitidos em todos os edifícios.

9
Polícia do celular, com galões bordados com as palavras “Polícia do Celular”.

10
Incentivos fiscais e prêmios em dinheiro de até US$ 10 mil, para cada pessoa trazida do Outro Lado. Qualquer cidadão que tenha um amigo que seja criminoso, prostituta ou viciado/traficante de drogas e consiga, pela amizade, exemplo, emprego ou estímulo, transformar tal pessoa em um cidadão útil e não predador, receberá o prêmio. Não há limite para o número de pessoas que você pode trazer do Outro Lado, nem para a soma que você poderá ganhar nesse programa social beneficente. Boa sorte.

===============================
* Danny Lyon é fotógrafo, autor de livros como “A Destruição do Baixo Manhattan”, com trabalhos expostos no Museu Whitney de Arte Americana até novembro. Este ensaio faz parte do livro “Quadra a Quadra: Jane Jacobs e o Futuro de Nova Iorque” (Block by Block: Jane Jacobs and the Future of New York) que foi lançado em setembro pela Princeton Architetural Press, simultaneamente com uma exposição na Municipal Art Society. Ilustrações de Stuart Goldenberg.

CONTRAMÃO

Hoje, às 14h30, no trevo Palhoça/Santo Amaro, da BR 101, haverá uma “manifestação contra a privatização das rodovias catarinenses”, convocada por uma “Frente Parlamentar Contra Pedágios em Santa Catarina”.

O mais interessante nessa história (que de resto resultará apenas em transtorno para a população), é a participação do PT e do PMDB nesse movimento. Como participantes da base do governo federal, esses parlamentares deveriam saber como são inócuas (e prejudiciais para os esforços de Lula para destravar o desenvolvimento) essas tentativas de manter Santa Catarina como o reino da buraqueira estatal.

Os deputados estaduais do PMDB, então, pretendem o quê? Que alguém, mais adiante, faça protestos contra alguma das tais parcerias público-privadas que LHS alinhava com tanto carinho? Ou querem apenas dizer a LHS que não dão bola praquela história de buscar investimentos privados?

E, acima e além de tudo, interromper o tráfego na BR-101 pra quê? Por acaso os diretores do Banco internacional que emprestou dinheiro pra duplicação e exige o pedagiamento vão passar por ali, de automóvel, naquela hora? Não, não vão. Então essa história é só pra encher o nosso saco, né?

TÁ TUDO LIBERADO

O prefeito da capital conseguiu tirar dois secretários competentes que, por isso mesmo, estavam “atrapalhando” a ratatulha fisiológica que se nutre de cargos e favores. Agora está “à vontade” para dar e receber. Lamentável.

“OLHA ELE LÁ, MÃE!”

Não tem aqueles guris ranhetas, que quando são apanhados com a boca na botija ou com a mão no baleiro, pra se livrar das palmadas, deduram o irmão, a prima, o amigo?

Pois está assim, a polítitica nossa de cada dia. E cada vez pior. Do senado às câmaras de vereadores, o mesmo espetáculo. A defesa dos acusados é, invariavelmente, a acusação a outros. Esse retorno relâmpago do vereador Marcílio Ávila, então, está engraçadíssimo (voltou na segunda e ontem já caiu fora, renunciou).

Tal como Renan começou a falar todos os podres que sabia dos colegas, pra que eles, amedrontados, baixassem a bola contra ele, o ex-presidente da Santur chegou de dedo em riste. Levantando malfeitos dos acusadores.

O que dá nojo é que eles nos tomam por idiotas. Então quer dizer que, se a Ângela Albino teve uma doação não declarada, o Marcílio não fez o que fez pelo Floripa Shopping? E se o Xandi surfou no dinheiro público, então o Marcílio não acelerou a lei da hotelaria?

O que é que tem a ver o cu com as calças? Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O resto é só manobra dessa gente de rabo preso que acha que, se espalhar bastante lama, acaba boiando.

OMBRO AMIGO

Recebi ontem uma cartinha que comprova, mais uma vez, que esta coluna é como uma espécie de ombro amigo, onde se pode chorar as mágoas.

Naturalmente, não vou dizer o nome do queixoso embora, para que vocês possam avaliar a relevância da queixa, seja necessário informar que é assessor de imprensa em uma das secretarias do desenvolvimento regional. Não se trata, portanto, de gente “de oposição”. E como servidor comissionado, quer que o governo LHS dê certo, que tudo funcione direito. Só por isso é que reuniu coragem e mandou dizer, em resumo, o seguinte:
“Nos últimos dias tenho conversado com diversos colegas assessores de imprensa das regionais e todos pedem maior organização e, por que não dizer, competência, por parte dos que comandam a Secretaria de Comunicação. A reunião do Colegiado, realizada em Salete, serviu também de ponto de encontro para os assessores. Havia, entre todos, uma espécie de sentimento de abandono, como se não tivessemos comando. Cada um está trabalhando mais por instinto, do que por uma estratégia traçada. A nostalgia, inevitável, era visível. Entre qualidades e defeitos, todos invocavam os nomes dos companheiros Gayoso e Ênio [chefes anteriores], que mantinham contato quase diário com os assessores de imprensa das Secretarias Regionais e Centrais.

