sábado, 24 de novembro de 2007

“VOCÊ É MUITO BURRO”

Leitor me manda cartinha indignada, por causa da nota de ontem, sobre a corrida de kart na Ilha e aproveita para fazer uma pergunta bem pertinente. Transcrevo-a na íntegra:
“Nota-se que você é muito burro em se tratando de automobilismo, ou não tem o que falar e arruma coisas só para pegar no pé do Dário e do Luiz Henrique. Você está a serviço de quem? Da Ângela ou do Amin?”
Caro leitor: em primeiro lugar obrigado pela leitura e pelo trabalho de me enviar sua opinião. É perfeitamente natural, num país onde a imprensa tem escassa tradição crítica e o normal seja encontrar colunistas “de opinião” sem opinião própria, achar que são todos paus-mandados.

Já falei aqui, mas repito com prazer: uma das funções fundamentais desta coluna é justamente pegar no pé das tais autoridades. Prefeitos, governadores, presidentes, todos os que exercem cargos públicos, que são mantidos por nós para prestar-nos serviços, estão permanentemente sob exame.

Claro, o eleitor e o contribuinte nem sempre se dão conta de como é importante fiscalizar, acompanhar, avaliar criticamente e questionar tudo o que os nossos servidores fazem e deixam de fazer. Humildemente (embora de vez em quando me chamem de arrogante), tento dar a minha contribuição, pegando no pé de quem está no poder e falando sempre que encontro algum rabo preso ou alguma bunda na janela.

“A SERVIÇO DE QUEM?”
Além da minha consciência (e, dependendo do assunto, a minha mulher), ninguém manda em mim. Minha única fonte de renda, nesta coluna, é o que me paga o jornal. Não tenho acertos de qualquer tipo com quem quer que seja, para dizer isto ou aquilo, citar ou deixar de citar fulano ou beltrano.

Também não morro de amores por este ou aquele lado, nem tenho raiva. Se estivéssemos falando de futebol, em vez de política, diria que não tenho um time do coração, nem torço pra ninguém em especial, mas aprecio um bom jogo. Um jogo limpo. Acho enjoado ver times, cartolas, jogadores e jogos desonestos, mal jogados, enrolados, chatos.

Gosto de imaginar que estou a serviço do leitor. Do contribuinte. Da democracia. Pode parecer presunção, e talvez seja, mas acho isso importante. E sinto-me honrado em poder dispor de um espaço nobre, num jornal de grande circulação, para poder prestar esse serviço. Que naturalmente, com todas as minhas limitações, não agrada a todos.

7 comentários:

Ilton disse...

Muitos me criticam por atacar o Lula e o PT. Mas vou desancar quem? O FHC? O Collor? Ainda não. Critico quem está lá em cima. Reelejam o Collor ou o FHC e meu azougue se virará contra eles na primeira cagada que fizerem. E olha que o meu blog não é politiqueiro, apenas malomenos politizado. Abraços.

marcello disse...

Prezado Cesar;
Isso que eu chamo de dar um tapa com luva de pelica!
Magistral a sua resposta!
Vc já ouviu falar em Eduardo Guimarães? Ele criou o Movimento dos Sem Mídia (MSM)! Visite o site dele:
http://edu.guim.blog.uol.com.br/
Abçs
BionRJ

Anônimo disse...

ÉSUM - ÉS UM MONSTRO - Leitor aí tá mal informado ou - ou ...ou
...deixa prá lá.Abraços

Anônimo disse...

Caro jornalista "independente", me diga então por que você nunca questionou a autorização que a Angela Amin concedeu para a construção do shopping Iguatemi, dois dias antes de terminar o mandato? E mesmo assim ficou de fora da Operação Moeda Verde?
Por que você nunca questionou a Angela, nem a Polícia Federal sobre isto?
Independência tem que ser mostrada na prática e não discurso. Aliás, "independência" só depois de ter perdido o emprego no palácio do governo, né? Quando você era funcionário do LHS não criticava, muito pelo contrário.
Quanto aos seus apoiadores, aí de cima, infelizmente eles não o conhecem.

Cesar disse...

Prezado anônimo: pelo jeito sou mesmo um ilustre desconhecido. Porque é claro que tu também não me conheces. Prestei serviços ao governo LHS, como assessor de imprensa da Secretaria da Administração e, enquanto estive na função, procurei exercê-la com profissionalismo. E, como costumo fazer, não misturei alhos com bugalhos: não exerci qualquer função em veículo de comunicação durante aquele período. Quando recebi o convite para fazer a coluna no Diarinho, tratei de sair do governo (para tristeza do anônimo, não “perdi” o emprego). Dei-me até uma espécie de “quarentena” de um mês e pouco, antes de começar na nova função.
Quanto à insistência do anônimo em que eu fale da ex-prefeita: mais de uma vez comentei sobre o fato dos esquemas fraudulentos da prefeitura não terem nascido agora. E assim que ela for citada ou indiciada, é claro que voltarei ao assunto.
Só gostaria de lembrar que se, de fato, como supõe o anônimo, ela tiver suas culpas, isto não alivia em nada as culpas daqueles que estão no poder agora. Acusar antecessor não significa anistia. É, ao contrário, a forma mais rasteira de defesa: “fiz, mas todo mundo faz”.

Gus disse...

Como diria o Noblat, médico acredita que é Deus e o jornalista tem certeza. Jornalista fazer uma matéria isenta? Alguém conhece? Esse jornalismo raivoso que so procura erros e defeitos nas coisas - da oposição, é claro - tem os seus adeptos e certo charme na corporação. Já dizia alguém que a virtude está no meio, afinal até para a vida a água e o calor são essenciais, mas o seu excesso a mata. Citar os defeitos, mas também as qualidades de alguém, somente traz benefícios. A raiva não é boa conselheira.

amilton alexandre disse...

tio césar, me considero a elite dos teus leitores.

És o vinho branco gelado dessas tardes quentes.

desculpe os ignaros , eles não sabem as asneiras que proferem.