Além disso, a quantidade de erros no site de notícias é cada vez maior. E nem preciso dizer que todas as ações de Governo parecem acontecer só após as 16 horas, horário no qual as matérias começam a ser baixadas.”

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Perguntar não ofende...

COLEGIADÃO

Fiquei um pouco decepcionado com o LHS. Ele tinha falado que, na reunião de Salete, estariam todos os comissionados do estado. Ia ser um acontecimento, fazer caber mais de mil pessoas na cidade. Mas acabaram fazendo uma reunião só dos comissionados e conselhos de desenvolvimento das regionais mais próximas. Mesmo assim, deu umas 600 pessoas.

Na parte do encontro onde participaram apenas os secretários de estado, o salão também ficou lotado. Não consegui saber se eles aproveitaram o excelente piso da pista de dança do clube para ensaiar alguns passos. Afinal, a regional de Timbó lançou o projeto “Brasil Dança em Salete” e poderia querer começar com “governo dança em Salete”, só pra testar.

À tarde, LHS fez (de novo!) aquela palestra que quase todo mundo já ouviu (resistência às mudanças). O secretário de Desenvolvimento Regional de Xanxerê, Júlio Bodanese, elogiou a reunião e nem reclamou da palestra manjada: “A gente já conhece a palestra, mas a presença de prefeitos, conselheiros, gerentes e membros da comunidade só enriquece a reunião”.

O NOSSO MANGABEIRA

O Mangabeira Unger, vocês sabem, escreveu um artigo chamando o governo Lula de corrupto. Depois de convidado para ser ministro, se desdisse e chegou a afirmar o contrário.

Pois leio, nos despachos enviados diretamente do “front” da reunião de Salete, que o ex-senador Geraldo Althoff (DEM, atual secretário de Estado da Articulação Nacional), antigo crítico da descentralização de cabides, aproveitou a ocasião para explicar que agora é a favor da descentralização desde criancinha.

Ele fez uma apresentação sobre “sua mudança de ponto de vista”. O secretário disse que estudou experiências aqui e no exterior, entendeu melhor a coisa e descobriu que, no caso catarinense, LHS conduz uma gestão vitoriosa do processo. “Hoje sou completamente a favor do processo de descentralização, que só traz benefícios à população distante dos centros de tomada de decisão”, disse ele.

O NOSSO RENAN

Faltou pouco, muito pouco, pouco mesmo, para que o processo contra o ex-presidente da Câmara, Marcílio Ávila, o encontrasse ainda como presidente. Se fosse o caso, dizem seus desafetos, produziria-se um espetáculo semelhante ao que vemos no Senado, em termos de “daqui não saio, daqui ninguém me tira”. Mas como ele abraçou a boquinha estadual da Santur, privou-nos, na época, do espetáculo.

Boquinha boa mesmo, essa, que permitiu ao vereador escapulir para Nova Iorque na hora certa e ainda com despesas pagas por nós. Graças a esse artifício (“colou! colou!”, devem ter-se admirado ele e seus advogados), o moço está de volta.

De um lado, ele e sua turma dizem que voltam por cima, dando as cartas, em condições de presidir comissões e colocar ordem na casa. Animado, o re-vereador já faz até planos para reassumir a Santur e voltar a viajar.

Por outro lado, tem gente que acha que seria prudente ele renunciar logo. Porque o juiz anulou a sessão que o cassou, mas não extinguiu o processo. Então, a coisa não terminou.

PEDRA NO... CAMINHO

Quando já estava todo mundo fazendo análises e avaliações cavilosas sobre as ausências do prefeito Dário na convenção municipal do PSDB e outros eventos, eis que o homem baixa hospital, para uma cirurgia de urgência. Agora, quando ele se recuperar e voltar à ativa, poderemos ver se aquele jeitão enfastiado era só por causa da dor, ou por causa do desencanto com o andar da carruagem política.

A NOSSA SAÚDE

Por falar nisso, um dos dados mais importantes das pesquisas divulgadas no final de semana pela RBS é a preocupação dos moradores da capital com a saúde. A cidade vive uma situação espantosa: os hospitais estão sempre lotados, as UTIs, então, não dão conta, as emergências parecem à beira do colapso final.

Ter bons planos de saúde ou muito dinheiro, ajuda pouco, em Florianópolis: há várias décadas que não se constroem ou ampliam hospitais. Uma capital sem Pronto Socorro. A capital das macas nos corredores. E das ambulâncias fazendo fila na porta.

A voz das ruas


[Como sempre, neste blog, é só clicar sobre a foto que se abre uma ampliação]